N/A: Laarc – Infelizmente para o nosso casal, não é o Seiya o ser mais detestável da fic! rsrsrsrsrsrsrsrsrsrs

Creio que será chocante... Mas tudo a seu tempo...

Bjs.


Sob o domínio dos deuses

Sailor Mars chegou ao Palácio de Diamante junto do sexteto.

Estavam no salão principal, onde havia três tronos de cristal.

– Minha querida, vou ensiná-la a ser uma bruxa poderosa.

– Não diga bobagens! Quero ir embora!

"Olympus Mons!", atirou sua rajada contra todos os presentes.

Tânatos riu e parou o ataque da sailor com as próprias mãos.

– Você é muito abusada, guerreira. Será perfeita como serva de Circe. Ela tem muitas coisas a lhe ensinar.

– Não quero saber de nada disso!

– Ah... Você vai querer saber, minha cara...

O Deus da Morte se aproximou de Rei e lhe cheirou os cabelos, deixando a moça completamente enojada. Ele sorriu para ela e se retirou.

Circe a tomou pelos braços e a trancou num dos quartos, presa por uma corrente enfeitiçada. Quanto mais Rei tentasse se soltar, mais as correntes apertariam seu corpo.

Seu broche de transformação estava agora nas mãos de Circe.

– Seus dias de sailor guerreira terminaram... Vou lhe ensinar a ser uma feiticeira poderosa... Tão logo deixe seu passado para trás, terá muito poder.

– Não me interessa nada disso!

– Por enquanto... Por enquanto...

Circe fez um corte no próprio braço e, com o dedo indicador, escreveu a palavra δμώς (dmôs*) na testa da guerreira.

Em seguida, no chão escreveu em grego seu encantamento, enquanto o proferia, com seus olhos tomados por uma sombra maligna :

Πιασμένος στον πόλεμο

Μακριά από το σπίτι και τους φίλους

Ξεχάστε το λαό της Γης

Και λαμβάνοντας υπόψη όλες τις αισθήσεις

Presa na guerra

Longe de casa e dos amigos

Esqueça-se do povo da Terra

E entregue todos os sentidos

Τρεις θεοί τώρα κυβερνούν

Υπηρέτης της Κίρκης θα σας

Και εκείνοι που περιμένετε

Πόνος να περιμένει

Três deuses agora governam

Serva de Circe você será

E aqueles que a você esperam

Somente dor os aguardará

– Não vou ser leal a você, Circe! – Disse Rei, começando a se sentir tonta.

– É claro que vai! – Disse a deusa.

Ela se retirou do quarto deixando a jovem na mais absoluta escuridão. Rei não percebia que o sangue da deusa em sua testa era aos poucos absorvido por seu corpo.

De volta ao salão principal do palácio, Circe se juntou a Nêmesis e Tânatos, que falavam de seus planos.

– Circe! Que bom que veio se juntar a nós na conversa. Nêmesis e eu achamos que é chegada a hora de espalhar nossas sombras pelo mundo, anunciando o começo de nosso reinado.

– Tânatos tem razão; já nos ocupamos bastante daquelas guerreiras e até demos muita conversa para Selene. Não é esse o nosso propósito.

A deusa feiticeira suspirou fundo. Ela sabia que, uma vez iniciado o processo, seria declarada a verdadeira guerra; já havia passado por isso antes e fora derrotada. Mas estava decidida a fazer tudo dar certo dessa vez.

Os deuses foram juntos para a frente de seu palácio. As três Queres, submissas, seguiam seu senhor a fim de observar a cena.

A paisagem em São Thomé das Letras era extasiante. A cidade das pedras era mesmo perfeita.

Tânatos ergueu sua foice e do fundo da terra uma energia brotava cobrindo o chão com uma pedra negra reluzente que se espalhava pelos caminhos.

Eram diamantes esculpidos da dor dos presos no mundo inferior, que, quando tocassem os pés dos humanos, fariam com que eles sentissem um pouco desse sofrimento também.

Nêmesis fez surgir sua lança e um vento frio começou a cortar o local. Ela o chamava de "vento da vingança". Quando ele chegava aos humanos, faziam-nos sentir-se mal por suas faltas passadas e presentes.

Circe, com seu cajado na mão direita, clamou pelas sombras, que, a partir daquela hora, sempre acompanhariam o local e se espalhariam pelo planeta. Sua função era obliterar a luz do Sol e manter a noite eterna.

Durante a madrugada, a energia dos deuses foi se espalhando, estendo-se pela cidade.

Aos poucos, ela atingiria todo o Brasil, alastrando-se pelo resto do mundo.

Os deuses sorriam.

A verdadeira guerra pelo controle da Terra tinha seu início.

Longe dali, Darien acordava em seu apartamento.

Mais uma vez sem se lembrar de como foi parar lá.

Olhou para o relógio: Duas e meia da madrugada.

Instintivamente, pôs a mão no braço ferido em batalha. E viu que o ferimento simplesmente desaparecera. Como isso podia ser? Lembrava-se de que estava sangrando...

Mas o que está acontecendo comigo?

Ele não conseguiu mais dormir e, quando os primeiros raios de sol surgiram no horizonte, recebeu um telefonema.

Era Haruka, que o chamava para uma reunião em sua casa.

Quando ele lá chegou, já estavam todos reunidos, incluindo a própria deusa Selene; Serena estava ao lado de Seiya, abraçada a ele. Darien evitou olhar diretamente para os dois. Mas não conseguiu desviar os olhares na direção dele.

– E o seu braço? – perguntou Serena.

– Está melhor... – Respondeu, sem dar maiores explicações.

– De madrugada, aconteceu algo em um país distante... No Brasil, uma grande sombra cobriu totalmente um dos estados, obliterando a luz do Sol, e o dia se converteu em noite! – Disse Ami.

– Isso me parece obra de Circe! – Ponderou Selene – Ela deve ter recuperado praticamente todos os seus poderes.

– Então é lá... No Brasil que eles edificaram sua casa? – Perguntou Mina.

– Tudo leva a crer que sim! – Disse Selene categórica.

– Então é pra lá que precisamos ir! – Serena se levantou decidida.

– Nós vamos derrotar também esses inimigos! – Disse Haruka.

– E trazer a Rei de volta – Completou Lita.

– Acho que devem ser prudentes. Não foi apenas Circe a agir... Há relatos de uma espécie de diamante negro cobrindo o chão. Isso é obra de Tânatos, tenho certeza. E Nêmesis deve também ter feito algo. Não será fácil derrotá-los, como já puderam perceber.

– Mas não podemos nos limitar a esperar os ataques deles. Se eles realmente estão no Brasil, é para lá que devemos ir! – Disse Haruka.

– Haruka tem razão! – Darien usou um tom de voz firme.

– Que assim seja! – Exclamou Selene – Eu irei com vocês.

– Tem certeza, Selene? – Perguntou Serena.

– Tenho. Vocês precisarão de mim; e, como eu já disse, tenho também minhas dívidas a acertar com Tânatos.

Todos se levantaram confiantes e decididos. E, por mais que se preocupassem com Rei, não tinham a menor ideia do que Circe planejava para ela, de como a deusa usou sua magia para manipular a mente da jovem.

A deusa feiticeira sorriu de satisfação quando abriu a porta do quarto no qual trancara sua vítima.

Lá estava Rei, os olhos vidrados, a inscrição em grego em sua testa agora emitindo um brilho avermelhado.

– Então, minha cara, pronta para me servir.

– Pronta! – Rei trazia um sorriso maligno nos lábios.

A deusa a soltou das correntes. A jovem vestiu a roupa que a deusa lhe entregara: um vestido preto. Também ganhou um colar de diamantes que reluzia em seu pescoço.

– Logo, você vai perceber o quanto está forte, minha serva. Quando meu sangue se entranhou em você, também lhe conferiu alguns poderes especiais.

– Eu agradeço, minha senhora.

– Vou lhe ensinar rapidamente alguns encantamentos. Só restam algumas horas até que cheguem aqui as que lutavam a seu lado. Quero que você comande as Queres e dê um jeito nelas.

– Será um prazer.

Em meio a essa conversa, chegou Tânatos e se deslumbrou com a beleza da jovem.

– Enfim se juntou a nós! Circe, você foi esplêndida. Sem dúvida, é uma adorável aquisição.

O deus segurou o queixo de Rei e a beijou. A jovem aceitou tal ato passivamente, sem nenhum sinal de desagrado.

– Se Selene não fosse a dona desse coração... Mas quem sabe não possamos nos divertir juntos, minha querida?

Rei permanecia inerte.

Muito longe dali, todos se organizavam para a grande batalha que estavam prestes a enfrentar. Serena respirava um pouco de ar fresco do lado de fora do templo. E se recordava de Rei andando pelo local, sempre trabalhando, cuidando de tudo ali.

– Bombom... Não se preocupe, eu vou estar a seu lado!

– Eu estou preocupada com a Rei, Seiya.

– Mas nós vamos trazê-la de volta; nós vamos conseguir.

Seiya a beijou e experimentou o contentamento de perceber que ela o aceitava enfim; que ele não era mais uma simples fuga.

A jovem, por sua vez, cada vez mais estava convencida de que Seiya era seu destino. Ele sempre esteve a seu lado por maior que fosse a dificuldade. Ela estava certa dos sentimentos dele por ela e sentia-se segura quando envolta pelos braços dele.

Mas teriam de interromper esse encontro em que seus dois corações batiam juntos, como se unidos num só compasso.

Era chegada a hora de partir para aquele país exótico e distante, que ela até hoje admirava somente pelas fotos, extasiada com suas praias e seu futebol – o Brasil.

As sailors, Tuxedo Mask e Selene deram-se as mãos para transportarem-se para a pequena cidade brasileira, na qual provavelmente os deuses estavam a realizar suas maldades.

Onze pontos de luz migraram até São Tomé das Letras.

O cenário era assustador. As sombras recobriam todo o estado de Minas Gerais. Na cidade, em meio à escuridão da noite em pleno dia, as pessoas andavam sem rumo, gritando de arrependimento e dor.

– Mas que coisa horrível! – Disse Sailor Moon, chocada com o que via.

As pessoas batiam com suas cabeças nas paredes, enquanto outras enlouqueciam a repetir palavras soltas.

– Esse lugar cheira à morte, feitiçaria e vingança... – Disse Sailor Pluto, com um quê de tristeza – Com certeza, é aqui que vamos encontrar nossos inimigos.

As sailors andaram até a Igreja do Rosário, uma edificação em pedra, que se encontrava repleta de pessoas que choravam, implorando pelo perdão divino. Naquela parte da cidade, aliás, era mais terrível ainda de se ver o que se passava.

Um senhor de idade avançada dançava de forma alucinada em cima do telhado de sua casa. Mais à frente, um homem apontava uma arma para a própria cabeça, dizendo-se arrependido de abandonar a namorada, que estava grávida. Também uma mulher de mais ou menos uns quarenta anos fazia cortes nos braços, dizendo que a dor física talvez desviasse a própria atenção da tristeza que sentia.

As pedras que cobriam o chão exibiam um brilho cada vez mais intenso. Selene entendeu que elas recolhiam o sofrimento dos humanos, fortalecendo-se. Tânatos – isso só poderia ser obra dele – sabia perfeitamente o que estava fazendo quando decidiu usá-las. Em breve, ele estaria ainda mais forte, pensava Selene.

Ami logo avistou o epicentro das atividades malignas no local. E correram até o Palácio de Diamante. Selene não deixou de admirar a magnífica construção erguida pelo trio, que abrigava um jardim de esplêndidas flores.

Mas não seria fácil invadi-lo.

As três Queres logo surgiram para defender suas entradas e junto delas havia uma figura taciturna, envolvida por sombras...

Sailor Moon foi a primeira a perceber de quem se tratava.

– Rei!

Dmôs = Prisioneiro de guerra, tomado como propriedade.