Capítulo XIV

O Pérola se aproximava rapidamente da cidade de Port Royal, conforme fora combinado. Elizabeth estava no convés e olhava através da luneta para a costa. O porto estava repleto de embarcações, havia inclusive algumas com a flâmula da Companhia das Índias. O melhor e mais seguro a fazer, então, era baixar as velas e diminuir a velocidade do navio. Afinal, ela não queria chamar a atenção sobre eles, uma vez que sua cabeça estava a prêmio. Fechou a luneta, guardando-a no cinto, e deu as ordens para que fosse interrompida a aproximação do porto, fazendo com que o Pérola se colocasse a uma distância segura do forte e dos olhos curiosos de quem quer fosse.

A noite não tardaria a cair sobre eles, e a enseada escolhida como esconderijo os abrigaria até que o manto negro descesse completamente sobre suas cabeças. O plano era ir até a terra num pequeno bote e chegar até a casa de Soledad, a antiga aia e amiga de Elizabeth, sem chamar nenhuma atenção. Deslizariam suavemente como sombras por entre a vegetação costeira e espessa da ilha, e entrariam na cidade como vultos negros, invisíveis aos olhos da população. Podia-se dizer que era um plano arriscado, mas o único capaz de levá-los ao seu destino.

Elizabeth colocou a tripulação de prontidão, todos os canhões do Pérola estavam preparados para uso, necessitando apenas de uma ordem de comando. O Sr. Gibbs ficaria a bordo, e ela levaria consigo Ragetti e Pintello. Assim sendo, quando as estrelas começaram a salpicar o céu e o Pérola se tornou apenas uma mancha sobre as águas escuras do Caribe, Elizabeth e seus dois acompanhantes desceram até o bote e rumaram para a praia. Em pouco tempo, os facões eram erguidos e açoitados contra a vegetação, abrindo caminho pelo mangue até a cidade.

Não foi difícil vencer a distância que os separavam do centro de Port Royal, e com as botas cobertas de lama, fincaram os pés nas proximidades da rua principal. A rua não possuía muito movimento àquela hora, havia apenas um pequeno regimento numa esquina mais adiante, e todos os guardas pareciam entretidos num jogo de cartas sobre um barril imundo. A casa de Soledade ficava para o lado oposto, e habilmente, os três deslizaram pelas paredes das construções próximas sem que nenhum par de olhos cruzasse seu caminho.

Dobraram mais duas esquinas e uma casa de proporções modestas surgiu diante deles. O rosto de Elizabeth se iluminou, enquanto os dois marujos se colocavam de guarda, e ela levou a mão à porta numa batida seca. Alguns minutos se passaram até um leve farfalhar de vestes vindo de encontro à porta se fazer ouvir, e a mesma se abrir num estalido, deixando um rosto rosado a mostra. Os olhos de Elizabeth brilharam ao encontrar os de Soledad, e com um sorriso amável, sua antiga aia os conduziu para dentro.

O interior da construção era tão modesto quanto aparentava por fora. Soledad indicou-lhes uma pequena mesa ao canto e saiu em direção a cozinha. Voltou segundos depois com duas canecas nas mãos e uma garrafa de rum, e depositou-as sobre a mesa. Os dois marujos sorriram um para o outro diante da bebida, encheram seus copos, e depois de um rápido brinde, os levaram aos lábios. Elizabeth se aproximou de Soledad e perguntou:

- Onde está William? - A ansiedade em sua voz era palpável.

- Ele está bem, Lizzie. – A moça sorriu. – Dorme confortavelmente lá em cima... Deseja vê-lo?

- Que pergunta mais sem propósito, Soledad. – Ela devolveu-lhe o sorriso franco e acrescentou: – Claro que sim! Imediatamente!

- Então venha comigo - disse. Fitando os dois homens com o canto do olho, completou divertida: – Acho que estão em boas mãos...

A moça pegou um pequeno castiçal onde um toco de vela lançava sua luz trêmula sobre as paredes e desceu pelo corredor com Elizabeth ao seu encalço. Uma escada de aparência duvidosa surgiu diante delas, e Soledad se apressou em subi-la, seguida pela a amiga. Um estreito corredor, menor que o anterior, conduziu-as até uma porta oleosa, onde Soledad interrompeu sua marcha. Levou a mão até a maçaneta e girou-a, a porta se abriu e ela deu passagem para Elizabeth.

O coração da Capitã Turner se comprimiu no peito, enquanto a chama da vela iluminava o rosto do menino adormecido sobre a pequena cama. Não teve como evitar que seus olhos se enchessem de lágrimas, a vontade de apertá-lo nos braços e sentir a quentura do pequeno corpo contra o seu, era intensa, mas ela apenas levou sua mão ao rosto dele, acarinhando-o. Elizabeth poderia jurar que William crescera nos últimos meses mais do que em todos os anos que passara ao seu lado. Como sentira saudades do filho...

Ela enxugou o líquido quente e salgado que começara a embaçar a vista com as pontas dos dedos e, depois, fitou mais uma vez o rosto do menino. Lembrava-lhe tanto o pai... O coração de Elizabeth se comprimiu mais ainda de encontro ao estômago, enquanto a mão trêmula tocava levemente o braço do filho na tentativa de acordá-lo. O menino se aninhou no toque quente de suas mãos, e ela sorriu diante daquele gesto. Aproximou seus lábios do rosto dele e o beijou. Com uma certa nota de preguiça, os olhos do menino buscaram a imagem dela, e um sorriso aflorou em seus lábios ao reconhecê-la. Prontamente, ele sentou na cama e a abraçou, exclamando:

- Mamãe!

- William! - respondeu Elizabeth, enquanto o abrigava nos braços. – Estava com tantas saudades, meu amor.

- Eu também, mamãe. – Ele a fitou com seus olhos brilhantes. – Tia Soledad jurou que em breve você estaria de volta, mas eu achei que estava demorando muito.

- Eu lhe disse que demoraria, William - retrucou a mãe, com um sorriso. – Não menti, nem eu, nem Soledad. Mas, eis me aqui, estou de volta!

Soledad lançou-lhes um sorriso complacente e deixou-os a sós. Assim que se viu sozinha com filho, Elizabeth perguntou-lhe:

- William, você guardou o que lhe dei, não foi?

- Claro – respondeu, desvencilhando-se do abraço dela. Foi em direção à escrivaninha num canto. Num gesto rápido, arrancou a gaveta do lugar e, deslizando a mão pelo buraco deixado a mostra, voltou com a chave entre os dedos e sorriu para Elizabeth. – Aqui está mamãe, fiz exatamente como me pediu.

- Você é um excelente menino. – Ela beijou a testa do filho. – Eu o amo muito.

O rosto de William se iluminou com um novo sorriso, enquanto Elizabeth escondia a chave dentro de sua roupa e acrescentava:

- Agora, vista-se – ordenou, afagando o rosto dele carinhosamente. – Temos que sair daqui e se encontrar com o seu pai.

Os olhos de William piscaram algumas vezes, e ele hesitou um pouco diante daquelas palavras. Não que temesse o pai, ou tivesse qualquer receio por ele ser quem era, mas a figura paterna em sua mente era muito frágil e distante. Por muitas vezes a associara com Jack, e outras tantas ela parecia meio nebulosa e disforme, mas não tinha como negar que ansiara por aquele encontro durante parte de sua vida. Finalmente conheceria o pai, o abraçaria, mas não tinha certeza de como seria sua reação ao vê-lo em carne, osso e possível assombração na sua frente. Seu coração se alarmava cada vez que pensava que esse encontro estava próximo. Elizabeth percebeu a expressão do filho enquanto ele se arrumava, e com um sorriso amável, completou:

- Não se preocupe, William – disse, ajudando-o a abotoar a blusa. – Seu pai irá amá-lo tanto, ou mais, quanto eu...

William fitou-a intensamente e deixaram o quarto. De volta à sala de Soledad, Elizabeth descobriu que seus marujos haviam esvaziado a garrafa de rum, e por mais que já não quisesse protelar sua estadia ali, decididamente aquele fato tornava urgente sua saída de Port Royal, antes que os dois estivessem completamente bêbados. Despediu-se de Soledad num abraço afetuoso, porém rápido. William fez o mesmo, e com a voz imponente, Elizabeth ordenou que Ragetti e Pintello a seguissem.

As ruas pareciam mais desertas que antes, e a não ser pelo mesmo grupo de sentinelas a espreita na rua principal, não encontraram outro obstáculo. Tudo até iria bem, se por acaso Ragetti não tivesse pisado em falso e com isso praguejado em bom tom. No silêncio da noite, as poucas palavras dele ecoaram convenientemente rápidas até os ouvidos dos guardas, e não bastou algumas frações de minutos para que identificassem de onde vinham as vozes. O olhar de Elizabeth caiu fuzilante sobre o marujo, que estreitou os ombros. Virando-se para William, ordenou:

- Corra, William! – Seus olhos brilhavam dentro dos dele. – Há um bote na pequena enseada onde o mangue termina. Vá e leve isso com você. – Passou às mãos do filho a chave do baú de Jones. – Mantenha-se escondido pela vegetação e, caso nós não o encontremos em meia hora, pegue o bote e reme até o Pérola, entendeu?

- Mas mamãe - retrucou o menino.

- É uma ordem marujo!

Ela sorriu para ele e o empurrou para dentro do mato, enquanto desembainhava a espada juntamente com os outros dois bucaneiros.

– Não me pegarão sem luta!

- É assim que se fala, bebê! – disse Pintello, sorrindo.

Quatro homens se aproximaram com as armas em punho. Elizabeth sorriu e, num galanteio irônico, disse:

- Que tal nos apressarmos? - Viu os homens retornarem seu sorriso. – Tenho compromissos inadiáveis.

As espadas foram ao ar, cortando-o em todas as direções, e um leve tilintar de metal encheu o silêncio da noite. Elizabeth lutava contra dois, desferindo golpes certeiros, mas sem conseguir escapar de alguns que vinham em sua direção. No entanto, com uma certa facilidade, conseguiu se livrar do mais fraco num rodopio do pulso e uma estocada profunda perto do ombro esquerdo. O outro continuava golpeando-a sem cessar, e a atingiu na coxa, fazendo-a recuar alguns passos. Nesse momento, Pintello desferia um golpe mortal no homem com o qual lutava, e Ragetti se preparava para fazer o mesmo com seu oponente.

Felizmente o barulho da luta não fora suficiente para despertar o resto da guarda, e não trouxera reforços ao grupo. O homem que atacava Elizabeth se adiantou ao vê-la recuar, achando que a atingira seriamente. Ela mantinha os olhos fechados e arfava. Ele sorriu, baixando a guarda, e num gesto rápido, ela cravou a espada no peito dele, fazendo-o rolar ao chão. O sangue vertia de sua perna num filete vermelho, empapando-lhe as calças e, antes que a perda de sangue lhe afetasse os sentidos, ordenou:

- Vamos!

Os dois homens assentiram e, junto com ela, tomaram o mesmo caminho que William. Não demorou muito para que vislumbrassem o bote oscilando sobre as ondas na beira da praia e, com um determinado assobio, Elizabeth chamou o filho. O menino surgiu sorridente de dentro da vegetação próxima e todos entraram no bote rumo ao Pérola. Assim que subiu a bordo, o mundo rodou a sua volta e ela desmaiou nos braços do Sr. Gibbs.

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N/A: Bom dia, flores! Caps só da Lizzie, com a participação do William Swann Turner, espero que vcs tenham gostado! Carlinha (Turner), tenho certeza de que vc está mais feliz hj! Acho que agora me redimi cum vc, naum? Rsrsrsrs... Mas acredite ainda teremos momentos muitos fofos dela com o Will ( Pai, é claro ).

Queria agradecer de coração as reviews maravilhosas que tenho recebido, o carinho e a amizade. Não tenho palavras para agradecer a cada uma, muito obrigada mesmo!

Bjokas fofas para Mah, Aline, Ieda, Bia, Cap"Lara, Taty Black, Carlinha e Dora! Amo vcs flores minhas! Vcs fazem minha vida mais feliz!

Brigaduuuuuuu

Taty - Que bom que vc voltou!!! Tava com xaudades!

Meninas, por hj é só, quarta tem caps com Jack... Acho que a Lizzie merecia uma cena só dela, e nada melhor do que o filho para estar ao seu lado nesse momento. Ele é um fofo que nem o Will, então ela tá muito bem na fita! Tô brincando, ela só vai estar bem quando o Will estiver ao lado dela, isso sim. Amo esse casal, já disse isso para vcs, e vou fazer de tudo para que tenham um final feliz!

Enfim ( parafraseando a Aline) , por onde andará o Capitão Jack Sparrow?

Bjokas no coração! Bom findis! Yo-ho!