N/A: Capítulo dedicado à V. Keat, Veve Kawaii, Krol Black e su-chan.
Capítulo Treze
Durante um longo momento, todo mundo guardou silêncio. Ficaram muito impressionados para dizer algo. Leah olhou ansiosamente ao Jacob, que tinha ficado pálido. Foi lady Jane a que falou primeiro.
- Está louca? Pansy!
- Não. Não estou louca - respondeu Pansy - É a verdade.
- Não! Não pode ser! - exclamou queixosamente lady Lauren - Foi seqüestrada. Todo mundo sabe. Morreu faz muitos anos!
- Está dizendo que Cecil mentiu a todo mundo? - insistiu lady Jane - Que você mentiu?
Pansy assentiu e, de repente, começou a chorar.
- Sim. Sim. Mentimos.
- Não, não, não - gemeu lady Lauren, sacudindo a cabeça.
- Mas, por quê? - perguntou Leah, incapaz de manter-se calada.
Tinha o coração encolhido ao pensar no que devia estar sentindo Jacob naquele momento. Todo seu mundo tinha dado um tremendo giro só uns meses antes, quando o conde o tinha encontrado. E naquele momento havia tornado a mudar radicalmente.
- Por que fingiram que nos tinham seqüestrado?
- Porque Cecil não podia suportar que ninguém soubesse a verdade! - gritou Pansy - O escândalo.
- Fez isso para evitar um escândalo? - perguntou Leah, perplexa.
- Não por si mesmo! - seguiu Pansy - Foi por ela! Fez-o pela Selena. Inclusive então a queria. Ele estava seguro de que ela se daria conta de que tinha cometido um terrível engano e voltaria em poucos dias. Cecil não queria que sofresse pelos rumores que se produziriam se todo mundo se inteirasse do que tinha feito.
- É mais provável que seu orgulho não lhe deixasse admitir que sua esposa o tinha deixado – saltou Jane.
- Jane! Como pode dizer isso? - protestou sua irmã - Ao Cecil lhe rompeu o coração. Você sempre foi muito injusta com ele.
- E você sempre foi uma fraca - replicou Jane - Como sabe que Selene fugiu?
- Porque Cecil me disse isso, claro está. Ele não me teria oculto algo assim. Veio para ver-me com a carta que lhe tinha deixado Selene. Dizia-lhe que o sentia, mas que queria a outro, e que o ia deixar aquela noite. Pedia-lhe que a deixasse partir e que não a buscasse. Cecil encontrou a carta em seu escritório na manhã seguinte.
- E a deixou que partisse sem mais? - perguntou Jacob em um tom calmo, com uma expressão pétrea - Permitiu que levasse a seu filho?
- Já disse que estava seguro de que ela voltaria. Estava convencido de que Selene se arrependeria do que tinha feito e retornaria cheia de desculpas. Por isso, Cecil inventou a história do seqüestro e fingiu que a carta que tinha encontrado em seu escritório era uma nota dos seqüestradores. Ordenou ao Owenby que levasse o colar ao bosque, como se estivesse cumprindo com as exigências dos seqüestradores, e depois Owenby trouxe o colar de volta e Cecil o escondeu e disse que o tinham levado.
Pansy suspirou e depois continuou com a voz trêmula.
- Depois de um tempo, quando se deu conta de que Selene não ia voltar nem a ficar em contato com ele nunca mais, Cecil mergulhou no desespero. Não saía de seu quarto , e perdeu o interesse em tudo. O administrador da propriedade tinha que vir me perguntar sobre os problemas que surgiam, porque Cecil não queria ver ninguém.
No rosto do Pansy se refletiu o horror que sentia ao recordar todo aquilo.
- Mas, finalmente, deve ter se recuperado - disse lady Jane a sua irmã - Sei que Cecil não passou o resto de sua vida encerrado em seu quarto.
- Não, claro que não - respondeu Pansy - Finalmente voltou a ser ele mesmo. Começou a tomar interesse pelas coisas novamente, pouco a pouco. Enviou Owenby para procurar Jacob , mas então o rastro já se perdera, e não puderam averiguar nada nem do Selene nem do menino. Cecil estava seguro de que seu amante e ela deviam ter ido diretamente a um porto e ter saído do país. Owenby foi a Londres, ao Liverpool, mas não pôde encontrar nenhuma pista sobre eles. Certamente, usaram nomes falsos. E podiam ter ido a qualquer lugar. Cecil enviou a um homem a Europa para procurá-los, mas tampouco teve êxito. Com toda probabilidade, partiram às colônias, a qualquer lugar onde tivesse sido impossível buscá-los.
- Mas, e seu filho? - estalou lady Jane - Jacob era o herdeiro do Cecil! Não posso acreditar que não o procurasse para trazê-lo para a casa de novo.
- Eu lhe pedi que procurasse o menino - insistiu Pansy - Recordei-lhe que devia ter um herdeiro. Não importava que ela se fora, mas a sucessão estava em jogo. Entretanto, já não lhe importava. Disse que seu irmão herdaria o título depois dele. Negou-se a seguir a uma mulher que não o queria e que tinha chegado tão longe para escapar dele.
Então, Pansy olhou a outros, e ao ver suas expressões de incredulidade e horror, acrescentou com culpa:
- A ele não lhe ocorreu que Jacob pudesse estar em Londres. Nunca pensamos que Selene pudesse abandonar ao menino. Como íamos saber isso? Pensamos que Jacob estava bem, que estava com sua mãe.
Lady Jane sacudiu a cabeça com assombro.
- Não posso acreditar, nem sequer do Cecil. Como pôde permitir-lhe? Como pôde ser tão obtusa?
- Não sei! - Pansy explodiu em lágrimas - Eu não queria fazer mal!
Jacob se deu a volta e saiu da sala.
- Oh, se cale, Pansy! - exclamou lady Jane com irritação. Voltou-se para sua irmã e começou a lhe dar batidinhas no ombro.
Um pouco mais à frente, lady Lauren estava a ponto de pôr-se a chorar também, Leah, fazendo caso omisso de ambas, levantou-se e saiu da sala de espera.
- Jacob!
Ele já estava a meio caminho do vestíbulo, mas se deteve e se voltou a olhá-la. Ela o seguiu apressadamente.
- Espere! Vou com você! – disse-lhe.
Ele negou com a cabeça.
- Não. Neste momento não sou boa companhia.
- Estou certa de que não - disse ela, alcançando-o justo quando abria a porta do terraço – Mas tampouco pode estar sozinho.
Jacob encolheu os ombros e saiu ao jardim, dando grandes passadas. Sabiamente, Leah não tentou falar com ele, só o acompanhou.
Finalmente, quando não pôde conter mais sua ira, explodiu.
- Claramente, eu não importava um nada a ninguém! Deixaram que me fosse e não tentaram me recuperar. Como pode ser isso? Um pai a quem seu filho não interessa! Nem sequer importava a minha avó, que só se preocupou de perder ao herdeiro do título!
- Possivelmente seu pai pensasse que estava melhor com sua mãe. Era muito pequeno, só tinha quatro anos, e ele não sabia que estava nas ruas de Londres.
Jacob a atravessou com um olhar de acusação, e Leah não tentou seguir com seus argumentos. Nem sequer ela acreditava no que havia dito. Depois de uns minutos, Jacob se deteve. Tinham chegado a um velho carvalho que havia ao final do jardim, e se aproximaram do banco de ferro que estava colocado sob seus ramos. Jacob se agarrou ao espaldar e olhou a vista que se estendia ante ele desde aquele ponto.
- Suponho que a indiferença de meu pai não me importa. Faz muito que suspeitava que não me procurou. Mas saber que minha mãe...
Leah posou a mão sobre uma das suas.
- Sinto-o muitíssimo.
- Sempre pensei que minha mãe tinha morrido. Pensava que de outra maneira nunca me tivesse deixado. Lembro que, inclusive de menino, pensava que devia estar morta, ou que eu estaria com ela. E depois que Emmett ficara em contato comigo e me contara o do seqüestro, tive a completa certeza de que tinha morrido. Acreditava que ela, ao menos, tinha-me querido. E agora descubro que me abandonou, que escapou com seu amante e que me deixou nas ruas de Londres. Que classe de mulher poderia fazer isso? Que classe de mulher era?
- Mas você não sabe se nada disso é certo! - protestou Leah - Possivelmente sua mãe morrera. Você não recorda o que ocorreu porque era muito pequeno. O fato de que não o seqüestrassem não quer dizer que ela o abandonara. Além de tudo, por que o levou com ela se não o queria? Levou-o porque não podia suportar separar-se de você. Devia querê-lo muito.
- Então, como terminei sozinho na rua?
- Não sei. E suponho que nunca saberemos. Há muitas coisas que puderam lhe ocorrer. Talvez adoecesse e morresse, e o homem com quem viajava o abandonou. Ou talvez ele abandonou aos dois e ela morreu, ou talvez o roubaram de seu lado.
- Ou talvez seu amante se cansasse de ter um menino com eles e lhe exigiu que se desfizesse de seu filho. Ela traiu ao seu marido. Sujou seu próprio nome. Por que ia ter reparos na hora de abandonar a um menino que a incomodava?
Leah tinha o coração encolhido de pena por Jacob. Não podia imaginar como devia sentir-se ele ao ter averiguado que sua mãe o tinha abandonado.
- Sinto muito - repetiu.
Jacob encolheu os ombros.
- Isto não muda nada em minha vida. Além de tudo, não tenho lembranças de minha mãe. Não é como se alguém a quem conheço me tivesse traído.
- Sim, mas o que você acreditava é tão importante como o que recordava. Estava seguro de que sua mãe não o abandonou, ou do contrário, sempre se sentiria traído por ela.
- O que eu acreditava não muda os fatos. Então estava sozinho, como estou sozinho agora.
- Não, você não está sozinho! - exclamou Leah com veemência, e deu um passo para ele para lhe tocar o braço. Estava a ponto de lhe dizer que ela estava ao seu lado, mas no último momento se deu conta de que aquilo a comprometeria de uma maneira que não podia ser certa. Baixou o braço e afastou o olhar.
- Quero dizer... quero dizer que está a ponto de se casar. Sua esposa lhe dará companhia e apoio, e já não estará sozinho.
Ele soltou uma risada sem alegria.
- Uma mulher que esteja disposta a casar-se com alguém tão pouco refinado como eu só para ter riqueza e um título? Acredito que a nossa não será uma união muito estreita.
- Não tem por que ser assim - protestou ela.
Jacob arqueou uma sobrancelha e a olhou com incredulidade.
- Não pode ser você quem acredite nisso. Não é coerente com sua negativa a se casar. Como posso esperar ter o apoio e a companhia, e muito menos o afeto, da mulher a que segundo você vou tiranizar e a maltratar?
- Eu não acredito que você vai tiranizar e maltratar a sua esposa.
- Pois fingiu muito bem que o pensa.
- Não. O que ocorre é que não estou disposta a me submeter à vida que teria se me equivocasse. Mas eu não sou como a maioria das mulheres. Poucas mulheres pensam nas piores coisas que pode conduzir um matrimônio. Muitas mulheres estão apaixonadas por seus maridos. Há gente que tem uma verdadeira união em seu matrimônio. E no mínimo, casar lhe proporcionará uma esposa e filhos, de modo que terá a família que nunca teve de menino.
- Não quero criar uma família - replicou secamente Jacob - Disse-lhe isso quando nos conhecemos. Só vou fazer o que é razoável para um homem em minha posição. O que se espera de mim. Não tenho intenção de me casar por amor.
- Oferece a uma mulher uma vida muito fria - disse ela.
- Ofereço a uma mulher riqueza, título e uma vida fácil. A única desvantagem que tem esta oferta sou eu, e me assegurarei de que tenha que me suportar tão pouco como é possível. Posso assegurar a uma mulher que não lhe farei mal nem a incomodarei.
- Não, só lhe fará caso omisso - respondeu Leah.
- E a você o que importa as intenções que eu tenha com respeito a minha esposa? - espetou-lhe Jacob com uma cólera fria - Você deixou muito claro que não quer ocupar esse posto. Eu pensei que um acerto assim teria sido benéfico para você: que lhe deixassem em paz, sem os inconvenientes de ter um marido. Mas me assegurou uma e outra vez que não tem intenção de se casar comigo. Assim não entendo por que lhe importa o casamento que eu tenha.
- Não me importa! - exclamou Leah.
Durante um instante se olharam fixamente o um ao outro, com antagonismo, com fúria. Ele se voltou, suspirou e se virou de novo para ela.
- Me desculpe. Acredito que sou uma má companhia esta noite. Acredito que o melhor será que parta agora e a deixe tranqüila.
Depois se voltou definitivamente e se afastou.
Leah o viu partir, e depois, com um suspiro de tristeza, voltou para a casa.
N/A: Reviews? E eu sei que é pequeno, mas a carga emocional desse capitulo compensa :D
