Num pub movimentado da Filadélfia, dois amigos se encontraram. Um deles, moreno, alto e de cavanhaque, balançava seu amigo, dizendo:
- Qual é, cara! Se anima, vai!
- Não sei, Derek. Acho melhor eu ir pra casa – disse o rapaz de cabelos pretos e espetados.
- E o que você vai ficar fazendo na sua casa? Pensar na April? Vê se supera isso, rapaz! Já faz 2 anos que ela terminou com você, e desde então você não vive mais.
- Eu sei, mas...
- Mas o caramba. Levante a cabeça, Charlie! Você tem dinheiro, e é isso que as garotas apreciam, entende?
Convencendo seu amigo, os dois entraram na balada. Não demorou muito para que Derek arrumasse uma companhia e fosse se agarrar com a garota nos fundos da boate. Charlie, bebendo um martini sozinho, estava triste e sentia a depressão tomar conta dele. Estava distraído e nem viu que uma mulher sentou-se ao lado dele no balcão.
- Olá! – gritou ela.
Charlie olhou para quem gritou. Uma bela moça de cabelos loiros, compridos e cacheados, de olhos claros e sinceros, estava sentada no banquinho. Como todo homem, ainda mais um solteiro que não se aproxima de uma mulher faz 24 meses, tratou de olhar também os dotes da loira, constatando que a mesma possuía belas pernas e um decote fenomenal.
- Me chamo Elise, e você?
- Charles.
O nome do rapaz foi o suficiente para que Elise puxasse papo. A conversa fluía normalmente e Charlie se sentiu como não se sentia há muito tempo. Elise era comunicativa, bonita e estava flertando com ele. Charles só se deu conta que a paquera era séria quando Elise disse:
- Nossa, está muito barulhento aqui, não agüento mais gritar! Por que não vamos para um lugar onde possamos ficar sozinhos?
Era o dia de sorte do analista de sistemas. Já sabendo que aquela noite prometia, ele mal esperava para contar a Derek tudo o que estava prestes a acontecer.
Os dois entraram no carro e Charles parou no hotel que Elise sugeriu. Não tinham nem chegado no quarto e a moça já estava atacando o pobre rapaz.
- Ei, calma aí! – pediu ele, envergonhado.
- Oras, qual é! Nunca esteve com uma mulher antes?
As lembranças dos momentos que passou com sua ex-namorada, April, começaram a rodar como um filme na cabeça dele.
- Eu vou até o banheiro me arrumar e já volto, ok?
Aparentemente Charles não ouviu. Pensou e decidiu dar uma chance para ele mesmo. Afinal de contas, ele trabalhava tanto, fazia tantas horas extras e era submetido a cada coisa no trabalho, ele merecia um momento de lazer. E Elise era muito gata. Se preparando para o que ia acontecer, o rapaz tirou seu celular e palm dos bolsos e sentou na cama, esperando.
Charlie levantou-se quando Elise saiu.
- Minha... nossa!
Elise estava vestindo uma lingerie vermelha muito sexy. Charles agora tinha certeza: ele realmente tinha sorte.
Sem demora, Elise olhou para o lado, viu o celular e palm de seu companheiro no criado-mudo ao lado da cama. Ignorando esse detalhe, Elise abraçou Charles.
Charlie sentia o toque quente de Elise em todo o seu corpo. Só não esperava sentir uma pontada na barriga. Se afastando, viu que uma adaga estava cravada em seu abdome.
- O que é isso? O que...
- É melhor você ficar quietinho, para o seu bem – disse ela, calmamente.
Sem atender ao pedido de sua parceira, Charles começou a gritar sem parar. Apressada, Elise pegou sua pequena bolsa, o celular e o palm e saiu pela porta. Os berros de dor do rapaz já podiam ser ouvidos por todo o hotel. Se encaminhando para o corredor, um segurança do hotel seguia em direção aos berros. Quando viu Elise, ele parou. Seus olhos captaram os aparelhos na mão dela e sangue que manchou sua barriga.
- Que diabos? – disse ele, sacando a arma.
O segurança gordo atirou em Elise, forçando-a a desviar sua rota e correr pelo corredor. Os hóspedes, assustados, saiam de seus quartos e viam uma moça de lingerie correndo e o segurança gritando para ela parar.
- Aonde ela vai? – se perguntou uma senhora de 67 anos, que assistia a perseguição.
- Ela está encurralada – disse o marido da idosa, vendo que a garota se aproximava do final do corredor, onde uma parede com uma janela anunciavam o caminho sem saída.
Sem temer, Elise abriu sua bolsa, pegou uma espécie de pistola e sem hesitar, pulou do 30°andar.
O segurança correu para a janela e viu a mulher pairando no ar, como se ela voasse. Tentou atirar, mas a munição dele tinha acabado.
Elise, ao pular, apertou o gatilho de sua Grapple Gun e o gancho fincou no prédio do outro lado da avenida. Sendo puxada pela força da arma, sabia que não tinha como frear. Bateu com tudo na janela do prédio, passou por cima de uma mesa cheia de papéis até aterrissar no chão. Olhou para o corpo: ela não tinha se cortado e nem se machucado durante o trajeto. Checou sua bolsa. Os aparelhos estavam inteiros. Ela pegou o palm e acessou as pastas pessoais de Charlie. Interrompeu a leitura de um documento quando ouviu as sirenes da polícia ecoando lá embaixo, na avenida. Era hora de ir. Elise correu e desceu a escadaria. Ela não seria louca de usar o elevador com os trajes que estava, e também, poderia ser filmada pelo circuito interno. Quando chegou no térreo, viu do outro lado da rua duas viaturas e uma ambulância paradas. Sem se distrair, seguiu para o estacionamento subterrâneo do prédio. Se agachou atrás de um carro quando viu quatro adolescentes Emos passarem. Espiou e tudo estava livre. Pegou em sua bolsa um controle remoto e ao apertar um botão, um carro vermelho de vidros fumes acendeu suas luzes. Sem demorar, a moça entrou no carro e vestiu um sobretudo preto. Fincou as unhas em seu pescoço e puxou algo que estava incomodando-a a algum tempo. Tirou a máscara, a colocou dentro de uma valise, embaralhou a combinação do cadeado da mala e deu uma última olhada no espelho.
"É, dona Claire. Nem parece que você tem escrúpulos. Eu não fui culpada, eu lá tenho culpa se o cara vai trabalhar justo no local onde Denize Pardjey é diretora? O pouco que eu vi no Palm confirmou o que Alex me disse: eles realmente sabem do P-Virus Upgrade e querem-no a qualquer custo. Assim como eles não ligam de destruir famílias, torturar crianças e matar inocentes, também não ligo de esfaquear alguém por uma boa causa. Aliás, eu não acertei nenhum órgão dele, só o distraí para pegar os aparelhos dele. Dessa vez, espero estar certa. Mamãe está quase chegando, Dean. Agüente firme, por favor!"
Saindo da garagem do prédio, Claire olhou a ambulância levando Charlie e mais viaturas parando no hotel. Passou por eles e seguiu para onde ela estava hospedada. Chegando lá, ela trancou a porta e foi logo mexer no Palm de Charles. A leitura de documentos que ele guardava durou quase a noite toda. Claire viu relatórios sobre outros vírus que a empresa Pardjey desenvolvia, arquivos confidenciais e uma informação que congelou seu coração por um momento. Em um dos documentos, onde Claire viu que foi modificado por Albert W., tinha diversas fotos de uma criança recém-nascida, aparentemente morta. Reparando em cada detalhe, a mãe de Dean sabia que já tinha estado naquele local. Foi a sala onde ela acordara três meses depois de dar a luz aos gêmeos. Dean ficou na incubadora, enquanto outra foto mostrava Lenneth morta. Claire não conteve as lágrimas e chorou. Acabara de conhecer sua falecida filha através do Palm de Charles. Avançando nas fotos, viu o corpo de sua filha ligado a tubos grandes e grossos. Na outra página, uma mulher de cabelos escuros segurava Lenneth morta. Abaixo, a legenda dizia: "LNTH-00 restaurado com sucesso".
Claire pensava consigo mesma: "Restaurado" poderia ser a mesma coisa que "revivido"? Ela sabia que não era impossível, afinal, Wesker morreu tantas vezes e de alguma forma sempre voltava à vida. Será que sua Lenneth teve sorte?
Passada a emoção da descoberta, Claire achou o nome dos acionistas da empresa que Denize Pardjey dirigia. Na verdade, ela só tinha 15% da empresa e o restante pertencia a Eustaq Pardjey.
Pegou seu laptop e utilizando a conexão Wi-Fi do hotel, pesquisou tudo o que pôde da vida dos dois sujeitos. Viu que em dois dias Eustaq participaria de um congresso na Espanha. E determinada, ela participaria desse congresso também.
