Notas da Autora – Eu aqui de novo. :-D Nem demorei muito dessa vez. \o/
Postei hoje como um pequeno presente de Páscoa para vocês, crianças! xD Aproveitem o feriado e comam muito chocolate. \o/
Ah, algumas pessoas perguntaram quantos capítulos a fic terá... Bem, eu achava que teria no máximo 20, mas com o desenrolar da história e para colocar tudo que tenho em mente, não acho que tenha menos de 26 capítulos. o.o Só não sei se isso é uma coisa boa ou ruim... u.u
Muito obrigada a todos que deixaram review. \o/ Você deixam uma Lis muito, muito, muito feliz e animada para escrever cada vez mais o fic. Beijos especiais a quem comenta a história! \o/
Espero que gostem desse novo capítulo, porque eu adorei escrevê-lo. ;-)
Agradecimento a Mitz-chan, minha revisora. Beijos, fofa! Sabe que te amo, né?
Shampoo, amo muito você, sua boba ciumenta. u.u
Acho que é só... o.o Até o próximo capítulo. /o/
Beijos,
Lis
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Ensina-me a Amar
By Palas Lis
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Música – "Changes", Three Doors Down.
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Parte XIV
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No começo da noite em Tóquio, Rin voltava do colégio a pé, sozinha, caminhando lentamente pela calçada estreita. Ela segurava as alças da mochila nas costas, mantendo, o percurso todo, os olhos castanhos voltados para o chão. Chutava algumas pedrinhas para distrair-se durante o trajeto.
Ela levantou os olhou ao ter de atravessar a rua. Passava pela calçada com várias árvores de cerejeira. Foi andando naquela mesma calçada, há meses, que conheceu o motivo de sua frustração... A primeira vez que o viu foi na porta do colégio e a segunda foi ao lado de sua casa...
Rin rangeu os dentes e fechou a mão com força.
Quanto mais Rin pensava o que acontecia com ela, mais se convencia que nunca deveria ter morado em Tóquio. Logo ela, Nakayama Rin, a garota que não poderia sentir, estava apaixonada.
Que ironia, não?
Uma semana se passara desde que descobriu porque se sentia tão estranha perto do rapaz Inokuma. Uma longa semana. Ficara decidida a mudar-se daquele lugar e, se possível fosse, moraria até em outro país, para ficar mais longe ainda de Sesshoumaru. Sempre quis conhecer a Europa, então não seria uma má idéia mudar-se para lá.
Kikyou não aceitou ir embora de Tóquio, obviamente, pelo menos sem um motivo relevante. Rin não contou o que aconteceu, por vergonha e medo. Tinha medo que a irmã soubesse que ela estava apaixonada e que seus poderes poderiam sair de seu controle a qualquer instante.
Rin voltou a baixar os olhos e suspirou cansada.
O maior medo de Rin era que Kikyou decidisse deixá-la, como os pais fizeram... Não gostava nem de admitir a si mesma, mas só de pensar nisso, sentia-se sufocada. A mais nova também pensou em fugir de casa, mas não queria deixar Kikyou. Amava a irmã e sabia como ela ficaria desesperada.
Rin se irritou e chutou uma pedra maior. Fez diversas caretas ao sentir o pé doer pela força do chute. Pulou em um único pé, esfregando o que machucara na pedra, soltando vários palavrões, como maneira de aliviar a dor.
Voltou a andar em direção a sua casa, não chutando mais pedras para não machucar novamente o pé. A poucos passos do jardim de sua casa, ela viu uma sombra na janela do vizinho e correu para sua casa, querendo entrar o mais rápido que conseguisse.
Tudo para não ver Sesshoumaru...
Rin fechou a porta com força ao entrar dentro de casa, suspirando aliviada por conseguir se desviar do suposto Sesshoumaru da janela.
- Rin? – Kikyou apareceu na porta da cozinha, olhando a menina, preocupada com o barulho que a porta fez ao ser fechada. – Aconteceu alguma coisa?
Ela não abriu a boca para falar, apenas balançou a cabeça para os lados em resposta. Não olhando para a irmã, ela subiu de dois em dois degraus a escada da casa, deixando uma Kikyou muito aflita para trás.
Há uma semana Rin estava daquele jeito. Não falava, nem para dar uma resposta malcriada em alguém. Saía do quarto para ir ao colégio e para comer, somente. O resto do dia ela passava trancada dentro do dormitório, ouvindo suas músicas malucas e lendo seus livros horripilantes.
Não foi diferente naquele começo de noite.
Rin entrou no quarto e rodou a chave na fechadura. Tirou a mochila das costas e a jogou no chão bagunçado do quarto. As caixas com os pertences que Rin colocara para mudar-se ainda permaneceram no canto do quarto com suas coisas dentro, não havia nem as tirado com esperança que Kikyou decidisse se mudar sem saber a razão.
Antes de jogar-se na cama de costa, ela ligou o rádio e puxou os fones de ouvido. O som era tão alto que não ouvia mais nada. Ficava completamente isolada do resto do mundo, contudo, não se sentia bem assim.
Rin achava que gostava de estar sozinha, mas naquela semana de exclusão percebeu que não era isso que queria... Queria companhia... Estar acompanhada de outras pessoas. Sentiu falta de Kikyou enchê-la de recomendações, de Kagome abraçando-a carinhosamente, de Sango querendo ajudá-la com tudo... Sentia falta principalmente de...
- Sesshoumaru... – o nome do rapaz saiu involuntariamente de seus lábios. Virou-se na cama, ficou de bruços e colocou o travesseiro na cabeça, para sufocar o grito que queria dar. – Como isso pôde acontecer?
A resposta não veio, então ela soltou o palavrão que Kikyou menos gostava que ela pronunciasse.
- Isso tinha que acontecer? – Rin tornou a perguntar para si mesmo.
Nenhuma resposta.
- E logo por ele? – a morena disse o pronome masculino com cara de nojo. – Eu devia odiá-lo!
Rin pressionou mais o travesseiro sobre a cabeça, bufando. Rodou os olhos ao notar o que fazia. Parecia uma louca desvairada escondendo-se em um travesseiro e perguntando coisas idiotas que ela não tinha resposta e sabia que não acharia uma que lhe agradasse.
- Inferno. Minha vida é um maldito inferno. – Rin suspirou desanimada, soltando o travesseiro, mas não o tirou de cima de sua cabeça. – Já não bastavam os problemas que tenho, ainda tinha que me apaixonar?
Ela apoiou as mãos no colchão para conseguir levantar o corpo e ficar de joelhos na cama.
A janela no quarto foi deixada aberta e o vento que entrava balançava as cortina, deixando o fecho de luz das luzes dos postes de eletricidade da rua entrar no aposento escuro.
O olhar vago de Rin parou por um momento na janela.
- Rin?
A voz da irmã foi ouvida no instante que a música terminou. Isso a fez piscar e olhar para a porta. Kikyou bateu levemente na madeira e Rin tirou os fones do ouvido antes de levantar-se para abrir a porta. Abriu apenas uma fresta e ficou olhando a mais velha, esperando o que ela queria falar.
- O jantar está pronto. – Kikyou anunciou. – Venha comer.
Rin acenou com a cabeça e entrou no quarto, tirando o uniforme escolar verde que usava e colocando calça com botas de combate e uma camiseta larga, ambos os itens na cor preta.
Kikyou a esperou e desceu a sua frente na escada. Sentaram-se à mesa, no total silêncio. Rin colocou comida no prato e começou a comer, apesar de estar sem fome ela se forçou a comer; Kikyou apenas brincava com o hashi na comida.
Deixando o hashi de lado, a mais velha voltou os olhos castanhos cheios de preocupação para a mais nova.
- Rin...
Ela tirou os olhos da comida e olhou para Kikyou.
- Eu estou preocupada com você.
"Grande novidade", Rin pensou, mas não respondeu.
- Você poderia me dizer o que aconteceu? – Kikyou tocou na mão da irmã e ela a puxou.
"Claro, querida irmãzinha: eu estou apaixonada por Sesshoumaru", Rin quase rodou os olhos com seus próprios pensamentos e voltou a comer. "Pode sair correndo com medo de mim agora, ou desmaiar. Você pode escolher".
- Eu não sei mais o que fazer, Rin. – Kikyou tinha lágrimas nos olhos ao afundar os dedos nos longos e sedosos cabelos negros. Seu ato demonstrava que a qualquer instante entraria em desespero por causa de Rin. – Quero te ajudar, mas... Seu silêncio não colabora.
Nesse momento a mais nova percebeu o quanto era egoísta: o coração pesou com o remorso que sentiu de estar fazendo aquilo com a irmã.
Porém, como contaria a Kikyou que estava apaixonada? Só de pensar essa palavra sentia-se desnorteada... Então o que Kikyou pensaria dela?
- Onegai, Rin-chan... – Kikyou quase implorou, sem olhar para a mais nova. – Onegai...
Rin respirou fundo e entreabriu os lábios, pensando se contaria ou não.
- Quer mesmo saber? – ela perguntou, decidida a contar tudo.
Kikyou tirou as mãos do cabelo quando a mais nova falou e olhou para Rin.
- Hai. – ela enfatizou sua resposta com um aceno de cabeça.
Rin largou o hashi e olhou seriamente para a irmã, dentro de seus olhos.
Realmente, precisava falar com alguém o que acontecia com ela, antes que enlouquecesse... Mais ainda do que achava que estava. Depois arcaria com o resultado, ainda que fosse Kikyou deixá-la.
- Eu estou apaixonada pelo Sesshoumaru.
Rin esperava todas as atitudes de Kikyou depois de sua frase. Um acesso de raiva. Um grito de pavor, saindo correndo depois ao perceber que sua irmã era ainda uma aberração pior do que pensava. Ou um desmaio com a surpresa. Ou até quem sabe querer deixá-la em um manicômio.
Esperava todas essas e ainda muitas outras coisas do gênero, menos uma... Crise de risos.
Rin foi pega de surpresa pela atitude da mais velha e ficou paralisada, sem palavras; seu queixo caiu, literalmente. Kikyou só poderia ser louca para rir numa situação daquelas. Quem deveria ser internada no hospício era ela, foi a única coisa que passou pela cabeça de Rin.
- O que eu falei de tão engraçado assim? – Rin mantinha-se séria.
- Ai, Rin... – Kikyou limpou a lágrima que se formou no canto de seus olhos e respirou fundo para respirar normalmente. – Gomen ne, eu não queria rir...
Rin olhava para ela, incrédula.
- Pode me explicar o motivo de você estar rindo de minha desgraça?
Kikyou conseguiu se controlar e levantou-se, puxando a cadeira para sentar-se à frente da irmã.
- Fiquei apenas aliviada. – Kikyou sorriu docemente. – Pensei que tivesse acontecido algo grave com você.
- Se isso não é uma coisa grave, o que seria, então? – Rin rodou os olhos.
- Eu pensei que você odiasse Sesshoumaru-sama.
- É... – o jeito que Rin usou as palavras continha um tom de profunda decepção. – Eu também...
- Rin, isso não é uma desgraça, querida. – Kikyou falou para tentar acalmá-la.
- Para alguém que não pode sentir,isso é imenso problema.
- Como assim? – Kikyou piscou.
- Meu Deus, Kikyou. – Rin perdeu a paciência e quase gritou. – Eu gosto dele, conseqüentemente quero estar junto com ele...
- E daí?
- Meu Deus, Kikyou, tem certeza que Suikotsu não sugou sua inteligência com beijos?
- Não seja boba, Rin. – Kikyou corou e fez um gesto de impaciência com a mão. – Eu apenas não estou entendendo aonde quer chegar.
- Pense, mulher, pense. – Rin segurou a vontade de dar um tapa na testa da irmã para ver se pegava no tranco. – O que você acha que vai acontecer se eu estiver perto dele e começar a sentir alguma coisa?
Kikyou pensou alguns segundos. Quando finalmente percebeu a gravidade do assunto levou as mãos às lábios para esconder uma exclamação de surpresa.
- Por isso você queria se mudar daqui? – Kikyou perguntou, compreendendo a atitude estranha da irmã.
- Hai.
- E por que não me contou antes? – Kikyou segurou a irmã pelos ombros quando ela baixou os olhos. – Por quê?
- Eu fiquei... – Rin respirou fundo antes de falar. – Fiquei com medo de você finalmente notar que eu sou uma bomba relógio que a qualquer minuto pode explodir, mas que o detonador foi ativado e a explosão poderá ser pior...
- Rin-chan... – Kikyou não ligou para o que a menina falaria, apenas puxou-a para abraçá-la. Apertou Rin com força entre os braços, lembrando-se como era bom fazer isso antes de tudo acontecer e a irmã tornar-se tão fria. – Eu nunca te deixaria, Rin. Eu te amo e nunca vou te deixar... Jamais esqueça isso, sua pequena cabeça-dura.
Rin não abraçou Kikyou de volta, mas também não a impediu de abraçá-la. Deu apenas um pequeno sorriso, aliviada em saber que a irmã não a deixaria. Também se lembrou de quando não tinha os poderes e vivia abraçando a irmã. Era uma dolorosa recordação... Há quase dez anos não abraçava ninguém.
- Eu estou preocupada com isso, Kikyou. – Rin não conseguiu segurar as palavras. – O desastre pode ser bem maior... Quando eu fiquei dias inconscientes, foi porque... Bem, foi porque...
- Nani? – Kikyou afrouxou o abraço e olhou para a caçula.
Rin tomou fôlego para contar, corada.
- Foi porque eu senti...
Como um raio a atingindo, Kikyou arregalou os olhos ao entender o porquê do estado que Rin chegou em casa e como ficou o colégio que ela estudava... Os poderes telecinéticos de Rin eram realmente assustadores.
- Sesshoumaru me beijou e eu senti tantas emoções de uma única vez que minha mente apagou...
- Oh! – Kikyou ficou pasma com a confissão de Rin.
- Não me lembro de mais nada. – Rin colocou a mexa do cabelo atrás da orelha e baixou os olhos para as mãos fechadas no colo. – Por isso me preocupo... Não quero machucar ninguém, muito menos... Ele...
- Rin, vai dar tudo certo. – Kikyou sorriu em confiança, abraçando novamente a caçula. – Eu prometo, minha pequena irmã. Eu vou te ajudar.
Mentira. Rin não acreditou nela. As coisas não dariam certo. Sabia que não dariam. Sabia que não teria como resolver aquela situação. Definitivamente, a bomba explodiria a qualquer segundo...
- Eu preciso de um pouco de ar, Kikyou. – Rin pediu, afastando-se dos braços de Kikyou e levantando.
- Aonde você vai?
- Não sei. – Rin foi sincera. – Quero apenas pensar um pouco.
Kikyou não queria que ela fosse e andasse sozinha, mas, com aquele problema, Rin precisava daquele momento a sós. Jamais pensou que a irmã contaria algo tão sério para ela. A Nakayama mais velha ficou feliz com isso. Sempre quis participar integralmente da vida da mais nova.
No instante em que Rin deixou a casa e caminhou sem direção certa pela rua, Kikyou foi para sala e pegou a agenda de números telefônicos.
Depois dessa descoberta, percebeu que precisava urgentemente de auxilio para conseguir ajudar Rin. Não queria que sua irmã se machucasse... Muito menos que morresse... Só de pensar nisso, Kikyou sentiu-se agoniada.
Ela pegou o telefone sem fio e discou o número depois de olhar na agenda de telefones. Esperou algumas chamadas antes de ouvir a voz masculina do outro lado da minha atender.
- Inokuma-sama?
-o-o-o-
Quase duas horas depois Nakayama Rin andava pelas ruas dos quarteirões próximos a sua casa. Parou frente a uma casa com todas as luzes apagadas, demonstrando que seus morados não estavam ali.
Silêncio e vazio: tudo que a rua tinha a lhe oferecer. Nada de pessoas vagando pela rua, carros, movimentos ou barulhos. Um ótimo lugar para se pensar e refletir um pouco.
Rin sentou-se no meio-fio e abraçou os joelhos, recostando o queixo neles e baixando os olhos para o asfalto.
Será que fizera uma coisa boa contar para Kikyou o que acontecia com ela?
Não devia ter contado, sabia disso. Não precisava deixá-la preocupada com seus problemas pessoais. Porém, era sufocante guardar tudo unicamente para si. Apesar de ainda achar que não deveria ter contado, sentia-se mais leve, como se tivesse tirado uma mochila cheia de pedras das costa.
Kikyou a ajudaria no que fosse possível. Certamente ajudaria. Sempre soube disso, mas nunca quis envolvê-la em sua vida. O medo de machucá-la sempre foi maior que seus problemas com os poderes telecinéticos.
A dificuldade é que não havia como ajudar... Mesmo que Kikyou desejasse, não havia um jeito de ajudá-la com sua maldição.
Rin suspirou, decepcionada.
Não percebeu quantos minutos ficou ali, sentada sob a luz do poste de eletricidade. Bem, só sabia que já estava mais do que na hora de voltar para casa, então se levantou. Enfiou as mãos nos bolsos da calça e caminhou vagarosamente para direção de sua casa.
Assim que virou a esquina, ouviu passos atrás de si e rodou os olhos. Era bom demais para ser verdade, então alguém tinha que estragar chegando para atormentá-la. Ela andou mais rápido, quase correndo. Não estava a fim de encontrar com ninguém.
- Matte yo, Rin!
A voz conhecida a fez parar e se virar para trás, com uma sobrancelha arqueada. Fez uma careta visível ao ver a bela figura masculina a sua frente.
Ele.
Era ele.
Rin não queria ficar perto dele – por motivos mais do que evidentes –, então se virou calada e preparou-se para correr dali. Tinha que dar um jeito de fugir dele. Porém, o máximo que conseguiu foi afastar-se alguns metros, antes de Sesshoumaru segurá-la pelo braço.
- Você tinha parado com esse hábito de me seguir. – Rin falou, séria, sem olhá-lo nos olhos. Olhava para todas as direções, menos diretamente para ele. – Então por que, diabos, tinha que voltar a fazer isso?
- Eu também estava com saudades de você. – Sesshoumaru sorriu.
- Você é a pessoa mais irritante que conheço.
- Posso dizer o mesmo de você.
- Baka! – Rin vociferou. – Deixe-me em paz!
O sorriso dele se apagou e ele ficou muito sério.
- Posso conversar com você?
- Posso não responder?
- Eu pensava em um diálogo.
- Eu só posso oferecer um monólogo.
Sesshoumaru deu um fraco sorriso.
- Rin...
- O quê? – ela foi ríspida.
- Você está com algum problema?
- Hai. – Rin respondeu, finalmente olhando-o nos olhos. – Você é meu problema.
Literalmente o rapaz era seu problema, mas sua intenção ao dizer a frase era de maneira figurativa. Sesshoumaru não precisava saber que ela estava apaixonada por ele, não é mesmo? Isso seria vergonhoso. Ridículo, patético e idiota.
- Posso saber por que eu sou o seu problema?
- Não, não pode.
- Rin... Eu quero ajudá-la. – Sesshoumaru ponderou, tocando o braço dela.
- Ninguém pode me ajudar, seu imbecil! – Rin gritou, tirando a mão dele de cima de seu braço com um tapa.
Sesshoumaru engoliu em seco... Essas mesmas palavras já haviam sido ditas, há anos... Ele viu toda a cena se repetir em sua mente. Doloroso. Não gostava de se lembrar disso. Era excessivamente doloroso.
- Eu posso. – ele segurou-a pela cintura e a trouxe para mais perto de si.
- Largue-me agora! – Rin ordenou e tentou libertar-se dos braços dele antes que suas pernas fraquejassem.
Ele levou a mão ao rosto dela e o acariciou. Aproximou os lábios dos dela lentamente, tocando-os com os seus. Assim que tentou aprofundar o beijo, Rin sentiu a mesma vibração interior que acontecia sempre que seus poderes estavam para ser manifestar e empurrou-o com toda sua força.
Ela respirou fundo para manter-se neutra; sem sentimentos ou emoções por ele. Era difícil... Extremamente difícil, mas conseguiu.
- A culpa de tudo o que estou passando é sua! Unicamente sua! – Rin gritou em desabafo, colocando o dedo indicador no tórax dele. – Você poderia fazer como as outras pessoas e ficar afastado de mim... Mas não! Você sempre tem que estar perto de mim!
Sesshoumaru apenas ouvia.
- Eu não precisava de ninguém... Não queria ter ninguém perto de mim... – Rin engoliu em seco. – Até você aparecer!
- Rin, eu... – ele tentou chegar perto dela, mas ela se afastou.
- Não toque em mim! – Rin gritou quando ele tentou de novo. – Por que faz isso comigo?
Ele continuou a ouvir; o semblante sério.
- Que inferno, Sesshoumaru! – ela deu tapas e socos no peito dele, o mais forte que conseguiu, para descontar sua frustração, ainda aos berros. – Responda! Por que você faz isso?
Ele ficou impassível, imóvel, apesar dos tapas dela.
- Porque eu gosto de você. – ele olhou nos olhos dela e respondeu simplesmente.
Rin ficou paralisada com as súbitas palavras dele; os lábios levemente entreabertos de surpresa. Como teve vontade de ser uma pessoa normal e pular nos braços dele para abraçá-lo apertado e dizer que também gostava dele, mas não podia... Não podia! Não podia...
- E eu te odeio! – ela berrou a plenos pulmões, dando as costas para ele e caminhando em direção a sua casa.
- Rin... – Sesshoumaru olhou-a pelas costas. – Eu sei sobre você.
Rin parou de andar, mas não olhou para trás.
- Sei porque é assim.
Rin estremeceu com a possibilidade.
- Sei o seu segredo...
Sesshoumaru cruzou o pequeno espaço que se formou entre eles com largas passadas. O rapaz parou atrás dela e pousou a mão em seus ombros, sentindo que ela tremia bastante. Cabisbaixa, Rin virou-se para ele.
- Você é um maldito mentiroso! – as palavras duras dela não passaram de murmúrios de medo. – Não sabe nada da minha vida!
- Sei mais do que você pode imaginar... – ele subiu a mão pelo ombro dela e chegou até o pescoço.
- Você está blefando! – Rin se virou para correr para longe dele, mas ele a segurou.
- Eu sei sobre os seus poderes. – ele baixou a boca na direção do ouvido dela para falar de maneira sussurrada.
Rin sentiu-se zonza com as palavras dele e seus olhos se arregalam no momento que os levantou para encarar Sesshoumaru. Parecia que um buraco havia se formado sob seus pés, pronto para sugá-la para dentro. O corpo tremeu totalmente. Não conseguia nem sentir as pernas direito.
- Eu... Eu não sei do que você está falando... – Rin tentou desconversar.
- Você é uma telecinética, Rin. – ele a viu estremecer.
- É mentira! – ela levou as mãos à cabeça e balançou-a para os lados, diversas vezes.
Ele não disse nada, apenas aproximou-se dela e abraçou-a. Rin estancou em choque; os olhos dela ficaram completamente vagos, sem brilho ou sentimento. A morena estava absolutamente desolada.
Como ele poderia saber de seu segredo? Como descobriu?
Lembrou-se da vez que desmaiou na frente da casa dele. Ele tinha dito que não vira nada, mas vira. Agora sabia disso. Também devia ter acontecido quando eles se beijaram e Sesshoumaru preferiu não contar. Como foi idiota em pensar que ele não sabia de nada. Ou será que ela apenas queria acreditar que ele não sabia?
- Por que não me falou antes? – Rin perguntou, presa nos braços dele.
- Sabia que sua reação não seria das melhores.
- Então por que falar agora? – ela quis saber.
- Porque você precisa de ajuda e eu posso te ajudar.
Rin mordeu o canto do lábio inferior.
- Eu já disse que ninguém pode me ajudar... Você é um chato irritante!
- Eu posso. – Sesshoumaru afirmou com certeza na voz. – Quero que saiba que pode confiar em mim.
- Você não entende... – Rin afastou-se, apesar de querer muito continuar envolta pelos braços de Sesshoumaru, e se colocou a andar. Ela completou, sem nem ao menos dar ao trabalho de virar-se para trás: – Só vou pedir mais uma única vez: fique longe de mim.
- Mas, Rin...
- Chega, Sesshoumaru. – Rin levantou a mão para que ele se calasse. – Isso já foi longe demais. Você nunca deveria ter nem se aproximado de mim.
Sesshoumaru suspirou, frustrado.
- É tudo um... Um grande engano... – Rin continuava a falar com voz embargada e lutava com todas suas forças para não chorar. Ela virou apenas o rosto a tempo de vê-lo fechar a mão com força, deixando as juntas esbranquiçadas. Num sussurro sofrido, ela confessou: – E eu não quero machucá-lo, Sesshoumaru... Não quero.
Ela calou-se e saiu correndo de perto dele.
Sesshoumaru rangeu os dentes de raiva e enfiou as mãos nos bolsos, caminhando na direção contrária de Rin.
Por que isso tudo tem que acontecer?
Por que não poderia ser normal e ficar com a pessoa que gostava?
Por que tinha de ser privada de rir ou chorar?
Por que tinha de ser privada de amar?
Por quê?
"Por que comigo?", Rin pensou, sentindo as pernas repuxarem ao correr, mas mesmo assim prosseguiu sua corrida sem rumo. Foi parando de correr ao perder o fôlego e perceber que ele não a seguia. Recostou-se em um poste de luz e abraçou o próprio corpo, num ato de total solidão. "Desculpe-me, Sesshoumaru, mas não posso ficar com você... É para seu próprio bem...".
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Notinha da Autora – Viram como sou boazinha? Ela nem foi embora. XD
Outro capítulo muito triste. x.x Mas eu adorei, achei tão... Lindo. XD
