Capitulo 14

PDV inédito Edward.

Eu estava terrível e absurdamente feliz. Nunca mais me senti assim desde a morte de minha esposa Tânia e nossas filhas. Aquilo havia me marcado de tal forma que eu imaginava nunca mais poder ser feliz de novo, eu não era merecedor disso, claro. Eu havia matado a minha família, fui inconseqüente e irresponsável bebendo e dirigindo depois. Elas só tinham tres anos quando morreram, não pude conviver com minhas filhas tanto quanto gostaria. Elas e minha esposa eram tudo para mim, era impossível respirar sem elas por perto.

Eu me sentia sufocado a cada dia desde a morte delas. Só me alimentava para poder sobreviver. Eu sabia que eu merecia sofrer pelo resto da eternidade pelo que causei a elas, eu merecia pagar por isso sendo infeliz a cada maldito dia de minha maldita vida. Eu viveria na eterna escuridão, poeticamente falando.

Mas então uma luz caiu e acendeu tudo a minha volta. Bella, minha Bella.

Ela chegou e com seu jeitinho insolente e me conquistou de forma arrebatadora, mesmo por Tânia eu não fui capaz de nutrir tal sentimento com tanta rapidez. Eu demorei anos para dizer que a amava e com Bella eu demorei menos que uma semana, ama-la era algo que eu tinha certeza, era fácil como respirar. E então eu achei que sim, era possível eu ser feliz de novo e Bella me mostrou isso com seu sorriso.

Eu passava todo o meu tempo pensando na família que perdi, e na família que eu havia afastado, ambas por culpa minha, mas desde que Bella entrou em minha eu passava menos tempo pensando neles e mais tempo imaginando suas próximas ações.

E quando ela disse que me amava, descobri que também a amava. E quando fizemos amor foi tão... Não havia palavras para se descrever, nunca senti nada igual como o que senti com ela.

Eu me sentia leve e feliz como há muito tempo não me sentia. Eu a havia levado para um passeio e quando voltamos vi policias rodeando a área, um medo avassalador me tomou.

Se eles a estivessem procurando e a levasse para longe de mim? Não isso eu não permitirei de forma alguma. Mandei ela se esconder no pequeno porão e fui ter com os policias.

–Aconteceu algo? –perguntei para um deles, ele era alto e bem grande.

–Estamos fazendo buscas aqui na região. –ele me disse.

–E o que exatamente vocês estão buscando? –eu já sabia que era a minha Bella, mas nesse momento manter a calma era a melhor coisa a se fazer, eu não poderia demonstrar medo de forma alguma.

–Uma garota. –disse o policial. –Ela esta desaparecida há pouco mais de uma semana, saiu para fazer compras e nunca mais voltou, seu carro foi encontrado próximo à floresta de Forks e estamos fazendo buscas agora. –disse ele. –Espere um momento. –e ele foi na direção a outro policial que lhe entregou algo.

–Essa é a garota, seu nome é Isabella Swan. –disse ele me mostrando uma foto de minha Bella. Ela estava abraçada a duas pessoas que eu conhecia muito bem, Emmett e Alice, me senti emocionado ao poder ver meus irmãos e ver como eles estavam saudáveis e felizes. –Você é morador daquela cabana não é? –ele me perguntou.

–Sou sim. –ei disse dando de ombros.

–E por acaso não a viu andando por aí?

–Não. –eu disse. –E olha... Se ela realmente se embrenhou nessa floresta... Há lobos aqui durante a noite. –eu disse.

–Entendo. –disse ele. –Mas os pais dela exigem que continuemos fazendo as buscas até encontrar algum tipo de prova, de qualquer tipo. –disse ele.

–Se eu puder ajudar em algo. –me ofereci.

–Entraremos em contato, muito obrigada mesmo assim. –disse o policial e voltei para minha cabana.

Fiquei espiando os carros se afastarem um por um e quando todos já haviam ido embora suspirei aliviado. Não foi dessa vez, mas uma hora Bella e eu teríamos que encarar o mundo la fora, eu só queria curtir um pouco mais com a minha garota antes de termos esses tipos de problemas em nossas vidas juntos. Eu teria que contar a ela tudo sobre mim primeiro, antes de dar qualquer passo a mais.

–Bella, os policiais já se foram. –fui até o alçapão que dava entrada ao porão e a chamei. –Já pode subir amor.

Ouvi-a se movimentando e quando a vi subir ela estava de cabeça baixa.

–Esta tudo bem amor... –eu disse indo consolá-la pelo que quer que seja que ela estivesse triste.

–Não me toque. –disse ela se afastando a olhei espantado. Ela andou até a cama sentando-se e jogou um papel em cima da mesma.

Foi com choque que percebi o porquê de sua magoa. Era uma foto minha e com minha com meus pais e irmãos.

–Eu não queria que você descobrisse dessa forma, eu ia te contar. –eu disse.

–Você não confiou em mim para isso. –disse ela. –Eu te contei tudo sobre mim e você não confiou em mim. Você achou que eu faria o que? Que eu te julgaria por ser irmãos de meus amigos e...

–Não é nada disso amor. –eu disse. –Me deixa explicar. –eu supliquei me ajoelhando em sua frente e ela acenou pedindo que eu prosseguisse. –Eu cresci em meio a muito amor e alegria, eu tinha a família perfeita. Pais que me entendiam e que me apoiavam incondicionalmente em minhas decisões. Os irmãos mais perfeitos e alegres que alguém poderia pedir. Então conheci Tânia logo após terminar a faculdade, namoramos por alguns anos e nos casamos. Tivemos filhas perfeitas com elas. Nossa família era a imagem da perfeição e felicidade, tudo o que eu sempre pedi. Uma família igual a que meus pais construíram.

"Mas então eu as perdi. Tentei viver por um tempo com meus pais depois. Mas ver o olhar de pena deles toda vez que me olhavam, saber que eu havia fracassado como pai e marido, coisa que meu pai nunca havia feito... Eu não queria receber olhares de pena. Eu amo minha família, demais, mas saber que eles sofriam por mim tornava a minha dor milhões de vezes pior.

"Então... Eu vim para cá, meu pai havia adquirido essa cabana para passar as férias, eu a conhecia desde menino. Era o único lugar que me fazia me sentir longe de tudo. E então você apareceu. Você me tirou a paz, me perturbou, mexeu comigo, me atacava durante a noite... –ela deu uma risadinha bufada nesse momento. –E menos de uma semana em sua presença foi o suficiente para saber que eu encontrei o amor da minha vida.

"Eu te amo me perdoa?"

–Não tem o que perdoar. –disse ela. –Eu é que tenho que me desculpar por mexer em suas coisas, fui uma enxerida e intrometida.

–Amor tudo o que é meu é seu. –eu disse. –Meu coração é seu, inteiramente.

–O meu também é seu. –disse ela se jogando em meus braços. A abracei forte contra meu peito.

Eu havia desabafado tudo, tirado todo o peso de minha consciência, eu havia lavado a alma naquele dia e só havia uma pessoa a quem agradecer.

–Obrigada. –sussurrei em seu ouvido, ela se afastou um pouco para me olhar e então sorriu.

–Não há de que. –e então ela voltou a me beijar, era sempre incrível a sensação de seus doces lábios nos meus.