Capítulo XIV
-Solte-me Irina! Você esta me machucando! – Exigiu Bella enquanto tentava se desvencilhar do aperto exercido pela criada, mas não obteve sucesso algum. Automaticamente, a marquesa levou a mão livre ao ventre, na vã tentativa de proteger o bebe, pois sentia seu peito apertar mediante a ameaça que a sondava.
-Oras milady, não sabia que era capaz de fazer acusações tão graves a meu despeito para minha própria irmã! – A voz de Irina soava tão insana, que chegava a dar medo a qualquer um que a ouvisse, e fez com que Bella sentir arrepios em sua espinha.
-Então eu estava errada ao deduzir que fora você quem arquitetou aquele plano ardiloso para que eu flagrasse Tanya e meu marido aos beijos?
-Na verdade fui eu sim, mas não esperava que a senhora fosse capaz de me acusar sem ao menos ter provas concretas ao meu respeito. Afinal, não foi você quem se dizia injustiçada ao ter sido acusada de por fogo na biblioteca?
-Céus, não me diga que...
-Sim marquesa! Fui eu a responsável pelo incêndio, e se não fosse à tola da Tanya que vira as chamas, teria deixado que a casa toda queimasse... Mas a minha querida irmãzinha se quer notara que eu já estava na biblioteca quando ela entrou como louca no cômodo e começou a gritar para que trouxessem baldes de água.
-E também foi você que deixou a porta do curral aberta para que a égua prenha fugisse não foi? – Acusou Bella lembrando-se da maldita tornozeleira com o pingente em formato de "I", e finalmente compreendera que era "I" de Irina! Mas o sorriso sardônico da criada serviu apenas para comprovar sua tese.
-Milady é realmente muito esperta! Lorde Cullen deve ter mesmo muito orgulho de ter-la como esposa!
-Por deus... Jamais poderia imaginar que você tivesse um caráter tão podre a ponto de por fogo nesta casa e de sacrificar uma pobre égua prenha de forma tão vil! – Irina soltou uma gargalhada esquizofrênica que fez o coração de Bella bater cada vez mais forte.
-Como és ingênua milady! Mas se quer mesmo ouvir de meus próprios lábios, então admitirei que fui eu que cortei a carta de lorde Edward e entreguei a Tanya na esperança que a tola acreditasse que ele a amava. Fui eu quem pôs fogo na biblioteca e também fui eu quem deixou a porteira aberta, para que todos a culpassem pela morte daquele pobre animal!
-E por que fez algo tão cruel? Até onde eu saiba, nunca fiz nada para prejudicar-la ou até mesmo para fazer-la nutrir tais sentimentos por mim! – A jovem marquesa parecia confusa, e começava a sentir a mão formigar, mediante o aperto que a outra exercia sobre ela.
-Não me leve a mal, pois não tenho nada contra a sua pessoa milady. Mas fiz tudo isto, pelo simples fato da senhora ter casado-se com lorde Edward!
-Oras, não me digas que também estais apaixonada pelo meu marido! – Falou Bella enquanto revirava os olhos. Será possível que Edward era tão sedutor a ponto de todas as mulheres solteiras ficarem loucas por ele?
-De forma alguma marquesa. Jamais agradei-me de vosso marido, e garanto que em toda a minha vida, tive olhos para apenas e somente um homem: Laurent!
-Laurent? – Sua voz saiu com mais surpresa do que ela esperava – Você está se referindo a Laurent, primo de Edward?
-Exatamente! Foi ele quem me deu aquela tornozeleira de ouro que Eleazar encontrara no curral três dias depois da morte da égua! E por sorte, todos acharam que o "I" do pingente só poderia ser de "Isabella", deixando-me livre de qualquer suspeita.
-Oras, então as coisas começam finalmente a fazer sentido. Afinal, o único a lucrar caso meu marido não se cassasse comigo seria Laurent, pois herdaria toda a fortuna do Conde Carlisle!
-Vejo que a senhora é mesmo muito inteligente marquesa! Mas permita-me contar-la a minha triste historia... – Soltando finalmente o braço arroxeado de Bella, Irina se pôs a caminhar pela biblioteca com uma expressão ilegível no rosto – Conheci Lorde Laurent a mais de sete anos atrás, quando ele viera até Masen Park de visita com a família. Foi amor a primeira vista, tanto de minha parte quanto da dele. Mas infelizmente, Laurent não tinha dinheiro suficiente para que pudéssemos nos casar, e eu também não dispunha de um bom dote para ajudar nos preparativos. – Ela deu um suspiro teatral antes de prosseguir, o que deixava a cena ainda mais bizarra – Então, a única coisa que nos restava era esperar até que Lorde Carlisle morresse e deixasse toda a herança para meu querido Laurent, uma vez que as chances de Edward vir a se casar eram diminutas. Afinal, por que motivos um libertino convicto, que possuía uma grande fortuna e um titulo memorável se casaria só para ter em mãos a herança de seu pai?
-Mas seus planos falharam não é mesmo? – Concluiu Bella automaticamente, mas o ódio no olhar da criada respondia por si só a pergunta da marquesa.
-Exatamente minha cara! E tudo por que o mesquinho do seu marido não queria abrir mão de mais dinheiro. Sabe querida, no começo eu apenas queria afugentar-la daqui, pois se você não desse um herdeiro varão a lorde Edward, ainda poderia haver uma esperança para mim e para Laurent. – Ela fez outra pequena pausa para enfatizar o que dizia e de repente, lançou um olhar ameaçador na direção do ventre de Bella – Mas ai me vem você com este bastardinho na barriga!
-Não ouse falar assim de meu filho! – Grunhiu a marquesa com toda a autoridade! Podia agüentar qualquer tipo de desaforo, mas não toleraria que aquela louca falasse assim de seu bebe!
-Oh, perdoe-me milady! – Provocou a outra com um tom acentuado de ironia na voz – Sei muito bem que o filho que a senhora espera é de fato de Lorde Cullen, afinal, o casamento demorou pouco mais que uma semana para ser consumado, não é mesmo?
-Como sabe disto?
-Fiquei de olho em vocês. Sempre que os lençóis de suas camas eram lavados, eu os inspecionava, até o fatídico dia em que encontrei a maldita manchinha de sangue que comprovava que infelizmente o casamento passara a ser legitimo.
-Você só pode estar louca!
-Sim, acho que estou. Mas a culpa é sua, por que depois que meu amado Laurent soube que finalmente Edward teria um herdeiro, se desesperou e acabou afogando as magoas numa mesa de pôquer! – Irina não pôde deixar de derramar uma lagrima solitária que escorreu rapidamente por seu rosto pálido – E adivinha o que fizeram com ele quando descobriram que o pobre coitado não tinha dinheiro suficiente para pagar suas dividas de jogo?
-Não, o que fizeram?
-O deram uma surra tão grande, que agora ele está invalido em uma cama! E tudo isto é culpa de vocês!
-Eu, eu sinto muito... – Bella piscou varias vezes antes de poder prosseguir. Era hora de falar com calma e tentar amansar a fera – Mas não é nossa culpa! Se Laurent tivesse exposto seus sentimentos em relação a você, tenho certeza de que Edward poderia ter-lo ajudado e...
-E o que? Dar-nos alguma esmola para que pudéssemos nos casar? – Ela estava perdendo o pouco controle que lhe restava e isto fez a marquesa entrar em estado de alerta – Agora já é tarde pra isto minha cara Lady Cullen... E infelizmente, a única coisa que poderá aliviar minha dor e meu sofrimento, é vingança!
Bella nunca conhecera muitos loucos, mas sabia exatamente quando estava frente a frente com alguém cujo olhar parecia flutuar enquanto a fitava. Era hora de reagir se não quisesse que algo ruim ocorresse com ela e seu bebe.
Aproveitando-se de uma brecha que Irina criara entre ela e a porta, a marquesa se pôs a correr e saiu da biblioteca o mais rápido possível. Mas quando finalmente chegara a escada, sentiu seus cabelos sendo puxados de forma violenta para trás.
-Largue-me, ou juro por deus que gritarei tão alto que todos nesta casa virão ao meu socorro! – Estás palavra saíram com dificuldade de seus lábios, pois sua nuca começara a doer de forma descomunal.
-Duvido que possa se quer chiar quando seu pescoço estiver quebrado querida! A velha lei sempre aparece para punir seus infratores! Quem com ferro feri, com ferro será ferido... Edward me tirou quem eu mais amava, e agora, nada mais justo do que eu tirar dele o que ele mais ama!
Os acontecimentos que se sucederam foram rápidos demais para que Bella os compreendessem. Sentindo que Irina a empurrava, ela perdera o equilíbrio e de forma instintiva, agarrou-se ao que estava a seu alcance, que fora respectivamente o corrimão das escadas e o pulso da jovem Denali.
Mesmo assim, isto não impediu que a marquesa caísse e batesse as costas de forma bruta contra os primeiros degraus da escada. Logo em seguida, não pôde deixar de ouvir um estrondo bem a seu lado, e constatou ao abrir os olhos, que ao ter-se segurado em Irina, acabara por fazer-la perder o equilíbrio também.
O mais chocante foi ver a criada rolando logo em seguida escada abaixo, ficando com o corpo inerte quando finalmente atingira o último patamar do hall de entrada. Mas estas informações não foram processadas por Bella, por que a dor que ela sentia nas costas era tão grande, que faltava ar em seus pulmões para que pudesse gritar por ajuda.
A única coisa que podia fazer, era rezar para que alguém tivesse ouvido a queda de Irina e viesse ver o que acontecera. E foi exatamente o que ocorreu, pois em poucos segundos, surgiram no pé da escada Carmem, Tanya, Kate e Sue.
-Oh meu santo deus, Irina! – Gritou a pobre cozinheira de forma desesperada ao ver o corpo da irmã mais jovem estendido no chão.
-Ela caiu da escada? – Questionou Leah que acabara de chegar para ver o porquê de tantos gritos de lamentos da parte do Clã Denali. Mas nenhuma das cinco mulheres notaram a marquesa se remoendo de dor, pois só tinham olhos para o corpo de Irina. Bella já estava desistindo de tentar falar, quando finalmente viu a porta da frente sendo aberta e seu marido entrando por esta carregando duas grandes valises.
-Diabos, o que aconteceu aqui? – Praguejou ele ao ver o grupo de mulheres chorando e arregalando os olhos em sinal de surpresa – Irina caiu da escada?
-Creio que sim milorde... – Respondeu Sue ao pegar as malas dele e as colocar em um canto do Hall. Rapidamente o marquês se abaixou ao lado da criada e lhe pegou o pulso, constatando que a queda fora fatal, e em sinal de respeito, tirou o chapéu para fazer o sinal da cruz. Logo depois, de forma intuitiva, olhou para o topo da escada, e quase sentiu seu coração parar quando viu sua esposa estendida no topo desta.
-Bella! – Gritou Edward enquanto subia os degraus de dois em dois até chegar perto dela e lhe apoiar a cabeça nos braços – O que houve?
-Eu... – A marquesa tentou falar, mas sua voz saiu tão baixa que apenas ele poderia ter-la ouvido – Cai...
-Santo deus, não fale mais nada! Vou levar-la para a nossa cama agora mesmo! – Mas quando a segurou nos braços notou que a saia de seu vestido estava encharcada. Aquilo só podia significar uma coisa, e com certeza, ela não estava pronta para tal! – Alguém vem aqui, rápido! A bolsa estourou!
Para sua sorte, Sue e Leah logo se puseram a subir as escadas, enquanto que a família Denali continuava reunida em torno do corpo inerte de Irina. Com passos largos, Edward se dirigiu ao quarto, e delicadamente depositou a esposa na cama.
-Calma querida, vai ficar tudo bem, eu prometo! – Afirmou ele enquanto a acariciava na face.
-Ed... Edward... O bebe não está pronto... – A voz e Bella nada mais era que um sussurro, mas ele compreendeu o que ela queria dizer com aquilo! A criança ainda não estava pronta para nascer, pois a gestação contava apenas com oito meses.
-Eu sei, eu sei querida... Mas acho que ele não está muito disposto a esperar não é?
-Oras, o que ainda faz aqui milorde? – Perguntou Sue enquanto começava a despir Bella – Homens não foram feitos para assistir a um parto, principalmente se o parto em questão for o da própria esposa!
-Não vou sair daqui... – Proferiu ele determinado.
-Ótimo, então faça algo de útil, vá até o estábulo e mande alguém ir buscar o médico no povoado! – Como ele não se moveu se quer um centímetro, ela praticamente gritou – Vá logo homem de deus! Leah e eu não podemos cuidar disto sozinhas!
Dando um terno beijo na testa de Bella e a prometendo que estaria de volta o mais rápido possível, Edward saiu do quarto correndo e desceu as escadas, mas deteve-se ao chegar ao hall de entrada, onde as mulheres da família Denali ainda choravam pela morte de Irina, juntamente com Eleazar, que chegara há pouco.
Sabendo que também teria de tomar uma providencia em relação a isto, o marquês saiu da mansão e fora até os estábulos, onde encontrou um peão qualquer. Com ordens precisas, mandou que este pegasse o cavalo mais veloz e fosse buscar o médico no povoado e um coveiro para providenciar o enterro de Irina.
Quando por fim voltou para seu quarto, encontrou a esposa usando uma singela camisola de algodão branca, e num estado de consciência mais alerta do que a minutos antes, de forma que já conseguia proferir frases completas sem arfar.
-Como ela está? – Perguntou a Sue que dava ordens para Leah colocar água no fogo e trazer lençóis limpas.
-Acho que ainda levará algumas horas para o bebe nascer milorde... Afinal, o parto será prematuro...
-Sim, entendo! – E voltando-se para a esposa, não pôde evitar de perguntar enquanto se punha a seu lado na cama – O que houve a final querida? Por que estava estendida na escada quando a encontrei?
-Irina... – Ela respondia enquanto apertava a mão do marido em meio a uma contração – Ela me empurrou, mas eu me segurei... E por sorte... Não rolei escada a baixo.
-Mas por que ela fez isto? – Gritou Sue surpresa.
-Por que... Eu descobri que ela armara contra Tanya, para que a irmã pensasse que Edward a amava e eu a pegasse aos beijos com... Com meu marido! Ela também... Pôs fogo na biblioteca naquele dia do incêndio e depois disto deixou a porteira aberta para que... Para que a égua fugisse e todos pusessem a culpa em mim. Aquela tornozeleira com um pingente em formato de "I" que Eleazar achou no curral... Era dela!
-E por que diabos Irina fez tantas barbaridades contra você? – Indagou Edward com um tom de espanto na voz.
-Por que ela... Ela amava seu primo, Laurent. E queria que sua herança fosse pra ele... Para que os dois pudessem se casar e... Mas ai eu fiquei grávida... – Ela teve de parar para gritar mediante a mais uma contração.
-Desgraçada! – Grunhiu Edward, mas logo o ódio que o apossava deu lugar a preocupação mediante a expressão de dor que tomava conta do rosto de Bella – Tudo bem querida, eu estou aqui sim?
E ele manteve sua palavra, ficando ao lado da esposa e segurando sua mão a cada contração que ela sentia. Quando as dores começaram a vir com uma freqüência e intensidade maior, o médico finalmente chegara, e tomara o controle da situação.
Pela décima vez tentaram tirar Edward do lado da marquesa, mas ele fora determinado e não se levantou se quer um segundo. Era terrível ver a esposa sofrendo daquele jeito, sabendo que não poderia fazer nada para ajudar-la. Por isto, o mínimo que podia fazer, era manter-se ao seu lado e lhe dar todo o apoio do mundo.
- Não empurre ainda – Ordenou o médico compenetrado observando a dilatação que se encontrava.
- Queria acabar logo com isso – Arfou ela deitando a cabeça no travesseiro preparando-se para a aguardada onda de dor. Seu bebe ainda deveria ser muito pequeno, mas com certeza era grande o bastante para fazê-la gritar de novo quando a contração veio mais forte.
-Agüente firme meu amor... – Disse Edward enquanto beijava a testa suada da esposa – Já está acabando, não é doutor?
-Sim, de fato já posso ver a cabeça... Preciso que a senhora faça força quando eu mandar que faça está bem? – Ela apenas anuiu com a cabeça, mas não tinha certeza de que teria energia o suficiente para empurrar – Agora milady... Faça força agora!
E com um grunhido descomunal, Bella empurrou até não agüentar mais e cair mole em meio aos travesseiros. Mas seus esforços foram recompensados, pois logo ela pôde ouvir o choro forte de seu filho!
-É um menino! – Anunciou o médico com o pequeno pacote em mãos.
-Pouco me importa o sexo. – Respondeu Edward com tanta emoção que mal parecia ver outra coisa que não fosse o filho. Rapidamente, tomou o pequeno pacote dos braços do médico e o levou para junto da esposa – O que quero saber é se ele é saudável!
-Oh sim, ele é perfeito!
-Ouviu querida? Nosso filho é perfeito! – Repetiu o pai coruja enquanto dava um afetuoso beijo nos lábios da marquesa e lhe passava a criança que naquela altura do campeonato parara de chorar.
-Sim, e é lindo como o pai! – Disse Bella com lagrimas nos olhos – Não é mesmo pequeno Ed?
-Como disse querida?
-Oh, eu pensei em chamar-lo de Edward Junior...
-Ah não! De forma alguma. Quero que ele chame-se Sebastian. – Protestou o marquês com um sorriso divertido nos lábios.
-Você poderá colocar este nome no nosso próximo filho, mas este é o varão, e acho que nada é mais justo do que chamar-lo de Edward, assim como o pai!
-Então, tenho o prazer de apresentar ao mundo Edward Sebastian Cullen, futuro marquês de Masen! – E com aquelas palavras, Bella notou nos belos olhos verdes do marido, um brilho especial, que a fez sentir o coração acelerar. E assim, teve certeza de que sempre que olhasse para Edward sentiria aquele calor maravilhoso no peito.
-Eu te amo querido... – Ela disse enquanto o beijava levemente nos lábios e o via sorrir de felicidade.
-E eu te amo mais ainda, minha vida! Por que você me deu as duas coisas mais valiosas deste mundo: O seu coração e o nosso filho!
Chegando ao fim de nossa fic ^^
Obrigada pelas reviews Lea, Christye-Lupin e Chuva Fina...
Amanhã posto o Epilogo, em meio a muitas lagrimas :'(
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