Atlântida estava do mesmo jeito que eu me lembrava. Eu segui pelo caminho que pensava ser a cozinha e encontrei Mary virada para o fogão, mexendo nas panelas.

–Mary? - eu falei um tanto receosa.

Ela se virou e sorriu para mim. Secou as mão em um pano que estava enroscado em seu avental e me abraçou.

–Atena! - ela me soltou. - Eu senti a sua falta.

–Eu também senti sua falta. - Eu me sentei em uma das cadeiras da mesa. - Atlântida não mudou nadinha.

–Poseidon não gosta muito de mudanças.

–Falando nisso, cade ele? - era estranho ele não ter aparecido, já que podia sentir cada pessoa diferente no Palácio.

–Sentindo minha falta, queridinha? - ele entrou e abraçou Mary rapidamente.

–Só nos seus sonhos. - Poseidon se sentou ao meu lado. - Eu apenas queria perguntar onde eu vou ficar?

–O seu quarto é o mesmo. - eu me levantei e sai da cozinha, jogando um beijo para Mary.

Eu andei pelos corredores e abri a porta do meu velho quarto. Ele continuava do mesmo jeito e estava limpo. Deixei a minha mala em um canto, depois eu arrumaria tudo.

Decidi fazer uma avaliação sobre o atual problema de Atlântida. Sai do quarto e comecei a andar pelos corredores, procurando por Poseidon. Eu andei por praticamente todo o palácio procurando por ele. Apesar de continuar o mesmo, o palácio parecia ter perdido o brilho. Era como se ele estivesse morrendo.

Encotrei Poseidon em seu escritorio, olhando alguns papéis. Ele levantou os olhos assim que eu abri a porta e ficou me olhando.

–Eu estava te procurando. - Eu fechei a porta e me sentei em uma das cadeiras. - O que esta acontecendo exatamente?

–Anfitrite. - ele soltou os papéis e passou a mão pelos cabelos - ela decidiu fazer da minha vida um inferno.

–Como se ninguem soubesse que isso iria acontecer.

–Já faz algum tempo que eu pedi a separação. - ele deu um gole no copo de whisky que estava sobre a mesa. - Nós deixanmos de ser um casal faz muito tempo. Ela tem um namorado e eu não ligava.

–O que te fez pedir a separação então?

–Ela engravidou dele.

–Não vejo motivo, já que você sabia sobre eles.

–Ela disse que o filho era meu. - ele se levantou e começou a andar pela sala. -E não tem como ser meu. Faz anos que nós não tocamos um no outro.

–Ela achou que você fosse burro o suficiente para acreditar.

Ele começou a se aproximar de mim e se baixou, segurando nos braços da cadeira.

–Atena. - ele olhou no meus olhos. - Me desculpe.

–Pelo o que? - eu disse em voz baixa.

–Por ter quebrado a minha promessa. - ele se aproximou um pouco de mim. - Eu sabia que ela não prestava e mesmo assim voltei com ela.

Eu estava presa naqueles olhos incrivelmente verdes. Ele se aproximava cada vez mais, invadindo o meu espaço pessoal e eu não conseguia fazer nada. Em um pequeno momento de lucidez, eu me levantei e sai da sala, deixando Poseidon sozinho.

Corri até meu quarto e me tranquei; Aproveitei para começei a guardar minhas coisas em uma tentativa de esquecer o que aconteceu. Eu terminei de organizar minhas coisas e resolvi dormir um pouco.

Eu acordei com um grito e logo senti um peso sobre mim. Eu senti o edredom que cobria minha cabeça ser puxado.

–Será que nem depois de todos esses anos você vai me deixar dormim em paz?

–Eu também senti sua falta. - ela disse de forma ironica.

Ela estava mais velha, assim como eu. Seus cabelos estavam na altura dos ombros, levemente ondulados. Ela vestia um shorts jeans desfiado e uma camiseta branca.

–Você não voltou para me visitar. - ela fez um biquinho.

–Você também não foi me visitar. -eu disse. - A culpa não é só minha.

–As duas tem culpa então. - Ela levantou da cama e me puxou. - Agora se arruma rápido que nós temos algumas coisas pra fazer.

Eu me arrumei o mais rápido possível, sabendo que não era bom contrariar aquela miniatura de gente. Nós descemos as escadas e fomos até a cozinha, onde Mary nos esperava com uma mesa arrumada.

–Eu senti falta de tudo isso. - falei, enquanto inspirava aquele cheiro de comida caseira.

Nós tomamos comemos tranquilamente, talvez pelo fato de Poseidon não estar ali. E quando terminamos, Lizzie me arrastou pelos corredores, me deixando na frente da biblioteca.

–Poseidon está te esperando ai dentro. - ela abriu a porta. -Não briguem, por favor.

–Mas... - antes que eu pudesse terminar a frase, Lizzie me empurrou porta a dentro e a fechou. - Tanto faz.

–Tanto faz o que, Atena? - Eu me virei e encontrei Poseidon sentado em uma mesa. - Á propósito, bom dia.

Ele estava olhando para alguns papéis e bebendo café de uma xícara fumegante. Por mais que me doesse admitir, ele estava lindo com o cabelo bagunçado, mas ele estar lindo não era a mesma coisa que eu gostar dele. Ele continuaria sendo aquele idiota, acéfalo, egoíst...

–Pode sentar Atena. - ele disse, me interrompendo. - Eu não vou ter morder.

Eu me sentei em outra cadeira, do outro lado da mesa. Ele tirou os olhos dos papéis e olhou para mim.

–Você conhece bem Atlântida. - Ele abriu o mapa em cima da mesa. - Anfitrite está atacando aqui, aqui e aqui. - ele apontou pequenos pontos vermelhos.- Ela não conhece o reino direito, apesar de já ter sido rainha. Na verdade, acho que ela só conhece o caminho para as lojas e para a casa do amante dela.

Nós passamos a noite falando sobre a situação atual do reino e sobre o que poderia ser feito para proteger Atlântida até que o problema Anfitrite fosse resolvido.

E o primeiro dia passou assim, tranquilo. Assim como o segundo, o terceiro, o quarto e todo o resto daquela semana.