Harry não conseguia acreditar no que acontecera naquela sala. Ele acreditava que se transformaria em um bicho sentimental e nem um pouco forte. O fato de se transformar em uma fênix o tirara dos eixos.

Quando saiu às pressas da sala de aula em que estava com os demais, sua mente estava em um turbilhão. Claro que nem se comparava a quando descobriu que passaria pela experiência de morrer, mas era bastante chocante também. Suas pernas o guiavam em direção da sala da diretora, pela segunda vez em menos de 72 horas, e dessa vez era por algo que ele havia vivenciado.

A pergunta que não queria calar em sua mente era como Dumbledore reagiria àquilo tudo que era sua transformação.

O ruim foi que ele saiu tão apressado da sala de Louis que simplesmente esquecera de perguntar qual era a senha da sala dela. No momento seguinte apareceu Ron, quase completamente sem fôlego. Parecia que, além de ter dado tudo de si para alcançá-lo, tinha algo muito importante para informar.

Os dois chegaram juntos à sala de MacGonagall, e foi preciso vários minutos para que o ruivo recuperasse o fôlego. Quando finalmente pôde...

-Mas você é mesmo cabeça oca mesmo, hein? Saiu daquele jeito sem esperar Louis te passar a senha! Mas agora vamos esperar. Você sabe que Mione não é tão rápida em corridas ou pratica tanto esporte como você, eu ou Ginny... Ela vem como pode.

Depois de alguns minutos esperando, ela chegou, mais sem fôlego que Ron quando chegou, e arqueou as costas em sinal claro de esgotamento físico, precisando de muito mais tempo pra recuperar-se que o namorado. Quando endireitou a postura, mesmo que ainda arfante, a primeira coisa que fez foi dar um croque no amigo.

-Você... Com... Ple... Ta... Men... Te... Sem... Juízo! - disse ela completamente indignada pelo fato de Harry tê-la deixado correr daquele jeito. E quando terminou de falar, sentou-lhe mais um croque.

Mesmo recebendo os dois croques, ele riu. Como esquecera de algo tão banal como pedir a senha? Era bem insólito pensar que aquilo o afetara naquela escala. Ron se adiantou é disse a senha em voz alta...

-Dumbledore! - disse o ruivo seca e rapidamente. A gárgula saltou para o lad escada de acesso foi revelada mais uma vez.

Chegaram na sala em sala em péssimo estado, os três suados e aparentemente fatigados.

-O que aconteceu pra vocês três chegarem à minha sala neste estado? - perguntou a diretora completamente incrédula.

-Primeiro lugar, o Harry é um idiota. Poderia ter nos esperado. Saiu tão desabalado da sala do prof. Shacklebolt que esqueceu de perguntar a senha da sua sala - disse Hermione sem qualquer cerimônia. Todos riram com aquilo, inclusive Minerva.

-A piada foi boa, mas qual é o verdadeiro motivo da visita de vocês?

-Creio que você pediu ao prof. Shacklebolt para avisá-la caso ocorresse algo em nossa aula de animagia, e é por isso que estamos aqui.

-Ah sim, claro. - disse a professora, empertigando-se na cadeira - O que aconteceu?

-Harry, você conta ou conto eu? - perguntou Hermione.

-Andem logo, estou ficando angustiada! O que aconteceu?

-Bom, professora, todos os que se propuseram a se transformar já sabem em qual animal podem se tornar - começou Harry didaticamente.

-Tá, e daí? - perguntou a professora com impaciência.

-É que a minha transformação é uma fênix, professora - disse Harry, sem ele mesmo acreditar muito.

Se um dia você viu alguém com a feição pasma, não terá chegará chegado perto da expressão de Minerva MacGonagall quando ouviu a notícia vinda de Harry. Ela levantou-se, foi até a janela, olhou a paisagem, voltou lentamente para sua mesa e sentou-se delicadamente. Virando-se para o aluno, ela recomeçou a falar.

-Harry, você vai me desculpar, mas acho que não ouvi direito o que você me disse. Qual foi o animal que apareceu pra você? Uma coruja branca, aposto. Você gostava demais de Edwiges.

-Essa é a transformação da Hermione, professora MacGonagall. A minha é uma fênix.

-Ah sim, pensei ter ouvido errado - respondeu ela, um pouco mais seca - E você pensa que eu vou acreditar nessa... Claro que se fosse o Fred ou o Jorge falando isso, eu até teria dado boas risadas, mas vindo de vocês não tem graça. Vamos, me digam, em qual animal Harry pode se transformar?

-Eu já imaginei que você poderia não acreditar neles, Minerva. Mas é verdade. - disse Louis assim que chegou à sala.

Se ninguém pensava que era possível ficar mais pasmo que MacGonagall, estava enganado. A própria professora ficará mais pasma a ainda. O fato de Louis ter corroborado toda a situação só piorara o estado dela. Ficou vários minutos quieta, analisando toda a notícia que recebera. Estava difícil de digerir tudo a aquilo.

Depois que conseguiu assimilar parte da informação, o estado pasmado de Minerva dera lugar uma completa surpresa. E de surpresa para euforia. Era o primeiro aluno que tinha, mesmo que indiretamente, que se transformaria em fênix. Mais uma vez ele lhe daria um presente. Primeiro, a liberdade, acabando com Voldemort, e agora isso.

A única reação da professora foi a de abraçar Harry. Dumbledore, de seu quadro, ficara também muito surpreso. Ele nunca conhecera ninguém que possuísse a mesma transformação que ele, e ainda mais alguém a quem ele treinara. A única coisa que o antigo diretor poderia pensar era no tamanho da fidelidade daquele garoto para consigo.

Finalmente eles acreditaram no que Harry lhes contara.

Depois de alguns momentos trocando amenidades e Alvo lhe desse algumas dicas de como transformar-se em fênix - como pensar para reduzir o corpo, para alongar os lábios para formar o bico, como entender a concepção das penas, enfim, informação valiosa que ele não perdeu sequer um detalhe. Como a aula já terminara, todos iriam para as sedes de suas casas, e Harry nem esperou muito, simplesmente voltou à torre da Gryffindor e extraiu a lembrança para uma penseira, onde assistiu a toda explicação de Dumbledore novamente é fez suas anotações para quando a hora de aprender a transformar-se chegasse.

Enquanto isso, no novo mundo, Selwyn dava de mamar ao filho, com um sorriso de felicidade estampado em seu rosto. Lestrange havia ido trabalhar, para garantir um ouro. O menino abraçava o seio de sua mãe e sugava o leite suavemente. No momento seguinte, ela ouviu alguém bater à porta. Rodolpho não poderia ser, porque ele entrava diretamente... Deveria ser algum vizinho, concluiu ela.

Era Dolohov.

O sorriso deu lugar a um esgar, e depois, a uma feição assustada

-O que faz aqui? Como nos achou? O que quer de mim e de Rodolpho?

-Então o Lestrange está aqui também... Bom, muito bom. Eu ia procurar ele também, a situação virou a meu favor. Vocês dois virão comigo de volta para o velho mundo.

-E quem vai obrigar, você? Ou trouxe mais alguém?

-Eu sou mais do que o suficiente pra arrastar vocês dois. Pensa que eu não sei que esse pivete aí é filho do Lorde?

Bianca estacou. Ela não sabia se Voldemort contara a alguém sobre o filho deles. E ainda mais, sabia que sua reação acabara denunciando a verdade. Ela não precisaria mentir. Nesse instante, Rodolpho chegou. Viu Dolohov em posição de ameaça em direção de Selwyn e, sem aviso prévio, o estuporou e o amarrou.

A loura correu pro marido e o beijou apaixonada e agradecida.

-Então eu acertei quando pensei que ele a estivesse ameaçando... O que era?

E Bianca, ainda abraçada a ele, contou toda a cena que se desenrolou antes de ele chegar, e o quão providencial fora sua chegada. Rodolpho suspirou de alívio quando soube que tinha chegado na hora certa.

-O que me intriga é como ele nos achou aqui... Não, espere... Acho que já sei como. Nosso benfeitor pode ter aberto o bico; O que infelizmente nos faz só ter uma alternativa, sair daqui e nos arrumar em outro lugar. Aqui já não é mais seguro.

-Concordo. Mas eu gostava tanto daqui...

-Bom, meu amor, a sua segurança e de nosso filho não será mais a mesma se ficarmos aqui. E eu sei que os vizinhos vão notar isso, e não quero contar a mais ninguém sobre o assunto.

E assim, mais uma vez, o casal arrumou as coisas, pegou todo o dinheiro no banco local (que tinha aumentado muito, e o casal teve que realizar um feitiço indetectável de expansão para guardar tudo sem levantar qualquer suspeita quanto à viagem deles), e depois de terem eliminado Dolohov - porque mesmo que vivessem em paz, ainda eram Comensais da Morte, e um hábito tão arraigado quanto o deles não sumiria assim, de uma hora pra outra - deixaram o "pacote" dentro da casa e, do lado de fora, admiraram a casa que lhes renderam momentos de paz, por alguns minutos...

Bianca tinha lágrimas nos olhos, enquanto Rodolpho olhava a paisagem com uma feição consternada em sua face. Depois desse momento de reflexão, os dois voltaram ao aeroporto por onde chegaram àquele lugar, e compraram uma passagem para a Austrália, o lugar mais lógico de língua inglesa que eles pensaram depois dos Estados Unidos e que não fosse tão perto do velho lar.

Desta vez, eles foram de primeira classe. Apenas alguns galeões foram o suficiente pra conseguir bastante dinheiro trouxa. A essa altura, eles não tinham mais aquela gana de matar os trouxas, e tampouco matar Harry, só queriam viver em paz. O objetivo inicial havia se esvaído, não tinha mais propósito. Ao chegar na Austrália, eles pegaram um ônibus e saíram de Sidney, indo em direção à periferia.

Algumas horas depois de seguir de ônibus, eles chegaram a outro pequeno vilarejo mágico, mais escondido do que o primeiro na América. Era mais difícil de chegar, por consequência, mais difícil de achar. Mais uma vez compraram uma casa aconchegante, e ali ficaram. A paz contagia, e o ódio some frente a tais sentimentos benéficos.

Enquanto isso, em Hogwarts, os ânimos estavam exaltados. A proximidade da partida Gryffindor - Slytherin mexia com todos no castelo. Uns tentavam azarar aos outros nos corredores, e com isso Filch estava com trabalho duplicado, triplicado até. O alvo principal, claro, eram Harry e Ron. O primeiro, por ser capitão e apanhador, e o segundo, por ser goleiro. O jovem Weasley gostava daquela atenção pra si, até porque era um reconhecimento por seu jogo.

Do outro lado também havia alvos prioritários. Malfoy tinha a mesma posição de Harry, era capitão e apanhador. Alguns outros também eram visados, mas era bem menos. Os professores ficavam de olho, pra que nada pudesse sair de errado. Claro que alguns se excediam, mas nada que algumas detenções não resolvessem.

Os treinos foram mais intensificados do que nunca, e tanto Harry quanto Draco queriam a vitória, pois Gryffindor e Slytherin estavam empatadas em número de pontos, tanto no campeonato quanto na Taça das Casas... Mas era apenas uma disputa sadia, ninguém perderia como perdera na guerra.

E assim os dias passaram rapidamente, dando lugar a uma carga imensa de e trabalho sobrando... Juntando os treinos com os deveres de casa passados em época de NIEM, nossos três amigos estavam encalacrados até o pescoço. Até a ida a Hogsmeade eles cancelaram pra ter mais tempo. Dormiam pouco pra dar conta, e os namoros foram deixados em segundo plano. Fazia dias que Harry não ficava com Ginny e Ron não relaxava com Mione - que havia basicamente surtado naqueles últimos tempos. Embora ela não tivesse os treinos de Quadribol, ela tinha o dobro de matérias que os meninos, então dava no mesmo.

Enfim, o tão esperado dia chegou: o dia da partida. Os dois times entraram em seus vestiários bem cedo, reforçando o psicológico diante daquele confronto. A partida seria apenas no final da manhã, mas ambos grupos não haviam conseguido dormir direito com a perspectiva daquele enfrentamento.

Depois de horas de preparação, dedicação e meditação, e também culminando com a chegada dos torcedores das casas que se enfrentariam - e também dos demais, finalmente os dois times vieram a campo. Toda a escola estava lá; Até mesmo quem quase não ia a esses jogos, como os fantasmas (incluindo prof. Binns nessa), Filch e os centauros (apenas alguns deles estavam ali, e somente os que se aproximaram dos bruxos). Alguns arriscavam até a dizer que Dumbledore estava ali; E era verdade: Abeforth havia dado o ar de sua graça no jogo, assim como madame Rosmerta e os demais comerciantes de Hogsmeade.

Os dois times se posicionaram em cada lado do campo e aguardaram madame Hooch chegar. O jogo seria épico; E os dois times sabiam disso. A juíza chegou, imponente, com seus olhos âmbar de águia, cabelos curtos grisalhos e toda sua inteligência estampada em sua face.

Pouco tempo depois de chegar, ela chamou os capitães ao centro do campo, e lá se foram Harry e Draco. Madame Hooch pediu aos dois que jogassem uma moeda para ver quem escolheria a goles ou o lado do campo desejado. A cada lançamento, os alunos da Gryffindor e da Slytherin ficavam se olhando fixamente, como se apenas um olhar pudesse desconcentrar o adversário.

O mais interessante foi que eles empataram sete vezes seguidas, e a cada vez que isso acontecia, os olhos verdes de Harry encontravam os azuis de Draco, e só faltava desprender faísca, tamanha a tensão de ambos. Quando finalmente houve um vencedor, que por sorte fora Harry, este escolheu a posse dá goles, uma vez que as condições climáticas eram as mesmas para os dois lados do campo.

Decidido isso, madame Hooch mandou que os times se posicionassem. Todos alçaram voo, os apanhadores alguns metros acima dos demais. Ginny já vinha com a Goles.

Foi quando soou o apito da árbitra: finalmente começava o jogo.

A troca de passes começou bem equilibrada, com nenhum dos dois times cedendo em nada. Cada erro do adversário custava a posse da goles.

Enquanto isso, acima dos dois times, Harry e Draco procuravam incessantemente o pomo de ouro. Cada distração de um era preenchida com a busca do outro. E sabendo do talento natural de Harry para achar e buscar (como ele já comprovara logo no primeiro ano, que custou a entrada de Harry na equipe da Gryffindor), manteve-se a uma distância segura dele, nem tão perto demais que denunciasse sua vigília, nem tão longe que não pudesse acompanhar os passos do adversário.

E enquanto isso, no plano do restante do time, as coisas estavam tão equilibradas que eles mal saíam do perímetro do círculo central. Os nervos dos jogadores já não estavam muito bem com a ansiedade de ganhar a taça para sua casa, e com o passar do tempo já ficava pior e pior.

Ron fazia defesas espetaculares, no mesmo ou de nível mais alto que o de Bletchley, goleiro da Slytherin. As atacantes trançavam seus movimentos, confundindo o adversário. Do jeito que a Gryffindor estava aumentando o ritmo, seria questão de tempo para que o primeiro gol saísse.

Porém Harry, ao contrário, não ia muito bem com a caça ao pomo. Uma vez ou outra ele via alguns relances de luz dourada, mas, na grande maioria das vezes era apenas o reflexo do sol, que se punha no horizonte. O jogo inteiro durou realmente horas, antes que qualquer um ali, naquele campo, pudesse fazer algo de significativo.

Foi quando, numa jogada muito bem articulada por Ginny, Geena e Pietra, contando também com um balaço rebatido por Flywing, a morena Pietra marcou 10 a 0 para a Gryffindor.

Todos ficaram muito felizes com aquela jogada, e se empenharam mais ainda para que ficasse melhor. Toda a torcida da Gryffindor ficou enlouquecida com o gol, e a torcida da Slytherin começou com o antigo coro de "Weasley é nosso rei" para desestabilizar Ron, mas acabou surtindo o efeito contrário: foi deste momento em diante que as defesas deste ficaram mais elaboradas ainda, como se fosse uma provocação vinda do ruivo.

Do nada todos ali silenciaram. Estranhando aquilo, todos os jogadores, incluindo também madame Hooch, viram o momento em que um borrão vermelho despencou do céu.

Recapitulando, enquanto Ron tirava onda da torcida da Slytherin com aquele coro de "Weasley é nosso rei", Harry finalmente viu o pomo, esvoaçando próximo ao centro do gramado. Sem dar tempo para que a que Draco também o visse, o jovem Potter efetuou um mergulho vertiginoso, cheio de velocidade e perigo. Quando as torcidas silenciaram, Draco olhou pra onde um segundo antes estava Harry e viu o borrão já muito abaixo de si.

-M****, ele vai chegar lá embaixo antes!

Em vão, mas demonstrando fibra, Malfoy desceu com mais velocidade ainda em sua Firebolt 10000 - modelo mais novo que havia no mercado, ele até conseguiu tirar um pouco da distância, mas assim que ele estava no meio do caminho, Harry já havia saltado da vassoura e, com um único salto, pego o pomo de ouro, fazendo com que aquela partida, que parecia interminável conhecesse seu encerramento. Depois daquele jogo, nenhum seria lembrado por ter sido tão disputado quanto.

Os demais jogadores da Gryffindor foram na direção de Harry, já com lágrimas nos olhos. Aquele time havia acabado de ganhar o campeonato de Quadribol, e assumira a dianteira sólida da taça das casas. Claro que Malfoy chegou ao chão muito depois daquilo, pois ao ver o rival com o pomo na mão esquerda, freou em pleno ar e foi para a lateral do campo, para desmontar da vassoura com tranquilidade, sem encheção de saco.

Mas não conseguiu. Harry já saía do campo ovacionado e parou perto dele.

-Foi um jogo digno. Obrigado por me proporcionar isso, Malfoy, no nosso último ano de Hogwarts.

Todos silenciaram para ouvir a resposta do louro.

-Concordo, Potter. - disse este, com sua voz arrastada por natureza - Embora eu queria que o resultado fosse outro, mas foi um jogo muito bom. Vai demorar pra eu esquecê-lo, e acho que não vou ter outra partida nesse nível tão cedo.

E os dois apertaram as mãos um do outro, em sinal de respeito.