Capítulo XIII — O Noivo é um Cachorro (e não só literalmente)
A Mansão Corvo tem seus prós e seus contras. Você aprende isso apenas convivendo com todos que aqui moram. Nesses dois anos em que moro aqui, aprendi que não se deve deixar um pote de sorvete no freezer, pois quando lhe der aquela vontade súbita de consumi-lo, não haverá nem mesmo a sobra de uma colher para você se deliciar. Ou seja, se quer sorvete, compre e consuma na mesma hora. Seja egoísta ou fique sem sorvete. É essa a lei. A lei de quem come primeiro.
Claro que aprendi muito mais do que comer sorvete em tempo recorde.
O melhor lugar para estudar era o escritório do Nagi ou do Hideo. Qualquer outro cômodo é profanado pelos demais tengus, incluindo meu quarto, que virou ponto de encontro de Hiroko, Tomoyo, Aika e Sajia (esta última quando está em casa, raras vezes). Sendo assim, sempre que preciso estudar, permaneço na universidade, caso não possa fazê-lo, me refugio no escritório de um dos dois citados anteriormente. Confesso que abuso da obsessão de Nagi pela medicina fazendo dele meu professor particular quase todos os dias.
Aprendi muitas coisas nesses dois anos também, coisas que nunca sonhei que um dia sonhei em saber, como por exemplo:
1. A jogar pôquer, mas Ryo logo se arrependeu de ter me ensinado quando o deixei sem salário. Claro que a desculpa utilizada por ele foi o fato de eu ser irmã do Senhor do Norte e, como tal, não poderia me vencer. Hiroko ficou zoando o pobre pelas próximas duas horas dizendo o quão patético ele era.
2. Criar enquetes idiotas sobre temas aleatórios. Um exemplo clássico era a discussão sobre o que teríamos para jantar, única refeição que a criadagem não fazia. Quando questionei sobre o motivo de não termos os empregados no horário do jantar, Hideo explicou que nosso pai sempre os dispensava e cozinhava todas as coisas. Daiki disse que nosso pai era um bom cozinheiro, mas gostava demais de massas, por isso as mulheres tengus tinham problemas de obesidade na época que ele era o Senhor do Norte. Aika odiou isso e quase o matou com uma colher de pau.
3. Consertar a antena de satélite da nossa televisão por assinatura (para quê chamar o técnico?). Esse caso foi incrivelmente hilário, pois eu fui arrastada com o Yuri para consertar a bendita antena, pois Daiki e Ryo queriam assistir MMA. O porquê dele ter me levado consigo? A desculpa foi que uma mulher deveria saber consertar uma antena, pois poderia se casar com homens inúteis como os que moram na Mansão Corvo (ele se excluiu da lista, claro).
Mas acima de tudo, aprendi, da pior forma possível, 4. que não devo levar meu irmão caçula Souta para aquela casa. Afinal os homens youkais ali presentes estavam sempre tentando levar meu irmão caçula para o mau caminho quando o veem. Mau caminho leia-se: comer porcaria e assistir filmes violentos enquanto fazem concurso de arroto.
Enfim, estou finalmente acomodada, familiarizada com a casa e com todos que a habitam. Por mais que eu amasse minha mãe, meu avô e meu irmão Souta, hoje, digo que não vejo mais o templo como o meu lar, mas sim a "casa da minha mãe". Esse é meu novo lar. Quem diria. Às vezes sinto até que estou traindo minha família... Mas o que posso fazer?
Existem outras coisas a serem lembradas. A maioria delas nem tanto quanto se devia.
Por exemplo, eu não faço ideia se tenho um noivo. Depois daquele dia, em que o desgraçado do Sesshoumaru me declarou como sua prometida, eu nunca mais vi a face do infeliz. A administração do território do Leste era compartilhada e realizada através de um emissário de Sesshoumaru com quem, por sorte, Hideo se dava bem o suficiente para conseguir lidar com a situação. Uma vez ele me disse que se tivesse que lidar com Sesshoumaru, já teria cometido suicídio ou youkaicídio (mal aí por essa... É que 'tô pegando a mania da Tomoyo por neologismos).
Todo ano, Hideo e Daiki me obrigavam a ir com eles para Sapporo nas férias, a fim de conhecer mais sobre o nosso povo e território que nos pertencia (ainda hoje não sei lidar muito bem com isso). Os tengus era um grupo grande, se comparado aos outros clãs, como uma vez me dissera Hideo, no ápice de sua arrogância "Estão em meu poder dezessete tengus e três hanyous". Ele ao menos teve a presença de espírito de me revelar que não me incluía nesses três. Ao menos isso.
A questão é que passei a amá-los e aguardo até com um pouco de ansiedade o dia em que me mudarei para Sapporo com meus irmãos quando o curso acabar.
Quanto a minha situação de hanyou, eu havia tido evoluções consideráveis: hoje em dia já manipulo com segurança armas de mão e o treinamento físico tinha resultado frutos, como maior controle da minha força e agilidade. Agora eu sabia exatamente o que fazer com o meu corpo para ser eficiente em uma luta corporal.
Hideo e Raiden também começaram a me ensinar a arte de fazer uma barreira pessoal para esconder a minha presença, e sinto que estou quase conseguindo manipular essa arte. Aliás, esse está sendo um dos meus desafios pessoais mais exaustivos. É muito complicado de se entender e mais ainda de se pôr em prática.
Quanto à universidade, ela está indo muito bem, obrigada. E finalmente se cessaram os fatos que me deixaram afastada das aulas e o Daiki parou de ir lá como se fosse um shopping center; claro que precisei ameaçar fugir para casa da minha mãe por um mês caso ele não parasse de desrespeitar meus estudos como estava fazendo. O fato que mais atrapalhava minhas aulas a tarde, às vezes, era que Shippou vinha me visitar com alguma frequência. Meus irmãos não gostavam muito, mas se conformaram com o tempo. Caso eles não tenham se conformado, fingem muito bem.
Falando na universidade, é exatamente aqui que me encontro. Aula de Anatomia Avançada. Na verdade estamos prestes a realizar uma autopsia em um cadáver. Estou realmente nervosa e me sentindo um pouco enjoada, mesmo já estando habituada com esse tipo de rotina nas aulas de anatomia.
Só que hoje era diferente: teríamos uma plateia, por assim dizer. Doutores que estariam nos observando para designar pequenos estágios para começarmos a ter uma noção da rotina de um hospital. Os melhores alunos, aqueles que conseguissem efetuar o estágio com louvor, poderiam até mesmo ser efetivados para fazer residência.
Era um dia muito importante para todos da minha turma. Cada aluno seria avaliado rigidamente e o exame se perpetuaria até às sete da noite. Quando chegou a vez de minha equipe, nossa professora de anatomia nos lançou um olhar avaliador e sussurrou um "deem o melhor de vocês".
Entramos na sala de autopsia concentrados no que deveríamos fazer. Para ser sincera, estava tão concentrada no meu dever, que nem ao menos consegui ter uma percepção do que estava acontecendo na sala superior, que possuía uma visão panorâmica de onde estávamos.
Suspirei, olhando para Kenjiro, que assentiu com a cabeça, confirmando que estávamos prontos para iniciar o trabalho. O olhar confiante do meu amigo me acalmou os nervos um pouco, mas não muito. Apenas o suficiente para notar que as enfermeiras estavam distraídas. Precisei pedir duas vezes pelo bisturi para que fosse atendida.
Ao decorrer da autopsia comecei a ficar intrigada com o que estava distraindo tanto a enfermaria e minha curiosidade foi atiçada quando notei Kenjiro olhando para a sala em que estavam os médicos que nos avaliavam. Estreitei os olhos, lembrando-me das recomendações sobre não olhar para cima e seguir como se não houvesse pessoas ali.
Respirei fundo e busquei toda a concentração em meu ser para continuar fazendo o meu trabalho com a maior perfeição possível. Terminamos e agradecemos ao falecido por permitir que usássemos seu corpo para estudos.
Ergui a cabeça e foi quando o vi.
De primeiro momento, achei que fosse apenas uma ilusão de ótica, então voltei a olhar antes de sair da sala. Realmente, era ele ali, parado com as mãos dentro do bolso da calça de seu terno azul-marinho, tão bem cortado que o homem parecia um daqueles modelos da Cosmopolitan Tokyo... Mas não era ilusão. Ilusões de óticas não teriam tirado a mão do bolso e seguido para fora da sala, provocando suspiros e alguns resmungos de protestos das enfermeiras que estavam ali comigo.
O que Sesshoumaru estava fazendo ali?! O que diabos ele estava fazendo ali e há quanto tempo ficou parado observando a mim e meus amigos?
O QUE DIABOS ELE FAZ AQUI? POR QUÊ?
Se acalme, Kagome, não entre em pânico, não entre em pânico... Tarde demais estou em pânico. Ele está se aproximando. Ele está se aproximando!
Planos:
A) Fingir desmaio — surtaria os meus irmãos e eles me fariam ficar em casa descansando pelo resto do mês, dizendo que estou me esforçando demais na universidade e que não preciso disso, pois o Hideo paga as contas e eu tenho as senhas do cartão dele.
B) Sair correndo — tenho medo do que ele pode fazer se eu correr dele.
C) Fingir que não o conheço — ele pode ficar irritado, ou não, pode entrar no jogo de ninguém se conhecer e reverter a história para que eu fique parecendo uma idiota.
D) Agir naturalmente. — por favor, como agir naturalmente nessa situação?
Desmaiar está ganhando de lavada nessas minhas opções. Mesmo que isso implique em meus irmãos surtando loucamente e não me deixando sair de casa por um longo tempo.
Ele estava mais perto. E minha visão começou a de fato escurecer e tive esperanças de que não seria necessário fingir, seria fático o meu desmaio. Mas infelizmente ele não aconteceu e Sesshoumaru já estava parado na minha frente, com aquele seu rosto impassível, enquanto me analisava; em seguida olhou o relógio.
— Te espero as sete, não se atrase. Seus professores já estão cientes que não podem lhe reter aqui por mais tempo e seu motorista já está a caminho. — Ele me olhou dos pés à cabeça — Vista roupas melhores que essas.
Então, ele foi embora. Nem me esperou responder, apenas saiu andando me deixando sem entender nada que estava acontecendo. Completamente atordoada. Senti alguém me cutucar, ao olhar para o lado constatei que era Kenjiro.
— Outro irmão gostoso?
— Meu noivo. — respondi, distraída. Quando percebi, comecei a me xingar mentalmente. Dei alguns passos para fugir dele antes que entendesse que havia lhe revelado que aquele era meu noivo e começassem as perguntas.
Ainda ouvi Kenjiro gritar um:
— Como é que é a história, mulher?! SEU NOIVO?!
Saí de seu alcance o mais rápido que meus pés me levaram. Acho que bati meu recorde pessoal de tempo de ida dos laboratórios até a saída do campus.
— Kagome, sua idiota! — gritei assim que entrei em casa.
Respirei fundo e notei que Nagi estava com o braço erguido com a caneca, provavelmente com café, a caminho da boca. Ele abaixou o braço e franziu as sobrancelhas.
— Está fazendo terapia?
— O quê?
— Admitindo defeitos, chegando a autoconhecimento e tendo grandes revelações, disposta a gritar as verdades em plenos pulmões. Parece-me obra de um terapeuta muito eficaz.
— Cale a boca. — respondi entredentes. Virei-me para seguir ao meu quarto, mas me deparei com Yuri, e então todo o meu desespero deu lugar a uma expressão atônita, imediatamente afastei a situação com Sesshoumaru para perguntar, assustada: — O que foi que fizeram com o seu cabelo, Yuri?
Ele tocou os espinhos loiros que irrompiam de sua cabeça, contrariando as leis da física. Imagino quanto gel ele deve ter usado para conseguir essa proeza. Nossa, Yuri era bonito, com olhos castanhos e cabelo preto que ele havia deixado curto bem recentemente... Agora que estava loiro, eu tinha minhas dúvidas sobre algum dia ter achado ele lindo de morrer.
— "Alguém" me ajudou a fazer isso. — ele disse, com um sorriso malicioso.
— Alguém que te odeia? — questionei, recusando-me a aceitar que ele estivesse falando da minha amiga Ruri, com quem ele estava namorando há um ano e meio. Não sei o que é pior, saber que moro sob o mesmo teto que esse louco ou descobrir que minha melhor amiga tem um gosto bizarro. — Esquece. — falei, balançando a cabeça, e finalmente seguindo para o meu quarto.
Ouvi as vozes de Nagi e Raiden vindo do hall de entrada enquanto me afastava, mas não prestei atenção.
Não acredito que falei tão naturalmente que aquele albino era meu noivo. Como pude ter revelado aquilo para Kenjiro...? Nem quero pensar em quantas perguntas serão feitas quando chegar a vê-lo novamente. E quem diabos Sesshoumaru pensa que é para sumir por dois anos e depois aparecer me dizendo que me esperava não sei para quê, como se houvesse tomado o café da manhã comigo?! Do que meus professores estavam cientes? Por que Raiden estava com aquela cara de quem chupou limão quando me aproximei? Qual a razão de eu ter que me arrumar?
Mas que diabos!
Certo, se acalme, procure a única pessoa que tem as respostas nessa casa...
— Aika! — saí do quarto começando a caçada pela única pessoa sã daqui... Depois de mim é claro.
Segui pelos corredores da casa em direção ao quarto dela, nem ao menos tive a decência de bater na porta antes de entrar, desculpei-me mais tarde quando me dei conta desse fato, mas naquele momento tudo o que eu queria era algum tipo de explicação. Aika estava com um vestido azul-marinho (que combinava com seus olhos; sim, eu sei que isso soou gay), do estilo tubinho, bastante simples, mas, de alguma forma, extremamente atraente. Virou-se para me encarar e esboçou um de seus sorrisos vitoriosos.
— Já estava indo ao seu encontro, aproveitar que Hideo está no banho e Daiki foi queimar a gravata.
— O que está havendo?
— Vamos a uma festa. Seus irmãos estão contra a ideia, mas nós duas sabemos o quanto a opinião deles vale nesse momento. — Ela me empurrou em direção ao banheiro do seu quarto. — Seu vestido está aí dentro, se precisa de ajuda para fechar é só chamar... Vou me maquiar.
— Não estou entendendo.
— Você só precisa entender que vamos a uma festa... Agora se vista.
Não gosto que fiquem me mandando fazer as coisas, mas não queria iniciar uma discussão que provavelmente iria perder. Se tem algo que Aika sabe fazer é ganhar de mim nas discussões verbais sem descer do salto.
— A Kagome não vai! — gritou Daiki — Aquele cachorro maldito vai estar lá, nada de expor minha irmã pura ao cafajeste nojento.
— Ela tem que ir. — ouvi Aika dizer — É dever dela.
Entrei no saguão da Mansão Corvo em silêncio, para não chamar a atenção de ninguém para mim. Eu estava envergonhada. Aika havia me obrigado a usar um vestido preto, de tecido macio que se moldava ao meu corpo quase indecentemente (digo quase porque por sorte a saia se avolumava um pouco e acabava meio palmo acima do joelho). Além do vestido, havia as sandálias de salto-alto e a maquiagem benfeita.
Eu estava bonita. Fato. E sim, eu fico com vergonha de estar bonita. Sempre sou constrangida com pessoas indelicadas que me perguntam o motivo de eu estar arrumada.
— Do que exatamente vocês estão falando? — perguntei, virando-me para Aika — Que festa é essa, afinal?
— É um baile beneficente promovido pelo Tai Group. Seu dever, como noiva de Sesshoumaru, é estar lá. — Aika explicou.
— Desde quando é dever dela? Não me lembro de em nenhum momento durante esses dois anos ele ter aparecido para cumprir os deveres "dele" como noivo. — Daiki estava possesso, tanto que nem pensou como esse tal dever que ele cobrava de Sesshoumaru poderia facilmente ser de cunho sexual.
— Entendo. — falei, suspirando — Então era "disso" que Sesshoumaru estava falando quando me procurou na faculdade.
— Ele procurou você? — Daiki perguntou, aterrorizado. Aika parecia animada.
— Eu só não entendo por que ele resolveu aparecer logo agora e de repente bancar o noivo machista. — Cruzei os braços, frustrada.
— Por quê? Não é óbvio? — Daiki bufou — É a primeira vez que ele vem em Tóquio em dois anos... A festa de hoje é beneficente, mas nela vão estar todos os principais youkais dos territórios. E ele quer marcar você como posse dele. É um jeito muito cretino esse que ele arranjou para enfraquecer Shippou e Hideo perante os outros. Ele é um ordinário, Kagome!
— Daiki, como você está profundo hoje! — exclamou Aika, fingindo deslumbramento. Meu irmão rolou os olhos.
Raiden entrou no recinto, avisando com descaso:
— O motorista enviado por Taisho está na porta esperando a Hime-san.
Eu realmente odeio quando ele me chama assim, alguém tem que explicar para o Raiden que existem outras formas de me intimidar além de ser polido.
— Ela não vai. — afirmou Daiki com firmeza.
— Sesshoumaru pode ficar ofendido. — Aika resmungou — A situação atual de administração está delicada demais para afrontarmos ele.
— Foda-se a política. Não vou entregar minha irmã para ele.
Aika lançou um olhar eloquente para mim e então compreendi. Por dois anos o meu sacrifício tinha sido adiado, o que era uma posição bem confortável. Estava na hora de eu levar em frente a decisão que tomei.
Ergui o queixo e desafiei Daiki:
— Mesmo se sua irmã quiser se entregar para ele? — Sim, eu estava ciente do duplo-sentido da pergunta, mas era a forma mais rápida de desestruturar qualquer argumento dele.
Como eu esperava, ele ficou pálido.
— Kagome... — ele ainda tentou argumentar.
— Vá. — disse Aika — Antes que Hideo desça. Deixe que me eu me entenda com ele.
Acenei afirmativamente para Aika e segui para a porta da frente. Lá, um hanyou tai-youkai de cabelos prateados e olhos azuis me esperava, segurando a porta de uma limusine aberta para mim. Nesse momento, não prestei atenção nesse hanyou, sequer me lembraria dele na próxima vez que o visse, mas ele se tornaria meu mais importante aliado no futuro. Seria meu parceiro de crimes, por assim dizer.
Agora, no entanto, eu estava apenas preocupada com a bendita festa. Respirei fundo.
Então que seja.
O caminho serviu para eu me preparar mentalmente para o que viesse pela frente. Não era mais tempo de ficar tendo surtos emocionais ou fugir do problema. Tive dois anos para me acostumar com a ideia de que um dia teria de conviver com as consequências, agora vou apenas deixar fluir.
Eu tenho vinte anos. Não sou mais uma criança nem uma adolescente assustada. Tive tempo e professores muito bons para me tornar uma adulta capaz de enfrentar qualquer coisa.
Sorri lentamente. Sesshoumaru não sabia o que o esperava.
Estou sozinha parada em um salão de festas lotado onde eu não conhecia ninguém. Durante aqueles anos eu já havia frequentado algumas festas de classe como acompanhante do Daiki, então eu sabia como me portar nesses ambientes. Sem falar que Aika havia feito um belo trabalho em me transformar da estudante de medicina relaxada para a Deusa Tengu que Desceu à Terra para Iluminar os Corações youkais. Ok, acho que a modéstia do Hideo me contagiou.
Encarei a placa elegante com os dizeres "Encontro de Outono" em dourado, seguido da frase "Baile Beneficente do Tai Group" em letras menores, e suspirei com resignação. Parecia algo tão errado, tão não-Sesshoumaru. Um garçom me ofereceu champanhe. Não era muito bom começar a beber logo tão cedo, mas algo me diz que vou precisar.
Logo após pegar uma taça, minha salvação apareceu em forma um youkai raposa que usava um smoking branco. Não houve tempo para sorrir antes que Shippou me abraçar forte, quase me fazendo derrubar champanhe em sua roupa.
— Nossa. — falei, afastando-me para olhá-lo — Vai tentar seduzir quem?
— Você, lógico. Vou te roubar do Senhor do Oeste. A vingança perfeita. — Ele me puxou pela cintura, fazendo-me ficar bem colada a ele. Ri. — Mas caso eu não consiga, quem saiba tenha outra youkai por aqui disposta a ir comigo para Las Vegas.
— Outra? Eu não sou suficiente? — perguntei, fazendo-me de ofendida.
— Tenho um apetite voraz, querida. — Com isso, começamos a gargalhar. Sabe, acho que gosto mais desse relacionamento que tenho com Shippou do que aquele que tínhamos quando ele era um filhote. É muito melhor quando ambos podemos nos apoiar.
— Senhor do Sul. — disse uma voz profunda atrás de mim. Sim, era Sesshoumaru. Respirei fundo, antes de virar meu rosto lentamente na direção dele.
Sesshoumaru estava vestido com smoking também, só que o dele era preto. O clássico. Combinava com ele. Acho incrível como smoking é uma roupa que favorece apenas aqueles que já são naturalmente favorecidos. Um homem como Sesshoumaru vestido de gala era realmente magnífico. Um homem como meu professor de Neurobiologia pareceria apenas um pinguim manco com reumatismo.
— Senhor do Sul, não acho que seja de bom tom abraçar a noiva de outro homem tão intimamente. — Sesshoumaru estreitou ligeiramente os olhos para Shippou. Meu amigo se limitou alargar ainda mais o sorriso.
Lancei um sorriso cínico para Sesshoumaru, enquanto dizia:
— E se sua noiva abraçar intimamente outro homem? Também não seria de bom tom? — Enquanto dizia isso, passei os braços em volta dos ombros de Shippou.
Sesshoumaru não teve reação alguma, então não tive certeza se minha ação o havia ofendido. Bem, tanto faz, é bom que ele saiba que eu não sou criada de ninguém para obedecer a ordens.
— Devo encarar isso como uma quebra do acordo? — ele perguntou calmamente, colocando as mãos nos bolsos.
Fiquei tentada a desafiá-lo, mas neste exato momento senti a presença de Hideo atrás da porta de entrada. Ótimo. Se meus irmãos vissem aquela cena, seria o suficiente para eles quebrarem o acordo, como sempre quiseram. Afastei-me calmamente de Shippou, respirando profundamente. A porta se abriu e os tengus entraram. Na verdade, apenas o grupo principal que normalmente ia a essas ocasiões, ou seja: Hideo, Aika, Daiki, Hiroko e Nagi.
Normalmente eu servia de acompanhante para Daiki, já que Aika ficava com Hideo e Nagi sempre acompanhava a irmã. Fiz menção de ir à direção deles, a fim de me juntar ao grupo, mas uma mão se fechou em volta do meu braço.
Virei-me e encarei Sesshoumaru, segurando meu braço com calma.
— Não se engane hanyou, você não é uma tengu essa noite. — Minha respiração acelerou, demonstrando o quanto eu estava indignada com aquele comentário.
— Então o que sou, Senhor do Oeste? — perguntei, erguendo o queixo.
— Minha. — Ele sustentou meu olhar irado. Parecia... vitorioso. Fiquei tentada a puxar meu braço, mas ouvi a voz de Hideo e então as prioridades finalmente voltaram a ficar em ordem:
— Está tudo bem, Kagome?
"Teria que ficar", afirmei a mim mesma, forçando um sorriso e me voltando para o meu irmão. Hideo não me olhava, apenas encarava Sesshoumaru, demonstrando abertamente que não estava gostando de ver a forma como ele segurava meu braço.
— Estou bem. — Girei delicadamente o corpo, forçando Sesshoumaru a me soltar, e segurei um de seus braços.
Engoli em seco, tentando parecer alegre.
Eu não estava gostando do que Sesshoumaru estava fazendo. Ao dizer claramente que eu não deveria me aproximar da minha família ele na verdade estava revelando que sua principal intenção ao me ter hoje nessa festa era ferir o orgulho do meu irmão.
Bem, dos males o menor. Se Sesshoumaru queria me exibir como um troféu roubado dos outros Senhores, então que o fizesse. Eu não iria expor o meu irmão ao ridículo fazendo uma cena, ou colocar em risco o povo dele, fazendo-o quebrar o acordo.
Sesshoumaru e Hideo se mantiveram numa pequena batalha travada com olhares. Ambos não pareciam estar dispostos a ceder naquele confronto intenso, foi necessário que Aika tomasse à dianteira e segurasse a mão de meu irmão, para que ele finalmente desviasse olhar para encará-la.
— Precisamos cumprimentar os acionistas majoritários. — ela comentou, então sorriu para Sesshoumaru — Quer dizer, os outros.
Hideo rangeu os dentes e voltou a me encarar, forcei um sorriso para passar tranquilidade a ele, mesmo não estando nada tranquila. Foi preciso que Aika apertasse a mão do meu irmão para que ele finalmente bufasse e fosse com ela até os tais acionistas.
Soltei um pesaroso suspiro enquanto voltava a encarar meu noivo, que sustentava um olhar vitorioso. Não gostei disso. Realmente me senti mal por ser culpada de uma derrota do meu irmão, mesmo que essa seja totalmente simbólica e até mesmo irrelevante. Levou uns bons segundos para ele finalmente se movimentasse, fazendo-me seguir com ele até dois tai-youkais, ambos completamente diferentes um do outro no que dizia respeito ao biótipo.
— Senhor Sesshoumaru. — falou o youkai mais baixo com um aceno de cabeça. É estranho saber que se tratava de tai-youkais por que meu cérebro era tão eficiente em catalogar a presença deles. Antigamente meus sentidos não funcionavam dessa forma. Eu conseguiria reconhecê-los mesmo se estivesse vendada e não pudesse ver os cabelos prateados emoldurando rostos eternamente jovens.
— Faça companhia a ela enquanto resolvo alguns assuntos. — E assim ele me afastou bruscamente, saindo a passos largos.
Espera, ele simplesmente fez aquela cena de eu ter que ficar perto dele, para no fim, ele sair?
Respirei fundo, tentando me convencer de que ele não havia feito uma cena apenas para mostrar quem mandava e depois sair sem se importa com mais nada, além do fato de: vencer os dois senhores youkais quanto a quem a hanyou tinha que ficar.
Que cretinice da parte dele.
Procurei meus irmãos com os olhos; apenas Daiki estava me observando, Hideo estava compenetrado em uma de suas conversas de negócios acompanhado de Aika. Daiki ergueu uma faca de sobremesa e indicou Sesshoumaru com a cabeça, rolei os olhos e fiz gesto para ele deixar a faca de lado.
— Senhorita, aceita? — Coloquei a mão sobre a boca para evitar gritar, quando aquele tai-youkai havia ido até a mesa de frios e voltado? — Desculpe assustá-la. Venha, vamos nos sentar, o senhor Sesshoumaru pode demorar. A propósito, sou Kazuki.
— Ah, obrigada, Kazuki.
Então, assim se resumiu a minha noite pelas próximas duas horas, com Kazuki como companhia, comendo todos os aperitivos que apareciam na minha frente, já que todos os garçons com bebidas alcoólicas eram interceptados pelo Nagi, que os forçava a tomarem outro rumo. Maldito, não sabe o quanto eu preciso de álcool nesse momento. Tomara que fique careca!
Ao menos aquela impressão de que todos os tai-youkais eram nervosinhos se foi quando conheci Kazuki. Ele na verdade era muito calmo e educado. Realmente um amorzinho de youkai.
Para ajudar no meu mau humor, todas as vezes que Hideo, Daiki, Aika, Nagi ou Hiroko tentavam se aproximar de mim, o mesmo tai-youkai que servira de meu motorista aparecia e arrumava alguma forma de não os deixar chegarem até onde eu estava. Aika teve muito trabalho em controlar meus irmãos, realmente fiquei com pena dela e fiz uma nota mental de que precisava compensá-la depois.
O tédio já me consumia quando Sesshoumaru se aproximou e segurou meu braço, forçando-me a levantar. Assim o fiz. Sinceramente, estava tão entediada que nem ao menos senti vontade de reclamar com ele ou algo do tipo, apenas me deixei levar pelo saguão com uma expressão de quem queria ser acertada no meio na testa por uma bala perdida.
Ele parou perto de algumas pessoas que nos encaravam. Esbocei um sorriso educado, enquanto Sesshoumaru se virava para mim.
— Essa é minha noiva, Kagome Tsubasa. — ele disse simplesmente. Após alguns comprimentos e apresentações de nomes que não guardei, começaram um diálogo sobre um tema aleatório que não fiz qualquer esforço de acompanhar.
Agora que penso um pouco sobre o assunto, realmente não havia nada de educado ou de afeto naquela apresentação. Na verdade, havia sido como se ele houvesse decidido que seria melhor que eu ficasse perto dele para manter as aparências.
Quem diria que Sesshoumaru se importaria com elas. Ainda lembro de nosso primeiro encontro, ainda na Era Feudal, quando ele atraiu Inuyasha com uma youkai que se passou por Izayoi. Na ocasião, ele reclamou audivelmente sobre "odiar fazer parte de um teatro tão ridículo". E agora aqui está você, querido, fazendo aquilo que mais odeia: sendo parte de um teatrinho idiota.
Olhei para Hideo de esguelha, meu irmão estava atingido tons diferentes de vermelho, a situação apenas piorou quando Sesshoumaru repousou a mão em minha cintura, conduzindo-me pelo saguão.
Percebi de longe Shippou e Nagi conversando. Os dois lançaram um olhar para mim, e então sorriram, divertidos. Provavelmente a raposa fofoqueira estava contando para o médico psicopata sobre o que a minha proeza de tentar desafiar Sesshoumaru mais cedo abraçando Shippou.
Revirei os olhos.
Não consegui ficar tranquila, pensar no que aqueles dois poderiam estar confidenciando era algo que deixaria qualquer pessoa desconfortável. Minha primeira reação foi querer ir atrás daqueles dois para saber exatamente qual o conteúdo da conversa, contudo Sesshoumaru apertou levemente meu braço assim que fiz menção de me afastar. Repousei a mão sobre o ombro dele, fazendo-o se inclinar levemente na minha direção. Ainda precisei ficar na ponta dos pés para falar rente ao seu ouvido.
— Preciso ir ao toalete, vai querer ir comigo até lá também? Quem sabe mandar o Kazuki?
Ele me olhou de esguelha, engoli em seco ao notar seu olhar irritado. Todos os 206 ossos do meu corpo sentiram medo. Como alguém podia proporcionar tamanho terror só com um olhar? Eu realmente temi que ele dissesse que Kazuki iria comigo, ou pior, que ele mesmo iria.
Sesshoumaru virou o rosto completamente para mim, o que fez nossos narizes se tocarem e a onda de terror do meu corpo fazer meus músculos congelarem. Qualquer pessoa normal teria se afastado, mas não, eu congelei!
Por causa da aproximação, senti-o inspirar o ar lentamente, enquanto soltava meu braço, entendi aquilo como "suma daqui antes que eu pegue a cadeira mais próxima e a quebre em você". Claro que não pude sair sem dar um sorriso teatral. Afinal, eu havia vencido aquela discussão, senti-me tão poderosa com aquilo que quase gritei: "Toma Sesshoumaru".
Resignei-me em caminhar calmamente até o banheiro. Durante o trajeto consegui ver meu irmão Daiki pálido, fiquei me questionando por qual motivo.
Após encarar meu reflexo no espelho alguns segundos, molhar o rosto e retocar a maquiagem (Aika me mata se seu sair sem maquiagem daqui), saí do banheiro. Procurei automaticamente Sesshoumaru com os olhos, e não o encontrei. Suspirei, aliviada. Tomara que tenha ido embora e nunca mais volte.
Suspirei novamente e sobressaltei quando senti um aperto em meu ombro. Olhei para minha esquerda, deparando-me com Nagi.
— Shippou me contou coisas interessantes sobre o seu desempenho hoje mais cedo. — Nagi disse, com um sorriso cretino.
— E eu fico sabendo coisas interessantes sobre seu "desempenho" o tempo todo, Nagi, mas nem por isso faço piadas a respeito. — brinquei. A melhor forma de lidar com Nagi quando ele quer irritar alguém é mudando o foco da conversa. Aprendi isso do jeito mais difícil.
— Vamos dançar. — ele disse, por fim, segurando minha mão e me conduzindo até ao meio do saguão, onde poucos casais dançavam embalados em um ritmo lento. — Tente não destruir meus pés.
— Mas por que iríamos dançar? — perguntei, estreitando os olhos, ciente de que nenhuma ação do Nagi é tão simples quanto parece. Ninguém é amiga de um psicopata por dois anos sem perceber algo do tipo.
— Por que você quer irritar seu noivo e eu estou entediado. Pode ser divertido.
— Ah, sim? — Sorri, entendendo a intenção dele e me deixei levar pelo meu desejo de irritar Sesshoumaru aquela noite.
Como que para confirmar a genialidade do plano de Nagi, percebi que Sesshoumaru nos olhava por cima dos ombros de um dos homens com quem ele fingia conversar. O olhar não dizia muito, apenas estava fixo em nós, causando desconforto.
Quase sorri.
— Seu noivo já quer vir aqui me arrancar de perto de você. — Nagi ergueu uma sobrancelha — Veja só como nosso plano foi efetivo.
— Nosso? Não me lembro de ter contribuído para isso.
Ele apenas sorriu torto e continuamos dançando. Em determinado momento, ele comentou:
— Eu sinto que seu noivo quer conhecer você melhor por dentro.
Inclinei a cabeça, confusa.
— Ele não se importa tanto assim com os meus sentimentos. — comentei pensativa.
Nagi me encarou como se estivesse surpreso com a minha resposta.
— Não, estava falando literalmente. Referia-me a conhecer melhor você através de dissecações, bisturis, órgãos internos frescos.
Dei um soco no ombro dele, indignada com aquela brincadeira nada engraçada. Nagi riu.
Foi nesse momento que Sesshoumaru apareceu, acredito que Nagi já houvesse ganhado sua noite irritando muito meu noivo com aquela dança, pois apenas assentiu com a cabeça e se afastou de mim, colocando as mãos dentro dos bolsos da calça enquanto se afastava a passos largos.
Esperei mais uma represália sobre como eu havia exposto ele ao ridículo e como deveria me lembrar de que aquela noite eu não era uma tengu, mas, em vez disso, ele apenas segurou minha mão me puxando contra ele.
Espera, para tudo. Estou dançando com Sesshoumaru?!
Ele apertou minha mão, fazendo-me soltar um gemido dolorido. Entendi o recado, ele estava irritado e aquela minha atitude não sairia impune. Pisei em seu pé com o meu salto. Sinto informar que ele não esboçou dor alguma, apenas ergueu uma sobrancelha.
Estávamos dançando e travando uma batalha pessoal, a qual apenas terminou quando eu usei toda força que tinha e pisei novamente no pé de Sesshoumaru, agora fazendo-o esboçar alguma reação. Seu olhar ficou mais caloroso... Calor de ódio. Mas foi tão rápido que fiquei me questionando se realmente tinha havido alguma reação da parte dele.
Ele finalmente se inclinou sobre mi, e o senti soltar o ar lentamente perto do meu ouvido, fazendo um arrepio percorrer todo meu corpo. Mas antes de ele falar, tomei à dianteira:
— Se pensa que vai ficar me usando para humilhar o meu irmão e vou ficar a sua mercê para isso, está muito enganado, Senhor do Oeste.
— E se pensa que vai me expor ao ridículo dançando com outros homens, está também muito equivocada.
O tom dele era de tanto desdém, que me senti ofendida. Acreditem, eu teria ficado mais relaxada se ele tivesse dito um "vadia" ou "puta".
— Lembre-se do que eu lhe disse. Você é minha.
— Tem certeza? Porque sequer tenho certeza se somos noivos. Tinha até me esquecido disso. Faz ideia de quantos namorados eu tive nesses dois anos?
Ele ergueu a sobrancelha, desdenhoso.
— Aprenda a mentir melhor.
— Aprenda a não ser tão prepotente.
— Dessa vez, Kagome, sou eu aquele que tem informação privilegiada. Então não se engane.
— Não entendi. — falei, estreitando os olhos.
— Agora que você fez com que os tengus a amassem, é que vale à pena roubá-la deles.
E com isso ele se afastou. Assim, simplesmente me abandonou ali, no meio dos casais que dançavam, e seguiu para junto dos tai-youkais. Alguns segundos depois Hideo se aproximou, dizendo que estava na hora de irmos.
Fkake:
Eu sei, Sesshy, lindo e tesudo aparecendo para nosso deleite.
2 anos depois, sim, pois era necessário, ERA NECESSARIO SI ACREDITEM EM MIM!
Enfim, deixa pra lá, estou com dor de cabeça e sono e com vontade de escrever, vou coeçar o próximo capítulo hoje, espero, ou vou morrer na cama e ressuscitar eventualmente mais tarde... enfim...
Ladie e eu conversamos muito sobre a fic, se prepare para muitos capítulos seguir. Não sei quanto tempo vai demorar para mais capítulos, rogo por paciência e aquietem as piriquitas.
Ladie:
Os comentários continuam lindos. Vocês são lindas. Se eu fosse lésbica, eu teria um caso com vocês. Mas me casaria com a Fkake, por quê, né?
A questão mais interessante de escrever com outra pessoa é por que fazer isso se torna muito mais gostoso. (ui) Ainda mais quando você está trabalhando com uma pessoa que você admira tanto, como é o meu caso com a Mary. Aí eu fico surtando com tudo o que ela escreve, aí me empolgo, escrevo também. Enfim... Escrever Senhor do Norte está sendo uma experiência maravilhoso.
O engraçado é que a gente surta pensando nas possíveis reações dos personagens em determinadas situações. Sério, passamos horas fazendo esse tipo de coisa, criando cenas apenas para imaginar como Hideo, Daiki e Nagi reagiriam.
(ME PERDOEM PELO CAPÍTULO ANTERIOR, SHIPPEI NAGI E KAGOME E PRECISAVA TER UMA CENA DELES DAQUELE JEITO)
Enfim, é isso. Surtamos e postamos tudo o que tínhamos.
Espero que aproveitem.
