REENCONTROS
"A pintura deve parecer uma coisa natural vista num grande espelho".
Leonardo Da Vinci
A formatura aconteceu em um dia excessivamente quente de verão. Eu não estava presente, tampouco Itachi ou qualquer parente distante da qual eu não fazia questão alguma de me lembrar. Nem você.
Eu e Naruto acordamos naquele dia e fizemos nossas malas – que estavam mais para mochilas abarrotadas de coisas -, e fomos embora da faculdade formados, com empregos esperando por nós no mundo lá fora. Mas nenhum de nós dois queria continuar amarrado a uma rotina, com um monte de papéis em uma mesa a nossa frente e cuidando de casos e mais casos em tribunais de pessoas que nós sabíamos que eram culpadas, mas que tínhamos que inocentar. Não, essa não era a vida que nós queríamos para nós pós-faculdade. Então nós juntamos algum dinheiro cada um, algumas roupas em uma mochila, fizemos um passaporte e fomos viajar por aí.
Passamos por vários lugares da Europa para começar, depois os principais pontos da África e seguimos pela Índia até chegar ao Japão. Em uma etapa da viagem Naruto se encrencou com alguns homens que estavam jogando dados, e tivemos que dar metade do nosso dinheiro e alguns socos antes de podermos seguir viagem pacificamente. Brigas, inimizades e mulheres foram as principais coisas que nós conseguimos nas nossas viagens. Voltamos subindo através da América do Sul e Central e, então, para a selvageria da cidade grande.
Eu e Naruto conseguimos apartamentos em lugares não muito longe um do outro e conseguimos empregos no mesmo escritório de advocacia. Um dos escritórios mais importantes da cidade e que atende, inclusive, as Empresas Uchiha e Hyuuga. A rotina, infelizmente, se instigou em nós rapidamente e, aos 25 anos, eu não estava nem um pouco satisfeito com a minha vida.
Até que voltei a vê-la.
Era um fim de semana como qualquer outro e eu não fazia idéia do que fazer, já que Naruto estava mais do que ocupado indo passar esses dois dias com uma das namoradas dele. Era inverno e ela tinha uma casa de praia em Barbados. Sorte a dele, fugir do frio incalculável dos invernos da nossa cidade, especialmente da parte movimentada dela onde morávamos agora, em que a maioria das moradias eram prédios de apartamentos e condomínios fechados de casas iguais. Uma das coisas que eu e Naruto tivemos em comum, mas só por um tempo, foi o fato de nunca termos encontrado namoradas fixas por mais de três semanas durante a faculdade e depois, até você reaparecer. Eram garotas que ficávamos somente para nos satisfazer sexualmente ou eram longos períodos de abstinência. Naruto me contou que, depois de terminar com você antes do Baile, ele tinha ido até lá e transado com Sakura. Eu não gostaria de te contar isso, Hinata, mas será que faz sentido continuar mentindo agora? No fim da história não há motivos para segredos.
Não, quem eu encontrara naquele final de semana não era você. Estava nevando de leve, alguns flocos estavam presos no meu cabelo e, mesmo com luvas e as mãos dentro dos bolsos do sobretudo, eu continuava pensando que os meus dedos iam ficar roxos e cair se eu não conseguisse chegar até em casa ou na cafeteria depois do parque que eu estava atravessando. As dali eram lindas, apesar de ser um lugar menor que o St. Louis Park onde costumávamos brincar quando crianças e, sim, você foi o principal motivo de eu ter pagado mais caro por um apartamento em frente a esse parque. Eu acabara de retirar minhas mãos dos bolsos e soprava-as quando eu ouvi uma voz que eu não ouvia há muito tempo, desde a época do colegial.
- Sasuke! Não acredito que é mesmo você! - era a voz de Sakura e, por hábito, eu virei para vê-la vindo em minha direção. Ela se aproximou sem que eu tivesse dito nada, estava com uma calça, de alguma marca que eu não fazia questão de conhecer, preta, um casaco vermelho e uma gola rulê rosa saia dele se enrolando no seu pescoço. Trazia uma bolsa nos braços e sorria largamente. Seu nariz e bochechas estavam vermelhos. Ela estava diferente da época da escola, mais mulher, com o cabelo mais cuidado e parecendo mais madura. Aparências enganam - Como vai?
- Oi, Sakura - respondi primeiro, voltando a andar, pois eu sabia que se o fizesse ela me seguiria e, se fosse para agüentar Sakura, eu podia muito bem fazer isso em um lugar quente e não congelando no meio do parque que me lembrava você - Vou bem.
- Ah, eu estou muito feliz em ver você! Pensei que tinha confundido quando vi você passando, mas é quase impossível confundir seu cabelo! - ela continuava exclamando toda animada enquanto eu saia do parque para o café perto de casa. Precisava urgentemente de algo quente.
- Você também é bem difícil de se confundir.
- Obrigada - ela sorriu enquanto entrávamos e dávamos nossos casacos para o atendente da porta guardar no armário da entrada. Escolhi uma mesa no canto e sentamos um de frente para o outro. Já me sentia bem melhor simplesmente por estar em um lugar quente, quando meu café chegasse não seria mais uma missão impossível agüentar Sakura por uma hora ou um pouco mais.
"Na verdade" pensei "Transar com Sakura mais uma vez não vai fazer diferença" e ativei o que Naruto chamava de Efeito Sharingan, em que meus olhos ganhavam um brilho rubro sedutor.
- Eu encontrei Naruto há umas duas semanas e ele disse que vocês moravam por aqui, mas nunca pensei que iríamos nos encontrar desse jeito - ela continuava sorrindo, devia estar mesmo feliz por me ver e por eu, aparentemente, ter guiado ela para um café - Não consigo ver você de terno, acho que um uniforme de basquete cai melhor.
Eu sorri e me encostei na cadeira confortavelmente, os olhos apertados, mas, de alguma forma, ela só continuava sorrindo sem demonstrar reações aos meus olhares. A atendente chegou com o bloco de notas em punho e anotou um café com leite para Sakura e um café com caramelo pra mim. Não se demorou.
- Aposentei o basquete - disse a ela.
- Sinceramente, com esse físico, não parece - ela inclinou-se para frente colocando os dois braços na mesa, os olhos apertando-se perigosamente.
-O que você anda fazendo? - desviei o assunto. Se interessar pelo que ela estava fazendo era uma técnica que eu tinha descoberto ser bem eficaz; mulheres adoram quando fazemos perguntas sobre elas. Não funcionou com você e eu me senti frustrado, mas depois eu me lembrei que você era a única mulher que eu tinha conhecido que não gostava de ficar em evidência.
- Sou médica, trabalho no Hospital Geral – respondeu, sorrindo de novo.
"Será que essa mulher não vai mais parar de sorrir?" pensei quando os seus dentes alvos ficaram a mostra.
Nossos cafés chegaram, já estava mais do que na hora. Peguei-o e os meus dedos, ainda gelados, agradeceram imensamente. Bebi e agradeci mais uma vez. Eu adoro o inverno, com todas as minhas forças, simplesmente pela sensação gostosa que é se esquentar durante essa estação. Bem, e por algumas outras razões.
- E estou saindo com Sai - ela completou.
Não sei o que me fez fechar a cara depois dessa frase. Estou mentindo, na verdade eu sei mais que bem o que me fez fechar a cara. Detestava a lembrança que eu tinha desse sujeito com todas as minhas forças e você já deve estar imaginando o porquê, Hinata. Veio em minha cabeça naquele momento não a imagem de Sai com Sakura, mas a lembrança dele com você e o meu sangue ferveu. Eu sei qual é esse sentimento perfeitamente e não fiz questão alguma de esconder naquele momento. Era o mais puro e filtrado ciúme.
- Sério? - perguntei sem interesse algum. Agora sim aquele jogo ficaria mais interessante.
- Há uns dois meses.
- Que bom pra você - eu coloquei o copo de café sobre a mesa e tirei algum dinheiro do bolso - Tenho que ir.
- Já? Mas as coisas ainda nem ficaram interessantes - ponto. Eu tinha atiçado ela o suficiente. Então eu só sorri e puxei uma caneta do bolso do avental de um dos atendentes que vinha passando. Arranquei do suporte no centro da mesa um guardanapo com o símbolo do café e escrevi o meu endereço.
Vire a esquerda na esquina do café, prédio 5877, 14° andar, ap. B.
Ela pegou o guardanapo sorrindo e eu deixei o café. Eu sabia o que aconteceria a seguir e, mesmo eu estando com muita, muita raiva de mim mesmo por tê-lo feito e por estar te contando, Hinata, como eu já disse no fim da história mentiras não são mais necessárias. Virei a esquina como tinha ensinado Sakura a fazer e segui sem pressa até o prédio de número 5877. Abri o portão automático com a minha chave, mas não o travei de volta, apenas encostei. O porteiro já sabia o que isso significava.
- Tirou a sorte grande, mestre Uchiha? - ele dizia sorrindo. A todos os inquilinos homens ele chama de "mestre".
E eu não disse nada. Apertei o botão do elevador que se abriu pouco tempo depois, deixando no térreo uma senhora que morava no primeiro andar. Eu sorri pra ela, mas ela continuou rabugenta passando por mim e pelo porteiro sem dizer nada. Entrei no elevador e demorei uns segundos para apertar o botão do 14º andar. E o meu sorriso de canto se alargou minimamente quando vi o portão abrindo e batendo, a senhoras moradora do primeiro andar xingando quem quer que fosse e, quando as portas do elevador estava a três centímetros de se fechar uma mão deslizou para a abertura, as unhas de dedos longos e finos vinham bem cuidadas e pintadas singelamente.
- Sobe? - ela perguntou com um sorriso, mais um dos vários que ela me lançou naquele dia e nos dias que transamos.
Eu dei um passo para o lado e deixei que ela se colocasse ali. A senhora do primeiro andar nos lançou uma reprimenda com o olhar do seu lugar perto do portão e o porteiro me fez um sinal de jóia. Assim que as portas se fecharam, a rósea rodeou seus braços no meu pescoço, eu segurei sua cintura com as duas mãos e começamos as preliminares no elevador mesmo.
Tudo só foi terminar três semanas depois, com Sakura surgindo regularmente em meu apartamento depois do expediente com uma garrafa de vinho ou já estando lá, vestindo uma das minhas camisas, um cheiro bom vindo da cozinha que eu ia descobrir sempre ser uma pizza de calabresa. Para a infelicidade dela, que esperava que tudo voltasse a ser como era entre nós na época do colegial, tinha um sentimento dentro de mim que estava guardado, não esquecido.
O inverno estava entre o meio e o final, Sakura ainda estava vindo ao meu apartamento regularmente, mas havia deixado claro que não estava totalmente descomprometida com Sai e eu nem fazia questão de que ela estivesse, pois assim seria mais fácil de superar quando as coisas acabassem. Na verdade, não foram. Ela não agiu de maneira tão infantil como no colegial. Foi universalmente pior.
"Sasuke, sou eu. Você não atende mais o telefone, não, idiota? Olha, uma cliente me deu dois convites para uma exposição de arte, acho que ela achou que eu gostasse dessas coisas, mas como nos convites oferece também coquetel e jantar, achei que não faria mal a gente ir, se liga! Me responde logo e volta a atender o telefone, bastardo!".
Sempre gentil, Naruto. Não, eu não estava com vontade de ir nessa tal exposição, desde que não fosse sua eu não queria ouvir falar de arte e estava decidido a esquecer esse assunto. Até Sakura chegar, lá pelas onze, e se juntar a mim no sofá da sala onde eu estava esparramado vendo um filme que eu já havia assistido.
- Vamos sair, Sasuke - ela sempre começava as frases assim, não como perguntas, como propostas que os integrantes de um relacionamento usam como forma de se respeitarem. Ela prefere, simplesmente, impor suas vontades - Uma exposição de arte.
- Não.
- É uma exposição do Sai, Sasuke, e de outros artistas do grupo dele - ela deslocou o indicador de unha curta para o meu peito e começou a deslizar por ali, fazendo círculos e ziguezagues.
Eu não aceitei imediatamente, não sou de dar o braço a torcer simplesmente porque eu agora poderia ir até o mesmo lugar que o namorado oficial de Sakura estava para poder pôr os olhos nele e saber como era estar com as minhas sobras. Eu não gostava de Sai desde que ele tocara em você e sabia que a língua descabida dele faria o favor de dizer isso na primeira oportunidade, mas agora eu também tinha um ás na manga. Adoro, até hoje, ter ases nas mangas.
- Naruto também vai - decretei. Não importava, para ela, quem iria ou não, o importante é que ela queria que eu fosse para, mesmo junto de Sai, não tirar os olhos de mim, como uma provocação deliberada para o namorado que, se eu tinha conhecido o suficiente naquele pouco tempo em que estudou conosco, não esboçaria reação.
Ela retirou as mãos de sobre o meu peito e colocou-as por baixa da minha camiseta, acariciando-me a barriga e depositando beijos no meu pescoço. Eu sabia o que ela queria, definitivamente era fácil de decifrar. Depois do sexo, enquanto ela dormia no tapete da sala, eu me levantei e pesquei a cueca e o telefone de cima da estante indo até a cozinha. Lá fora já era noite alta e nevava, logo a madrugada traria suas cores escuras ainda mais acentuadas. Disquei no menu automático o número de Naruto que caiu na caixa postal depois de três toques.
"Desliguei o telefone para que você não fique ligando tantas vezes aqui, imbecil. E eu vou com você nesse tal coquetel de arte. Me entrega o convite amanhã".
Estava feito.
Naruto e eu chegamos ao salão onde estava acontecendo a exposição levemente atrasados. Ele ficou reclamando que eu demorava demais para me arrumar quando, na verdade, fora ele quem ficara tempo demais no meu banheiro bagunçando os fios de cabelo do jeito que, se me lembro bem, você gostava.
Dentro do salão de eventos haviam quatro outras salas ligadas por grandes passagens em arco. Tudo era maravilhosamente iluminado. Todas as pessoas estavam bem vestidas, com vestidos formosos e ternos impecáveis. No salão do meio era onde estavam colocadas as estatuetas e esculturas em exposição, à direita estavam dispostas mais duas salas onde ficavam as pinturas e à esquerda havia a quarta sala com sua entrada em arco tapada por uma grande cortina cor de champanha e dois garçons bem vestidos.
- Se liga, quando é que começa o jantar? - perguntou Naruto ao meu lado enquanto circulávamos pelas estatuetas. Pegamos duas taças de champanha quando passamos pelo arco que levava as salas das pinturas.
- Cale a boca e aprecie e arte, Naruto - respondi impaciente. Meus olhos circulavam o salão procurando algum sinal de cabelos rosados ou de uma face sem expressão. Não foi bem isso que eu encontrei.
- Sasuke Uchiha? É mesmo você? - perguntou Kiba. Impossível esquecer as marcas vermelhas em suas bochechas. Ele estava de terno, uma visão peculiar para quem vivia com aquele casaco cinzento de pêlo de lobo. Caminhou alguns passos até nós - E é você, Naruto?
- Kiba! - respondeu Naruto dando um de seus sorrisos calorosos - Cadê o Akamaru?
- Ah, ele não pode entrar em eventos assim. Esperem um pouco! - ele olhou por cima do ombro até encontrá-lo - Hei, Shino, olhe só, Naruto está aqui!
A figura negra, e maior do que eu me lembrava, de Shino se aproximou de nós. Seu terno era todo preto, sem nenhum vestígio de amassado como o de Naruto ou de algum pêlo indesejado como o de Kiba, e vestia uma blusa de gola alta também preta por baixo. No rosto, como sempre, trazia os óculos escuros, os de agora mais sofisticados que os de quando adolescente. A minha teoria era a de que aqueles óculos estavam fundidos com o rosto dele e eu me lembro que, quando comentei isso com você, você me disse que já o tinha visto sem óculos. Quase desmaiei naquele dia!
- Isso é alguma reunião de ex-alunos? - eu me lembrava daquela voz, tinha certeza de que lembrava, mas não sabia de onde. Todos os quatro se viraram para ver a figura esbelta e loira de Ino Yamanaka, com um vestido longo arroxeado, parada a nosso lado, um batom carmim nos lábios e os cabelos compridos soltos.
Porque mesmo que eu tinha escolhido transar com a Sakura ao invés da Ino? Ah, é mesmo, eu tinha visto Sakura primeiro. Ela sorriu com seus dentes branquíssimos para nós e deu um beijo rápido no rosto de cada um, sem deixar marca de batom. Apoiou a mão direita no ombro esquerdo de Shino e olhou para mim e Naruto.
- E como é que vocês estão, Naruto? Sasuke? - seus olhos de safira esquadrinhando a ambos.
- Ah, ta tudo bem! - e Naruto começou a falar sem parar com os quatro. Ino não parecia dar uma atenção especial para ninguém além de Shino e eu já tinha percebido que ela não era mais uma mulher disponível no mercado quando a mão dele foi de encontro à cintura dela. Diferente de Sai, por Shino eu tinha certo respeito, e me mantive sóbrio sem usar o Efeito Sharingan até eu ver Sakura e Sai entrando no salão.
Estavam de mãos dadas. Ele usava um terno cinza com uma camisa azulada por baixo e Sakura vinha com um vestido perfeitamente branco e imaculado e que, eu notei, teria de ser rasgado hoje mais tarde, pois tinha inúmeros cordões entrelaçados nas costas. Ele cumprimentava muitas pessoas que eu não fazia idéia quem poderiam ser, mas também não era importante. Os olhos esmeraldinos de Sakura tinham se fixado nos meus e ela já vira a aglomeração de seus antigos colegas de sala por ali. E, por um segundo, eu vi um brilho estranho passar por seus olhos. Eu sei que, se tivesse sido em seus olhos que esse brilho tivesse passado, Hinata, eu teria decifrado o que era. Mas não eram os seus olhos e eu começava a ter a impressão de que nunca mais seriam.
- Boa noite - disse Sakura quando se aproximou com Sai.
- Sakura! - exclamou Naruto sem perceber as mãos entrelaçadas dela com o artista - Quanto tempo!
- Oi, Naruto - ela sorriu amigavelmente, tanto para ele quanto para todos os outros, olhando-os nos olhos. Não chegou até mim esse sorriso amigável.
- Tudo está muito bonito, Sai - disse Ino - Você fez um ótimo trabalho.
- Não fui só eu, na verdade muito pouco daqui é meu - ele respondeu francamente.
- Mas, mesmo assim, lindo!
- Quem é o artista, então? - perguntei.
- Será apresentado no jantar - Sai respondeu me sorrindo, um de seus sorrisos em que seus olhos se apertavam tanto que era até engraçado.
- É? E quando começa? Eu to morrendo de fome! - Naruto não conseguiu repreender um resmungo alto de sua barriga e todos se colocaram a rir, menos eu e Shino.
A conversa continuou animada por parte deles, eu e Shino falávamos pouco, isso quando falávamos. Acho que esse é mais um motivo de respeitar Shino, ele sempre foi um pouco parecido comigo. E me ajudou, não tanto quanto Naruto, mas ajudou quando eu precisei, depois de todos esses reencontros e desencontros. Os tempos de escola eram mencionados ocasionalmente, mas o assunto sempre era desviado. Não entendi bem essa parte, mas não me dei ao trabalho de ficar preocupado. Sai da roda por alguns minutos a fim de observar os quadros e as outras pessoas, assim como também as estatuetas. Já era a quarta taça de champanha - que eu levemente desprezava por ser fraca demais - quando um garçom saiu de trás da cortina e anunciou:
- O jantar será servido em instante, queiram, por favor, se dirigir para suas mesas - e os dois que estavam postados nas laterais do arco puxaram a cortina revelando o maior dos salões onde estavam colocadas inúmeras mesas redondas, as toalhas da cor da cortina, vários tipos de talheres e, pelo menos, três tipos de taças. Nenhum prato.
Naruto me alcançou, mas passou por mim querendo servir de guia para alguma mesa. Vi Sai passando também, mas sem Sakura. Até que notei que ela estava ao meu lado enquanto atravessávamos o salão das estátuas.
- Vou sair daqui por volta da meia-noite, te encontro no seu apartamento - e seguiu para a mesa de Sai, perto de um palco improvisado. Eu fui me sentar com Naruto, Ino, Shino e Kiba e ainda deixamos uma cadeira sobrando. O jantar não seria servido imediatamente, para dissabor de Naruto, que estava morrendo de fome, como queria deixar claro para todas as pessoas do salão.
As luzes diminuíram sobre as mesas e a luz de um holofote que eu não fazia idéia de onde vinha estava concentrada num microfone disposto no meio do palco. Dos dois lados havia cavaletes com, provavelmente, pinturas cobertas por panos escuros. Sai levantou-se e seguiu até o centro do palco, se colocando diante do microfone. O salão silenciou e eu vi, com o canto do olho, Kiba se mover, excitado.
"Ele é gay?" perguntei-me mentalmente.
- Eu sei que é meio chato vir a exposições de arte - ele começou fazendo a platéia rir levemente, mas sua expressão se mantendo inalterável - E nem por uma boa causa é, como dar dinheiro para as crianças da África, mas obrigado por aparecerem - eu vi Ino, a minha frente, bater com a mão na testa, indignada - Essas obras aqui atrás de mim serão as únicas peças disponíveis para o leilão após o jantar.
Sai retirou o pano de sobre a primeira e era uma imagem clara, como se fosse uma lembrança, uma lembrança que eu também compartilhava. Era uma árvore frondosa com um garotinho sobre ela sentado em cima de uma bola de basquete, as feições do rosto indistinguíveis, mas os cabelos eram negros. E uma menininha de costas, um vestido vermelho de girassóis e um chapéu que cobria seus curtos cabelos, também com um girassol. Na segunda tela havia duas sacadas e em ambas dava para ver as portas abertas, que levavam para dentro de quartos. O quarto da esquerda trazia um garoto de cabelos loiros esparramado em um saco de dormir e na sacada desse quarto vinha um menino, pijama azul, encostado na sacada. No quarto da direito podia ser visto uma garota de cabelos róseos dormindo e em pé na saca vinha uma menina de pijama lilás, encolhida, corada.
- Quero apresentar-lhes agora a artista por trás dessas obras, Hinata Hyuuga.
Eu me senti congelar no mesmo lugar, senti todo o meu passado, toda a saudades, toda a alegria misturadas me deixarem estático no mesmo lugar, sem conseguir nem piscar nem desviar os olhos para tentar me convencer de que aquilo não era um sonho.
No outro lado do salão eu vi você se levantar, o holofote seguiu até sua mesa. Neji estava lá, assim como uma muito crescida Hanabi. A franja novamente comprida demais, caindo sobre seus olhos. Vestia um vestido preto, mas com a parte de cima coberta por um tailleur azul escuro, sóbrio o suficiente para uma noite como aquela. Kiba, ao meu lado, colocou seus dois indicadores da boca e soprou com força um assovio que, mesmo de onde eu estava, vi você sorrir e corar enquanto subia no palco e se colocava atrás do microfone.
E, mais uma vez na nossa história, eu vi você brilhar. Não era a primeira vez, não seria, não será a última, Hinata. Isso eu posso jurar.
- Boa noite - você falou. Baixa, lentamente, mas de um jeito confortável de se ouvir, diferente daqueles oradores que não sabem entreter e que falam tão baixa e lentamente que te fazem querer dormir. Eu só queria te ouvir mais, assim como a platéia ansiosa. Mas o meu motivo era puro amor e pura saudade. Olhando para você, com o universo de emoções brincando no meu peito, eu me perguntava como tinha aceitado, como tinha conseguido ficar longe de você tanto tempo. Eu deveria estar em alguma espécie de sonho ou de hipnose - Gostaria... De agradecer a todos por... Estarem aqui e dizer que, na verdade, é, sim, por uma... Boa causa - você fez uma pequena pausa em que sorriu, envergonhada, desconfortável com toda aquela atenção. Eu queria que você me visse, mas você tinha me dito uma vez que detestava ter que subir em palcos, em qualquer que fosse, porque nunca conseguia enxergar a platéia e era como se houvesse um holofote eterno em frente a seus olhos quando colocava os pés no palco - É em prol do Museu de Arte. Por favor... Apreciem o jantar.
E o holofote se apagou enquanto você fazia uma reverência com a cabeça e se apressava em deixar o palco e voltar a se sentar encolhida e quieta em sua mesa ladeada por Neji e Hanabi. Kiba soltou mais alguns assovios em meio aos aplausos alucinados. Se tem uma coisa que eu sei que as pessoas que vão a eventos com jantares gostam é de discursos curtos e precisos. E você sabia fazer isso. Com muito esforço, enquanto os garçons começavam a circular trazendo nos braços bandejas com seis pratos para os seis ocupantes de cada mesa, eu me contive sentado. O que queria fazer era ir até você, tira-la daquele salão apertado e levá-la comigo para qualquer lugar, qualquer mesmo, em que pudemos ficar sós, nós dois, e ninguém nos encontrasse nunca mais. Mas eu só esperei, sentado naquela cadeira, deixando os pratos que eram postos e tirados da minha frente quase intocados, e bebericando champanha.
- Se liga, quase não acreditei que aquela era a Hinata! - disse Naruto entre um prato e outro. O rumo da conversa despertou meu interesse - Vocês estão juntos, Kiba?
- Não - ele disse, animado - Somos amigos, como sempre. Ela não namora ninguém desde que vocês terminaram.
- Sério? - Ino confirmou com a cabeça, já tinha terminado seu jantar, assim como Shino, e estava meio encostada nele - Cara, coitadinha! Eu causei muito impacto na vida dela!
- Aposte nisso - disse Shino, irônico, mas sem expressar nada. Naruto não ouviu, mas não parecia que ele tinha se dirigido a ele. Eu sentia, por trás daqueles óculos, seus olhos em mim.
- Depois eu vou até lá e falo com ela, se liga! - e se calou devorando o último prato.
Eu sorri de canto, convencido por saber qual era a razão dela não ter ficado com nenhum outro homem, mas imediatamente deixando o sorriso morrer quando algumas pessoas começaram a circular pelo salão indo para outras mesas. Uma dessas pessoas foi você e antes de eu ir ao seu encontro, você parou na mesa em que estavam Sai e Sakura e conversava, na medida em que seus gaguejos e pausas permitiam, mas ouvindo que falando, animadamente com ambos. Sakura sabia. Um ódio repentino acumulado em meu peito explodiu, mas ficou controlado no meu interior, seria devidamente descontado no momento certo.
Tentei não pensar nisso, embora meus olhos estivessem concentrados o tempo todo em você. Em um instante, quando Sakura olhou para mim, uma luz brilhou na minha cabeça. Como diabos eu podia estar transando com Sakura e desejando Ino quando eu tinha você? Como eu podia, por um momento, deixar minha esperança de voltar a vê-la desvanecer? E me senti mal. Mal como não me sentia desde a nossa separação durante o colegial, minha separação do "nós". Era como se a história estivesse se repetindo, mas com uma mudança sutil. Agora os sentimentos entre nós eram claros e eu rezei, realmente rezei, para que eles não tivessem mudado.
Não demorou para o jantar terminar e Sai voltar para sobre o palco, em frente ao microfone. Agora começaria o leilão dos seus quadros que eram a representação perfeita das nossas lembranças juntos. Perguntei-me se você queria vender suas memórias ou disseminar nosso passado. Mas, talvez, você as pintara para sufocar com imagens a saudade. Garçons traziam as bandejas contendo pequenas plaquetas brancas com números pretos impressos nelas. Eu me apossei de uma, Shino de outra, mas foi surrupiada por Ino e Kiba de uma terceira. Quando todos no salão estavam abastecidos com suas próprias placas, o leilão teve inicio. Notei quando você se ajeitou na cadeira, Hanabi tinha uma placa e Neji outra. Você se curvou para conversar com seu primo quando Sai começou a falar.
- Por favor, senhoras e senhores, estejam com suas placas a postos - ele sorria aquele seu risinho que fazia seus olhos sumirem em uma risca - Lembrando que os lances serão feitos em dólares - e ele começou o leilão. O leiloeiro atiçou a platéia, animado. Não lhe dei atenção.
Eu não estava interessado no quadro intitulado "Pela Sacada ao Lado", que era aquele da nossa memória da única festa do pijama que ambos fizemos na vida. Não. Meu interesse e a pela nossa lembrança mais remota. Aquele quadro seria meu. O leilão continuou, animado. Vez ou outra Ino levantava a placa ou até mesmo Shino e Kiba estavam empolgados, levantando até que o preço ficou estufado demais para que seu salário de veterinário pudesse pagar. Sakura levantou sua placa algumas vezes e, das pessoas que eu estava observando, Neji foi o único que não deu lance algum. Por fim o quadro foi vendido para uma senhora muito bem vestida. Tanto você quando tal senhora se levantaram, uma em cada canto do salão, e fizeram reverências.
Agora sim era minha chance. Deixei os lances se iniciarem, Neji agora levantava constantemente a sua placa, Ino e Shino não tão constantemente assim, Kiba estava mais animado. Eu levantei minha placa uma ou duas vezes sem querer parecer interessado demais.
- Kiba - chamou Shino em tom de alerta quando o valor passou de 5.000 dólares.
- Não se preocupe, Shino. Esse é o quadro favorito da Hinata, eu ou Neji vamos conseguir pra ela.
- Porque ela pôs esse quadro a leilão se é o seu favorito? - Ino tirou as palavras da minha boca.
- Ela não teve escolha. É o seu favorito, mas o seu melhor - quem respondeu foi Sakura. Ela tinha abandonado sua mesa e tinha vindo ocupar a cadeira vaga da nossa. Lançou-me um olhar venenoso e convencido, como se tivesse vencido alguma aposta que não tínhamos feito. Olhou para o palco e levantou sua placa quando o leiloeiro anunciou 10.000 dólares.
E foi aí que eu não consegui mais conter minha raiva. Kiba parou de dar lances quando essa quantia foi anunciada, mas Neji continuava assim como Sakura. Se eu não a conhecesse juraria que ela tinha lido meus pensamentos sobre querer aquele quadro. Mas eu não apostava nisso. Meu olhar fez Sakura se encolher e tirou o seu olhar vitorioso da face. Eu fechei a cara a partir daquele momento e nunca me amaldiçoei tanto quanto naquela noite, juro para você, Hinata. Até aquele momento eu não tinha me dado conta, mas eu sabia o que Sakura queria. E era se vingar daquele vergonhoso término de namoro pela qual eu a submetera no colegial. Foi naquele dia que eu entendi como a mágoa de uma mulher pode durar séculos.
- Temos 27.000 dólares, quem se dispõe a mais? - levantei minha placa - 30.000? Temos 30.000! - Sakura cessou sua disputa - 35.000, senhor? Mais algum lance? - a disputa se colocou entre Neji, eu e mais um senhor, cabelos brancos e uma expressão solitária - 40.000! 45.000! 50... 60... 75.000! Senhoras e senhores, temos apenas mais dois leiloeiros na disputa!
- O que é que você está fazendo, Sasuke? - Naruto me perguntou, os olhos arregalados. Eu só me sentei mais confortavelmente na minha cadeira, estiquei uma perna que ameaçava ficar dormente e sorri de canto.
- Estou comprando um quadro.
- Muito bem, estamos nos últimos lances, senhores - cantou o leiloeiro - Quem dá 80.000? Temos 80... 82.000! 85.000! 90.000! - os burburinhos no salão começaram, algumas vistas viraram-se para mim, mas a sua atenção estava dirigida para Neji, conversava com ele alguma coisa, a expressão aflita, mas ele parecia irredutível.
- Sasuke, porque você está fazendo isso? - perguntou Shino, a atenção de Ino estava em uma conversa balbuciada com Sakura, e Naruto e Kiba também conversavam entre si. Eu olhei para ele, seus olhos me queimando através das lentes escuras dos óculos. Eu sabia que ele sabia.
- Porque eu preciso - respondi.
- Você sabe que aquele quadro...? - ele não terminou a pergunta, eu sabia do que se tratava e concordei com a cabeça.
- É uma memória.
E ambos nos calamos. O leilão recomeçaria, mas antes disso o olhar cinzento de Neji caiu sobre mim, duro, inflexível, mas condolente. Eu não fazia idéia do que seu primo estava pensando quando me encarou e quando eu o encarei de volta. Só sabia que precisa continuar sustentando o seu olhar para que ele, de certa forma, pudesse entender como aquele quadro era importante para mim, apesar de ele o estar tentando arrematar por ser o quadro mais importante para você.
- Vamos continuar. O último lance foi de 90.000, quem nos dá 92.000? - Neji levantou a placa, logo depois eu também e ele de novo - Temos 98.000, quem nos dá 100.000? Senhores, alguém se dispõe? - olhei para Neji Hyuuga, mas ele abaixou sua placa colocando-a sobre a mesa e fechou os olhos. Você colocou a mão sobre seu antebraço e sussurrou um "Obrigada" para ele. Pela última vez eu levantei a placa.
- Vendido por 100.000 dólares para o senhor da placa número 57, meus parabéns! - vi você se levantando, o salão caiu em aplausos e eu também me levantei.
Os seus olhos de nuvem de inverno caíram sobre mim e você abriu levemente os lábios, assustada e surpresa. Seus olhos, mesmo de onde estava, eu vi, começaram a brilhar com lágrimas. Se de alegria ou de qualquer outra coisa, você nunca me disse. Eu coloquei a mão nos bolsos e te lancei um sorriso que, eu esperava, surtisse um efeito melhor que lágrimas. E surtiu. Você me sorriu de volta e curvou-se deixando os fios negros e precisando de um corte caírem por sobre seus ombros. Eu também me curvei e as pessoas aplaudiram novamente.
Não precisamos nos tornar a sentar, pois todas as pessoas começavam a se levantar e sair do salão. Ino e Shino se despediram dizendo que precisavam ir, nem iriam se despedir de Hinata. Sakura não me olhou quando voltou para perto de Sai, mas Naruto me olhou espantado, surpreso, confuso. Kiba ia em sua direção, e você vinha até mim, as bochechas vermelhas, ladeada de seu primo e sua irmã. Ele ficou a sua frente e você só o olhou e murmurou alguma coisa rapidamente antes de retomar a seguir o caminho, costurando entre as mesas, até mim.
- Sasuke... - Naruto começou, mas eu não lhe dei atenção. O olhei uma vez e não sei dizer o que ele viu, mas sorriu de volta tão alegremente quando não me sorria há tempos. Eu também não ficava feliz como fiquei aquela noite há tempos.
Quando Naruto se afastou indo para perto de Kiba e Neji, o sorriso ainda no rosto, eu sabia o que ia acontecer quando você veio ao meu encontro, o rosto corado, mas sorridente e brilhando. Sempre brilhando. Era difícil para mim não te achar uma estrela sempre que te olhava. Uma estrela tão brilhante que não me dava nem vontade de piscar para não perder nenhum momento do seu brilho.
E, como uma imagem familiar, você tacou seus braços ao redor de mim, enlaçando meu pescoço e eu envolvi sua cintura com força. Como era bom sentir você de novo. Eu me lembrei da promessa que eu fiz para você quando voltou das duas semanas de férias que você passou na casa de sua avó, com Neji, trazendo-o para morar com os Hyuuga depois. Era uma promessa de que eu nunca mais deixaria você ir embora para longe de mim de novo, mas eu deixei. Afundei o rosto na curva do seu pescoço, entre os fios do seu cabelo e respirei fundo seu perfume. Eu não sabia o que era aquele aroma, mas era de um perfume que você recolhera, um dia, dos pertences de seu pai, um perfume antigo que sua mãe usava. Mais tarde você me disse que tinha dado uma amostra daquele perfuma para um amigo perfumista e ele fizera um pequeno estoque para você dele. Eu gostei, eu gosto.
Mas não era nada disso. A imagem de que você vinha e me abraçava, que eu sentia seu calor novamente e seu perfume, eram apenas brincadeiras da minha saudade. O seu olhar era o mesmo de sempre, terno, emanando uma doçura que era impossível para um ser humano conter em seu coração. Mas em seus lábios não havia sorriso e nem em seus gestos havia qualquer vestígio de abraço.
- Sasuke - diferente de como sua voz ficava aguda a microfone, aquela voz que chegava a meus ouvidos e preenchia certas partes do meu cérebro me trazendo um prazer indescritível era diferente da voz que eu me lembrava. Era um pouco, muito pouco mais firme e ainda menos vacilante quanto eu gostaria.
- Olá, Hinata - e me senti um estúpido. Onde é que estavam todos os anos de aulas de etiqueta e aquele brilho rubro do Efeito Sharingan. Eu me senti um menininho de novo e fora eu, antes de todos, que te achara a garota mais pequenina e frágil de todos os tempos. Quem era o pequenino agora?
- Obrigada por comprar o quadro - o salão se esvaziava. Fora nossos velhos amigos, as pessoas iam saindo gradativamente, ansiosas por voltarem para casa e dormirem ou qualquer outra coisa que eu não estava interessado. Na sua frase eu senti que ainda éramos os melhores amigos - Você nunca se interessou, exatamente, por arte.
- Não o comprei pela arte - você sorriu e abaixou a cabeça trazendo as duas mãos para brincarem em frente ao corpo, uma torcendo os dedos da outra. E parecia estar autenticamente feliz - Mas talvez eu comece a me interessar mais, agora.
Em seguida você disse exatamente o que nós dois precisávamos.
- Seria um novo começo.
Tínhamos mudado, tínhamos ficado separados e machucados com essa ausência. Ainda éramos nós, Sasuke e Hinata, conhecidos e amigos há 20 anos. Mas as coisas para nós dois estavam sempre recomeçando, sempre indo e vindo. Nossa vida não era, nem de longe, um exemplo a ser seguido ou uma história que renderia um livro ou uma novela ou um filme. Não é nem uma história que eu me orgulharia em contar para meus filhos, mas além de ser uma história, são as nossas memórias e nossos sentimentos encerrados em palavras. Errávamos muito e acertávamos de vez em quando. Caíamos, levantávamos, tropeçávamos, seguíamos caminhos diferentes para lados diferentes que, de uma forma ou de outra, acabam dando no mesmo lugar. Éramos duas estradas em curva que se encontravam em muitos pontos. Aquele era mais um ponto, e eu estava disposto que a nossa estrada a seguir fosse junta e em linha reta.
Mas aquilo era um recomeço.
O que significava?
Mais curvas.
- Hinata - chamou Neji de longe. Ele e Hanabi já estavam quase na entrada em arco do salão, Naruto e Kiba a alguns passos deles.
- Preciso ir - você começou como um pedido de desculpas - Trabalho no Museu de Arte caso realmente se interesse.
E deu-me as costas com um sorriso seguindo em seus saltos até seus parentes. Eu sabia como seus pés deveriam estar latejando com aquelas sandálias de tiras fininhas, você vivia me dizendo que detestava usar aquele tipo de calçado, que um tênis ou um chinelo baixo eram muito mais confortáveis. Confirmei minhas suspeitas quando você se aproximou deles e disse alguma coisa olhando para seus pés.
- Sasuke, se liga, vamos pra casa! - chamou Naruto da porta. Eu fiquei perdido em minha cabeça e nem notara que o salão estava completamente vazio, os quadros haviam sumidos de cima do palco e os garçons recolhiam os utensílios das mesas. Na entrada o senhor leiloeiro pediu-me que desse meu endereço e que eu poderia entregar o cheque ou dinheiro, da forma que eu quisesse pagar, quando o quadro fosse entregue. Eu retirei meu talão de cheques do bolso e já o entreguei lá mesmo, sem perda de tempo. Ele me agradeceu e se retirou. Fomos os últimos a sair, eu e Naruto, com as luzes dos salões apagando-se e deixando as pinturas e estatuetas na escuridão. Do lado de fora caia a mais branca neve que alguma vez eu já vira caindo no centro da cidade e tudo estava frio.
Era o fim.
Olá!
Por favor, eu peço compreensão. Eu planejei muitas coisas para várias de minhas fics, mas eu precisei ir para muitos lugares ao longo desse mês e não pude fazer nem metade do que eu queria. Sinceramente, pelo perdão. Agora, com as aulas de volta na segunda-feira, as atualizações de todos os fins de semana estarão de volta.
Agradeço, infinitamente, a todas as pessoas que me deixaram reviews ou não, mas que eu sei que leram pelos hits. Obrigada a todos!
AGRADECIMENTOS:
Milia-chan, Maria Lua, Mathewz, Linie-chan, Drica, Marcy Black, Erica W.M., Tia-Lulu, Toph-baka, Susakekun, Sazame Hyuuga, Erika Simoes, Sú, Srta. NaTii, LiliiChan, Gabbi, Ketz, No Name-Chan, Lust Lotu's, Frutose, Amandy-san, Hanari, Nati, Hinatinha, Luana Ulchiha S2 Draco e Hinata.
Agradecimento especial a Kira 'Larry' por betar a fic já que Srta. Abracadabra está doente. Estimamos melhoras!
OBRIGADA POR LEREM!
Beijos, Tilim!
