13 – É a Meia-Noite

O meu tempo na escola foi bem perdido, não tive cabeça para pensar em aulas ou em tão nos deveres. Eu estava mais conectada a outra coisa que estava me consumindo.
Agradeci a Edward por ter pegado o carro de volta, mas foi difícil fazer convencê-lo a pegar o carro, houve ameaças da minha parte. Mesmo assim, ele me levou até em casa, ele fazia questão.
Não havia falado hora ou dia que eu daria o sangue para ele, estava tentando ignorar isso para ver se eu esquecia, mas era impossível. Fiz as coisas tão rapidamente que pensei que eu estava com uma agilidade incrível, mas talvez fosse apenas o meu nevorsismo.
Quando deparei da realidade, estava deitada na cama esperando o sono chegar e me fazer sonhar, ou não, com algo.
Charlie havia ligado avisando que teria uma pequena despedida para um colega que iria para outra cidade. Já que ele iria ficar na despedida, que mal teria se eu fosse até a casa de Jacob ou Alice?
Liguei para casa de Alice e Carlisle disse que ela havia saído, com certeza para caçar.
Disquei o número da casa de Jacob e ninguém atendeu, ah, que legal! Ninguém estava em casa e principalmente quando eu resolvo sair de casa.
O telefone tocou e em um pulo eu corri para atender.
- Alô? – eu estava com a respiração rápida.
- Bella? – perguntou a voz do outro lado da linha.
- Sim, quem fala? – eu sentei na cadeira.
- Você não sabe quem é? – a pessoa parecia estar admirada.
- Não, se for alguém conhecido a voz está diferente. – eu me assustei por a pessoa ter feito a pergunta 'Você não sabe quem é'.
- Bella, é o Phil, seu padrasto. Se lembrou agora? – ele riu.
- Nossa, a sua voz está... bem diferente. – eu afirmei.
- Estou meio gripado e acho que fazia tempo que não falava com você pelo telefone. – a voz dele estava realmente estranha.
- Espero que melhore. – murmurei me movendo até a janela.

- E como está ai? – perguntou ele com uma gritaria no fundo.
- Ótima. Essa semana uma árvore caiu sob meu carro e o destruiu. E ai? Cadê minha mãe? – achei estranho por não não ouvi-la.
- Caramba, e você está sem carro? Aqui tá bem também, uma coisa maravilhosa está acontecendo com a gente. – ele mostrou sua alegria.
- Sério? O que é? – eu fiquei feliz por saber que eles estavam bem.
- Bella, querida. Você está bem? – uma louca gritou, era minha mãe, com certeza.
- Mãe! – eu gritei.
- Bella, que saudade de você. – sua voz estava abatida.
- Eu também mãe. Mas quais são as coisas boas que estão acontecendo? – meu coração se apertou quando lembrei da última vez que a tinha visto.
- Finalmente compramos a casa que queriamos aqui em New York, você tem um quarto montado para quando você vier e tem uma outra coisa que só falaremos quando você vier nos visitar. – minha mãe falou toda alegre.
- Mãe, não faça isso, me conte! - eu chorei na voz.
- Não, é um surpresa e nós não sabemos realmente se irá acontecer mesmo, mas mesmo assim, é só quando você vier. – ela estava fazendo mistério, mas qualquer pressão que eu desse ela falaria tudo.
- Então eu quero logo ir visitar vocês. – eu senti a minha anciedade chegando.
- Se tudo der certo, mês que vem te mando o dinheiro da passagem. – Phil respondeu.
- E você vai adorar aqui, é perfeito. – Renée murmurou.
- Eu vou esperar, vou ver quando tenho para comprar uma passagem. – quando falei pude ouvir minha mãe negando algo.
- Bella, não se preocupe, você vai vim e não vai precisar gastar o seu dinheiro. – ela não iria aceitar um não como resposta.
- Mãe, não custa nada! – eu vi o carro de Alice parar em frente a casa.
- E não vai custar mesmo, porque você não vai pagar nada. – ela deixou sua voz séria.
- Tudo bem, nós daremos um jeito. Mãe, Phil, tenho que desligar. – eu não queria ter que encerrar a ligação. - Nós ligaremos outras vezes, ouviu, querida? Te amo muito. – sua voz ficou triste de repente.
- Eu ligarei também, mãe. Te amo. – eu falei antes de desligar.
Coloquei o telefone no lugar e corri para a porta. Um toque de leve bateu na porta e eu abri a porta.
- Te interrompi? - perguntou Alice.
- Mais ou menos, mas se eu não desligasse agora, ficaria falando até amanhã. - eu dei espaço.
- Você pode falar com ela depois, não é? - ela sorriu.
- Claro, claro. - saiu como uma reclamação.
- Carlisle disse que você ligou lá em casa atrás de mim. - ela se sentou no sofá.
- Liguei. - eu afirmei.
- E o que a senhorita queria? - ela firmou seus olhos no meu.
- Como você deve perceber, estou sozinha e queria sair. - eu abaixei a cabeça.
- Não seja por isso, a gente pode dar uma volta por ai. - um sorriso tomou conta do rosto de Alice.
- Por ai onde? - eu encarei a parede.
- Port Angeles ou aqui mesmo. - ela jogou as mãos para o alto.
- Só você e eu? - perguntei olhando para o relógio no criado-mudo.
- Claro que não, podemos chamar alguém. Por falta de companhia a gente não morre. - Alice me deu um empurrão.
- Eu...Eu tô indo me arrumar. - eu levantei e fui correndo para o quarto.
Alice continuou lá embaixo enquanto eu me arrumava. Em poucos minutos eu desci pronta para fazer algo por ai com Alice e com quem mais quisesse.
- Que tal chamarmos a Hayley e as irmãs dela? - Alice sugeriu.
Acenei com a cabeça em sinal de sim.
- Vou ligar pra casa delas. - Alice entrou na cozinha.
Liguei a televisão só para fazer o tempo passar mais rápido.
- A Ashley vai nos acompanhar. - Alice falava guardando o celular na bolsa.
- Hannah e Hayley? - perguntei.
- Hannah está com cólica e Hayley saiu por ai. - ela apanhou a chave do carro.
- Cólica, uma coisa terrível. - eu fechei os olhos só de imaginar a dor.
- Eu não tenho, as vezes tenho sorte por ser assim. - ela sorriu.

O carro não foi cheio em direção a uma boate de Port Angeles, havia apenas eu, Ashley, Alice e Emmett. Foi terrível atura-lo até chegar na boate, suas piadas não estavam fazendo mais ninguém rir.

Quando o carro estacionou, eu saltei pra fora do carro como se eu estivesse fugindo de algo, mas eu tava, de Emmett.

Encontramos Jéssica, Mike e Ângela na boate, nos juntamos e formamos apenas um grupo. A noite pareceu não passar, tudo estava realmente divertido e alegre. Todos nós bebíamos e comíamos demais, estava vendo a hora de todo mundo correr para o banheiro, em exceção Alice e Emmett.

Poderia dizer que meus pés estavam acabados de tanto que me mexi naquela pista, dessa vez não bebi bebida alcoólica, mas me diverti tudo que pude. Eu estava literalmente acabada quando fomos embora. Olhei rapidamente para o relógio e marcava ser mais do que esperava ser, Charlie deveria estar louco de preocupação com minha demora, e eu não queria causar isso nele. Ângela perguntou se haveria problema de deixa-la em sua casa pois estava exausta e Jéssica ficaria até tarde ali.

Foi apenas entrar no carro e eu cai em sono, as vezes acordava e me via dormindo no ombro de Ashley que dormia também, e as vezes me via dormindo apoiada em Emmett que parecia uma estátua olhando para janela.

Não percebi e não vi quando o carro parou para deixar Ângela e Ashley, eu estava em sono profundo. Consegui abrir meus olhos quando estava trocada e deitada na cama de Alice e ela falava ao telefone com alguém. Eu não tinha forças para me manter acordada e tentar ouvir com quem ela falava.

A casa estava em silêncio quando acordei, sai da cama e fui até o banheiro. Nada havia mudado ainda. Resolvi sair do quarto e procurar por alguém para quebrar aquele vazio que a casa se encontrava.

Meus passos eram calmos, passava lentamente pelos quartos até avistar uma porta aberta. Dei duas batidas fracas na porta e não obtive respostas.

Alguém pigarreou atrás de mim, fazendo eu dar um pulo.

- Te assustei, Bella? – Carlisle perguntou.

- Um pouco. – abaixei a cabeça para evitar que ele visse minhas bochechas.

- Se você está procurando Alice, ela saiu. – ele afirmou com a cabeça.

- Na verdade, estava procurando alguém. Queria ver se estava realmente sozinha. – levantei a cabeça lentamente.

- Esme e eu estávamos na sala, Rosalie está no quarto e Edward também. – ele apontou para o quarto no final do corredor.

- Nossa, até que pra ter quatro pessoas aqui, está tudo quieto. – eu olhei para onde o seu dedo indicava.

- Geralmente, aqui essas horas é bem calmo. – Carlisle falou e riu.

- Em falar em horas, você sabe que horas são? – eu perguntei desconfiada.

- 10:30 a última vez que vi. – ele ficou pensativo.

Eu abri a boca em espanto, havia acordado um pouco tarde.

- Nossa. – eu soltei com o ar.

- Quer tomar café? – perguntou.

- Se não for incomodar. – eu dei um sorriso.

- De maneira alguma, em breve estará pronto. – ele desapareceu pela escada.

Um som muito agradável encheu o silêncio que ocupava a casa. Caminhei até o andar debaixo e parei uns passos antes da entrada da sala onde se encontrava Edward, tocando o piano.

Dei dois passos e parei no batente da porta. Eu poderia jurar que aquele som era o som mais maravilhoso de minha vida, algo suave e tranqüilo.

Edward parou de tocar e eu fiquei parada observando-o.

- Con...continue. – eu falei suavemente.

Seus olhos se fixaram no meu e eu pude perceber que ele estava fingindo que não havia percebido eu ali.

- Você gostou? – seu dedo alisou a tecla.

- Sim, você toca muito bem. – eu me afastei da porta.

- Fique aqui. – ele ordenou.

- Acho que te atrapalhei, não quero atrapalhar mais. – eu menti.

- Sente-se ali. Você jamais me atrapalharia, Bella. – em um piscar ele estava ao meu lado, e me levando para sentar no banco.

Sentei no banco e esperei que ele se sentasse também, e enchesse a casa novamente com o piano.

Não demorou muito para que ele estivesse preso a música e estivesse mais empolgado em tocar. Ouvir Edward tocar causou algum tipo de reação em mim, era como uma canção que uma mãe cantava para um filho se acalmar e dormir. Eu estava assim, tão relaxada com apenas uma música tão extraordinária.

Não pude conter minhas lágrimas, só senti que estava chorando quando algo quente escorreu pela minhas bochechas.

- Be... – Edward parou a música outra vez e me fitou.

- Não se importe comigo. É tão perfeito. – eu tentei esconder que estava chorando.

Ele não falou nada, apenas passou seus braços ao meu redor e não se moveu.

- Por que... Você está chorando? – suas palavras saíram tão depressa.

- Não... Não sei. Me desculpe. – eu me afastei de Edward.

Resolvi levantar minha cabeça e encara-lo, não seria tão ruim assim. Eu estava prestes a fazer um ato sem pensar, mas eu não poderia controlar meu corpo, eu estava angustiada, precisava daquele momento. Choquei meus lábios com os lábios de Edward e quis que o mundo acabasse, eu morreria contente.

Eu precisava de uma confirmação: Eu o amava? Como eu poderia amar Edward depois de tanto tempo entre brigas e intrigas? Tudo mudava, tudo muda, e eu sabia disso, eu tinha a prova comigo, e a mesma estava retribuindo um carinho.

Eu havia mudado também, eu deixei de ser indefesa, a garota indefesa. Eu queria apenas confirmar minha pergunta, mas será que eu já tinha bastante certeza dos meus sentimentos para confirmar isso?

- Você não deveria beijar um vampiro dessa maneira. – ele interrompeu e sorriu.

- Eu te aviso da próxima vez. – eu desviei meu olhar.

- Terá próxima vez? – eu tinha certeza que ele estava sorrindo.

- Foi apenas um modo de falar, Edward. – eu levantei.

Firmei-me no chão e sai daquela sala, com certeza meu café estava pronto.

- Bem na hora. – Esme declarou.

- Sou uma dor de cabeça quando estou aqui, não é? – eu passei pela porta da cozinha.

- Não, querida. – Esme abraçou-me.

- Eu não vou demorar, tenho que fazer umas coisas ainda hoje. – eu olhei para trás para ver se Edward estava parado.

- Hm... Então se alimente logo. – Carlisle me servia.

Eu estava sem meus sentidos, meu coração estava disparado e com certeza, todos sabiam o motivo. Re-carreguei minhas forças e então parti dali. Eu havia marcado uma hora para que Edward aparecesse em frente a minha casa, meia-noite. Meia-noite, eu estava desejando que essa hora não chegasse, não queria que ela chegasse, eu tinha medo, tinha medo de acontecer algo comigo, tinha medo de Edward desaparecer, e eu não gostaria disso.

Pedi para Tiago retirar uma dose de meu sangue, eu não seria forte suficiente para enfiar a agulha em meu braço e sugar o quanto de sangue conseguisse.

Tive que inventar mil e uma histórias para ele, não poderia chegar e falar: Tiago retire com essa seringa um pouco de meu sangue, porque vou dar ele para um vampiro. Ele falaria um escândalo e eu ficaria sozinha.

Passei a tarde inteira ouvindo o CD que havia encontrado no carro de Edward. Não podia reclamar dos seus gostos ou então dos cantores, eram ótimos, até demais.

Tentei me impedir de ver a hora três vezes, mas era impossível, eu simplesmente tinha medo de alguém achar o sangue e descobrir que era meu, ou então que eu fosse morta. Foram horas sentadas na minha cama refletindo, havia muita coisa pra se refletir. Era um tipo de flashback vindo à tona.

Era 11:45 pm e eu precisava deixar o frasco em um lugar fácil. Quando tive certeza que Charlie estava sonhando, corri para fora de casa e deixei o frasco três árvores depois da entrada da floresta. Continha um bilhete junto ao frasco:

"Jamais daria pra trás com uma coisa que prometi. Aqui está o que você pediu. Aproveite, pois será a primeira e última vez que você o sentirá em sua boca, saciando sua sede."

Fiquei em frente à casa esperando algum ruído que indicasse que ele estava ali, que ele tinha passado por ali. Olhei para o relógio novamente e faltavam apenas 5 minutos para a meia-noite. Eu nunca desejei tanto que uma coisa não acontecesse como agora. Era a meia-noite que me assustava. Era o escuro chamando meu nome e eu respondendo sem perceber que havia algo errado ali. A hora havia chegado. É a meia-noite, e eu precisava sair dali.

Ao ouvir o ruído dentro da floresta, abri a porta e entrei em casa. Fui até a janela e esperei ver alguma coisa, mas estava tudo como antes. Joguei-me na cama e senti o cheiro dele ali, em minha cama. Me virei bruscamente e vi um bilhete próximo ao meu travesseiro.

"Não se sinta culpada se algo acontecer depois que eu tiver recebido o meu desejo. Eu tomarei todas as suas dores, Bella.

Amo-te,

Edward."

O bilhete era uma despedida? Não queria que fosse uma despedida, eu não me perdoaria se aquilo por acaso, fosse uma despedida.

Fechei meus olhos e dormi daquela maneira mesmo, eu estava tão atordoada com as coisas que mal podia pensar direito.

Meu celular mostrava 17 chamadas perdidas quando despertei, e era da mesma pessoa. Alice. Liguei para ela e esperei ela atender.

- Bella! – ela gritou.

- Alice, que diabos você me liga 17 vezes? – eu estava reclamando da insistência absurda dela.

- Eu não sabia que tinha ligado 17 vezes. Eu estou querendo falar com você desde a madrugada. Edward desapareceu depois que ele falou que iria até ai. – as palavras de Alice me fizeram pular da cama.

- O que? – eu berrei.

- Ok. Edward disse à Esme que iria até sua casa, falar com você. Mas desde que ele saiu, ele sumiu. Carlisle vai para o Alaska procura-lo. – Alice tentou maneirar na gritaria.

- A-li-ce, isso tudo é culpa minha, mi-nha! – eu gritei sentindo as lagrimas descerem.

- Bella, não é culpa su... – eu não deixei ela terminar, desliguei o telefone e fui me olhar no espelho.

Tentei não aparentar que estava chorando para passar por Charlie despercebida. Desci correndo as escadas e fui direto para o carro de Charlie.

O carro estava acelerado ao último, eu não parei para pensar que poderia morrer e matar pessoas com a velocidade que estava.

Parei o carro na frente da casa de Alice e sai correndo para abrir a porta.

- Bella. – a voz suave de Esme me parou.

- Ele dizia ser o monstro, mas o monstro na verdade sou eu. – eu gritei e fui ao encontro de Esme.

- Querida, se acalme. Carlisle conseguiu falar com Edward. – seu sorriso estava forçado.

- E onde ele está? – perguntei dando uma pausa no meu soluço.

- Ele não falou, mas deve estar indo para o Alaska. E ele me disse algo que você deveria ter nos contado. – Carlisle apareceu na escada, com sua cara séria.

Eu enrijeci por um minuto, até que Carlisle me chamou para a sala de estar.

- Alice sabia disso e nos escondeu. Mas acho que você teve que ter muita paciência para escuta-la. – ele estava em pé ao lado da televisão.

- Ela está com problemas? – perguntei.

- Não, Alice não está. Ela só quis te proteger, coisa que você deveria ter feito consigo mesma. – Carlisle se inclinou.

- Não se sinta culpada por tudo estar assim, você não tem culpa, nem Edward tem. Vocês são duas vítimas, vítimas do poder de um vampiro. Você mais ainda, pois você não tem idéia de como você se colocou em perigo. – eu sabia que tudo que Carlisle falasse, seria verdade.

- Eu tinha medo de Edward fugir. – eu falei, com medo.

Eu tinha pensado que Edward poderia fugir, me matar ou qualquer outra coisa. Mas eu pensava que isso não iria acontecer, mas aconteceu e estava sendo pior do que eu estava imaginando.

- Eu não faço idéia se Edward tomou o seu sangue, ou se foi apenas o cheiro que fez ele fugir. – Esme fez uma cara triste.

Esme estava triste, isso transparecia em sua cara, e apenas pelo tom da sua voz, você poderia perceber que algo estava errado.

- Boa parte de mim diz que ele não bebeu, ele deve ter pensado. Metade do restante de mim diz que ele pode ter bebido tudo e por isso resolveu fugir, pra te deixar a salvo. E o restante, diz que ele não bebeu tudo, apenas uma parte. – Carlisle raciocinava.

- Não importa se ele tenha bebido ou não, eu quero poder olhar pra ele novamente e ver que ele está inteiro. – eu olhei ao meu redor.

- Sim, isso importa. Porque se ele tiver bebido, ele está querendo proteger você e não se tornar um monstro. – Rosalie falou, se sentando ao meu lado.

Eu fiquei em silêncio, essa era a minha hora de ouvir, e não de falar.

- Rosalie, não é bem assim. – Esme a repreendeu.

- Ele está te protegendo, Bella. Ele precisa esvaziar a cabeça e pensar que ele nunca mais poderá fazer um pedido igual ao que ele fez e que ele nunca deveria ter feito esse pedido. – Carlisle se curvou para perto de mim.

- Me desculpe, eu me coloquei em perigo e coloquei vocês também. Eu sei que coloquei. – eu afirmei envergonhada.

- Está desculpada. Mas nunca mais faça algo igual a isso, Bella. Mesmo que venha de alguém que você confie, nunca aceite, pense na sua vida e se for preciso, fale conosco. – ele deu um sorriso.

- Eu realmente aprendi a lição. Só espero que ele volte para casa. – eu mudei meu olhar para cima.

- Eu poderia te levar até o aeroporto para ver se ele está lá. – Alice apareceu.

- Mas não posso te mandar para o Alaska ou para o Canadá sozinha. – ele falou trocando olhares com Esme.

- Acho que não vai adiantar de nada ir até o aeroporto. – apoiei a cabeça nas mãos.

- Pode ser que sim, pode ser que não. – Rosalie interferiu.

- É melhor que ficar aqui mesmo. – eu lamentei.

Uma onda de arrependimento de ter aceitado o pedido estava passando por mim e fazendo meu sangue ferver. Eu adoraria ter uma pilha de pratos e copos e quebrá-los na parede e no chão para passar minha raiva.

- Bella, seu pai está na porta. – Jasper falou.

- Ele deve ter ficado preocupado com a maneira que eu sai de casa. – eu levantei e fui até a porta.

- Bella queria se transformar na vampira xodó daqui de casa. – Emmett brincou.

- Isso não teve graça, Emmett. – eu resmunguei.

Charlie estava parado perto da porta quando eu abri, sua cara estava bem assustada.

- Me desculpe, pai. – eu me aproximei dele.

- Tudo bem, Bella. Não faça isso, avise se você for sair, você me preocupa assim. – Charlie mudou seu rosto.

Pude ver que Jacob estava no carro, meu pai tinha chamado alguém para ajuda-lo.

- Não vou mais fazer isso pai. – eu olhei para trás.

- Acho melhor você ir embora com seu pai, Bella. – Carlisle sugeriu.

- Ok, eu preciso parar de ser tão histérica. – eu ri.

Eu sorri e acenei para a família Cullen que estava parada na porta de casa, era uma família, mesmo faltando um membro dela.

- Pai, posso ficar um pouco com Jake? – perguntei tomando outra direção.

- Cuidado. – ele entrava no carro enquanto falava.

Sorri para Jacob e ele saiu do carro, vindo me dar um abraço.

- Você quer matar seu pai do coração, Isabella? – ele estava falando sério, mas era brincadeira.

- Não, mas eu já quis. – eu brinquei também.

Peguei a direção do carro e fomos para a praia, seria bom eu me distrair para não cometer nenhuma besteira.

- Você me daria sangue se eu pedisse? – Jacob estava sendo cínico.

- Claro, deixaria você drenar todo o meu sangue, Jacob. – respondi cínica também.

- Pena que não sou um vampiro. – Jake riu.

- Você é um lobo. – eu afirmei com a cabeça.

- Sim, um lobo. – Jacob sentou na areia.

- Cadê sua loba? A Ashley? – eu sentei ao seu lado.

- Foi visitar uns parentes em Seattle. – Jacob olhava atentamente para as ondas do mar.

Tudo se tornou totalmente silencioso, eu olhava as ondas se quebrando quando batia nas pedras e o sol ficando mais forte.

- Jake, você consegue sentir o cheiro de um vampiro? – perguntei.

- Sim. – ele me fitou.

- Um específico vampiro? – eu mudei meu olhar.

- Dificilmente eu consigo distingui um vampiro de outro. Todos têm o mesmo cheiro, ou um cheiro parecido com o do outro. – ele juntou as sobrancelhas. – Por quê? – ele estava pensando.

- Sentir o cheiro de Edward. – eu afundei minha cabeça nos meus joelhos.

- Ele não deve estar por perto, Bella. – Jacob respirou fundo.

- Eu sei, mas... Eu só queria ver ele, mesmo que se fosse de longe. – eu apertei meus olhos.

- Eu sinto muito, mas é arriscado demais. – a mão de Jacob esfregou meu ombro.

Passei as duas horas que vieram junto de Jacob, depois segui para casa. Eu tinha que tentar não pensar em Edward, eu tinha que parar de pensar nele. Eu estava me torturando.

Eu fechava e abria minha mão enquanto observava a janela sentada na cadeira. A brisa gelada bateu em meu rosto e me deu uma idéia.

Sai de meu quarto e depois da casa, entrei na floresta e parei exatamente onde havia deixado o frasco de sangue. Algo me dizia que o frasco ainda estava ali, então fui mais a fundo na floresta e encontrei o frasco quase cheio, poderia dizer que ele tinha tomado apenas um gole. Um pedaço do papel que eu havia deixado o bilhete estava amassado e ali, uns centímetros depois do frasco. Peguei o frasco com cuidado e vi que ele estava sujo com o meu sangue, tapei a respiração e dei três passos para trás. Limpei meus dedos na calça e puxei o telefone do bolso, eu precisava ligar para alguém.

Pedi para Alice que passasse para Carlisle.

- Carlisle, eu achei o frasco com o sangue. – eu disse sem tirar o frasco de vista.

- Com o sangue? – ele parecia não acreditar.

- Sim, com sangue, quase totalmente cheio. – eu olhei para minha mão.

- Eu indo até ai. – ele desligou após falar.

Me agachei ali onde estava, não conseguiria me aproximar do sangue. Não demorou muito para que Carlisle aparecesse voando entre as árvores.

Ele olhou para o frasco no chão e viu o pedaço de papel amassado perto do mesmo. Seus olhos rolaram para mim e ele então abaixou para pegar ambos os dois.

- Ele não bebeu tudo. – ele olhava para o pequeno recipiente.

- Ele só deve ter dado um gole. – eu me aproximei um pouco.

- Sim. Edward teve controle, mas foi curioso. – Carlisle olhava para o frasco e para mim.

- O que você vai fazer com isso? – perguntei me firmando no chão.

- Um fim. – ele guardou o frasco no bolso.

- Espero nunca mais ver esse frasco na minha vida. – eu esfreguei a mão na minha cabeça.

- Volte pra casa, Bella. E eu darei um jeito de fazer com que isso nunca aconteceu. – Carlisle falou confiante.

Voltei pra casa e fui ajeitar o almoço, tudo aparentava estar normal, a não ser pela minha perspectiva e a da família Cullen.

Tive de me empolgar para cozinhar, para parar de pensar em Edward. A culpa ficaria maior a cada hora que passasse e eu estivesse pensando nele.

Um toque invadiu o silêncio da casa e eu corri até a sala para atender. 'Número Desconhecido' o celular acusou. Voltei imediatamente para a cozinha para que Charlie não soubesse com quem eu estaria falando.

- Alô? – minha voz estava curiosa.

- Por favor, Bella. O que eu te falar agora, não conte a ninguém. – Edward parecia calmo.

- Oh meu Deus, Edward. – eu gritei.

- Eu estou bem, Carlisle deve saber onde eu estou e não se culpe por eu ter fugido, eu disse que tomaria suas dores. – sua voz estava tentando me tranqüilizar.

- Como não vou me sentir culpada? – não fazia sentido eu não me sentir culpada.

- Porque você não é um monstro, é a criatura mais perfeita que já avistei. Eu fui irracional e acho que agora tenho que refletir sobre isso. – Edward foi firme.

- Eu não posso contar a Carlisle que você me ligou? – perguntei vendo a imagem triste de Esme e toda a família.

- Diga que eu estou no lugar onde ele está pensando e que eu volto quando estiver pronto. – minhas mãos ficaram frias por um segundo.

- Por que pronto? – saiu sem pensar.

- Tenho que ter uma certa distância de você, Bella. É perigoso pra você. As reações que tive quando o aroma do seu sangue invadiu em cheio e pior, foi pior do que eu imaginei que seria. – as palavras dele me cortaram.

- Não demore, existem pessoas preocupadas... – a ligação havia caído. - ...Com você. – eu falei devagar, mesmo que ele não pudesse me escutar.

Sentei-me na cadeira e tentei analisar os fatos, tudo estava vindo rápido e eu tinha milhares de coisas para separar e qualificar cada uma delas.

Liguei para Alice e disse apenas o que Edward falou que eu poderia dizer. Sua voz ficou alegre quando dei notícias sobre Edward. Quem não se alegraria?

Quanto tempo ele demoraria pra voltar? E se ele não voltasse? Oh, eu não suportaria carregar sozinha a culpa, não a culpa de uma morte, não a culpa da morte de Edward.

Poderia dizer que eu estava disposta a esperar por ele, para voltar e trazer alegria de volta. Mas eu não estava totalmente disposta, eu estava causando dor em uma família. Talvez essa dor fosse menor agora, mas mesmo assim, ainda existe dor.


Demorei e vou demorar para postar de novo, me desculpem.

Tô de mudança e é difícil sabe.

JenniieM: é que assim, eu escrevo a fic no Word, e por isso, lá dá páginas, e o capitulo passado deu 15!

juliablack: seja bem vinda :) não me mate, é que tá corrido aqui.

Agradeço a todos que comentam e que me pressiona na parede pra postar, eu gosto de ver que vocês se importam com a fic *-*

Mais um ai, espero que tenham gostado.