13.)
Everything's so blurry
(Tudo está tão borrado)
And everyone's so fake
(E todo mundo é tão falso)
And everybody's empty
(E todo mundo é vazio)
And everything is so messed up
(E tudo é tão distorcido)
Pre-occupied without you
(Absorto sem você)
I cannot live at all
(Eu não posso viver de maneira nenhuma)
My whole world surrounds you
(Meu mundo inteiro está em volta de você)
I stumble then I crawl
(Eu tropeço e então rastejo)
O ar estava gelado, mas Marcus estava bem longe disso. As nuvens moviam-se contra o grande céu, de um modo deturpado. A lua estava meio cheia e brilhava, com uma luz azul a sua volta. Eles apareceram no final de um cemitério antigo. Snape esticou o braço e capturou o cotovelo de Marcus. "Você pode ser capaz de aguentar qualquer magia, mas a maldição da morte será exceção, Flint, e se você morrer sabe o que vai acontecer com Potter?"
Marcus estreitou os olhos. "Você se importa?" Ele zombou.
Snape vociferou. "Eu tenho que me importar, Flint!"
"Por que, Snape?"
"A mãe dele gostaria que eu me importasse." Snape rosnou gélido.
Marcus o encarou. "Eu posso aguentar a cruciatus... vou me arriscar com a maldição da morte. Vou pegá-lo de volta."
Uma luz branca apareceu distante, os dois sonserinos viraram a cabeça violentamente em direção àquilo. Marcus já estava na metade do caminho, entre os monumentos de concreto. O vento batia contra sua pele, fazendo seus olhos arderem um pouco. O cheiro de sangue passou pelo seu nariz e ele estremeceu. Não conseguia dizer se era de Harry ou de outra pessoa. Esperava que fosse de outra pessoa.
Os comensais da morte estavam tão entretidos com o que acontecia entre Voldemort e Harry, que nem mesmo perceberam Marcus se aproximando em silêncio. O sonserino viu um homem ali ao lado tremendo, este era exepcionalmente pequeno e possuia uma mão de prata.
Snape o cutucou e murmurou. "Pettigrew."
Marcus parou ao ver uma cúpula brilhando envolta de luz branca, aparentemente emitindo uma espécie de música arrepiante e um toque de dourado entrelaçando-se com todo o conjunto. Voldemort e Harry estavam no meio disso, suas varinhas pareciam estar conectadas.
"Mestre! O que fazemos?"
"Nada! Não façam nada a não ser que eu ordene." Voldemort estava uma visão. Até o ponto em que Marcus começou a repensar nas suas noções de monstro. Harry tinha razão, Voldemort era o monstro. O sonserino percebera agora o que fazia seu namorado ficar tão triste toda a vez que ele se chamava desse jeito.
Marcus tremeu sem querer.
Através dos fios de magia espontânea, o garoto podia ver toda o dano feito a Harry. Sua face estava suja de sangue, suas vestes rasgadas e uma de suas pernas estava com um machucado aparentemente provocado por algo pontiagudo, como uma faca.
Ele nem mesmo esperou e se aproximou do maior comensal. De um modo quieto, o garoto colocou suas mãos em volta do pescoço dele e antes que alguém percebesse Marcus o quebrou. Foi então que todos os comensais da morte viraram. Eles estavam tão em choque, que demorou um pouco para reagirem. Alguns olhos se arregalaram atrás das máscaras brancas, quando perceberam o tamanho do sonserino.
"Crucio!"
Marcus não disse nada e agarrou o homem que lançou a cruciatus. A maldição nem mesmo o afetou, assim como os feitiços estuporantes, chocando os comensais que observavam. O garoto trouxe o homem até sua linha de visão e quebrou seu pescoço, como fizera com o outro.
"Crucio!"
"Crucio!"
"Avada Kedavra!"
Ao mesmo tempo em que a última maldição foi lançada, um bloco de mármore foi conjurado de algum lugar e a bloqueou. O comensal que a lançou mal teve tempo de pular para longe da maldição retornada. Marcus sabia que Snape estava por trás disso.
Voldemort vociferou. "Você matou meus servos!"
"Sim, você percebeu isso?" Marcus dramatizou. A maldição cruciatus continuou o atingindo e as maldições da morte continuaram sendo refletidas por escudos que saiam de lugar algum. Logo os comensais se espalharam. "Você roubou o que é meu, você sabe que sonserinos não gostam de ladrões."
Através da cúpula, os olhos vermelhos sangue de Voldemort estreitaram-se ainda mais. "O filho de Flint." Ele disse gélido. "Você supostamente era para ser meu."
Marcus girou os olhos. "Eu nunca fui seu, Seth Flint fodeu tudo. Ele esqueceu que armas podem ter cérebros."
Os comensais da morte perceberam que suas tentativas com a cruciatus não estavam dando certo. Marcus nem mesmo notou quando um deles resolveu ser esperto e começou a lançar maldições cortantes, que laceravam aos poucos sua pele e suas vestes até que pioravam gradualmente. O sonserino estava começando a ficar com dor de cabeça por causa do bracelete em volta de seu bíceps. A intensidade não tinha sido sentida até o momento por estar fraca, mas agora conseguia força, mesmo que precisasse de mais do que alguns choques para mantê-lo inconsciente.
Os olhos de Voldemort continuavam indo de Harry para Marcus e brilhavam ao perceber que nenhum feitiço funcionava.
Vultos começaram a aparecer, um por um, da varinha de Voldemort. Gotas de sangue passaram a sair dos braços de Marcus, mas ele nem mesmo estremeceu. Mais imperdoáveis foram lançadas. Alguns tentaram imperio, mas o sonserino continuou imune. As maldições cortantes iniciaram-se novamente. De algumas ele desviou e outras recebeu.
O garoto viu por entre a cúpula que os vultos eram humanos e um deles parecia exatamente como Harry.
Eles começaram a conversar com o grifinório, mas Marcus não os ouvia. Os olhos de seu amante se arregalaram e ele o olhou, apenas naquele momento o percebendo.
"Oh, Merlin!"
"Você vem comigo, Harry." Marcus rosnou e andou até ficar atrás dele.
"Marcus..." Harry choramingou. Ele parecia estar com dor. "Agora..." O feitiço foi desfeito, a cúpula desapareceu, mas os vultos continuaram flutuando em volta de Voldemort o encarando com olhos assustadores.
O sonserino pegou o namorado, enquanto o mais novo gritava. "AccioPettigrew!" O pequeno homem com a mão de prata voou até os braços de Harry com um gritinho indigno. "Estupefaça!"
"Crucio!"
"Crucio!"
"Lubricus!"
Uma das versões mais negras da maldição cortante acertou a bochecha de Marcus, indo da altura da orelha até o pescoço.
Marcus não achava que conseguiria aparatar com Harry e com o homem que havia sido convocado. Sua magia nunca foi tão boa e agora estava ainda mais fraca. Ele começou a se afastar quando os vultos começaram a desaparecer vagarosamente. Voldemort iria se mover a qualquer momento e eles não teriam a mínima chance.
Da direção de um dos comensais solitários, que não tinha lançado nenhuma maldição, um objeto metálico veio zunindo pelos ares. O sonserino encarou fixamente o comensal, reconhecendo os espertos olhos azuis e a natureza elegante, jutamente com os longos cabelos platina.
Ele sabia que não devia confiar no homem, mas tinha pouca escolha e deveria tentar. A vida de Harry dependia disso. Provavelmente fazendo algo bem estúpido, ele pegou o objeto no ar e o puxão em seu umbigo mostrou que se tratava de uma chave de portal.
Um choro escapou os lábios de Harry, enquanto segurava Pettigrew com toda a sua força. A chave de portal os lançou diretamente no começo do labirinto. O grifinório estava deitado sob o namorado, que tentava ficar consciente para saber onde estavam.
"Harry?" Marcus grunhiu, sua cabeça explodindo e a perda de sangue o deixando cada vez mais fraco.
"Estamos de volta... estamos a salvo!" Harry gemeu dolorosamente, quando percebeu que todo o sangue que caía era de Marcus.
Aquilo era tudo o que o sonserino precisava saber antes de perder a consciência.
Eles estavam rodeados, mas Harry não prestou atenção nisso e continuou segurando Rabicho, enquanto encarava uma das mãos cheias de sangue. Ele conseguiu sentir um pouco do líquido deslizando por entre suas vestes rasgadas. O menino grinhiu tentando rolar para fora do local em que estava, mas era impossível, o namorado era muito pesado.
"Marcus...!" Harry lamuriou, jogando aquele estúpido rato para longe de si e tentando se mover, mas suas pernas não o deixavam. A aranha o cortara muito bem e as maldições cruciatus de Voldemort foram terríveis. Ele sofrera sob ela por muito tempo, seus nervos estavam a flor da pele e sua pele queimava. O sangue era por ter se raspado contra uma pedra ao ficar desesperado, tentando impedir Voldemort de matar Cedric.
Chame-o de estúpido, mas ele tinha apenas catorze anos! Não queria ver seu novo amigo morto. Marcus foi levitado de cima de Harry. Soluços e gritos foram ouvidos pelo ar.
"Marcus!" Harry chamou de novo. Ele estava bem? "Tanto sangue!" O menino se engasgou ao conseguir ficar deitado de costas e sibilou de dor.
"Está tudo bem, acalme-se."
"HARRY! HARRY! Oh, meu Merlin, esse é...?" Bill, Harry pensou? Ele não conseguia ver nada além do céu estrelado. Estava terminado. Tudo em volta dele começou a girar e sua cabeça o estava matando.
Houve um rosnado. "Rabicho!" Veio de Sirius e Remus ao mesmo tempo.
Harry choramingou. "Marcus! Eu preciso ver Marcus..."
"Ele está sendo cuidado, Harry. Ele está vivo." Dumbledore o acalmou, ficando de joelhos e passando os braços em volta da figura de Harry. "Acalme-se, respire fundo." Uma mão quente pressionou contra sua testa gelada e suada. Harry fechou os olhos, respirando com dificuldade.
"Harry! Professor? Ele está bem?" A voz era de Hermione, tinha que ser.
"Merlin, Marcus está uma total bagunça!" Adrian respirou. "Isso tudo é o sangue dele?"
Harry choramingou de novo e isso era tudo o que ele precisava. O menino começou a sentir lágrimas quentes saindo de seus olhos e descendo por sua face.
"Ele está mesmo de volta?" Esse era Hugh, que estava respirando com força e se ajoelhou em frente a Harry.
O grifinório assentiu. "Sim." Soluçou.
"Vamos para a ala hospitalar."
"Professor... a taça... era uma chave de portal."
"Nós sabemos, Harry." Dumbledore disse baixo. "Sabemos que foi um impostor. Já o achamos."
Harry o encarou e se revirou tentando sentar, mas sua cabeça girou ainda mais. "Ulgh, quem?" Ele não conseguia entender nada a sua volta. Tudo estava muito borrado.
"Não se mova, Harry. Você está com um grande dano na cabeça." Dumbledore disse.
"Barty Crouch Junior." Bill respondeu baixo. "Ele fingiu ser Moody e tentou pegar Cedric Diggory, mas o diretor o impediu."
Dumbledore suspirou pesadamente. "Agora não é a hora. Conversaremos disso depois. Nesse momento precisamos da ala hospitalar."
"Professor...?"
"Shh, conversamos depois. Agora eu vou te colocar em um sono profundo."
"Não, não! Espera..." Harry chorou desesperadamente. Ele não queria ir dormir. Tinha que falar, tinha que falar para ele.
"Depois..." Dumbledore colcou os dedos nos lábios rachados do menino e ele não pôde pensar em mais nada a não ser em ficar em silêncio, quando um feitiço falado em voz baixa entrelaçou-se em seu corpo, o mandando dormir.
xXx
Os olhos de Harry se abriram assim que sua mente entrou em um estado coerente. Ele sentou-se rapidamente e estrelas alinharam-se em sua visão em forma de tontura. Ele se encontrava na enfermaria e estava escuro. O menino conseguia ouvir a respiração de diferentes tipos e vizualizou Cedric em um cama do outro lado, próxima à janela, e mal se via o real Alastor Moody através das talas hospitalares.
Marcus! A mente de Harry girou e ele conseguiu ver o garoto em outra cama, dormindo pesado. Jogando as cobertas de lado, ele conseguiu perceber que suas pernas foram curadas e que tudo o que restara era uma rigidez em seu corpo por causa da exposição à maldição cruciatus.
O menino saiu da cama e tropeçou duas vezes, ofegando dolorosamente. Harry segurou na ponta da cama, colocou-se em pé e foi até onde Marcus estava. O coração do sonserino dava pontadas em seu peito e vários cortes e queimaduras eram vistas no corpo deste. Os braços estavam sem nada em cima e cicatrizes rosadas podiam ser vistas. Harry encarou com raiva o bracelete dourado e percebeu o quão irritada estava a pele em volta do objeto.
O menino ficou ali parado por longos momentos, apenas encarando. Marcus ocupava a cama inteira, então Harry não conseguiria deitar ao lado dele. O grifinório debruçou-se e beijou o canto da boca do namorado.
"Hnn?" Marcus se mexeu e acordou. Seus olhos piscaram antes de abrir e ele encarou aqueles olhos esmeralda familiares. "Harry!" Disse rouco.
"Como você está?"
Revirando os olhos, o sonserino passou um braço em volta do outro e o colocou contra seu peito. Marcus não falou nada e apenas segurou o amante. Sua cabeça estava afundada no pescoço de Harry, como sempre fazia. O grifinório sorriu e sentou-se sobre o abdomen do outro, não em um gesto sexual.
Depois de vários momentos em que Marcus ficou respirando o pescoço do outro e o apertando com delicadeza, ele falou. "Não – me assuste- mais daquele jeito." O pensamento de que Harry poderia ir para algum lugar próximo àquele monstro o deixava nauseado.
"Eu? Você é o único que deixou todo mundo te amaldiçoar!"
"Não me afetou..."
Harry engasgou. "Você tem cortes – em todos os lugares!"
"Nada que não possa ser curado." Marcus disse baixo. "Do que diabos Diggory estava falando quando disse que você empurrou Voldemort?" Ele perguntou autoritário. Aquela era a primeira coisa que queria saber.
Harry corou e abaixou a cabeça. "Eu não queria que ele morresse... eu não queria vê-lo morrendo, Marcus. Eu tive que fazer alguma coisa!"
O sonserino fez uma careta e sentou-se com Harry seguro em seu peito. "Você tem idéia do quão estúpido foi aquilo?"
Harry fungou contra ele. "Te amo?" Tentou ao invés de se desculpar.
Ele recebeu um abraço e um beijo na têmpora por dizer aquilo. Harry estendeu-se para pegar a varinha de Marcus. Não tinha idéia de onde a sua estava e conjurou um pouco de água. Ambos estavam com as gargantas roucas e secas.
"O que aconteceu com a sua varinha?" Marcus perguntou.
Harry deu de ombros. "Não faço a mínima, mas eu vi minha mãe e meu pai... e vários outros. Eles saíram da varinha do Voldemort. Eu não entendo porquê ou como... era o que eu queria perguntar pro Dumbledore antes que ele me colocasse para dormir." O menino sussurrou baixinho para Marcus sobre Moody e o impostor.
O sonserino rosnou. "E ele estava aqui esse tempo todo?"
Harry passou o nariz no pescoço do namorado e passou os dedos desde o topo da cabeça dele até suas costas. A cicatriz na bochecha de Marcus, que ia até seu pescoço, ainda estava bem vermelha. O grifinório a sentiu com seu dedão e tirou quando sentiu o garoto estremecer.
Ele inclinou a cabeça do namorado e encarou a cicatriz.
"Vai curar."
Harry franziu a testa antes de pressionar um beijo leve sobre ela.
Marcus estremeceu sem querer, forçando-se a não mostrar a dor que estava sentindo. Sua cabeça doía com pontadas em sua têmpora. Ele deitou com Harry em seus braços e convocou mais dois travesseiros para colocar sua cabeça sobre. O garoto puxou as cobertas sobre eles e apertou o namorado. "Durma." Disse contra o cabelo do outro.
"Tem certeza de que está bem?"
Marcus desdenhou e o apertou ainda mais. Harry era muito perceptivo, mas não havia jeito dele admitir. Depois disso os dois rapidamente caíram no sono juntos.
Entretanto não se passou mais do que cinco minutos quando Marcus sentiu alguém tentando tirar Harry de seus braços. Ele endureceu o corpo e abriu os olhos de sopetão, encarando a enfermeira. "Não!" Rosnou perigosamente.
"Sr. Flint!" Ela gritou ao ver a expressão letal.
"Deixe-o. Não toque!"
Ela estreitou os olhos. "Agora, veja bem, Sr. Flint, você está precisando de cuidados intensivos e eu não posso fazer nada com ele deitado aí em cima."
"Que pena. Ele não se move, a não ser que você queira que seu braço seja arrancado." Sibilou violentamente.
Ela deu para trás como se tivesse recebido um tapa. Marcus continuou a encarando até que a mulher saiu de perto.
Logo depois, a enfermaria abriu e mais pessoas entraram. Uma delas sendo Dumbledore, seguido pela família de Harry e Hermione. Ninguém ficou surpreso ao ver o grifinório deitado sobre Marcus. Porém, ficaram surpresos ao ver o sonserino acordado, mexendo com o cabelo do namorado.
"Marcus? Como você está se sentindo?" Dumbledore perguntou, conjurando algumas cadeiras, enquanto Remus fechava as cortinas, escondendo-os de vista.
Bill adicionou alguns silenciadores. Sirius que estava na forma de Romulus sentou-se do outro lado de Marcus e tocou a testa de Harry.
"Estou bem." Afirmou monótono.
Hermione apareceu e se arrepiou. "Cicatriz desagradável." Ela disse colocando a mão no ombro de Marcus e apertando. "Como ele está?"
O sonserino balançou a cabeça. "Ele está bem." Grunhiu. "Acho que vocês vão querer saber o que aconteceu. Snape conseguiu voltar bem?"
"Sim, ele chegou vinte minutos depois de vocês." Dumbledore disse caloroso. "Obrigado..."
"Não. Não fiz por você." Ele disse rígido. "Harry é meu e ninguém rouba nada de um sonserino."
Sirius sorriu de modo sombrio. "Regulus dizia a mesma coisa, meu irmão."
Marcus olhou para Harry e em um tom apático, explicou tudo o que acontecera. Ele contou como tinha quebrado alguns pescoços.
'"Você não usou nenhuma maldição?" Remus perguntou chocado.
"Não precisei." Ele disse ríspido. "A maldição cruciatus não é nada pra mim. Foi a maldição cortante que me atingiu. Sem mencionar essa porra de bracelete que me deixou com dor de cabeça." Ele disse encarando o objeto gelidamente. O garoto terminou contando que viu as varinhas de Harry e Voldermort conectadas, os vultos que saíram de lá e tudo o que o grifinório lhe dissera.
Nesse ponto, Harry estava acordado, olhos aberto e observando em silêncio. Dumbledore iluminou-se. "Bom dia, Harry."
"Eh?" Ele murmurou levantando a cabeça do peito de Marcus. Todos começaram a abraçá-lo. Hermione foi a primeira a se jogar contra o amigo e Sirius seguiu logo depois, lançando um olhar gélido brincalhão para a morena, que o encarou metida.
Depois de vinte minutos de explicação sobre o Priori Incantatem, a história de Harry sobre a poção usada e então sobre o duelo, que coincidiu com a maioria do que Cedric contara, eles todos caíram em um lapso de silêncio.
Marcus estava novamente segurando as pontas do cabelo de Harry, seus olhos nunca deixando a face do outro.
Finalmente, Dumbledore olhou para Bill. "Acho que você sabe o que fazer?"
"Sei, diretor."
Dumbledore então virou para Remus, que suspirou e assentiu. "Vou ver em que pé estamos."
Sirius franziu a testa. "Hora de abrir a mansão?"
"Acho que sim, Sirius, nós precisamos nos preparar. O Ministro vai ter o dia cheio, ele não tem idéia do que está fazendo. Ele não pode se esconder agora, existem muitos sobreviventes e com a captura de Prettigrew e Crouch Junior, Voldemort manter as coisas em segredo já não é mais viável."
"O que vai acontecer com Rabicho?" Harry perguntou esperançoso.
"Julgado, condenado e esperamos que Sirius seja liberto." Dumbledore disse sorrindo. "Não há dúvidas em minha cabeça que ele será completamente perdoado. Fudge está andando em uma corda bamba agora. Sirius foi o primeiro homem condenado sem um julgamento. Qualquer erro que ele faça, a partir de agora, em relação a Voldermort, irá destruí-lo e ao Ministério inteiro também."
xXx
Marcus continuou na ala hospitalar por mais dois dias e Harry ficou ao seu lado. O menino recebera alta no dia anterior. Um dos juízes aparecera com quinhentos galeões, aparentemente ele e Cedric estavam dividindo o dinheiro. Harry apenas encarou aquilo com desgoto.
"Compensação por enfrentar Voldemort?" O grifinório desdenhou de um modo bem sonserino. Ele estava tentado a jogar tudo aquilo para fora da cama, mas sabia que madame Pomfrey não ficaria contente com quinhentos galeões espalhados pelo chão.
A cicatriz na face de Marcus ainda estava com uma coloração forte de rosa e Harry sabia que provavelmente continuaria ali. Aparentemente tinha sido feita com uma variação mais terrível da maldição cortante. As marcas em suas costas e em cima dos braços e peito estavam desaparecendo, mas o grifinório ainda via o namorado sangrando nas vezes em que fechava os olhos. Aquela era uma péssima visão.
Uma que ele não queria ter novamente. Kingsley apareceu pela manhã, Marcus estava no momento de conseguir as chaves para retirar o bracelete de seu bíceps.
"Quanto ele te incomodou quando você saiu do território da escola?" Kingsley perguntou preocupado enquanto colocava a chave em um dos buracos e então colocou outra.
"Apenas dor de cabeça." O sonserino respondeu, observando, sem ligar, quando o bracelete abriu e caiu. "Foi uma pequena obstrução."
"Você é bem forte então. Nossa cobaia mais forte durou vinte minutos antes de ficar inconsciente."
Para a grande surpresa de Harry, Marcus não comentou nada sobre ser um monstro e ao invés disso disse: "É necessário mais do que um bracelete para me ferir."
"Eu apenas puxo seu cabelo." Harry cantarolou e saiu de cima da cama, enquanto Kingley ria.
Marcus sorriu torto, antes de seguí-lo.
"Foi um prazer conhecer você Marcus e em off, eu verei você depois." O auror piscou, bagunçou os cabelos de Harry e saiu do cômodo, deixando os dois o encarando.
"O que ele quis dizer?"
"Acho que Dumbledore deve tê-lo recrutado."
Eles foram para o salão principal e um silêncio forçado caiu sobre o local, quando os olhos de todos os acharam.
Marcus, atrás de Harry, os olhou fixamente e segurou o outro contra seu peito, enquanto Hugh, Adrian, Hermione, Neville e Viktor os encontravam.
"Que tal lá fora?" Neville sugeriu.
"Parece melhor!" Harry olhou rapidamente para Ron, que se recusou a olhar de volta, e deu de ombros. "Vamos." Disse sorrindo.
Os sete saíram do salão, ouvindo os sussurros dos outros e encaminharam-se para a ávore de azevinho. Hermione e Viktor conjuraram os itens necessários. Adrian e Hugh estavam tocando nas cicatrizes de Marcus como se elas fossem as coisas mais incríveis que já viram.
Hermione estava falando para Harry sobre a escola e a sua reação.
"Karkaroff fugiu." Viktor disse, enfiando o garfo em sua linguiça. "Não que ele fosse de muito uso."
"Não é surpreendente, ele entregou muita gente." Harry disse ao lembrar das memórias na penseira. "Eu não acho que a recepção dele será boa."
"Penso em quão bem recebido seu pai vai ser." Hugh vocalizou.
"Ele nem mesmo está fora do hospital ainda." Marcus rosnou. "Mesmo assim, isso não salva Jezabel."
Houve um movimento de silêncio e parado atrás deles estava Cedric. Ele parecia desconfortável. "Harry? Posso – falar com você?"
Marcus estreitou os olhos para o lufano, mas Harry apertou o ante braço do namorado gentilmente antes de se levantar. "Claro, Cedric." O menino saiu andando, deixando o namorado sibilando e Adrian e Hugh sorrindo de lado.
Neville esganiçou. "Harry não gosta dele."
"Eu sei disso." Marcus disse sério. Saber aquilo ainda não ajudava.
xXx
Harry suspirou e passou as mãos pelo cabelo. "Como vai você, Cedric?"
"Esquisito." O loiro confessou. "Merlin... aquela coisa... Você-Sabe – er – Voldemort?"
"Que bom que você tá aprendendo." Harry brincou e recebeu um olhar estreito. "Cedric, está tudo bem falar Voldemort, é apenas um nome criado a partir de Tom Marvolo Riddle. Um simples mestiço com poderes a mais."
"Quando você coloca desse jeito..." Cedric riu. "Faz ele soar fraco."
"Ele não é fraco." Harry disse com os olhos arregalados. "De jeito nenhum."
"Eu sei, estou apenas falando. Você fala sobre ele tão facilmente – e ele, bem -"
"É mais prerigoso do que você pode imaginar. Eu falo facilmente porque preciso, Cedric. Minha família não foi a única que ele destruiu, mas devido às circunstânceas , eu, como Harry Potter tenho que lidar com ele. Sempre estarei em perigo enquanto Voldemort estiver de volta. Eu tenho que me acostumar e não me deixar cair."
"Bem, você faz um bom trabalho. Não consigo acreditar que você o tirou do caminho."
"Eu tinha que fazer alguma coisa!" Harry esganiçou. "Eu não podia aguentar ver ele te torturando. Sei que pode ter sido estúpido, mas não me arrependo. Não quero te ver morto."
Cedric sorriu e brevemente colocou um braço em volta de Harry, antes de engasgar e se afastar. "Desculpa! Queria te abraçar."
Harry riu baixo e o abraçou. "Você pode me abraçar, Cedric. Somos amigos."
"Depois disso... é melhor que eu seja!" Ele disse apertando o grifinório. "Mesmo que, acho... ninguém queira fazer isso na frente do seu – er, amante." O lufano disse olhando em volta.
A risada de Harry aumentou e ele balançou a cabeça. "Você é bobo. Ele pode cerrar os dentes, mas sabe que eu o amo."
Cedric suspirou. "E ele te ama, estranhamente. Acho que consigo entender muito mais agora. Ainda estou com ciúmes."
Harry o cutucou. "Não fique."
"Lembra do que eu te disse antes de entrarmos no labirinto? Eu disse que você valia a pena."
"Ainda não entendo o que você quis dizer com aquilo, mas me lembro." O grifinório disse corado.
"Bem, você vale."
"Valho o que?" Harry perguntou.
Cedric sorriu abertamente. "Vamos lá, melhor eu levar você de volta antes que apanhe."
Harry mostrou a língua e deu uma cotovelada no loiro. "Lufanos."
"Grifinórios."
"Besta."
xXx
A manhã seguinte estava silenciosa. Harry estava deitado embaixo das cobertas com os braços de Marcus a sua volta. O menino sentia-se praticamente colado ao peito do outro. Eles estavam acordados e se recusavam a mover. O grifinório não conseguiu se impedir de pensar nos acontecimentos dos últimos dias. Voldemort, Marcus, Cedric e o verão que se aproximava.
"Eu não estou sentindo vontade de voltar pra lá." Harry murmurou triste.
"Onde?" Marcus perguntou.
"Meus parentes." Ele se virou e aninhou-se ainda mais contra o peito do outro.
"Por que você precisa voltar?"
"Alguma coisa lá me protege e eu acho que é mais preciso do que nunca que eu volte."
"E se eu não te deixar ir?"
"Não vou discutir sobre isso. Me sinto mais seguro com você."
"Hmm." Marcus colcou o nariz contra a orelha de Harry e o apertou mais. O grifinório sorriu, ninguém podia abraçá-lo ou segurá-lo como o sonserino. Não era possível! Pensou ao passar uma perna pelo quadril do outro. "Queria pedir desculpa."
Harry abriu os olhos e piscou. "Pelo quê?"
"Eu percebo agora porque você fica tão chateado quando me chamo de monstro."
"Você não é um, Marcus..."
"Bem, eu sei que sou alguma coisa, talvez não um monstro, mas algo malvado."
"Você é meu." Harry disse passando a mão em sua bochecha, perto da cicatriz rosada. "Isso é tudo o que importa, certo? Você é meu Marcus. Precisa ser taxado de alguma coisa?"
"Não, acho que não. Apenas não acho que te mereço." Harry o olhou gélido e estava quase abrindo a boca e talvez brigando com o namorado, quando este colocou a mão sobre seus lábios. "Cale a boca por um momento. De qualquer forma, acho que ninguém merece você. Não existe uma única pessoa que te mereça. Acreditei em um ponto que um monstro em sua vida não era algo que você precisava, e então pensei que talvez você precisasse de um ao seu lado para combater todo mundo. Percebi, então, que por pensar nisso eu estava sendo um monstro, porque te machucava. Não fisicamente, mas emocionalmente. Eu não entendia antes e aí vi você naquele cemitério e vi tudo. Entendi."
Harry estava sem palavras. Marcus raramente falava tanto assim ou tão profundamente. A última conversa que tiveram foi sobre sua família e aquela foi a mais profunda. Conversas entre eles, geralmente não duravam tanto, mas o grifinório estava feliz por ter falado sobre esse assunto. Ele estava tão feliz por saber que Marcus não se considerava mais um monstro.
Ao invés de falar, Harry rolou os dois até que estivesse em cima de Marcus. Então pressionou um beijo contra sua boca semiaberta.
A resposta foi imediata e as mãos do sonserino deslizaram-se para dentro da camiseta do outro. Mordendo o lábio inferior do namorado, Harry desceu até a ereção de Marcus e movimentou seus quadris, até que um sibilo saiu de seu amante.
"Mmm, não me vire." O grifinório murmurou contra Marcus, enquanto sentava-se nele. "Quero ficar por cima..."
O sonserino tirou a camisa irritante do mais novo e mordeu com força o pescoço deste. Harry rolou os quadris até que o membro inchado de Marcus roçasse sua entrada de modo provocante.
Grunhindo, Marcus apertou os quadris de Harry. "De jeito nenhum você vai me tomar a seco." Disse rouco.
"Eu sei, só gosto de provocar." Harry choramingou um gemido, quando dedos começaram a prepará-lo. Ele cobriu a boca de Marcus com beijos languidos e um desejo intenso. "Agora!" Seus nervos internos estavam provocando e zombando dele com pequenas pontadas de prazer.
"Autoritário, hein?"
Harry gemeu e colocou a face contra o pescoço de Marcus. "Preciso de você... por favor! Mmm!" Ele segurou seu amante e gritou em excitação quando seu pedido foi atendido. Cada estocada levava prazer aos seus nervos e o fazia ronronar. Quanto mais forte segurava, mais forte se movia, e mais intenso ficava até que o desejo consumiu os dois e os deixou coberto de suor e sêmem, beijando-se de modo languido.
"Você não está movendo." Marcus grunhiu, lambendo o queixo de Harry.
O grifinório sorriu e passou o nariz no pescoço do namorado. "O que você está tentando dizer?"
O mais novo esganiçou quando uma pressão foi colocada contra sua espinha dolorida. "Você sabe o que estou dizendo." Murmurou quieto.
"O que?" Harry perguntou sentindo um puxão de cabelo.
Marcus revirou os olhos. "Preciso soletrar pra você?"
"Não precisa." Ele disse beijando o pescoço do outro. "Suas ações são o suficiente, percebendo que não é um monstro é inestimável." O grifinório colocou o queixo contra o ombro do amante e encarou a parede.
"Amo você." Suas palavras foram faladas por entre respirações e saiu de seu peito em um retumbar baixo.
Harry aninhou-se ainda mais contra Marcus, chegando mais próximo. "Ama."
"Eu preciso."
You could be my someone
(Você poderia ser meu alguém)
You could be my scene
(Você poderia ser minha cena)
You know that I'll protect you
(Você sabe que irei proteger você)
From all of the obscene
(De tudo o que é obsceno)
I wonder what you're doing
(Eu imagino o que você está fazendo)
Imagine where you are
(Imagino onde você está)
There's oceans in between us
(Exste um oceano entre nós)
But that's not very far
(Mas isso não é tão longe)
Blurry - Puddle of Mudd
N/A: Um obrigada especial para a Kamerreon como sempre! Também para a Branwen777por sem querer ter me dado a música certa para o capítulo. Eu procurei por horas. Existe apenas mais um capítulo para acabar... eu não conseguir esticar para quinze... a história em si quer um término. Eu escrevi rápido porque a história acabou se escrevendo e quando isso acontece, extender não é uma boa idéia sem que a coisa se complique. Em relação à uma sequência... não posso garantir isso. Eu posso escrever um one-shot mais tarde ou alguma coisa. Mas, acho que vou querer mexer nas minhas outras histórias que negligenciei. Se eu contar nos dedos quantas outras histórias eu tenho, terei que lançar os dedos de outra pessoa no meio. Eu me distraio muito fácil com musas :)
N/T: Tá, não acho que traduzi essa música muito bem... mas...
