Apesar de Tudo
O frio o abraçava, entrando em cada pequeno poro de sua pele, profundo demais para ser físico. Não havia dor, porque para haver dor, é preciso haver alma, e a dele começava a se esvair nos corredores infestados do prédio que se recusava a aceitar que havia uma nova ordem, que Voldemort era passado, que Potter vencera.
E ele realmente vencera, em todos os aspectos. As imagens em sua mente eram flashs que provavam isso centenas de vezes, de milhares de formas. A voz trêmula de Dumbledore, e o grito raivoso do garoto. O corpo muito vivo do rapaz que encarava o Lord das Trevas, os gritos alucinados da sua tia. O olhar firme e cheio de sentimento de Ginevra Weasley ao olhá-lo.
As pequenas marcas da derrota última. Sua mente o forçava a lembrar das mãos se tocando, e das palavras sussurradas, das confidências e confissões trocadas por dois exilados da guerra que tinham ajudado a começar em sua inocencia, que tinha roubado sua infancia. Não conseguia, agora, ver o conforto das palavras dela, apenas o desejo que nunca fora consumado, o beijo que nunca fora dado, ou os olhares de completa entrega. Agora, só restava a forma como o rosto dela olhava para Potter, como ele a pegava nos braços, segurando sua cabeça por uma mecha dos cabelos flamejantes, beijando-a com uma paixão que ele nunca julgara o grifinório capaz de sentir. Agora, ele só via a perda e o que nunca poderia ter sido entre eles, o rosto dela o evitando durante o julgamento e os olhos tristes de quando ela deixara clara sua escolha.
Mas tinha havido algo mais, algo que insistia em partir a barreira de névoa construída em torno dele; algo importante de lembrar, e a voz suave de Ginny chegou em seus ouvidos quase mortos.
"Nunca poderia dar certo, mas não significa que eu não senti - não significa que eu não te ame."
Ela o amava. Ela o amava. Ela o amava. Ele tinha que lutar.
"Expecto Patronum!"
