Disclaimer: Saint Seiya não me pertence, nem o Milo, nem o Manigold, nem nada. x:

Fanfiction, favor parar de dar erro e comer o capítulo atualizado. Obrg, bjs.


29 de Novembro.

Milliyah acordou com os braços do marido envolta de si e o chutou para longe quase imediatamente.

Milo acordou assustado, afinal, tinha recebido um chute na barriga.

- O q...

- Tarado! Não me surpreenderia se você tivesse abusado de mim enquanto eu dormia! – A loira disse, alarmada, passando as mãos pelos braços enquanto se escorava na parede. Escorpião riu.

- Eu não fiz nada, querida esposa. – Ele se aproximou dela com um sorriso cínico, envolvendo-a pela cintura delicada. – Mas quem sabe agora...

A Ninfa tentou resistir, mas Milo riu novamente e se aproximou do rosto dela. Mas depois de se debater por um tempo, desistiu – aquele toque... era tão difícil resistir àquele toque...

- Não... – Murmurou. – Não faça isso, Kardia...

O Cavaleiro se afastou de repente com os olhos arregalados. Ele estava apenas brincando com a mulher, pretendendo apenas gritar "brincadeirinha!" quando estivesse prestes a beijá-la. Mas...

- Putz, ser chamado por outro nome brocha qualquer um. – Coçou a cabeça e saiu do quarto. Milliyah não sabia como reagir. Cobriu a boca com as mãos e escorregou até se sentar no chão, pensando no homem que a perseguia mesmo depois de morto e reencarnado.


1º de Dezembro.

Clio suspirou. Havia saído de casa cedo, com a intenção de fugir do marido, mas... não esperava que ele a seguisse! Propositalmente, ela desceu as Doze Casas, atravessou o campo de treinamento e subiu uma das montanhas na fronteira sudeste. Mas Mask ainda a seguia e – o pior – sorria com um misto de cinismo e divertimento. Angelina prolongou o máximo a caminhada, só parando quando encontrou uma árvore cercada por grama verde – a única parte com vida no topo da montanha rochosa, que sobrevivia graças ao sangue que alguma encarnação de Athena derramou ali.

Angelina se sentou, encostando-se ao tronco da árvore e pegando um lápis e caderno. Observou o Santuário lá em baixo, buscando inspiração.

- O que vai fazer? – Mask perguntou.

- Não é óbvio? Desenhar.

- Tem tantos desenhos nesse caderno... – Ele comentou, surpreso, ao mexer nas coisas da Ninfa. – UAU! Você desenha bem, Angelina!

-... o comentário saiu meio atrasado...

- Mas é verdade. – Câncer sentou-se ao lado dela e acendeu um cigarro. – Vamos, quero ver você desenhar.

- Fumar faz mal, sabia? – Angelina cortou, depois soltou outro suspiro. – Não me apresse, ok?

- Hahahah, como desejar.

Entardecia quando a Ninfa terminou o desenho – ela fez questão de demorar quando Mask começou a reclamar de fome – e o marido soltou uma exclamação de surpresa.

- Ficou muito bom. E olha que eu não digo isso para qualquer coisa, hein. – Lina ergueu as sobrancelhas, indiferente. O Cavaleiro riu e se levantou.

- Faça um desenho meu depois! – Ele a fitou, com um sorriso diferente dos que Clio já tinha visto. Tentou não corar.

- Um dia, quem sabe. – Ela murmurou, um tanto birrenta, enquanto Câncer acenou e começou a voltar para o Santuário. Lina ficou mais tempo por lá: ela havia voltado a desenhar. Aos poucos, os traços formaram o rosto de Máscara da Morte, com o mesmo sorriso que ela havia visto há pouco.

Outro suspiro. Ela se curvou sobre o desenho, escondendo o rosto corado – mas sentia seu coração palpitar fortemente contra seu peito. Aquela expressão do Cavaleiro havia marcado a Ninfa.


3 de Dezembro.

Fora extremamente difícil convencer Aiolos de se casar. No final, Afrodite teve que trazer Athena para o Santuário – que ainda estava sob o feitiço da Deusa do Amor: extremamente boba e lançando olhares tímidos a Eros, que ainda o via como Seiya. Mas Aiolos ficou tão radiante com isso que nem percebeu. E quando os Cavaleiros tentavam conversar com a sua Deusa, ela apenas respondia: ainda não falei com o papai.

Mas convencer Maia... HÁ! Praticamente uma missão impossível.

- Eu não me casarei. – Seu pensamento encerrou o assunto em sua cabeça, mas já era tarde demais. Saga estava lá para encaminhá-la ao seu noivo, que esperava por ela.

O vestido longo, com as camadas feitas em renda e bordado, esvoaçava a cada passo que a Ninfa dava, mas ela andava devagar e parte do tecido cinza claro tocava o chão e cobria seus pés. Os cabelos cinzentos, enfeitados com pedrinhas de gotas de chuva, caiam pelos ombros e pelas costas desnudas, ondulando apenas com o contato da manga levemente bufante do vestido. A pele pálida estava corada, mas Saga, ao observá-la, não soube se era pela maquiagem ou algum sentimento incerto de Maia.

Porque a cada degrau que ela subia, sua decisão mudava. Casar... não casar... casar... não casar... E as nuvens iam e vinham, incertas se deviam cobrir o sol ou não.

Foi com os pensamentos confusos que a Plêiade parou na saída do Templo do Grande Mestre. E viu Aiolos, sorrindo para ela da base da estátua. Nesse momento sentiu uma dor forte no peito. Lágrimas começaram a rolar pelo seu rosto, e Maia não pode aguentar – deu as costas e fugiu.

Enquanto as nuvens se agrupavam e a chuva caia forte, indicando a dor da Ninfa, exclamações ainda eram escutadas (menos o comentário de Athena sobre não ter falado com o pai ainda). Mas ninguém estava mais surpresa do que Afrodite, nem mesmo Aiolos, que resolvera não ficar parado e começara a seguir a noiva.

Mas Maia tinha grande vantagem; desceu as Doze Casas em uma velocidade incrível e parou apenas quando chegou à floresta. Ela se deixou cair no chão, não ligando para a lama que sujava seu vestido. As lágrimas ainda caiam, descontroladas, e ela soluçava.

E a verdade tomou conta dela: logo Maia pôde perceber seus sentimentos. Desde sua chegada ao Santuário, ela havia se encantado com o Cavaleiro que fora prometido a ser seu marido. De começo, implicar com ele era o bastante para satisfazer tal sentimento, mas, aquilo não bastou por muito tempo... ela sentiu ciúmes, mesmo não sabendo, e se preocupou. Quando ele estava fora, havia se preocupado imensamente, se importado e segurado tudo dentro de si – como sempre fizera, desde que brigara com a irmã e saíra do Olimpo. Sofrera na solidão, sem demonstrar, por muitos anos, mas não esperava ficar solitária no Santuário. E agora, ela via que só sofrera por amar Aiolos.

- I-Idiota... – Murmurou, sem saber se estava xingando a si mesma ou ao noivo.

- MAIA! – Assustada, a Ninfa olhou para trás e viu que o Cavaleiro de Sagitário corria até ela, sujando seu terno branco ao pisar em poças de água. Mas ele não se importava – a expressão em seu rosto exprimia angústia e preocupação. Maia recomeçou a chorar.

- Aio-

- Por que fez isso? – Aiolos se jogou ao lado dela, gritando, e a encarou tristemente. – Por que fugiu de mim, justo quando íamos nos casar? Maia... você não me ama?

A Ninfa corou, e seus olhos vacilaram... mas forçou-se a olhar para Aiolos.

- E-Eu... amo... – Ela disse apenas isso, e foi o suficiente para o Cavaleiro abraçá-la, feliz.

- Então vamos nos casar! – Ele a ajudou a se levantar e acenou para alguém que estava lá. Maia virou-se e viu Afrodite, protegida por uma sombrinha cor-de-rosa. Atrás dela, Eros guiava Athena, trazendo outro guarda-chuva. – Aqui mesmo está bom.

A Deusa suspirou, desaprovando o local, e com um elevar de cosmo, a grama ficou mais verde, as árvores mais belas, enquanto roseiras nasciam envolta deles, formando altas colunas que se entrelaçavam no topo, circularmente, servindo de proteção contra a chuva. Pássaros se aproximaram e, ao canto deles, Afrodite presenteou os noivos com as alianças e selou o compromisso deles. E Aiolos foi carinhoso ao beijar Maia, tão terno e puro que confortou a Ninfa e apagou qualquer sombra de dúvida que pudesse ter restado nela.

Naquele dia, não teve festa de casamento. O Cavaleiro carregou a Ninfa até seu quarto depois do beijo e lá, ele possuiu gentilmente a Ninfa que aprendera a amar. Maia se entregou, de corpo e alma, ao homem que amava com toda a força do seu ser. E o dia amanheceu lindo, o sol brilhando sem nenhum resquício de nuvem para cobri-lo. E Maia brilhava como o sol.


5 de Dezembro.

Annabel olhava encantada para suas queridas amapolas que cresciam e floresciam cada vez mais naquele cantinho escondido no jardim do pisciano.

- Minhas queridas, estão tão belas! – Ela sorriu, mas murmurava. – Oh, se um homem me presenteasse com um buque de amapolas, ele me conquistaria na certa... – Fechou os olhos, imaginando Saga e Kanon, cada um com uma amapola na boca, e envolvendo a Ninfa, um pela cintura e outro pelo pescoço, cada vez mais próximos... – Ooh minha Deusinha, por que eu não tirei essa sorte?

Alguém pigarreou às suas costas, e ela se virou, assustada. Quase derreteu quando viu Afrodite lá, mas lembrou-se das suas flores, e pôs-se na frente delas, tentando escondê-las do noivo.

- Não se preocupe, eu sei que você cultiva essas florezinhas aí. – Ele disse, lançando um olhar frio a ela. – Não vou me dar o trabalho de tirá-las daí, já que minhas rosas irão matá-las mais cedo ou mais tarde. – E soltou um risinho.

- O QUE? – Bel exclamou, mas lágrimas falsas brotaram em seus olhos, enquanto sua voz ficava doce. – Deixará que minhas queridas flores morram, meu noivo? Será que você não se importa, nem um pouquinho, com elas?

- Não. – A resposta foi tão rápida e fria que Annabel sentiu um calafrio. Olhou para o Cavaleiro, com raiva e revidou:

- Pois para mim, elas bastam! Não quero outra flor como você!

Mas ao contrário do que esperava (?), Afrodite deu outra risadinha.

- Bom saber. – E nesse momento a Ninfa arrependeu-se amargamente do que tinha dito.

- É meeeeeeentira, Dite! – Alseíde gritou, com lágrimas verdadeiras em seus olhos, e tentou abraçar o noivo. Mas ele desviou. – É só você quem eu quero... – Ela disse, corando docemente. Afrodite fez cara de tédio.

- Pare com isso, quase me esqueci do que eu vim dizer...

- Me pedir em casamento?

- Não.

- Ah...

- Enfim. Kara está esperando por você aqui em frente. Vá vê-la logo e poupe meu tempo.

Annabel fez um biquinho, emburrada, mas correu para fora de Casa. Kara sorria para ela, mas quando se aproximou, ela começou a sussurrar:

- Preciso da sua ajuda.

- Em quê? – Anna perguntou com a expressão curiosa.

- Desmascarar traidores!

- Anh?

- Death Mask e Alfea.

- O QUE?

- Calada! – Kara sussurrou com urgência, olhando ao redor para ver se alguém estava ouvindo. – Mas você me ajuda? – Quando viu a Ninfa concordar, continuou: - Eu convidarei Lina para ir ao Rodório comigo, e Kanon levou Saga para treinar com ele. Enquanto isso, quero que você vigie Máscara da Morte. Se ele for se encontrar com Alfea, corra até a entrada do Santuário e quando eu aparecer, me dê um sinal discreto.

- Tudo bem. – Annabel concordou, muito séria.

- MM -

Kara entrou em Câncer feliz e saltitante, enquanto Annabel dava a volta na casa e esperava escondida. A pequena logo avistou Angelina e a convidou, toda sorridente, para passear com ela. E deixou claro:

- Kanon e Saga foram treinar, e não voltam tão cedo! Não quero ficar à toa... Por favor, me acompanhe, Lina!

- É claro... – A Ninfa não teve muito tempo. Já estava sendo arrastada e a única coisa que pode fazer foi se virar e acenar para o marido, que havia escutado tudo.

Mas Annabel teve que esperar uma eternidade. Sabia que Kara passaria por Gêmeos para que Alfea visse as duas Ninfas saindo, mas por um momento, nada aconteceu. Só depois de muitos minutos é que Death Mask desceu, entrando em Gêmeos com um ar apreensivo. Alseíde o seguiu pelo lado de fora da Casa, espiando pelas janelas quando podia, mas achou mais seguro apenas escutar.

- Achei que não viria...

- E desperdiçar essa oportunidade? – Ouviu a risada de Mask. – Depois que casamos não nos encontramos nenhuma vez...

-... eu fico me perguntando se é certo continuarmos com isso...

- Qual é, Alfea. Vai desistir agora? Ou melhor... vai resistir a mim? – A Ninfa escutou um baque e não resistiu: levantou a cabeça e espiou. Câncer havia prensado Aretusa contra a parede e eles se encaravam.

- Não me atente assim, Mask...

- Mas você quer.

-... prove. – O Cavaleiro riu e fez a vontade da Ninfa. Logo estavam se beijando vorazmente, e ela se apressava para tirar a camisa dele...

Annabel via tudo com os olhos arregalados. Claro que apreciava por ver aquele homem lindo ser despido, mas eles já estavam avançando... assustada, ela pensou que já bastava, mas pôde ver que o casal cambaleava até o quarto que ela, quando visitava Kara, sabia que era do Cavaleiro de Gêmeos.

- MM -

Ela esperou pacientemente pela amiga, e quando a viu, ainda um pouco distante, piscou para ela e disse algo. Kara conseguiu ler os lábios da Ninfa: no quarto do Saga.

- MM -

- Hohoh, eu sinto muito por ter feito você ir comigo até a vila, Angelina. – Kara riu forçadamente. – Mas como você é minha vizinha, achei que seria mais fácil. E no fim nos divertimos, não?

- Claro. – Lina sorriu. Quando Kara não teimava com alguma coisa, era uma companhia agradável e divertida.

Nesse mesmo momento, Saga e Kanon se aproximaram. Os corpos estavam suados pelo treinamento, mas transpiravam algo refrescante e completamente másculo que fariam Annabel morrer de inveja daquelas que presenciaram a cena.

- Kanon, Saga. – A pequena Ninfa cumprimentou. – Que coincidência, não? Acabei de voltar da vila com a Lina, e dei uma passada na pequena livraria que você me falou, Saga. Ela é incrível!

Ao ouvir o comentário, a ruiva ergueu as sobrancelhas. Elas não tinham passado na tal livraria...

- Por que não entramos e tomamos uma bebida? Vocês parecem cansados. – Kara continuou tagarelando. – Venha também, Lina.

- Não, eu já...

- Que isso! É uma forma de agradecimento!

Entraram na silenciosa Casa de Gêmeos. A Plêiade pediu que Angelina levasse as sacolas para o quarto dela – indicando, sem querer, o quarto de Saga e Alfea. E enquanto a Ninfa ia, olhou para Kanon, com apreensão.

A Musa da História abriu a porta do quarto. Uns segundos se passaram até que ela gritasse.

- O q-que... O QUE É ISSO? – Ela berrou com toda a força dos seus pulmões, assustando todos os que estavam nas proximidades. Os Cavaleiros e a Ninfa se aproximaram, mas foi Saga que tomou a dianteira quando viu o motivo do grito.

Pois no seu próprio quarto, Death Mask de Câncer e Alfea estavam tentando esconder seus corpos nus. Mask vestia apressadamente a cueca, enquanto Alfea se enrolava em um lençol. Não era preciso perguntar nada, porque os cabelos bagunçados, o suor e o cheiro provavam o que tinham feito.

- E-EU POSSO EXPLICAR, L-LINA! – Câncer gritou, sacudindo as mãos.

- Explicar o que? – A Musa replicou, sentindo um aperto na garganta. – Eu não sou burra, Máscara da Morte!

- S-Sag...

- Fora. – A voz de Saga cortou o ar. – Fora daqui, os dois!

Death Mask não precisou de um segundo aviso: já pegava suas roupas e tentava sair do quarto sem ter que passar perto da mulher. Mas Alfea, que parecia ter perdido a cor do rosto, estava petrificada na cama.

- Eu mandei sair. – Gêmeos se aproximou dela, e o olhar frio e sem compaixão dele fez a Ninfa tremer.

- S-Saga, e-eu...

- Eu não terei educação com alguém que não tem lealdade. – Aquelas palavras feriram a Ninfa... acusada de não ter a qualidade que mais admirava no marido. Mas não teve muito tempo para pensar que aquilo era verdade, pois Saga a pegava pelo braço com força e a obrigava a andar.

- Saga... – Kara o chamou baixinho. – O que vai fazer...?

- Tirar essa vagabunda daqui. – Ele puxava Alfea para fora de casa, e quando chegou às escadarias de Gêmeos para Câncer, a jogou no chão.

- AI! – Ela protestou, mas acima de tudo se enrolava ao lençol para não se expor. Mask aproveitou o espaço aberto para tentar fugir, mas Caos, como se sentisse a raiva da dona, desceu rapidamente e se pôs diante do Cavaleiro, rosnando.

- Você é muito imbecil, Death Mask. – Angelina falou, os olhos brilhando pelas lágrimas que tentava conter. – Me traindo com a vizinha!

- Se me permite dar um palpite, irmão. – Kanon se intrometeu, encarando o irmão que ainda olhava com desprezo para a mulher. – Tenho razões para acreditar que não foi a primeira vez que eles se encontraram... acho que eles já fazem isso há um bom tempo.

Mas Saga continuava a mirar a Ninfa, o cosmo aumentando em razão do desprezo.

- Como... COMO VOCÊS OUSARAM? – Ele berrou, e Kara sentiu que o cosmo do Cavaleiro explodia junto, e se perguntou se teve alguém no Santuário que não escutou isso.

Alfea juntava tudo o que restava da sua coragem para falar. Trêmula, ela começou:

- V-Você d-devia saber... você devia saber que eu não queria esse casamento! – As lágrimas começaram a sair do rosto da Ninfa, e ela já estava soluçando quando tornou a falar: - E-Eu p-precisava d-de um r-refúgio, de a-alguém que t-também n-não queria isso!

- Ah, e me deixa adivinhar! – Lina a interrompeu, com uma raiva e uma ironia que nunca mostrara. – Procurou por isso nos braços do MEU marido?

- H-Hey! – Mask gaguejou, tomando coragem assim como a amante. – Naquela época você não ligava para mim! Foi viver no Salão do Grande Mestre... eu tenho necessidades, sabe!

- NAQUELA ÉPOCA? – Clio bradou, furiosa. Kara soltou uma gargalhada gostosa, sabendo que Câncer acabara de se entregar. – VOCÊS ESTÃO JUNTOS HÁ QUANTO TEMPO?

Nenhum deles respondeu, mas olharam assustados para os lados – todos os Cavaleiros chegaram, acompanhados pelas Ninfas que viviam com eles. Shion fechava a plateia, olhando assustado para Alfea, jogada no chão e trajando apenas um lençol, Death Mask, que ainda estava apenas de cueca (adicione-se aqui um olhar nada discreto de Annabel), Angelina, que tinha o rosto ruborizado de raiva e Saga, que olhava com desprezo para a mulher ao chão.

- O que está acontecendo aqui...? – Ele perguntou.

- Sério que você ainda pergunta? – Liriel olhou para ele, divertida. – Está mais do que óbvio que alguém andou pulando a cerca!

- Exatamente... Infidelidade. – As palavras de Saga saíram baixas, mas todos puderam escutá-las. – Eu não pediria para você ser fiel a mim antes do casamento, Aretusa. Mas fizemos votos de lealdade diante da Deusa. Eu não me importo quando isso começou, mas deveria ter acabado no momento em que nos casamos. Se você não consegue se manter fiel, eu não manterei essa farsa mais, independente do que Athena ache! Saia daqui, Ninfa. Eu não me importo para aonde você irá agora, só não quero mais olhar para a sua cara imunda.

Alfea se pôs de pé, as lágrimas marcando seu rosto rosado. Balbuciou:

- E-Eu só n-não queria me apegar... – E saiu correndo, escadaria acima, sabe-se lá para onde.

Foi a vez de Angelina falar. Cruzou os braços e encarou o marido, nada feliz.

- Você me dá nojo, Máscara da Morte! Tarado! Pervertido! Mas eu sou a idiota nessa história, de achar que você mudaria! De achar... que poderia gostar de você. – A ultima frase foi um sussurro que apenas Mask, Kara, Kanon e Saga conseguiram ouvir. E pelo jeito, foi um choque para o canceriano.

Lina saiu pisando duro e Caos a acompanhou. Ela iria recolher suas coisas e ir para o Salão do Grande Mestre – a menos que Alfea estivesse lá. Clio não queria vê-la de jeito nenhum.

Foi nesse momento que o burburinho começou. Os outros casais comentavam a cena, alguns apenas quietos, escutando em silêncio. Saga não estava disposto a ouvir. Teria se retirado se não tivesse escutado Amadeus falar, em alto e bom som:

- Agora TODOS vão começar a julgar o casal adultério como se fossem santos! – A mecha longa do cabelo petróleo da Lâmpade esvoaçou enquanto ela descia uns degraus, atraindo todos os olhares. – Sendo que na própria casa, ou na do vizinho, acontece quase a mesma coisa! A única diferença é que Death Mask e Aretusa se deitaram!
Ela olhou ao redor, dando um sorriso metido. Percebeu o olhar desafiador de Shura e continuou:

- Por onde começo? Ah, já sei! Com o nosso querido Grande Mestre, que mesmo casado com a Neféle, se encantou com a Nereida noiva de Kamus. Aliás, esse recebe olhares da Urânia, mas direciona o mesmo tipo de olhar encantado para a Híade, que é noiva de Mu, mas que gosta da Amazona, a tal de Lin!

Os acusados foram ficando vermelhos ou pálidos. Milo nunca parecera tão surpreso. Liriel franziu o cenho.

- Por que não me contou, Shion? – Ela puxou a manga das vestes dele. – Acha que eu me importaria? – A Neféle riu com o olhar aterrorizado do marido, comentando apenas com ele: – Até parece! Eu me importaria se fosse o Dohko no seu lugar, mas ele já tem dona...

- COMO ASSIM?

- E TEM MAIS! – Amadeus continuou, cortando. – Fico me perguntando como Saga e Clio descobriram, e sinto que tem dedo de Kanon e da Plêiade nisso. O Kanon tudo bem se importar, já que ele é irmão do corno, mas a Plêiade? Ah, tudo se torna óbvio quando ela olha para o Saga e vemos o brilho apaixonado nos olhos dela! – Ela riu, enquanto a pele negra de Kara corava furiosamente. Kanon avançaria na Ninfa se Saga não tivesse impedido. Ele balançou a cabeça. Seria melhor que ela falasse e a verdade finalmente viesse à tona.

- E cheguemos a Leão. Pobre Scylla, abandonada, pois seu noivo fugiu com uma Amazona... – A Lâmpade ironizou. – Pobre nada! Desde antes já arreganhava as garrinhas monstruosas para cima do MEU noivo! – Ela fechou as mãos em punho, tremendo de raiva e se aproximou da Ninfa, encarando-a.

- AMADEUS, CALA A BOCA! – Shura berrou. Mas a Ninfa apenas levantou o dedo médio para ele e continuou.

- Já ouvi falar que você seduz os homens com sua aparência angelical e depois os devora com suas bestas... como Aiolia não cairia no seu feitiço, Shura parecia a presa perfeita, não?

- MENTIROSA! – Scylla berrou em resposta, se encolhendo.

- Mas você quer algo com ele, não quer? – Amadeus sorriu perversamente. – A monstra não se aproximaria de alguém à toa, como sei que você não aceitou esse casamento à toa!

Scylla lutava contra as lágrimas com todo seu orgulho, apenas sacudindo a cabeça. Mas não negava que havia algo de verdade nas palavras cruéis da outra.

- Amadeus, como você pode ser tão cruel assim? – Capricórnio se aproximou, tentando puxá-la pelo braço, mas a Ninfa desviou. Uma discussão calorosa começou: Amadeus e Shura, Shion e Liriel, Kanon e Kara... enquanto isso, Iamira sussurrou para Maia:

- Que bom que ela não falou nada sobre nós, não é? Quer dizer, acho que não tem nada contra nós...

- Contra mim eu não sei. – Maia respondeu. – Mas se eu fosse ela teria falado do seu vestido indecente. – A Nereida pareceu indignada com a outra, e mesmo sabendo que ela tinha dito aquilo por puro orgulho, cruzou os braços e fez um biquinho.

- Foi culpa das minhas irmãs, que destruíram meu vestido com aquela tesoura!

Mas ninguém prestou atenção, porque a discussão havia aumentado com Milo indo tirar satisfações, sabe se lá de quê, com Kamus.

- Você é meu melhor amigo!

- Milo, falarei na sua língua para ver se você me entende: EU NÃO PEGUEI A SUA MULHER! – O aquariano respondeu, nervoso.

Tantas vozes só foram silenciadas quando uma risada alta ecoou pelo Santuário. A Deusa Afrodite flutuava sobre eles, rindo histericamente.

- Que ótimo, que ótimo! Isso mesmo, briguem bastante, briguem! Pois esse é o melhor momento para mim! – Ela abriu os braços, elevando o cosmo. E cada Cavaleiro casado, com exceção de Shaka, sentiu uma dor começar no dedo que levava a aliança e como um choque, se espalhar pelo corpo todo, fazendo-os desmaiarem.

Gritos. Ariel se ajoelhou ao lado de Aldebaran, preocupada.

- Meu amor, acorde, acorde! Deba! DEBA! O que Afrodite fez com eles? – Ela gritou para Dália, que estava próxima.

- Não sei! – Ela respondeu. – Mas consigo sentir o pulso do Mu, então os outros estão vivos, com certeza!

- Oh, graças aos deuses! – Iamira murmurou, chorosa, do lado de Dohko.

Os que se mantinham de pé, Kanon, Shaka, Shura, Kamus e Afrodite, encaravam a Deusa, que convocava sua guarda. Eros apareceu, em uma forma adulta, com Reidel e Chedan, além de Lair e Ami – que haviam sido soltas.

- Os guerreiros de outros deuses... – Shura murmurou. – Achei que tinham sido...

- Mortos? – A Deusa do Amor sorriu. – Quando se é uma Deusa como eu, se pode tudo!

- Maldita! – Kanon gritou. – Onde está Athena?

- Dormindo igual uma criança no templo da mamãe. – Eros respondeu com a mesma voz infantil de sempre.

- Não temos tempo para conversas. Peguem-nos! – Ela mandou, e os cinco guerreiros avançaram nos Cavaleiros. Mas antes que as Ninfas pudessem gritar ou reagirem, os Cavaleiros desmaiados acordaram.

Shion se sentou, atordoado. Schuyller e Liriel o cercavam, enquanto a primeira estava preocupada, a segunda o mandava lutar. Mas o ariano sentou, encarou cada uma e sorriu para aquela com quem tinha se casado.

- Liriel, meu amor! – Ele a puxou para um beijo, deixando a Nereida sem expressão. Mas envolta deles, os outros faziam o mesmo. Mu beijava Dália, Aldebaran e Ariel se abraçavam, Saga chamava por Alfea e Mask por Angelina. Iamira tentava se soltar dos braços do libriano, que a beijava profundamente apaixonado, Milliyah fugia de Milo e Maia se desviava dos abraços de Aiolos.

- Hahahah, rendam-se, queridos, ao amor! – Afrodite ainda ria, cruel.


N/A:

Que capítulo, meu Zeus... nem sei o que comentar aqui... só sei que terminei o capítulo amando a Amadeus (sim, amando o jeito de vilã dela) e me perguntando se eu fiz esse caso ser descoberto decentemente. Várias coisas tinham se passado pela minha cabeça, como Saga não descobrir ou descobrir e aceitar Alfea grávida, mas seria muita novela mexicana pro meu gosto. u_u É melhor deixar o bom e velho barraco mesmo! =p

Agradeço muito os reviews, meninas, muito mesmo! =D Kissus.~

~ Mahorin, 10.01.12.