Nem sei quando foi a última vez que postei... alguém se lembra? Só sei que havia prometido mais um capítulo antes do Natal. Promessa cumprida!

Agradeço as reviews recebidas e de antemão aviso que este capítulo não está tão bom quanto o anterior. Aquele foi meu favorito. Só perde para um que eu ainda estou criando coragem para digitar... a grande expectativa me faz ter grandes decepções... mas sigo em frente que atrás vem gente!

Ao que interessa!

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A semana passou sem percalços, todos ansiosos pela sexta feira. Aragorn ia se recuperando fisicamente de forma rápida, mas ainda assim se via pensando em Arwen durante boa parte do dia. Muitas vezes com dúvidas obscuras em certos pontos que, por vezes, preferiu esquecer. Em especial o modo como Legolas agia enciumado em relação a ela, a impaciência que estava desenvolvendo contra ele, não atendia o telefone quando ele ligava deixando o pobre Boromir nos maus lençóis de ter sempre que inventar uma desculpa.

Pobre Boromir, não sabia mais o que dizer: de tanto Legolas estar no banho poderia se dizer que havia utilizado a água disponível no mundo. De tanto não estar em casa parecia que nem morava mais lá. De tanto estar dormindo, pensava se Legolas não estava hibernando enquanto era sonâmbulo e fazia as outras coisas.

Aragorn e Boromir haviam conversado um pouco, e o companheiro de apartamento de Legolas deixava claro que ele o estava evitando.

O que estava errado? Será que Legolas era tão atencioso assim com Arwen. Por que?

Desde a tarde em que voltou pra casa o comportamento de Legolas não havia descido por sua garganta. Ele estava diferente, mas como Boromir não havia comentado nada estranho sobre o comportamento do colega, pensou que Legolas simplesmente estivesse desenvolvendo antipatia por ele. Seria por causa dele relutar em se declarar para Arwen? Seria por que ele tinha vontade de se declarar para Arwen? Ou o Legolas queria namorar a Arwen? Não... sem chance! Hannah o mataria se soubesse. A patricinha era tipo desaforada e briguenta, dona de um ciúme incontrolável. Além do mais ele não faria isso... faria?

Pensava nisso durante horas por dia. Arwen se afastou e Legolas também. Logo ele que sempre fora o mais preocupado dos três. Se revirava na cama buscando alguma solução para as questões que tiravam seu sono. Olhava para o relógio, os números vermelhos chamando a atenção em meio a escuridão do quarto. Virou-se para o outro lado buscando por uma posição que não lhe parecesse tão desconfortável, mas nada parecia ser tão horrível quanto a sensação de querer dormir e não poder.

Bom, agora não adiantaria se torturar por isso. Quando tivesse chance conversaria com Legolas de homem para homem.

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A tão esperada noite de sexta feira chegava. Ansiosos cada um fazia as malas. Teriam um feriado prolongado pela frente, devidamente planejado, com uma casa alugada numa cidade do interior da Inglaterra, malas prontas, carros carregados e com tanque cheio a turma colocava o pé na estrada.

Arwen havia aceitado ir, mesmo sabendo que Aragorn estaria lá. Era sua última semana de férias, logo as aulas na Universidade iriam começar: Éowyn havia ligado informando as 'não tão' boas novas.

Logo, logo estaria de volta ao oriente, para a vida que deixou pra trás quando decidiu vir sem avisar ninguém até o meio do mundo, onde pode dizer que viveu as mais incríveis situações.

Era estranho. Nem tinha ido embora e já sentia saudade de tudo o que viveu e aprendeu nas poucas semanas em um lugar distante de casa. Éowyn ficaria orgulhosa de sua colega. O que ela estaria fazendo nesse momento? Nunca foi do tipo que ficava parada, ainda que não tivesse ninguém para lhe fazer companhia, o que era difícil, pois a personalidade forte era uma de suas armas mais cativantes, e sempre tinha alguém disposto a seguí-la.

Sentia falta dela. Pensou se não seria bom anotar em um caderninho todos os fatos da viagem, para contar com a riqueza de detalhes que a amiga certamente exigiria. Tinha que comprar alguma lembrança para ela também!

Olhava pela janela do carro, divagando os pensamentos, observando a paisagem bucólica e pastoril do interior da Inglaterra. Toda romântica...via passar, não tão lentamente, os pastos verdes com algumas árvores isoladas, o formato das poucas casas que conseguia ver... a arquitetura típica. Uma ou outra pessoa com as roupas mais simples no campo, animais, plantações, algumas pequenas cidades ao longe naquela imensidão verde entre colinas e montanhas.

Sorriu, achando que estava muito boba naquela manhã. Saíram na madrugada do sábado, por volta de cinco horas da manhã, quando ainda estava escuro, e não faltava muito para chegar. Ainda bem, pois estava com um pouco de sono.

Só era uma pena que não tinha muito tempo para fotografar mentalmente as imagens que via, pois Legolas tinha o pé meio pesado quando tinha espaço demais à frente dele de modo que iam um pouco rápido demais, até que Hannah resolveu pedir para ele reduzir um pouco a velocidade vez que os outros veículos estavam ficando para trás.

Olhou para trás, vendo ao longe o carro branco de Samwise e Rosinha. Boromir vinha em outro carro, junto com Aragorn mais ao longe. Ela, Hannah e Legolas no mesmo carro.

Com o dia amanhecendo pararam num restaurante para tomar um café rápido, com Arwen contente por poder esticar um pouco as pernas. Estranho... os rapazes tomaram café antes de saírem de Londres... Homens... Não passam mais de 4 horas em comer! Estranhamente o clima entre ela e Aragorn não estava tão pesado quanto achou que ficaria, porém, não lhe passou despercebido que Boromir tentava fazer Legolas falar com Aragorn. Era estranho mas eles quase não se olhavam.

Arwen também estava aliviada por Boromir ter vindo desacompanhado. Seria um tanto constrangedor somente ela e Aragorn sozinhos, enquanto os outros vinham com seus pares. Embora Boromir tivesse afirmado que essa situação não duraria para sempre. Na verdade ele disse:"me dê só 24 horas!"

Café marcado por discussão: quem mais se interessa por fofoca? Homem ou mulher. Decisão Unânime: o Boromir gosta mais de fofoca!

Retomaram o trajeto, mas Arwen não deixou passar desapercebido que a indiferença entre Legolas e Aragorn havia começado a se tornar animosidade. O que estaria acontecendo entre eles? Lembrava-se de tê-los visto um pouco indiferentes desde que Aragorn teve alta, mas qual a causa?

Algum tempo depois estavam em uma adorável cidadezinha entre as montanhas. Tão pequena que podia cruzá-la a pé em alguns minutos, andando. Tinha uma igreja branca na praça central, com um relógio enorme no alto da torre, com números em algarismo romano.

Pequenos armazéns para as compras locais, padaria, sorveteria, casas residenciais se estendia pelas pequenas ladeiras de inclinação suave. A cidade vizinha era um pouco maior, e era lá que se desenvolveria a vida noturna da região, neste feriado com festas típicas.

Chegaram na casa onde ficariam. Espaçosa, com garagem onde caberiam os carros da turma, grama verde no quintal. Adorável. O carro compacto de Boromir ficaria mais para o fundo, enquanto os grandes de Legolas e Samwise ocupariam as vagas mais à frente, pois precisariam de mais espaço para manobrar.

Dois quartos apenas, mas ambos com banheiro. Isso explicava o motivo da caçamba da picape de Samwise ter sido recheada com colchões e travesseiros, além de toda roupa de cama possível.

"Como nós vamos nos dividir para dormir?" – perguntou Rosinha, causando confusão. Os casais queriam ficar com os quartos, mesmo que as camas fossem de solteiro, e só havia três delas. Boromir estava irredutível dizendo que não queria dormir na sala. Arwen teria que dividir o espaço com Aragorn? E se as moças ficassem com as camas? Daí separariam os casais. Ai...ai.

Legolas não queria ficar no mesmo quarto que Boromir porque este 'ronca feito um porco', conforme foi definido em assembléia geral, ao passo que este já havia se apossado de uma das camas, não permitindo qualquer discussão sobre quem dormiria nela.

"Eu só deixo a cama se for para uma mulher! A minha, de preferência!" – dizia ele apontando para o chão como a fixar seu ponto de vista.

Depois de alguma discussão decidiram que Legolas e Hannah ficariam com uma cama, Samwise e Rosinha com a outra e Boromir, Arwen e Aragorn que se decidissem quando ao terceiro móvel. Boromir teve a cara de pau de propor uma decisão no 'palitinho', ao que recebeu um tapa na cabeça por Legolas, que estava logo atrás, concordando finalmente em cedê-la a Arwen, diante da condição de que todos dormissem nos quartos e ninguém na sala.

"O que me consola é que nem o Legolas nem o Sam vão conseguir transar!" – riu Boromir, deixando Arwen rubra como uma pimenta ao ouvir o comentário. Coube aos homens carregarem malas escada acima. E como tinham malas! Pareciam burros de carga, fazendo uma, duas viagens para terminar de levar tudo.

"Por que mulher carrega tanta tralha?" – resmungava Boromir, descontente com o papel que lhe coube. Não tinha trazido nenhuma mulher para não ter que passar por isso!... ia se divertir na companhia das 'nativas', como ele chamava.

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Depois do jantar da primeira noite todos, sem exceção estavam cansados. Uns – diga-se de passagem Sam, Boromir e Aragorn - assistiam TV: futebol para variar, Arwen jogava paciência junto com Rosinha enquanto os homens faziam torcida organizada na sala em meio à cervejas e salgadinhos, e Hannah fazia companhia para Legolas no quarto.

O rapaz foi acometido por uma violenta dor de cabeça e estava deitado.

Hannah lhe cariciava os cabelos, observando a respiração pausada do namorado virado para a parede para evitar a claridade que entrava pela janela. Hannah afastou os cabelos compridos, beijando a nuca do rapaz sobre a tatuagem que tinha ali, mas que poucas pessoas conheciam, pois Legolas sempre teve os cabelos compridos. Pelo menos desde que ela se lembrava. Abraçou-o, aninhando-se à ele, acariciando-o como um gato, observando as reações dele durante o sono que variam da calma a alguns espasmos de agitação..

A noite passou assim, e Boromir terminou por dormir mesmo no sofá, onde embarcou no sono diante do Deus com tela de plasma.

Na manhã seguinte Legolas ainda se queixava da dor insistente, mas muito mais fraca. Os amigos tinham saído para ir na cachoeira, e ele ficara dormindo mais um pouco. Relutante colocou os óculos escuros e desceu as escadas. Sentia-se desidratado e incomodado. Estava na cozinha engolindo remédios, ainda em jejum, pois comida não mais parecia lhe fazer falta, quando Arwen apareceu.

Ambos se assustaram com a presença do outro ali. Não tinham saído todos? O que ele/ela estava fazendo lá? Ambos apáticos, de pijamas... deprimente.

"Achei que tivesse saído com os outros." – Legolas foi o primeiro a quebrar o silêncio. Arwen era ingênua, não tinha como saber o que ele estava fazendo quando ela entrou na cozinha. Não parecia em nada abalado com o dito susto.

"Não sou um exemplo de animação." – respondeu ela, com a voz ainda pesada do sono.

"Não dormiu direito também, não é?" – disse ele deixando o copo sobre a pia.

"É. Fiquei pensando no Haldir." – respondeu ela, recostando-se no batente da porta.

"Outra vez?" – disse ele passando por ela e sentando-se no sofá da sala.

Arwen juntou-se à ele tímida, sentando-se ao seu lado, observando enquanto ele esticava as pernas sobre a mesa do centro. Um hábito que ela também possuía.

"Sabe, Legolas... eu acho que... acho que eu nunca mais vou gostar de ninguém, sabe? Como eu gostava do Haldir?" – afirmou triste, desviando o olhar para o quintal que era visível pela porta de vidro do fundo da sala.

"Vai, sim. Eu sei que vai." – respondeu ele com seu jeito doce característico.

"Não vou. Não, Legolas. O Haldir foi tudo na minha vida. Nunca mais vou gostar de ninguém. Não quero gostar." – disse ela, com temerosa convicção.

"Vai sim, Arwen. Não do jeito que gostava do Haldir, até porque a outra pessoa não será ele. E dessa você vai gostar por outros motivos. Não fica comparando. Deixa acontecer, não tenta evitar. Isso só vai te fazer infeliz." – respondeu Legolas, ajeitando uma mecha de cabelo da garota para atrás da orelha. Arwen corou com essa proximidade, baixando os olhos para não encará-lo diretamente.

"Mas eu tenho medo de sofrer assim outra vez." – disse ela deitando a cabeça no ombro dele.

"Nem quero te desanimar; eu sei com o é que é. Nunca é fácil se separar de quem a gente gosta muito. Se não dói não era de verdade. Triste, não?"

"Legolas... você já gostou tanto de alguém, que achou que fosse morrer longe dela?"

"Já... mas você não morre de sofrer, eu garanto. Dói, mas a gente sobrevive e encontra outra pessoa. Demora, mas a dor passa. As lembranças não somem, mas um dia não doem mais."

"Já sentiu isso? Antes da Hannah?" – perguntou curiosa.

"Já... uma vez, há alguns anos atrás." – Legolas tinha um tom triste na voz, desviando os olhos pelo ambiente, suspirando fundo como se aquela lembrança pudesse fazê-lo chorar.

"O que aconteceu entre vocês?"

Um longo silêncio seguiu esta pergunta. Um suspiro e silêncio novamente, até que Legolas conseguiu responder até com certa naturalidade:

"Ele morreu."

Ele?! Perdi alguma coisa? Arwen pensava se tinha ouvido direito... Legolas, o namorado de sua prima Hannah amou perdidamente um rapaz? Por mais sem preconceitos que fosse jamais imaginaria isso. Muito menos que alguém tivesse a coragem de admitir isso, de forma tão natural. Arwen nunca teve preconceitos deste tipo, pois sempre achou que cada um é livre para amar quem quiser. Mas tal revelação não deixava de ser chocante. Piscou algumas vezes tentando articular uma frase que não parecesse clichê, ou uma frase feita, mas nada lhe ocorria. Sua mente estava no breu.

"Você ouviu direito, se é o que está pensando." – disse ele, olhando para o chão, pensativo, mas com um meio sorriso, daqueles que brotam no rosto diante de uma boa recordação.

"Desculpa, mas é que ... é difícil figurar." – disse ela honestamente, tentando traduzir em palavras o que se passava em sua cabeça. Ainda se sentia mal por ele ter perdido a pessoa que amava, mas ao ver o pequeno sorriso acompanhado pelo olhar dele faziam-na entender que, este sim, havia sido o grande amor da vida dele. Nem se comparava ao jeito dele quando falaram de Hannah no carro dias atrás.

"Eu sei. Pouca gente sabe a verdade sobre isso: Meu pai, meu médico, o Boromir, e agora, você. Não saio por aí dizendo, até porque as pessoas julgam demais e... bom, meu pai é político, toda essa história tem a ver com meu vício e meu passado obscuro, então... não dá pra sair por aí comentando. Mas não me envergonho disso." – respondeu Legolas, distante.

Legolas olhou para a garota pensativa.

"Está vendo como sua vida não é tão complicada quanto você pensa?" – perguntou sorrindo.

"Acho que quando a gente se sente de mal com a gente mesmo, todos os problemas são maiores do que o que parecem." – afirmou ela, vendo o ponto de vista que ele tentava lhe passar.

Realmente, comparando vida e aos segredos que Legolas tinha que manter, seus problemas não eram dragões, e sim, lagartixas.

"Como você consegue?" – perguntou ela, sentindo-se subitamente mais leve. Recebeu como resposta um olhar curioso, daqueles que dizem: "O que?"

"Me fazer sentir melhor?"

"Talvez porque você mesma não queira se sentir triste como está. Só não sabe disso. E devia ter ido para a cachoeira com eles." – disse Legolas com jeito sério que não combinava com sua expressão.

"Não... quer dizer, eu vim até aqui, mas é tão estranho com ele por perto. Depois de tudo o que aconteceu sabe? Foi só um beijo, eu sei, mas..." – Legolas começava a rir.

"Tá rindo de quê?" – perguntou ela, sem saber qual era a piada.

"Ainda está tentando se convencer de que foi 'só um beijo'. Tenha dó!" – respondeu Legolas.

"Palavras dele!"- respondeu Arwen, pondo a culpa em Aragorn.

"Duvido que tenha sido só isso." – Legolas recostava-se novamente no sofá.

"Ele disse que foi." – retrucou ela, convicta.

"E você?! O que acha?" – Legolas olhava para o teto, respirando profundamente e se acomodando melhor ao lado dela.

"Não sei... pode ser."

"Você o beijou! O que você sentiu?"

"Não tenho muito com o que comparar!" – Estranho sair por aí discutindo sua vida pessoal com outra pessoa. Éowyn tinha que suar para conseguir obter alguma informação, e ele sequer fazia esforço.

"Com o Haldir não serve?" – cutucou ele.

"Foi estranho."

"Estranho como? Estranho do tipo bom, ou estranho do tipo que faz você querer sumir? Foi como o que você sentia quando beijava o Haldir?"

"Não sei!"

"Você não quer responder, isso sim. Não tem essa de não sabe. Do que você tem medo?" – Será que Legolas não tinha feito psicologia ao invés de arquitetura?

"Não sei se foi algo mais, ou foi como beijar um amigo de quem se gosta muito. Alguém como a Hannah, você, ou a Éowyn. É estranho."

"Por que não faz um teste?" – Arwen arregalou os olhos. O que ele queria dizer?

"Han?" – foi todo o som que conseguiu emitir.

"Faz assim. Você me disse que eu sou um bom amigo seu. Então você me beija e depois vê se parece mais com o Haldir ou com o Aragorn. Se for a mesma coisa então são só bons amigos, certo? A menos que você tenha segundas intenções comigo, mocinha." – Legolas deu-lhe o sorriso mais safado que ela achou que veria na vida, e o mais brincalhão.

"Mas você namora a Hannah... não parece certo."

"Não seria certo se fosse alguma coisa além de um beijo. Acho que pelo menos você sabe diferenciar amor de amizade, certo?"

Ainda pensativa ela concordou com o que ele disse.

Ela o beijou. Um beijo agradável, carinhoso mas... morno. Não tinha aquela voracidade, aquele algo mais. Ele se afastou sorrindo.

"Então? Agora você sabe o que é 'só um beijo'?".

Arwen concordava. Era impressionante a clareza daquele beijo. Embora tenha gostado, o beijo dele era carinhoso mas não despertava o mesmo interesse, a mesma alegria, a mesma... paixão. A mesma paixão que he despertava o beijo de Aragorn.

Arwen sorriu para o amigo, recendo um meio sorriso carinhoso em retribuição. Legolas ligou a TV e depois de algum tempo perguntou:

"O que você vai fazer agora?" – Um balde de água fria na moça.

"Legolas... eu volto para o Japão no fim de semana, as férias acabaram. Eu... eu não posso dizer que gosto dele e simplesmente ir embora depois"

"Vai passar o resto da vida pensando em 'e se'?"

"Não tenho coragem de fazer isso."

"Você vem para a Europa sozinha e sem avisar; desce de um carro no trânsito parado para acompanhar um maluco e ir no banheiro; e vem me dizer que não tem coragem?"

"Mas foi eu quem se iludiu com o que o Haldir poderia dizer..."

"Você tem culpa? Até parece que o Aragorn nunca presumiu nada na vida que acabou se mostrando de outro jeito. Acontece. Agora você já sabe que presumir é um erro. Acho que você devia, mesmo, conversar com ele."

"E dizer o que?

"O que seu coração mandar que você diga, nem que seja que gosta dele mas não pode ficar. Mas não vá sem dizer nada. Você não vai viver em paz com isso."

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Continua...

Ai, ai. Deus do céu! Quantas vezes EU ouvi o discurso do 'não vou mais gostar de ninguém'. Tenho vontade de bater numa amiga minha por isso. Ela sempre fala isso e na outra semana aparece com a foto de um cara novo na agenda, mas eu sei que ela ainda gosta do ex. Dá-me paciência... porque se der força eu MATO!

Sabe... juro que não sei como escrevi certas coisas neste capítulo?!

Beijo'k

Kika-sama.