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Chapter 14

O peso sobre seu ombro direito a fez despertar, sentindo os dedos formigarem. Abrindo os olhos com dificuldade, sentiu o gosto de sangue nos lábios e inclinou o rosto o suficiente para ver os fios loiros opacos. Levantou as sobrancelhas, um tanto surpresa. Quis mover-se, mas tudo ainda estava indescritivelmente dolorido. Deitou a cabeça mais uma vez, fechou os olhos e respirou fundo. Tudo cheirava a vômitos e às necessidades que ambas faziam no canto daquele mesmo quarto. Sentiu a garganta arder num pseudo riso ao lembrar-se da vontade de estar mais íntima da mulher que dormia em seu ombro. Certamente, não havia como ser mais íntima após tudo isso. Os olhos arderam em lágrimas não mais derramadas. Não havia mais como desabar. Moveu os dedos que ainda a incomodavam, formigando constantemente. Quis envolver o corpo surrado que lhe aquecia naquela hora, mas sentia-se suja e pesada. Estavam no quinto dia de cativeiro, mas nunca trocaram uma só palavra. Nunca as duas estiveram sem a fita nos lábios ao mesmo tempo e aprenderam a conviver entre olhares que inicialmente brilhavam em vergonha e aos poucos se tornavam complacentes e ternos.

"Maur?" – A voz caiu estranha em seus próprios ouvidos, fazendo-a passar a língua pelos lábios. – "Maur.." – Insistiu, mantendo um tom baixo suficiente para não chamar atenção de Hoyt, caso ele estivesse por perto.

A médica moveu-se e abriu os olhos rapidamente, visualizando e tomando conhecimento de onde estava. Engoliu seco, fechou os olhos com força e levantou a cabeça a fim de encarar a outra, que a olhava com um olhar em expectativa.

"Mhmm.." – Murmurou em resposta, ainda sonolenta. Piscou mais duas ou três vezes e desceu os olhos até os lábios cortados da detetive. – "Oh.." – Tocou a ponta dos dedos de leve, manchando-os de sangue, examinando os lábios em sua frente. – "I'm so –"

"Don't" – Jane interrompeu-a e balançou a cabeça, desviando o olhar para longe até caírem em um silencio predominante.

"It's good hear your voice once again." – A voz baixa saiu dos lábios de Maura, que mantinha os olhos abaixados, numa súbita timidez.

Os dedos calejados e finos tocaram o rosto da médica, fazendo-a fechar os olhos dando-lhe a ilusão de paz e calmaria. Jane arrastou o polegar pela face pálida, fazendo pequenos círculos na pele lisa.

"Você ainda parece tão linda, Maur.." – A rouquidão da voz da detetive não foi outra coisa além de sinceridade.

"I'm so scared.." – Maura confidenciou após outro tempo de silêncio, apertando os olhos e abafando o nó que se instalou mais uma vez em sua garganta.

"Sh.." – Jane finalmente envolveu o corpo da outra, trazendo e apertando-a contra si desejando poder fazer mais do que estava condicionada.


Oito dias desde que as duas mulheres haviam sido sequestradas. Não fora difícil concluir que Hoyt era o principal e único suspeito. Charles havia deixado claro, desde que fugira da prisão, que em algum momento ele voltaria por Jane.

Jane. Korsak pensou enquanto inclinava-se contra a mesa, exausto. As investigações não pararam e estavam contando com a ajuda de mais dois distritos e com a Unidade de Analise Comportamental, além dos outros federais do FBI. No terceiro dia, Vincent relutava para aceitar um parceiro que Cavanaugh havia sugerido – Ou ordenado. "'Barry Frost', isso é nome de um detetive policial?". Vince balançou a cabeça, observando o movimento rápido em torno do grande quadro de pistas e investigação sobre Jane e Maura e encarou o moreno alto que se concentrava no computador, alheio aos olhos atentos de Korsak.

"Ei, novato!" – Vince chamou-lhe atenção, cruzou os braços e estreitou os olhos. Reconheceu o árduo trabalho que o rapaz havia feito durante os dias e se deu por vencido. – "Bem-vindo."


Estranho como as coisas tomam rumos diferentes e inimagináveis. Quando Frost decidiu entrar na Força Policial e se tornar um detetive de homicídios, nunca havia pensado que poderia encontrar Jane ou Maura por lá. Ou, diante a atual situação, 'quase' lá. Não passaria por sua cabeça que poderia trabalhar em um caso onde ambas fossem as vítimas. Tampouco que ouviria os comentários sugestivos sobre o relacionamento das duas mulheres que, se ele lembra bem, nunca se toleraram. Inevitavelmente, sentiu uma ponta de lamentação por nunca ter mantido contato com Maura, já que durante muito tempo eles compartilhavam trabalhos científicos e pesquisas em duplas na escola. Não negaria que boa parte do que aprendeu naquela época, era devido às tiradas que a então doutora dava em meio as conversas que tinham nos intervalos. Tinha boas lembranças daquela mulher, mas também via em Jane uma boa pessoa com a qual havia tido bons – apesar de poucos - momentos. Seguindo a linha de lembranças passadas, recordou-se dos motivos que o levaram até ali. Trancou a mandíbula com força, balançou a cabeça e levantou os olhos se dando conta de que ainda estava no recinto, agora com menos pessoas. Encarou o relógio no alto da parede e procurou Korsak com os olhos, encontrando o homem de cabelos grisalhos encarando intensamente para uma foto em sua mesa.

"Take a break, Korsak. Eu fico por hoje." – Frost ofereceu num tom de voz brando, sabendo exatamente a relação que o homem tinha para com Jane.

Trocaram um olhar amistoso por alguns segundos até que o velho e cansado policial fosse embora.