Disclaimer: Eu não possuo Glee, caso contrário a série nunca teria um fim.
"A gente podia assistir Les Mis."
"Hmmm nah. Eu não curto musicais." Veio a resposta imediata de Leah. Madison sentiu o queixo cair e encarou sua prima.
"Como assim 'não curte' musicais? É o melhor gênero de filmes que existe no planeta!"
"Prefiro terror... Podemos assistir It."
"Não!" Madison disse, arregalando os olhos "Eu não... simpatizo com palhaços."
Leah lhe lançou um olhar engraçado.
"Tem medo de palhaço? Tá brincando?"
Madison sentiu as bochechas esquentarem de vergonha e assentiu.
"Em minha defesa, eles podem ser horripilantes. Aquela maquiagem, aquele sorriso diabólico, nada daquilo é normal."
"Tá ok, se você diz." Leah apenas riu e balançou a cabeça "Vamos pegar uma comédia então." Opinou, puxando o controle da TV da mesinha de centro e abrindo o catálogo de filmes do Netflix.
"Pode ser." Madison confirmou, não prestando mais muita atenção ao seu redor, os olhos presos na tela de seu celular. Daniel havia acabado de enviar uma mensagem como uma foto engraçada e ela riu, chamando atenção de Leah.
"O que é tão engraçado?"
"Hã? Ah, nada não. Só uma mensagem de um amigo da escola."
Leah ergueu as sobrancelhas, levantando um dos cantos de sua boca em um sorriso divertido.
"Amigo, uh?"
"Hã, o que?" Madison levantou os olhos da tela e encarou a prima, rolando os olhos quando percebeu o sorriso no rosto da menina mais velha "Não é nada disso."
"Claro que não, Maddy. O sorriso idiota não significa nada. Tudo bem, priminha, já estive lá."
As duas meninas ouviram barulho nas escadas e olharam para trás vendo Louise aparecer.
"Meninas, TJ já dormiu, ele está no meu quarto. Separei cobertores extras para caso vocês precisem e deixei no quarto de hóspedes que vocês irão dividir." As duas balançaram a cabeça, assentindo, "O que vão fazer agora?"
"Assistir um filme, ainda estamos sem sono." Madison respondeu.
"E a senhorita já tomou seu remédio?"
"Sim, vovó."
"Ok. Bom, eu vou me aprontar pra cama também porque, ao contrário de vocês, a vózinha aqui não aguenta até muito tarde. Vocês vão querer comer alguma coisa ainda?" Louise perguntou e deu uma olhada no relógio do aparelho de TV à cabo, já era quase dez da noite.
"A gente deve fazer mais pipoca só. Pode ir dormir, vó, nos viramos aqui." Leah sorriu e voltou a escolher o filme.
"Não aprontem nada, hein? E não fiquem a madrugada toda acordadas." Louise apontou um dedo na direção delas em tom de aviso.
"Pode deixar, vovó." Veio a resposta inocente em uníssono "Boa noite."
"Boa noite, meus anjinhos." Depois de depositar um beijo na cabeça de cada uma, Louise subiu as escadas.
"Então, o que vai ser?" Madison perguntou à prima que ainda não havia decidido o filme que elas iriam assistir. Depois de responder uma mensagem de Daniel sobre seu fim de semana em Akron, ela bloqueou a tela do celular e o colocou na mesinha de café.
"Já assistiu 'Vizinhos 2'?"
Quase na metade do filme Leah sentiu seu celular vibrar no bolso dos shorts. Ela limpou as mãos sujas de manteiga da pipoca antes de puxar o aparelho e ver que era uma mensagem de seu melhor amigo.
~Hey Lee, o pessoal ta querendo se juntar na pista daqui 15 minutos, topa? ~ Jase
Leah sentiu um sorriso aparecer em seu rosto, finalmente sua noite ia ficar emocionante. Não que ela não estivesse se divertindo na companhia de sua prima mais nova, mas para uma adolescente de 16 anos passar o sábado a noite assistindo filme era no mínimo entediante. Quando na verdade havia algo que elas podiam fazer muito mais interessante.
"Hey, quer dar uma saída?"
Madison parou no meio da mastigação e encarou sua prima com um olhar confuso.
"Oi?"
"Uns amigos estão me chamando para dar uma volta, você sabe, sair do tédio. É aqui perto, topa ir?"
Madison se sentou ereta no sofá, encarando Leah seriamente.
"Mas a vovó não vai desconfiar? Pode ser arriscado..."
"Não seja medrosa. Vai ser bem rápido, ela nem vai perceber que saímos." Leah sorriu para encorajar a prima e pensou em outra tática "Olha, eu faço isso o tempo todo, meus pais não se importam. E tem mais, vai ser um problema apenas se eu for e deixar você sozinha pra trás, aí sim eu pisaria na bola. Vamos, vai ser divertido."
Madison ainda parecia incerta sobre sair naquele horário e ainda mais sem avisar ninguém, mas ela também não queria parecer um bebê na frente de Leah ou mesmo encrencar a prima. E além do mais Leah havia dito que elas não iriam demorar, então talvez de fato não fosse um problema. Era sábado e elas não tinham aula no dia seguinte, Leah estava acostumada e elas só iriam dar uma volta.
Não tinha problema nenhum. Certo?
Por fim Madison sorriu e concordou. Leah respondeu ao amigo que ela o encontraria em poucos minutos e que levaria companhia, Jase retornou um 'ok' e que estaria esperando no local de sempre.
Rapidamente elas limparam tudo e desligaram o filme, calçaram os sapatos e vestiram um casaco. Com muito cuidado para não fazer barulho elas deixaram a casa sem nem sinal de Louise aparecer.
"Tudo limpo. Vamos."
"Nós vamos andando?"
"Não, Jase vai nos encontrar na esquina. Ele me espera lá quando saímos."
Madison queria questionar isso, mas decidiu ficar quieta. As duas fizeram o caminho pela calçada enquanto um vento fresco batia em seus rostos, anunciando a proximidade da madrugada.
Mais a frente um carro estava parado exatamente na esquina como Leah havia dito. Madison sentiu um arrepio atravessar sua espinha, mas resolveu ignorar quando viu Leah sorrindo para o garoto sentado atrás do volante.
"Entrem aí."
Madison ocupou um lugar no banco traseiro enquanto Leah sentou ao lado de Jase.
"Hey, Jase. Essa é Madison, minha prima. Maddy, esse é Jase."
O garoto de cabelos castanhos olhou para a nova figura em seu carro e sorriu simpaticamente.
"Hey, eu sou Jason, mas pode me chamar de Jase- Wow, está tudo bem com seu rosto?"
Leah revirou os olhos com a incrível falta de sutileza de seu melhor amigo. Madison corou e assentiu.
"Cale a boca, Jase!"
"Nariz quebrado. Longa história." Madison respondeu rapidamente.
Jase sorriu e assentiu.
"Ok. Legal." Ele simplesmente acenou e se virou para dar partida no carro.
Madison se recostou no banco e tentou permanecer tranquila o resto do caminho, mesmo que algo dentro dela dizia o contrário. Talvez fosse a adrenalina de ser pega por alguém, a qual ela tratou de ignorar e tentar se divertir pelo resto da noite. Leah mesmo parecia muito animada, ela não queria envergonhar a prima.
Minutos depois o carro parou em uma pista de skate onde vários adolescentes estavam espalhados rindo alto e conversando. Madison percebeu que alguns tinham cerveja nas mãos. Jason e Leah saíram do veículo e Madison seguiu logo atrás, se sentindo ainda um pouco deslocada. Leah colocou um braço sobre os ombros da prima e lhe dirigiu um sorriso encorajador, Madison devolveu um ainda mínimo e os três caminharam em direção a um grupo particularmente barulhento.
"Heeey Jases!" um outro rapaz gritou ao avistá-los, segurando uma garrafa de cerveja. "Lee! E... Garota nova." ele franziu as sobrancelhas.
"E aí, pessoal. Essa aqui é minha prima Madison." Leah apresentou e apontou seus amigos dizendo o nome de cada um. Madison tentou decorar cada nome e acenou com um sorriso envergonhado.
"Oi, gente."
"O que é isso no seu nariz?" Uma garota se aproximou de Madison, segurando duas garrafas de cerveja.
"Um acidente, mas está tudo bem."
A menina apenas deu de ombros, "Você quer uma cerveja?" lhe ofereu uma das garrafas, a qual Madison dispensou educadamente. A menina então deu de ombros e entregou uma a Leah, que aceitou e levou o gargalo aos lábios.
O local estava repleto de jovens em grupos como aquele, aparentemente era comum eles se reunirem ali escondido para beberem. Madison duvidava que alguém ali tivesse vinte e um anos de idade, pelo menos não no grupo de amigos de Leah.
Alguns adolescentes faziam manobras de skate na pista enquanto outros assistiam. Meninos e meninas se misturavam e todos pareciam se divertir bastante. Madison também se deu conta que uns fumavam, seja cigarro ou mesmo maconha, inclusive dentro do grupo que ela se encontrava. Ela viu quando Jase, o rapaz que as trouxera, deu uma tragada no baseado que ofereceram a ele.
"Que dar uma?" Jase ofereceu a ela quando a viu encarando-o.
Madison sentiu as bochechas esquentarem por ter sido pega e negou com a cabeça. Leah riu e outra vez passou o braço pelos ombros da menina mais nova.
"Se quiser pode dar uma tragada, Maddy. Prometo não contar a ninguém, é divertido."
Madison sentiu novamente o arrepio na espinha. Ela nunca havia experimentado maconha, seus amigos de Nova York até fumavam de vez em quando as escondidas depois da escola, mas ela mesma nunca havia tragado. Curiosidade ela tinha, mas faltava coragem.
"Vamos lá, Garota Nova. Só se vive uma vez." O mesmo rapaz que havia cumprimentado os três quando chegaram, Marcus era seu nome, disse com um sorriso brincando em seus lábios. Ele próprio tinha um baseado em mãos. "Você parece não ter medo de nada, apesar do rosto inocente. Aposto que ganhou esse nariz numa briga feia."
"Cala a boca, Marc." Leah deu um soco no ombro do amigo.
A menina encarou Leah que também tinha um sorriso em sua direção. Leah já havia experimentado, três vezes, e mesmo que naquela noite ela não estivesse fumando, ela não iria impedir Madison de ter a experiência.
Sentindo a pressão dos pares, Madison esticou a mão para o baseado que lhe ofereciam e respirou fundo antes de levá-lo aos lábios. Ela fechou os olhos enquanto tragava e logo depois soltou, sentindo a fumaça em suas narinas, fazendo-a tossir algumas vezes antes de devolver a Jase.
A sensação não era muito boa, mas também não era horrível. Era só diferente. Sua boca parecia seca e a fumaça irritava as vias aéreas. Ela encarou Leah que riu da cara engraçada da prima e lhe deu uma sacudida no ombro.
"Eu sei, a primeira vez é esquisito, mas você se acostuma."
Madison riu disfarçando o desconforto e se virou para entrosar na conversa do grupo.
BTY ~~~ BTY ~~~ BTY ~~~ BTY
Jesse abriu a porta da frente da casa de sua mãe e deixou que Rachel entrasse em sua frente. Já passava da meia-noite e eles precisavam ser silenciosos, a casa estava completamente escura e, como esperado, as crianças já estavam na cama e não na frente da TV se entupindo de besteira.
Rachel retirou os saltos para evitar fazer barulho enquanto Jesse trancava a porta e então os dois caminharem até as escadas que davam para o segundo andar. Estava igualmente escuro e os três quartos estavam com as portas fechadas.
"Eu senti falta disso, de se divertir sem se preocupar, sem horário, sem câmeras." Rachel suspirou quando eles entraram no quarto de hóspedes que estavam ocupando, se sentando em frente à penteadeira.
"A vida na cidade pequena tem suas vantagens." Jesse concordou, sentado na beira da cama, tirando os sapatos. "Mas eu não estou mais tão novo quanto antes." Completou, alongando o pescoço.
"Oh, desculpe, vovô." Ela riu e balançou a cabeça.
"Não tenho mais o pique igual daquelas meninas." Ele revirou os olhos.
"Falando nelas, está tudo muito calmo, não acha?"
"Não escuto nada também. Acho que nos ouviram e foram dormir cedo." Jesse sorriu.
"Aparentemente sim, o que é suspeito." Rachel franziu as sobrancelhas enquanto tirava os brincos, "Eu vou lá dar uma olhada nelas, já volto."
"Awn, amor. Vamos aproveitar aqui, vai ser muito mais interessante." Jesse a puxou pelo braço quando ela se levantou. Rachel riu e ficou de pé entre os joelhos do marido, o abraçando pelo pescoço e se inclinando para beijá-lo.
"Vai ser rápido, prometo."
"Uhum ok." Ele fez beicinho e a soltou.
Caminhando na ponta dos pés pelo corredor silencioso, Rachel torceu levemente a maçaneta e enfiou a cabeça para espiar dentro do quarto escuro. O que viu fez seu coração acelerar.
A cama arrumada. Tudo intocado. As meninas longe de serem vistas.
Tentando manter a calma, Rachel olhou no banheiro e também o encontrou vazio. Voltando para o quarto que estava hospedada, Jesse levantou a cabeça com um sorriso que logo se desmanchou ao avistar o semblante preocupado da esposa.
"Rach?"
"As meninas não estão no quarto, nem no banheiro. A cama está feita como se elas nunca tivessem deitado." Falou apressadamente.
Jesse ficou de pé imediatamente.
"Calma, vamos olhar lá embaixo de novo. Elas podem ter pego no sono em algum lugar."
Os dois desceram as escadas novamente e olharam cada canto do primeiro andar, inclusive o quintal dos fundos. Nenhum sinal. Eles voltaram para dentro e pararam no meio da sala, sem saber o que fazer.
"Onde essas meninas se meteram, meu Deus?"
"Calma, querida. Elas podem estar no quarto com minha mãe."
"Jesse? Rachel? O que aconteceu?" Eles ouviram Louise perguntar. Se virando para as escadas, deram de cara com a mulher enrolando um robe em volta de si mesma, visivelmente tendo acabado de acordar, "Eu ouvi barulho e vim ver o que era. Está tudo bem?"
"Mãe, Madison e Leah estão dormindo no seu quarto?"
Louise franziu as sobrancelhas.
"Não. Por que? Eu deixei tudo arrumado para elas no quarto de hóspedes."
Conforme Louise ia falando tanto Jesse quanto Rachel levaram uma mão aos cabelos e sentiram um arrepio subir suas espinhas.
"Não acredito nisso." Jesse murmurou, tirando o celular do bolso.
"O que houve? Vocês estão me assustando..."
"Elas sumiram, mamãe. Não estão em lugar nenhum por aqui."
"Como assim não estão em lugar nenhum?! Eu as deixei vendo um filme e disseram que iam dormir logo depois."
"Aparentemente elas estavam só esperando a senhora ir dormir." Rachel suspirou, indo até as escadas "Eu vou tentar ligar para o celular da Madison. Tentem o de Leah."
Jesse procurou em sua lista de contatos o número de sua sobrinha. A linha chamou algumas vezes antes de cair na caixa de mensagens de voz.
"Ela não atende." Jesse disse preocupado, encarando a mãe.
"Onde essas meninas estão, meu Deus?"
Rachel desceu as escadas com seu celular na orelha, a expressão semelhante à de Louise e Jesse. Ela balançou a cabeça e tirou o telefone da orelha, encarando a tela.
"Nada?" Louise questionou.
"Caixa de mensagens."
"Eu vou tentar de novo." Jesse disse.
Rachel tratou de enviar mensagens de texto para as duas meninas, quantas fosse preciso até alguma delas responderem. Jesse também tentava a todo custo contatar, sem sucesso.
"Acham que devemos chamar a polícia?" Rachel questionou com a preocupação evidente em sua voz.
"Não, calma. Eles vão dizer que devemos esperar 24 horas até constatar como sumiço." Jesse tentou soar racional, mesmo que estivesse sentindo a ansiedade perpassar seu corpo "Vamos ligar para Lauren e Tim, eles podem saber de algo."
Vinte minutos mais tarde e os quatro pais e avó não haviam tido nenhuma notícia. Os celulares das duas meninas já tinham centenas de mensagens de texto, de voz e ligações perdidas. O relógio chegava perto de 1h30 da manhã e todos estavam apreensivos, até que Jesse e Tim resolveram pegar o carro e ir procurar pelas redondezas, se nada fosse encontrado então ligariam para a polícia.
"Lauren, você precisa se acalmar, querida." Louise pediu à filha, que estava andando de um lado a outro no meio da sala de estar.
"Como me acalmar, mãe? Minha filha de dezesseis anos e sobrinha de quatorze sumiram no meio da noite sem deixar nenhuma pista de onde poderiam estar, não atendem o celular nem chegam em casa! A última coisa que eu vou ficar é calma!"
"Lulu, sua mãe tem razão." Rachel ficou de pé e agarrou levemente o braço da cunhada "Vai fazer mal pra você e pro bebê se estressar assim. Jesse e Tim vão achá-las."
"Um dos meus bebês está em perigo agora! Esse aqui ainda posso proteger, o outro não!"
"Aqui, querida. Toma esse chá que acabei de fazer." Louise veio da cozinha minutos depois, segurando uma bandeja com três xícaras e ofereceu uma à filha.
O telefone de Rachel começou a tocar na mesinha de centro e a mulher foi como um raio até ele. Era Jesse.
"Acharam?" foi a primeira coisa que ela disse ao atender o marido.
"Estamos rodando de carro em volta de uma pista de skate abarrotada de adolescentes. Tim disse que já viu Leah aqui uma vez, vamos ver se temos sorte e- Olha lá, Tim! São elas! Rach, acabei de vê-las. Tenho que desligar."
Rachel sentiu um alívio preencher seu interior e a mulher fechou os olhos sentindo-os encherem de lágrimas. Ela desligou o aparelho, abriu os olhos e se virou para sua sogra e cunhada.
"Eles as encontraram."
BTY ~~~ BTY ~~~ BTY ~~~ BTY
Madison sentou-se no chão encostando em uma mureta perto dos amigos de Leah. Ela trouxe seus joelhos junto ao peito e abraçou as pernas, olhando ao redor. Sua mente estava confusa e seu corpo estava estranhamente leve, tranquilo, diferente das preocupações que ela sentira quando havia topado sair de casa no meio da noite. Ela observou sua prima rindo abertamente com Jase e dando uma longa golada na cerveja em suas mãos. Madison riu consigo mesma, aparentemente aqueles dois eram os únicos que ainda não haviam se dado conta que gostavam um do outro.
E Leah ainda caçoara dela horas antes.
A menina viu uma mão surgir na frente de seu rosto e olhou para cima, vendo Marcus lhe oferecer outro baseado. Madison sorriu e aceitou, dando uma tragada antes de devolver. Aquela era sua quarta ou quinta tragada, e mesmo que a primeira não tivesse sido a experiência mais prazerosa de sua vida, a curiosidade foi mais forte e ela deu a segunda quando lhe ofereceram minutos mais tarde. E então a terceira. E a quarta.
Madison tinha noção que provavelmente seus pais a matariam se soubessem que ela havia fumado maconha, mas naquele instante ela não se preocupou com isso e apenas viveu o momento.
Por conta da secura na boca proporcionada pela maconha, Madison havia roubado uma ou duas grandes goladas da cerveja da prima, mas não havia adiantado muito. Agora sua cabeça estava esquisita e ela só queria ficar sentada e deixar a leveza tomar conta de si.
Sua cabeça olhou para o lado no exato momento que um carro rondava a pista de skate, sentindo uma súbita vontade de rir ao perceber que o carro se movia lentamente, as duas cabeças dentro dele olhando fixamente para a pista cheia. Não entendia porque, mas aquilo pareceu muito engraçado.
No entanto a vontade de rir foi substituída pelo pavor ao reconhecer as pessoas dentro do carro. E seus olhos se arregalaram quando o carro parou e as portas se abriram, revelando dois rostos raivosos marchando na direção do grupo que ela se encontrava.
Seu pai e seu tio.
Leah ainda não havia percebido, mas logo a garota de cabelos loiros franziu as sobrancelhas quando se deu conta que seus amigos haviam parado de conversar e alguns arregalaram os olhos. Encarando sua prima sentada no chão, ela viu que a menina estava congelada no lugar.
"Leah Morrison!" ela ouviu a voz de seu padrasto e fechou os olhos lentamente, se virando para o homem alto parado atrás de si.
"O-oi, Tim." ela gaguejou, tentando soar despreocupada.
"Fantástico encontrá-la aqui." ele sorriu sarcasticamente e viu Jesse puxando o braço de Madison, obrigando a garota a levantar do chão, e a arrastou até onde ele estava "Você também, Madison. Aproveitaram a noite?"
Madison engoliu em seco e abaixou a cabeça, envergonhada. Além de ter sido pega por seu pai e tio, todos os amigos de Leah estavam encarando-os e isso fez com que seu rosto esquentasse de vergonha.
Leah sentiu uma súbita raiva misturada a vergonha alastrar por seu corpo e fechou as mãos em punho.
"O que vocês estão fazendo aqui? Como nos acharam?" praticamente gritou na direção do padrasto.
Tim riu sem humor e balançou a cabeça.
"Não comece com isso, mocinha. Você vai agora entrar naquele carro se não quiser que seus amigos presenciem nossa conversinha."
As bochechas de Leah ganharam um tom vermelho brilhante ao ouvir seu padrasto. Na frente de seus amigos! Ela seria zombada para o resto da vida!
Bufando, ela entregou a garrafa de cerveja para Jase e marchou até o carro. Tim encarou cada rosto ali presente e balançou a cabeça outra vez.
"É melhor cada um de vocês fazer o mesmo e irem para suas casas, antes que eu chame a polícia e ela mesma entregue vocês para seus pais."
Se virando para voltar para o carro, Tim deus as costas aos jovens assustados. Jesse não perdeu tempo em arrastar sua própria encrenqueira atrás do cunhado.
Tim desativou a tranca quando se aproximou do veículo e Leah abriu uma das portas traseiras para se enfurnar o mais distante possível do padrasto. Jesse agarrou a porta aberta e empurrou Madison para dentro ao lado de Leah. A menina mais nova não havia proferido uma palavra ainda, temerosa demais pela expressão de seu pai e tio. Jesse estava nervoso, preocupado e com raiva, além de frustrado com sua filha e sobrinha por terem feito o que fizeram. Mas ele não podia repreender sua filha ali, quando nem olhar na cara dela direito ele conseguia. Precisava se acalmar antes de dizer qualquer coisa à menina.
O silêncio dentro do carro era desconfortável. Nenhum dos adultos sequer proferiu uma palavra em direção às duas meninas sentadas no banco de trás, uma delas com os braços cruzados e a expressão irritada e a outra ainda engolindo em seco, os olhos grudados no lado de fora do carro.
Jesse tinha uma mão na cabeça enquanto, assim como sua filha, observava as ruas passarem depressa. Por todo seu corpo ainda perpassava a onda de preocupação que ele havia sentido assim que se deu conta que as meninas não estavam em casa, mas junto a isso havia também a raiva. Aquelas duas meninas aparentemente não tinham ideia do que haviam feito, pelo menos a carranca de Leah mostrava que a menina não se arrependera de ter saído no meio da noite sem avisar ninguém. Ele queria sacudi-la e tentar colocar um pouco de senso dentro de sua sobrinha, em sua filha também, mas ele precisava antes de tudo se acalmar. Ele aprendera da maneira mais difícil que lidar com crianças enquanto ainda estava com raiva não trazia nada de bom, apenas mais frustração.
Tim também não estava nada calmo. Não era a primeira vez que Leah fazia isso, e aparentemente os castigos não funcionavam. A questão era que a adolescente de 16 anos sempre achava que iria escapar e seus pais não descobririam, mas no final das contas era sempre pega. O rapaz sentia o sangue ainda correr quente em suas veias, conhecia aquela menina há dez anos e era como sua filha biológica, o tratamento em relação à Leah era o mesmo que ele dava a TJ e, em alguns meses, ao bebê dentro da barriga de Lauren. Não havia diferença, Leah era tanto sua filha como de Lauren, e a preocupação e amor em relação a ela fazia com que seu corpo tremesse ao pensar nos perigos que a menina se colocava.
Leah não era uma menina problemática, mas ela tinha amigos que Tim e Lauren sabiam o que eram capazes de fazer, e Leah sentia a pressão dos pares. Os dois pais já haviam proibido a garota de se encontrar com esses amigos, mas Leah nunca dera ouvidos e o fazia as escondidas. A bebida era uma questão entre eles, a menina sabia como seus pais se sentiam em relação a isso. No fundo Leah sabia que estava fazendo algo errado, principalmente decepcionando seus pais, mas ela não conseguia evitar quando estava entre aqueles que chamava de amigos.
Minutos se passaram e, ainda em completo silêncio a não ser pelo barulho do motor, o carro estacionou em frente à casa de Louise. Nem Leah nem Madison se atreveram a sair do veículo, enquanto Jesse e Tim não perderam tempo em sair e abrir as portas traseiras de ambas as meninas.
"Para dentro!" Tim apontou sem rodeios.
Madison saiu ainda sem dizer uma palavra e sequer encarar seu pai, Jesse esperou a menina se afastar para bater a porta e agarrá-la pelo braço, marchando até as escadas da frente. Madison sentiu o aperto machucar levemente e isso trouxe lágrimas aos seus olhos, ela só não sabia se era da dor ou da vergonha que estava sentindo.
Rachel e Lauren ficaram de pé simultaneamente ao ouvirem a porta ser aberta. Ambas as mulheres sentiram o alívio imediato ao avistarem suas filhas sãs e salvas, sem nenhum dano aparente. Mas o olhar nos rostos de ambos os maridos fez com que a preocupação se alastrasse novamente.
"Graças a Deus!" Lauren imediatamente se aproximou de sua filha e a tomou nos braços. Leah ainda mantinha o semblante irritado e nem sequer abraçou sua mãe de volta, deixando os braços caídos ao lado do corpo.
Madison, por outro lado, ao avistar os olhos marejados de Rachel sentiu o estômago apertar e a primeira lágrima escorrer. Rachel imitou a reação da cunhada e correu para a menina, apertando o corpo dela contra si enquanto segurava a parte de trás da cabeça de Madison, o rosto da menina afundado em seu ombro.
"Oh, Maddy. Eu quase morri de preocupação."
Madison apertou os olhos enquanto mais lágrimas escorriam, sentindo a culpa atingir em cheio seu peito. A voz de sua mãe era rouca e cheia de preocupação e medo.
"Desculpe, mamãe." ela soluçou, apertando os braços ao redor de Rachel.
Rachel se afastou e passou as mãos pelo rosto da menina, afastando os cabelos das bochechas agora molhadas da filha. Se inclinando levemente para frente, ela olhou nos olhos da menina.
"Por tudo que é mais sagrado nessa vida, onde vocês estavam?"
Madison encarou de volta o olhar aflito de sua mãe e soltou um suspiro tremido devido ao choro, fechando os olhos por alguns segundos para não ter que ver o que o rosto de Rachel expressava. Louise, vindo da cozinha, estava parada na entrada da sala com as mãos sobre o peito e, assim como as duas outras mulheres, tinha os olhos molhados.
Virando a cabeça, Madison encarou Leah que, assim como ela, estava sendo questionada por Lauren. A menina mais velha retornou o olhar como se dissesse para ficar calada, mas ela sabia que isso seria impossível, Jesse e Tim o diriam se elas não o fizessem.
"N-nós fomos en-encontrar uns ami-gos da Leah..." ela gaguejou ao se voltar para a mãe.
Rachel encarava atentamente o rosto da menina, enquanto a mesma vez ou outra esfregava um dos olhos e suspirava entre as lágrimas. A mulher reparou que as pupilas de sua filha estavam dilatadas, quase encobrindo toda a íris azulada, e as bochechas em um vermelho brilhante, mas ela pensou que pudesse ser por conta do choro e pela adrenalina de ter sido pega.
"Sem avisar de novo, Leah Adrianne! Quando você vai aprender a fazer o que Tim e eu dissemos a você?!" Lauren demandou, pondo as duas mãos no quadril ao se afastar completamente da filha e encará-la, frustrada "Eu não sei mais o que fazer com você!"
"E não é só isso." Tim se pronunciou pela primeira vez desde que entraram "Andem, digam à elas o que faziam."
Rachel franziu as sobrancelhas e viu o choro de Madison apertar, enquanto Leah encolhia os ombros e desviava os olhos das farpas de Lauren.
"Nós estávamos com Jase... Marcus..." Lauren fechou os olhos ao ouvir o nome do garoto, ela conhecia bem a figura e sabia que não era boa coisa.
"Madison. Você... bebeu?" Rachel perguntou quase desacreditada, sentindo o cheiro na respiração da menina. Mas não era só isso, havia algo mais. Sua filha parecia... Diferente.
"Leah," Lauren voltou a dizer em um tom sério, a voz baixa o que se tornava ainda mais ameaçador "Havia maconha?"
Ao ouvir sua tia, Madison abaixou a cabeça e sentiu o rosto inteiro esquentar, assim como ambos os pares de olhos de seus pais cravarem um buraco nela.
"E-eu..." Leah gaguejou. Ela não havia usado esta noite, mas Madison sim, e Leah não queria entregar a prima.
"Leah!"
"Sim." suspirou resignada, ao mesmo tempo que os soluços de Madison se fizeram ouvidos pela sala de estar onde todos estavam.
"Madison." Jesse chamou, esperando a menina olhar para si, quando ela o fez, ele cruzou os braços sobre o peito e se aproximou lentamente de onde a esposa e filha estavam "Você fumou?"
A menina de quatorze anos sentiu seu coração pular uma batida, a respiração acelerar e os olhos arderem.
"Eu não queria!" Madison soltou, sua voz claramente desesperada "Eu juro, mas e-eu fiquei curiosa e-"
Rachel imediatamente se afastou da menina e virou as costas, pondo uma mão sobre o rosto indo se sentar no sofá. Jesse fechou os olhos e balançou a cabeça em um aviso para a menina parar de falar, se virando para sair completamente da sala e entrando na cozinha. Ele passou pela mãe no portal e Louise apenas deu um olhar compadecido ao filho.
Madison continuou parada no lugar, o rosto encharcado pelas lágrimas e os ombros tão caídos quanto podiam ir. Lauren esfregava uma mão em sua testa, de certa forma sua filha havia sido culpada pela nova "aventura" de Madison. Ambas as meninas haviam feito escolhas erradas naquela noite e precisavam pagar por isso.
"Pois bem, parece que temos muito o que resolver." Tim se pronunciou depois do silêncio pesado que caiu na sala de estar. "Porém acho que o mais prudente seja resolvermos isso amanhã. Está tarde e as meninas precisam dormir. Inferno, todos nós precisamos."
"Sim, também acho que é o certo a se fazer." Lauren concordou, dando um olhar piedoso à Rachel que no lugar que havia sentado no sofá ainda não havia levantado nem olhado para qualquer um ali presente. "Vamos para casa, amanhã nós conversamos melhor."
Lauren saiu pela porta arrastando uma Leah carrancuda pelo braço, Tim seguindo logo atrás após terem se despedido dos que ficariam. Eles não precisaram se preocupar com TJ, deixando o menino dormir com a avó naquela noite, não fazia sentido arriscar acordá-lo. Louise fechou a porta depois que o carro deixou sua calçada e passou a chave, se virando lentamente para voltar a sala dando um longo suspiro.
"Hey, docinho." ela se dirigiu calmamente à Madison que havia se sentado encolhida em uma das poltronas, o mais distante possível de sua mãe, "Vá se lavar e dormir. Já está muito tarde." disse suavemente, mas com um tom de firmeza.
Madison levantou os olhos para sua avó e assentiu lentamente, dando uma fungada enquanto se levantava e seguia as ordens lhe impostas, subindo as escadas em um torpor sentindo as lágrimas secas em seu rosto grudento. Depois que havia sumido escada acima, Louise se aproximou do sofá e sentou ao lado da nora.
"Hey."
"Não posso acreditar que ela foi capaz de fazer o que tanto Jesse e eu lhe dissemos sermos totalmente contra. Nós damos liberdade a ela, com limites, mas sempre impusemos nossas condições para que ela possa ter a privacidade e escolhas dela." Rachel soltou de uma vez, como se estivesse segurando preso em sua garganta e de repente tinha que expulsar.
"Eu sei, querida. É difícil acreditar quando eles extrapolam os limites, parece que todo nosso trabalho falhou." Louise deu um meio sorriso, se lembrando de quando seus próprios filhos saíam da linha, "O importante agora é que ela está segura e na cama."
"Todas as coisas que poderiam ter acontecido... E nós nem saberíamos!"
"Sim, isso é verdade. E é por isso que agora vocês precisam trazê-la de volta para dentro dos limites, puni-la pelas escolhas erradas."
"Eu me sinto completamente frustrada. Madison não é assim..."
"Ela está crescendo, a curiosidade faz parte do crescimento." Louise tentou soar sensata, mesmo que ela mesma quisesse colocar sua neta sobre os joelhos e dar-lhe umas boas palmadas, mas como uma mãe de duas criaturas teimosas por natureza, ela sabia que a disciplina precisava ser muito bem pensada e que as crianças também tinham o direito a descobertas.
Rachel suspirou pesadamente, "O que essas meninas tinham na cabeça?"
Louise riu de escárnio, "Ah se os pais soubessem tudo que se passa na cabeça dos filhos, acho que paz mundial se restauraria."
Jesse entrou na sala naquele instante, o semblante cansado e as mãos dentro dos bolsos frontais de suas calças. Rachel levantou a cabeça e trocou o olhar com o marido, Louise deu um sorriso ao filho.
Ele havia se retirado para o quintal dos fundos minutos antes, tentando fazer com o que o ar fresco da madrugada limpasse sua mente e acalmasse seus nervos. Ouvir sua filha proferir aquelas palavras havia trazido algo em seu estômago, algo ruim. Jesse havia desconfiado de algo ao avistá-la sentada no chão da pista de skate, encolhida, os olhos arregalados em todos os lugares. Parecia... aérea.
Apesar de desconfiar, ouvi-la confirmar havia doído. Como se toda a confiança depositada se dissipasse como névoa. E para piorar, vê-la confessar em uma voz completamente chorosa e o rosto retorcido em culpa havia sido como uma facada no peito. Nunca é fácil ver um filho chorar.
Os minutos no quintal haviam ajudado. Ele ouvira sua irmã e Tim se despedirem, mas logo depois o que veio de dentro da casa fora o silêncio. Quando entrou, apenas Rachel e sua mãe estavam no sofá, Madison longe de ser vista.
"Eu vou para o quarto, estou cansado." ele disse, a voz arrastada, depois suspirou e passou uma mão pelo cabelo, "Amanhã vai ser um longo dia. Você vem?"
"Em alguns minutos." Rachel respondeu. Jesse assentiu e se inclinou, beijando os lábios da esposa e depois a testa da mãe.
"Boa noite."
"Boa noite, meu filho. Durma bem."
Jesse duvidava que dormir fosse algo fácil naquela noite.
"Então... Chá?" Louise ergueu as sobrancelhas para a nora quando foram deixadas a sós.
"Acho que isso está mais para um café forte."
As duas sentaram-se no balcão da cozinha com suas canecas de café recém feito. Rachel levou a peça de cerâmica aos lábios e o líquido quente foi bem-vindo em seu organismo. Suspirando pela enésima vez, Rachel baixou a caneca e encarou a sogra.
"Talvez... Talvez ela tenha se rebelado." Louise uniu as sobrancelhas em confusão, mas deixou que Rachel prosseguisse. "Os últimos acontecimentos em nossas vidas podem ter feito com que ela tenha tentado algo para chamar atenção."
"Acha que tenha sido por causa da mudança?"
"Também. Mas não por isso principalmente. Talvez... Por conta de Shelby."
Louise quase engasgou com o café. A mulher mais velha arregalou seus olhos esverdeados e encarou Rachel atentamente.
"Querida?"
"Ela está de volta." Rachel sentiu o nó na garganta, fungando para espantar as lágrimas ameaçando em seus olhos.
"Oh, Rach..." Louise se condoeu, esticando uma mão para alcançar a da nora, "Me conta."
Rachel explicou os acontecimentos das últimas semanas, Louise ouviu tudo sem interromper e vez ou outra apertava a mão da atriz. Não era a primeira vez que ela ouvia Rachel falar de Shelby, já a consolara outras vezes, quando a mulher havia deixado a marca permanente na menina anos antes.
"Parece que desde que nos mudamos para Lima, as coisas têm desmoronado." Rachel confessou, "Às vezes penso se foi a melhor decisão."
"Claro que foi. Suas vidas eram caóticas em Nova York, todo mundo precisa parar e respirar."
"Mas a gente fazia funcionar dessa forma. Madison cresceu feliz."
"Claro que sim, não tenho dúvidas disso. Mas se você e Jesse sentaram juntos e tomaram essa decisão, foi para o bem de sua família. Não duvide de seus instintos."
"Madison tem agido diferente também."
Louise sorriu, tomando um tempo para bebericar seu café.
"Ela está testando vocês, como todo adolescente vivo neste planeta. É tudo muito novo, muitas coisas acontecendo. Ela sabe agora o que Shelby fez para vocês e não está nada contente por isso, mas como uma adolescente ela só precisa extravasar de alguma forma. Vocês pediram segredo à ela, uma hora a rolha estoura."
"Dissemos à ela que estaríamos aqui se ela precisasse conversar."
"Não podemos esquecer que, apesar de tudo, ela ainda é uma adolescente. E nem sempre eles nos escutam."
Rachel se deixou dar um sorriso tristonho e assentiu. Ela mesma se lembrava de sua adolescência, nem sempre o que seus pais diziam parecia fazer sentido em sua mente jovem. As vezes só parecia que eles estavam arruinando tudo.
Leroy e Hiram Berry passaram poucas e boas com pequena Rachel.
E agora ela pagava o preço com sua própria cria. Na mesma hora quis ligar para seus pais e pedir desculpa. Por toda aquela fase.
"Que tarefa a nossa, hum?" Louise brincou enquanto levantava para lavar as canecas usadas. Rachel não pode fazer nada além de concordar.
"Nem me fale."
Após limpar tudo, Louise se aproximou da nora e esfregou suas costas carinhosamente.
"Acha que consegue dormir agora, querida?"
Rachel suspirou antes de responder, "Não vai ser a tarefa mais fácil. Afinal ainda teremos que lidar com tudo amanhã."
Louise assentiu.
"Vai dar tudo certo. Apenas deixem claro que as escolhas que eles fazem têm consequências, sejam elas boas ou ruins."
E com isso elas subiram, sem ideia de como a manhã seguinte seria, e muito menos querendo que ela chegasse depressa.
Passando aqui para agradecer a cada um pelos comentários na história, sério eu sou muito grata. E peço perdão pelo longo intervalo entre as postagens, espero que estejam comigo nessa jornada.
Até a próxima! Xo
