No capítulo anterior: Kai lembrou-se do momento em que Ray terminou o namoro com ele e ficou furioso. Wyatt interveio. Ray contou a Kai que estava a ser ameaçado por Voltaire e Wyatt mostrou a gravação que tinham feito. Ray, Kai e Wyatt foram até ao precipício e Kai lembrou-se de tudo. Kai e Ray acabaram por fazer as pazes. No dia seguinte, Kai pediu desculpa a Tala e disse-lhe que lhe iria dar uma segunda oportunidade e que o iria tratar melhor. Ray, Kai e Wyatt descobriram que Voltaire fora investigado pela polícia e fugira. Por fim, Mariam e Ozuma chegaram para treinar com os Bladebreakers.

Capítulo 14: Romance Secreto

Os treinos da parte da tarde não foram fáceis. Kai estava determinado a que todos dessem o seu melhor e puxara bastante por todos. O pavilhão de treinos enchia-se de sons de batalhas. Mas apesar de Kai estar a puxar por todos, o grande problema do treino fora Mariam, que passou toda a tarde a aborrecer toda a gente.

"Max, podias jogar bem melhor." disse Mariam.

"Eu dou sempre o meu melhor." disse Max, aborrecido. "E parece-me que estou a jogar bastante bem."

"Mas não é suficiente, posso assegurar-te. Assim vais ser facilmente vencido por outro blader."

"Ei, Mariam, não precisas de ser assim." interveio Tyson.

"Estás a aborrecer toda a gente." acusou Hilary, que se aproximou dos bladers. "Até parece que tu és uma grande blader!"

"Pois sou!"

"O Max já te venceu no passado." disse Hilary, sorrindo. "E qualquer um dos outros Bladebreakers te conseguia vencer."

"Menos tu, querida. Tu não sabes usar um beyblade." disse Mariam, rindo-se.

"Ai é? Tyson, dá cá o Dragoon!"

Tyson acenou negativamente com a cabeça. Não iria emprestar o seu precioso Dragoon a Hilary. No entanto, ela lançou-lhe um olhar furioso e Tyson, a contragosto, entregou-lhe o pião. Depois, Mariam e Hilary colocaram-se cada uma de um dos lados do disco. Ozuma abanava negativamente a cabeça, achando que aquilo era má ideia. Os outros tinham-se aproximado para verem.

"A Hilary nunca vai conseguir vencer." murmurou Ray, para Kai. "Ela não tem prática, nem nada assim."

"Vamos a isto!" gritou Mariam. "Vais perder num instante, Hilary."

Mariam e Hilary iniciaram um combate logo depois. Mariam venceu com facilmente, em cerca de cinco segundos, mas Hilary ficou feliz porque o Dragoon saltou do disco e acertou em cheio na cabeça de Mariam. Mais tarde, Max venceu Mariam num combate e ela parou de o aborrecer.

"Bem feito." pensou Max. "Ela pensava que era invencível e que eu não batalhava bem, mas consegui vencê-la."

Ozuma e Tyson batalharam várias vezes e, apesar de Tyson ter vencido algumas vezes, Ozuma parecia ser um bom oponente, pois ficaram várias vezes empatados. Tala e Kai treinaram um com o outro na maioria do tempo.

"Estás a fazer progressos, Tala." disse Kai.

"Ora, eu já sou bom. Afinal, aprendemos os dois no mesmo lugar. A abadia."

"Sim, mas prefiro esquecer esse lugar. Vamos focar-nos na batalha."

Beyblade: História de um Amor Conturbado

À hora do jantar, Tyson, sendo entusiasta, decidiu fazer um brinde.

"Vamos brindar porque o Kai recuperou e voltou para casa e à chegada do Ozuma e da Mariam!" exclamou ele.

"Hunf, não vejo grande vantagem em termos a Mariam e o Ozuma por aqui." sussurrou Hilary. "Principalmente a Mariam."

Mesmo assim, todos brindaram, com mais ou menos entusiasmo. À medida que o jantar avançou, todos ficaram mais animados, com excepção de Kai. Apesar de estar satisfeito por estar num momento de descontracção, como sempre, preferia manter-se mais calmo do que os outros.

Depois do jantar, Ray e Wyatt foram lavar a loiça, enquanto os outros se foram sentar na sala.

"Então, o que têm feito?" perguntou Max, olhando para Mariam e Ozuma. "Vocês não participaram no campeonato mundial do ano passado."

"É verdade. Estávamos na nossa aldeia. Eles têm regras um pouco rígidas." explicou Ozuma. "Mas este ano deixaram-nos participar outra vez. Claro que vamos ter de nos classificar, tal como vocês."

"É verdade." disse Kai. "Temos de nos classificar para entrarmos no campeonato mundial."

"Vocês sempre têm mais sorte que nós." disse Mariam, com uma ponta de inveja na voz. "Só têm de vencer os finalistas de cada torneio."

"Claro. Mas mesmo que tivéssemos de vencer todos os participantes em cada torneio, faríamos isso." disse Hilary. "Os Bladebreakers são os melhores!"

Mariam lançou um olhar mortal a Hilary, que o ignorou.

"Suponho que vocês só vão participar nos grandes torneios." disse Ozuma.

"Grandes torneios? Do que estás a falar?" perguntou Tyson, confuso.

"Ora, não sabem? Há dois tipos de torneios." explicou Mariam. "Há os torneios normais, que são feitos só para uma cidade e os grandes torneios, que são feitos para países ou continentes inteiros."

"Não percebi." disse Hilary.

"Isso é porque és burra." disse Mariam. Hilary ficou vermelha de fúria. "Vou dar um exemplo. Por exemplo, o torneio de França é um grande torneio, porque é do pais todo. O torneio de Paris já é menor, porque é só uma cidade. Espera-se que nos grandes torneios participem as melhores equipas."

"Ah, estou a ver." disse Kai, abanando a cabeça. "O senhor Dickinson não nos falou nisso."

"Mas há alguma diferença em termos de qualificação?" perguntou Tala.

"Não. Se ganharem um torneio normal, conta a mesma coisa que se ganharem um grande torneio." disse Mariam. "É só porque, como eu disse, é esperado que as melhores equipas participem nos grandes torneios, que obviamente, são mais difíceis."

"Como é o senhor Dickinson que decide em que torneios participamos, logo veremos." disse Max.

"Nós, os Saint Shields, estamos a pensar participar nalguns torneios normais e nalguns grandes torneios." explicou Ozuma. "Para termos variedade."

Pouco depois, todos se dirigiram aos seus quartos. Ray e Kai sentaram-se nas suas camas, ainda sem terem sono para irem dormir.

"Então Kai, o que vamos fazer amanhã?" perguntou Ray.

"Temos de treinar."

"Treinar outra vez? É mesmo preciso, Kai?"

"Claro que é preciso. O primeiro torneio está a aproximar-se. Toda a equipa tem de funcionar bem, para obtermos bons resultados. Para além disso, já aconteceu muita coisa que nos impediu de treinar."

"Tens razão… mas não avisaste os outros de quando é que começava o treino." disse Ray.

"É verdade. Esqueci-me. Vou dizer-lhes que às nove da manhã têm de estar prontos para ir treinar." disse Kai, preparando-se para se levantar da sua cama.

"Deixa-te estar, Kai. Tu estás cansado. Deita-te. Eu vou lá avisá-los e já volto."

"Obrigado, Ray. Mas não vou conseguir dormir antes de tu chegares." disse Kai.

Ray sorriu-lhe. Tinham voltado a juntar as duas camas, para dormirem juntos novamente e Ray também não ia dormir sem que Kai estivesse com ele na cama.

"Eu já volto. Não me demoro, ok?"

"Está bem. Até já."

Quando Ray ia sair do quarto, Kai parou-o.

"Espera, Ray."

"O que foi?"

"Preciso de te dizer uma coisa."

Ray deu alguns passos na direcção de Kai e ficou a olhá-lo.

"Diz."

"Ray, o meu avô chantageou-te e tu não me contaste nada. Por causa disso, houveram imensos problemas. Não pode ser mais assim. Acho que devíamos prometer um ao outro que iríamos sempre contar a verdade um ao outro e não ocultar nada." disse Kai, em tom sério.

"Tens razão. Escondermos coisas um ao outro só traz problemas, mas eu só o tinha feito para te proteger."

Kai acenou afirmativamente com a cabeça. Sabia que Ray lhe tinha mentido, dizendo que não gostava dele porque não queria que Voltaire lhe fizesse mal, mas se lhe tivesse contado de imediato a verdade, as coisas poderiam ter sido diferentes.

"Eu prometo que nunca mais te escondo nada." prometeu Ray.

"E eu prometo o mesmo. Não haverá segredos entre nós."

Ray aproximou-se um pouco mais de Kai e deu-lhe um beijo rápido nos lábios.

"Agora, vou dizer aos outros quando é que é o treino. Até já." disse Ray, saindo do quarto.

Ray decidiu ir avisar primeiro Tyson e Max. Caminhou até à ala oeste da casa e bateu à porta do quarto. Alguns segundos depois, Max veio abrir a porta. Tinha já vestido um pijama azul-escuro.

"Olá Ray, o que queres?"

"É só para avisar que amanhã há treino às nove da manhã." disse Ray. "O Kai esqueceu-se de avisar e portanto eu vim dar o recado."

"Treino às nove da manhã? Bolas, é muito cedo…"

"Foi o Kai que quis. Diz que precisamos de treinar." disse Ray, encolhendo os ombros. "Eu compreendo que te apetecesse dormir em vez de ires treinar. A mim também, na verdade, mas se queremos estar mesmo preparados para vencermos o campeonato, temos de fazer sacrifícios."

"Pronto, se tem mesmo de ser, paciência. Eu aviso o Tyson."

"Então, até amanhã."

"Até amanhã, Ray."

Max fechou a porta do quarto e de seguida Ray caminhou até à porta do quarto de Wyatt e Tala. Bateu à porta e Wyatt veio abrir. Ainda vestia as mesmas roupas que usara durante o dia.

"Olá Ray. Precisas de alguma coisa?" perguntou Wyatt.

"Vinha só avisar que amanhã, às nove da manhã, há treino." disse Ray.

"Que chatice!" exclamou Tala, que estava sentado em cima da sua cama, com um livro de beyblade entre as pernas. "O Kai agora também está sempre a querer treinar todos os dias, a toda a hora."

Wyatt e Ray encolheram os ombros, já conformados com aquela situação.

"Nós vamos estar prontos a tempo, não te preocupes." disse Wyatt, sorrindo. "Se for preciso, eu arrasto o Tala da cama."

"Ah, havia de gostar de ver isso." disse Tala, olhando para o seu livro sobre beyblade.

"Tala, se amanhã de manhã não te levantares para o treino, logo verás." disse Wyatt, abanando a cabeça. "Bom, precisas de mais alguma coisa, Ray?"

"Não, era apenas isto. Até amanhã."

"Adeus."

Ray voltou para a ala este. Hesitou um pouco. Não valia a pena dar o recado a Hilary. Ela não recolhia informações, nem era uma blader, por isso não precisava de se levantar tão cedo. Ray caminhou até ao quarto de Ozuma e Mariam e preparou-se para bater à porta, mas a porta estava entreaberta.

Ray hesitou e empurrou a porta. Olhou para o quarto, mas estava deserto.

"Que estranho." pensou Ray. "Onde estarão eles?"

Nesse momento, Ray ouviu um barulho vindo da casa de banho. Aproximou-se devagar e empurrou um pouco a porta da casa de banho privativa do quarto. Viu Ozuma e Mariam, abraçados um ao outro, a beijarem-se.

"Ups, parece que vim em má altura." pensou Ray.

Ozuma quebrou o beijo e sorriu a Mariam. Os dois tinham expressões mais doces do que Ray alguma vez os vira ter.

"Amo-te, Mariam."

"Ozuma, sabes que eu também te amo." disse Mariam, sorrindo.

Os dois voltaram a beijar-se. Ray achou que era altura de ir embora. Não devia agora estar ali espreitar o que Mariam e Ozuma estavam a fazer, porque não era da sua conta.

"Vamos dormir?" perguntou Mariam.

Ozuma sorriu-lhe e piscou-lhe o olho.

"Acho que podemos aproveitar o tempo para fazer coisas melhores."

Dito isto, Ozuma começou a despir Mariam. Ray saiu rapidamente do quarto, fechando a porta atrás de si. Estava bastante corado e envergonhado. Depois, Ray voltou para o seu quarto. Kai ainda estava sentado nas duas camas juntas, tendo agora o comando da televisão na mão. Porém, não havia nada de interessante a dar no momento e ao ver Ray entrar, acabou por desligar a televisão.

"Ah, ainda bem que já voltaste, Ray." disse Kai, sorrindo.

Ray não disse nada e foi à casa de banho, para se preparar para ir dormir. Cinco minutos depois, Ray saiu da casa de banho, já com o seu cabelo solto. Parecia pensativo, o que não passou despercebido a Kai.

"Passa-se alguma coisa, Ray?"

"Não, não se passa nada."

"Foi algum dos outros que não quis ir ao treino?" perguntou Kai. "Se for isso, eu vou lá e obrigo-os a irem treinar."

"Não, Kai, não foi nada disso."

"Então foi o quê? Ray, eu vejo que estás estranho." disse Kai, quando Ray se sentou na cama também. "Nós prometemos não esconder nada um ao outro. Lembras-te?"

"Sim, tens razão. É que não é nada que nos diga respeito. A nenhum de nós." disse Ray. "Acho que não devo andar por aí a espalhar as coisas."

"Ok. Tu é que sabes." disse Kai, deitando-se, com cara de amuado.

"Oh, Kai, não fiques zangado." pediu Ray. "Pronto, o que aconteceu foi que, quando fui ter ao quarto do Ozuma e da Mariam, bati à porta, mas eles não apareceram. E então, como a porta estava encostada, decidi entrar no quarto.

"E daí?"

"Bem, eles estavam os dois na casa de banho. A beijarem-se e a fazerem declarações de amor um ao outro."

Kai ergueu uma sobrancelha. Ozuma e Mariam, a fazerem declarações de amor um ao outro? Kai não conseguia imaginá-los a fazer isso.

"A sério?" perguntou ele, surpreso.

"Sim. Estavam mesmo a beijar-se e tal. Devem ter um caso. Ou namoram às escondidas ou algo assim." disse Ray.

"Eles viram-te?"

"Não. Eu saí sem fazer barulho."

"Nunca pensei que houvesse alguma coisa entre eles." disse Kai. "Mas se formos a ver, as pessoas também não pensam que há nada entre nós. Enfim, se eles estão contentes um com o outro, isso é que importa. Pensando bem, até fazem um bom par."

"Não percebo porque é que eles não nos contaram que namoravam." disse Ray, pensativo.

"Podem não namorar. Podem só estar juntos de vez em quando e não terem nada oficial ou nem gostarem assim tanto um do outro." disse Kai. "Lá por as pessoas se beijarem, não quer dizer que queiram namorar. Pelo que li na net, a isso chama-se amigos coloridos ou algo assim."

"Achas que estão juntos só quando se sentem sós?" perguntou Ray. "Mas não me parece, porque eles disseram um ao outro que se amavam."

"Pois, Ray, não sei. Isso é com eles e efectivamente não temos de nos meter nisso." disse Kai.

"Sim. Ah, amanhã eles vão chegar atrasados. É que, com isto tudo, acabei por não lhes contar do treino." disse Ray, encolhendo os ombros. "Fiquei embaraçado de os ver assim e não tive coragem de me anunciar e eles perceberem que eu os tinha visto."

"Pronto, também não faz mal." disse Kai. "Afinal, eles não são membros dos Bladebreakers e é com os membros da nossa equipa que tenho de me preocupar."

Ray deitou-se ao lado de Kai. Ficaram os dois a olhar para o tecto, pensativos.

"Sabes, há uma piada sobre uma situação parecida com esta." disse Ray.

"Há? Não conheço. Aliás, não conheço praticamente piadas nenhumas, porque caso tenhas reparado, não sou a pessoa mais alegre do mundo." disse Kai, olhando então para Ray.

"Não importa, Kai." disse Ray, encarando o namorado. "Eu gosto de ti como és. E vou contar-te a piada de que estava a falar."

Beyblade: História de um Amor Conturbado

Por essa altura, Hilary estava a sair do seu quarto. Ia à cozinha comer qualquer coisa.

"Hum, eu jantei bem, mas já estou com fome." pensou ela.

Quando passou à frente do quarto de Ozuma e Mariam começou a ouvir barulhos estranhos. E depois, um gemido de Mariam.

"Eh? Um gemido? Não, deve ter sido impressão minha."

Hilary continuou a andar e passou perto do quarto de Kai e Ray. Nesse momento, Hilary ouviu Kai rir-se.

"O Kai? A rir-se? Não pode ser…"

Hilary abanou a cabeça.

"Ok, eu devo estar mesmo cheia de sono. Gemidos vindos do quarto da Mariam e do Ozuma? O Kai a rir-se? Será que adormeci e isto é um sonho?"

Hilary beliscou-se.

"Ai! Bem, não é um sonho. Acho que estou a ter alucinações. Nunca mais como feijoada ao jantar."

Decidindo que afinal era melhor não comer nada, Hilary voltou ao seu quarto e adormeceu pouco depois.

Continua…