Não há quem possa ocupar seu lugar...
Por Amanda Catarina
BLEACH e seus personagens pertencem a Tite Kubo.
Nota: Um breve esclarecimento sobre a cronologia desta fanfic em relação ao anime. Pelo nível de poder de Ichigo a fic deveria estar situada após a luta dele contra Grimmjow no Hueco Mundo, com Inoue tendo sido supostamente resgatada. Mas como depois daquela luta, a turma ficou presa no Hueco Mundo, o posicionamento da fic retrocedeu para depois do treinamento de Ichigo com os Vaizards e antes do rapto de Inoue. Outros detalhes ler comentário final.
Capítulo 14
Abarai Renji não pôde mais prestar atenção à ladainha do oficial diante de si, quando viu seu capitão adentrar o quartel da divisão, cabisbaixo.
"Ele já voltou?! O que terá acontecido no Mundo Real?" - pensou consigo.
– Ah, eu tenho que ir... Por favor, relate o ocorrido ao terceiro posto.
– Espere, Abarai fukutaichou! - tentou ainda o jovem, mas foi totalmente ignorado.
Um pouco depois, o vice-capitão adentrou o gabinete.
– Taichou! Voltou rápido. Como foi? E quanto a Rukia? - desatou afoito.
– Ficará lá por mais algum tempo. - Byakuya respondeu seco.
– Mas...
– Isso é tudo, Renji. - encerrou ríspido.
O ruivo estreitou os olhos na expressão de seu capitão. Aquela aspereza era comum nele, mas o desânimo que percebeu em seu semblante foi novidade.
Mas sem ter como questionar, ele deixou o local silenciosamente e intrigado.
– Não é por aqui que vou saber das coisas. - murmurou do lado de fora.
Ao mesmo tempo, Byakuya, sozinho na sala, recostou na cadeira e inspirou fundo.
– O destino de Rukia está inteiramente entrelaçado com o daquele rapaz e além de qualquer interferência... seja minha, seja sua, Renji...
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Cerca de uma hora atrás no Mundo Real.
– Quem são aqueles caras? - Ichigo perguntou a Rukia, referindo-se a duas pessoas que conversavam com Urahara.
– Subordinados do clã Kuchiki. Devem ter vindo a mando do nii-sama para avaliarem os danos e providenciar o subseqüente reembolso.
– Entendo. - retrucou envergonhado e inspirou fundo – E nós? O que fazemos agora?
– Ainda dá tempo de ir à escola.
– Isso nem pensar. - retrucou enfático.
Rukia pensou um pouco.
– Então... por que não vamos pra sua casa e conversamos com seu pai? - ela sugeriu.
– Com meu pai? Sobre o que exatamente?
– Sobre eu e você começarmos a treinar aqui, no espaço do subsolo.
O adolescente encarou a namorada como quem gostou da idéia.
– Quando pensou nisso? - indagou curioso.
– Agora mesmo. - falou calma.
– Eu achei ótimo.
– Mas precisamos ver se o Urahara vai ceder o espaço. - disse pensativa.
– É, depois dessa baderna... - ele olhou ao redor do quarto arruinado. – ...não seria de se estranhar se ele recusasse.
Os dois ainda conversavam quando o ex-shinigami se aproximou deles.
– Bem, está tudo resolvido. - anunciou com um grande sorriso.
– O clã Kuchiki não o deixará no prejuízo, presumo. - Rukia comentou.
– Claro que não! - e alargou ainda mais o sorriso.
– É... Urahara-san. - Ichigo falou – ...nós já dissemos que lamentamos pelo estrago, pedimos desculpas e tal, só que ainda tem uma coisa que gostaríamos de lhe pedir...
– E o que seria? - indagou em seu tom cantado.
Ichigo olhou para Rukia.
– Poderia nos emprestar o espaço no subsolo? - explicou ela – Queremos iniciar a um treinamento para aperfeiçoar nossas habilidades.
– Ah, que interessante... Claro, estejam à vontade. É sempre um prazer ajudar o Kurosaki-kun, e é uma honra auxiliar alguém da prestigiada família Kuchiki. - disse muitíssimo irônico.
O rapaz lançou um olhar irreverente ao loiro.
– Imagino.
– Se está de acordo, ótimo. - Rukia retomou – Então nós iremos voltar à casa de Ichigo para comunicar essa idéia ao pai dele.
– Só tem um porém, Rukia, - Ichigou falou – ...teremos que fazer isso depois das aulas. É fim de ano e a idéia de repetir não me agrada em nada.
A nobre ponderou um pouco e logo balançou a cabeça numa afirmativa.
– Tudo bem, isso não é problema.
– Conversem direitinho com Kurosaki Isshin-san. - aconselhou Urahara – Digam a ele que poderão ficar hospedados aqui por alguns dias. Do contrário entre idas e vindas não sobrará quase tempo para treinarem.
– Podemos mesmo ficar aqui, Urahara-san?! - indagou o garoto, entusiasmado.
– Podem sim, mas creio que seu pai irá exigir que fiquem em quartos separados se assim for.
Desconcertados, ambos enrubesceram na mesma hora. Kisuke não perdia uma oportunidade de deixá-los envergonhados.
– Claro! - Rukia exclamou de pronto.
– É. - Ichigo emendou, mas muito menos convicto que ela.
– Certo. Devo aguardá-los hoje ainda?
– Não. - Ichigo se adiantou.
Rukia olhou na direção dele.
– Conversaremos com meu pai e passaremos a noite lá hoje. - ele decidiu.
– Ah sim, se forem mesmo ficar uns dias, precisarão arrumar malas e trazer coisas como roupas, pijama, escova de dentes... - Urahara comentou, divertindo-se. – Certo, mas independente de quando chegarem, as portas estarão abertas. São sempre bem vindos. - completou sem largar a ironia.
Rukia nem tinha cabeça para se importar com as gracinhas do ex-shinigami. As cenas de todo o ocorrido ainda estavam muito vívidas em sua mente. Discretamente ela olhou para Ichigo e não conseguiu evitar sentir um aperto no coração.
Ele se mostrava lúcido, plenamente restabelecido, como se nada tivesse acontecido. Só que minutos atrás, confusão, desespero e perigo reinaram entre aquelas quatro paredes.
Cerrou um dos punhos. Apreensiva, preocupada e até temerosa quanto ao futuro.
– Kuchiki-san, que tal um chá? - Urahara convidou gentil, atento ao estado dela.
– Seria bom. - concordou amuada.
– Venham comigo os dois.
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Pouco mais de onze de manhã, na Soul Society.
Hisagi Shuhei assentiu com um certo riso às últimas palavras de seu informante.
– Mas este Kurosaki é mesmo um fenômeno. - ele comentou, com seu brilho jornalístico nos olhos estreitos. – Um caso desse é matéria pra primeira página! Preciso trabalhar nisso agora mesmo. Você pode ir.
– Sim, senhor. - o moço retrucou de pronto e rumou à porta, deparando-se com uma pessoa que acabava de chegar.
"Com licença." - Hisagi ouviu e voltou-se imediatamente naquela direção.
– Abarai! Perfeito!
– Hã? O que quer dizer com isso?
– Ninguém melhor que você pra confirmar essa história da ida do capitão Kuchiki ao Mundo Real.
– Ora, mas é justamente pra saber sobre isso que vim aqui. Um fofoqueiro de plantão como você já deve saber de tudo.
Apesar daquilo soar mais como uma crítica, Hisagi se vangloriou ao pensar que devia ser a pessoa mais bem informada do Sereitei.
– O que, não me diga que não está sabendo? - retrucou provocativo, com ares de superioridade.
– Muito pouco. O capitão não quis me dizer.
– Definitivamente veio ao lugar certo!
Renji tomou o lugar à frente do amigo, que tinha se levantado antes, mas voltara a acomodar-se.
– Desembucha. - intimou o ruivo.
Shuhei recostou mais à cadeira, apoiou as mãos na mesa e começou a falar:
– Bem, segundo o capitão Ukitake, o capitão Kuchiki partiu para o Mundo Real antes do sol nascer, bastante irritado com sua irmã, por ela não ter dado cabo de um hollow mutante.
– Disso eu sei.
– É, mas o que você não sabe é que quando o capitão Kuchiki falou de trazê-la de volta, o jovem Kurosaki, que anda de namoro com ela, como você bem sabe, ficou totalmente descontrolado, mostrou seu lado hollow e partiu pra cima dele!
– O que?! - Renji exclamou e se colocou em pé, incrédulo.
– Exatamente isso. Agora, se está pensando que foi seu capitão quem resolveu o problema, pasme, porque quem deixou o fedelho pianinho foi a própria Rukia.
O ruivo deu um sobressalto e logo ficou lívido de espanto, depois deixou-se cair de novo no assento.
– Não acredito. - balbuciou desconcertado.
"O capitão? Perder de novo pro Kurosaki? Não pode ser." - pensou o ruivo.
– Isso é balela. - disse ele após alguns instantes.
– Não, não é! - Shuhei retrucou enérgico – Um dos tesoureiros do clã Kuchiki garantiu a meu informante que uma considerável soma de dinheiro foi destinada a Urahara Kisuke, pois toda a confusão aconteceu dentro da loja dele.
– Céus, a cada instante piora. Você tem mesmo certeza disso, Hisagi?
– Claro!
– Mas Rukia não ia poder com aquele cara estando ele descontrolado. Isso não faz sentido...
– Parece que sua amiga anda evoluindo em força então.
– Isso sim... Rukia já devia ter subido de posto há tempos.
– É verdade. Mas o problema é que o capitão Kuchiki não quer isso. Você melhor do que ninguém sabe como ele é superprotetor.
Renji envergou uma sobrancelha e lançou um olhar desconfiado ao amigo.
– Sei. Mas sem chance, Hisagi, não me leve a mal, mas terei que ouvir isso da própria Rukia pra acreditar.
– Pretende ir ao mundo real também?! - espantou-se o moreno.
– Não. Isso já gerou polêmica demais. Vou entrar em contato usando um smart-fone mesmo.
– Ah... - assentiu aliviado e se levantou – Tudo bem. Mas não há motivo pra você duvidar da credibilidade de nosso jornal.
– Claro que não. - disse simplesmente, mas Hisagi sentiu certa ironia no tom dele.
– Ih, qual é? Tô percebendo desconfiança em você. Agora é assim é? Já não tenho crédito por causa daquilo que aconteceu com minha equipe.
Renji revirou os olhos e balançou a cabeça.
– É você quem está dizendo. De novo. - acentuou, pensando que tanto Hisagi como Kira andavam, na opinião dele, exageradamente inseguros devido à deserção de seus capitães. – Bom, eu tenho que ir. Obrigado de qualquer forma.
– As ordens. Te acompanho até a saída.
Os dois caminharam alguns passos por um corredor largo, então Hisagi olhou no relógio.
– Puxa, já é tarde assim... - ele falou – Pode me fazer um favor, Abarai?
– Diga.
– A Rangiku-san me chamou para almoçar com ela, mas tenho que cuidar desse furo de reportagem pessoalmente. Não poderia acompanhá-la e transmitir minhas desculpas.
– Sem problema. Não tenho nada agendado mesmo.
– Se tiver vergonha de ficar sozinho com ela, pode chamar o Iba-san e o Kira. Ela não vai se importar. - Shuhei provocou com risinho matreiro.
– Mas que espécie de comentário é esse?! - retrucou não muito alto, mas bem ultrajado – Eu? Ficar com vergonha, mas é cada idéia...
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Ichimaru Gin relia seu próprio relatório, assentado num dos dois lugares à frente de uma mesa atrás da qual Aizen Sousuke estava.
Ambos aguardavam pela chegada de Tousen Kaname, e não precisaram esperar muito.
– Com licença, Aizen-sama, Ichimaru.
– Veio rápido, Kaname. - comentou o líder. – Espero não ter atrapalhado suas atividades.
– De modo algum.
Gin endireitou a postura, ao mesmo tempo em que Kaname ocupava o assento vazio a seu lado.
– Creio que já devem imaginar do que se trata.
– Os distúrbios causados por alguns hollows. - arriscou o negro.
– Exato. Gin, por favor, seu relatório.
– Pois não... O que aconteceu com esses hollow foi uma espécie de mutação. Para evitar serem extintos pelos Arrankar eles desenvolveram novas habilidades. Nada tão significativo ou assim extraordinário. Irrelevante se comparado ao nível dos Espadas.
– Na sua opinião, Gin, isso nos beneficia de alguma forma? - Aizen indagou, com seu olhar indecifrável.
– Pode ser de algum benefício se usarmos esses hollows para treinar os Arrankar, afinal eles são mais fortes que os hollows comuns. No entanto, existe a possibilidade deles se unirem e começarem alguma revolta.
– Coisa que não é de nosso interesse, sem dúvida. - Tousen observou.
Aizen ponderou uns instantes antes de voltar a falar.
– Ainda que seja formidável que até hollows comuns busquem ultrapassar seus limites, não estou disposto a deixá-los seguir com isso. Kaname, coloque Szayel a pesquisar este caso com mais afinco. Estou certo que a Soul Society tem feito o mesmo.
– Sim, Aizen-sama. - assentiu servil.
– Gin, salvo os espécimes a serem usados nas pesquisas, os demais devem ser exterminados. Escale Nnoitra para cuidar disso.
– Como quiser, Aizen-sama. - retrucou com certo escárnio.
Tousen se retraiu com a tonalidade do mais novo. Havia uma ambiguidade desconcertante sempre permeando as falas de Ichimaru. Não compreendia ao certo o que de fato o motivava, se admiração ou apenas o gosto pelo perigo.
Como o assunto parecia encerrado, os dois se levantaram, mas se detiveram quando Aizen voltou a falar.
– Se isso aconteceu com os hollows, será que algum outro tipo de evento inesperado não poderia acontecer entre os shinigamis e seus aliados no mundo humano?
– Aliados? - estranhou Gin.
– Sim. Aquelas crianças que Urahara Kisuke tem usado. Kurosaki Ichigo e os outros.
– Ah...
Tousen permaneceu no lugar, sem nada dizer. Gin foi quem falou:
– Já constatamos que devido ao nível de poder anormal de Kurosaki Ichigo, aqueles jovens também desenvolveram certas habilidades.
– Quero todos os dados referentes a isso. - Aizen exigiu – Talvez alguma daquelas crianças ainda possa ser de alguma serventia.
– Irei providenciar o mais rápido possível. - Gin retrucou em seu tom típico, cínico, e em seguida se dirigiu à saída, sendo logo acompanhado por Kaname.
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Rangiku abriu o maior sorriso diante do resultado dos dados.
– Vai ter sorte assim na China! – Renji bronqueou. – Não sei porque insisto em apostar com você. Sempre perco!
– Isso! - ela vibrou – Vou poder comprar aquelas roupas tão legais que estava querendo. Ah, não seja um mal perdedor. - falou toda charmosa e deu um tapinha no braço dele, se atentando inclusive, naquele instante, para a firmeza daquelas formas.
Indiferente ao olhar direto da bela e bem dotada ruiva, Renji só lamentava pelo dinheiro perdido, além de não conseguir parar de pensar em tudo que ouvira de Hisagi.
– Que foi? - ela perguntou, percebendo mais que zanga na expressão dele.
– Nada... - disse e jogou os dados dentro do copo e o deixou de lado.
– Se está tão inquieto assim, por que não vai lá e tira essa história a limpo?
– Não convém.
– Não entendo você... é tão explosivo para algumas coisas e tão devagar para outras.
Antes que Abarai respondesse, ambos ouviram a voz branda e doce de Kira Izuru:
– Não seja dura com ele, Rangiku-san.
– Kira! - exclamou contente a ruiva.
– Você demorou. - Renji comentou.
– Peço que me desculpem. Sugiram alguns contratempos, na verdade, nem posso ficar. Aproveitem a refeição por mim.
– Mas que contratempos são esses que lhe roubam até a hora do almoço? - inquiriu a ruiva – Nem nosso caro Abarai, que é da equipe seis - enfatizou – ...se sujeita a algo assim.
– Pois é... que falta faz um capitão. - o loiro falou cheio de pesar.
– Você que é muito mole, Kira. - Renji implicou – Hisagi está na mesma e tem se virado bem. - comentou impiedoso, deixando tanto o loiro quanto a ruiva desconcertados.
Kira o encarou com raiva, mesmo que aquele tipo de implicância fosse comum da parte de Abarai, e mesmo já estando até acostumado, dessa vez, não deixou barato.
– Ah é? E por que ele não está aqui também? Por acaso está usando uma capa de invisibilidade? - retrucou, deixando claro o ressentimento.
A vice-capitã tinha ficado tão aturdida com aquelas palavras do ruivo que só então reagiu e balançou a cabeça numa negativa.
– Renji! Isso é coisa que se diga!? Qual seu problema?! - esbravejou ela.
– Ih... - Renji revidou fazendo careta à ruiva – Pra sua informação, Kira, Hisagi não veio porque além do trabalho no nono esquadrão, ele ainda tem aquele jornaleco pra cuidar. - respondeu, na mesmíssima insensibilidade.
– Tá vendo, Kira, e você que chegou dizendo para eu não ser dura com ele. Esse bruto sem sentimentos merece!
– Receio ter que concordar. - Kira falou resignado, mas nem estava mais tão bravo.
– Parem de falar como se eu não estivesse aqui!
– Você que devia parar de fazer piadinha com coisa séria! - exaltou-se ainda mais a ruiva.
Foi então que os dois vice-capitães perceberam que ela estava realmente brava. E Kira precisou de meio segundo para compreender que era por causa de seu ex-capitão. Afinal ele não fora o único a ficar arrasado com a traição de Ichimaru.
Um incômodo silêncio reinava entre os três, quando Hisagi chegou ao local, empolgado, com a página do jornal a ser publicada logo mais na mão.
– Vejam! Podem se gabar agora de serem meus amigos... - ele dizia, mas então Rangiku se levantou de súbito, lançou um olhar feroz ao ruivo e seguiu dali em passadas apressadas, chegou inclusive a esbarrar com ele, mas sequer desculpou-se.
– O que deu nela? - indagou confuso o recém chegado.
– Abarai... - respondeu Kira.
– É assim que você fica no meu lugar?! - exclamou bravo.
– Eu não fiz nada!
– Ele fez um comentário que ela não gostou, relacionado a... Ichimaru Gin. - explicou o loiro, e vacilou um instante ao pronunciar o nome de seu ex-capitão.
– Nada a ver! - esbravejou o ruivo – Dei uma no Kira e ela que se doeu.
– Mas quando vai deixar de ser assim, Abarai?! Se você chateá-la outra vez, vai se ver com minha zampakutou! Se é só na base da briga que você entende, resolvo isso. - ameaçou realmente sério, deixando claro seu descontentamento.
Renji bufou irritado.
– Já disse que não fiz nada!
– Caso nunca tenha ficado sabendo... - Kira começou tímido – A Rangiku-san ficou muito triste com o que aconteceu, ela era... amiga do capitão... digo, de Ichimaru Gin.
O ruivo ponderou uns instantes naquelas palavras.
– Mas que droga... - ele praguejou e se levantou.
– Aonde você vai? - Hisagi perguntou.
– Pedir desculpas, ué!
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Inoue tinha uma expressão triste ao guardar seus lápis no estojo. Ishida estava em pé a seu lado.
– Kurosaki-kun e Kuchiki-san faltaram... O que terá acontecido com eles? - ela indagou.
– Por certo algo aconteceu para a reiatsu de Kurosaki ter se elevado daquele jeito. Mas seja o que for já deve estar resolvido, do contrário eles teriam nos avisado.
A colegial balançou a cabeça concordando, apesar de seu semblante continuar tristonho.
– Podemos passar na casa do Kurosaki. - Uryuu sugeriu.
– Assim sem mais nem menos?
– Podíamos ir sob o pretexto de levar a matéria de hoje.
– Boa idéia, Ishida-kun! - exclamou ela, contente.
– Se eu soubesse que ia ficar tão animada teria sugerido antes. - retrucou calmo.
Ela sorriu em resposta e acrescentou:
– Ah, podemos passar no Cherry Baby na ida? Quero tomar um milkshake de morango.
– Claro, isso seria muito bom.
Orihime sorriu diante da boa vontade dele. Vinha gostando muito daquele jeito cortês de Uryuu. Sua companhia agradável, a paciência e o cuidado que ele lhe demonstrava, enfim, tudo aquilo a fazia sentir-se especial.
Caminhavam rumo à saída do prédio, e mesmo ela sendo tão relapsa, percebeu que ambos eram alvo de olhos curiosos, sobretudo, das meninas. Claro Ishida Uryuu era o tipo que despertava a atenção: bonito, inteligente, gentil, (rico?). Um ótimo partido. Além disso, o fato de ambos serem os alunos de maior rank no colégio também colaborava e muito para sua popularidade, e a cada dia, cresciam os boatos sobre o envolvimento amoroso deles.
Mas pensando bem por que se esconder? Inoue se indagou. Se Tatsuki, sua melhor amiga, já sabia, não devia se importar com a reação dos outros. Pensando assim, ela cedeu ao impulso que a invadiu de repente, e alcançou a mão de Uryuu, da mesma forma que ele próprio vinha fazendo ultimamente, quando ficavam sozinhos em qualquer outro lugar.
Surpreso, o adolescente reduziu o ritmo da caminhada momentaneamente, mas para não criar alarde por algo tão banal (mas não pouco significativo), ele correspondeu ao singelo aperto, fechando os dedos na delicada mão dela, contudo, não olhou em sua direção, simplesmente retomou o caminho, com um leve sorriso curvando seus lábios.
Ao cruzarem o portão, deixaram para trás muitos queixos caídos, inclusive de colegas de sala.
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Já era anoitinha, Rukia estava sentada na beira da janela do quarto de Ichigo, as pernas para o lado de dentro e o tronco virado para a rua.
Fazia pouco tempo que Inoue e Ishida tinham saído. Ela e Ichigo passaram a tarde na companhia deles. Lancharam juntos e conversaram bastante. Os colegiais, depois de inteirados de tudo, ficaram abismados.
Enfim, aquele fora um dia de muita conversa para o casal de shinigamis. Inclusive, depois do jantar, Yuzu teve um surto de choro, quando Ichigo falou que ficaria uns dias fora. E era com ela que ele estava agora, consolando-a.
Mas não demorou muito e Rukia ouviu ele entrando no quarto.
– Ah, você está aqui... - ele falou ligeiramente surpreso.
Rukia voltou-se em sua direção e sorriu levemente.
– Ela é tão apegada com você... - comentou acerca de Yuzu.
– Mas eu não esperava isso dela. Pra que todo esse drama? Nem é a primeira vez... - retrucou e se aproximou.
– Ela é muito novinha ainda... - disse num tom desanimado que não passou despercebido pelo rapaz.
– Ei, o que foi? Você ficou tão quieta depois que Inoue e Ishida foram embora. - disse brincando com umas mechas do cabelo escuro dela.
– É que Inoue comentou algo sobre querer se aperfeiçoar também... - falou acariciando a mão dele, encarando-o nos olhos, mas como ele permaneceu quieto, ela continuou:
– Não há nada que podemos fazer por ela?
– Ah pára. Está querendo que ela treine com a gente? Dá um tempo! - ele se irritou e inclusive deu as costas a ela.
– Eu não disse isso...
– Inoue não é de briga. - falou mal humorado.
– É. Mas não consigo simplesmente ignorar o pedido dela. Eu não estou em posição de pedir mais nada a meu capitão... mas talvez ele possa liberar alguém da equipe para auxiliá-la.
– Rukia... não me leva a mal, mas definitivamente não estou com cabeça pra isso agora.
Compreendendo a deixa, ela pulou de onde estava, se aproximou do rapaz e abraçou-lhe o corpo, pensando que ele ter aceitado treinar com ela já tinha sido muito.
– Tudo bem. - disse escorando a cabeça nas costas dele e ficou assim por alguns instantes, mas logo se desvencilhou. – Já estou indo. Boa noite.
Ela caminhava rumo à porta, quando Ichigo a puxou pelo pulso.
– Dorme aqui. - ele pediu.
– Não convém. - retrucou sem voltar-se a ele.
– Por favor...
Havia algo no apelo dele que não parecia necessariamente relacionado à necessidade física, e Rukia percebeu isso. Por essa razão não relutou quando ele a puxou para si, nem quando os braços dele se fecharam em seu corpo.
– ...como eu pude ameaçar a vida do seu irmão? - Ichigo falou, bem baixo. – Você... poderá me perdoar algum dia?
– Isso não é coisa que eu tenha que te perdoar, afinal nem era você. - ela falou, compreendendo então o que realmente o afligia.
– Mas a culpa não deixa de ser minha. Eu que não pude contê-lo. - continuou no mesmo tom, o rosto levemente apoiado no alto da cabeça dela.
– Não vai acontecer de novo, Ichigo. - disse convicta.
– Não vai mesmo. - confirmou igualmente e voltou a insistir: – Dorme comigo.
– Tá bom.
CONTINUA...
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Gente, quando a Mariana comentou que fazia um mês que eu não atualizava levei um susto. Nem percebi! Mas aqui está. Apareceu bastante gente nesse, mas a situação do nosso casalzinho não progrediu quase. Por isso a questão de quantos capítulos restam para o final ficar em aberto de novo.
Agora, voltando a questão da cronologia...
Escrevi o esboço dessa fanfic há quase um ano e naquela época a turma nem tinha ido para o Hueco Mundo. A questão é que ainda estou postando a fic e na série a turma ainda está enrolada no Hueco Mundo, assim só me restou posicionar a fic para antes do rapto de Inoue.
Então é assim, na série, o treinamento de Ichigo com os Vaizards foi interrompido pela vinda de Grimmjow ao Mundo Real, ao mesmo tempo em que Inoue era interceptada por Ulquiorra na transição entre os dois mundos.
Na fic fica valendo o seguinte: o treino com os Vaizards foi concluído, mesmo Ichigo só conseguindo permanecer com a máscara de hollow por 11 segundos. Insere-se um espaço na cronologia na qual os Arrankar ficam quietos depois do treino dele por um período, e é nesse meio tempo que acontece todo o envolvimento entre a Rukia e o Ichigo mostrado na fic.
Assim, voltarei à cronologia da série quando Grimmjow vir atrás de sua revanche contra Ichigo e Ulquiorra for atrás de Inoue. Com as diferenças de que ela vai treinar com Ishida e não com a Rukia, Ulquiorra a levará de uma vez, e aquela cena (abominável) em que ela quase beija o Morango não vai acontecer porque ele já é namorado da Rukia!
Essa decisão me forçará a editar um ou outro detalhe nos capítulos anteriores, mas nada que comprometa aquilo que já rolou. Ok?
Vishi, que nota enorme! (risos) Mas é isso.
Recorde de comentários mais uma vez no capítulo anterior!
Obrigada, gente! De coração!
Tem sido maravilhoso compartilhar essa fanfic com vocês!
Um mega abraço!
