Disclaimer: Os personagens da fanfic pertencem a Masashi Kishimoto, a trama, no entanto, me pertence.
Warnings: linguagem chula, violência, mortes, tortura, cenas explícitas de sexo homossexual e relações incestuosas.
N/A: Hey babies! 3
Nessa atualização teremos um pouco de gaiden do Itachi e do... Sasuke! *-*
Lembrando que gaiden são coisas do passado colocadas fora da ordem cronológica, tá?
Beijos!
HAUNTED
Capítulo XIV
Os dois respiravam mais acelerados do que o normal. Itachi, mesmo já tendo atingido seu orgasmo, ainda rebolava um pouco com o membro de Madara dentro de si como se desejasse mais uma rodada naquele mesmo instante.
Mas Madara já estava exausto e sem pique e, por isso, saiu de dentro do menor, puxando-o consigo para a cama e abraçando-o por trás, rindo de leve do som de protesto que este fizera com a movimentação.
_ Madara! – Itachi rosnou, tentando se virar e sendo impedido de fazê-lo devido ao abraço forte que o mantinha de lado naquela posição. – Por quê? – questionou com a voz chorosa, irritado e frustrado por não estar transando novamente.
_ Porque eu estou cansado e amanhã é seu grande dia. – o mais velho respondeu, mordendo o pescoço suado de Itachi enquanto saboreava a pele salgada com a língua, desejando que tivesse disposição para fazer sexo durante a noite inteira.
Infelizmente, seu último compromisso sugara completamente suas energias e ele precisava dormir nas próximas horas, sobre pena de não poder fornecer o plasma em boas condições para todos os Akatsukis no dia seguinte. A maioria deles já sofria bastante com os efeitos colaterais. Por sorte Madara já garantira a leva de Itachi, que devido à injeção de algumas horas atrás estava extremamente disposto àquela noite. Os demais ainda necessitavam de seu corpo são, salvo e descansado.
_ Você fala como se eu fosse fazer algo diferente do convencional. – Itachi murmurou, virando-se com delicadeza e se soltando da pegada do outro com um movimento gentil, deixando claro que não tentaria transar novamente.
Itachi encarou seu Nii-san por alguns momentos, antes de começar uma carícia suave nos cabelos repicados dele, tentando penteá-los e retirá-lo dos olhos. Madara imitou seu carinho, afastando a franja de seus olhos lentamente enquanto o observava. Ele podia ver seu olhar avermelhado refletido nos olhos do irmão.
_ É só mais uma missão estúpida... Elas são chatas e entediantes! – Itachi falou, fazendo um biquinho contrariado. Estava começando a se sentir contrariado... Por que diabos Madara não queria transar mais?
_ Não é uma missão qualquer, Otouto. Ela é muito importante, você não pode falhar.
_ Eu nunca falho, não fale asneiras. – Itachi girou os olhos, piscando algumas vezes antes de colocar um sorriso maroto nos lábios e apertar o nariz de Madara com os dedos, forçando-o a respirar através da boca e rir com a infantilidade do menor. – Ao contrário de você, que só aguentou duas vezes essa noite.
_ Você é insaciável moleque. – Madara respondeu com a voz fanha e Itachi riu como uma criança boba.
Às vezes os rompantes infantis de Itachi o deixavam extremamente irritado, pois não deveriam mais fazer parte da sua personalidade. Todavia, conforme o tempo passava, Madara se viu cada vez mais apaixonado por esse lado lúdico e doce que, ora ou outra, o mais novo demonstrava.
Seu Otouto era uma pessoa extremamente séria, profissional, de temperamento forte e apetite sexual absurdamente elevado; todas estas características o excitavam muito, mas as brincadeirinhas cada vez mais colocavam um sorriso besta em seus lábios, algo que não estava presente depois dos seis rounds na cama em 'atividades educativas'. Céus, ele realmente estava amolecendo o seu coração!
E endurecendo outra parte de seu corpo...
_ Itachi... – Madara murmurou nome do seu Otouto sensualmente, arrancando a mão deste de seu rosto, prendendo-a contra o corpo pálido e marcado por mordidas e chupões. – Ainda 'tá afim?
_ Que pergunta idiota. – ele respondeu, sorrindo de canto de boca enquanto seus olhos brilhavam cada vez mais aquela coloração vermelho-sangue. Inclinou-se para frente murmurando de maneira devassa no ouvido do mais velho. – Você sabe que não há nada no mundo que eu deseje mais do que a sua pica, Nii-san...
Madara não se controlou mais, girando-o na cama e colocando Itachi acima de seu colo, penetrando-o em questão de segundos sem medo de machucá-lo, por ter completa certeza que ainda estava devidamente lubrificado e preparado para o ato.
_ Você é realmente uma vadia. – Madara sibilou entre os dentes cerrados ao mesmo tempo em que o mais novo gemia sem pudor algum, arqueando as costas e fechando os olhos em prazer intenso.
Itachi riu um pouco, ajeitando-se sobre a virilha de seu amante, rebolando de leve e fazendo Madara liberar um gemido ainda mais intenso do que o seu de poucos instantes atrás. Abriu os olhos, fitando o corpo abaixo do seu com desejo, um olhar severo que, para muitos, poderia ser considerado sinistro, mas para Madara era extremamente excitante. Não havia como os olhos do menor se tornarem ainda mais vermelhos e brilhantes e por isso Madara sentiu-se extremamente orgulhoso de si próprio.
_ Você me deixou assim Aniki, não reclame. – ele respondeu, subindo e descendo lentamente de maneira experimental e fazendo ambos delirarem pelo desejo.
É redundante dizer que naquela noite em específico nenhum dos dois dormiu mais do que meia hora.
(***)
"_ E o que diabos te faz pensar que eu corro risco de vida?
_ A mesma coisa que me faz ter certeza de que eu serei o motivo de sua ruína.
_ Intuição?
_ Destino."¹
As lágrimas abruptamente cessaram com a memória daquela conversa que tive com Itachi logo no começo da relação de ambos. Os soluços, da mesma maneira, foram interrompidos abruptamente, tal como sua respiração entrecortada. Itachi o abraçou mais forte, aconchegando-o contra seu peito.
_ Isso, acalme-se, vai ficar tudo bem. – sussurrou em seu ouvido, alisando seus cabelos e com ternura e paciência, algo que não condizia em nada com seu comportamento de minutos atrás. Itachi até podia ser carinhoso às vezes, mas nunca naquela intensidade.
Sasuke o empurrou de leve, retirando o rosto do peito de Itachi e encarando a mancha mais escura que fizera no tecido negro devido à quantidade de lágrimas que derramara. Buscou os olhos de Itachi, encontrando-os negros e com aquele breve acaju rodeando as pupilas, nada de carmesim.
_ O que você quer de mim Itachi? – perguntou com a voz fraca, praticamente em um sussurro sem fôlego algum.
_ Eu já tenho o que quero, tolo. – o mais velho respondeu com suavidade, acariciando seu lábio inferior com o polegar e o fitando com olhos tão diferentes daquele que Sasuke estava acostumado a observar: Um olhar de admiração, carinho, semelhante àquele que costumava ver nos olhos de sua mãe.
Como Itachi, aquele que notoriamente possuía o olhar ríspido e autoritário de Fugaku, conseguia possuir os mesmos olhos doces de Mikoto?
Não tire conclusões precipitadas.
Não se deixe enganar.
Sasuke virou a cabeça, fazendo a mão de Itachi escorregar de seu rosto e envolver seu torço. Observou o cadáver, ainda tão próximo e fresco naquele local, sem conseguir manter o olhar firme por muito tempo, fechando os olhos novamente e sendo puxado para fora daquele local em seguida. Só voltou a pensar quando sentiu a brisa fresca da rua roçar sobre sua pele, fazendo-o perceber que estava sendo carregado no colo, mas não protestou, tamanha era sua vontade de sumir de vez daquele lugar.
Quem é você Itachi...?
(***)
_ Finalmente você voltou! – Madara exclamou com energia, aproximando-se do adolescente que mantinha as costas para si retirando o equipamento negro de proteção e camuflagem. – Como foi?
_ Está feito. – o menor respondeu com uma voz sem sentimentos e Madara franziu o cenho em questionamento.
_ O que houve?
_ Nada.
_ Itachi... – tentou abraçar seu irmão, não se importando com o cheiro de sangue que desprendia de seu corpo. Na verdade, este cheiro em específico o excitava consideravelmente.
Contudo, Itachi não parecia estar em um bom humor, pois se esquivou de seus braços, atravessando o quarto com agilidade e deixando as roupas caírem pelo caminho.
_ Eu vou tomar banho.
_ Qual o seu problema? – Madara perguntou com rispidez, correndo e alcançando o braço do menor antes que este entrasse no banheiro; ele ainda mantinha as costas para si. – Você fica louco de tesão querendo trepar até o amanhecer quando volta de missões assim. O que deu em você agora?
_ Me larga.
O tom de voz de Itachi continuava frígido e desprovido de qualquer indicação de suas verdadeiras emoções. Parece que o garoto aprendera alguma coisa observando os discursos de Madara em público.
_ Não ouse utilizar minha própria técnica contra mim. – alertou o mais velho, começando a se sentir irritado, forçando Itachi para que se virasse com os dois braços, agarrando-o pelos ombros e fitando seus olhos com intensidade.
Até o presente instante Itachi aprendera a dissimular apenas o seu tom de voz, mas seu olhar não mentia: ele estava completamente furioso, suas íris estavam coloridas com a intensidade máxima do carmesim, suas expressões faciais contraídas em ira. Mordia os lábios com força, como se fizesse um esforço enorme para não falar o que desejava dizer.
_ Fale.
Itachi não desviou o olhar e parece que por encarar nos olhos de seu Aniki sua raiva triplicou ainda mais.
_ Ela falou o meu nome! – rosnou com um tom de voz severo e perigoso, desafiando Madara com o olhar.
_ Quem?
_ O primeiro alvo. O primeiro alvo sabia o meu nome! – Itachi soltou seu braço da pegada de Madara e o puxou pela gola de sua camiseta indelicadamente, machucando um pouco o pescoço de seu Aniki. – Quem são eles?
_ Você só pode estar de brincadeira... – Madara sussurrou com incredulidade, não acreditando nas palavras que Itachi dizia e na acusação que elas implicavam.
_ Não estou! Meu nome não é um nome comum, você me disse quando parou de me chamar de número três e me deu um nome. São poucos os que sequer sabem o meu nome neste local, ninguém deveria saber lá fora. Como diabos aquela mulher sabia?
Madara estava decepcionado, a intensidade de seu olhar não mentia quanto à existência deste sentimento. Mas Itachi não conseguia se importar naquele instante, pois queria respostas, precisava saber o que estava acontecendo! A voz de sua vítima ainda ecoava em sua cabeça, sussurrando seu nome...
O pior era que, por mais que ele analisasse reiteradamente em sua memória a maneira como ela lhe chamara, não havia terror, medo, ódio ou qualquer sentimento que as pessoas sentissem ao saber que estão diante da morte. Ela não disse o seu nome como os demais alvos disseram seus codinomes falsos em missão. Ela falou com um alívio e um sorriso nos lábios.
E isso destruiu qualquer certeza que ele tinha dentro de si.
_ Eu acho que você se esqueceu de quem é. – Madara falou tristemente, retirando as mãos de Itachi de sua gola e guiando o adolescente seminu até a cama. Talvez por estar possuído pela raiva e confusão, Itachi não negou a movimentação; estava perdido em seus próprios sentimentos.
Quando ambos chegaram até a cama, Madara forçou o mais novo a se deitar de barriga para cima, ato este que foi compelido sem nenhuma objeção. Deitou-se também, ao lado, apoiando a cabeça em uma das mãos e o cotovelo no colchão, para que pudesse olhar Itachi nos olhos.
_ Me diga a verdade. Quem era aquela mulher? – o garoto perguntou, fechando os olhos e tentando conter a raiva.
De nada adiantaria bater em Madara ou forçar uma resposta, sabia como as coisas funcionavam com o seu irmão e precisava cooperar para que pudesse chegar a algum lugar. E somente aquele homem podia responder a sua pergunta, ninguém mais.
_ A verdade é essa que você está pensando Itachi, não vou mentir. – ele respondeu, deixando de lado o ar melancólico e voltando a exibir as feições frias e calculistas, empregando a técnica que Itachi tentara empregar sem qualquer sucesso há instantes atrás.
_ Como você pôde... – o prodígio sentia lágrimas se formarem em seus olhos, misturando a tristeza, decepção e ira de uma só vez. Seu corpo começou a tremer e por impulso ele tentou se levantar da cama e sair daquele quarto, mas Madara subiu acima de seu corpo, imobilizando-o de maneira ágil e eficiente.
Itachi piscou atordoado, tentando entender o que acontecia: Madara não era objeto das experiências, ele não podia possuir tamanha agilidade e força. O que está acontecendo?
_ Mas esse tipo de verdade não é relevante Itachi. – ainda mantendo a incógnita em suas expressões faciais, abaixou o rosto e passou a sussurrar no ouvido do garoto. – A única coisa importante é você nunca esquecer quem você é. Se lembra de quem você é?
_ Me solte!
Madara não o soltou, ele não tinha a mínima intenção de fazer isso. Pelo contrario: deu uma mordida suave no lóbulo da orelha do adolescente, descendo a dobra de seu pescoço com beijos estalados e imobilizando-o com as pernas. Itachi se debatia, tentando ao máximo usar toda a força que conseguia para escapar, mas seu irmão continuava incrivelmente forte.
O que diabos estava acontecendo?
_ Você é meu. – Madara sussurrou próximo ao seu lábio, tentando beijá-lo, mas Itachi virou o rosto, começando a ser tomando por um sentimento de medo.
Nunca sentira medo de seu Nii-san, até aquele momento; óbvio, às vezes ele o tratava com mais violência, principalmente quando era criança, mas sempre o seu grau de amor e admiração fazia com que sequer passasse em sua cabeça a possibilidade de Madara fazer algum mal verdadeiro para si. Não conseguia entender esse sentimento que se formava em seu peito, uma sensação de traição unida com o medo? Seria isso?
_ Eu preciso ficar sozinho, por favor... – Itachi resolveu pedir, quem sabe assim Madara parasse de ser tão ríspido e o ouvisse. Como resposta ganhou uma mordida dolorosa no pescoço. – Madara! Eu não estou afim!
_ E quem disse que importa se você está afim ou não? Será que realmente esqueceu sua condição? Claro que pra mim é muito mais cômodo mantê-lo vivo e comigo, mas eu não hesitaria em começar tudo do começo com outra pessoa se você deixasse de suprir minhas expectativas.
A dor no peito de Itachi aumentava cada vez mais. Ele sabia, no fundo sempre soube... Preferia se enganar, preferia acreditar que Madara o amava e não apenas... Apenas...
_ Você é diferente dos outros Itachi, você é prodígio, é especial. Mas eu não dei o poder para alguém que eu não possa controlar. Não seja tolo em achar que você é o único 'diferente' nesse quarto. – Madara levantou a cabeça e fitou diretamente os olhos do menor.
_ C-como...? – questionou, assustado com a visão que acabava de ter.
_ Eu disse Otouto, eu não dou poder para alguém que eu não tenha força o suficiente para controlar.
Os olhos de Madara exibiam uma coloração diferente envolvendo tanto a íris quanto o branco dos olhos, um tom lavanda, não tão brilhante quanto o vermelho dos olhos das cobaias, mas ainda sim peculiar e hipnotizante. Linhas negras circundavam toda a extensão de seus orbes, tornando-os maiores e indiscutivelmente mais perigosos. Madara fechou as pálpebras por alguns segundos e, quando os reabriu novamente, detinha os olhos negros e opacos de sempre.
Itachi expirou com força, sequer se lembrando de quando deixara de respirar devido ao pavor.
_ Nesse mundo, não existe um predador absoluto. Todo predador é presa de outro predador, Itachi, e você não é uma exceção a essa regra. – sentenciou Madara.
Ele saiu de cima do corpo do menor, deitando na cama ao seu lado e puxando-o para que subisse acima de sua virilha e se sentasse. Itachi realizou a movimentação sem protestar e o mais velho sorriu de canto de boca enquanto erguia o queixo de seu irmão com o indicador, forçando-o a encará-lo nos olhos.
– Não se esqueça de quem você é, de quem você pode desafiar e quem deve respeitar. Sua vida começou quando você se juntou a mim e seu passado consiste naquele que eu permito que você possua, não em uma hipótese surreal que você tenha fantasiado em sua mente. Esqueça essa insanidade que passou por sua cabeça... Você é meu, eu sou sua família e seu amante e é desse jeito que as coisas continuarão a ser. Ninguém erra uma segunda vez comigo e poucos são o que mantenho vivo depois do primeiro erro. Não se esqueça disso, Otouto: Você é diferente e especial, mas ninguém é insubstituível.
Itachi encarou o sorriso prepotente nos lábios do outro sentindo enjoo na base de seu estômago, mas conseguindo esconder suas emoções. Bem dizem que em uma situação de vida ou morte você aprende a fazer coisas que jamais julgara ser capaz de fazer. Itachi finalmente aprendera a esconder seus reais sentimentos de Madara, algo que jamais achou ser possível.
_ Hai, Onii-san. – assim que as palavras mentirosas saíram de seus lábios, conjuntamente com um sorriso igualmente falso. Madara o puxou para um beijo.
Neste momento, Itachi soube que as coisas nunca mais seriam as mesmas. E, de fato, tudo modificou: Seu Aniki, o qual antes era a personificação do prazer em sua vida, se tornou seu maior pesadelo.
Madara não permaneceu alheio a essas mudanças de comportamento, mas não considerava Itachi um pesadelo. Por mais que as coisas fossem evidentemente mais destrutivas do que antigamente, seu Otouto se encaixava melhor na categoria "vício" do que "pesadelo". Pois você deseja acordar de um pesadelo, mas um vício bom como aquele não há porque desejar que acabe. E, para ele, Itachi nunca teria fim.
Afinal de contas, Itachi era seu. E enquanto ele respeitasse sua condição de possuidor, não havia porque descartar um objeto tão valioso.
(***)
Ainda não anoitecera, mas Kakashi tentava desesperadamente adormecer. Conforme os minutos passavam, a culpa e vergonha pelo que fizera com Naruto crescia cada vez mais e de nada ajudou ouvir os rompantes irritados do loiro. Naruto estava particularmente barulhento e irritado, e circulava pela casa como se fizesse questão que Kakashi ouvisse suas reclamações.
O grisalho se trancou no quarto e não saiu mais. A cada momento que se passava, a ideia de nunca mais sair de lá parecia algo realmente convidativo. Diabos, como iria olhar nos olhos de Naruto depois de... Depois...
_ Urgh... – Kakashi gemeu, sabendo que corava apenas em recordar. Cobriu os olhos com as mãos, girando na cama e desistindo de dormir. Levantou-se com irritação, passando as mãos pelos cabelos e fitando a porta como se estivesse diante de um leão selvagem.
Queria que Naruto tivesse ido dormir e não que estivesse destruindo a casa, gritando com os eletrodomésticos. Não queria encontrá-lo, mesmo sabendo que eventualmente isso fosse acontecer.
Decidindo que não era de seu feitio agir daquela forma, caminhou com passos firmes até a porta, abrindo-a e procurando seu companheiro de apartamento. Iria pedir desculpas por ter se deixado levar em vez de ter mantido a consciência, visto que Naruto estava alterado pelo álcool então caberia a ele agir com responsabilidade. Iria prometer que nada disso iria repetir, que Sasuke não iria saber e que eles passar iam uma borracha nesse acontecimento. Pronto, resolvido.
Não demorou muito a encontrá-lo; Naruto estava na cozinha carregando o liquidificador e cafeteira para fora, amontoando várias coisas na porta de casa.
_ O que está fazendo? – Kakashi questionou ao perceber a bagunça, mas Naruto não olhou para si antes de responder, continuando a buscar mais coisas no armário.
_ Eu vou me mudar.
Aquelas simples palavras ecoaram dolorosamente em seu peito. Como assim "se mudar"? Porra! Fazia duas horas que tudo ocorrera, como o Uzumaki podia ter encontrado um apartamento em tão pouco tempo, mesmo depois de estar sem renda e ser despedido!? Ele só podia estar louco!
_ Que conversinha é essa? Se mudar? Pra onde?
_ Vou levar apenas os eletrodomésticos que temos repetido e os grandes ficam com você. Pra onde eu vou já tem a maioria dessas coisas, mas...
_ Naruto! – Kakashi o interrompeu, forçando-o a olhar para si ao segurá-lo pelos ombros.
Finalmente o ele pode enxergar os olhos azuis muito vermelhos e os cílios loiros repletos de gotículas de lágrimas.
_ Por favor, me solte. – ele pediu em um tom de voz choroso, olhando para qualquer lugar menos para o rosto de Kakashi.
_ Não faça isso! Me desculpe pelo que aconteceu, prometo que não vai acontecer de novo. Esqueça essa palhaçada, você está desempregado! Como vai conseguir se sustentar?
_ Kakashi, por favor...
_ Que irresponsável! Olhe pra mim!
_ Não!
_ Olhe!
_ Eu não aguento mais! – o loiro gritou fechando os olhos com força como se tal gesto pudesse esconder suas lágrimas. Sua respiração começou a ficar instável e ele tremia cada vez mais intensamente.
Assustado com o comportamento, Kakashi o soltou e Naruto se apoiou na mesa de jantar para conseguir estabilidade. Relaxou minimamente um pouco depois, limpou as lágrimas com determinação e voltou a buscar seus pertences.
_ Você realmente vai me deixar?
O tom triste de Kakashi fez com que o loiro sentisse ainda mais tristeza, mas ele não se abalou, suas convicções permaneciam intactas. Não podia mais morar naquela casa, não depois do que aconteceu.
Não estava bravo por Kakashi tê-lo deixado literalmente 'na mão', mas estava de coração partido. Óbvio que o grisalho fez o que fez por pena e por ter sido forçado, ele mesmo não acreditava de onde conseguira tirar tamanha ousadia...
Já havia sido rejeitado, não muitas vezes, mas isso já tinha acontecido. Só que é muito pior ser rejeitado pela pessoa que você ama, infinitamente mais doloroso. Ele desistira e conviver com Kakashi apenas aumentava cada vez mais sua paixão; não dava para ele continuar vivendo desta maneira.
Antigamente costumava dizer para si mesmo que não havia escolha: Kakashi era seu guardião e precisava morar com ele, se não desejasse voltar ao orfanato. Quando atingiu a maioridade essa desculpa deixou de ser eficiente, mas ele sabia que apesar de estar ajudando em casa financeiramente não conseguiria se manter sozinho com apenas um salário mínimo, muito menos alugar uma casa.
Só que não dava mais mesmo. Agora não havia mais volta. Já não dava para ele continuar acreditando que um dia conheceria uma mulher, se apaixonaria e todos os problemas estariam resolvidos. A partir daquele momento ele não podia se enganar dizendo que não era homossexual, que não gostava de homens ou que adorava o corpo feminino. Não depois de provar os lábios de Kakashi com tanta intensidade e sentir aquele prazer descomunal com apenas um toque suave.
Ótimo, admitia para si mesmo sua condição. Mas de que adiantava se Kakashi jamais retribuiria seus sentimentos? A voz triste do ex-tutor apenas alimentava uma fantasia surreal de sua mente e ele não iria continuar naquela casa vivendo uma mentira. Não mais. Mesmo que tivesse que passar dificuldades financeiras, ele ia sair.
Naruto levou os últimos pertences até a porta e voltou para a cozinha, encarando os olhos negros e sentidos de Kakashi.
_ Eu não estou bravo, mas preciso de um tempo pra mim... – não conseguindo se controlar diante da proximidade, Naruto ergueu uma das mãos e passou os dedos com ternura sobre a cicatriz no olho de Kakashi, acariciando o rosto até a ponta do queixo em um gesto de adoração. – Você é quem deve me desculpar por ter te forçado a fazer o que não queria.
_ Não seja tonto Naruto!
_ Você me desculparia se eu forçasse mais uma coisa? – o Kakashi não respondeu e Naruto decidiu que não acolheria qualquer resposta que recebesse. Não importava: ele não conseguiria se controlar de qualquer maneira.
Inclinou-se para frente, encostando seus lábios nos da pessoa amada com ternura e suavidade. Kakashi não o impediu, mas não correspondeu, permanecendo imóvel durante a carícia. Entristecido pela indiferença, Naruto se afastou, murmurando um pedido de desculpas sem ter coragem de encarar Kakashi. Ele girou os calcanhares para se ir embora, mas o outro o impediu de se afastar, segurando seu braço.
_ Isso não foi mais um ato de sublimação, não é?
Naruto sorriu de maneira triste, puxou o braço e o libertou do toque do amigo, voltando a caminhar até a porta.
_ Não Kakashi, não foi.
O Uzumaki continuou a andar sem olhar para trás; pela ausência de sons, não foi seguido pelo outro que, provavelmente, o observava da cozinha. Ele juntou suas tralhas, abriu a porta e anunciou em voz alta antes de sair:
_ Eu não te culpo por não retribuir o que eu sinto Kakashi e não quero mais ser um peso na sua vida.
Não deu tempo para receber qualquer resposta, fechando a porta e em seguida colocando seus pertences no elevador que convenientemente já estava em seu andar. Ao chegar do lado de fora, Gaara o esperava com o porta-malas aberto.
_ Você está bem? – o ruivo perguntou preocupado com o olhar chateado do amigo. Esticou a mão para tocá-lo, mas ele foi censurado pelo olhar do outro.
_ Não em público.
_ Você se preocupa demais, Kyuubi. – disse Gaara, observando Naruto despejar tudo descuidadamente no porta-malas, fechá-lo e, em seguida, rodear o carro e se sentar no banco ao seu lado. Ele girou a chave da ignição e olhou mais uma vez para o amigo triste. – Vamos direto lá pra casa ou você precisa comprar alguma coisa?
_ Você ainda me ama Gaara?
O ruivo sorriu com a pergunta, soltando o volante e levando a mão até o joelho de Naruto.
_ Mas é claro que sim. E eu sei que você não me ama, mas não me importo. Não precisa fazer todas essas perguntas de novo.
Naruto ficou em silêncio por um curto período de tempo e finalmente decidiu envolver a mão de Gaara com a sua, mantendo o olhar direcionado para o seu próprio colo, fitando seus dedos entrelaçados.
_ Você poderia me mostrar como é ser amado? – o pedido pareceu besta até em seus ouvidos, mas a carência estava realmente grande. Ele queria ser amado, queria ser idolatrado, queria sentir desejo direcionado a si, mesmo que não fosse de Kakashi. Ele precisava... Sua autoestima implorava por isso.
_ Ponha o cinto seu chorão, vamos nos divertir! – Gaara falou com um tom de brincadeira, mantendo o pequeno sorriso nos lábios e voltando a se concentrar no volante.
Estava muito feliz por ter Naruto de volta em sua vida e, mesmo não sabendo o que estava acontecendo, não negaria um pedido desses. Se o Uzumaki queria se sentir amado, ele tinha muito amor para dar.
Pois não havia nesse mundo alguém que amasse mais um homem do que ele amava Naruto.
(***)
Itachi estava paciente, mas preocupado. Não gostava de admitir para si mesmo os seus sentimentos, mas eram eles reais e não podiam ser descartados tão facilmente. Seu corpo ainda tremia de leve, vestígios do desespero que sentiu quando se deu conta de que Sasuke não estava no apartamento; por sorte conseguira chegar ao local a tempo de salvar o garoto.
Após ter sido carregado para fora, Sasuke pareceu um pouco mais calmo, aceitando suas instruções e o aguardando em um local estrategicamente protegido próximo daquele bar, caminhando com suas próprias pernas até lá.
Não precisou trabalhar muito para encobrir o acidente: sabia que Kisame viria recolher o corpo antes das autoridades policiais. Desacordou o dono do bar com um golpe em sua nuca, sem que este pudesse prever sua presença (que tipo de tolo entrava no depósito sem deixar ninguém cuidando dos clientes?); fez a menção de tentativa de arrombamento do caixa, mas sem retirar uma única nota. Como o estabelecimento não tinha câmeras, limitou-se apenas a apagar as digitais de Sasuke, Naruto e Kakashi (já que o próprio não possuía digitais) antes de se retirar, checando os arredores com extrema cautela antes de buscar o mais novo e levá-lo para casa.
Naturalmente, todo esse processo durou não mais do que quinze minutos.
Em casa, Sasuke demonstrava novamente os sentimentos desesperados, intercalando-os com uma apatia nada condizente com seu estado emocional e um olhar perdido. A mudança brusca de comportamento de dez em dez minutos confundia Itachi, e o fato de Sasuke tremer da cabeça aos pés, deixando lágrimas escorrerem por seu rosto enquanto não falava nem piscava, não ajudava em nada sua preocupação.
Ele não conseguiu mais apreciar aquela cena peculiar sem tomar uma atitude. Aproximou-se da cama sentando de frente para o Uchiha, limpando as gotas cristalinas e espessas com os dedos.
_ Sasuke. – falou com doçura, tomando as mãos trêmulas do mais novo com as suas. – Acalme-se.
Estava sendo difícil lidar com o garoto: ele realmente estava em choque por ter visto o corpo naquele banheiro. Para si, não passava de algo rotineiro e completamente normal, mas durante seus ensinamentos no seu antigo lar, ele aprendeu que pessoas normais se sentiriam incomodadas em uma situação como aquela.
Mas Sasuke não estava simplesmente incomodado.
_ Tanto s-sangue... Era... – não permitiu que ele continuasse a gaguejar com a voz fraca e chorosa, buscou-o para mais perto de si, abraçando-o novamente.
Era tudo novo. Ele não sabia lidar com uma pessoa tão cheia de emoções e o pior de tudo era que as emoções de Sasuke faziam com que outras nascessem dentro de si. Já ouvira alguém dizer que esse tipo de sentimento era classificado como 'pena', mas a palavra e sua definição não pareciam expressar exatamente aquela sensação dolorosa.
_ Me desculpe Sasuke, se eu não fizesse aquilo você seria capturado e posteriormente morto. E quanto a maneira como eu agi... Eu fico daquele jeito depois de uma morte.
_ O quê...? – Sasuke se moveu um pouco, encarando-o com os olhos vermelhos e um pouco inchados, a ponta de seu nariz avermelhada devido o choro. Itachi constatou que Sasuke era o tipo de pessoa que ficava ainda mais bonita quando chorava, e por isso se inclinou para um beijo, interrompendo seja lá o que fosse que o menor iria falar.
Sasuke agiu como se fora pego de surpresa, mas depois de alguns instantes retribuiu o beijo com fervor, agarrando Itachi com toda força, como se aquele beijo intenso fosse a solução para todas as suas dúvidas e seus problemas. Suas mentes bagunceiras, ironicamente, estavam quietas, e ele se sentia extremamente sozinho por isso. Talvez por isso intensificou o abraço que envolvia Itachi ainda mais, como se tentasse provar para si mesmo que não estava só.
Itachi... Itachi... Itachi...
Naruto.
Kakashi.
Soltou o corpo de Itachi abruptamente, respirando sem fôlego, tentando se levantar com velocidade e quase caindo em meio ao processo de desespero; Itachi o segurou, puxando-o de volta para cama e prendendo-o contra o colchão.
_ Shii, sossega! – ordenou em tom de confusão, tentando manter o garoto teimoso parado. – O que aconteceu?
_ Naruto e Kakashi, eles saíram do bar em seguida, eles...!
_ Eles estão bem. Sasuke, pare de se debater!
_ Mas...!
Itachi começava a se irritar e não queria ouvir mais as palavras tolas de Sasuke. Como beijá-lo o havia distraído o suficiente, repetiu tal gesto até sentir que ele relaxara o suficiente e parava de agir com tanta agitação.
_ Eu estou cuidando de você. – sussurrou em seus lábios ao finalizar o beijo com uma mordida, ganhando um suspiro em resposta. – Mas eles também estão recebendo os devidos cuidados. Nada vai acontecer.
Sasuke demorou alguns instantes para compreender a informação que recebera, finalmente abrindo as pálpebras e olhando-o com grande confusão.
_ O que está acontecendo? – perguntou com um pouco mais de firmeza, talvez pela descarga de adrenalina que recebera ao lembrar-se do possível perigo de Naruto e Kakashi. Agarrou a cabeça de Itachi, forçando-o a manter a troca de olhares – Você não está fazendo isso por uma simples 'dívida de honra'! Eu não nasci ontem! Diga-me a verdade!
_ Sasu...
_ NÃO! – falou com autoridade, trincando os dentes com raiva e se controlando para não descontar sua descarga intensa de emoções em Itachi. – Não minta mais pra mim! Eu quero a verdade!
_ Eu não vou mentir.
_ Se eu descobrir que você mentiu pra mim Itachi, eu desapareço de sua vida tão rápido, mas tão rápido, que você nem vai saber por onde começar a me procurar! Eu nunca falei tão sério em toda minha vida!
O rosto de Sasuke realmente indicava seriedade. Itachi sentiu novamente aquele aperto no coração que não conseguia definir perfeitamente, concordando com a cabeça e se perguntando mentalmente quando é que aquele pirralho tinha conseguido alguma autoridade sobre si.
Todavia, no momento isto era irrelevante. Tudo que ele queria era acalmar o rapaz para que pudesse dar um caminho para aquela situação e se certificar de que ele não correria mais perigos desnecessários como aquele novamente.
_ Ok, Uchiha, vou te contar o que quer saber. Me solte e continue sentado.
Sasuke ainda o olhou com ferocidade por alguns segundos antes de soltá-lo. Itachi respirou profundamente algumas vezes, tentando encontrar a melhor maneira para dizer o que precisava ser dito.
Só que, infelizmente, não havia boas maneiras para dar aquele tipo de informação.
(***)
O menino estava emburrado. Minato conseguia enxergar pelo retrovisor o beicinho de insatisfação e os bracinhos cruzados com força sobre seu peito. Sasuke era uma criança adorável e extremamente carinhosa apenas quando se tratava de sua mãe e ele sabia que o garotinho deveria estar realmente indignado por tê-lo tirado de sua casa naquele início de noite.
_ Me diga Sasuke, não está ansioso pra brincar com o Naruto? Vocês podem brincar até chegar a hora de dormir, tenho certeza que você vai gostar dos...
_ Como se eu quisesse perder o meu tempo com um Dobe! – Sasuke murmurou emburrado, aumentando ainda mais o bico e virando o rosto para a janela do carro, encarando a pesada chuva batendo com força contra o vidro enquanto se perdia em pensamentos.
Estava preocupado com sua mãe. Ela e o "desgraçado" geralmente discutiam sobre qualquer coisa, mas seu coraçãozinho estava apertado de um jeito que ele tinha certeza que a briga que ambos tiveram ainda a pouco não era algo qualquer. Era sobre ele. "Ele é seu filho!", sua mãe exclamou entre os gritos e soluços desesperados, "Você não pode tratar seu filho desta maneira, fechar os olhos para sua existência!".
Sasuke esfregou os olhos ao sentir que estava quase chorando de novo, tentando impedir um vexame na frente do tio. Mas não pôde deixar de pensar que sua mãe realmente era um anjo, defendendo-o da frieza de seu pai daquela maneira.
O desgraçado brigava com ela constantemente, mas seu tratamento com ele era completamente diferente: ele sequer era notado. Era como se ele não existisse naquela casa e os únicos momentos que Fugaku lhe dava atenção era quando ele tentava defender a mãe (não que conseguisse, afinal ele ainda era uma criança) e nesses momentos ele era arrastado e trancado no seu quarto até seus tios chegarem para buscá-lo.
E ele odiava muito isso.
_ Naruto gosta da sua companhia Sasuke, mesmo que viva dizendo o contrário.
_ Não fique bravo tio, mas eu preferiria estar com a minha mãe e não indo pra sua casa. – Sasuke respondeu com irritação, mas sem deixar de se preocupar em manter a educação.
Minato era o padrinho de Sasuke, mas sabia o quanto a mente do garoto distorcera pequenas coisas: Fugaku, por ser um Uchiha, não era um pai muito presente e por isso a transferência da figura paterna na vida do pequeno decorreu para si. Desta maneira, Sasuke nunca o atingia com a língua afiada que possuía, respeitando-o como normalmente uma criança daquela idade respeitaria seu progenitor.
Ele entendia que esta transferência nada saudável resultava em duas coisas que não faziam nada bem para Sasuke: o garoto tinha muito ciúmes de Naruto, acreditando ter que disputar espaço no seu coração com o seu filho; aparentemente, Sasuke também desejava uni-lo com Mikoto, fazendo comparações absurdas entre ela e Kushina, às vezes até na frente de sua esposa, numa tentativa de demonstrar como a mãe dele era uma esposa melhor do que a ruiva.
Kushina, sua amada, sempre dava risadinha quando isto acontecia e tirava sarro de Sasuke até irritá-lo. Foi a maneira que sua esperta mulher conseguiu contornar a situação sem criar inimizade com o garoto e sim uma leve competição, transformando um possível impasse em uma rivalidade infantil e inocente. Minato sabia que apesar de toda comparação Sasuke gostava de Kushina; e ela certamente enaltecia o afilhado.
_ Mas tia Kushina está com saudades, já faz três semanas que você foi visitá-la pela última vez. – Minato disse, sorrindo e encarando o pequeno pelo retrovisor mais uma vez, tendo a completa certeza que vira a sombra de um sorriso desafiador nos lábios rosados do menino.
O herdeiro Uchiha não respondeu, mas melhorou um pouco o humor, provavelmente pensando em desafios que poderia propor a madrinha. Minato sorriu satisfeito, voltando sua atenção para a estrada e percorrendo o restante do caminho em silêncio.
Ao chegarem à garagem, Sasuke desceu do carro resmungando algo incoerente enquanto arrastava sua mochila para dentro da casa que conhecia desde bebê, entrando pela porta da cozinha e se deparando com Kushina e Naruto sujos de farinha em várias partes do corpo, utilizando aventais igualmente imundos e rindo com vontade enquanto se ocupavam com algo no balcão da pia.
_ Sasuke-chan! – Kushina gritou com animação ao notar a entrada do menor. Limpou as mãos brevemente e correu para o encontro de Sasuke.
_ N-não tia, você... – não teve tempo para fazê-la parar, pois em seguida sentiu seu corpo ser erguido no ar e em questão de segundos foi envolvido em um abraço apertado e ganhando um beijo em seus cabelos. Agora ele tinha a completa certeza de que sua roupa estava completamente suja de farinha.
Droga, odiava se sujar.
_ Estava com saudades de você meu amor! – Kushina separou o menino de seu corpo e se deu conta do olhar irritado que lhe era dirigido, provavelmente pelas roupas sujas. Às vezes, ela tinha certeza que Fugaku e Sasuke possuíam manias que eram geneticamente transferidas, essa seria a única explicação par uma criança de nove anos se preocupar tanto com assepsia em geral.
_Tia, você me sujou!
_ Não, bebê chorão, eu sujei suas roupas! – Kushina ajeitou em um dos braços, juntou um pouco de farinha que se acumulara em seu avental com o indicador, passando na ponta do nariz de Sasuke em seguida. – Agora sim eu sujei você!
Ela ouviu a risada de Naruto próxima de si e se deu conta do olhar furioso de Sasuke, mas não teve como não abrir um sorriso em resposta; realmente sentia falta do menino.
_ Minha mãe nunca me suja! – Sasuke respondeu indignado enquanto Minato entrava na cozinha, jogando a chaves do carro acima da mesa e buscando Naruto para cumprimentá-lo, pegando-o no colo sem se importar com a sujeira de suas vestes.
_ Isso porque sua mãe é uma chata como você, Teme! – provocou Naruto e Minato o calou com um selinho nos lábios.
Foi a vez de Sasuke rir, pois sabia que o outro menino ainda demonstrava carinho beijando os pais, mas tinha muita vergonha de fazer isso na frente dele e parecer infantil demais. Naruto limpou a boca com a barra do avental, olhando para Minato de maneira indignada.
_ Nem comece com o papo de "eu sou muito velho pra beijinhos" porque você vai sempre ser meu... – Naruto tampou a boca de seu pai com as duas mãos, suspirando e tentando ignorar a risada de Sasuke, que se revirava no colo de Kushina devido a intensidade de seu descontrole.
_ Para pai! – implorou com a voz chorosa. Seu tom de voz fez o Uchiha rir ainda mais escandalosamente.
_ Ok, já chega crianças. Naruto, leve Sasuke pro seu quarto e empresta pra ele uma peça de roupa, ele só deve ter trazido pijama nesta mochila.
_ Mas mamãe...
_ Estou mandando!
Minato colocou o filho no chão, bagunçando seus cabelos e dando um leve toque em suas costas, empurrando-o para chegar mais perto de Sasuke. Kushina fez o mesmo: colocou o garotinho moreno no chão, instruindo-o com um gesto para que se aproximasse de Naruto.
As duas crianças estavam próximas e quietas, como se não soubessem exatamente o que fazer. Naruto, por estar sendo vigiado pelos seus pais, resolveu dar o primeiro passo, abrindo um sorriso falso e esticando a mão para o garoto.
_ Vem Teme, vou te emprestar roupas.
Sasuke olhou para sua mão estendida com desdém, grunhindo um leve "hn" antes de virar o rosto e cruzar os braços, saindo da cozinha com passos firmes e se dirigindo até o quarto de Naruto, que ele já conhecia muito bem.
_ Ei ei ei! 'Pera aí! O quarto é meu! Você só pode entrar quando eu estiver nele!
_ Você não manda em mim, Usuratonkachi!
O casal Namikaze-Uzumaki observou quando os passos lentos dos garotos se tornaram uma corrida desesperada para ver quem chegaria primeiro no quarto; Kushina abafou o riso, achando engraçadinha esta atitude completamente boba dos dois garotos. No fundo sabia que era uma questão de tempo para se tornarem grandes amigos.
_ Eles são fofos! – a ruiva comentou, virando-se para iniciar uma conversa com Minato.
Não esperava que seu marido estivesse com o rosto tão entristecido e perdido em seus próprios pensamentos, e isso cortou seu coração. Aproximou-se e o beijou com carinho, fazendo com que este voltasse a si e a abraçasse com ternura.
_ Qual o problema Minato? – sussurrou no ouvido dele, acariciando seus cabelos com movimentos suaves.
Minato suspirou pesadamente e se afastou da esposa, virando-se para a pia da cozinha e alcançando um copo de vidro, enchendo-o com água e tomando um longo gole antes de começar a falar, sempre olhando para o chão.
_ Fugaku está querendo fugir e Mikoto é contra. A briga de hoje foi feia e eu não sei o que será deles, se eles realmente fugirem e não tiverem mais como contar com a nossa cobertura em relação à Sasuke... Eu estou preocupado.
_ Fugaku me ligou.
Essa informação pegou Minato de surpresa. Fugaku e Kushina não eram grandes amigos, mas tinham boa convivência por causa da amizade que ele e Fugaku possuíam; se algum dos Uchiha fosse ligar para sua esposa, ele certamente acreditaria que seria Mikoto, pois Kushina era amiga mesmo da mãe de Sasuke.
_ Como assim? – perguntou descrente, olhando nos olhos cinzas² da esposa com concentração, sabendo que a informação seria importante.
_ Ele quer que a gente fique com Sasuke. – ela anunciou, mantendo o rosto sério e a posição imponente, indicando que sua opinião sobre o assunto já estava formada.
_ Mas...
_ Ele pretende fugir essa noite.
O barulho das duas crianças no quarto interrompeu a conversa do casal, mas sem tirar a concentração de ambos. Minato se limitou a encarar a ruiva por alguns minutos, até suspirar mais uma vez e deixar o copo na pia.
_ Eu sinto um mau pressentimento com relação a isso... – murmurou, debruçando-se sobre o granito e encarando a janelinha acima da pia, o brilho da lua refletindo em seus olhos azuis. As nuvens começavam a encobrir ainda mais aquela noite anteriormente estrelada e bela, e a chuva de antes não parecia diminuir: parecia que o tempo estava conspirando com o seu sentimento de preocupação.
Kushina se aproximou devagar, abraçando-o por trás com ternura e colocando o queixo no ombro do esposo, antes de falar com doçura em seu ouvido.
_ Tudo vai ficar bem meu amor.
Minato sorriu. Mesmo sabendo que sua esposa mentia e estava igualmente apavorada, o fato de ainda poder aproveitar um abraço assim e ouvir um "meu amor" tão doce faziam com que qualquer problema se tornasse irrelevante naquele momento. Sabia que a possibilidade daquela noite ser a última noite de paz em suas vidas era grande, mas mesmo assim sua mulher conseguia fazer tudo parecer tão simples e suave.
Será que era possível alguém amar mais uma mulher do que ele amava a sua?
Soltou-se do abraço de Kushina, girando os calcanhares para poder encará-la de frente. E por se deparar com um sorriso confiante – e um pouquinho nervoso, é verdade – e lindo como aquele não houve mais um pingo de dúvida em sua mente, puxando-a para um beijo mais intenso do que aquele breve selinho de cumprimento que ela lhe dera.
Não, não é possível que alguém ame mais uma mulher do que eu a amo.
... Continua ...
¹ Capítulo 4.
² Ok, olhos da Kushina são dessa cor em Haunted porque eles variam de tonalidade e coloração em várias cenas de Naruto Shippuuden. Olhos cinza são os que mais estão aptos a essa variação em decorrência da iluminação ambiente, então foram os olhos que escolhi para ela.
Respostas reviews "guest":
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Scar:
Acontece, eu já esqueci a senha do meu próprio cadastro com todas as fanfics publicadas, acredita? Quase morri! Huahuahuahua! Mas depois de alguns dias tentando eu lembrei. o/
Fico feliz que tenha gostado de KakaNaru e 'pirado' por alguns instantes! xD
Obrigada pelo elogio!
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Guest:
Oba, leitora nova! Amo!
E uma que está começando a ler uchihacest, que maravilha! Espero que continue acompanhando e que goste da fanfic, siga-nos no lado ucest da força! =D
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Kaka:
Eba! Que bom que amou, fiquei feliz!
Continuo, continuo, claro! Seu desejo é uma ordem! Huahuahua! o/
Espero que não tenha demorado muito a atualização!
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Leyla:
Ah eu já passei por isso! LoL! Sei como funciona. Antes não era que eu só lesse SasuSaku, mas eu tive uma sorte de conhecer boas SasuSakus logo nas minhas primeiras leituras e gostei do casal (com Sakura ooc obviamente, detesto a Sakura do mangá). Depois de algum tempo não achei mais uma que me interessasse, e quando comecei com o lado yaoi do Naruto foi com Uchihacest, daí pra outros yaois foi um pulo Hahahaha!
Continuo sim! Aqui está! xD Hehe!
Espero que esteja gostando de Pride and Joy, essa ao menos já está finalizada! Então não precisa ficar esperando atualização. ^^
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Muitos beijos a todos que comentaram! *-*
