Dois dias depois, Bella acreditava que queria estrangular à casa inteira. Esme, Rosalie, o seu marido..., especialmente o seu marido. De fato, a única pessoa que não queria estrangular era Alice, embora certamente porque a pobre só tinha seis anos.

Seu êxito com os arrendatários tinha resultado ser uma vitória efêmera. Após, tudo tinha saído errado. Tudo. Todos os da casa a olhavam como se fosse inepta. E isso a deixava louca.

Algo novo morria em sua estufa a cada dia. Converteu-se em um doentio pesadelo: tentar adivinhar que roseira iria decorar o céu cada manhã quando entrava no habitáculo.

E em seguida veio o assado de vitela que tinha feito para seu marido para provar o contrário quando ele havia dito que as condessas não sabiam cozinhar. Estava tão salgado que Edward não pôde ocultar embora tivesse tentado. Mas não o fez. Coisa que a irritou ainda mais.

Bella teve que jogar fora todo o assado. E nem sequer os porcos o comeram.

-Estou seguro de que quis amadurecê-lo corretamente - disse Edward enquanto todos outros tinham arcadas.

-Claro - disse Bella, apertando os dentes, maravilhada de ainda não se converterem em pó.

-Possivelmente confundiu o sal com outra especiaria.

-Sei o que é sal - gritou ela.

-Bella - disse Rosalie, um pouco muito doce. - Está claro que o assado está um pouco salgado. Tem que admiti-lo.

-Você - exclamou Bella, assinalando à garota de quatorze anos com o dedo indicador - deixa de falar como se eu fosse uma menina pequena. Já tive suficiente.

-Não deve ter me entendido.

-Aqui só há uma coisa a entender, e uma pessoa que tem que entender - a estas alturas, Bella virtualmente atirava fogo pela boca, e todos os da mesa estavam boquiabertos. - Casei-me com seu primo. E dá na mesma se você não gosta, dá na mesma se ele não gosta, e dá na mesma se eu não gosto. Casei-me com ele e pronto.

Parecia que Rosalie estava a ponto de responder ante aquela diatribe, de modo que Bella a interrompeu:

-A última vez que consultei as leis da Inglaterra e da Igreja da Inglaterra, o casamento era permanente. Assim será melhor que acostume a minha presença em Masen Abbey, porque não penso ir a nenhum lugar.

Edward tinha começado a aplaudir, mas Bella ainda estava muito furiosa com ele pelo comentário sobre o sal e lhe lançou um olhar fulminante. E em seguida, como estava convencida de que se ficasse um segundo a mais na sala de jantar faria mal a alguém, partiu.

Entretanto, seu marido reagiu com rapidez.

-Isabella, espera! - Gritou.

Contra seu critério, Bella se virou, embora não até que estivesse fora da sala de jantar, no corredor, onde ninguém da família poderia ver sua humilhação. Edward a tinha chamado de Isabella, e isso nunca era um bom sinal.

-O quê! - Respondeu, irada.

-O que disse na sala de jantar... - Começou a dizer ele.

-Sim, já sei que deveria estar arrependida por haver gritado com uma menina, mas não estou - disse, desafiante. - Rosalie esteve fazendo todo o possível para me deixar incômoda nesta casa, e não me surpreenderia que... - Calou-se porque se deu conta de que tinha estado a ponto de dizer que não se surpreenderia que fosse Rosalie quem tinha jogado o sal no assado.

-Que não se surpreenderia?

-Nada, - não ia obrigá-la a dizer. Bella se negou a difundir acusações infantis e insignificantes.

Edward esperou que ela continuasse e, quando se deu conta de que não ia fazer, disse:

-O que disse na sala de jantar..., isso de que o casamento é permanente. Queria que soubesse que estou de acordo.

Bella o olhou fixamente porque não estava certa do que queria dizer.

-Sinto muito se feri seus sentimentos - disse muito devagar.

Ela ficou boquiaberta. Estava se desculpando?

-Mas quero que saiba que, apesar destes... contratempos mais que insignificantes...

Bella voltou a fechar a boca e a ficar séria.

Ele não devia ter percebido, porque seguiu falando.

-... Acho que está se convertendo em uma condessa soberba. Seu comportamento com os arrendatários no outro dia foi magnífico.

-Está me dizendo que me dou melhor fora de Masen Abbey que dentro? - Perguntou ela.

-Não, claro que não. - Edward exalou e jogou o grosso cabelo bronze para trás. - Só tento dizer... Diabos - disse entre dentes. - Que tento dizer?

Bella conteve a vontade de fazer algum comentário sarcástico e esperou com os braços cruzados. No final, Edward lhe ofereceu uma folha de papel e disse:

-Toma.

-O que é isto? - Perguntou ela enquanto a aceitava.

-Uma lista.

-Claro - murmurou ela. Uma lista. Justo o que necessitava. Até agora, tive muita sorte com as listas.

-Esta é distinta - disse ele, em um óbvio intento de ser paciente com ela.

Bella desdobrou a folha e leu:

ATIVIDADES PARA FAZER COM MINHA MULHER

1. Um passeio a cavalo e um pic-nic no campo.

2. Voltar a visitar os arrendatários como um casal unido.

3. Uma viagem a Londres. Bella precisa de vestidos novos.

4. Lhe ensinar a escrever suas próprias listas. É uma atividade endemoniadamente entretida.

Ela levantou a cabeça.

-Endemoniadamente entretida, neh?

-Hmm, sim. Pensei que possivelmente iria querer provar com algo como: 'Sete formas de silenciar à senhora Volturi'.

-Gostei da idéia - murmurou, antes de voltar a concentrar-se na lista.

5. Levá-la para ver o mar.

6. Beijá-la até que perca o sentido.

7. Beijá-la até que eu perca o sentido.

Edward soube em que momento chegou às duas últimas propostas, porque suas bochechas se ruborizaram ligeiramente.

-O que significa isto? - Perguntou ela ao fim.

-Significa, querida mulher, que eu também me dei conta de que o casamento é para sempre.

-Não entendo.

-Já é hora de que nosso casamento seja normal.

Ela ruborizou ainda quando escutou a palavra «normal».

-Entretanto - continuou ele, - no que deveria de ser um momento de loucura transitória, aceitei sua proposta de te dar tempo para me conhecer melhor antes de termos intimidade.

A estas alturas, Bella já estava como um tomate.

-Portanto, decidi te dar todas as oportunidades possíveis para me conhecer melhor, todas as oportunidades para que se sinta cômoda em minha presença.

-Como diz?

-Escolha uma atividade da lista. Faremos amanhã.

Bella separou os lábios de surpresa. Seu marido a estava cortejando. Ia ser uma mulher cortejada. Nunca tinha sonhado que Edward fizesse algo tão perfeitamente romântico. Embora ele jamais admitisse nem um ápice de romantismo em suas ações. De sedução, possivelmente. Inclusive de mulherengo, travesso ou apaixonado. Mas romântico, não.

Entretanto, ela o via de outra forma. E isso era o importante. Sorriu e voltou a ler a lista.

-Sugiro o número seis ou o número sete - disse ele.

Ela o olhou. Estava sorrindo daquela forma fina, cortês e despreocupada que devia ter quebrado corações daqui a Londres e de volta.

-Não sei muito bem se entendi a diferença – disse - entre me beijar até que eu perca o sentido ou me beijar até que você o perca.

A voz de Edward se converteu em um rouco sussurro.

-Posso lhe mostrar isso.

-Não o duvido - respondeu ela, fazendo um esforço para parecer coquete apesar de que tinha o coração acelerado e suas pernas tremiam. - Mas escolho as duas primeiras opções. Será muito singelo fazer um pic-nic e visitar os arrendatários no mesmo dia.

-Opções um e dois, então - disse ele com uma ágil reverencia. - Mas não se surpreenda se te assalto com o número seis.

-Edward...

Ele a olhou fixamente alguns segundos:

-E a sete.

Programaram a saída para o dia seguinte. Bella não se surpreendeu com a pressa de Edward; mostrou-se bastante decidido a fazer o que fosse para levá-la à cama. Embora estivesse surpreendida por sua pouca resistência ao plano de seu marido; era consciente de que estava começando a ceder.

-Pensei que poderíamos ir a cavalo - disse Edward quando se reuniu com ela ao meio-dia. - Faz um dia esplêndido e seria uma lástima nos encerrar em uma carruagem.

-Uma idéia excelente, milord - respondeu Bella. - Ou o seria, se eu soubesse montar a cavalo.

-Não sabe montar a cavalo?

-Os vigários não ganham o suficiente para comprar cavalos - disse ela com um sorriso.

-Então, terei que te ensinar.

-Espero que hoje não - riu ela. Necessito de tempo para me preparar mentalmente para as dores e as assaduras que é certo que terei.

-Minha carruagem ainda não está arrumada do percalço de nossa última saída. Animada a dar um passeio normal e corrente?

-Só se prometer caminhar depressa - disse Bella com um pícaro sorriso. - Nunca gostei de passeios lentos.

-Por que não me surpreende?

Ela o olhou através dos cílios. Era uma expressão de flerte nova para ela, embora parecia de tudo natural diante da presença de seu marido.

-Não te surpreende? - Perguntou ela, fingidamente zombadora.

-Digamos que custo a te imaginar atacando a vida se não for com um completo entusiasmo.

Bella riu enquanto punha-se a correr.

-Então, vamos. Ainda tenho que atacar o dia.

Edward a seguiu, com uma mescla de pernada e passo longo.

-Me espere! - Gritou ao final. - Não esqueça que levo o peso da cesta de comida.

Bella se deteve em seco.

-Sim, claro. Espero que monsieur Stefan nos tenha preparado algo delicioso.

-Seja o que for, cheira uma maravilha.

-Um pouco do peru assado de ontem? - Perguntou, esperançosa, enquanto tentava ver o que havia dentro da cesta.

Ele a levantou por cima de sua cabeça enquanto seguia caminhando.

-Agora não pode ir muito longe, porque eu controlo a comida.

-Tem pensado me matar de fome até que me renda?

-Se for minha única opção de conseguir o que quero - inclinou-se para ela. - Não sou um homem orgulhoso. Ganharei pelo bem ou pelo mal.

-E me matar de fome é bem ou mal?

-Acho que depende de quanto demore.

Bem a tempo, o estômago de Bella rugiu.

Com um travesso sorriso, Edward disse:

-Isto vai ser muito, muito fácil.

Ela se burlou dele antes de continuar pelo caminho.

-Olhe! - Exclamou enquanto se detinha diante de um enorme carvalho. - Alguém pendurou um balanço nesta árvore.

-Pendurou-o meu pai para mim quando tinha oito anos - recordou Edward. - Estava acostumado a me balançar durante horas.

-Ainda aguenta peso?

-Alice vem quase todo os dias.

Ela lhe lançou um sardônico olhar.

-Eu peso um pouco mais que Alice.

-Não muito mais. Venha, por que não tenta?

Bella sorriu como uma menina pequena quando se sentou na placa de madeira que o pai de Edward tinha utilizado como assento.

-Me empurra?

Ele se inclinou e fez uma reverência.

-Sou seu fiel criado, senhora - deu um primeiro empurrão e ela começou a voar.

-Eu adoro! - Exclamou a jovem. - Fazia anos que não me balançava.

-Mais alto?

-Mais!

Edward a empurrou até que pareceu que seus pés tocavam o céu.

-Acho que já é suficientemente alto - disse ela. Começou a ter o estômago revolto. Quando conseguiu um balanço mais sossegado, perguntou: - E falando de meu pobre e aflito estômago, de verdade pensa em me matar de fome até que me renda?

Ele sorriu.

-Tenho tudo planejado até o último detalhe. Um beijo por um pedaço de peru assado, dois por um pão-doce.

-Há pão-doce? - Bella pensou que ia ficar de água na boca. Podia ser que a senhora Cope não encontrasse o ponto perfeito das torradas, mas fazia os melhores pães-doces deste lado do muro de Adriano.

-Hmm... Hmm. E geléia de amora. A senhora Cope diz que passou todo o dia frente ao fogo para que ficasse perfeita.

-Fazer geléia não é tão difícil - disse Bella enquanto encolhia de ombros. - Eu fiz milhares de vezes. De fato...

-De fato, o quê?

-É uma idéia magnífica! - Disse a si mesma.

-Não sei por quê, mas estou estremecendo - murmurou ele. - Bom, na realidade sim que o sei. Poderia ter algo haver com o incêndio em minha cozinha, ou com os estranhos aromas que emanam da minha estufa, ou possivelmente com o assado...

-Nada disso foi minha culpa - ela interrompeu, golpeando o chão com os pés e detendo o balanço. - E se pensasse mais de meio segundo, veria que digo a verdade.

Edward pensou que tinha cometido um engano tático ao trazer a luz seus recentes desastres domésticos durante o que se supunha que tinha que ser uma tarde para seduzir sua esposa.

-Bella - disse em um tom mais conciliador.

Ela desceu do balanço e apoiou as mãos nos quadris.

-Alguém está me sabotando, e penso descobrir por que. E quem – acrescentou.

-Pode ser que tenha razão - murmurou ele, embora não o dizia de coração. Só queria tranquilizá-la. Entretanto, assim que as palavras saíram de sua boca, de repente viu que era verdade. Não tinha sentido que Bella, ao que parecia muito capacitada para fazer qualquer coisa, tivesse incendiado uma cozinha, tivesse matado todas as plantas da estufa e houvesse confundido o sal com Deus sabe o que outra coisa ao preparar o assado. Nem sequer a pessoa mais inútil teria obtido tudo isso em só duas semanas.

Entretanto, não queria pensar em sabotagens, em planos diabólicos nem em plantas mortas. Hoje não, porque tinha que concentrar todas suas energias em seduzir sua mulher.

-Podemos falar disso outro dia? - Perguntou enquanto abria a cesta da comida. - Prometo que escutarei suas alegações, mas hoje é um dia muito bonito para nos preocupar com essas coisas.

Durante um segundo, Bella não reagiu, mas logo assentiu.

-Não quero arruinar nosso magnífico pic-nic.

Então, ela entrecerrou os olhos com picardia e disse:

-Monsieur Stefan não colocou aí dentro as sobras do assado de vitela, não é?

Edward reconheceu a oferta de paz que ela fazia e a aceitou.

-Não, acho que acabou o último pedaço nesta manhã.

-Ah, sim - murmurou. - Se não recordar mal, os porcos nem sequer o tocaram.

O coração de Edward estremeceu ao olhá-la. Muito poucas pessoas tinham a capacidade de rir de suas falhas. Cada dia que passava, o afeto que sentia por sua mulher era maior. Fez uma escolha rápida, mas não se equivocou.

Com um suspiro, pensou que gostaria de desenvolver um afeto ainda mais profundo antes de estalar.

-Aconteceu algo? - Perguntou ela.

-Não, por quê?

-Suspirou.

-Sério?

-Sim.

Voltou a suspirar.

-Voltou a fazê-lo - exclamou ela.

-Sei. É que...

Ela piscou, com expressão impaciente, e ao fim tentou lhe surrupiar mais informação com um:

-É que o quê?

-É que vai ter que ser o número seis - grunhiu ele, enquanto deixava a cesta no chão e a abraçava. - Não posso esperar nem um segundo mais.

Antes que Bella pudesse recordar no que consistia a proposta número seis, os lábios dele estavam pegos aos seus e a estava beijando com uma paixão tão selvagem que era incrivelmente terna. A boca de Edward era cada vez mais apaixonada, e lhe esquentou a pele. Sem dar-se conta, levou-a até uma árvore e se serviu de sua corpulência para colar seu corpo ao dela de forma muito íntima.

Notava cada curva, da luxuriosa turgidez de seus seios até a suave largura dos quadris. A lã do vestido era grossa, mas não ocultava a reação de seu corpo diante de suas carícias. E nada poderia ter ocultado os delicados suspiros que saíam de sua boca.

Desejava-o. Possivelmente não o entendesse, mas o desejava tanto como ele a ela.

Deixou-a no chão e estirou a manta de pic-nic debaixo deles. Já tinha tirado o chapéu e agora lhe desfez o coque, deixando que as longas mechas de cabelo caíssem entre seus dedos.

-Mais suave que a seda - sussurrou. - Mais suave que o amanhecer.

Ela gemeu um som que recordou ligeiramente o nome de Edward. Ele sorriu, emocionado por ter despertado seu desejo até o ponto de que nem sequer podia falar.

-A beijarei até te deixar sem sentido - murmurou, trocando a expressão por um sorriso muito masculino. - Já te disse que saltaria diretamente à opção número seis.

-E qual é o número sete? - Conseguiu dizer ela.

-Já a alcançamos - disse com voz rouca. Pegou a mão e a levou ao peito. - Olhe. - O coração pulsava acelerado debaixo de sua delicada palma e o olhou maravilhada.

-Eu? Eu fiz isso?

-Você. Só você - seus lábios encontraram o pescoço de Bella e a distraiu enquanto seus hábeis dedos lhe desabotoavam o vestido. Tinha que vê-la, tinha que tocá-la. Se não, tornaria-se louco. Estava convencido. Pensou em como torturou a si mesmo tentado imaginar o longo que seria seu cabelo. Ultimamente, submeteu-se a uma agonia ainda pior: passar o dia imaginando como seriam seus seios. A forma. O tamanho. A cor dos mamilos. Esse exercício mental sempre o deixava em um estado muito incômodo, mas não podia evitá-lo.

A única solução era despi-la... de tudo, por completo, e dar um descanso a sua imaginação enquanto o resto de seu corpo desfrutava da realidade.

Por fim seus dedos chegaram a um botão que ficava por debaixo das costelas e, muito devagar, abriu as duas peças do vestido. Não usava espartilho, só uma delicada regata de algodão. Era branca, quase virginal. Excitou-o mais que a lingerie francesa mais provocadora, e só porque ela a usava. Nunca em sua vida tinha desejado ninguém como desejava a sua mulher.

Suas grandes mãos encontraram as barras da regata e deslizaram para baixo, acariciando a sedosa calidez de sua pele. Ela contraiu os músculos e, instintivamente, o estômago encolheu. Ele estremeceu de necessidade enquanto suas mãos foram subindo, adaptando-se a suas costelas, e em seguida seguiram subindo até que encontraram a suave e feminina curva de um seio.

-Oh, Edward - suspirou ela quando ele cobriu o seio com a mão e o apertou.

-Meu Deus - ele respondeu, que acreditava que estalaria ali mesmo. Não o via, mas o notava. Era do tamanho perfeito para sua mão. Quente, doce e suave e, maldita seja se não o saboreasse ali mesmo ia perder o controle por completo.

Obviamente, havia muitas possibilidades de que saborear seus seios também lhe fizesse perder o controle, mas se esqueceu de tudo assim que afastou a regata.

Conteve o fôlego quando por fim a viu.

-Meu Deus - suspirou.

Bella em seguida fez gesto de cobrir-se.

-Sinto muito, eu...

-Não diga que sente - ordenou ele com brutalidade.

Tinha sido um estúpido ao pensar que vê-la nua finalmente poria fim às aflições eróticas de sua imaginação.

A realidade era muito mais deliciosa; duvidava que pudesse voltar a realizar suas atividades diárias sem recordá-la assim em sua imaginação. Constantemente. Justo como estava agora.

Inclinou-se e lhe deu um suave beijo debaixo de um seio.

-É bela - sussurrou.

Bella, a quem não tinham chamado feia, mas tampouco havia passado a vida escutando galanteios por sua beleza, ficou calada. Edward a beijou debaixo do outro seio.

-Perfeita.

-Eh… sei que não sou...

-Não diga nada a menos que vá me dar razão - disse muito sério.

Ela sorriu. Não pôde evitá-lo.

E então, justo quando estava a ponto de dizer algo para tomar o cabelo, a boca de Edward localizou seu mamilo, fechou-se sobre ele e ela se esqueceu de tudo. Distintas sensações invadiram seu corpo e, embora quisesse, não poderia articular uma palavra ou formular um pensamento.

Mas não queria. Só queria arquear as costas para ele e apertar-se contra sua boca.

-É melhor do que tinha sonhado - murmurou ele contra sua pele. - Mais do que tinha imaginado - levantou a cabeça o justo para obsequiá-la com um pícaro sorriso. - E tenho muito boa imaginação.

Uma vez mais, Bella não pôde reprimir um tenro sorriso, porque estava muito emocionada com os esforços que ele estava fazendo para que aquela primeira experiência íntima entre eles não resultasse entristecedora. Bom, não era de tudo certo. Estava tentando afligi-la, esforçando-se para exercer sua magia sobre cada terminação nervosa de seu corpo, mas também estava tentando não perder o sorriso nem um instante.

Era um homem melhor do que queria que acreditassem. Bella sentiu algo quente e doce em seu coração, e se perguntou se seriam os primeiros brilhos do amor.

Presa em uma nova de onda de sensações, levantou as mãos, que até agora tinham estado junto a seu corpo, e entrelaçou os dedos no cabelo bronze de Edward. Era curto e suave e ele virou a cabeça para que o cabelo a acariciasse na bochecha.

Ele demorou alguns segundos e em seguida levantou seu corpo para poder olhá-la.

-Meu Deus, Bella - disse com palavras tremulas, - como te desejo. Nunca saberá o quanto...

Os olhos de Bella se encheram de lágrimas diante da sincera emoção que percebeu em sua voz.

-Edward - começou a dizer, mas então se estremeceu quando uma rajada de vento lhe acariciou a pele.

-Tem frio - disse ele.

-Não - mentiu ela, que não queria que nada, nem sequer o tempo, rompesse esse precioso momento.

-Tem frio - afastou-se e começou a abotoar o vestido. - Sou um animal - disse entre dentes. - Seduzir-te aqui na primeira vez ao ar livre. Em cima da erva.

-Um animal maravilhoso - tentou brincar ela.

Ele a olhou e seus olhos verdes arderam com uma emoção que ela não tinha visto nunca. Era ardente, e selvagem e maravilhosamente possessivo.

-Quando te tornar minha mulher, eu farei direito: em nossa cama de casamento. E então... - Inclinou-se e lhe deu um apaixonado beijo - não penso te deixar sair em uma semana. Ou duas.

Bella o olhava atônita porque ainda não acreditava que ela tivesse despertado tal paixão nesse homem. Tinha estado com as mulheres mais bonitas do mundo e era ela, uma singela garota do campo, quem fazia seu coração pulsar.

Então, Edward a puxou pelo braço e, quando Bella se viu arrastada de volta para Masen Abbey, gritou:

-Espera! Aonde vamos?

-Para casa. Agora mesmo.

-Não podemos.

Ele se virou muito devagar.

-Ao diabo com não podemos.

-Edward, olhe a linguagem.

Ele ignorou a reprimenda.

-Isabella, cada centímetro de meu corpo arde por ti, e não pode negar que te ocorre o mesmo. Quer me dar um bom motivo pelo qual não deveria te arrastar até Masen Abbey agora mesmo e fazer amor até que nós dois caiamos extasiados?

Ela ruborizou diante de um discurso tão sincero.

-Os arrendatários. Tínhamos que ir visitá-los esta tarde.

-Ao demônio os arrendatários. Podem esperar.

-Mas já enviei alguém a casa de Sally Evans para lhe dizer que iríamos inspecionar a limpeza da chaminé. - Edward não se deteve e seguiu arrastando-a para casa.

-Não se incomodará.

-Sim que o fará - insistiu ela. Com certeza limpou toda a casa e preparou chá. Seria o cúmulo da má educação não nos apresentar. E ainda mais depois do número que montamos em sua casa no inicio da semana.

Ele recordou da cena na chaminé, embora isso não servisse para melhorar seu humor. O último que precisava eram lembranças desse dia em que ficou preso com sua mulher em um espaço tão estreito.

-Edward - disse Bella pela última vez, - temos que ir ver. Não temos outra opção.

-Mas não está me rechaçando, verdade?

-Não! - Exclamou ela, em voz alta e com sinceridade.

Ele blasfemou entre dentes e amaldiçoou em voz baixa.

-Está bem - disse. - Visitamos Sally Evans e pronto. Quinze minutos lá e voltamos para Masen Abbey.

Bella assentiu.

Edward voltou a amaldiçoar enquanto tentava não pensar muito no fato de que seu corpo ainda não tinha recuperado seu estado relaxado. Ia ser uma tarde da mais incômoda.

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Espero que vocês gostem deste capítulo, não tive tempo de ler os reviews de vocês do cap anterior, mas deste já agradeço.

Ah não deixem de postar as suas reviews deste cap.