Capítulo 14 - Jantar em Família.

AS PATRICINHAS DE KONOHA

INO

O silêncio reinava no carro, eu fitava a paisagem de casas e ruas ao meu lado, como se eu achasse interessante. Eu sentia o olhar de Gaara em mim, mas não ousei o fitar, ainda estava com muita raiva dele.

— Até quando vai ficar toda raivosa assim? - sua voz soou, quebrando o silêncio.

Não respondi e ele bufou.

Porra, Ino, para de graça, tá de TPM por acaso?

O sangue ferveu na minha cabeça e o olhei, podia sentir que meus olhos saíam chamas.

— Eu não sei por que eu ainda te aturo, Gaara Alfredo. - minha voz saiu mais alta do que eu queria.

Gaara me olhou de rabo de olho, mas podia ver a ira neles.

— Caralho, Ino, para de falar o meu nome do meio, porra!

— Eu não paro nada. - gritei. - Eu passei horas me arrumando toda para você, para no final você me mandar trocar de roupa, você não sabe o quanto isso me magoa.

Eu realmente estava chateada com a atitude dele, às vezes eu pensava que Gaara não me amava de verdade.

Ele estacionou o seu carro no encostamento da via principal e me olhou, zangado.

— Você realmente não entende. - ele passou as mãos na cabeça, num gesto nervoso. - Você não pode aparecer para mim com esse tipo de roupa, caramba.

Franzi o cenho.

— Posso saber o porquê?

Ele ergueu seu olhar para mim.

— Por que esse tipo de roupa me excita. - minha boca se abriu, fui pega de surpresa. - Você me excita, Ino. Dois anos. Dois anos que eu não transo com ninguém, tá foda pro meu lado.

Não consegui pronunciar nenhuma palavra, estava chocada o suficiente com o que Gaara acabou de falar. Eu estava excitante? Eu sentia meu rosto corando, mas não conseguia desviar meu olhar do dele.

Gaara pôs uma mão em meu rosto, e o afagou levemente, o seu gesto gentil havia me desarmado.

— Você sabe que eu gosto de você. - ele começou. - Eu gosto de preservar o que é meu, e você é minha, tão minha quanto eu sou seu.

Universo, para tudo!

O que fizeram com o meu namorado brucutu? O trocaram por uma cópia alienígena falsa?

— Esse jeito meloso não combina com você. - murmurei, apesar de estar gostando do carinho que ele me oferecia.

Ele ergueu as sobrancelhas e aproximou seu rosto do meu.

— Então você gosta quando eu sou bruto? - seu lábio esquerdo se ergueu para cima, enquanto sua mão em meu rosto apertou minhas bochechas.

Não. - minha voz saiu como um miado, eu gostava quando ela agia assim, selvagem.

Seu sorriso se abriu mais, e quando nossas bocas estavam quase se encostando o seu telefone toca, quebrando todo aquele clima.

Gaara se afastou de mim e xingou um palavrão qualquer, tirando o telefone do bolso e atendendo.

— O que quer, porra!

Nossa quanta delicadeza com a pessoa do outro lado.

— Já tô indo. - me ajeitei em meu lugar e Gaara ligou o carro, voltando a sua rota. - O quê? Kankuro vai tomar no rabo.

Olhei para o jeito desbocado de Gaara com o irmão, como o amor de família é lindo. Sentiram a ironia?

Ele desligou o celular e o guardou no bolso, ainda resmungando.

O restante do caminho foi silencioso, eu não fiz questão de perguntar para Gaara o que tinha acontecido, pois como ele resmungava era bem capaz de descontar em mim. Ele estacionou em frente à sua casa e desligou o carro, mas antes dele sair do mesmo ele continuou sentado, fitando algo qualquer.

— O que foi, Gaara? - perguntei, estava ficando preocupada.

— Nada. - sua resposta foi seca.

Suspirei, tentando encontrar alguma paciência e lembrei-me dos papéis de Sakura.

— Gaara. - ele não respondeu, continuei assim mesmo: - A Sakura pediu para você falsificar as assinaturas de Asuma e Kurenai.

Ele me olhou, sem um pingo de interesse.

— Não estou afim de fazer isso.

— Para de graça, Gaara. Isso vai favorecer a todos da sala e nota azul em ambas as matérias.

Bom, nota azul eu não sabia que iria sair, mas pelo plano louco de Sakura e sabendo que ela sempre conseguia o que queria, acho bem que provável.

— Como ela vai fazer isso? - ele quis saber, agora pouco interessado.

Sorri.

— Isso é segredo, mas pode confiar. Sei que está pendurado em matemática.

— O Asuma é um filho de uma prostituta do caralho, vacilão. - ele resmungou.

— Então você vai fazer? - perguntei.

— Cadê o bagulho?

Meu sorriso se abriu mais, e tomara que esse plano da Sakura dê realmente certo, pois estou querendo essas notinhas a mais também.

Tirei dos papéis com as assinaturas deles e entreguei para ele. Gaara avaliou atentamente com uma expressão séria.

— Isso é moleza.

— Nós precisamos disso para segunda. - expliquei. - Você vai ter que fazer dois bilhetes, um com a escrita do Asuma e outro com a escrita de Kurenai.

— Que porra de cartinha de amor é essa? - ele questionou lendo as duas cartas. - Isso é coisa de viado.

Revirei os olhos.

— Menos, Gaara, apenas falsifique.

— Se isso for mudar minha nota do boletim, falsifico até a caligrafia do capeta. - ele disse enquanto colocava as cartas dobradas no bolso. - Vamos entrar, antes que alguém venha aqui.

Ele não esperou que eu dissesse alguma coisa, pois saiu do carro. Lá fora caminhamos até a porta e Gaara a abriu, dando passagem para que eu pudesse entrar primeiro e ele veio logo atrás. Lembrava-me daquele lugar e não demorou para que Temari viesse me cumprimentar com um abraço apertado.

— Olá, Ino, quanto tempo.

— Pois é. - respondi a fitando depois que nos separamos. - Você anda sumida quando eu venho aqui.

Ela suspirou casada.

— É a faculdade, quando você estiver no meu lugar você vai entender.

— Por isso eu estou aproveitando agora. - sorri.

Até que o jantar foi tranquilo, diferente do que eu esperava. Conheci o irmão de Gaara, ele era legal e ficava me encarando com um olhar malicioso, Gaara quase o matou. Agora eu entendia do por que dele não queria que eu viesse com aquela roupa que eu estava antes. O Kankuro me comia com os olhos, e mesmo achando isso bom para o meu ego, não queria que meu namorado fosse parar na cadeia por ter assassinado o irmão.

O senhor e a senhora no Sabaku foram gentis como sempre, e me deixava a vontade, mesmo achando um pouco acanhada na presença dos meus sogros. Era coisa minha.

Gaara se manteve ao meu lado o tempo todo, sempre com sua mão em minha perna, marcando território. E mesmo achando aquilo desajero da parte dele, eu gostava da sensação de ser a única, tão única que Gaara estava dois anos sem sexo.

Como eu sou demais.