Capítulo 14
O Primeiro Segredo, Parte III: O Primeiro Natal
- Como eu cheguei aqui? – Lily se perguntou amuadamente, se sentando no compartimento apertado do trem, que se afastava do castelo muito cedo na manhã de sábado. Seus pés estavam esticados no assento à sua frente, uma perna sobre a outra. Uma conversa animada estava acontecendo ao seu redor, mas ela não estava prestando atenção. Não notou as pessoas falando alegremente no corredor ou as muitas pessoas que colocavam a cabeça dentro do seu compartimento para trocar um breve cumprimento. Só conseguia se focar nos eventos que a fizeram se sentar no trem, indo para longe do que teria sido um confortável, embora solitário, natal no castelo. Ao invés disso, estava indo para um natal desconfortável e de acabar com os nervos na casa dos Potter.
Estava ventando em Hogsmeade, e completamente frio. A neve caia pesadamente e o vento estava forte, tornando impossível ver o nome das lojas da rua. Lily ajeitou o cachecol ao redor do pescoço e caminhou por entre pessoas que não reconheceu (embora a maioria das pessoas na rua estavam usando tocas que lhe cobriam até os olhos, e tinham enrolado o cachecol ao redor da boca. Então, talvez ela os conhecesse, apenas não conseguia vê-los). Apressou-se em entrar na loja que achou ser a livraria. Olhou as estantes empoeiradas, abrindo o cachecol e tirando a neve do seu cabelo longo. Não havia muitas pessoas, Lily ficou feliz em notar. Tinha deixado as multidões e filas na Zonko's e Dedos de Mel. Conseguia ouvir apenas a suave música tocando no rádio, sobre a conversa distraída; uma canção natalina.
Caminhou até as prateleiras de livros em promoção no fundo da loja. Normalmente gostava de fazer compras de natal. Amava analisar as personalidades de seus amigos e os interesses deles para tentar encontrar o presente perfeito para cada pessoa. Mas esse ano tinha sido mais difícil. Seus fundos eram mais limitados do que antes, e também tinha que comprar um presente para James, Sirius, Remus e Peter. Havia poucas coisas que ela odiava mais do que encontrar o presente perfeito e ter que deixá-lo passar, e já tinha feito muito isso naquele dia.
James tinha sido especialmente difícil de encontrar um presente. Não conseguia decidir entre comprar um presente engraçado ou um sentimental. Mas achou que tinha encontrado o presente perfeito e, na verdade, estava bastante orgulhosa de si mesma.
- Engraçado te encontrar aqui. – James comentou, saindo de um dos corredores entre as prateleiras e parando ao lado dela. Ele não a olhou, fingindo folhear um livro de receitas mágicas. Lily o observou pelo canto dos olhos, abafando um sorriso. Ele ainda tinha neve no cabelo escuro e suas orelhas e nariz estavam vermelhos.
- Hmm... É uma surpresa. Como foi que você me achou aqui? – Lily perguntou zombeteiramente, entrando na brincadeira dele. Encontrou o livro que estava procurando e o tirou da prateleira, o folheando, procurando por alguma falha.
- Intuição, eu diria. Eu te conheço tão bem que, instintivamente, eu sei onde você estará em qualquer momento do dia.
Lily franziu o cenho e abraço o livro (que tinha passado por sua inspeção) contra o peito e se virou para olhá-lo, se escorando na prateleira.
- Ignorando como essa afirmação é exageradamente medonha... Tem certeza de que não tem nada a ver com o fato de que eu te disse que estaria aqui?
- Ah, sim, talvez tenha sido isso, afinal. – James falou, também se virando de frente para ela. Ele lhe deu um meio sorriso e ela ergueu a mão e tirou os flocos de neve do cabelo úmido e bagunçado dele.
- Vai comprar esse? – perguntou, gesticulando para o livro de segunda mão que ele ainda estava segurando.
- Não, apenas o peguei. Já terminei de fazer minhas compras. Você o quer? – o ofereceu a ela e cruzou os braços sobre o peito. Gostava da maneira como o vento tinha deixado o cabelo de Lily revolto e a maneira como a temperatura tinha lhe dado um corar natural.
Lily folheou o livro por um momento, uma expressão curiosa em seu rosto.
- Na verdade, acho que seria meio engraçado mandá-lo para minha irmã. A única coisa sobre a qual Petúnia escreve, além do quanto me odeia, é todas essas receitas que está tentando com Vernon. – Lily zombou, sem tentar mascarar a amargura em sua voz. – Ela amaria receber um livro cheio de receitas que precisam de ingredientes mágicos e 'acenos de varinha'. Eu ia dar um Pomo de Ouro de enfeite que vi no Beco Diagonal no verão, mas isso aqui é muito melhor.
James a observou em silêncio por um momento, incerto do que falar. Ela parecia perdida em seu próprio mundo e como se tivesse se esquecido que ele estava ali. Finalmente, pigarreou.
- E esse outro? Vai comprar ele também?
- Oh... Sim. É o autor favorito de Mary. Não é o livro mais novo que saiu... Que é o que ela realmente quer... Mas eu sei que ela ainda não leu esse aqui, então...
- Por que... – James começou lentamente, tirando os livros da mão dela. – Você não me deixar comprar esses para você?
- Não, absolutamente não! – Lily brigou, pegando os livros de volta e lhe lançando um olhar feio. Ela e James já tinham tido essa discussão várias vezes nos últimos dias.
- Lily. – James murmurou, abaixando o tom de voz. – Não é grande coisa. Dinheiro não significa nada pra mim. Eu não sentiria como se você me devesse algo. – ele vinha tentando convencê-la a deixá-lo ajudá-la com sua situação financeira. Ele sabia o quanto ela odiava não ser capaz de comprar o presente perfeito.
- Você pode não sentir, mas eu ainda sentiria. – quando ele apenas girou os olhos e não pareceu convencido, ela continuou. – Toda vez que eu olhasse para você, tudo no que eu conseguiria pensar é que te devo dinheiro.
- Oh, qual é! – James falou lentamente. – Quando eles custam? Dois sicles?
- Dois galeões. – ela protestou. – Além do mais, se você comprá-los, não vai ser um presente meu, vai ser seu.
- Bem, por que não me deixa comprá-los, dá-los para você como um presente e você pode passá-los para Mary e Petúnia. – James falou em seu tom mais persuasivo. – Já que você me proibiu de comprar um presente pra você, me deixe fazer isso. – durante uma das suas discussões mais recentes, um James frustrado tinha zombeteiramente sugerido dar a Lily um saco gigante de ouro como presente de natal. A resposta dela tinha sido proibi-lo de lhe dar qualquer coisa.
- Você está sendo ridículo. – ela gemeu com um sorriso, enquanto, relutantemente, lhe passava os livros.
James lhe deu uma piscadela e andou na direção do caixa.
- Já volto! – avisou por sobre o ombro.
Lily sorriu para si mesma e balançou a cabeça, voltando a olhar para os livros. Não estava procurando por um em particular. Mas estava distraída o bastante para não notar quando outra figura se aproximou do outro lado da estante.
- Essa... Foi uma conversa interessante. – veio a voz lenta e arrastada de Severus Snape. Suas costas se enrijeceram imediatamente e ela sentiu o sorriso sumir de seu rosto. Virou-se para olhá-lo, seus olhos cerrados perigosamente. – Você e Potter parecem estar passando um monte de tempo juntos. – sua postura era cuidadosamente indiferente, mas ela não deixou escapar a maneira como ele praticamente cuspiu o nome de James.
- Somos os monitores chefes. A tendência é de que isso aconteça. – Lily respondeu friamente. Sua mente estava entorpecida à ele. Tinha passado a maior parte de seu sexto ano tentando machucá-lo tão profundamente quanto ele tinha lhe machucado. Mas agora... Sua vida estava tão diferente daquela que tivera quando ele era parte dela. Ele a tinha machucado profundamente, o tipo de ferida que não se pode desfazer. Mas ela não se importava mais com ele. Agora, ele era apenas outro estudante. Ele não podia mais lhe machucar. Nem se quisesse.
- Não me pareceu que vocês estivessem falando de assuntos da monitoria agora há pouco. – ele replicou. Ele não parecia bem, ela notou. Parecia mais magro, sua pele mais pálida.
- Eu não vejo como isso seria de sua conta, mas já que ele é meu melhor amigo, nós estamos fadados a falar de outras coisas.
Estava pronta para ir embora e olhou para a área atrás de Snape, procurando por James, de modo que não viu a maneira que suas palavras o afetaram. Choque estava dolorosamente claro em seus olhos negros, mas ele se recuperou rápido o bastante, o choque substituído por uma máscara severa.
- Seus padrões certamente parecem ter caído. – afirmou venenosamente.
Os olhos de Lily voltaram para os dele imediatamente, cerrados.
- É melhor você ir. James irá voltar em um minuto. E eu acho que nós dois sabemos como seus encontros com ele terminam.
As bochechas pálidas de Snape coraram.
- Como se ele sequer fosse pensar em me tocar com você por perto. – sibilou.
- O que isso deveria significar? – Lily estourou, seu temperamento surgindo.
Snape estava prestes a responder quando James andou até eles. Ele olhou de Lily para Snape, analisando o último com um desgosto intenso e um desafio em seus olhos marrons. Similarmente à James, Snape olhou para o outro com igual repúdio, seu nariz pontudo enrugado em desgosto.
- Você precisa de mais alguma coisa ou está pronta para ir? – James perguntou, se dirigindo a Lily, mas sem afastar seus olhos de Snape. Sua voz não estava cruel, mas não tinha nenhum traço do tom brincalhão que tinha antes de Snape aparecer.
- Não, estou pronta. – respondeu, pegando suas sacolas e passando por Snape.
Ela e James ficaram em silêncio durante a caminhada até a saída da loja. Quando foram para o lado de fora, o ar gelado os recebendo, Lily se moveu para mais perto dele. James a olhou, uma sobrancelha erguida.
- O que está fazendo?
- Usando você para bloquear o vento. – respondeu.
- Está funcionando? – perguntou quando ela tremeu violentamente.
- Não. – respondeu verdadeiramente. – Acho que o vento está vindo de todas as direções. – ele sorriu para ela e girou os olhos. – Onde nós estamos indo, de todo modo?
- Três Vassouras. – ele falou, apontando para um prédio que ela não conseguiu identificar por causa da neve, mas acreditou nele.
Olhou para o relógio em seu pulso, confusão clara em seu rosto.
- Não devíamos encontrar os outros por mais meia hora.
- Bem... Nós dois terminamos nossas compras e eu achei que você não se oporia a passar trinta minutos sozinha comigo. – ele disse, uma pitada de sarcasmo em sua voz. – Mas se você prefere ir para outro lugar... Mostre o caminho. Ficarei feliz em te deixar bloquear o vento para mim.
Lily riu, seu corpo tremendo gentilmente contra o dele.
- Eu suponho que consigo agüentar trinta minutos com você... Se eu preciso. – sorriu e o seguiu alegremente, enquanto ele guiava o caminho até o interior aquecido do bar. – Eu vou pegar aquela cabine. – praticamente gritou para ele, quando viu uma mesa vaga que era grande o bastante para o grupo todo, no canto.
- Certo. – ele respondeu. – Eu vou pegar uma cerveja amanteigada. Quer alguma coisa?
- Não, obrigada. Você já comprou meus livros, não posso deixar que compre minha bebida também. – ele girou os olhos para ela; enquanto ela se dirigia para o fundo do bar, pensou tê-lo ouvido resmungar algo como 'garotas e seu orgulho idiota'. Ela tinha tirado as sacolas dele de suas mãos e as colocou na mesa. Mas a fragrância de cerveja amanteigada ao seu redor era muito tentador. Então, sem se sentar, voltou para o bar, onde James ainda estava esperando. – Mudei de idéia. – Lily murmurou, parando do lado dele.
- Você mudou de idéia sobre me deixar pagar sua bebida? – ele perguntou esperançosamente.
- É claro que não. – ela respondeu com um sorriso afetado. – Além do mais, já que você não vai me comprar um presente, eu não comprei nada para você, então eu tenho algumas moedas sobrando.
- O que vai... Bem, se não é James Potter! – Madame Rosmerta falou alegremente quando reconheceu James e caminhou até a parte do balcão onde James e Lily estavam esperando. – Estava me perguntando quando o veria novamente! Normalmente, eu o vejo algumas vezes entre uma visita e outra.
- Ah, Rosie... Estive bastante ocupado esse ano. Mas você sabe que não consigo ficar longe por muito tempo. – James flertou de bom humor, fazendo Lily esconder um sorriso atrás de sua mão.
- Bem, é o que eu espero. – Madame Rosmerta respondeu. – Depois de todas as bebidas de graça que dei a você e Sirius no passar dos anos, acho que mereço uma ou duas visitas extras durante o ano.
James riu.
- Falando de bebidas... Podemos ter duas cervejas amanteigadas? – perguntou, gesticulando para Lily, que acenou e sorriu.
- É claro que sim. – ela respondeu, tirando duas canecas debaixo do balcão e as enchendo com a bebida. – O resto do grupo está vindo?
- Vão chegar mais tarde. – Lily respondeu, enquanto procurava alguns sicles em sua bolsa.
- Oh, querida, não se preocupe com isso. É por conta da casa. – Madame Rosmerta falou com um gesto de sua mão.
- Tem certeza? Não é grande coisa. – Lily contrapôs, tirando suas moedas da bolsa.
- Não há problema. Só Sirius e Remus bebem o bastante em uma visita para pagar o aluguel desse lugar. – ela riu.
- Bem, muito obrigada.
- É, obrigado, Rosie. – James disse com uma piscadela, espalmando a mão sobre o balcão e, discretamente, deixando um galeão no lugar onde sua caneca estivera.
Lily pegou sua bebida e foi para a cabine. Quando James começou a caminhar ao seu lado, ela perguntou:
- Eu deveria ficar com ciúmes? – com um sorriso no rosto.
James riu e se sentou de frente para ela na cabine.
- Não precisa se preocupar com nada. Rosie e eu sabemos que nunca daria certo. Eu estou caindo fora assim que a formatura acabar e ela nunca irá abandonar seu precioso bar. Nós somos duas pessoas que, apesar de seus sentimentos pelo outro, nunca seremos capazes de ficar juntos.
- É mesmo? – James assentiu solenemente e tomou um gole de sua bebida. – Bom saber que minha situação como segundo escolha está segura. – ele riu e tomou um longo gole, mas era óbvio onde seus olhos tinham pousado. – Para o que está olhando? Pare com isso! – ela exclamou, enfiando suas sacolas sob a mesa e fora do campo de visão.
- Essa é uma sacola da Zonko's? – ele perguntou desconfiadamente, tentando olhar pela ponta da mesa para analisar as sacolas dela. – Você me comprou um presente, mesmo tendo jurado que não o faria?
- Não! – Lily exclamou defensivamente. – Essas coisas são para o Sirius.
Um sorriso gentil apareceu no rosto de James.
- Você comprou um presente pro Padfoot?
- É claro. – Lily disse, suas bochechas corando. Tentou responder como se fosse óbvio, mas de repente ficou muito mais interessada na espuma sobre sua cerveja amanteigada. James ficou em silêncio por um momento, sorrindo por vários motivos. Ele sabia que significaria muito para Sirius, Lily ter lhe comprado um presente, mesmo que ele fingisse não esperar isso. E, também, por algum motivo que James não conseguia explicar, a idéia de que Lily se sentia próxima o bastante de seu melhor amigo para comprar um presente de natal para ele, mesmo quando ela mal tinha dinheiro para comprar coisas para suas próprias amigas, o deixou inexplicavelmente feliz.
- O que mais você tem aí? – perguntou, voltando para a conversa brincalhona.
- Bem, eu comprei um monte de doces da Dedos de Mel para Peter: sapinhos de menta, sapinhos de chocolate, chicletes de baba-bola, aquelas balas de leite novas, algumas penas açucaradas... Mas se quer saber, elas podem não chegar até ele, já que eu sou capaz de comê-las primeiro... E alguns refrigerantes azedos. Para Remus... Eu não comprei de verdade algo. Ele passa tanto tempo doente e eu sei que ele é péssimo em Poções, então eu vou fazer algumas doses de Poção Estimulante para ele.
James riu alto disso, fazendo algumas pessoas das mesas próximas olharem.
- Ele vai amar isso!
- Você acha? – ela perguntou ansiosamente. Ele assentiu vigorosamente. – Ótimo! Bem, você já viu o que eu comprei para Mary e Petúnia. E para Jenna, eu fiz a assinatura da revista favorita de fofoca.
- Eu diria que você fez um trabalho fantástico ao escolher os presentes. Estou impressionado. Você tem um talento, minha querida. – James elogiou, antes de tomar mais um gole de sua bebida. Quando ele voltou a erguer os olhos, os fixou em algo atrás de Lily. – Lá está Jenna. – ele acenou para chamar a atenção dela. Jenna sorriu e acenou de volta, forçando seu caminho por entre a multidão e se sentando ao lado de Lily.
- Está realmente frio lá fora, não? – ela falou, os dentes batendo. – Não sinto meu nariz e minhas orelhas... Ou meus pés, para falar a verdade. Vou pegar uma cerveja amanteigada. – ela estava olhando para a de Lily especulativamente quando fez essa afirmação.
Logo, o resto do grupo se juntou a eles. A cabine que parecera tão grande, agora estava apertada com sete pessoas e todas as sacolas de compras. Jenna estava esmagada entre Lily e Peter, com Sirius se esforçando para ficar sentado em seu lugar, quase caindo da cabine a cada vez que Mary, Remus ou James se moviam.
- É melhor assim. – Sirius defendeu quando Mary reclamou que estava praticamente sentada em seu colo. – O calor corporal nos manterá aquecidos. – sua voz estava provocativamente sugestiva e Mary lhe lançou um olhar de nojo.
- Você pode ficar com todo seu calor corporal, obrigada. – Mary respondeu, determinadamente se forçando entre Remus e Sirius, conseguindo empurrar o último completamente para fora do lugar. Ele caiu no chão, para o divertimento do resto do grupo. Sirius amaldiçoou em voz alta, ganhando outro olhar feio das mesas ao redor das dele.
Quando terminaram suas bebidas, todos — menos James e Lily — começaram a se preparar para terminar suas compras, e Jenna falou:
- Eu preciso saber onde todos irão estar no natal. Vou deixar os presentes no correio hoje, então preciso do endereço.
- Porque os está despachando tão cedo? – Remus perguntou, antes de engolir o último gole de sua cerveja amanteigada.
- Minha família e eu vamos esquiar em uma área completamente não mágica e eu não confio no correio trouxa. – ela explicou.
- Bem, eu vou estar na casa dos meus pais. Normalmente, não fazemos muito nos feriados. – Remus informou vagamente.
Jenna virou seu olhar para Peter, que informou:
- Minha mãe e eu vamos visitar minha avó na Irlanda.
- Eu vou estar na casa do Prongs, evitando minha família a todo custo. – Sirius proclamou amargamente.
- Sim, nós vamos ficar na casa dos meus pais. – James confirmou.
- Sinto pena dos seus pais. – Jenna provocou com uma piscadela. – Imagine, ter de agüentar vocês dois, sem parar, por três semanas! – Sirius riu sarcasticamente e James apenas resmungou algo sobre agora saber como ela se sentia. – E, Mary, você vai estar no casamento do seu irmão, na Austrália, certo? – Mary assentiu. – O que você vai fazer, Lily?
- Vou ficar em Hogwarts. – Lily respondeu, mantendo os olhos baixos.
- O quê? – James perguntou indignadamente, fazendo Lily erguer a cabeça e encontrar seus olhos. Ele parecia chateado, quase bravo com sua admissão. – Não vai ficar aqui, não.
Ela esperou um momento, incerta se ele estava falando sério ou não. Todos no grupo estavam olhando de um para o outro.
- Vou ficar, sim! – argüiu. – Eu não quero passar três semanas com Petúnia e seus sogros horríveis. Mesmo se eu quisesse, ela deixou bastante claro que eu não sou bem vinda na Rua dos Alfeneiros.
- Isso não quer dizer que você precisa ficar sozinha no natal. Você pode ir lá para casa. – James ofereceu, completamente ignorante aos olhares surpresos nos rostos de seus amigos. Lily, por outro lado, estava bastante ciente dos olhos de todos neles e o olhar de quem sabe das coisas que Mary e Jenna tinham acabado de trocar.
- James, deixa isso pra lá. – ela murmurou, lhe dando um olhar severo e esperando que, pela primeira vez em sua vida, ele a ouvisse. – Não é grande coisa. Eu não me importo em ficar aqui.
Notando a tensão, Remus se intrometeu rapidamente.
- Sabe, Prongs, ouvi dizer que ficar em Hogwarts durante o natal é bastante divertido. Supostamente, Dumbledore e McGonagall se soltam durante as festas. E Hogwarts deve ser boa e relaxante sem Snape, Avery e Mulciber por perto. – James não parecia completamente convencido, mas não disse mais nada por causa do olhar que Lily estava lhe mandando.
Andaram silenciosamente, lado a lado, com o resto de seus amigos em uma concordância muda de voltarem a sua discussão quando estivessem sozinhos. Jenna ficou um pouco com eles, mas acabou indo para a Trapobelo Moda Mágica e Lily e James foram para a rua principal, voltando juntos para o castelo.
- Por que você vai ficar aqui durante as festas? – James perguntou, claramente irritado com o posicionamento teimoso dela.
- Por que, James, eu não tenho uma família para voltar e, certamente, não vou passar o natal com Petúnia e Vernon. – ela não entendia por que ele estava transformando tudo em algo grande. Tinha esperado que ele, de todas as pessoas, fosse compreensivo. Tinha se tornado dependente dele nesse aspecto, especialmente em se tratando de seus pais.
-Não, eu entendo isso. – ele falou, a irritação ainda presente. – Mas só por que você não quer ir para Surrey para passar o natal, não quer dizer que você tenha que ficar aqui. Volte pra casa comigo. – ele disse como se essa fosse a solução mais óbvia do mundo e como se já tivessem discutido isso centenas de vezes antes.
- É muito legal você oferecer, - ela começou sardonicamente. – mas acho que vou ficar por aqui.
- Não há um motivo bom o bastante para você ficar aqui quando pode voltar comigo. – James insistiu.
- Que tal esse motivo: eu não quero. – Lily disse ferozmente. James ergueu uma sobrancelha para ela, questionando a veracidade dessa afirmação. Ela respirou fundo para tentar se acalmar. – Desculpe. – murmurou rapidamente. – Eu realmente não quero falar sobre isso agora. Vamos voltar para o castelo e aproveitar os últimos dias que temos, antes de vocês todos partirem. – se virou e começou a andar mais rapidamente pela cortina de neve que estava caindo ao redor deles.
- Lily, eu te conheço. Você não vai se divertir nem um pouco se ficar aqui, sozinha. Você vai se sentar, sozinha, se preocupando e ficando infeliz. – falou, correndo um pouco para alcançá-la. Gentilmente a segurou pelo cotovelo para fazê-la diminuir o ritmo.
- Se me conhece tão bem, por que está me pressionando sobre o natal?
- Por que é tão contra a idéia de passar o natal comigo? – seu rosto estava calmo, expressando um leve interesse em sua resposta, mas sua voz mostrou o aborrecimento que sentia com ela.
- Só parece uma coisa muito... De namorada para eu fazer. – Lily praticamente cuspiu a palavra.
- Bem, você é minha namorada... – James disse acidamente, soltando seu braço.
- Você sabe o que quis dizer. – Lily repreendeu. – Você não acha que seria um pouco estranho? Você viu o jeito que todos te olharam no bar? Por que eu passaria as festas com você se não estamos namorando?
- Você sabe como me sinto sobre isso. – James rosnou. – Você pode apenas contar para eles que estamos juntos, assim isso não seria um problema. – Lily lhe mandou um olhar depreciativo. – Não é como se você fosse passar o natal só comigo. Padfoot estará lá, também. E não é como se você tivesse muitas opções. Faz completo sentido. – Lily suspirou resignadamente. Não estava com vontade de brigar hoje, especialmente não com James. Essa época do ano já ia ser difícil sem passar as próximas três semanas se arrependendo por uma briga que tiveram antes de ele ir embora. – Não há um motivo bom para você não passar o natal comigo... A não ser... – e agora ele abaixou os olhos para o chão coberto de branco. – A não ser que você realmente não queira. – ele falou tão quietamente que Lily quase não conseguiu ouvi-lo por causa do vento. Tudo, desde a postura dele, até seu tom de voz, deixaram Lily saber que essa era uma preocupação verdadeira dele e ela sentiu os últimos traços de sua raiva sumirem.
Tentativamente, ela fechou o espaço entre eles e segurou a mão dele.
- James... – murmurou. – Você acha que eu não quero estar com você? – ele lhe deu um meio sorriso, o qual era retribuiu, capturando seu olhar. – Ficar aqui no feriado não tem nada a ver com não querer ficar com você, prometo. Eu quero você, quero ficar com você, não duvide disso. – ele a estudou por um momento e, então, lhe deu um sorriso apologético, antes de soltar sua mão, quando alguém entrou na rua.
Ele ficou em silêncio por um momento, um sorriso contemplativo em seu rosto.
- Ótimo, eu vou ficar aqui, então. – ele resolveu.
- Não, não faça isso. Não quero ser a responsável por te arrastar para longe de sua família. – ela falou com um balançar de cabeça.
- O que quer que eu faça, então? – ele perguntou.
- Bem, eu não quero que você faça algo só por que sente pena de mim. Apenas vá para casa, aproveite o feriado e eu te vejo quando você voltar. Não é grande coisa.
James a olhou incredulamente por um momento.
- Você acha que só estou te convidando, por que eu sinto pena de você? – Lily deu de ombros. – Bem, tenho novidades para você, querida, eu estou te convidando, por que eu não quero passar três semanas sem te ver, a não ser que eu não tenha nenhuma outra escolha. Mesmo se você fosse passar o natal com seus pais, eu ainda ia querer que você ficasse alguns dias lá em casa. Ou eu ia querer te visitar. – Lily sorriu, a sensação atordoante que estava se acostumando a sentir quando estava com James, retornando. – E se você ficar aqui... Eu não vou te ver de nenhum jeito. E esse seria o pior presente de natal do mundo.
Lily suspirou pesadamente. Ele estava fazendo sentido e ele sabia disso. Ela conseguia ver isso pela expressão animada em seu rosto, mal mascarada.
- Eu não sei, James.
- Você pode apenas falar para as pessoas que você não queria ficar aqui e não queria ir para a casa de Petúnia, e que eu era o único que podia te receber. Faz sentido. Ninguém vai suspeitar de nada. – ele falou em sua voz mais persuasiva.
Fora assim que ela tinha chegado ao compartimento do Expresso de Hogwarts, voltando para Londres no natal. Sirius estava jogando um péssimo jogo de xadrez contra James (que, ao contrário da ansiedade de Lily, não se sentia nem um pouco perturbado com a idéia de Lily conhecer sua família) no chão, enquanto Peter estava dormindo, sua cabeça pendurada de uma maneira que parecia extremamente desconfortável. Remus, que ficara doente novamente no começo da semana e ainda tinha a aparência doentia, tinha encontrado um compartimento quieto no fundo do trem, onde podia dormir. Jenna ficara no compartimento deles mais cedo, mas tinha saído para encontrar Mary, que estava com Emmett em outro compartimento.
Lily estava mordendo seu lábio inferior e olhava ansiosamente para fora da janela, para a paisagem que passava correndo. Era um dia bom. Tinha parado de nevar e o sol estava aparecendo atrás das nuvens. As montanhas que passavam estavam cobertas de branco.
James olhou rapidamente para Peter, para se garantir de que ele estava adormecido.
- Sabe, se você está tentando convencer as pessoas de que nós não estamos namorando, agindo como se não estivesse nem um pouco animada com a perspectiva de ir para casa comigo, você está fazendo um ótimo trabalho. – ele comentou, enquanto sua rainha brutalmente jogava um dos bispos de Sirius para fora do tabuleiro.
Lily demorou um segundo para perceber que James estava falando com ela. Quando o fez, olhou para ele, os olhos zombeteiros dele focados nela. Deu um meio sorriso.
- Desculpe... E não é que eu não estou 'animada', só estou um pouco nervosa, eu acho. – escorregou para fora do assento, se sentando do lado de Sirius, ocasionalmente lhe mostrando um movimento que ele devia fazer.
- Por que está nervosa? – ele perguntou.
- Está falando sério? James, eu vou conhecer seus pais. Você não ficaria nervoso se a situação fosse oposta?
James sorriu.
- Nah, as pessoas me amam. Não tenho dúvidas de que seus pais seriam iguais.
- Ra, ra. – Lily falou sarcasticamente, antes de mostrar a Sirius que sua Torre podia acabar com a rainha de James.
James lhe deu um olhar desapontado.
- Você não precisa se preocupar com nada. Meus pais vão te amar.
Lily mordeu seu lábio inferior novamente, debatendo internamente se devia ou não verbalizar sua preocupação, uma que vinha lhe incomodando desde que tinha concordado em ir para a casa dele.
- Eles não vão ficar desapontados, por que... Bem, por que você está namorando uma sangue ruim?
Sirius fez uma careta e James a olhou, seus olhos brilhando com a mistura de raiva e dor.
- Não se chame disso. – falou por entre dentes cerrados. – E, não, eles não se importam se você é nascida trouxa. Meu pai começou no Ministério como assistente no Departamento de Controle de Mal Uso dos Artefatos dos Trouxas e minha mãe é fascinada por eles. Ela sempre vai a jantares na casa dos vizinhos. Então você pode apenas... Nem pense nisso. Só idiotas se importam com linhagem sanguínea e meus pais não são idiotas.
- Sério, Lily, os Potter são ótimos. Você vai amá-los. Verão passado foi o melhor verão da minha vida. – Sirius se intrometeu, sentindo a inquietação de Lily. – E, confie em mim, eles não se importam nem um pouco com a família de você veio. Se ligassem, não teria me deixar colocar o pé dentro da casa deles. Uma casa cheia de trouxas não tem chance na Nobre Casa dos Black.
Mas, apesar do apoio de James antes de seus amigos voltarem, quando sentiu o trem parar com um tranco, seu estômago se encheu de borboletas novamente, perante a idéia de conhecer os pais dele. Queria de verdade que eles gostassem de si. Ela não tinha a impressão de que James ia terminar tudo se eles não gostassem, mas ela sabia o quanto família significava para ele e também sabia que a aprovação dos pais dele ia significar o mundo pra James.
Mordeu o canto de seu lábio inferior e permaneceu sentada, olhando a plataforma lotada pela janela. Todas as pessoas no seu compartimento começaram a se levantar, pegando seus malões, murmurando despedidas apressadas e saindo do trem. James tirou seu malão da prateleira de bagagem para ela e colocou a mão em seu braço, correndo-a levemente para cima e para baixo, sentindo sua tensão. Quando ele ouviu a porta do compartimento abrir, rapidamente afastou a mão.
- Divirtam-se! – ela falou em uma voz animada, com um balançar sugestivo de sobrancelhas. – Comportem-se! – Lily a ouviu rir, enquanto se afastava. Se Lily não estivesse tão nervosa, teria ficado furiosa, mas não havia espaço em sua mente já atribulada para agüentar qualquer outra emoção.
James lhe deu um sorriso carinhoso, enquanto pegava o próprio malão e o colocava no corredor. Ela o seguiu, permitindo que ele forçasse o caminho pelos alunos à sua frente.
O ar da plataforma estava gelado no lugar onde Sirius os esperava. A fumaça que saia do Expresso deixava difícil ver muito à frente, mas o barulho de centenas de estudantes encontrando seus pais o cercavam.
Lily olhou ao redor ansiosamente, tentando encontrar alguém com cabelo negro e bagunçado e os olhos marrons ou alguém excessivamente alto, mas James estava forçando seu caminho direto para a fila de espera para passar pela barreira.
- Normalmente, meus pais esperam do outro lado. - James explicou. Embora a fila fosse longe, chegaram à barreira rapidamente.
- Podem passar. – apressou um bruxo muito velho e corpulento, que estava precariamente sentado em um banquinho.
As borboletas em seu estômago se multiplicaram quando passaram pela barreira, a estação Trouxa aparecendo ao redor deles e a 9 ¾ desaparecendo. James estava olhando ao redor, procurando por seus pais. Sirius parecia se sentir como Lily. Embora ele estivesse sorrindo, este não alcançava seus olhos.
Estava prestes a perguntar a ele qual era o problema quando ouviu uma voz guinchar:
- Aí estão vocês! – James derrubou seu malão com um baque e foi de encontro a uma mulher pequena, que estava correndo até ele. Ela sorria largamente e tinha o cabelo vermelho vivo. Enquanto o de Lily era um vermelho escuro, o da mulher era quase laranja, embora também tivesse algumas mechas grisalhas. Seus olhos brilhantes eram do mesmo tom de marrom que ela via sempre que olhava nos olhos de James. Essa mulher mal alcançava os ombros de seu filho e quando chegou perto dele, suas linhas de expressão ficaram mais acentuadas. Quando ela abraçou a cintura de James, tagarelando sem parar como ele estava magro e tinha crescido muito desde que tinha ido para Hogwarts, Lily teve a distinta impressão de que James tinha herdado sua energia sem fim e exuberância de sua mãe.
Quando a mulher abraçou Sirius (Quanto mais vai deixar o cabelo crescer, querido? Você parece mais um cachorro do que um menino!), Lily notou o homem que apertou a mão de James e, então, o puxou para um abraço apertado. Em uma rude comparação à sua esposa, o Senhor Potter tinha uma confiança e poder calmos. Ele emanava orgulho e força e, de algum modo, não era intimidador. Seu cabelo, embora completamente branco, apontava para todas as direções. E, como seu filho, era extremamente alto, embora ainda fosse alguns centímetros mais alto que James.
Ele também apertou a mão de Sirius, lhe falando para ignorar sua esposa e que seu cabelo estava bom.
Lily observou um pouco afastada, como um estranho observando outra família. Uma parte sua doeu quando se lembrou de seu pai a erguendo do chão, nesse mesmo lugar, a rodando no ar, quando corria até os braços dele.
- E essa deve ser a famosa Lily Evans! – afirmou a Senhora Potter, tirando Lily de seus pensamentos. A pequena mulher estava andando até ela com um sorriso carinhoso no rosto e antes que Lily pudesse prever, a tinha abraçado apertadamente, similar ao que tinha feito com seu filho antes. – É tão bom conhecê-la, querida!
- Obrigada. – Lily respirou quando a Senhora Potter a soltou. – Se eu ficar com vocês for muito incômodo, eu posso ficar com minha irmã... – tagarelou.
- Besteira, querida. Quanto mais, melhor. Davis e eu estávamos morrendo de vontade de conhecê-la. A maneira como James tem falado de você durante os feriados, nos últimos seis anos... Bem, vamos apenas dizer que estivemos apostando quais partes são verdadeiras e quais não são. – Lily sorriu e James corou. O Senhor Potter pegou seu malão e começou a andar na direção da rua.
- Oh, senhor Potter, não precisava fazer isso! Eu posso carregá-lo! – Lily protestou, se movendo para pará-lo.
- Não é nada. E me chame de Davis. – ele respondeu calmamente.
- E eu sou Arie. – a Senhora Potter se intrometeu. – Nós ficamos tão animados quando recebemos a coruja de James, avisando que você ia vir. É claro, tínhamos esperanças de que viesse. Mas fiquei toda feliz em arrumar o quarto de hóspedes para você. Oh, não foi problema nenhum, querida! – a senhora Potter disse apressadamente, notando a expressão apologética no rosto de Lily. – Sirius irá ficar no quarto de James. Estou tão feliz em receber você e o Sirius. Eu era a caçula de oito filhos, e eu cresci comemorando o natal com uma família enorme. Mas Davis e eu só nos casamos quando éramos mais velhos e James foi um pequeno milagre para nós, então é claro que ele é filho único. – a senhora Potter falava tudo rapidamente, suas palavras mal separadas uma da outra. James estava olhando sua mãe cautelosamente, enquanto o senhor Potter e Sirius ficavam trocando olhares divertidos e tentavam não cair ao rirem silenciosamente. – Não me entenda errado, nós amamos nosso pequeno natal e fomos capazes de fazer algumas viagens boas, mas será bom ter mais pessoas pela casa. É claro, Davis também está animado em ter uma garota por perto. Ele sempre quis uma filha, então eu acho que ele está feliz em ver...
- MÃE! – James gritou, claramente exasperado com sua mãe. – Deixe-a respirar, certo? – Lily notou que as orelhas dele estavam vermelhas, enquanto Sirius gargalhava gostosamente, murmurando algo sobre 'milagres'.
- Não está me incomodando. – Lily comentou, mas teve que abafar uma risada perante a expressão de descrença e vergonha que James mandou na sua direção. Ele e seu pai colocaram os malões no carro e todos entraram no sedan.
Arie pareceu sentir a irritação de seu filho e decidiu conversar com Sirius.
- Então, James nos disse que você está namorando Rosalyn novamente. Essa é a mesma garota que passou alguns dias conosco no verão passado?
- Oh... Uh... Sim, é a mesma garota. Mas nós terminado, há algumas semanas.
- Sinto muito. – Arie disse, embora, pela expressão em seus olhos, Lily duvidasse que ela realmente sentisse.
- Eu não. – Sirius respondeu abruptamente, fazendo Davis bufar ruidosamente. Arie lhe mandou um olhar repreensivo, embora seus olhos brilhassem em diversão.
- Bem, honestamente, querido, pelo o que vimos dela, ela não era boa o bastante para você, de todo modo. E eu ainda acho que é ridículo uma garota passar uma hora arrumando o cabelo e a maquiagem quando está indo nadar. – agora todos os homens estavam rindo animadamente.
A conversa fora suave durante a viagem para o norte de Londres. Todos estavam contando as coisas mais significantes que tinham acontecido desde que se separaram em setembro. Quando a Senhora Potter começara a falar sobre a última festa dos vizinhos, Lily começou a se distrair, seus olhos fixos do lado de fora da janela, nos prédios que passavam. Sentimentos que tinha tentado suprimir, sentimentos que tinham sido mais fáceis de ignorar com todo o drama acontecendo entre ela e James, estavam começando a aparecer. Antes, era capaz de fingir que a morte de seus pais não era real, por que não os via enquanto estava na escola. Era capaz de afastar os pensamentos ou emoções indesejados. Mas isso era mais difícil. Estar com pais, estar com uma família que sabia não pertencer, era difícil. Sabia que as intenções de James tinham sido boas e sabia que estaria mais feliz com ele do que sozinha em Hogwarts, mas isso não mudava o fato de que ficar no castelo tornava fácil continuar negando.
- Evans! – Sirius exclamou, chamando sua atenção. Ele e a senhora Potter a estavam olhando ansiosamente. James também a estava olhando, mas sua expressão era de preocupação e ela soube que ele estava ciente do que estava sentido e pensando.
- Desculpe. Acho que me distrai. – Lily se desculpou.
- Sem problemas. Só estava lhe perguntando onde você mora. É perto de Londres? – Arie perguntou educadamente, seu sorriso ainda no lugar.
- Eu moro... Ou melhor, morava... Na Spinner's End. – Lily respondeu, se encolhendo um pouco quando disse a palavra no passado.
- Spinner's End? É um local adorável. Meu irmão mais velho morou lá com a esposa por um longo tempo antes de morrer...
James ainda a observava cuidadosamente. Embora não queria que ele passasse o Natal todo se preocupando com ela, Lily sentiu uma onda de gratidão. Era um alívio estar perto de alguém que a conhecia tão bem a ponto de sequer ter de falar algo para ele saber o que ela estava pensando. Sabia que estar na casa dele, com sua família, significava muito para James. Também sabia que se ficasse deprimida o feriado todo, se lamentando e chorando o tempo todo, acabaria estragando tudo para ele. Então, ela sorriu para ele e pegou sua mão, jurando para si mesma que iria aproveitar esse feriado, que iria agir como se estivesse se divertindo, não importando como estivesse se sentindo. E, enquanto saiam de Londres e ela escutava as risadas fáceis, pensou que, talvez, não fosse precisar fingir tão frequentemente.
Eles estacionaram em frente à uma linda casa, com um jardim enorme na frente. Ramos estavam sob cada uma das janelas, sem nenhuma flor no momento, mas Lily conseguia imaginar as flores de todos os formatos e cores. Era uma casa de um único andar e, embora tivesse a aparência confortável, não era a mansão na qual sempre tinha imaginado que James morasse. A neve intocada fazia parecer que a casa pertencia à um cartão de natal.
- Vou te mostrar onde é seu quarto. – James murmurou, tirando os malões do carro. – Eu levo o seu. – ele protestou quando ela fez menção de pegar seu malão.
- James, você mal consegue levar o seu. Não mesmo que você vai conseguir levar o meu junto.
- Quer apostar? – ele perguntou, erguendo uma sobrancelha. James olhou por cima dos ombros, procurando por algum visinho curioso, antes de pegar sua varinha, sacudi-la duas vezes e, então, erguer os malões como se não pesassem mais que dois livros de Transfiguração.
- Isso é ilegal. – Lily o lembrou, embora seu tom estivesse longe de ser acusatório.
- Nah, o Ministério não sabe se quem fez o feitiço fui eu ou meus pais. Normalmente, minha mãe me deixa livre no feriado de natal. Não gosta que eu faça isso no verão. Nas duas últimas férias de verão, ela precisou esconder minha varinha, por que eu continuava fazendo magia. – James riu, mas Lily não estava mais escutando.
Tinham entrado na casa, direto no hall de teto alto. Havia uma sala de estar bastante elegante e formal à direita, mas James estava indo para o corredor à esquerda. Ela o seguiu, mas seus olhos estavam correndo pelas fotografias penduradas nas paredes. Todas eram de James. Uma o mostrava rindo e brincando com alguns brinquedos no berço. Outra mostrava James com sua vassoura de brinquedo, flutuando no jardim, seu pai jogando objetos em sua direção, que ele evitava. Outra, que Lily assumir ter sido tirada durante o terceiro ou quarto ano dele em Hogwarts, mostrava os três Potter sorrindo e acenando no que parecia ser o alto de uma montanha coberta de neve. E outra mostrava Sirius com James, que Lily assumiu ter sido tirada no último verão, jogando xadrez. James parecia chateado e Sirius arrogante. James devia estar perdendo.
- Aqui estamos. – James anunciou, abrindo a porta e entrando antes dela. Lily entrou no quarto lentamente, absorvendo o tom calmante de azul das paredes, as tulipas recém colhidas em um vaso sobre a mesa perto da janela; a cama de casal antiga; as fotos preto e brancas, imóveis, na parede. James, que a observava nervosamente, notou seu olhar.
- Mamãe acha que é uma fotografa trouxa. Papai e eu achamos que ela é maluca, mas isso a deixa feliz, então... E você a conheceu. Nós fazemos o que podemos para mantê-la feliz. Por que por mais que ela fale rápido normalmente, a coisa piora quando está chateada. – Lily riu, ainda olhando ao redor do quarto. Quando seus olhos encontraram James novamente, ele estava escorado contra a parede, a observando com carinho nos olhos. Isso fez seu estômago se revirar.
- O quê? – perguntou, tentando manter sua voz normal.
- Nada. – ele respondeu, se afastando da parede e andando até ela, seus olhos ainda sufocantes. – Só não consigo acreditar que você finalmente está aqui.
- O que quer dizer? Achou que eu ia me perder da King's Cross até aqui ou algo assim?
- Não. – respondeu ainda pensativo. Foi até ela e passou um braço ao redor de sua cintura, puxando-a para perto. – Quero dizer que faz isso parecer... Real, sabe? Sempre sonhei com o dia que você ia estar aqui e agora você está. Só é um pouco surreal.
- Agora, agora, vocês dois. – Sirius disse de trás dele, em um tom repreensivo zombeteiro. – Vocês vão ser capazes de controlar seus hormônios o bastante para dormir tão perto um do outro? Não quero nenhuma besteira acontecendo. Nada destrói uma relação secreta melhor do que um filho ilegítimo.
- Padfoot! – James reclamou, mas Sirius meramente sorriu maliciosamente para eles.
- E onde vocês vão dormir? – Lily perguntou, se soltando do aperto de James. Saíram do quarto de hóspedes e entraram pela porta à esquerda. Havia uma cama encostada na parede e outra de armar do lado. Cobrindo cada centímetro da parede e teto, estavam pôsteres de vários times de Quadribol, muitos autografados.
- Ainda bem que sua mãe te fez se livrar daquele pôster sensual da Celestina Warbeck, eh, Prongs? Lily provavelmente não ia gostar muito, não é?
- Oh, cale a boca! – James disse, pegando uma Goles gasta em seu criado mudo e a jogando na direção de seu melhor amigos. Sirius se abaixou, mas não foi rápido o bastante e foi atingido, a Goles fazendo um som seco quando bateu em sua testa. Entretanto, Sirius não hesitou, imediatamente pegando uma revista e a jogando em James. Isso se repetiu por vários minutos, Lily desviando dos travesseiros e estatuetas que voavam em sua direção quando um dos garotos não mirava. Só parou quando Arie colocou a cabeça dentro do quarto.
- Nós vamos sair para jantar em meia hora, então fiquem prontos!
- Aonde nós vamos? – Lily perguntou quando James começou a colocar as coisas em seus lugares.
- Bem... Tem essa coisa sobre minha família. Nós temos várias tradições há cumprir. – Sirius estava assentindo entusiasmadamente atrás de James. – As três noites antes do natal, todos nos arrumamos e jantamos fora. Meu pai escolhe hoje, minha mãe escolhe amanhã e eu escolho na véspera de natal. Nós também vamos cantar músicas de natal na véspera, com o grupo da igreja local. Aí, na manhã de natal, dormimos até tarde. Nossa cidade faz um tipo de marcha para ver as decorações de natal, e nós participamos. Depois, há a tradicional guerra de bola de neve da família Potter, seguida por um enorme jantar de natal. Depois, tiramos uma foto de família, que minha mãe tem que revelar na hora e, então, abrimos nossos presentes, antes de irmos dormir.
- Parece divertido. – Lily respondeu, se virando para voltar para seu quarto.
- Parece? – ouviu Sirius perguntar sarcasticamente, antes do som de coisas sendo jogadas chegar aos seus ouvidos.
Lily estivera certa. Passar tempo com os Potter era fácil. Frequentemente, se sentia chocada quando percebia que não estava apenas se divertindo, como também não estava pensando muito em seus pais. Ficara maravilhada ao observar James interagindo com seus pais. Rapidamente descobriu que, embora ele tivesse herdade a exuberância de sua mãe, seu senso de humor, lealdade e orgulho tinham sido herdados de seu pai.
Também notou que, apesar de Sirius ser amigo de James, os Potter o tratavam como se fosse seu segundo filho. Eles o provocavam da mesma maneira, brigavam com ele da mesma maneira e a senhora Potter lhe dava um beijo de boa noite, da mesma forma que fazia com seu filho biológico.
Entretanto, as noites eram mais difíceis para Lily. Era quando ela não tinha nada para lhe distrair da dor. Ficava deitada por horas, olhando para o teto, ouvindo os roncos que invadiam seu quarto, vindo do quarto ao lado. Por mais que estivesse se divertindo, no escuro era difícil suprimir os pensamentos do que estaria fazendo se seus pais ainda estivessem vivos.
Na manhã de natal, ficou grata pela oportunidade de dormir até mais tarde. Quando saiu da cama, o sol já estava alto no céu e ela conseguia ouvir o murmúrio de James e sua mãe na cozinha, do outro lado da casa. Colocou seu robe sobre o pijama e penteou o cabelo com os dedos, antes de caminhar até a cozinha.
- Ah, a bela adormecida acordou. – o senhor Potter anunciou, a olhando por cima de seu jornal.
- 'Bela' é a palavra certa? – Sirius perguntou de boca cheia. O senhor Potter riu, mas rapidamente fingiu tossir quando sua esposa o olhou severamente.
- Eu acho que você está ótima. – James falou, colocando a frigideira de volta no fogão, na qual tinha virado uma panqueca, antes de lhe dar um beijo na bochecha.
Ela sorriu para ele.
- É por isso que estou namorando você, e não o Sirius. – respondeu, sorrindo afetadamente para Sirius e se sentando ao lado da senhora Potter.
- Espero que não seja o único motivo. – James falou, se voltando para suas panquecas.
- Café, querida? – Arie perguntou, oferecendo uma xícara à Lily. Ela a aceitou, agradecendo e tomando um gole, permitindo que o calor do café a aquecesse de dentro para fora. James colocou um prato de panquecas na sua frente e se sentou. – A marcha começa às duas horas. – a senhora Potter lembrou a todos, embora Lily não soubesse como alguém poderia se esquecer. Arie vinha falando sobre isso pelos últimos dois dias, de como a Senhora Isso e Aquilo tinham gastado dinheiro extra esse ano para contratar um iluminador profissional e como o Senhor Alguma Coisa tinha declarado que a temporada toda era muito comercial e tinha deixado a decoração de Halloween no lugar durante novembro e dezembro. – Nós precisamos estar na esquina da rua ao meio dia, para não nos atrasarmos. E, garotos... – voltou sua atenção para James e Sirius que, subitamente, tinham expressões extremamente inocentes em seus rostos, que não enganava ninguém. – Tentem não me envergonhar esse ano. Sua brincadeirinha do ano passado fez as pessoas comentarem até a Páscoa.
- O que eles fizeram? – Lily perguntou inocentemente.
- Só estávamos tentando agilizar um pouco as coisas. – Sirius se defendeu, embora um brilho arteiro em seus olhos o tenha entregado.
A Senhora Potter o olhou severamente.
- Eles acharam que seria engraçado jogar bolas de neve enfeitiçadas em pessoas que estavam andando muito devagar. Vocês têm sorte por não terem se metido em problemas por violarem o Estatuto de Sigilo!
- Oh, mãe, você faz parecer que estávamos parados no meio da rua fazendo isso. Nós nos escondemos atrás da exposição do natal de Jesus da senhora Applegate.
- E isso é pior ainda! – ela chiou. – Tentar fazer parecer que o bebê Jesus ou sábios estavam jogando bolas de neve nos pedestres inocentes...
Lily estava tentando manter sua expressão chocada para que a senhora Potter achasse que a tinha ao seu lado, mas a vontade de rir estava rapidamente a dominando.
- Não é como se não tivéssemos sido devidamente punidos por isso. – James argumentou.
- É! Eu ainda não sei como os dobermanns da senhora Applegate saíram do quintal, mas a placa de 'cuidado, cachorro' não estava brincando. Aquelas coisas sabem morder.
- Acho que vocês dois não eram os únicos usando suas varinhas aquele dia. – o senhor Potter especulou por detrás de seu Profeta Diário. Perante essas palavras, o rosto de Arie ficou extremamente vermelho e ela ficou muito interessada em misturar seu café mais cuidadosamente. Mas James e Sirius tinham entendido a dica do senhor Potter perfeitamente e viraram seus rostos acusatórios para Arie.
- Mãe... Você fez aquilo? – James perguntou, soando bastante traído.
- Bem! Eu tinha que fazê-los parar, não é?
- Eu não consegui andar direito por duas semanas! – Sirius exclamou.
Lily não conseguiu mais prender as risadas.
James ainda estava murmurando coisas incoerentes sobre traição familiar quando Lily se levantou e foi tomar banho. Ficou pronta antes dos outros, mas cinco pessoas dividindo dois banheiros significava que Sirius não teve a chance de tomar banho até vinte minutos antes de terem que sair. Os outros quatro estavam na sala de estar, esperando. O senhor Potter e James estavam conversando sobre alguma coisa relacionada ao time de Quadribol inglês que tinham lido no jornal, enquanto a senhora Potter folheava uma revista de fotografia, com Lily observando quietamente.
Não pôde evitar notar certas similaridades entre os homens Potter. Ambos se sentavam com uma perna dobrada em cima da outra e gesticulavam bastante com as mãos quando tentavam mostrar um ponto de vista. Davis tinha um braço ao redor dos ombros de Arie da mesma maneira que James estava com o dele descansando nos ombros de Lily. E os dois garotos Potter pareciam gostar de ruivas.
- James, estou te falando, Abernathy vai se aposentar no final dessa temporada. E mesmo que não fosse, você é um artilheiro melhor do que ele. Se você tentar depois de se formar, é certo que você entraria no time principal. – o senhor Potter falou de uma maneira que Lily achou que eles já tinham falado sobre isso várias vezes.
- E eu estou te falando, pai, que eu não quero jogar Quadribol profissional. Decidi isso há um tempo. Talvez eu possa entrar no clube de algum time ou ser o técnico, ou qualquer coisa assim, mas há coisas que valem mais a pena que eu quero fazer na minha vida...
- Não estou falando que não pode fazer essas coisas, só jogue um pouco de Quadribol antes. Você tem um talento que nem todo mundo tem. – David interrompeu.
- Não vou jogar profissionalmente, pai. – James respondeu com tal tom de finalidade, que a senhora Potter ergueu os olhos da revista e o senhor Potter não falou mais nada sobre o assunto.
- Não vai? – Lily perguntou. Sempre tinha assumido que isso era algo que James, sem dúvidas, faria depois de Hogwarts. Tão bom quanto ele era e o tanto que ele amava o esporte, Lily nunca tinha considerado que ele não fosse pelo menos tentar entrar em um time, antes de começar outra carreira.
- Não. – James respondeu e pareceu pronto para começar um discurso que tinha usado muitas vezes antes, quando Sirius entrou na sala de estar, o cabelo ainda molhado.
- Hora perfeita! – Arie anunciou, se levantando e pegando sua varinha. Apontou para a cabeça de Sirius e uma rajada de ar quente saiu da ponta, fazendo o cabelo dele esvoaçar. – Mas você vai achar sua morte se sair no frio com seu cabelo pingando assim.
- Ah, Arie, eu ia ver se gelo ia se formar no meu cabelo. – ele protestou, embora tenha ficado parado e permitido que ela terminasse de secar seu cabelo.
- Hmmm, tenho certeza de que seria bastante interessante, mas tente isso em Hogwarts, certo? Vou me sentir bem melhor sabendo que você morreu sob a responsabilidade de Albus Dumbledore do que na minha. – falou, um sorriso gigante nos lábios. – Certos, coloquem os agasalhos! – ordenou, enquanto colocava os próprios.
Era um dia frio, mas por não estar ventando, era um frio tolerável. Caminharam pela rua e encontraram com o resto dos vizinhos. Todos pareciam conhecer os Potter e Sirius, então, por completos dez minutos, James guiou Lily entre as pessoas, a apresentando para as pessoas que lhe davam tapinhas nas costas e perguntavam sobre a escola. Muitos pareciam chocados por ver Lily.
- Nunca achei que veria o dia em que James Potter traria uma garota para casa. – o senhor Carter disse, um homem alto com o rosto angular. – Achei que você seria um solteirão, como eu. – riu.
- Só estava esperando pela certa, eu acho. – James respondeu, sorrindo para Lily e passando um braço ao redor dos ombros dela. Lily corou, mas sorriu do mesmo jeito.
O Senhor Carter a olhou, a medindo.
- Sim, bem, acho que isso é bom para algumas pessoas. Eu passei por uma fase assim, uma vez. Achei que tinha encontrado 'a certa', como você disse, mas eventualmente percebi que não há nada melhor do que a vida de solteiro; indo de uma mulher para a próxima, nunca 'dominado'. Essa é a verdadeira felicidade, James, meu garoto. E eu tenho certeza de que você irá descobrir isso logo. Embora, isso será divertido até você se formar. – falou, gesticulando na direção de Lily.
James ficou em silêncio por um momento desconfortável, enquanto as sobrancelhas de Lily se ergueram e sua boca ficou aberta.
Finalmente James pareceu sair de seu estupor.
- É. – falou lentamente, arrastando a palavra. – Bem, foi bom te ver, senhor Carter. Vou cumprimentar os Olivers. A gente se vê. – começou a guiar Lily para longe do homem, que ainda parecia achar que tinha passado uma sabedoria incrível para James. – Que coisa horrível de se dizer... Imbecil. – ele murmurou no ouvido de Lily.
- Não, ele parecia amigável... E cheio de conselhos seculares. – Lily comentou sarcasticamente. James riu e olhou contemplativamente por sobre o ombro.
- JAMES! – uma voz feminina gritou de longe. Lily observou uma garota muito bonita, com o cabelo castanho ondulado, se forçar por entre as pessoas e correr o mais rápido possível na direção deles. Quando ficou claro que ela não ia diminuir, James tirou o braço dos ombros de Lily e se preparou para o impacto. A garota se jogou nos braços de James, o jogando um pouco para trás, antes de ele conseguir se equilibrar novamente. Ela tirou os pés do chão e se pendurou no pescoço dele. A garota estava rindo quando James a colocou no chão, esfregando o peito, fazendo uma leve careta.
- Hey, Abby... – ele murmurou, parecendo sem ar. – Bom te ver.
- Desculpe se eu te machuquei, só não estava esperando te ver por aqui, só isso. – ela respondeu, ainda rindo e sorrindo para ele com seus dentes perfeitamente alinhados.
- Por que você achou que eu não estaria aqui? – ele perguntou, confusão clara em seu rosto.
- Sua mãe sempre se preocupa que você vai decidir ficar na escola durante os feriados. Além do mais, eu achei... Talvez você fosse ficar lá, porque você temia que as coisas pudessem ficar... Sabe... Estranhas entre nós. – ela respondeu, seu tom cheio de implicação. Embora, se Lily estivesse certa, parecia que Abby tinha esperanças de que James estivesse um pouco embaraçado. – Eu te machuquei? – ela perguntou, preocupação em sua voz pela primeira vez, enquanto James ainda esfregava o peito.
- Oh, não, não se preocupe. Meu esterno já estava machucado por evento completamente não relacionado. – ele respondeu com um leve tom de sarcasmo. Abby não notou, mas Lily já tinha passado bastante tempo com James para notar. Tentou abafar uma risada, mas falhou. Abby colocou seus olhos marrons escuros em Lily, seu rosto cheio de desgosto curioso.
- Quem é essa? – ela perguntou para James, seu tom implicando que ela achava que Lily era algo nojento, como um inseto que ela gostaria de esmagar sob o sapato.
- Essa é Lily, minha namorada. Lily, essa é Abby, nossa vizinha do fim da rua. – Lily ofereceu uma mão e Abby a apertou relutantemente. Não parecia nada feliz em ser descrita como 'vizinha'. Ela estava olhando feio para Lily, não tentando nem um pouco esconder seu desgosto.
- Sua namorada? – ela guinchou. James assentiu, mas pareceu sentir a infelicidade de Abby e não a provocou mais colocando o braço ao redor de Lily, preferindo esconder as mãos nos bolsos. – Eu achei que esse era 'seu último ano de escola' e que você não queria 'se prender para o caso de decidir fazer outra coisa com sua vida'. – ela zombou, fazendo aspas no ar. – Ou isso só foi algo que você usou para me dispensar facilmente, para que não precisasse ser um homem e me falar a verdadeira razão porque não queria mais namorar?
Lily se sentiu dividida entre rir da expressão chocada no rosto de James ou se sentir intensamente embaraçada por estar testemunhando uma conversa que, provavelmente, não devia estar acontecendo, especialmente em um lugar público. Crispou os lábios e olhou ao redor, achando Sirius flertando com outra garota. Ele estava encostado em uma cerca, seu cabelo caindo elegantemente em seus olhos. A garota era quase uma poça no chão. Lily decidiu que essa situação era menos embaraçosa do que a que acontecia a sua frente, então foi até onde Sirius estava.
- Hey, Sirius. – Lily murmurou, parando perto dele. A garota com quem ele estava falando lhe olhou feio; um olhar que Lily sabia não merecer.
- Onde está o Prongs? – ele perguntou.
- Ele foi encurralado. – Lily explicou, apontando para onde James estava. Abby parecia estar dando um sermão nele e estava falando tão rápido, que ele não parecia ter a chance de se defender. A expressão no rosto dele era bastante engraçada. Ele estava com a mesma expressão que usava sempre que a professora McGonagall estava gritando com ele por sua última quebra das regras: meio envergonhado, mas pronto para correr o mais rápido possível para longe dela. Ele ficava olhando pateticamente para onde Sirius e Lily estavam, o que parecia apenas enfurecer mais ainda Abby e a incentivava a começar o sermão novamente.
- Aliás, Lily, essa é a Olivia. – Sirius apresentou. Olivia, que ainda estava olhando Lily desconfiadamente, aceitou a mão esticada de Lily e a apertou um pouco forte demais. – Lily é a namorada de James. – Sirius explicou. Perante isso, a linguagem corporal de Olivia mudou completamente. Ela estava sorrindo alegremente para Lily e começou a explicar que era a irmã mais velha de Abby e que tinha avisado sua irmã de que James era um quebrador de corações. Aparentemente, Olivia não se importava como a posição de Lily afetava sua irmã, desde que ela não atrapalhasse um possível encontro com Sirius.
Olivia não era muito interessante. Ela riu muito alto com as piadas medíocres de Sirius e continuava a falar sobre o quão ruim James era. Quando Lily começou a procurar desculpas para se afastar e ir procurar os Potter, James caminhou desanimadamente na direção dela, parecendo derrotado.
- Obrigado por me deixar... Traidora. – ele resmungou para Lily.
- Ei... Eu não te pedi para quebrar o coração da coitada da garota. – Lily provocou.
- Eu não achei que ela ainda estaria chateada. – ele protestou. – E você viu a maneira como ela reagiu quando me viu. Quem corre para os braços de outra pessoa quando ainda está furiosa com ela?
- Ela chorou por sua causa durante semanas. – Olivia contou, seus olhos brilhando friamente na direção de James, antes de se voltarem para Sirius.
James suspirou e abaixou a cabeça. Lily sorriu e o abraçou pela cintura.
- Pobre James, deve ser tão difícil para você ser tão irresistível. – falou. Ele assentiu em concordância e forçou um bico em seus lábios. – Ter mulheres se jogando aos seus pés e tendo que lidar com a trilha de corações quebrados que deixa para trás. Como você faz isso?
Ele estava sorrindo e deu de ombros.
- Você sabe, muita prática. Não é fácil ser um 'velho solteirão', como o Senhor Carter diria, mas alguém precisa ser.
- James, eu me importo com você. – Lily disse, sua voz muito séria. – Prometo que, quando você quebrar meu coração, eu não vou me jogar nos seus braços, antes de gritar com você. Simplesmente irei te ignorar da melhor forma possível, e fazer de conta que você não existe.
- Obrigado. – James disse agradecidamente. – Aprecio isso. – ele sorriu abertamente e se inclinou para pressionar seus lábios nos dela brevemente. Lily sorriu para ele e se afastou, mas ele continuou segurando sua mão, entrelaçando seus dedos.
- É isso que eu tenho que agüentar por meses. – Sirius estava falando para Olivia em voz muito alta. – Dá vontade de vomitar, não dá? – Olivia riu um pouco alto demais, mas Sirius não pareceu se importar.
Perceberam movimentação na frente do grupo quando este começou a se juntar à marcha, que começava a descer a rua. Lily ficou surpresa pela quantidade de pessoas que estavam aparecendo das outras ruas da vizinhança. Por mais que James e Sirius parecessem não gostar dessa tradição, Lily tinha assumido que a maioria das pessoas que moravam por perto também não gostava. A Senhora Potter correu para alcançá-los, animação clara em seu rosto. O Senhor Potter estava sempre alguns passos atrás dela, sorrindo serenamente, aproveitando silenciosamente o cenário ao seu redor.
- Está na hora, vocês três! Porém, esse ano, vocês vão ficar aonde eu possa vê-los. – ela declarou com um olhar severo que não assustou os garotos, já que seu efeito era perdido por causa do sorriso em seu rosto. Ela estava praticamente pulando em ansiedade.
- Oh, mãe, nós não vamos fazer a mesma coisa esse ano. – James repetiu.
- É, nós somos muitos criativos para fazer a mesma coisa dois anos seguidos. – todos riram, inclusive a senhora Potter. Olivia foi se encontrar com sua família com um último aceno e piscadela para Sirius.
- Sério, Sirius? – Lily perguntou, analisando Olivia, enquanto esta se juntava à Abby (que ainda estava mandando olhares mortíferos para Lily e James).
- O quê? – Sirius perguntou inocentemente.
- Você é muito bom para ela. – Lily explicou. Ele bufou e balançou a mão. – Me ajuda aqui, James.
- Oh, Padfoot pode fazer o que ele quiser. Ele é um garoto crescido, ele sabe no que está se metendo. E nós só vamos ficar aqui por umas duas semanas. Quanto estrago ele vai conseguir causar? – James perguntou em tom de dispensa.
- Baseando no que já vimos daquela família, eu diria que bastante. – ela lançou outro olhar na direção que Abby, cujos olhos estavam tão cerrados, que Lily se perguntou como ela conseguia ver algo. – Aquela garota, Abby, me odeia. É compreensível que ela te odeie, mas por que eu?
- Ela não te odeia. – James discordou, olhando para a garota e vendo sua expressão. – Certo, talvez odeie. Mas ela é louca, então... Você não pode esperar um comportamento humano normal de uma pessoa louca. – ele riu da própria piada, fazendo Lily girar os olhos e balançar a cabeça.
- Se ela é tão louca, por que você a namorou? – Lily perguntou, suas sobrancelhas se erguendo.
- Por que teve aquele encontro com Kevin Hildebrand? – ele replicou.
Lily pausou por um momento. Não tinha esperado essa pergunta vinda dele. Enrugou o rosto em concentração. Aquele encontro parecia ter acontecido há muito tempo. Teve que pensar para se lembrar por que tinha saído com ele.
- Por que... Eu estava tentando esquecer meus sentimentos por você. Eu estava tentando me forçar a gostar de outra pessoa. – respondeu honestamente. Ele inclinou a cabeça e ergueu a mão, como quem diz "aí está meu motivo". – Sério? – Lily perguntou desconfiadamente.
- Claro. – falou. Lily estava o olhando de uma maneira que deixava claro sua descrença. – É tão difícil de acreditar? Especialmente no verão passado. Nós voltamos da escola bem na hora que você finalmente tinha parado me odiar. Nós tínhamos conversado algumas vezes, embora rapidamente, que não acabaram com você me falando com o quão me achava repulsivo ou eu te implorando para sair comigo. Eu não sei, Lily, foi uma época confusa. Acredite ou não, eu estava tentando me convencer a desistir de você, de verdade. Esse foi o único motivo pelo qual parei de te chamar para sair. Eu desisti de ter esperanças. Mas só porque eu achava que nunca ia acontecer, isso não mudou a maneira como me sentia por você. Então, eu passei o verão tentando parar de gostar de você. – ele deu de ombros novamente. – Claramente, a maneira que eu fiz isso, não foi a melhor das idéias... Mas foi a motivação, de todo modo.
- Mas, então, você terminou com ela?
- Bem, não sou estúpido. – James disse em voz mais baixa. – Eu sabia que ela era louca. E eu também sabia que não tínhamos futuro. Ela não sabe que sou um bruxo... E eu mencionei que ela é louca. – Lily riu e começou a olhar as decorações, enquanto passava por uma casa que estava completamente coberta de lâmpadas azuis. – Além do mais – James continuou. – Quando decidi que não ia desistir, eu soube que tinha apenas mais um ano para te convencer que valia a pena olhar para mim; e não ia perder nem um pouco desse tempo namorando uma garota que eu não gostava.
- E olha como você conseguiu fazer isso rapidamente! Só demorou três meses. – Lily disse em uma voz animada, como se estivesse comentando uma grande conquista dele.
- Os três meses mais agonizantes da minha vida. – James adicionou, sorrindo.
- Agonizantes? – Lily falou com preocupação, uma ruga aparecendo entre suas sobrancelhas. – Por que agonizantes?
James a olhou como se isso fosso óbvio.
- Sério? Você não sabe? – Lily balançou a cabeça. – Bem, lá estávamos nós nos entendendo melhor do que eu achava possível, e eu ficava pensando 'eu tenho uma chance. Desde que eu não estrague tudo por fazer algo estúpido, eu tenho uma chance'. E por um longo tempo, eu tinha certeza de que você gostava de mim, mas você ficava insistindo que éramos apenas amigos. E, depois do baile de Halloween, que agora eu sei que foi quando você descobriu gostar de mim, eu sentia que cada vez que eu estava mais perto de conseguir o que queria, você se afastava. E sempre era extremo, também. Você não me olhava, nem falava comigo. Você me evitava a todo custo. Era como se eu tivesse feito algo errado, mas não conseguia descobrir o que, nem que minha vida dependesse disso. E foi quando nos beijamos e, sendo justo, nós dois exageramos. – Lily assentiu, mas permaneceu em silêncio. Não tinha idéia de que era isso que passara pela cabeça de James todo esse tempo. – Mas nessa altura, eu estava convencido de que você não gostava de mim e estava pronto para me acostumar a ser apenas seu amigo, se isso significasse voltar a passar o tempo com você. Na verdade, foi Padfoot que me convenceu que eu precisava te contar como eu me sentia... Mas, sim, eu diria que a maior parte foi agonizante. E quando eu achei que você tinha vergonha de mim... Foi horrível, também.
Lily ficou em silêncio por um longo momento, absorvendo tudo o que ele tinha lhe contado.
- Não sabia que você estava se sentindo assim o tempo todo. Desculpe. – ela deu um passo para mais perto dele, fechando o pouco espaço entre eles, enquanto andavam, e descansou a cabeça no ombro dele.
Ele lhe olhou carinhosamente e beijou sua testa.
- Valeu a pena. – ela sorriu, seu coração batendo mais rápido por um momento, emoções profundas surgindo dentro de si. – Você não precisa se desculpar. – ele afirmou e aumentou um pouco o ritmo da caminhada.
Enquanto caminhavam, ele mostrou vários lugares que costumava brincar durante sua infância. Havia um parquinho coberto de neve há distância, onde ele disse ter acontecido sua primeira lembrança de mágica acidental.
- Eu estava rodando muito rápido no gira-gira e sai voado na direção daquela árvore. Acho que deveria ter quebrado o pescoço, mas eu meio que pulei, como se fosse cheia de penas. Eu falei pra minha mãe que queria tentar de novo, e ela não deixou e me levou pra casa. – ele apontou para uma casa cujo jardim tinha uma rena e um Papai Noel de plástico gigante acenando do telhado, e lhe contou que era ali que seu primeiro melhor amigo morava. Chegaram à casa do final da rua, que tinha um grande Natal de Jesus no jardim e a informou que tinha sido atrás da manjedoura e do celeiro que ele e Sirius tinham se escondido no natal anterior para jogar as bolas de neve.
- Não é bom? – ele perguntou depois de uma hora de caminhada, quando voltaram para a rua dele.
- O que é bom? – perguntou, ainda que estivesse se divertindo tanto que qualquer coisa que ele perguntasse, ela concordaria.
- Isso. – ele respondeu, balançando suas mãos entre eles. – Poder andar de mãos dadas em público.
Ela estava pronta para lhe dar um olhar aborrecido e brigar com ele por mencionar isso quando estavam se divertindo tanto. Mas ao invés disso, respondeu:
- Sim, é. – ele pareceu tão surpreso quanto ela ao ouvir essas palavras saírem de sua boca. – Na verdade, estava pensando nisso mais cedo. Meio que é legal não ter que ficar pensando se tem alguém no mesmo cômodo, antes de ir me sentar com você. E no restaurante noite passada, poder segurar sua mão sob a mesa e deixar você colocar seu braço nos meus ombros, eu gostei. E sabe do que eu realmente gosto? – perguntou. Ele balançou a cabeça, ainda a olhando espantado com sua súbita explosão de honestidade. – Eu gosto de poder te dar um beijo de boa noite e realmente ir dormir, sem ter que fingir até meia noite e me esgueirar para fora do quarto. Sou uma grande fã disso.
- Ra, ra. – James disse sarcasticamente, embora ainda estivesse sorrindo. – Então, por que apenas não contamos para as pessoas que estamos namorando? – sugeriu.
- James, você prometeu que não ia me pressionar. – ela o lembrou, olhando em seus olhos, implorando.
- Está certa, eu prometi.
- Olha, eu tenho um prazo e agora eu sei qual a sensação de não precisar esconder nosso relacionamento. Apenas... Deixe-me lidar com isso ao meu tempo.
- Certo. – James falou suavemente quando chegaram ao portão da frente da casa dele. – Eu não queria te pressionar. Só estava sugerindo. – antes que ele pudesse falar qualquer outra coisa, uma bola de neve gigante veio do lado esquerdo dele e o acertou do lado da cabeça, o que o fez cambalear. Lily pulou e olhou para sua direita apenas para ver o senhor Potter sorrindo inocentemente, as luvas azuis mais escuras por causa da neve derretida.
- Agora é hora de começar a guerra de bola de neve da família Potter/Black. – Sirius anunciou com sua melhor voz de comentarista profissional. – A guerra começará em cinco minutos. Competidores, se preparem. – James soltou Lily e, imediatamente, ele e Sirius começaram a construir uma barreira entre o lado deles e o outro lado do jardim, onde Davis tinha começado a juntar enormes bolas de neve atrás de um carvalho.
- Vamos lá, querida. – a senhora Potter falou, enganchando seu braço ao de Lily. – As guerras de bola de neve da família Potter não é lugar para as senhoras. É tradição que os homens morram congelados, jogando neve um no outro e é tradição que as mulheres fiquem na varanda aquecida, torcendo pelos meninos. – Lily se sentiu agradecida por isso. Normalmente, não ia querer jogar contra um time com James e Sirius, mas ela não tinha certeza de que queria receber as bolas de neve do senhor Potter. A força que ele tinha usado para acertar James quase o fizera cair.
- Vê como é bom? – a senhora Potter perguntou, enquanto ela e Lily se sentavam no banco da varanda.
Ela estava certa. A varanda tinha sido enfeitiçada para permanecer aquecida, bloqueando o frio. Tinham uma visão perfeita, também. O senhor Potter ainda estava fazendo bolas de neve enormes, sua coleção parecendo mais um morro de neve, passando de seus joelhos. James e Sirius estavam discutindo táticas e desenhando linhas tortas na neve atrás de sua barreira.
- Geralmente, quem ganha essas guerras? – Lily perguntou, pensando que Davis provavelmente ganhava sempre.
- Oh, Davis geralmente tem a liderança. Mas, e eu não sei se você notou isso ou não, James é um pouco competitivo... Então, quando ele começa a parecer derrotado, Davis pega um pouco mais leve. Suponho que você possa dizer que o deixa ganhar, mas nós escolhemos ver isso mais como uma maneira de alimentar sua auto estima. – ela deu uma piscadela para Lily, checou seu relógio e gritou: - QUE COMECE O JOGO!
Lily observou quando as primeiras bolas de neve começaram a voar, James e Sirius sendo atingidos com uma força impressionante pelo Senhor Potter. Entretanto, a rapidez dos garotos parecia ter pegado o senhor Potter de surpresa já que ele também tinha sido atingido algumas vezes.
- Então, essa 'maneira de alimentar a auto estima dele' tem acontecido há quanto tempo? – Lily perguntou, divertida.
- Desde o começo. – a senhora Potter respondeu desavergonhadamente. – Acho que dá para falar que ele é nosso ponto fraco. – parou e piscou para Lily mais uma vez. – Que pai não tem seu filho como ponto fraco? E Davis e eu tínhamos deixado de ter esperanças de ter filhos anos antes de termos James, então naturalmente o mimamos um pouco. Mas foi feito por amor. – Lily não disse nada, mas absorveu o que a senhora Potter estava falando. Isso explicava bastante sobre quem James era. Explicava por que quando eles foram para Hogwarts, ele parecia ter tudo. Explicava seu ar confiante e a arrogância. Também explicava porque ele tinha superado a horrível fase que tivera. – Que é o motivo de estarmos tão felizes que você esteja aqui, querida. – a senhor Potter falou, tirando Lily de seus pensamentos.
- O que quer dizer? – Lily perguntou confusa.
- Acho que eu nunca vi James tão feliz quanto agora... Quando ele está com você. – Lily ficou em silêncio, atordoada. O quer que fosse que estivesse esperando, não era isso. A Senhora Potter lhe deu um olhar de quem sabe das coisas. – Quero dizer, nós duas sabemos que ele é o tipo de pessoa feliz e despreocupada. Não há muita coisa que pode fazê-los parar de sorrir. Mas... É difícil de explicar, mas há algo diferente.
Lily abriu a boca e a fechou novamente, incapaz de pensar em alguma coisa para fazer, enquanto observava James ser atingido.
- Davis e eu estávamos falando sobre isso noite passada e ele concorda comigo. Nós o vimos com namoradas antes... Várias vezes...
- Abby... – Lily interrompeu.
- Ah, você conheceu a Abby. – a senhora Potter falou, mandando um olhar cheio de significado na direção de Lily. – Sim, ela foi o agosto de James. Que pequena aventura ela foi... Mas a questão de todas as outras namoradas dele, era que parecia que ele as usava para passar o tempo. Ele sentia que era algo que ele era suposto a fazer, então ele fazia. Não estou dizendo que ele nunca sentiu nada por essas garotas, mas nunca o vimos olhar para alguém da maneira que ele olha para você. E ele apenas... Eu não sei, ele emana felicidade. É quase como se estivesse irradiando dele. – a senhora Potter explicou, um pequeno sorriso aparecendo em seus lábios.
Lily torceu as mãos uma na outra.
- Provavelmente é circunstancial. – Lily murmurou quietamente. – Várias coisas estão dando certo para ele nesse momento.
- Mas não é... Essa é a questão. Essa é a diferença. – a senhora Potter argüiu, a expressão em seu rosto sugerindo que ela ia insistir nisso. – Essa não é uma felicidade que vem das coisas acontecendo ao redor dele. Está vindo de dentro. Ele parece satisfeito. Como se tudo mais no mundo pudesse dar errado e dificilmente ele notaria. E é por sua causa.
Lily se remexeu um pouco em seu lugar. Mais uma vez, se viu sem palavras. Observou a guerra de bolas de neve quietamente, tentando absorver tudo o que a senhora Potter tinha dito. Parte disso a fazia se sentir maravilhosa. Não duvidava dos sentimentos de James por si, mas era bom ouvir que a mãe dele também tinha notado isso. Mas a parte dela que, inexplicavelmente, ainda temia o dia em que o relacionamento ia terminar, odiava ouvir que ele ia sair tão severamente ferido quanto ela quando acontecesse.
A guerra de bola de neve ficou mais divertida conforme o tempo passou. James estava tentando criar algum tipo de distração para que Sirius pudesse encontrar um ângulo melhor para acertar o Senhor Potter. Em sua tentativa de fazer isso, tentou parar abruptamente e correr na direção oposta, mas seu pé escorregou, o fazendo cair com um baque surdo no chão, momentos antes de uma enorme bola de neve o acertar no estômago. Ele estava rindo e tentando se arrastar para trás de sua barreira de neve, mais bolas de neve voando em sua direção, seu pé ainda se arrastado na neve. Ele olhou para Lily, seus olhos brilhando, enviando uma onda de emoções por seu corpo.
- Ele também me faz bastante feliz. – Lily finalmente respondeu quietamente, mantendo os olhos em suas mãos por alguns momentos, antes de erguer os olhos, apenas para ver a senhora Potter a olhando com uma expressão materna. – Mais feliz do que eu achei ser possível.
Arie esticou a mão e segurou a de Lily. O gesto foi quase demais para Lily agüentar. Por um lado, significava bastante ter sido tão aceita pela mãe de James. E por outro lado, o gesto fez Lily dolorosamente se lembrar de sua mãe.
Conversaram pelo resto da guerra, a conversa ocasionalmente sendo interrompida para torcerem pelos garotos. Após quase duas horas sendo o alvo do senhor Potter, James e Sirius finalmente admitiram derrota.
James subiu os degraus até a varanda e passou um braço ao redor de Lily, que estava sorrindo para ele.
- Estou um pouco envergonhado que você tenha visto a primeira vez que perdemos... Ou, acho que eu devia dizer: a primeira vez que o papai não nos deixou ganhar. – Davis, que estava sorrindo de orelha a orelha, fingiu não ter idéia do que James estava falando. – Sim, pai, estou ciente de que você nos deixa ganhar todos os anos. Não sou estúpido.
A família entrou na casa.
- Você está nojento. – Lily ressaltou, torcendo o nariz e empurrando James.
- Sim, bem, eu tive meu traseiro chutado por duas horas, não foi? Provavelmente, você também estaria bastante nojenta se tivesse suportado a humilhação que acabei de enfrentar.
- Duvido. – Lily provocou.
- Oh, mesmo? – James perguntou, lhe estudando cuidadosamente. – Você acha isso, huh? – ela assentiu e, então, ele colocou as mãos no cabelo e começou a chacoalhá-lo para tirar o resto de neve deles e jogá-los em Lily.
- Certo! CERTO! – ela guinchou entre risadas. – Eu estaria nojenta! Pare! Isso é tão nojento!
James parou, mas a puxou para um abraço apertado.
- Você gosta desse suor, querida? Hmm? – ela estava tentando se afastar dele, mas ele a estava abraçando com força, esfregando a bochecha na testa dela, deixando uma trilha de suor. Ela fez uma careta, mas continuou rindo, o que combinado com a força que ele estava usando para abraçá-la, tornou difícil respirar. Ele a soltou, rindo, enquanto ela puxava o ar e o bateu divertidamente no estômago.
A tarde foi bastante relaxada. James, Sirius e Davis tomaram banho e, então, todos se sentaram na sala de estar, conversando e rindo. Houve bastante comentários sobre as decorações horríveis que tinham visto, e a coisa mais idiota que James e Sirius tinham tentando durante a guerra de bola de neve. Por volta das cinco horas, Lily começou a cochilar com a cabeça repousada no braço do sofá.
A Senhora Potter a acordou uma hora mais tarde anunciando o jantar.
O jantar, em si, fora adorável. A mesa estava arrumada perfeitamente e cada prato de natal imaginável tinha sido preparado. Aconteceram várias piadas e provocações e a senhora Potter fez cada um na mesa falar uma coisa pela qual eram gratos.
Quando o jantar terminou, todos os garotos gemeram quando a senhora Potter pegou sua máquina fotográfica.
- É tradição. – ela afirmou como se isso encerrasse o assunto. Quietamente, Lily saiu da foto. – E, senhorita Evans, o que exatamente você acha que está fazendo? – Arie perguntou quando notou o que Lily tinha feito.
Lily balançou a cabeça.
- É uma foto de família... Eu não sou família.
- Você é família neste natal; agora, volte para o lado de James. Não vou aceitar 'não' como resposta. – ficou teimosamente parada atrás de sua cama, esperando Lily se mover. Quando finalmente desistiu e parou ao lado de James (que estava fazendo um péssimo trabalho em esconder o sorriso), a senhora Potter sorriu e pegou sua varinha. Fez a câmera levitar à altura dos olhos e parou na frente de seu marido. – Um... Dois... Três. – falou animadamente, antes de balançar sua varinha. Todos ouviram o obturador. – Vou revelar e, então, poderemos mexer naqueles presentes.
O Senhor Potter pegou sua varinha e a balançou na direção dos pratos na cozinha e Lily os observou quando eles começaram a se lavar sozinhos. Caminharam para a sala de estar onde a árvore, brilhantemente iluminada ao lado da janela, estava esperando com os presentes empilhado aos seus pés. O Senhor Potter se sentou no sofá de dois lugares, enquanto Sirius, James e Lily ocupavam o outro sofá. Aparentemente, a senhora Potter demorou mais que o usual, por que James, que estava começando a ficar ansioso, se levantou e, do corredor, gritou para sua mãe se apressar.
Ela finalmente voltou com um pequeno embrulho pardo nas mãos, que colocou delicadamente sob a árvore.
- Esqueci que tinha mais um presente para embrulhar. – explicou enviando um olhar cúmplice para seu marido.
Lily gostava da maneira como os Potter lidavam com o natal. O senhor Potter distribuía os presentes um de cada vez, todos observando enquanto alguém abria um presente. Então, com o presente abeto, quem o recebera se levantava e abraçava quem lhe dera o presente. Era bastante pessoal e cheio de gratidão. Além do mais, Lily gostava de ver o que os outros tinham ganhado.
James tinha acabado de abrir uma caixa com vestes de galas novas e estava agradecendo sua mãe, quando o senhor Potter passou uma caixa para Lily. Isso a surpreendeu já que ela já tinha aberto os presentes de Jenna, Mary e Sirius. Olhou para o cartão e se virou para James.
- Você jurou que não ia comprar nada pra mim! – acusou.
- O fato de que você acreditou nisso apenas mostra o quanto você não me conhece. – ele respondeu, um sorriso ávido em seu rosto. – Agora, vamos apenas fingir que já passamos pela parte onde você fica irritada comigo por fazer algo que você me disse para não fazer, e abra seu presente.
Ela girou os olhos, mas rasgou o papel apenas para encontrar três caixas de penas açucaradas. Começou a rir.
- Minhas favoritas! – exclamou. – Obrigada. – se inclinou e o beijou rapidamente, corando por ter feito isso na frente dos pais dele.
- De nada. Deve ser o bastante para durar outros dois semestres de História da Magia. – Lily riu de novo e colocou seus doces perto de seus outros presentes.
Em seguida, a senhora Potter recebeu um lindo par de brincos de pérolas do Senhor Potter e James ganhou um par de ingressos para o jogo dos Tornadoes no verão.
Sirius recebeu o próximo presente. Lily assistiu ansiosamente enquanto ele rasgava o papel e começava a sorrir como um maluco.
- Uau! Obrigado, Lily! – era um grande estoque de bombas de bosta, fanged Frisbees¹ e outros itens proibidos da Zonko's. – Eu estava quase sem stink pellets²!
- Mas tem uma condição. – Lily o interrompeu. – Você não pode usar as bombas de bosta em qualquer cômodo em que eu esteja ou logo estarei. E se você for pego com essas coisas, nós não nos conhecemos. – ele riu e concordou, erguendo-se para dar a volta no sofá e a abraçar.
O próximo presente de James era uma caixa pequena.
- Para: James, de... De: Lexi. – ele leu, uma expressão de confusão em seu rosto. Ele olhou para Lily, que não estava mais sorrindo, mas estava olhando para o embrulho com uma sobrancelha erguida. – Eu me sinto mal, não comprei nada para ela.
- Veja o que é, antes de começar a se sentir mal. – Sirius murmurou, ganhando um olhar reprovador da senhora Potter.
Cuidadosamente, James tirou o papel, revelando uma cápsula de plástico, que tinha um Pomo de Ouro autografado. Lily não reconheceu o nome, mas assumiu que era algo grande, baseando nas reações de Davis e Sirius. James, por sua parte, embora obviamente satisfeito com o presente, simplesmente disse:
- Preciso me lembrar de agradecê-la quando voltarmos... E, talvez, comprar um presente e mentir sobre ele ter se perdido no correio.
O estômago de Lily se revirou. Lexi tinha dado um Pomo de Ouro autografado para ele. Seu presente não se comparava a isso. Seu presente era estúpido em comparação.
Mas antes que tivesse muito tempo de pensar nisso, o senhor Potter lhe passou outro embrulho, muito menor do que o último que tinha recebido. Pegou o cartão e se voltou para James.
- Não pude resistir. – ele falou com um sorriso, embora fosse claro que estava mais preocupado com qual seria sua reação a esse presente. Era uma caixa longa e fina e Lily a abriu tremulamente. O papel revelou uma caixa de veludo com o logo da Traposbelo. Olhou para James novamente, antes de abrir a caixa. Seu coração pareceu parar em seu peito. Dentro da caixa estava uma linda pulseira, muito mais refinada do que qualquer coisa que já tivera antes. Havia três, aparentemente simples, fios de prata, que se inclinavam e torciam em um design complicado e em todos os lugares em que se entrelaçavam, havia um diamante.
Olhou para James, sem palavras. Ele a estava observando apreensivamente com um sorriso cauteloso.
- Você gostou? – finalmente perguntou depois de alguns momentos de silêncio. Ela assentiu, ainda incapaz de se lembrar de qualquer palavra que pudessem ajudá-la a se expressar. – Eu sei que você disse que não queria presentes, mas quando eu vi, precisei comprar pra você. Sei que você acha muito refinado... – ele falou rapidamente, tirando a pulseira da caixa e a colocando em seu pulso.
- Muito refinada. – Lily falou, finalmente conseguindo produzir um som. – Refinada demais. – repetiu. – Você não precisava...
- Eu sei que não precisava. – ele interrompeu. – Eu quis.
- Obrigada. – ela murmurou, olhando para a delicada jóia em seu braço. – Eu amei. – sussurrou, antes de beijá-lo novamente, um pouco mais longamente dessa vez, embora ainda tenha sido rápido.
Sua cabeça ainda estava rodando quando o senhor Potter passou para James o presente que ela tinha comprado para ele e, de repente, a surpresa que tinha sentido com seu presente sumiu para ser substituída por vergonha pelo que tinha lhe dado.
- Para: James, de: Lily. – ele a olhou. – E você disse que não ia comprar nada pra mim.
- Oh... Não é grande coisa. Só um presente baratinho. Nada como isso. – ela falou, gesticulando para seu pulso. Ele lhe olhou duramente, mas não disse nada. Ele rasgou o papel e abriu o topo da enorme caixa. Ele começou a rir e tirou um par de patins de gelo, levemente usados.
- Só achei – Lily começou em defesa de seu presente. – Talvez, se você pudesse treinar um pouco, nós poderíamos ir patinar sem cair tanto.
James estava sorrindo carinhosamente para ela. Ele sabia que ela achava que o presente era estúpido, mas significava muito para ele. Aquele primeiro encontro tinha sido um dos melhores dias de sua vida.
- É ótimo.
Ela sorriu embaraçada, mas encorajada por sua reação.
- E olha, são patins para jogar hockey, então não tem ponta para prender. – explicou, apontando para a ponta da lâmina. James riu, antes de fuçar dentro da caixa e tirar um envelope cheio.
- O que é isso? – perguntou.
- Oh... – Lily murmurou, seu rosto ficando vermelho. – Bem, toda sua tagarelice sobre tradições, me lembrou de uma minha. Na família Evans, nós escrevemos cartas para... Erm... As pessoas importantes e as colocamos no presente. E... Sei lá... Eu só estava pensando que você meio que é minha única... 'Pessoa importante'. Então, eu escrevi uma carta pra você. – James estava sorrindo, uma emoção brilhando em seus olhos que ela não conseguiu reconhecer.
- Posso ler? – pediu.
Lily assentiu timidamente.
- Mas não em voz alta... Por favor. Ficaria muito embaraçada.
James abriu o envelope de pergaminho, enquanto os Potter davam seu presente para Sirius, e começou a ler. Lily o observou pelo canto dos olhos, tentando calcular sua reação. Tinha passado bastante tempo pensando nas palavras certas para a carta e ainda mais tempo se convencendo a realmente colocá-la na caixa.
"Querido James", ele leu silenciosamente. "Eu queria lhe agradecer por me convidar para passar o natal com sua família. Está sendo ótimo e estou me divertindo mais do que me divertiria se houvesse ficado no castelo, sozinha. Você estava certo. Surpresa, surpresa.
A finalidade desta carta é lhe falar o quanto você é importante para mim. Estou sentada aqui há um bom tempo, tentando encontrar a maneira perfeita de explicar meus sentimentos por você, mas não encontro as palavras. Nada parece forte o bastante. Como eu já lhe disse esse ano, você é meu melhor amigo. Quando eu ouço algo animador, você é a primeira pessoa a quem quero contar. Quando estou chateada, são para seus braços que quero correr. Sempre que tenho um segredo para divulgar, você é a pessoa em quem mais confio para guardá-lo. E sempre que quero passar o tempo com alguém, você é a primeira pessoa por quem procuro. Você é meu melhor amigo. Mas também é mais que isso. Eu não achava que sentimentos como este existisse de verdade até te conhecer. As pessoas sempre dizem que a vida real não é como os contos de fadas; que encontrar alguém que te faça se sentir perfeita com um olhar, boba com um sorriso, ou alguém que te faça derreter com um beijo, é impossível. Mas acho que essas pessoas estão erradas. Claramente, elas não te conhecem. Eu sei que nunca poderei fazer algo bom o bastante para merecer tudo o que você já me deu. Você significa mais para mim, do que achei ser possível e, em apenas alguns poucos meses, meus sentimentos por você ficaram mais fortes do que eu poderia sonhar possível.
Feliz natal, James."
Lily o observava abertamente agora, enquanto ele dobrava a carta e a colocava de volta na caixa. Ele não sabia que seus pais estavam observando e parecia não se importar nem um pouco com Sirius os encarando. Pigarreou e engoliu em seco, antes de olhar profundamente naqueles olhos verdes brilhantes que adorava.
- Obrigado. – murmurou, sua voz baixa e rouca. Estava ciente da rouquidão em sua voz e que isso deixava claro a emoção que sentia. Sabia que tinha deixado sua guarda baixa e que tudo o que sentia por ela estava claro em seu rosto para quem quisesse ver, mas não se importava.
- Eu sei que não é um pomo de ouro autografado, mas... – ela começou, seus olhos indo pousar em suas mãos.
James balançou a cabeça para silenciá-la.
- Esse, - falou, indicando a carta. – é, possivelmente, o melhor presente que alguém já me deu. – ela olhou em seus olhos e soube que ele estava sendo sincero. Era evidente. Suas palavras o tinham balançado e ela estava satisfeita. Muito frequentemente, sentia que era ele quem a seguia. Era sempre ele tendo que fazer a primeira confissão para criar seu relacionamento e mantê-lo vivo. Estava na hora de ela retribuir um pouco disso.
- Melhor do que os ingressos para os Tornadoes? – Sirius se intrometeu, fazendo Lily pular. Todos riram, o momento perdido, mas Lily notou que James pegou sua mão e a segurou afetuosamente, ocasionalmente correndo os dedos por seu cabelo.
- E agora, nosso presente pra Lily. – Davis disse, pegando o pequeno embrulho que a senhora Potter tinha trazido do quarto mais cedo e o ofereceu a Lily.
Seus olhos se arregalaram e sua boca abriu em choque. Balançou a cabeça e implorou:
- Não, isso é demais. Eu não comprei nada para vocês e vocês já estão me deixando ficar aqui. Isso é presente o bastante.
- Oh, honestamente, querida, não é grande coisa. – a senhora Potter retorquiu e seu marido se sentou ao seu lado, passando um braço ao redor dos seus ombros.
- Bem, posso lhe comprar algo mais tarde, então? – Lily perguntou. Estava mortificada que os pais de James tivessem lhe dado um presente quando ela sequer tinha pensado em comprar algo para eles. Isso devia ser horrível para sua imagem.
- Não, não seja ridícula. Apenas abra. Não é nada demais, de verdade.
Lily suspirou e olhou para James, que estava lhe dando um sorriso encorajador. Abriu o papel do presente e encontrou uma moldura prateada simples, com a foto já colocada em seu lugar. O retrato de família. Lá estava ela, sorrindo e acenando timidamente do lado de James, Sirius Arie e Davis. Lily ergueu os olhos, sorrindo. Tanto Arie e Davis estavam lhe observando com um sorriso carinhoso nos lábios.
- É maravilhoso. Obrigada. – falou roucamente e se ergueu, encontrando com Arie no meio da sala e a abraçando fortemente.
- De nada, querida. – murmurou no ouvido de Lily. – E eu também revelei da maneira trouxa, caso você queira uma foto imóvel; está atrás da que se move. – Lily riu e assentiu, temendo que abrir sua boca, fosse liberar suas lágrimas.
Davis estava esperando atrás de sua esposa e também puxou Lily para um abraço. Seus braços eram fortes como os de James e, brevemente, sentiu a proteção de um pai mais uma vez.
Lily fungou e se sentou no sofá ao lado de James mais uma vez, se sentindo mais satisfeita e mais completa do que há algum tempo.
- Todos já receberam, então. Feliz natal. – Davis falou, se erguendo e se espreguiçando.
- Pai, ainda tem um lá. – James apontou. – Está bem atrás da árvore.
- Oh, e tem mesmo. – ele o pegou e olhou o cartão e, para o horror de Lily, o passou para ela.
Imediatamente, ela se virou para olhar acusatoriamente para James.
- Você não fez isso. – explodiu.
Mas os olhos dele eram inocentes.
- Não fui eu. – ele repetiu.
Ela olhou para a caixa que não estava muito bem embrulhada, procurando pelo cartão. Encontrou o pequeno cartão preso em cima da caixa e leu em voz alta:
- Para: Lily, de: Petúnia. – olhou novamente para James, que parecia tão confuso quanto ela se sentia. – Por que ela me mandaria algo? – perguntou, mais para si mesma do que qualquer outra pessoa. Soltou o cartão, e viu que havia algo escrito na parte de trás. – 'Encontrei isso quando estava limpando a casa da mamãe e do papai. Já estava endereçado a você, então achei melhor lhe enviar'.
Lily olhou para o presente como se esperasse que ele fosse explodir. Um sentimento de agouro e medo a preencheu. Não sabia por que, mas sabia que não ia querer abrir esse presente. Mas todos estavam a olhando e provavelmente achariam estranho se ela apenas se erguesse e jogasse o presente pela janela, sem abri-lo.
Nada de bom pode sair disso, pensou, abrindo a caixa. Quando viu o que tinha dentro, congelou. Seu coração parecia estar batendo duas vezes mais rápido que o normal e, ao mesmo tempo, sentia que ele tinha parado.
- O que é? – James perguntou, sua voz cheia de preocupação.
- É... Uh... Agulhas de crochê, um livro de instruções e um pouco de lã... E uma carta. – Lily respondeu, sua voz falhando várias vezes. Olhou para James, que ainda estava confuso com o significado do presente. – Desde que eu comecei Hogwarts, - Lily explicou, sua voz ainda trêmula. – eu voltava para casa no verão e ficava entediada, porque não podia fazer magia, então sempre decidia tentar algum passatempo trouxa. Se eu não tivesse desistido antes de as aulas começarem de novo, certamente desistia quando chegava ao castelo. Como brincadeira, mamãe saia e comprava todas as coisas relacionadas com meu passatempo e me dava de natal. Acho que ela já tinha comprado isso quando...
James assentiu e, subconscientemente, Lily estava ciente do quão quietos e parados todos os outros estavam.
- O que diz a carta? – ele perguntou.
Lily abriu a carta, mas, como James, a leu silenciosamente.
Querida Lily,
Feliz natal, docinho. Não acredito que você já está quase terminando a escola e é quase uma bruxa maior de idade. Seu pai e eu estamos tão orgulhosos de você. De vez em quando, ainda achamos estranho que nosso anjo seja uma bruxa de verdade e o quão estranho isso soa, mas nós sabemos que você irá fazer coisas incríveis.
Seu pai está lendo por cima do meu ombro e me falando pra guardar as coisas bobas para sua festa de formatura. Suponho que ele esteja certo. Mas nós te amamos. Talvez, agora que você está quase terminando a escola, você consiga fazer um pouco de crochê. Improvável, eu sei, mas vai saber. Talvez você aprenda e quando tiver seu primeiro filho, nós possamos nos sentar juntas e costurar alguns macacões para ele ou ela, ou talvez um chapeuzinho. E, ei, já que você vai ser maior de idade, você finalmente pode me ensinar a fazer aquela poção para não envelhecer!
Nós estamos orgulhosos de você, querida! Não importa o quão velha você fique ou o que esteja acontecendo em sua vida, sempre se lembre que nós te amamos mais do que qualquer coisa no mundo.
Eu te amo, anjo.
Amor,
Mãe.
As mãos de Lily estavam tremendo, o papel sendo amassado sob seus dedos. Lágrimas estavam cutucando os cantos de seus olhos. Não queria chorar aqui. Não na frente de todo mundo. E sabia que, dessa vez, seria um choro dos grandes. O buraco em seu peito, que finalmente estava começando a cicatrizar, tinha sido dolorosamente aberto novamente.
Sem uma palavra, Lily começou a juntar seus presentes em uma pilha para levá-los para seu quarto.
- Lily? – James chamou, sua voz cuidadosa, mas cheia de preocupação.
Ela o olhou, a preocupação em seus olhos sendo quase o bastante para levá-la ao limite.
- Estou realmente cansada. A marcha foi cansativa. Acho que vou me deitar agora, se não tiver problema. – mesmo ela podia ouvir o quão vazia sua voz soara e pela expressão no rosto dos outros, assumiu que eles também notaram. – Obrigada por esse natal maravilhoso. Boa noite.
Ouviu todos murmurarem uma resposta. Queria correr até seu quarto, mas não parecia ser capaz de forçar suas pernas a se moverem. Seu corpo parecia vazio, seu peito oco. Arrumou-se para deitar como se nada houvesse ocorrido. Lavou o rosto e escovou os dentes. Colocou o pijama. Mas quando se sentou na ponta da cama, pegou a carta novamente. A letra de sua mãe... As palavras de sua mãe. Fazendo planos para um futuro que não era mais possível. Dor apareceu dentro de si. Não dor física. Com isso ela podia lidar. A dor física seria bem vinda em comparação ao que estava experimentando no momento. Estava cara a cara com uma realidade que vinha evitando há meses. Era como se ondas e ondas de verdade insistissem em acertá-la, dolorosamente derrubando-a. Toda vez que começava a se controlar novamente, outra onda de dor a atingia e a puxava novamente. Era como ser pega no oceano. Como era suposta a sobreviver?
O resto do grupo permaneceu acordado e sentado na sala de estar por mais uma hora. Ninguém falou sobre o que tinha acontecido e ninguém disse nada quando James parecia distante. A conversa pareceu forçada já que todos estavam preocupados e se perguntando o que Lily estava fazendo ou pensando no momento.
James ficou aliviado quando seus pais desejaram boa noite. Preparou-se para a cama e informou Sirius que ia ver como Lily estava. Sirius não ter sido rude ou feito qualquer insinuação quando James o informou disso, era um sinal de quão séria era a situação. Não havia como ele conseguir dormir com a lembrança da expressão no rosto dela enquanto lia a carta. Ele sabia que ela estava magoada e não conseguia agüentar isso.
Colocou o ouvido na porta do quarto dela. Não queria bater e acordá-la caso ela tivesse sido capaz de adormecer. Sabia que ela não vinha dormindo bem. As bolsas sob seus olhos a entregavam. Mas a ouviu fungar e não se sentiu culpado por bater suavemente na porta.
- Pode entrar. – ela falou, a voz fraca e quebrada, mas não mais vazia. Ele podia ouvir a dor em sua voz e a maneira que ela estava tentando parecer bem. James podia ver que ela estivera chorando. Seus olhos estavam vermelhos e inchados, suas bochechas brilhantes com as lágrimas. Havia alguns lenços usados no chão, ao redor dos pés dela. – Ei. – ela murmurou como cumprimento, seus olhos magoados o ferindo como uma faca.
- Ei. – respondeu, surpreso pelo comportamento calmo dela.
- Achei que você viria logo. – falou, fungando novamente, enquanto James entrava no quarto e fechava a porta atrás de si. Tentativamente, se sentou ao lado dela na ponta da cama. Ela estava com a carta presa em suas mãos. Ele não disse nada por um momento e, enquanto ficou sentado lá, ela começou a chorar novamente. Lágrimas estavam correndo por suas bochechas novamente e suas mãos tremiam violentamente. Ela estava desesperadamente tentando se controlar, mas não estava funcionando. – Que tipo de pessoa faz isso? – murmurou, raiva misturada à dor. Sua voz estava aguda e falhando. – Por que ela sequer faria isso?
- Sua mãe?
- Não! – Lily choramingou. – Petúnia! Por que ela me mandou isso?
- Talvez ela tenha achado que você fosse gostar. Talvez, achou que isso te ajudaria a superar. – James especulou, embora com tudo o que tinha ouvido sobre Petúnia, duvidava que qualquer uma dessas opções fosse verdade.
Aparentemente, Lily concordava com seus pensamentos. Ela bufou raivosamente e jogou a carta no chão, com os lenços.
- Hah! Petúnia não teria me enviado isso se achasse que ia me ajudar. Ela sabia que ia me machucar. Sabia que ia fazer isso comigo e mandou do mesmo jeito. – as lágrimas estavam correndo mais rápido agora e estava respirando fundo entre as palavras. James não sabia realmente o que fazer. Não havia nada que ele pudesse falar que a faria se sentir melhor. Então, fez a única coisa em que conseguiu pensar; passou o braço ao redor dela e a puxou para perto. Ela descansou a cabeça em seu ombro, chorando com mais vontade agora.
- Estou tão brava comigo mesma. – se censurou, impacientemente secando as bochechas.
- O quê? – James perguntou, a olhando chocado. – Por quê?
Ela o olhou, aqueles olhos verdes molhados tão cheios de dor que James também a sentiu.
- Por que... Eu prometi a mim mesma que não ia ficar chateada. – ela explicou, embora James não achasse que ela estivesse fazendo muito sentido. – Eu sabia o quanto eu estar aqui significa para você e não queria estragar seu natal, ficando chateada o tempo todo. E eu acho que estava fazendo um ótimo trabalho... E aí isso aconteceu e agora estou destruindo seu natal... – tagarelou.
- Lily! – James disse impetuosamente, se virando na cama, de modo que conseguisse olhar mais diretamente no rosto dela para dar mais ênfase ao que ia falar. – Você não está arruinando meu natal por que está chateada com algo que você deveria estar chateada. – ele acariciou seu cabelo suavemente e envolveu sua bochecha com a mão. – Não tem problema estar chateada. Não tem problema querer que eles estivessem aqui.
O lábio inferior dela tremeu e ela se jogou nos braços dele, os soluços escapando agora.
- Sinto tanto a falta deles. – chorou, sua voz abafada pela camiseta dele. – Não é justo...
O abraço era tão familiar, a situação tão parecida, que Lily se lembrou da situação similar em que se viu naquele semestre. Estava pendurada em James tão fortemente e os braços dele estavam firmes ao seu redor, mantendo-a perto. Ela precisou segurá-lo fortemente. Temia que, se o soltasse, iria afundar e nunca conseguiria se recuperar. Mas ao contrário da última vez, não havia negação nem raiva. Havia aceitação e um pouco menos de dor. Sabia que ele estava ali e, embora isso não melhorasse a situação, a confortava. Ele não disse nada por um longo tempo, permitindo que ela chorasse. Ele sabia que não havia nada a ser feito, que tudo o que podia fazer era a abraçar e desejar tomar as dores dela para si. Dessa vez, ela não sentiu a vergonha que aconteceu na última vez. Sabia que ele estava ali por que queria estar, não por causa de algum tipo estranho de obrigação que ele sentia.
O abraçou apertadamente até não conseguir mais chorar. Ainda se sentia triste, mas o choro tinha acabado. Ele lhe deu um meio sorriso fraco quando ela se afastou do abraço. Quase não conseguir retornar, mas tentou o máximo possível.
- Desculpe, estou nojenta. – murmurou, pegando um lenço e secando o nariz fracamente. Tentou secar suas bochechas com a manga de sua blusa, mas antes que conseguisse, James pegou seu rosto nas mãos e a beijou lentamente. Não foi terrivelmente longo, mas doce e apaixonado, exatamente o que Lily precisava.
- Você nunca vai estar 'nojenta' pra mim. – ele disse suavemente e, ao invés de girar os olhos para ele, como normalmente faria, tudo o que conseguiu fazer foi olhá-lo e acreditar nele. Depois de um longo momento, ele se afastou. – Vai ficar bem agora? Não vou conseguir dormir se achar que você está aqui, chorando de novo.
Ela assentiu, embora a idéia de James partir tivesse feito seu coração bater desconfortavelmente. O único motivo para ter estado bem neste natal era por que James estava perto. O que aconteceria se ele partisse? Seu estômago se apertou quando ele se levantou e, antes que notasse o que estava fazendo, ela segurou a mão dele, mantendo-o no lugar. James a olhou inquisitivamente, seus olhos marrons cansados brilhando por trás dos óculos.
- Não vá. – murmurou, pedinte. Ele pareceu surpreso por um momento e, então, indeciso. Ela sabia que ele queria ficar, isso era claro. Mas a parte nobre dele estava resistindo e ela podia ver que estava ganhando. Então, antes que ele tivesse a chance de recusar, falou rapidamente: - Não acho que vou conseguir dormir sem você. Não posso ficar sozinha agora.
E isso deu conta do recado. O desespero em sua voz, combinado com a necessidade em seus olhos, o balançaram. Ele assentiu e deu a volta na cama.
- Eu vou me deitar, certo?
- Tipicamente, é isso o que as pessoas fazem na cama. – falou, a tristeza em sua voz acabando com o sarcasmo. Aninhou-se sob os cobertores, esperando por ele.
James hesitou por um momento, se balançando nos calcanhares.
- Você quer que eu durma por cima dos cobertores? Isso te deixaria mais confortável?
Lily balançou a cabeça, maravilhada com o quanto ele podia ser gentil mesmo quando ele sabia que nada ia acontecer.
- Não seja estúpido. O único motivo pelo qual você deveria dormir sobre os cobertores, é se você estiver planejando tirar vantagem do meu estado extremamente vulnerável. – ele ainda não se moveu. – Você está planejando tirar vantagem do meu estado extremamente vulnerável?
- Não. – respondeu.
- Então, vem. – ele suspirou e se deitou sob os cobertores, tomando o cuidado de deixar um bom espaço entre ele e Lily. Ele tirou os óculos e apontou a varinha para as velas no quarto, apagando-as. Eles ficaram deitados no escuro, James se sentindo embaraçado e Lily se sentindo vazia. Havia um pouco de luz entrando pela janela, vinda de uma luminária do final da rua. Ela conseguia ver o perfil dele e sabia que ele ainda estava com os olhos abertos, olhando para o teto. Sentiu-se um pouco divertida com o embaraço dele, mas não o pressionou. Apenas tê-lo no mesmo cômodo lhe era o bastante.
Mas enquanto estava deitada, memórias começaram a atacá-la: memórias de natais passados, pensamentos de natais que não aconteceriam, lembranças das tentativas vãs de sua mãe lhe ensinar a costurar. Lágrimas voltaram a seus olhos e ela sentiu a familiar sensação de estar se afogando. Não queria mais sentir isso.
- James. – murmurou com a voz tremula. Sentiu a cama se mexer um pouco quando ele se virou em sua direção e, cegamente, procurou pela mão dele. Encontrou-a rapidamente, sob os lençóis e em algum lugar entre seus corpos. Só esse pequeno contato a fez se sentir melhor, segura.
- O que foi? – ele perguntou, preocupação preenchendo sua voz.
- Você pode apenas... Me abraçar até eu dormir? – perguntou, se movendo para perto dele.
- Sim, claro. – ele disse depois de alguns momentos de silêncio. O ouviu se mover em sua direção e o sentiu passar um braço ao redor de suas costas.
E tão naturalmente quanto todo o resto em seu relacionamento, eles descobriram que deitar abraçados também o era. Ela se acomodou um pouco abaixo dos ombros dele, sua cabeça descansado no peito dele e seu braço rodeando-lhe a cintura. Os braços dele a circularam completamente, apertando-a fortemente contra seu corpo. Suas pernas se entrelaçaram sob os cobertores. Instantaneamente, ela se sentiu melhor, como se pudesse respirar mais facilmente. Se pudesse ficar nessa posição pelo resto de sua vida, nada de ruim poderia acontecer novamente.
Continua...
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¹ Eu não tenho idéia de como isso tenha sido traduzido nos livros, por isso deixei no nome original. Pelo que eu achei na internet, é tipo um negócio parecido com um frisbees, só que verde e cercado por dentes.
² Também não tenho idéia de qual foi a tradução dada à esse logro. Sua função é similar à da bomba de bosta.
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N/T: Aí está mais um capítulo enorme! E não pensem que o natal acaba aí, ele irá continuar no próximo capítulo.
Desculpem a demora para terminar e postar esse capítulo, fui influenciada por um vício recém descoberto em Doctor Who, que me manteve ocupada por um bom tempo. Enfim.
Comentem se acharem que esse capítulo merece! (;
