"É melhor, não, Finn!" Rachel tentava conter o marido, que estava com as duas mãos dentro da camisola dela e beijava seu pescoço. "A porta tá aberta, amor."

"As meninas já dormiram, Rach. Eu preciso de você!" Disse, manhoso, e ela deixou que ele continuasse avançando.

Finn tirou a camiseta de malha que usava para dormir e beijou a esposa na boca, enquanto acariciava seu seio direito e subia pela coxa esquerda. Tocou a intimidade dela, pressionando o clitóris por sobre a calcinha de algodão, e ela moveu o quadril para cima, silenciosamente pedindo por mais. Livrou-se da peça que separava seus dedos daquela pele sensível, quente e úmida, masturbando a morena mais um pouco, mas não estava com muita paciência para preliminares, então arrancou a própria cueca do corpo, ficando sobre ela na cama, pronto para penetrá-la.

Para sua sorte, a esposa o puxou pela nuca, querendo mais um beijo nos lábios, que levou tempo suficiente para que ele não chegasse a se conectar intimamente com ela antes de ouvir uma vozinha infantil vindo da porta do quarto. Aubrey entrara no cômodo, choramingando e chamando pela mãe, sem imaginar o trauma por que poderia ter passado, uma vez que crianças tendem a ver o sexo como uma briga violenta entre os pais.

Finn saiu tão rápido de cima de Rachel que se estatelou no chão. Para sua sorte, caiu do lado oposto ao que a filha escolheu para subir no móvel, buscando os braços de Rachel, e no mesmo lado em que sua boxer e a camiseta de malha tinham sido jogadas. Apesar de não estar muito claro, foi recolocando tudo, enquanto Rachel abraçava a menina, para que ela não o visse bem.

"O que houve, meu amor?" A mãe perguntou, fazendo carinho nos cabelos dela.

"O papai caiu! Você se machucou, papai?" Falou, secando os olhinhos com as mãos.

"Não! O papai só pulou aqui pra pegar uma coisa." Ele disfarçou, já terminando de se vestir.

"Por que você tá chorando, anjinho?" Rachel questionou, mais uma vez.

"Eu sonhei que a buxa malvada veio aqui, e deu bolo venenado pa Biana e ela caiu. Eu guitava muito, muito, mas ela não codava, mamãe! Eu fiquei com tanto medo!"

"Foi só um pesadelo, minha linda." Finn assegurou, sentado ao lado das duas. "Tá tudo bem."

"Você pomete que a buxa não vai fazer nada com a Biana, papai?"

"As bruxas só existem nas histórias, filha." Rachel explicou, mas era difícil para uma menina de pouco menos de três anos entender.

"Como assim?"

"A bruxa, a Branca de Neve, o príncipe... eles tão todos numa história, que foi inventada por alguém."

"Então, eles existem, ola!" A garotinha cruzou os braços e franziu a testa, revoltada com a mentira dos adultos.

"É, mas eles existem na história, não no nosso mundo. A bruxa não poderia trazer bolo envenenado pra sua irmã."

"Esse mundo da histólia é assim tão longe?" Questionou, curiosa.

"É dentro dos livros, da televisão, do cinema. Eles não saem de lá, entendeu?" Finn tentou usar um argumento que, por ora, satisfaria a filha.

"Que bom, então, poquê eu não quero que buxa faça nada com a Biana. Eu amo ela." Finn e Rachel sorriram um para o outro, orgulhosos do grande afeto existente entre suas meninas.

"Vem! Eu vou te levar pro seu quarto, agora, e a gente passa no da Brie, pra você ver que a sua irmã tá ótima, dormindo como um anjinho." Finn ofereceu seu colo para a pequena, que se encolheu no da mãe.

"Não! Eu não quero." Falou, escondendo o rosto no pescoço da Sra. Hudson.

"Mas tá tudo bem, meu amor!" Rachel garantiu.

"Eu queria dormir aqui, po favor! Mesmo que a buxa não venha, eu não quero sonhar com ela de novo." Implorou e os pais se entreolharam.

"Só hoje, tá, filha? Você não tem razão pra ter medo de ficar no seu quarto, ok?" A mãe falou e ela assentiu.

"Obigada, mamãe." Deu um rápido beijo na bochecha dela, saindo de seu colo e abraçando o pai. "Bigada, papai." Sorriu e encheu o rosto dele de beijos, como se tivesse percebido que ele não gostou tanto da ideia.

Finn relaxou, gargalhando junto com Rachel, e com a própria Aubrey, quando esta parou de atacá-lo com carinhos. A menina, então, deitou-se entre os pais, coçando os olhos e bocejando, e o casal também se acomodou à sua volta, observando uma das bonequinhas de carne e osso que tinham feito juntos, e que eram motivo de muitas preocupações, mas ainda mais de enorme alegria.

"Papai, me conta uma histólia sem buxa?" Aubrey pediu, de repente, quando Finn pensava que ela já tinha até dormido.

"Sem bruxa? Deixa eu ver se sei alguma." Pensou um pouco.

"Pode ser A Bela e a Fera, filha?" Rachel sugeriu.

"Eu adoro!" Ela respondeu entusiasmada, sentando-se na cama. "A xícara pergunta pra mãe dela, que é o outro negocinho de café o que tá acontecendo com a Bela e..."

"É você quem vai contar ou eu?" O pai perguntou, fingindo estar zangado, mas rindo.

"É você, papai. Você vai contar melhor." Ela acomodou-se de novo no travesseiro da mãe.

"Muito bem, então. Era uma vez uma menina que adorava ler..." Finn começou a história e teve que fazer a maior força do mundo para não dormir antes da filha, coisa que a mulher não conseguiu. Ambos estavam cansados, mas, felizmente, eles dormiram pelo resto da noite e começaram a contar com a ajuda da babá logo pela manhã, podendo assim se arrumar e tomar café com calma.

"Eu ontem disse pra você que a gente não devia fazer nada com a porta aberta." Rachel reclamou, sentada à mesa. "Imagina se a Aubrey chega minutos depois!"

"Você tem razão, mas eu não sei o que fazer, então. Nós não podemos fechar a porta, porque as meninas são pequenas, e nós não estamos arrumando babá pra dormir. Já tem mais de um mês que a Cloeh foi embora! Eu preciso..." Ele parou, percebendo que tinha aumentado consideravelmente o tom de voz, devido à irritação crescente. "Eu preciso fazer amor com a minha mulher!" Completou, pausadamente e quase sussurrando.

"Você acha que só você sente falta disso, Finn? Sério... você não acha que eu quero uma babá, pra ontem, pra poder ficar com você, sem preocupações, depois de colocar as meninas na cama?"

"Eu não disse que você não sente, Rachel. Eu disse só que eu preciso e que a gente tem que achar uma solução!"

"Então, você acha uma! Porque eu não vejo outra que não seja contratar uma babá, e mesmo oferecendo um valor bem acima do mercado nós... não. Estamos. Conseguindo. Uma!" Falou, secando os lábios com um guardanapo, jogando o mesmo dentro do prato e deixando a mesa.

"Rach... Rachel." Ele chamou, mas ela não voltou.

Finn tomou café chateado, mas não foi atrás de Rachel, porque achava que ela tinha exagerado. Ela, por sua vez, mesmo sabendo que sua reação fora extrema, preferiu ficar um pouco afastada e pensar, ao invés de simplesmente pedir desculpas. Então, mais ou menos meia hora depois, os dois se despediram das meninas e, sem ter falado um com o outro de novo, ainda, pegaram o elevador juntos e foram até a garagem. Ambos se ocuparam mexendo em seus celulares e enviando mensagens, até chegarem perto de seus carros.

"Será que a gente pode ir no meu?" Ela acabou com o silêncio.

"Por que razão?"

"Eu vou precisar do carro. Tem problema pra você?" Perguntou, em tom normal, como se não tivessem discutido.

"Não. Tudo bem." Ele também se desarmou, dirigindo-se à porta do carona.

"Você tem alguma reunião hoje?" Ela perguntou, quando já estavam na rua, parados em um sinal vermelho.

"Não. Tá bem tranquilo meu dia, graças a Deus." Respondeu, vendo o sinal ficar verde e Rachel entrar para a esquerda na próxima rua. "Rach! Era pra direita, amor!"

"Não o lugar pra onde nós vamos hoje." Ela afirmou, sorrindo. "Manda uma mensagem pros seus assistentes e diz que você não vai. Só não precisa dizer que foi sequestrado pela sua mulher. Pode inventar uma virose, que fica mais discreto." Riu.

"O que aconteceu, babe? A gente vai pra onde?" Ele enrugou o cenho.

"Aconteceu que você tem razão. Nós somos um casal muito jovem pra ficarmos mais de um mês sem uma boa transa. Então, eu concluí facilmente que, se a gente não tem babá à noite, a gente vai ter que aproveitar o dia."

"Se você não tivesse saído como um foguete e me deixado falando sozinho, eu teria sugerido algo, como deixar as meninas com a minha mãe ou seu pai, por algumas horas."

"A gente pode fazer isso outro dia, mas hoje nós vamos pra casa de praia do meu pai. O caseiro já deve estar fazendo algumas compras que eu pedi, nesse momento." Avisou e ele sorriu.

"Se for pedir resgate por mim, será que poderia ser só daqui a uns dias?" Brincou.

"Você fala isso agora, mas eu duvido que não fosse sentir falta das princesinhas do papai mais tarde." Implicou e ele não respondeu, porque, na verdade, não tinha a menor dúvida de que morreria de saudade de Brianna e Aubrey.

Em pouco tempo, eles estavam na casa, que dava para uma praia particular paradisíaca, tomando champagne na varanda sobre uma espreguiçadeira dupla que mais parecia uma cama de tão grande e confortável. Aproveitaram a bebida deliciosa, o barulho gostoso do mar e o vento, abraçados, por um tempo, mas então Finn tirou a taça de cristal da mão de Rachel e começou a beijá-la com o mesmo desejo ao qual tentara dar vazão na noite anterior, em vão.

"Eu acho que você e eu estamos vestidos demais para a beira da praia." Comentou, desabotoando a camisa de seda azul que ela vestira quando ainda pretendia ir trabalhar.

"Essa é uma coisa com a qual eu tenho que concordar." Não perdeu tempo e também começou a despi-lo, abrindo sua calça social.

"Eu tenho que te avisar que provavelmente a primeira vai ser rápida como se eu fosse um adolescente." Falou ofegante, enquanto dava mais velocidade à retirada das peças que cobriam seu corpo.

"Se você me recompensar com duas, não tem problema." Negociou, quase completamente nua.

Os beijos e as carícias dessa primeira rodada foram bem rápidos e o orgasmo realmente atingiu Finn com velocidade. Ela podia não ser mais adolescente, mas era um homem sexualmente ativo que tinha acabado de ficar quase um mês praticamente sem tocar de forma mais íntima a esposa. Coisa que, aliás, ele fez com maestria e total entrega, em seguida, garantindo que a mesma gozasse duas vezes, graças a seus dedos e boca brincando com sua intimidade.

O dia estava só começando e, entre um almoço maravilhoso e um lanche não menos divino, momentos de preguiça na varanda, uma caminhada na praia e a exibição de um filme no telão do quarto, eles fizeram amor outras vezes, em busca do tempo perdido. Decidiram juntos que, se não conseguissem uma babá em até cinco dias, deixariam as meninas uma noite por semana com um dos avós e passariam algumas horas juntos, como um homem e uma mulher que se amam e não apenas como pais.

No entanto, eles adoravam ser pais e, aproveitado aquele momento, foi com prazer que eles voltaram para casa, para encontrar suas meninas. Prazer que só aumentou quando cada uma abraçou uma das pernas do pai, querendo atenção, e quando derrubaram a mãe no sofá e subiram juntas no colo dela, sem deixar que ela fosse para o quarto trocar de roupa antes.

"Hoje é a minha vez de dormir no seu quarto, mãe." Brianna apenas informou. "A Aubrey foi ontem e ninguém me chamou."

"A Aubrey dormiu lá porque tava com medo."

"E daí? Eu quero dormir também."

"Pode dormir, princesa." Foi Finn quem respondeu, sentando ao lado delas.

"Eu quero ouvir a história da Pocahontas." Brie declarou, indo do colo de Rachel para o dele.

"Eu não sei contar essa, filha. Você não quer a que eu contei pra Aubrey, da Bela?"

"Essa eu já sei! Eu conto melhor que você. Até a Aubrey disse!" Deu de ombros. "A gente pode ver o filme da Pocahontas, aí por hoje a gente só vê filme mesmo, e você aprende, pra me contar outro dia."

"Combinado." Concordou, sorrindo e segurou o rosto dela, dando um beijo estalado, que a fez rir, enquanto Aubrey dava o mesmo beijo na mãe, imitando Finn.

"Eu posso ver a Pocahontas também?" A mais nova perguntou, fazendo bico.

"Você já dormiu lá ontem." A outra falou, mandona, como se tivesse que empatar com a irmã, mas quando viu que ela ficou triste mudou de ideia. "Mas vai ser divertido todo mundo junto. A gente pode fazer pipoca." Animou-se.

"Pipoca na hora de dormir? Nem pensar." A mãe acabou com a festa rapidinho.

"Mas pode ser pipoca doce, como sobremesa, se as duas jantarem direitinho." Complementou o pai. "Aí a gente vê um filme na sala, vocês tomam banho, colocam pijama e a gente vê outro no quarto, antes de dormir. O que acham?"

"Tem que comer tudo!" Rachel interferiu e as meninas se olharam, como se estivessem consultando uma a outra sobre se o acordo valia a pena.

"Não tem brócolis, não, né, mãe?" Brianna saiu do colo, puxando a irmã pela mão para irem jantar de uma vez.

"Nem aquela outra árvole que eu não gosto, né?" Aubrey perguntou, torcendo para não encontrar couve-flor no prato.

Finn pegou a mão de Rachel e os dois seguiram as filhas, com quem já estavam sozinhos, terminado o turno da única baba que tinham no momento.

Cuidar de crianças não era a tarefa mais fácil de todas, mas naquela noite a tranquilidade e a diversão pareciam estar garantidas.