Lea olhava Theo confusa, buscando raciocinar sobre o que ele tinha dito:
- Casamento?
-É, amor, a minha vida anda tão atribulada, mas eu sei que temos que resolver isto. O que você acha?
Lea respirou fundo, um pouco nervosa:
-Eu acho que... que eu preciso pensar. Sabe, Theo, nestes últimos tempos eu ando um pouco confusa, muita coisa aconteceu, algo mudou para mim...
-Você tá me dizendo que não tem mais certeza se quer casar comigo? – Theo ficou perplexo.
-Meu coração e minha cabeça estão confusos!- Lea retorquiu.- Eu não posso pensar em casamento agora, me desculpe, Theo.
{...}
-Então, Cory, é verdade ou não? – Taylor o desafiava, o rosto em chamas.
Ele lambeu lentamente o lábio inferior antes de falar:
- Eu não estava no Central Park. A Kelly deve ter me confundido. Você... você não deveria dar ouvidos a ela.
Taylor bufou, ainda irritada, mas já um pouco mais convencida:
-Cory, se você estiver me traindo, eu...
-Eu não tô te traindo, Taylor! Chega!- ele a interrompeu.
Taylor, então, sacudiu as mechas flamejantes e disse, tentando sorrir:
-Bom, de qualquer forma, não vamos brigar. Daqui a alguns dias será o aniversário de casamento dos meus pais e nós temos que estar bem.
Cory tinha esquecido daquilo... ele detestava aquelas festas, cheia de gente chata, de nariz em pé, que o olhavam de alto a baixo.
{...}
Lea e Jenna acabavam de arrumar os armários da casa nova, e estavam dobrando os últimos lençóis e roupas de cama quando a asiática enfim quebrou o silêncio, observando a amiga:
- Você tá tão pensativa... tá com a cabeça no advogado gostosão, é?
Lea sorriu um pouco, melancólica:
-Na verdade, pensando no Theo.
Jenna arqueou uma sobrancelha, e esperou Lea continuar:
-Ele me disse que, agora que o pai dele tá bem, nós podemos planejar nosso casamento. O que eu faço, Jenna?!
-Ora, termina com ele.- a asiática dobrava um edredom.- Isso já tá indo longe demais, Lea. Você não o ama mais, tá em outra. Ele vai sofrer, mas terá que entender.
-Isso não é fácil assim.
-Ninguém disse que seria fácil.- Jenna arrematou.- Mas, querida, alguém terá que sofrer.
Lea odiaria ver Theo triste, depois de tudo o que sofrera com o pai, mas ela sabia que amava Cory demais para descrever, sufocar, tentar fingir que se casar com seu noivo resolveria. Eles precisavam mudar aquilo. Ter coragem de enfrentar os fatos.
{...}
-Você vai deixar a gente na mão, Cory?!- Jared reclamou, olhando para seu amigo pasmado.
-É o aniversário de casamento dos meus sogros!
-E onde eu vou arranjar um baterista para te substituir em cima da hora?
-Ah, cara, o Jeff Clark, aquele amigo do Jason, pode quebrar o galho...- disse Cory, tentando manter a calma, porque ele também detestava perder shows com a Bonnie Dune.- Eu juro que adoraria ir lá tocar...
-Sabe de uma coisa, Cory? Aprenda a dizer não. Você só abaixa a cabeça e acaba fazendo o que seu sogro quer, o que a Taylor quer. Cuidado, senão eles vão dominar sua vida e você perderá os amigos, a banda e até a Lea.- disse Jared.
Cory grunhiu, indignado:
- Eu não vou perdê-la!
-Ah, não?- Jared zombou.- Continue protelando tudo na sua vida por causa dos Walker e você vai ver que, daqui a uns quinze anos, você será um advogado rico, casado com uma mulher que não suporta e com um filho que nem vai saber que, um dia, o pai tocou bateria, porque ele é careta demais.
Jared se retirou, contrariado, deixando Cory remoendo seus próprios pensamentos.
{...}
Lea e Cory se abraçaram longamente.
Eles tinham reservado um quarto de hotel para poder se verem naquele fim de dia, e estavam lá, ambos sentindo que havia certas coisas importantes a serem ditas.
- Por que o hotel?- Lea indagou, colocando sua bolsa sobre uma cadeira próxima.
-Porque uma amiga fofoqueira da Taylor nos viu naquele dia no Central Park.
Lea arregalou os olhos, impactada, mas Cory logo disse:
-Não se preocupa, eu despistei.
-Cory... Theo também anda meio desconfiado, digamos. Ele já percebeu que ando meio diferente, mas me disse que agora podemos agilizar os preparativos pro casamento.
-E o que você disse?- foi a vez dele ficar apreensivo.
-Eu disse que tava confusa, que agora não consigo fazer isso. Cory, nós... o que nós estamos fazendo? Eu passei muito tempo não querendo rotular isto que surgiu entre nós, mas agora eu preciso saber!
-O que surgiu entre nós foi amor, Lea.- Cory respondeu, apertando-a contra si, enquanto ela apertava a blusa dele, sentindo seu cheiro, e suas lágrimas molhavam-na.
-Eu amo você, mas como a gente vai sair desta situação? Eu não quero mais te encontrar às escondidas, eu quero te apresentar aos meus amigos, aos meu pais, te levar para ver as minhas peças. Eu não quero mais viver este amor na escuridão!
Cory a puxou para o alto, nivelando suas bocas, e a beijou febrilmente, sua boca encaixando-se na dela com força, um beijo voraz brotando e se desenvolvendo sem sentido, as línguas rodopiando, chupando-se, deslizando entre si.
Ela foi abrindo os botões da camisa social dele, enquanto ele lambia e chupava seu ponto de pulso no pescoço, querendo marcá-la, um desejo subindo e inflamando tudo. Ela gemeu quando ele apertou seus seios, depois, praticamente arrancou sua blusa e os atacou, tirando mais e mais gemidos dela.
Eles foram se beijando, tirando suas roupas até chegarem à cama e se enroscarem, mãos, pernas, línguas, tudo muito urgente, frenético, pulsante.
Ela estava por cima dele, girando sobre seu eixo, gritando enquanto ele empurrava e segurava seus quadris com força. Quando o orgasmo veio varrendo tudo, ela tombou sobre o corpo de Finn, suspirando, e ele a abraçou, beijando seu cabelo.
Passaram muitos minutos parados, em silêncio, apenas sentindo seus corpos normalizarem, até Cory dizer:
- Eu tenho tanto medo de te perder. Mas não sei como me desvencilhar da Taylor, Lea.
-Você ainda a ama?- a morena perguntou, ajeitando o corpo para olhá-lo nos olhos.
-Não, mas... eu não posso perder meu emprego agora. Eu estou num caso grande, é uma oportunidade de ouro, e...
Lea saltou de cima dele, e saiu catando suas roupas pelo quarto:
-Você o quê?! Você não quer largá-la por causa do seu emprego?
Lea chorava de raiva, enquanto se vestia.
-Eu abri meu coração para você, você disse que me amava, e agora me diz isso, Cory? Eu disse que queria poder expor tudo o que sinto por você para todo mundo, te assumir na minha vida e você só se importa com sua carreira?!
Cory levantou-se, segurando-a pelos pulsos:
- Eu não disse isso, exatamente! Mas não posso jogar tudo pro alto agora!
-E quando você jogará, Cory? Quando você e Taylor casarem? Eu não quero ser a outra para sempre!
-Você não é a outra para mim, é a única!- Cory exclamou.
-Palavras, só o que você me dá são palavras. Elas se perdem no tempo, e não vão te garantir comigo, não adianta querer me iludir.
Ele a trouxe para si, mas ela, talvez por todo o impulso da raiva, conseguiu se desvencilhar dele:
- Se você só quiser de mim sexo e encontro ás escondidas, Cory, acabou!- ela gritou, chorando, aquilo doendo nela mais do que podia imaginar.- Mas eu não posso mais viver me escondendo. Ou resolvemos isso, ou tá tudo acabado.
- Isso é um ultimato?- Cory perguntou lentamente, sentindo o choro arder em seus olhos.- Você também largaria o Theo sem pestanejar?
-Se você quiser, eu te dou até a minha vida, Cory. Eu faria tudo, se você também estiver disposto a fazer por mim.- ela afirmou, antes de sair e bater a porta.
