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Minha garganta deu um nó, eu simplesmente não conseguia falar. As lagrimas começaram a cair e meu soluço me denunciou. Meu pai me pediu calam e disse que ia pro escritório, assim minha mãe não desconfiaria de nada.
- Fique calma Jen! Respire, e me conte o que aconteceu.
- Não consigo pai... É muito difícil. Preciso contar o que ta acontecendo, mas assim não dá.
- Então venha pra casa. – ele disse firme
- Não quero que mamãe perceba, sabe como ela é...
- Ela não vai perceber. Afinal você sempre soube esconder seus sentimentos dela, e de todos.
- Vou tentar.
Chicago sempre teve esse clima inconstante, mas essa chuva até que estava combinando com o humor de Jennifer.
A loira demorou três dias parar organizar sua ida para os EUA. Não avisou nada a ninguém, incluindo Lana, não queria se sentir presa mais do que já se sentia. O voo chegou no horário marcado. Ela insistiu para que os pais não fossem buscá-la no aeroporto e eles concordaram. Deu o endereço para o taxista que chegou ao local em tempo recorde. As batidas na porta foram mais fortes do que deveriam ser. O interfone e a campainha foram totalmente esquecidos.
A porta se abriu abruptamente, revelando o rosto da mulher que sempre a acalmara com apenas um olhar.
- Jen! – Judy disse alto e sorridente.
A mulher tomou a filha nos braços e a apertou forte. Jennifer retribuiu o abraço. Sentia falta da mãe, dos seus abraços e até mesmo dos sermões. Elas entraram abraçadas, ficaram matando a saudade uma da outra até o pai e o irmão chegarem.
- Papai! – Jennifer levou do sofá num pulo e o abraçou.
Dentre os irmãos, sempre foi mais agarrada ao pai, diferente de Daniel e Julia. Todos eram bastante unidos, mas Jennifer e David eram mais. Os pais foram ajeitar o almoço enquanto Jennifer e Daniel ficaram jogando conversa fora.
Diferente do que o pai pensava, Daniel e Julia sabiam quando Jennifer não estava bem. Daniel mais recatado, preferiam ficar na dele, até que a irmã desse uma abertura para que ele falassem algo, diferente de Julia.
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- Deus! Como eu tava sentindo falta dessa cidade, dessa casa, de vocês... – ela sorria como uma criança.
- E nós de você querida! – David sorriu largamente. – Mas então, agora que estamos sozinhos, me diz o que esta de deixando assim.
Ela juntou as mãos sobre o colo e as apertou.
- Antes de contar pai, preciso lhe dizer algo importante.
- Então diga!?
Jennifer veio o voo inteiro, planejando em como dizer ao pai, que tinha se envolvido com uma mulher. Ela não precisava dizer que não era a primeira, seu pai não precisava saber disso. Mas precisava ser sincera, pois isso sempre foi algo de estrema importância na relação dos dois.
- Eu me envolvi com uma pessoa do trabalho.
- Tudo bem... – ele disse calmo.
- Com uma mulher. – ela disse mais rápido do que imaginou.
David se calou. Retirou os óculos e suspirou.
- O que você espera ouvir? – ele perguntou.
- Eu não sei pai... - sua voz quase não saiu.
- Sua mãe tem razão. Os filhos sempre acham que enganam os pais... – ele sorri.
- Vocês já sabiam? – ela disse surpresa.
- Vocês eu não sei. Eu sabia.
- Quando? Por que... Porque nunca disse nada? – ela falou confusa.
- Eu percebi em algumas atitudes suas. Via como olhava pras amigas da Julia, principalmente pra uma. Você parecia hipnotizada cara vez que aquela menina abria boca. – ele riu. – Era pior que seu irmão!
- Sarah...– disse relembrando.
- Chegava a ser embaraçoso –ele continuou. – Mas nunca falei, via que você não estava pronta pra contar.
- Você tem vergonha de mim pai?
- Não tenho motivos pra ter vergonha de você! De nenhum dos meus filhos. – ele disse firme.
- Obrigada! – ela o abraçou.
- Mas agora sem me enrolar. – disse acariciando o rosto da filha. – Diz o que aconteceu entre vocês.
Jennifer tomou fôlego e contou. Não culpou Lana ou ela, apenas disse tudo o que tinha acontecido até agora. Seu pai fazia perguntas, concordava, discordava, mas não defendia nenhuma das duas.
- Você fala como se fosse um erro amar ela. E é triste ver isso.
- E não é pai? Ela é comprometida! O noivo fez o que fez, e por mais que eu entenda os motivos dela e respeite a decisão que ela tomou, não consigo seguir a diante.
- Nunca fui de omitir minhas palavras com nenhum de vocês, e não vai ser agora. Sabe minha filha, eu acredito que ela ame você. Mas ela deve estar apavorada, como sei que você também esta!
- Mas eu estou disposta a enfrentar tudo por ela!
- Então mostre isso! Porque falar é fácil, dizer que ama e que ela é tudo pra você, qualquer um pode dizer... Escute filha, mesmo que ela te todos os motivos pra você ir embora, se você acredita em vocês, lute! Porque fases boas e ruins passam. Mas se o que você sente por ela realmente for verdadeiro, com toda certeza lhe afirmo que isso vai permanecer.
- Olha você ai! – Julia foi ao encontro de Jennifer quando ela saiu do escritório do pai.
- Porque não me chamou ante? Chegou há muito tempo?– retribuiu o abraço da irmã.
- Cheguei a uns 20 min. Mamãe disse que você e o pai estavam conversando... E estou acompanhada. – ela sussurrou a ultima parte.
- Zach? – perguntou
Julia não teve tempo para responder. Os olhos de Jennifer quase não acreditaram, mas era ela. Mais alta, com o cabelo bem menor, os olhos penetrantes como sempre! E o corpo, ah o corpo, estava ainda mais chamativo.
Sarah Winslet havia voltado! E mais linda do que Jennifer podia se lembrar.
- Sarah? – disse mais do que surpresa.
A mulher abriu um largo sorriso, porém tímido.
- Oi Jen. – ela ainda sorria. – Julie, sua mãe esta pedindo sua ajuda com a Eli.
Julia saiu da sala sem disser nada, deixando Sarah e Jennifer sozinhas.
- Você cresceu! Está muito bonita... – disse sorrindo e me aproximando.
- Graças a Deus! – ela riu – Mas não mais que você. – ela disse me olhando de cima a baixo.
Sarah sempre soube o feito que causava em mim, quando mais jovem. Chegava a me provocar, discretamente claro, já que nunca foi uma menina atirada, mas não era ingênua. Eu sempre soube que não era certo me envolver com ela, afinal, quando nos conhecemos através de Julia faltavam apenas três meses para que eu me mudasse.
Julia chagava a desconfiar que Sarah correspondida ao meu interesse, porém me alertou de que ela não era uma menina comum. Era meiga, sonhadora, e discreta, apesar de não ter medo de expor seus sentimentos pro que fosse. E esse jeito doce, puro e feliz dela, sempre me encantaram. E ela não parecia ter mudado.
- Então, você virou estilista? – disse curiosa.
- Sim, é um trabalho bem gratificante. – ela sorriu
- Nunca pensei que você fosse se tornar uma, achava que tinha investido na carreira de modelo.
- Eu tentei, mas era um mundo muito cruel! Não estava disposta a pagar o preço dele, e sinceramente, desenhar me faz muito bem. Faço algo que gosto e sou muito bem recompensada! E não me tira tanto tempo com Leon.
- Nisso eu concordo com você. – Sorri. – Mas quem seria Leon?
- Sua irmã não te contou? Eu tenho um filho. – ela sorriu
- Você tem um filho? Não sabia que tinha se casado. - disse encarando a mão dela, mas essa não se encontrava com nenhum vestígio, ou marca de anel.
- E não me casei! Crio Leon sozinha. O pai dele não faz falta alguma. – disse sincera.
- Você era tão sonhadora...
- Ainda sou, mas agora só guardo meus sonhos e desejos pra pessoa certa. Depois que Philip me deixou não fico jogando meu coração na mão de qualquer um. –riu.
- Esta mais do que certa! Você é jovem, linda, inteligente, deve guardar seu coração pra quem merecê-lo.
- Confesso que não tenho pretendentes. – ela se aproximou o rosto do meu. – Alguma sugestão?
- Pode ser que eu tenha... – entrei no jogo dela.
Ela colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e seus dedos acariciaram meu rosto. Foi involuntário eu fechar os olhos, Deus o que estava acontecendo comigo? Eu jurar que a respiração de Sarah quase se confundir com a minha. Senti ela me dar um beijo carinhoso perto da boca, fazendo com que eu abrisse os olhos.
- É bom saber. – ela disse baixinho e se levantou.
Sarah sorriu cinicamente e estendeu a mão para que eu a acompanhasse até a cozinha. Segurei sua mão e a acompanhei. Minha mãe e Julia estavam tentando fazer Eli comer, mas parecia um tarefa bem difícil.
- Tia Jen! – minha pequena me gritou e correu até mim.
- Oi minha princesa, que saudade. – disse beijando o rostinho dela.
- Eli não fuja de mim! Você precisa comer minha filha. – Eli tentou se esconder atrás de mim quando Julia falou com ela.
- Então a senhorita não quer comer? Como vamos ao parque amanha se você não comer?
- Não preciso comer pra ir ao parque! – ela cruzou os braços.
- Claro que precisa! Como você vai ter energia? – fiz o mesmo gesto.
- Você da pra mim então?- Julia riu da atitude de Eli, e me entregou o prato dela.
Sentei de frente pra minha sobrinha, e comecei a dar a comida. Eli não pestanejou. Comia brincando com dois bonequinhos, e bebericando o suco de uva.
- Tia, posso perguntar uma coisa? – ela disse sem parar de brincar.
- Claro.
- Quando que a tia Lana vem pra cá? – fiquei simplesmente sem palavras. – Sabe, gosto muito dela, queria que ela viesse pra cá. – dessa vez me encarou.
Jennifer ficou simplesmente chocada pela inocência, e tamanha clareza que Eli fez aquela pergunta. Ela deu mais uma colher de comida pra menina e suspirou.
- Ela está de férias com o noivo meu amor. Creio que não a verei durante um tempo...
- Mas você podia chamar ela né? Ela gosta de você... – fiquei atônita
O Julia estava fazendo com aquela menina? Notei que apesar de estar fazendo o jantar, minha mãe aprestava atenção na conversa. Tentei contornar a situação, disse que ia falar com Lana, mas que não prometia nada. Ela terminou de comer e foi brincar com Ava.
- Tem algo pra me dizer querida? – minha mãe me encarou.
- Seja mais direta mamãe. – joguei o cabelo para trás.
- Você... E essa mulher, estão tendo algo? – ela disse direta.
- Não...
- Mas tiveram? – ela disse seca.
- Não quero falar nisso.
- Você sempre fugiu dessa conversa não é? Principalmente comigo, mas tudo bem, você já é bem crescida pra tomar suas decisões.
- Você sabe que eu nunca escondi nada de você mãe, nada! Eu só não quero falar disso outra vez. Um dia eu vou, mas não hoje. – eu ia saindo, mas ela segurou minha mão.
- Eu só quero que você entenda uma coisa Jen! Eu sempre vou apoiar você, e se não fizer, vou respeitar suas escolhas. Sei que nunca demonstrei isso de tão claramente assim, mas era por medo. – ela segurou meu rosto com as duas mãos. – Você demorou tanto tempo pra se abrir comigo de novo minha filha... Que eu tinha medo de lhe afastar. Tinha medo de você não acreditar em mim.
Em quase 30 anos da minha vida, minha mãe nunca tinha falado desse jeito comigo. Nunca tinha se aberto dessa maneira. Eu a abracei e lhe agradeci. Tinha sorte de ter os pais que eu tinha, apesar de tudo, eles sempre estiveram, e estão ali pra mim.
- Seja feliz minha filha! Mesmo que ser feliz pra você, seja abrir mão do que você ama, ou de quem você ama... Entende? – Ela disse calma.
- Eu tenho medo mãe!
- Medo do que Jennifer? – ela disse atordoada
- Medo de estar cavando um buraco cada vez mais fundo, e sem ter nada pra me puxar de voltar.
Tinha acabado de tomar banho, minha cabeça explodindo de tanta dor. Coloquei uma legging e um casaco branco fechado. Quando comecei a pentear meu cabelo Sarah surgiu na porta do quarto. Me assustei fazendo ela rir e entrar nele.
- Desculpa por te assustar. – ela sorriu.
- Tudo bem, eu que estava distraída... Mas parece que o pessoal não esta conseguindo te entreter, não é?
- Digamos que eu prefira outra companhia... Se não foi incômodo.
- Não é. – sorri. – Você nunca me incomodou.
Ela fechou a porta do quarto e veio até mim. Pediu a escova e começou a pentear meus cabelos.
- Sempre gostei dos seus cabelos, mas confesso que preferia você ruiva. – ela dizia baixinho.
- Porque seria hum? – ri.
- Você parecia mais leve, mais feliz, mais você... Não que não pareça agora, só estou dizendo.
- Gosto da sua voz... – disse de olhos fechados. – Me distrai, me acalma.
Ela ficou em silencio, mas sem parar de escovar meus cabelos. Sabe quando seu coração diz uma coisa, mas sua mente grita outra? Bom, era assim que eu me sentia com Sarah. Ela despertava o melhor que havia em mim, me arrancava sorrir espontâneos e sinceros. Lana não era diferente, mas não era assim, era mais intenso, tudo com ela é mais intenso...
"O quanto você gosta da minha voz?"
Abri meus olhos para vez se estava imaginando coisas, mas não estava. Sarah estava sentada no meu colo, seu rosto estava tão próximo do meu quanto antes.
- O quanto Jen? – ela sussurrou
Jennifer colou seus lábios no mesmo instante que Sarah parou de falar. Qualquer pessoa que visse a cena diria que era um beijo de saudade. Um beijo que há muito tempo não era dado, que estava sendo relembrado, e em certa parte era sim, mas não ao todo. Esse era o beijo que nunca foi dado! O beijo que ambas sempre desejaram, mas nunca tiveram a coragem de exercer-lo. Sarah sentia um calor invadindo lhe o peito, Jennifer matava o desejo que sempre tivera.
Foi um beijo longo, molhado e sincero. Sarah se afastou um pouco para respirar, mas não deixou de provocar a loira roçando seus lábios nos dela. Jennifer sorriu e puxou o lábio inferir da mulher, querendo continuar o beijo, mas não conseguiu.
- Acho melhor eu ir... – a ruiva se levantou.
- Fica, esta tarde pra você ir. – Jennifer a seguiu.
- Não quero fazer bobagem.
- Eu não sou tão impulsiva assim Sarah. Não vou te atacar. – sorriu.
- O problema não seria esse. – ela riu envergonhada. – O problema é que eu não recusaria.
Roubou um curto beijo de Jennifer, e disse.
- Se você quiser, eu posso te estender a mão.
- Como assim?
- Você vai entender. – e saiu do quarto.
Jennifer fechou a porta confusa. Passou os dedos sobre os lábios e esperou o sentimento de culpa bater, mas ele não veio.
"É, talvez o fundo do poço não seja tão ruim assim..."
E Talvez, apensa talvez, ela devesse segurar a mão que estava sendo-lhe estendida.
Olha, a porra da feira da minha escola/provas ocuparam meu tempo, e não tive como postar. FINALMENTE, entrei de ferias, e vou tentar o máximo possível postar. Não vou prometer o dia, porque minha namorada me deu um esporro por isso, então desculpem pelo atraso de um mês, se não estou enganada. Ah, e queria agradecer por quem me incentivou a continuar. E pra quem lê a fanfic, e não comenta, faça isso, comente! Nem que seja em anonimo. Gosto de opiniões!
Ps: Não odeiem a Sarah, ou odeiem. Ela não é uma pessoa má! E sim, ela vai ser uma personagem fixa. Pelo menos por enquanto hehehe
