Água da Vida
Ela correu nos jardins sem que ninguém a visse.
(Mas, claro, tudo só acontecera porque ninguém a via)
Sob a chuva, deixando a água cair sobre seu corpo.
Não a água encanada, controlada, dos homens.
A água violenta e pura que vinha do céu, a força da natureza contra qual tinha errado.
Corria com os pés descalços na grama, tocando a terra-mãe.
Depois de tanto tempo calçando os sapatos de Tom.
E cada gota, cada grão, cada toque a faziam perceber sua sorte.
Tinha nascido novamente, subido da escuridão.
Tinha voltado a ver cores depois de crer só no preto e branco.
Estava viva e era um milagre. Cada momento era um milagre.
(Mas parte de si jazia eternamente na Câmara com Tom)
