Naruto e seus personagens não me pertencem, se não notaram, não estou enriquecendo, também não me responsabilizaria jamais por personagens como Danzou e Orochimaru, minha mente jamais faria vilães tão feios!
Fic Yaoi, by Li Morgan (lê-se: LEMON)! Não, curte, não leia!
Era KakaNaru, agora com é ItaNaru, e me reservo ao direito de usar minha liberdade não remunerada para fazer dessa fic o que eu quiser, se você concorda com meu conceito, ou simplesmente gostaria de aproveitar alguns minutos em uma mente perturbada, enjoy!
Linha do Tempo
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Yakushi Kabuto era um espião de Suna que se infiltrara em Iwa a mais ou menos quatro anos, o próprio Kazekage lhe dera aquela missão, era um homem de Akasuna no Sasori e ficara realmente feliz em ser instruído e ser útil ao homem e a Aliança. Por que Kabuto, mais do que tudo, queria um mundo pacifico para viver, mesmo que não soubesse exatamente pelo que viver. Era um filho da guerra, disso sabia, fora encontrado vagando em um campo de batalha, ferido e faminto. Um inimigo, ou o que deveria ser um inimigo, já que a luta era entre Trovão e Konoha, e foi um iryou de Konoha que se apiedara dele e o levara para a vila, e depois de instruí-lo um pouco, fora mandado a Suna, onde chegara pouco antes de Sasori entrar na cidade tomando o controle de tudo e modificando todo o sistema corrupto que existia ali.
Não tinha realmente uma pátria, exatamente por isso a paz era necessária, para poder ir e vir, até encontrar o seu lugar no mundo.
Sasori se interessara por ele, e sabia que ele era um espião infiltrado, fora Sasori quem mostrara a Kabuto que aqueles que o haviam enviado a Suna estavam mortos ou destruídos, sua missão fracassara quase antes de começar, mesmo assim Sasori lhe mostrou as opções. Pela primeira vez, alguém lhe perguntou o que desejava fazer, voltar a Konoha, ficar em Suna e ser instruído ali, ou partir para onde desejasse ir. Kabuto escolheu Suna e foi instruído desde então pela própria avó do Kazekage. Sasori sempre o tratara com respeito, sempre fora tratado com respeito pelas pessoas de Suna, e sabia que o sonho da Aliança era verdadeiro da parte de Suna. Só depois descobrira que era sincero da parte de Konoha, e o próprio Hokage quando fora a Suna se desculpara com ele pelo que lhe fora feito, assim como era sincero por parte do Amekage e depois Mizukage.
E a Aliança desejava Iwa, e teria conseguido mais cedo se não fosse pelo grupo de rebeldes infiltrados, bastardos sequiosos de poder que tramavam contra a Aliança e principalmente contra Konoha, culpando o Hokage pelo fim da guerra e derrota de Iwa. Kabuto demorara o primeiro ano para conseguir se aproximar desses homens, passara mais dois descobrindo tudo que podia sobre ele, todas as identidades, até que fora capturado. Fazia exatamente quatro meses, três dias e vinte e uma horas. Contara cada segundo e sabia que só o mantinham vivo porque era um iryou, ou porque desejavam vê-lo morrendo de infecção ou inanição. Infelizmente podia demorar até cinco meses para mandar informações então o Kazekage ainda não estaria preocupado com ele e apostava que já estaria morto, por causa dos bastardos ou por sua própria decisão, quando Sasori desconfiasse de sua falta de notícias. Via a forma como dois daqueles sádicos o olhavam, cada vez mais famintos e sabia que chegaria o dia em que eles deixariam de apenas feri-lo fisicamente e atacariam realmente seu espírito, um deles já até mesmo mostrara seu desejo ao se esfregar nele. Preferia a morte a ser tomado por aqueles malditos. Não era uma virgem assustada, era um shinobi orgulhoso que preferia à morte a desonra.
Como que convocado por seus pensamentos, o mais cruel de seus carcereiros abriu a porta de sua cela e entrou. Kabuto o olhou arrogante e então riu quase que histericamente, porque um Anbu com o símbolo de Konoha que mal lhe chegava ao peito estava com a kunai quase rasgando o pescoço grosso de touro.
- Tratamento vip – a voz do Anbu não traia seus sentimentos, mas Kabuto sentiu que estava finalmente a salvo, que poderia ir para casa, seja lá onde casa fosse – Yakushi Kabuto, você foi torturado fisicamente, mentalmente ou sexualmente?
- Os dois primeiros – Kabuto respondeu ainda rindo, enquanto um segundo Anbu de Konoha entrava e o segurava pela cintura, o corpo quente e magro era um conforto para Kabuto. Os grilhões que lhe feriam os pulsos foram soltos e caiu pesado sobre o rapaz, que o segurou, mostrando força e equilíbrio – mas esse bastardo e o outro grandalhão pareciam desejar o terceiro.
Aqueles dois Anbus tinham um cheiro forte de sangue e morte sobre eles, mas mesmo assim, por debaixo desse cheiro nauseante, haviam um cheiro limpo e fresco, que lembrou a Kabuto florestas selvagens, vento e sol. O cheiro de tinta fraco também, podia senti-lo no Anbu que o segurava, o corpo colado ao do Anbu moreno.
- Sua puta imunda, você pedia por isso, você queria isso...
O grandalhão não pode terminar os insultos que sempre dirigia a Kabuto, a kunai apertou seu pescoço e os olhos grandes e obtusos mostraram terror.
- E então? – o Anbu perguntou.
- Três prisioneiros foram violados por ele e o outro – uma terceira voz soou fria da porta – castração?
- Adoro essa parte – o Anbu que tinha Kabuto nos braços falou e mesmo a máscara não podia ocultar a diversão sádica de sua voz. Podia ser um adolescente, mas era um Anbu e tinha o sangue frio e a crueldade que um Anbu deveria ter, o cheiro de sangue fresco que ostentava era uma prova. Eles não tinham ali apenas para salvamento, estavam em eliminação também.
O Anbu com Kabuto saiu do caminhou e o carcereiro foi preso nos grilhões de Kabuto, que pode assistir o baixinho prendendo o homem e então cortando seu cinto antes de baixar suas costas. A kunai passou arranhando de leve os testículos do homem, que chorou e implorou. Mas não foi os testículos que o Anbu de cabelos loiros cortou e sim a garganta do homem.
- Odeio os chorões – o Anbu falou limpando a kunai na camisa do morto antes de guardá-la – venha, Na está cuidando os outros prisioneiros e Su está ao seu lado, pronto para doar seu chakra, esse é minha responsabilidade.
- Por quê? – o Anbu carregou Kabuto enquanto seguia atrás do loiro, Kabuto conseguiu mover levemente sua mão, sentindo os cabelos negros e finos contra sua pele quase insensível pela má circulação.
- Os outros são membros dessa vila – o Anbu falou empurrando as armas que estavam sobre uma mesa para o chão e então Kabuto foi colocado sobre ela – mas esse é um shinobi de Suna, um dos nossos e é um iryou.
Kabuto suspirou.
- Como...
- Sasori teve um pressentimento de que você estava em perigo – o Anbu loiro falou enquanto pegava duas pílulas e as quebrava, antes de colocá-las sobre a língua de Kabuto – pílulas soldado, você está subnutrido, posso contar todos os seus ossos torácicos.
Kabuto sorriu ao concordar, mesmo que não pudesse realmente se ver todo, sabia que estava mais do que deprimente. Eram pílulas soldado mesmo, não das normais, mas das mais concentradas, e elas injetaram calor e energia no mesmo momento em seu corpo debilitado. Ia agradecer quando sentiu o bocal do cantil em seus lábios. Água pura, fresca e abundante em seu corpo desidratado, só então notou que não era só isso que entrava em seu sistema, mas o chakra do Anbu que o cuidava também. Então o loiro fez um gesto e o moreno segurou as costas e nuca de Kabuto, lhe dando água aos poucos enquanto o loiro cortava a mão e começava a pingar seu sangue sobre os cortes mais profundos de Kabuto.
- Ele tem a habilidade de reparar todas as suas células, por isso o deixaram tão debilitado – o Anbu comunicou, mas isso nem mesmo Sasori sabia, porque só desenvolvera aquela habilidade depois de sair de Suna e achara melhor não divulgar, era perigoso que a mensagem fosse interceptada – meu sangue, dado de boa vontade, tem enormes poderes curativos.
- Seu chakra também – Kabuto falou ofegante, o cantil tinha acabado e sentia seu corpo quase que completamente curado. Como iryou, sabia que aquilo era um milagre, mesmo com suas avançadas habilidades reparadoras, demoraria pelo menos dois dias para reparar tudo que o chakra do loiro e seu sangue lhe curara – Konoha?
- Ação conjunta – o Anbu moreno falou pegando seu próprio cantil e o levando aos lábios de Kabuto, que tomou mais alguns goles antes de se dar por satisfeito – quatro de Konoha, um de Suna e dois de Kiri, os outros estão eliminando os outros terroristas.
- Terroristas? – Kabuto perguntou confuso.
- Depois que você foi capturado, começaram alguns conflitos, eles tomaram ações mais concretas, como não conseguiam realizar sua destruição nas vilas dos países da Aliança, se voltaram contra o Tsuchikage, ele assinou com a Aliança no último Chunnin Shiken em Konoha e os decretou como terroristas. Não nuke-nin, não rebeldes, terroristas. A pena por terrorismo se iguala a dos traidores, o Daymio de Terra decretou a morte deles – o Anbu loiro falou tranqüilo, pegando um pergaminho e o abrindo antes de tirar uma muda limpa de roupas – você é mais alto, mas está mais magro, então vão caber e estão limpas.
- Ele está sujo – o moreno indicou olhando entorno.
O loiro suspirou e começou a fazer selos com as mãos enquanto o moreno puxava alarmado as roupas puídas que ainda impediam a total nudez de Kabuto. O iryou ia reclamar quando sentiu a água morna o envolvendo. Olhou espantado e viu o Anbu loiro o mantendo em uma prisão de água. Sorriu benevolente e ergueu a mão para diante do rosto, vendo que a sujeira ia soltando se seu corpo e se acumulando no lugar onde a mão do loiro mantinha a prisão. Relaxou e aproveitou até que a prisão foi desfeita. Então sentiu o vento quente o envolvendo e antes que pudesse rir pela caricia do vento, algo que não sentia há muito tempo, ele acabou e os dois Anbu estavam começando a vesti-lo. Só então o tiraram da mesa e o apoiaram para que não caísse.
- Obrigado – Kabuto sussurrou, realmente agradecido, tinha se esquecido de como era estar limpo. E se sentia patético por quase chorar por causa de um banho e roupas limpas.
- Não por isso, irmão – o loiro falou guardando o pergaminho no cinto – vamos?
- Estamos prontos – dois outros Anbu estavam no cômodo ao lado, três ninjas recém curados estavam deitados em mesas como a que Kabuto estivera, ninjas de Iwa estavam na porta, prontos para assumir agora que não havia mais perigo.
Os quatro e Kabuto saíram de lá e Kabuto agradeceu mais uma vez quando o Anbu moreno lhe protegeu os olhos antes de saírem. A luminosidade o feriu, mesmo depois de se acostumar um pouco.
- Como vamos partir? – o outro Anbu moreno perguntou.
- Ave? – o Anbu loiro que fora ao regate de Kabuto perguntou.
Kabuto foi passado para o loiro enquanto o moreno pegava um pergaminho e desenhava uma grande ave, o jutsu foi feito e então o desenho saiu do papel, se tornando uma ave de tinta onde subiram.
- E os outros? – o outro Anbu loiro, que era também um iryou, perguntou baixo.
- Ponto de encontro – foi à resposta.
- Ótimo – o segundo moreno resmungou – não confio neles para dormir dentro de sua vila.
- Não, eles não são de confiança – o primeiro loiro falou – ainda. Eliminamos apenas a primeira e mais notória ameaça, mas há aqueles que jogam politicamente e que tentarão nos apunhalar, para esses, nós deixamos nossos sempais cuidando e nossos kages. Ouvi que Nagato virá pessoalmente a Iwa para ajudar nas melhorias.
- Pobre diabos, nem saberão o que os atingiu – o moreno rabugento riu.
- Podia ser pior, podia ser Sasori e Deidara, ele gostaria de explodir metade da vila – o loiro iryou brincou.
- Nem lembre – o outro loiro riu – "arte é um estouro"!
Kabuto riu novamente, porque sabia que Deidara faria algo assim, mas já tinha se convencido de que nunca mais iria ver Suna, Sasori ou Deidara, que morreria ali, naquela cela imunda. Agora estava a salvo, voando pelo céu, seguro e temia mais do que tudo que aquilo fosse um sonho e que logo fosse acabar. Se fosse realmente um sonho, Kabuto saberia que era o sinal que esperava e iria acabar com sua própria vida, porque não tinha premunições e não agüentaria viver mais nenhuma hora daquele tormento.
Com isso em mente, ele apagou, exausto demais para continuar consciente. Sai o amparou melhor, enquanto Naruto lhe olhava por sobre o ombro. A máscara impedia Sai de ver o sorrisinho travesso e zombador do loiro, mas sabia que ele estava ali, naquela boca carnuda e vermelha. Assim como sabia que Naruto sabia que estava sorrindo também, afinal, jamais tocara instintivamente ninguém que não fosse Naruto ou um de seus irmãos, mas fizera com o iryou de cabelos cinzentos que mantinha em seus braços.
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Mitarashi Anko leu mais uma vez o pergaminho que recebera de seu irmãozinho Yuki, o único de sua família que permanecia em Konoha, na guarda Anbu do Hokage, já que sair da vila o impediria de atormentar tanto seu doce namorado, o pacato professorzinho Umino Iruka. Anko se divertia pelas taras dos irmãos, e se preocupava, porque apenas ela e Sai pareciam não ter encontrado alguém para amar.
Sai porque sua arte e família lhe bastavam e Anko porque seu sadismo lhe bastava. Vivera para sua família e para a Anbu, como Anbu, a Aliança era sua mais profunda filosofia, sua convicção e jamais questionara nenhuma das ordens que recebera desde que Ele havia a protegido e libertado dos selos e Orochimaru. Ele havia lhe ensinado tudo que sabia sobre selos, era quase uma mestra nesse quesito, mas a vida na Anbu não era toda sua vida, não poderia ser, por isso começara a trabalhar na inteligência Anbu. Exatamente por isso estava naquela missão, tinha um pergaminho a entregar quando tudo tivesse sido dito e feito e tinha uma fonte idiota de poder ilimitado que destruíra.
Sim, seu grande prazer, destruir. Tinha que reconhecer que derrotar e matar aquelas duas vadias sedentas de sangue e mais estranhas do que Ibiki tomando banho com um patinho de borracha. Não que reconhecesse que era um sinônimo de normalidade, mas pelo menos não saia por ai pensando em dominar o mundo ou trabalhando para homens que pensavam em fazer isso. E então tivera o prato principal, mostrar ao tolo herói que estava sendo enganado, que estava ajudando o homem que destruíra sua pacifica vila e matara seus pais apenas por poder. E finalmente, convocar um buraco negro que eliminou da face desse belo mundo algo tão poderoso que poderia redimi-lo completamente, ou destruí-lo. Ela não questionava a ordem para destruir, um poder assim, se caísse em mãos erradas ou confusas, causaria desgraças tremendas e danos irreparáveis. As crianças usadas como baterias foram curadas, o clã foi reunido.
Se reuniu com o restante da equipe, por acaso seu irmãozinho Juugo e Kimimaro, que era seu irmão também, dado o romance entre Juugo e o belo rapaz de Kiri. Claro que os dois haviam se colocado de lado e deixado que ela tivesse a maior parte do divertimento, cortesia de irmãozinhos amorosos. E em parte porque Juugo e Kimimaro tinham muitas outras coisas para fazer, como romper a teoria absurda de que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. E era nessas horas que Anko se sentia sozinha, porque não tinha ninguém para estudar teorias físicas com ela, será que Sai perguntava o mesmo? Mas o irmãozinho, e Sai era o caçula, era doze anos mais jovem do que ela e a maior parte das pessoas de sua idade já estavam casadas e com filhos, ou com relacionamentos mais profundos, só ela tinha apenas seu trabalho, e mesmo que o amasse, ele não a aquecia a noite. Bem, não quando estava em casa.
- Anko-san – Kaniko chamou educadamente, enquanto Nerugui-chan continuava a mordiscar a orelha de Temujin, o herdeiro do ramo principal de seu clã – o que deseja de nós?
- Nada, de você – Anko falou, educada como sempre e isso lhe fez sorrir, se recusava a pensar que talvez ela fosse a origem de todo o seu mal – mas dele, eu tenho algo a tratar.
Temujin olhou cauteloso para Anko, primeiro porque achava que ela era muito violenta, e depois porque ela sabia demais.
- Isso é para você – Anko falou pegando o pergaminho com o selo de sangue – é um selo de sangue, precisa de apenas uma gota, seu sangue é que vai formar as palavras que estão escritas ai e que são apenas para seus olhos. Você é um bastardo de sorte, menino, e eu só não corto sua garganta por pura inveja porque eu tenho um só meu.
Temujin se encolheu e pegou o pergaminho, uma gota de sangue e abriu o pergaminho, arregalando os olhos ao ver as palavras se formando.
- Não adianta espiar, velho – Anko desdenhou enquanto os irmãos começavam a providenciar tudo que fora requisitado para a conclusão da missão – as palavras são só para ele, e para quem ele desejar mostrar, se ele desejar conscientemente isso, se não, é apenas um pergaminho vazio. Meu mestre foi quem fez isso, são absolutamente perfeitos. O meu tinha um temporizador, eu o abrirei junto com meus irmãozinhos, em quatro anos. Mas o Daymio de Pássaro, a princesa de Verdejante, o soberano de Lua e os três sobrinhos do Kazekage já abriram os deles. Infelizmente, somente os soberanos revelaram parte do conteúdo de seus pergaminhos, e isso me mata de inveja.
Temujin sorriu então, terminando de ler e entregando o pergaminho a Anko, não se importava que ela lesse o que estava escrito ali, até preferia. Seu coração, ainda dolorido pela traição que fora desmascarada diante de seus olhos, agora começava a se curar com a esperança que aquela mensagem lhe trazia. Alguém confiava nele, alguém que ele não conhecia, mas que o conhecia, confiava nele e afirmava que ele faria o correto, indo além mar, reconstruindo a vila que haviam destruído, refazendo seu lar. Não uma Utopia, mas um lar, onde sacrifícios jamais seriam necessários, porque o sonho de paz estava começando a tomar o mundo.
- Onde ele está? – Temujin perguntou baixo, quando Anko terminou de ler e lhe entregou o pergaminho. Temujin passou o pergaminho para Kaniko, que sorriu amplamente antes de começar a ler.
- Em Iwa, que entra agora na Aliança e que ainda sofre com rebeliões – Anko falou sorrindo – mas ele mandou parte de sua equipe para cá. Olhe, não é que você não é importante, mas Iwa não tinha acontecido antes, ele...
- Como ele...
- Viagem no tempo – Kakashi respondeu, era a segunda equipe enviada pela Aliança – Gaara está se livrando de todo o armamento de Haido, ele é bom em destruir as coisas.
- Uma alma irmã – Anko cantarolou divertida.
- Uzumaki Naruto viajou no tempo, em uma época que todos os amigos dele que faziam parte de vilas shinobis tinham morrido.
O som de metal retorcendo com o som de um limpar de garganta fez Kakashi balançar a cabeça com resignação antes de recomeçar.
- Em uma época que todos os amigos dele em vilas ocultas, menos Gaara, tinham morrido, a paz foi finalmente conquistada e tomou o mundo todo – Kakashi sorriu ao notar que não se ouvia mais o som de metal sendo amassado, maldito ouvidos jinchuurikis! – muitos foram os que deram a vida por isso, e ele não via motivo para continuar. A paz existiria, mesmo sem ele, então ele rompeu o maior tabu do nosso mundo, voltando no tempo e mudando a história radicalmente, julgando culpados, encaminhando pessoas, aconselhando e protegendo. Ele limpou Konoha, salvou Ame e Kiri, criou a Suna atual, foi o idealizador da Aliança e o nosso farol. Mas como duas existências não podem ocupar o mesmo lugar no mesmo tempo e espaço, ele teve que se sacrificar para que ele pudesse nascer, entende?
- Há quanto tempo vocês sabem disso? – Temujin perguntou, sentido por pensar que a pessoa que existia agora não sabia de sua existência.
- Sempre soube – Anko respondeu calma – devolva o pergaminho.
Kaniko devolveu fazendo um beicinho, mas os olhos mostravam travessura.
- Mas esse pergaminho foi feito há duas semanas, antes dele partir com sua equipe para Iwa e nos enviar para sondar o terreno e...impedir as ameaças – Anko terminou.
- Uzumaki Naruto, o atual, possui todos os poderes e lembranças do anterior – Kakashi falou vendo os olhos de Anko se voltarem questionadores para eles – absolutamente todos e irá encontrar com você e os seus na sua vila.
- Estamos sabendo bastante – Anko provocou.
- Encontrei Naru-chan duas vezes antes de ele partir – Kakashi falou calmo – uma na noite seguinte a do Chunnin Shiken e outra antes dele partir da vila.
- Estamos importantes – Anko sussurrou – eu ainda vou chegar no nível de Ruto em selos, rápido, se ele continuar me ajudando.
- Você aprende com um menino de doze anos? – Kaniko perguntou confuso.
- Velho, não há ninguém que conheça tanto de selos – Anko falou sorrindo arrogante – nunca houve antes alguém que tivesse se aprofundado tanto nisso. Ele dominava o selo daqui, foi ele quem em ajudou a formar o selo de controle e domínio do buraco negro, algo que nem mesmo os mais bam-bam-bam de suas histórias conseguiram. Sabe que o preço original era que aquele que o abrisse fosse sugado por ele, assim como tudo mais entorno e não só o veio de Gelel.
Anko acariciou distraída atrás da orelha do ferret, que guinchou feliz por isso. Kakashi admirou a forma como Anko parecia delicada ao acariciar, mesmo que suas palavras mostrassem agressividade e sua postura fosse defensiva, ela era sabia como ser delicada e gentil, afinal, criara muito bem três rapazes esplêndidos.
- Esse menino de doze anos aqui – Anko gesticulou para Temujin – vai cruzar o mar e reconstruir seu lar, liderando seus amigos em um recomeço. Idade não é nada, capacidade e conhecimento, um bom coração e coragem, isso sim é alguma coisa.
Anko deu uma piscadela a Temujin, que sorriu em resposta.
- Agora eu presumo que esteja tudo pronto para partirem, que tenham tudo que possam precisar no navio que os conduzira em segurança para sua casa – Anko falou.
- Na verdade – Kakashi falou coçando os cabelos da nuca – no navio só há o que eles podem precisar para a viagem.
- O que? – Anko rosnou – quer tanto assim que Naru-chan corte seu pescoço? Quer que eu corte seu pescoço?
Kakashi sorriu indulgente e então suspirou.
- O Mizukage enviou uma equipe para lá – Kakashi falou – eles começaram a reconstrução, para que eles tenham pelo menos o básico quando chegarem. Os campos estão sendo preparados e serão semeados, o mesmo processo que Naru-chan fez em Ame há treze anos. O construtor Tazuna está construindo uma ponte que...
- Ponte, Tazuna? – Anko interrompeu.
- A vila de Temujin fica em uma ilha do país das Ondas – Kakashi sorriu indulgente – nós fizemos nosso dever de casa, Anko-chan.
Anko simplesmente fingiu que ia socar Kakashi e lhe chutou a canela, sorrindo quando o viu pular de dor.
- Podemos partir então? – Temujin perguntou confiante – ele irá mesmo até nós?
- Assim que Iwa esteja em paz, dentro da Aliança – Anko sorriu e Kakashi confirmou.
- Está na rota dele, por assim dizer – Kakashi cantarolou.
- Não gosto de viajar sobre o mar – Gaara falou chegando junto deles – a areia fica abaixo demais.
- Reclamão – Anko provocou insolente – pensei que fosse mais forte.
- Não estou choramingando, nem poderia morrer afogado, posso voar com minha areia – Gaara falou olhando de lado para Anko – e você, pode?
- Não com minha areia – Anko sorriu amplamente.
Gaara riu baixinho, concordando com Anko.
- Não sei se você deveria provocar Gaara assim, Anko-chan – Kakashi cantarolou – alguém que transforma todo aquele armamento em algo parecido com uma latinha de biscoitos, merece algum respeito.
Anko olhou espantada para onde deveriam estar os navios e tanques que Haido usava e viu apenas o que pareciam algumas latinhas de biscoitos. Olhou então Gaara, que sorria arrogante.
- Eu realmente gosto de destruir – Gaara falou baixo, antes de dar um sorriso envergonhado e virar, seguindo para o barco.
- Esse menino – Anko sorriu orgulhosa – eu começo a entender porque ele sobreviveu quando todo mundo mais morreu.
- E nem tinha mais uma bijuu para justificar – Kakashi sorriu – ele é demoníaco.
Kakashi sussurrou a última parte, mesmo assim a bola de areia bateu em sua nuca, o que fez Anko rir.
- Gaara, eu te adoro – Anko cantarolou no mesmo tom irritante que Kakashi usava.
Kakashi ergueu o rosto e viu Anko rindo, e então foi atingido, não por um jutsu ou por um objeto, por nada material, foi atingido, fulminantemente atingido, tinha caído para Anko. Merda, ele deveria ter algo de muito errado, porque escolhera logo as pessoas mais perigosas para amar. Primeiro Naru-chan, agora Anko!
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Ibiki espirrou em Konoha e olhou entorno, ameaçadoramente, alguém estava falando dele, ou pensando nele. Pensando em algo absurdo, como ele brincando com filhotinhos de cachorro ou afagando bebês chorões. Não que não gostasse de filhotes ou de crianças, apenas não se envolvia muito com eles, a tendência era acabar molhado e Ibiki não sentia necessidade de negar sua fama de mal.
Suspirou então, caminhando calmamente para os portões, vendo alguns shinobis e aldeões encolhendo-se ou correndo para se esconder enquanto passava e isso retornou o sorriso aos seus lábios. Estava feliz, realmente feliz, e não porque corriam dele, isso era apenas um cumprimento a suas habilidades, conquistadas de forma dolorosa, mas ainda assim, poderia ser pior, ele sabia, havia um pergaminho que era dele, um que ele já abrira, há seis anos, quando um shinobi de Konoha tentara trair a vila e se unir a Kumo.
Naru-chan havia lhe entregado seu pergaminho e um dossiê lacrado, e havia conferido o selo todos os dois até que o dossiê de abrira, ele tinha apenas um selo temporizador. A espada Raijin fora protegida, Rokusho Aoi foi impedido e punido, Anbus foram salvos e Ibiki deixou de se tornar ainda mais assustador. Não que fosse um homem vaidoso, mas reconhecia que preferia seu rosto e cabeça sem marcas de tortura, bastava saber que resistiria, que jamais se entregaria. Esse conhecimento lhe dera ainda mais agudeza mental e aumentara sua sádica capacidade de intimidação.
E salvara seu irmãozinho de um destino que ele não apreciava. No país do Chá, Idate havia encontrado um lar, no meio da família Akagi, Idate tinha encontrado seu lugar no mundo, sua razão para viver. Um corredor, não um shinobi, mesmo assim útil e acima de tudo, feliz. Não podia pedir mais nada, além de ver o irmãozinho de tempos em tempos, pelo menos agora ele poderia ir e vir, sem temer ser preso por traição, sem o remorso de se sentir traidor de seu próprio irmão. O Hokage, diante do dossiê que Ibiki lhe apresentara, aprovara a liberação de Morino Idate de suas funções shinobis e dera seu aval para que ele fosse conduzido ao clã Akagi, Idate não tinha entendido muito bem, mas para isso havia o pergaminho de Ibiki e o que o Anbu Naruto havia deixado para Idate.
Do lado de fora dos portões da vila, estava seu irmãozinho, com um sorriso arrogante e exalando felicidade. Jirochou, o chefe da família Akagi estava o lado dele, mostrando um sorriso de serena apreciação.
- O que estão fazendo do lado de fora? – Ibiki perguntou olhando o chunnin que fazia o controle do portão hoje, o pobre se encolheu – entrem.
- Estávamos esperando por você, nii-san – Idate falou feliz – como foi o Chunnin Shiken?
- Perfeito – Ibiki sorriu – como sempre, mais da metade desistiu durante a minha fase, mesmo assim, ainda restaram muitos para que os times que sabíamos serem bons passarem, oito times passaram pela segunda fase, desses, oito avançaram para as finais. Iwa se uniu a nós depois delas.
Idate viu o sorriso do irmão e concordou, um dia seu sonho fora ser jounin como o irmão, mas entendia completamente que não nascera para ser shinobi, era bom no que fazia, sentia prazer nisso, e gostava de ter lido sobre sua culpa e amargura e não de ter que carregá-la. Tinha uma família entre os Akagi, era tratado como um membro dileto do clã e como um filho por Jirochou.
- Idate venceu a corrida – avisou Jirochou benevolente, era um homem calmo e gostava daqueles dois irmãos, e gostava de Konoha e da Aliança, seu país também se favorecia muito com o comercio entre vilas e países que a paz da Aliança assegurava.
- Claro que venceu – Ibiki sorriu orgulhoso, o que fez o irmãozinho piscar pela súbita emoção que sentia ao ver o contentamento e orgulho que seu aniki tinha dele – esse menino nasceu com asas nos pés, como Hermes.
Jirochou riu ao concordar, Idate era realmente rápido, muito mais rápido do que qualquer outro corredor, e não era arrogante ou prepotente, se orgulhava de suas habilidades, mas as treinava e refinava, não ficava descansando e se aproveitando de suas vitórias antigas ou exigindo tratamento especial. Era um bom rapaz, um rapaz inteligente e era um bom filho, já que jamais tivera um seu. Era isso que estava planejando fazer ali, adotar Idate e Ibiki teria que concordar com isso.
- Venham, o Hokage os espera – Ibiki falou tranqüilo – e Tsunade hime.
Jirochou sorriu, porque conhecia e apreciava Tsunade, ela era uma linda dama. Ouvira muito sobre ela naqueles anos.
- Como vai a mais bela dama de Konoha? – Jirochou perguntou humilde.
- Linda e temperamental, como sempre – Ibiki falou sorrindo – e mais orgulhosa do que nunca, seu filho Nawaki foi um dos finalistas do Chunnin Shiken, aceitou a posição na Anbu e está em sua primeira missão.
- Ruto está com ele? – Idate perguntou, mostrando sua maior curiosidade.
- Hai – Ibiki sorriu – Sasuke também. Nawaki e Sasuke estão namorando.
Nenhum dos três homens reparou a menina que passava por eles e que parou ao ouvir as palavras de Ibiki, ou melhor, nenhum deles deu importância, porque Ibiki a notou e não gostava dela.
- Realmente? – Idate perguntou feliz pelos amiguinhos – eu pensava que seria com o Ruto-chan.
- Não, eles são irmãos – Ibiki sorriu benevolente – Ruto está com Itachi.
- Uau – Idate riu divertido e então deu um olhar de esguelha sobre o ombro, vendo a garota que os seguia agora – o amor chegou a Konoha.
- Parece – Ibiki concordou com o irmão, por suas palavras e suspeitas, mostrando mais uma vez aquele brilho de extremo orgulho, os instintos de Idate se mantinham bons, isso era perfeito, porque embora não fosse shinobi, um homem deveria saber de proteger e reconhecer de onde poderia vir uma ameaça – Tsunade hime está alegre com isso, porque ao que parece, os meninos planejam se unir no futuro próximo, Sasuke até já pediu.
Idate deixou o queixo cair.
- Itachi ainda não fez qualquer pedido formal – Ibiki continuou – mas todos sabem que os Uchiha estão tomados.
- Até Obito-chan? – Idate tinha um ponto macio para o mais irreverente dos Uchiha.
- Perdido – Ibiki sorriu – caiu para Yahiko, de Ame. Já fazem alguns anos.
Idate concordou e Jirochou notou a menina que os seguia com uma cara azeda.
- E como eles farão para terem filhos? – perguntou o homem interessado.
- Um jutsu de gestação – Ibiki deu de ombros – ou inseminação artificial e uma mãe de aluguel, nós shinobis somos inventivos.
- Entre nós também há casamentos entre pessoas do mesmo sexo – Jirochou falou benevolente – quase sempre apelamos para uma mulher anônima e descartável quando precisamos de herdeiros naturais, ou adotamos. O que me leva ao meu motivo para acompanhar Idate, Ibiki-san.
- Eu sei – Ibiki sorriu, vendo que o irmãozinho parecia intrigado e surpreso com a troca de palavras – é meu trabalho sempre saber tudo, e eu aprovo, se for de vontade de meu irmãozinho.
Jirochou sorriu vitorioso, porque sabia que aquele era o desejo do coração de Idate e não poderia encontrar filho melhor.
- Algumas das mulheres que usamos para nos darem filhos, tentam se apegar a algo que não existe, é essa a natureza de tal perseguição? – Jirochou perguntou olhando sobre o ombro, diretamente para Sakura, que gelou.
- Não, ela é apenas uma perseguidora que jamais teve chance – Idate falou – uma garotinha fraca e inútil, que acha que lágrimas podem vencer tudo.
Sakura fungou e correu para longe, porque sabia que lágrimas não conseguiam tudo, não mais. Os pais a estavam tratando diferente desde o festival, agora, se começasse a chorar, podia passar horas assim e os pais apenas reclamavam dos sons que fazia. Não lhe davam mais roupas novas, ou cremes e perfumes, não lhe davam mais nada. Ele tinha que ajudar sua mãe nos deveres de casa e o pai na loja se queria alguns trocados. Eles haviam decidido que ela estava velha demais para ser sustentada, dizia que queria ser shinobi e ainda não era nem mesmo genin, tinham decidido que ela era realmente uma preguiçosa e preguiça se combatia com trabalho. Querendo ou não, ela teria que trabalhar, seus pais até mesmo haviam deixado-a sem jantar alguns dias atrás, quando fingira estar doente para não fazer nada.
Tudo seria diferente se não fosse Iruka a colocando em um time que não o de seu príncipe. Seria diferente porque a convivência mostraria a Sasuke que ele nascera para ela e seria ela que estaria com ele na Anbu e não aquele Senju imundo. Mas ele logo voltaria e ela sabia exatamente o que tinha que fazer para separar os dois e conquistar seu Sasuke-kun.
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Kabuto se sentiu protegido, exatamente por isso não abriu os olhos tão logo acordou. O som de vozes baixas, jovens e cheias de vitalidade chegava aos seus ouvidos, assim como o crepitar de uma fogueira, o que explicava o ar quente que chegava ao seu rosto e o cheiro de carne assada quase pronta. Estava com fome, estava faminto, na verdade, e sedento. Primeiro examinou seu próprio corpo, percebendo que todo o dano do cárcere havia sido reparado, estava inteiro novamente e poderia fugir se fosse preciso.
Então sentiu algo delicado tocando seu rosto, e isso lhe fez abrir os olhos, para se deparar com um lindo moreno de pele pálida que lhe sorria.
- Que bom que acordou, a comida está pronta – Sai falou baixo, cuidadoso, enquanto afastava uma mecha de cabelos cinzentos dos olhos de Kabuto – Ruto-chan foi nosso cozinheiro hoje.
- E sempre – Nawaki cantarolou feliz, com os pratos empilhados em sua mão – sirva, sirva, sirva.
- Esfomeado – Naruto repreendeu.
Kabuto arregalou os olhos ao reconhecer as vozes, aqueles eram os Anbus que haviam derrotado a sede mais protegida dos rebeldes de Iwa, sozinhos. Quatro meninos de Konoha, deveriam ter no máximo doze ou treze anos. E então reconheceu Kankuro, um dos sobrinhos de Sasori, sentado perto do fogo, sem maquiagem. De Kiri, viu o jovem Haku, irmãozinho do Mizukage e um rapaz que não reconhecia, mas que era muito bonito. O outro moreno era muito parecido com o que estava sobre ele, mas se mantinha protetoramente próximo ao loiro com os pratos.
- Sou Sai, aquele é Naruto, Nawaki e Sasuke, somos de Konoha, como já deve ter deduzido – Sai falou apontando – Kankuro você reconheceu, ele preferiu nos mostrar sua cara feia, foi o último de nós a entrar para a Anbu, foi de última hora.
- Não podia deixar meus irmãos sozinhos – Kankuro falou sorrindo, quando Naruto estendeu um prato cheio de comida para ele – que bom que está bem, Kabuto.
Kabuto concordou com a cabeça.
- Haku você deve ter reconhecido, o shinobi ao lado dele é Mangetsu – Sai falou – ele tem um irmãozinho, que é o céu e o inferno para Hoshikage Kisame.
Mangetsu sorriu amplamente, recebendo o prato de comida, carne de coelho, arroz e cogumelos. Haku recebeu o seguinte, havia bastante comida, sempre havia quando Naruto estava envolvido, era um milagre o que ele podia fazer com pergaminhos.
Nawaki explodiu de contentamento quando foi servido, Sasuke foi em seguida, com um sorriso tentando surgir em seus lábios rosados. Sai e Kabuto foram servidos então, e Kabuto quase chorou ao ver que a parte mais macia da carne de coelho estava em seu prato, picadinha para que apenas comesse.
- Tente comer lentamente – Naruto recomendou se servindo – pode comer quantas vezes quiser, mas lentamente, assim seu corpo não vai recusar o alimento.
- Hai – Kabuto sabia daquilo, mas entendeu que o loiro lhe lembrava daquilo porque estava prestes a devorar como um lobo faminto o prato de comida simples, porem refinada para um acampamento – lutar contra o instinto.
- Nem sempre os instintos estão corretos – Naruto sorriu – você está mais corado, mais nutrido, lhe demos mais duas pílulas soldados enquanto dormia, e lhe fizemos beber mais água. Seu corpo não está realmente debilitado, mas sua mente está.
Kabuto concordou com olhos agradecidos e então Sai entregou-lhe seus óculos, ou o que pareciam seus óculos.
- Kankuro trouxe de Suna – Sai avisou enquanto Kabuto colocava e os focava, vendo os detalhes que faltava nas aparências dos jovens entorno da fogueira – eles não desistiram de você.
Kabuto sorriu envergonhado, mas muito agradecido por isso. Não tinham esquecido dele, e não apenas porque ele era útil como espião, mas porque fazia parte daquilo. Sabia que poderiam tê-lo enviado a Suna, mas o mantinham ali e intuía que não precisavam das informações que conseguira.
- Ouvi que meu irmãozinho Suigetsu encontrou finalmente um Espadachim que não poderia perseguir – Mangetsu falou e ouviu a risada de Naruto, não o conhecia pessoalmente até o início daquela missão, mas via porque seu irmãozinho havia escrito sobre ele e porque ele era tão conhecido e amado nas vilas de Ame e Kiri.
- Pobre Suigetsu – Sasuke desdenhou amistoso – ouvimos os gritos dele de longe.
Mangetsu riu enquanto Kankuro e Kabuto coravam, os mais jovens riam sem constrangimento.
- Não sabíamos se deveríamos correr para acudir ou para fugir – Naruto completou.
- E então fizemos o jutsu de silêncio para eles – Nawaki cantarolou alegre, já comera metade de sua refeição e já cobiçava um novo pedaço de coelho – quando Suigetsu começou a parecer ameaçador.
Sai riu alto, entregando seu prato para que Naruto colocasse mais coelho e arroz, não gostava muito de cogumelos.
- Ameaçador? – Kankuro limpou a garganta, envergonhado por sua voz soar tão fraca.
- "Se parar eu te mato" – Naruto imitou com perfeição o tom e voz de Suigetsu, fazendo Mangetsu rir – "eu disse forte, não está com uma garota, seu idiota burro".
Kabuto engasgou com sua própria saliva e Sai bateu em suas costas, enquanto pegava o prato com a outra mão, então entregou o cantil para Kabuto, que bebericou envergonhado.
- Jiraya realmente detonou as mentes de vocês – Haku falou rindo baixinho.
- "Ah, Zabuza-chan" – Naruto ofegou, imitando Haku, que corou e jogou uma pedra em Naruto, que a pegou no ar, rindo – fomos todos contaminados. Até mesmo Kankuro, por mais que ele seja um puritano.
- Virgem – Sai sussurrou fingindo confabular.
- Mesmo? – Sasuke provocou no mesmo tom de Sai – nessa idade?
- Podre menino – Nawaki moveu derrotado a cabeça.
- Seus tarados de Konoha – Kankuro resmungou – pervertidos, todos vocês.
- Inclusive seu irmãozinho – Naruto lembrou.
- Não me lembre – Kankuro resmungou – como se não bastasse acidentalmente pegar Sasori e Deidara se agarrando, vocês ainda mandam desenhos pornográficos.
- Instrutivos – Sai corrigiu.
- Eram da sua merda de jutsu, eles se movimentavam – Kankuro rosnou e então corou quando Naruto colocou mais um pedaço de coelho em seu prato, um bem grande – o que?
- Minha experiência me diz que homens famintos quase sempre se mostram ranzinzas ou irritáveis – Naruto falou começando a repor comida em todos os pratos.
- Meu aniki também? – Sasuke perguntou insolente.
- Começando por ele – Naruto falou blasé – e você é outro tirano quando faminto, teme.
- Hn, dobe – Sasuke replicou com um meio sorriso provocador.
- Pode cuidar de mim quando quiser, Ruto-nii-chan – Nawaki cantarolou feliz, Naruto lhe dera o pedaço de coelho que cobiçava.
- Por que ainda estamos aqui? – Kabuto perguntou – e onde exatamente é aqui?
- Estamos perto da fronteira de Fogo e Terra – Naruto informou sorrindo – estamos mais próximos de Ame do que qualquer outra vila. Estaremos acampando aqui por um ou dois dias, até que os kages cheguem. Você continuará com eles, retornando a Iwa, onde recebera as honras que merece. Sai e Haku permanecerão com você, como seus protetores. O resto de nós seguirá para Onda.
- Verdejante, Pássaro, Lua, Onda – Nawaki contou nos dedos – esse é nosso caminho. Vamos nos encontrar com Gaara em nosso destino final, ele está na segunda equipe de uma outra missão.
- Somos duas equipes aqui também – Mangetsu falou – como é esse Gaara?
- Nosso especialista em destruição? – Kankuro falou orgulhoso.
- Vocês os produzem aos montes – Sai provocou.
- E vocês não? – Kankuro olhou Naruto, que sorriu inocente – Gaara me disse que a única pessoa que pode destruí-lo é Naruto.
- Não duvido – Sasuke sorriu – eu posso um dia me igualar ao meu aniki, mas Naruto logo nos superará.
Naruto corou delicadamente e Kabuto sorriu para ele, encorajando-o. Devia muito aqueles shinobis, porque sabia que eles tinham feito mais do que apenas sua missão, eles haviam realmente se preocupado com ele, e não por causa de sua missão ou por ordem de alguém.
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Haviam momentos na vida em que só conseguia agradecer a deus, agradecer a oportunidade de retornar a sua vila, a ser um shinobi da Aliança e aquele, com certeza, era um daqueles momentos. Um dos momentos em que amava deus e todos os povos do mundo, o momento em que agradecia até mesmo pelo ar que respirava e pela árvore que se sacrificara para gerar a madeira utilizada para construir a casa em que estava, o algodão pelas plumas que haviam virado o tecido, até mesmo os pequenos vermezinhos feiosos que geravam a seda.
Momentos como aquele, em que seu lindo Haku estava lambendo-o como se fosse um pirulito ou um sorvete de casquinha em um dia muito quente. Em uma das mãos estava o cabelo longo e fino, lindo demais para encostar no chão, por mais limpo que fosse. Os olhos chocolate estavam fixos nos seus olhos, e não conseguia fazer nada além de gemer o nome de seu belo amante, que se dilatava enquanto o sugava.
O corpo de Haku ainda era delgado, longo e curvilíneo, deliciosamente andrógeno, e era todo seu, cada pequeno pedacinho, dos dedinhos dos pés até a ponta de cada um dos fios de cabelo. Tudo seu, somente seu, há anos era seu.
Haku se entregara para ele apenas alguns meses depois de terem se encontrado pela primeira vez, mal tinha completado nove anos. Mesmo se sentindo o pior dos piores, Zabuza não recusou ou rejeitou seu apaixonado menino, o amou com gentileza e carinho, lhe ensinou com cuidado e delicadeza cada pequeno passo do sexo, e Haku se mostrou um gênio, um prodígio, muito mais do que um aluno dedicado.
Nagato dissera que Haku saberia lhe dar um gelo se não desejasse sua aproximação, mas todas as vezes que o menino usara seus poderes contra ele foram exatamente quando se sentia deprimido por estar abusando do mais jovem. Haku se irritava e literalmente o gelava!
Depois o esquentava com seu corpo e beijos, enlouquecendo Zabuza, que enfim para aquele círculo vicioso de redenção e culpa. Deixara a culpa!
Estava tão próximo que doía, mas não ia desperdiçar mais nenhum segundo, embora adorasse gozar nos lábios de seu adorado anjo de neve. Puxou Haku pelos cabelos, um pouco mais duro do que o normal e o mais jovem seguiu contente, com um pequeno sorriso no canto dos lábios.
Haku adorava brincar de submissão e controle, quase enlouquecia Zabuza com isso, mas dessa vez, o espadachim estava mais do que contente em assumir o controle, por isso virou o menino para que as costas dele se colassem ao seu peito, juntos os joelhos de Haku e o acomodou, erguendo os quadris para penetrá-lo mais profundamente.
- Buza...- Haku ofegou.
- Olhe – Zabuza ordenou rouco, abrindo então as pernas de Haku para que ele visse pelo espelho diante deles o que estava acontecendo. Moveu lentamente os quadris, entrando e saindo, para repetir novamente o movimento, com o mesmo ritmo e no mesmo ângulo, conhecia muito bem o corpo de seu Haku – olhe como seu corpo cede para que eu entre todo.
As pupilas de Haku dilataram ainda mais, seu rosto ficou mais rosado e a ereção de Haku latejou. Zabuza riu, começando a masturbar o menino.
- Tão macio, ao quente – Zabuza falou mordiscando o pescoço de Haku e então sorriu sobre seu ombro – como eu adoro fuder esse seu corpo lindo. Vê? Entra tudo nesse seu...
- Zabuza-chan – choramingou Haku e Zabuza sorriu, seu Haku adorava palavras de baixo calão quando transavam.
Era estranho pensar nisso, um menino tão lindo, tão delicado, com uma elegância natural e tão educado, gostava de coisas baixas na cama. Não que Zabuza se incomodasse, ao contrário, adorava isso. Daria qualquer coisa a Haku, faria qualquer coisa para contentar seu amado.
Como recompensa, Zabuza começou a mover a mão mais rápido, assim como seus quadris, vendo Haku começar a cavalgá-lo.
- Sim, pule, tenshi – Zabuza rosnou sem fechar os olhos, mesmo que o prazer fosse intenso.
Haku gritou, gozando na mão de Zabuza e então o espadachim riu, empurrando Haku sobre o chão e o deixando de lado sobre o futon, ergueu com a mão limpa uma das pernas do rapaz e penetrou-se novamente, ouvindo o grito de prazer de seu adorado anjo. Ouviu seu nome ser praticamente gritado e levou a mão úmida pelo sêmen de Haku a boca, só notou que o mais jovem estava com os olhos fixos no espelho, o observando por ele, quando ouviu o gemido estrangulado.
Pelo espelho, sorriu para Haku, que levava a mão pálida a sua ereção já restabelecida. Lambeu como um gato todos os resquícios do prazer de seu amado de sua mão antes de soltar a perna de Haku e o puxar pelos quadris, investindo ainda mais forte.
Haku gritou, gemeu e se lamuriou, enquanto Zabuza falava obscenidades. Até que Haku gozou mais uma vez, levando Zabuza consigo dessa vez. Zabuza se jogou para trás, para não esmagar Haku. Segundos depois, ainda ofegante, sentiu o rapaz rastejando para seu peito, ofegante e corado, lindo como nunca. Com um doce sorriso nos lábios. Beijou Haku e o aninhou, sabendo que logo seu doce anjo de neve estaria adormecido.
Mais tarde acordariam novamente e provocariam o corpo do outro novamente, mas agora dormiriam, porque finalmente tinham se reunido depois de dois longos meses separados. Zabuza não queria nem saber, ameaçaria Nagato se fosse preciso, mas Haku só sairia em missões que pudesse ir com o jovem. Faria qualquer coisa, até mesmo deixaria sua espada em um pergaminho. Não precisava transar com Haku, mas precisava dele ao seu lado, do calor do corpo menor, do cheiro, do contato.
Haku era seu ar. Sem ele, era um homem perdido e atordoado.
- Eu te amo – Haku sussurrou baixinho, quase adormecido.
- E eu a você, meu tenshi – Zabuza falou beijando os cabelos longos e escuros, puxando então a manta para tapá-los.
Aconchegou melhor Haku e lhe beijou os cabelos e testa, sorrindo macio quando o viu adormecer. Ele era lindo, em todos os momentos, sempre. E era seu, todo seu.
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Nota da Li:
Li foi muito boazinha nessa semana, por isso o novo cap está aqui! Estamos na reta final, acho que mais o 14 e então o 15, que deve ser o final. Não reclamem, é a fic mais longa que eu já fiz, não acredito que possa repetir a dose tão cedo!
Obrigado a todos que leram e comentaram até aqui, seus comentários são muito importantes para mim. A aqueles que só leram, obrigado por prestigiar a fic e espero que estejam gostando!
Beijos da Li
Lady Yuraa:
Obrigado, você me inspirou para realizá-lo (eu fiquei com medo que você me rastreasse ou me mandasse um vírus! Só porque eu fiz uma pausa de suspense...eu ia fazer o lemon TashiRuto, mas não tão prontamente...você me assustou!).
Sim, o Naru-chan e Kyuu-chan são super protetores também como nosso Ruto-chan, prova disso é que o treinaram desde a infância, para que ele não seja um alvo fácil. E é claro, eles querem, acima de tudo, a felicidade de Ruto-chan e depois do comportamento do Kashi, ele não poderia receber tal prêmio, novamente.
Pode perguntar o que quiser, sempre que quiser, e muito obrigado pelos elogios, eles são mais do que ótimos! Espero que goste desse também, o Kabuto apareceu, e ele é do Sai!
Obrigado pelo apoio, até mais e,
Beijos da Li
