Existem momentos em que ser mulher é uma droga, mas quando Regulus apareceu à minha frente com aquele sorriso maldoso eu nunca havia desejado com tantas forças ser um cara. Eu fiquei paralisada, divida entre preocupar-me com James ou simplesmente dizer tudo o que Regulus merecia ouvir. Tudo o que eu sempre tive vontade de falar mas sempre fora educada o suficiente para não fazê-lo, mas no momento que ouvi o gemido de dor de James por trás das espessas portas da enfermaria, eu virei em direção de Regulus com tanta raiva, com tanto asco, o último pensamento em minha cabeça era sobre ser polida.
- Você! - Eu disse aproximando-me irada dele - Nunca vi alguém tão coverde antes! Não tem nem mesmo a decência de parecer arrependido!
- Porque deveria? - Ele teve a coragem de sorrir.
- Para me mostrar que ainda tem um pouco de humanindade, e não se transformou completamente em um babuíno retardado.
Ele olhou-me irritado, o sorriso, agora morto.
- Está exagerando. Eu não entendo como pode gostar dele. Não quando sou obviamente preferível de tantas maneiras.
Tive vontade de – estou tornando-me terrivelmente violenta – chutar-lhe as partes sensíveis, mas isso me renderia uma semana de suspensão e duas ou três de castigo. Sem falar o que os meus pais diriam, e como eu prezo a vida, engoli a vontade e concentrei-me em responder-lhe.
- Eu não esperava realmente que você entendesse mas faço questão de clarificar para você. Seu dinheiro não me importa, assim como o suposto prestígio que você tem com as pessoas que julga tão "dignas". Essas seriam as únicas coisas que algum dia, se eu vier a sofrer dano permanente no cérebro, poderia considerar boas em relação a você. Haveria uma terceira, e essa sim, faria de todo sentido, que seria se Sirius ainda considerasse você um irmão. Mas, como esse não é o caso, sinto informar-lhe que você é um ser completamente desprezível, então só sentirei alguma coisa por você em seus mais loucos sonhos. Desprezo seu jeito de falar, seu jeito de andar, suas atitudes mesquinhas e traiçoeiras. James é tão melhor que você de tantos jeitos que nem me preocupo em enumerar as diferenças. Quer que eu continue? – Eu o olhei e sem esperar resposta segui: – Eu amo James e não a você pois mesmo se ele não estivesse namorando comigo, nunca passaria por sua cabeça machucar alguém, ainda mais alguém de quem gosto e com quem me importo.
Regulus permaneceu inerte – talvez chocado – por um instante. Logo, recompôs-se e soltou uma risada.
- Entenda uma coisa, eu não sou do tipo paciente. Sendo sincero, nem do tipo que se importa. Quando eu quero algo, eu geralmente o tenho. Mesmo que seja apenas para jogar fora mais tarde.
- Entenda você, sua família pode tê-lo mimado ao ridículo mas o mundo não fará o mesmo. – Então acrescentei sarcástica – Acredite ou não, tem muita gente por aí que não poderia ligar menos para você ou seus desejos. Aliás, posso incluir sua própria mãe estou certa? Que lhe arranjou uma noiva antes mesmo que você pudesse dizer "não".
Regulus parou de sorrir novamente e o vi apertar os punhos.
- É um pequeno obstáculo a ser ultrapassado.
- Bom, divirta-se com ele, só não me inclua em seus planos. Eu estou avisando, Regulus, eu farei de sua vida um inferno na terra se encostar em James novamente. – Eu rosnei.
- Sinto muito se eu não pareço intimidado com ameaças de uma mulher. – Regulus olhou-me entediado.
- Oh – Eu arqueei uma sobrancelha – Não são apenas minhas, você pode ter certeza. Tais ameaças pertencem à Sirius, Remus, Benjamin e aos nossos amigos. Lembre-se também que não são poucos, Reggy. Ao contrário de você, James não precisa intimidar as pessoas para ser querido. Não que "querido" seja a palavra que eu possa usar para descrever sua relação com o resto da Sonserina.
Regulus pareceu furioso.
Sua raiva era tão palpável, que eu achei – de certa forma – inacreditável que ele ainda conseguisse manter-se tranquilo. Regulus tem a – péssima, se me permite – reputação de explodir por coisas diminutas. Estava tudo tão quieto que eu pude ouvi-lo engolir irritado.
- Não pode seriamente pensar naquele infeliz, que desonra minha família, como algo de valor. Amigo? Eu o pagaria para ficar longe.
Eu o encarei completamente pasma.
Talvez não fosse saudável – nem mesmo seguro – continuar discutindo com Regulus, mas ouvi-lo insultar Sirius após ferir James simplesmente não ia descer por minha garganta.
- Não que você mereça explicação alguma de minha parte, mas vou deixar uma coisa clara: Sirius é o único Black de valor que conheci. Provavelmente o único que existe. A melhor coisa que ele fez foi ter saído daquele hospício que você chama com tanto orgulho de casa e ter ido morar com James. Perceba, se eu fosse você, teria muito cuidado com o que fala sobre Sirius Black na minha frente, Regulus. E é bom ter em mente que essa ameaça também não é só minha.
Nesse exato momento madame Rolanda Hooch dobrou o corredor em nossa direção. Ela vinha apressada, e não notou a tensão no ar. Regulus, viu aquilo como uma oportunidade para se retirar, mas não sem antes murmurar para mim:
- Sorte sua, Evans, que eu não bato em mulheres. Infelizmente, mesmo com todos os seus esforços, eu ainda pretendo jogar aquele lixo que você chama de namorado para longe.
- Que medo.
E com isso ele se foi. Madame Hooch cumprimentou-me e entrou na enfermaria. Eu encostei na parede próximo à porta e respirei fundo. As lágrimas desceram por meu rosto antes mesmo que eu as notasse. Escorreguei apoiada ainda à parede e cobri meu rosto com as mãos.
O estranho, é que eu não sabia nem porque estava chorando. Após alguns poucos instantes senti um par de braços circundando-me em um abraço já familiar. Engoli o choro o mais depressa que pude, tomando longas golfadas de ar, enquanto procurava me acalmar. Sirius apertou-me um pouco mais, indeciso sobre como proceder. O pensamento me fez rir um pouco entre as lágrimas, acho que ele nunca se imaginou consolando uma garota. Considerando que ele é praticamente "O senhor das mulheres" aqui em Hogwarts. Seu carinho por mim, me fez feliz e eu - após piscar algumas vezes para afastar as lágrimas - levantei a cabeça para ele e sorri.
- Prongs iria odiar vê-la assim baixinha - Ele sussurrou preocupado.
- Eu estou bem Sirius, mesmo.
Ele riu ainda com os braços ao meu redor, fazendo-me balançar junto.
- Claro. – Ele disse irônico – Você está chorando rios, e está tudo muito bem.
- Por favor - Eu forcei um sorriso - Estou bem mesmo. Não conte ao James. Ele não precisa se preocupar com isso.
Sirius não mostrou intenção alguma de guardar isso entre nós. E eu realmente não podia esperar algo diferente dele, então apenas sorri fraco. Foi quando ele disse:
- Achei que já tivéssemos passado da fase de guardar segredos.
Eu ri sinceramente.
- Certo. – Eu respirei fundo para afastar as lágrimas que procuravam descer – Foi o panaca do Regulus.
Pude sentir os braços de Sirius tornarem-se rígidos ao meu redor.
- Como?
Lógico que seria uma ideia absurdamente estúpida dizer a Sirius que Regulus era o responsável pelo ferimento de James. Quero dizer, o cara seria capaz de me largar aqui e revirar a escola toda para socá-lo um punhado de vezes.
Resolvi seguir por um caminho mais seguro.
- Ele disse algumas coisas... Que me irritaram. Sobre ser superior a James e essas besteiras. Falou sobre você também. – Eu engoli em súbita raiva – Deus, eu tive vontade de fazê-lo em pedaços! Só de pensar nele tenho enjoos.
- É, ele causa esse tipo de reação nas pessoas. – Sirius tentou agir normalmente, mas desde que o nome de Regulus fora mencionado ele estava tenso. – Foi ele quem fez você chorar, Lily?
Pela pergunta lenta e pausada, eu notei que Sirius estava sério. Perigosamente sério. E eu não queria nenhum incidente por causa de alguém como Regulus.
- Eu só fiquei um pouco nervosa. Você sabe, por causa de James e tudo. – Respondi o mais tranquilamente que pude.
Ele permaneceu calado por um tempo antes de dizer:
- Moony mandou uma mensagem para Benjamin ainda a pouco. - Ele acariciou meus cabelos - A madame Ponfrey já está abrindo as portas, e logo vai disponibilizar visitas ao Prongs. Eu e ele ficaremos aqui, esperando você ir lá.
Levantei meu rosto de seu ombro para olhá-lo.
- Não precisa Sirius.
Ele beijou o topo de minha cabeça e disse:
- Demore o tempo que quiser. Não vamos sair daqui.
Se eu era feliz por ter encontrado James, eu era triplamente feliz por ter encontrado junto Remus e Sirius. Eu sei que James sempre diz que eles são como irmãos e tudo, e eu realmente entendo. Os laços que criamos vão muito além do sanguíneo, vão muito além do nome, esses dois são como os irmãos que eu nunca tive. É exatamente como me sinto quando estou com Benjamin. Não tenho medo de ser exatamente quem eu sou com eles, sem reservas. Eu sei que eles me aceitam com todos os meus devidos defeitos. E agora que eles estão em minha vida, é impensável vê-los fora dela.
No instante seguinte, Remus e Madame Hooch saíram da enfermaria. Ela imediatamente perguntou-me:
- Você está bem, senhorita Evans?
Levantei com a ajuda – não que fosse necessária, mas ele não me largou – de Sirius.
- Estou sim professora. – Tentei sorrir para parecer melhor.
- Não foi nada muito grave, não se preocupe – Ela falou – Sinceramente eu nunca conheci ninguém mais teimoso que o Potter. Ele quer participar dos treinos sem mesmo poder ficar em pé. Acredita?
Eu ri.
- Vou procurar Fenwick. – Madame Hooch disse e passou a mão em minha cabeça carinhosa antes de voltar por onde veio.
Eu conheço madame Hooch desde os onze anos, ela é aquele tipo de pessoa que realmente se importa, mas não sabe como demonstrar.
Remus sorriu triste ao ver minhas faces ainda um pouco molhadas.
- Não chore Lily. - Ele envolveu-me em um abraço. - Está tudo bem.
- Não estou chorando. - Eu disse para então – depois de ver os olhares de descrença dos dois – acrescentar: - Não mais.
Remus sorriu e abriu a porta para mim, eu dei um passo à frente e lancei aos dois um olhar agradecido antes de Remus fechar a porta. Madame Ponfrey foi a primeira pessoa que vi, sentada em sua mesa. Ela levantou o olhar e sorriu:
- Eu imaginei que você ainda estivesse aí. Pode ir vê-lo. Ele está perto da janela. – Então ela olhou-me com um sorriso curioso – Acredite que em meio a dor, ele ainda quis escolher em que cama deitar.
Eu tive que rir novamente.
Isso é tão a cara dele.
- Obrigada. - Respondi um pouco corada.
Segui a sala até a última cama que ficava próxima da janela. A enfermaria, como foi adaptada em um castelo, era uma grande sala com vários leitos que ficavam divididos apenas por umas cortinas brancas com os quatro símbolos da escola bordados nas pontas. Assim que vi James deitado na última cama com o tornozelo enfaixado, meu coração apertou-se um pouco.
Ele abriu os olhos logo, provavelmente por causa do barulho de meus passos. Meu coração agora, acelerou com a visão dos olhos castanhos tão intensos dos quais ele é dono. Dei a volta sentando-me na cadeira ao lado da cama.
- Hum - Ele gemeu - Está muito longe.
Eu ri e aproximei a cadeira.
Ele esticou o braço e enrolou uma das mechas de meu cabelo nos dedos.
- Calada? - Ele perguntou estranhando - Não faz o seu tipo.
Eu sorri para ele.
- Não tenho nada a dizer - Deitei meu rosto e meus braços na cama com ele.
Ele sorriu e analisou meu rosto.
- Pois eu tenho.
- O que seria? - Eu perguntei com um pequeno sorriso.
Ele chamou com o dedo.
- Venha mais perto.
Eu levantei-me um pouco da cadeira e aproximei meu rosto do dele mais um pouco.
- Mais um pouquinho - Ele sorriu.
Sem nunca deixar de olhá-lo nos olhos, aproximei-me mais do que madame Pomfrey teria permitido se estivesse vendo.
Com nossos rostos bem próximos, ele tocou meu rosto e sussurrou:
- Você não precisa se fazer de forte para mim Lily.
A verdade e a intensidade com que ele falou pegaram-me completamente desprevenida. Meus olhos encheram-se de lágrimas antes mesmo que eu tivesse chance de suspirar.
- Por favor - Ele pediu ainda acariciando meu rosto. - Não precisa ser forte o tempo todo.
- Oh James... - Eu murmurei sentando-me na beira da cadeira e deitando meu rosto ali mesmo perto dele.
As lágrimas caiam sem freio, e James aparou uma por uma. Eu chorei, chorei e chorei silenciosamente, confortada por James e sua presença quente. Acho que chorei por tudo, por tudo que havia acontecido desde o início das aulas. Tudo tão rápido. James não parou de sorrir um instante, fazia carinhos que teriam feito-me deitar na cama – provavelmente em posição fetal – com ele se madame Pomfrey não estivesse logo ali.
Quando finalmente as lágrimas cessaram, senti como se tivesse posto tudo para fora. Senti-me esgotada, mas tão leve que sorri para James enquanto ele limpava com as mãos os resquícios de meu choro. Meu coração disparou novamente e ainda ali, com a cabeça deitada perto dele, eu senti algo tão forte se apossar de mim.
- O mundo por seus pensamentos - Ele murmurou.
- Só estava pensando em como surreal isso é.
Ele afastou os cabelos de meu rosto.
- Surreal?
- Uhum - Eu balancei a cabeça como pude - O que sinto por você James. É tão forte. Às vezes eu me assusto com a intensidade.
- Isso é ruim? - Ele perguntou, a voz rouca.
Dei uma pequena risada e trouxe sua mão para mais perto deitando meu rosto em cima. Fechei os olhos e respirei fundo antes de abri-los para ele e sussurrar:
- Só se você disser que não sente o mesmo - Eu corei com um sorriso.
- Não existe nada que possa descrever o que sinto por você, Lily Evans.
Eu sorri maravilhosamente para ele.
- Eu só desejo que não se esconda de mim. Não precisa ser durona, eu a quero por inteiro. O pacote completo. Não importa se estiver triste, indecisa, confusa, magoada com algo... Quero saber todas as suas fraquezas.
- Você é uma das principais - Eu murmurei tímida - James Potter.
Ele olhou-me intensamente antes de responder rouco:
- E eu vou me aproveitar disso cada segundo.
Eu ri com vontade.
- Você é horrível! Esquece que ainda está na enfermaria?
Ele gemeu.
- Eu vou sair logo. - Ele sorriu para acrescentar malicioso - Mas veja, não tenho tanta pressa assim.
Olhei-o confusa.
- Afinal, você virá me visitar o tempo todo. E certamente não será ruim fazer o dever de casa na cama.
Corei estupidamente antes de sorrir e tapar-lhe a boca.
- Fale baixo! – Eu ri.
Eu amo cada pedacinho do jeito maroto dele.
- Quer que a madame Pomfrey escute? - Eu sussurrei. - Acha que ela vai me deixar voltar depois que descobrir suas intenções?
Ele riu.
- Eu a convenço com jeitinho. O charme Potter.
- Você não presta James! Estou deixando de ser uma aluna exemplar por sua culpa!
James arqueou as sobrancelhas sorridente.
- Você continua a aluna perfeita. Está me acusando de ser a má influência dessa relação?
- Estou sim, exatamente disso! - Eu brinquei.
- É uma acusação grave. - Ele se fingiu de sério.
- Pois não é nem de longe a mais grave que tenho contra você! - Eu ri.
- E qual seria? - James me sorriu.
Corei ao olhá-lo.
- Fez-me amá-lo dessa forma assustadora. - Ele encarou-me calado, eu sorri - Quero dizer, só temos dezessete anos! Isso não é normal. É?
James sentou-se na cama e eu pretendia avisá-lo que se madame Pomfrey descobrisse, o tornozelo seria a menor de suas preocupações, quando ele tomou meu rosto ainda encostado no colchão entre as mãos e literalmente abaixou-se para depositar o mais rápido e delicioso beijo sobre meus lábios antes de murmurar:
- Sou um sortudo, não precisei procurar o mundo por você.
Meus olhos quiseram encher-se de lágrimas – francamente, estou muito chorosa hoje – novamente, mas eu sussurrei de volta:
- Somos dois.
E então James beijou-me tão carinhosamente que meu corpo arrepiou-se e meu coração disparou.
Quando madame Pomfrey passou avisando que o horário já estava acabando, eu desejei virar um gatinho para poder esgueirar-me para a cama de James e permanecer lá com ele. Eu tinha dito para James que fora Regulus o responsável pelo buraco, na esperança de que quando ele saísse da enfermaria não estivesse mais com raiva. Ele levou a noticia até bem demais. Fiquei completamente surpresa, mas deixei quieto. Enquanto ia buscar água para ele tomar seu remédio, James ficou com meu redPad nas mãos xeretando minhas conversas com a professora Minerva. Aparentemente ele tem absoluta certeza de que a professora é apaixonada por ele, e encoraja nosso relacionamento por gostar de mim também. Eu seriamente achei que fosse efeito dos analgésicos, mas como ele só tinha tomado um, tive minhas dúvidas.
No dia seguinte, eu tomava meu café enquanto encarava a porta do salão. Geralmente aos domingos – sendo o único dia que podemos dormir até as oito – quase todo mundo desce mais tarde para o café, então fica uma confusão de entra-e-sai de alunos. Ou seja, não é exatamente fácil identificar alguém na multidão, mas nada poderia me desconcentrar. Eu olhava com atenção para a porta.
Louca para pegar Sirius Black.
Porque? Simples, não havia outro assunto para discutir senão o olho roxo de Regulus. Sobre como ele havia confessado para o diretor Dumbledore que havia mandado Thorfinn cavar aquele buraco após roubar o plano de jogo de Madame Hooch.
E aquilo não podia ser culpa de outra pessoa, senão de Sirius-mente-criminosa-Black. Eu sempre soube que para Sirius, James é como um irmão. Mas eu não imaginava que ele fosse acertar Regulus por isso. Certo, talvez eu tenha pensado, mas eu não achei que realmente aconteceria.
Regulus e Thorfinn foram – de acordo com Dorcas – "sentenciados" a duas semanas de suspensão, e mais uma de castigo pós almoço.
Lógico que quando o pai de Regulus veio buscá-lo hoje de manhã, não estava nada feliz.
Sirius estava sendo visto como um herói – sabe, aquele negócio de justiça e tudo o mais – só que eu sei que o resto da Sonserina não vai deixar passar. Afinal, Regulus está no topo da hierarquia idiota deles. E com James longe, eu só posso pedir que Sirius não ande sozinho por aí. Afinal, não é como se Sirius precisasse de mais um motivo para ser odiado, só o fato de ser amigo de James já era ruim o bastante para os Sonserinos
Quando Sirius passou pela porta, eu levantei tão depressa que Lene, que passava manteiga em uma torrada light integral – neura básica dela – se assustou e passou na mão.
- Lily! – Ela reclamou.
- Desculpe!
- Sinceramente, essa sua convivência com o Black não está te fazendo bem algum.
- Falando nele, vou ali rapidinho. – Eu sorri.
Ela revirou os olhos.
- Diga a ele que eu não o suporto.
- Quer que eu mande dois beijinhos junto com o recado? – Provoquei já contornando a mesa.
- Evans, você não tem medo do perigo? – Ela me fuzilou com os olhos.
Sirius, completamente distraído, sentou-se ao lado de Remus que comia um prato de frutas enquanto conversava com Rafael Belline da corvinal. Surpreendentemente eles se tornaram bons amigos depois do treino de esgrima. Quando Sirius e Remus perceberam que eu me aproximava, os dois se afastaram abrindo espaço para mim entre eles.
Assim que eu me sentei, Remus deu-me um beijinho de "bom-dia" no topo de minha cabeça e disse:
- Não esqueça de me avisar quando for ver James. – Ele sorriu e voltou a conversar com Rafael.
Sirius começou a passar manteiga em seu pão, ignorando-me com certeza.
- Eu sinto muito Black, mas você não vai escapar.
Ele gemeu revoltado.
- Qual é Moranguinho? Não é como se eu tivesse feito algo.
- Algo? Oh, não você definitivamente não fez "algo". – Eu disse irônica – Você "apenas" socou Regulus.
- Ele mereceu. – Sirius resmungou – Não acredito que temos os mesmos pais.
Então ele riu sarcástico.
- Pensando bem, não acredito que eu seja filho dos meus pais.
Meu coração apertou-se com sua dor, e eu apertei seu braço encostando a cabeça em seu ombro. Ouvir o suspiro de Sirius, que é sempre tão bobo-alegre foi de partir o coração.
- Nós vamos dar um jeito naquilo Sirius. – Falei – Eu tenho absoluta certeza.
Sirius sorriu-me, um sorriso sincero e esticou o pão para que eu desse uma mordida. De bom grado aceitei, e ao dar as primeiras mastigadas, Sirius acabou-se em risos.
Foi quando senti uma mistura – no mínimo intragável – no pão.
Vegemite?
Vegemite com bacon e queijo branco?
- Que nojo Sirius! – Eu reclamei fazendo careta, o sabor ainda em minha boca.
Peguei a xícara de café que Remus levava à boca e tomei tudo em bons goles. Remus encarou-me confuso, mas não reclamou.
- Desculpe-me. – Eu segurei um arrepio pelo sabor ainda não totalmente extinguido.
- Não se preocupe – Remus acertou a parte de trás da cabeça de Sirius com um tapa para então perguntar: – O que Padfoot fez? – Ele perguntou.
- Vegemite no pão – Eu olhei para Sirus fuzilando-o com o olhar.
Remus olhou para Sirius – meio que por cima de mim – surpreso.
- Onde você conseguiu isso?
- Kay Rosenbaum. Ela adora essa coisa. – Sirius riu.
- Eu achei que ela fosse alemã. – Eu disse confusa.
- O pai é australiano. – Ele deu de ombros.
- Não mude de assunto Sirius Black. Eu não quero ver você andando por aí sozinho, desprotegido de qualquer ataque dos capangas de Regulus ouviu? – Eu falei de uma vez.
Claro que eu exagerei um pouco. Capangas, seja talvez, um termo forte demais para usar. Pensando bem, não exagerei não. Certo, eles não vão matar Sirius nem nada, mas James já se machucara. E por minha culpa, o que é pior. Dessa forma, eu prefiro manter o resto de meus amigos inteiros, e fora de riscos.
- Isso soou quase como uma ofensa. – Sirius fingiu-se de magoado – Está dizendo que eu não sei me defender Moranguinho?
- Estou dizendo que prefiro o meu Sirius cem por cento operante. Entendido?
Ele bateu continência para mim com uma cara de sério tão estupidamente real que eu me acabei de rir.
- Sim senhora! – Ele falou agora com um sorriso.
Remus, que tinha terminado de falar com Rafael, virou-se para mim oferecendo-me uma fatia de bolo de banana com canela. Semana passada eu comi durante todos os dias bolo de banana, James já sabia que eu gostava e em cada refeição ele guardava um para mim. Acho que a cozinheira ouviu minhas preces e fez mais outros três bolos para essa semana. Certamente terminaria o mês rolando as escadas se não fosse pelo treinamento absurdo e quase abusivo do professor King.
- Não precisa se preocupar com o Pads Lily, Matthew e os amigos não vão deixar que nada aconteça.
- Matt Fithian? – Eu perguntei.
Remus concordou com a cabeça.
- Você sabe. Ele, Craig Russel, Kat White, Ashbrigde...
Não sei bem se o motivo de Remus usar o sobrenome de Nathaniel se deve ao fato de que ele era o antigo namorado de Tonks, mas essa é, de fato, uma observação um tanto... Interessante.
- Certo... – Eu disse levantando-me – Vocês querem ir visitar James comigo?
Sirius riu, e mordeu o último pedaço daquele sanduiche nojento. Só a visão causou-me náuseas.
- E ver os dois pombinhos cheios de amor pra dar? – Então ele levantou a cabeça para a última mesa e Juliet Loveday da Sonserina que estivera encarando Sirius apaixonadamente corou – Tenho outros planos.
- Vou passar rapidamente na biblioteca para selecionar uns livros para James. Ele tem algumas pesquisas pra fazer. – Remus me sorriu.
Juliet é um amor, e é maravilhosamente linda. Com seus cabelos castanhos brilhantes, pele branquinha e grandes olhos cinzentos ela vira pescoços. Ela poderia ser uma modelo em um estalar de dedos, ao lado de Candice Swanepoel, Juliet seria mais nova, mais bonita e ainda teria seu rostinho de anjo. Sem querer exagerar, mas entre Juliet e a modelo, Juliet seria a bonita. Eu a adoro, mas obviamente amo Lene mais. Então prefero que Sirius se acerte logo com minha amiga maluquinha, pois não preciso de mais drama em minha vida. O negócio é que Marlene é também muito cabeça-dura – eu sou um pouquinho admito – e para ela aceitar que está desesperada e profundamente apaixonada por Sirius é praticamente – para não dizer totalmente – impossível.
- ... Mas você pode seguir, eu vou visitá-lo depois. – Sirius dizia.
- Oh, e certamente não tem nada a ver com Juliet. – Eu disse com um sorriso.
- Em absoluto. – Ele franziu as sobrancelhas.
Eu ri.
- Certo Romeu. – Falei aproveitando o duplo sentido – Vejo você depois então.
Eu estava me retirando quando notei que Juliet sorriu tímida para Sirius, e ignorou – sem querer, eu tenho certeza – completamente Noah Giejsz seu colega de casa. Noah ficou completamente sem jeito, limpou a garganta e falou novamente. Foi então que Juliet o notou, ela corou até o ultimo fio de cabelo e o respondeu sorridente como sempre. Sirius riu ao meu lado, claro.
- Você é impossível.
- O que eu fiz? – Ele perguntou olhando-me inocente.
- Oh, nada. Só apareça às dez na enfermaria, por favor.
- Às dez? Porque não posso visitar Prongs à noite?
- Porque – Eu expliquei com a maior paciência – Remus vai levar Tonks à Hogsmead, e nós quatro precisamos conversar sobre o seu problema antes disso.
Sirius gemeu chateado e pude sentir uma reclamação vindo.
- Sirius Black, não me irrite. – Falei séria mantendo meu sorriso.
Ele pareceu ter noção do perigo, e então suspirou dando-se por vencido.
- O que eu não faço por vocês... – Ele exalou dramático.
Oh, espere.
Agora eu entendo.
- Quem você ia levar à Hogsmead?
- Juliet. – Ele respondeu tomando seu suco.
- E eu suponho que você não possa levá-la pela tarde pois vai estar com...?
- Com Kay.
- Bom, se você quer a minha opinião, desmarque com Kay e leve Juliet para Hogsmead.
- Você gosta mais de Juliet?
- Não se trata de quem eu gosto mais pois gosto das duas. Kay é inteligente e divertida e é inegável que você vá ter uma ótima tarde com ela. Só que Juliet é tímida e doce, acho apenas que o estilo dela é um pouco diferente do qual você está acostumado.
- E por isso eu deveria sair com ela? – Ele olhou-me com a boca cheia de pão.
Eu fiz uma careta e peguei um guardanapo limpando o canto onde ficara geleia.
- Bem, não que eu aprove seu estilo de vida "The Flash", mas acredito que a essa altura todas as garotas da escola sabem muito bem como você é, ao ponto de não gerar expectativas. – Então eu revirei os olhos – Não muitas expectativas pelo menos. E se Juliet ainda assim está visivelmente interessada em você, um pouco mais de doçura não te fará mal.
- Então Juliet será. – Sirius falou sem olhar-me de volta concentrado em seu sanduiche.
Aparentemente não concentrado o suficiente, já que parte da geleia de cassis – geleia a qual, permita-me observar, ele usou como manteiga – que ele ama começou a escorregar para fora do pão e ele aparou depressa com os dedos. Era relativamente engraçado ver Sirius comer, mais engraçado ainda ver Sirius comer geleia de cassis. Era uma mistura de homem das cavernas com Hugh Jackman. Não importa o quão nojento e bruto seja, você não pode negar que ele é gostoso. Geleia de cassis é uma das coisas que Sirius mais ama no mundo, e eu realmente digo ama. Eu não me surpreenderia se ele trocasse Regulus por um pote pequeno.
- Hum sinceramente não sei o que as garotas enxergam em você – Eu brinquei provocando-o enquanto ele levava os dedos à boca como se estivéssemos em um mundo pós-apocalíptico onde talvez nunca mais existisse geleia de cassis – Aliás, as boas-maneiras saíram de férias?
Sirius fuzilou-me com o olhar e usou a mão livre para me dar um beliscão enquanto Remus, – que prestava atenção em algo que Fabian dizia – ria ao me ouvir.
- Ouch – Eu reclamei rindo.
- Há-há, você já pode ir Lily.
- Oh, não sou mais Moranguinho?
Ele riu.
- Você sempre vai ser Moranguinho. Agora se manda que logo eu e Moony encontramos com você.
- Certo, não se atrase Sirius. – Eu disse para então dizer para Remus – Remy, às 10 okay?
- Não se preocupe, se for necessário eu arrasto o Pads até lá. – Remus me sorriu.
- Por isso que eu amo você. – Eu sorri para Remus antes de dar língua para Sirius e me dirigir à porta.
Foi quando parei e lembrei que estava esquecendo algo.
Oh sim, Remus.
Corri até ele, e ele conhecendo-me assustadoramente bem, apenas levantou-me uma das mãos com um pequeno embrulho.
- Obrigada Remus – Eu dei-lhe um beijinho e novamente me dirigi à saída.
James praticamente me implorou ontem para que, após o café, eu levasse à ele um pedaço do bolo de frutas vermelhas e avelã que ele ama. Sério, esse bolo para James é como a Lois Lane para Clark Kent, como o Sol para a Terra, como a rainha para os ingleses, como... Geleia de cassis para Sirius Black.
Como Remus é amado pela cozinheira-chefe, ela sempre prepara o que ele pede. Ele desceu mais cedo para o jantar ontem apenas para entrar na cozinha e pedir à ela que preparasse uma versão fairy cake do bolo para o café. E foi o que ela fez.
Caminhei tranquilamente até a enfermaria, eu precisaria explicar à James o ocorrido. Com Sirius digo, para poupar tempo e pensar em uma alternativa. James ficaria revoltado, claro, mas talvez seu tornozelo machucado não venha para todo mal e ele possa digerir o noivado – doentio – de Sirius devagar.
- Posso ajudá-la? – Perguntou Madame Pomfrey no momento que pisei dentro da enfermaria.
- James pode receber visitas agora? – Eu disse escondendo o fairy cake em meu casaco da escola.
Madame Pomfrey olhou o relógio.
- Pode sim – Ela deu um pequeno sorriso e voltou a ler algum livro extremamente grosso.
- Obrigada – Respondi seguindo até a cama de James.
Ele jogava entediado seu PSPgo quando notou-me e pondo o aparelho de lado – com certo descuido, devo acrescentar – sorriu:
- Lily!
Corei.
Perguntei-me se isso não passaria algum dia. O rubor e tudo. Acredito que sim, mas por enquanto, ainda me embaraça.
- Olá pessoa. – Eu pisquei-lhe um olho.
- Finalmente! Você demorou décadas.
Revirei os olhos.
- Bom eu tenho outras coisas pra fazer James Potter.
Ele riu.
- É bom ver você. – James sorriu e sem avisos puxou-me para um beijinho.
Sempre impulsivo.
- Olhe o que eu trouxe para você – Sorriu tirando o casaco e pegando o fairy cake cuidadosamente guardado.
Os olhos de James brilharam.
- Oh, não diga que é... – Ele apontou para o embrulho – Você conseguiu mesmo o...?
Minha risada soou alto ao vê-lo tão excitado por um bolinho. James pareceu ofendido por um momento.
- Isso, ria da minha desgraça. – Ele cruzou os braços – Quero saber como você se sentiria se seu bolo de banana e canela fosse tirado de você.
- Tem razão, desculpe – Falei ainda com um enorme sorriso no rosto entregando a ele o embrulho.
- Dê-me, dê-me. – Ele ordenou em agonia.
James abriu o pacote depressa praticamente rasgando o papel em sua impaciência. Assim que ele pôs os olhos no fairy cake, o levou à boca dando uma boa mordida. Ele gemeu e deixou-se cair nos travesseiros mastigando o bolinho. Eu dei uma ligeira olhada para a mesa de Madame Pomfrey. Eu seria banida da enfermaria para sempre se ela soubesse que trouxe um bolinho para James.
- Eu a amo Lily, você é um anjo. – Ele disse com a boca cheia. – Eu estou aqui por uma noite e já não aguento mais abóboras. Porque Madame Pomfrey gosta tanto delas?
Eu ri sentando-me na cadeira ao lado da cama.
- Agradeça à Remus, foi ele quem jogou seu charme para a cozinheira. – Sorri observando-o se deliciar com o doce – Sabia que você e Sirius podiam ser seriamente irmãos de verdade?
- Porque diz isso?
Eu o observei comer mais um pouco sujando o cantinho da boca com o creme de avelã.
Igualzinho.
- Ah, por nada. – Eu sacudi a mão e me aproximei para beijá-lo no canto cor-de-rosa de sua boca por culpa do bolo.
James riu e tentou beijar-me de volta mas eu me afastei.
- Você é cruel Lily.
Sorri antes de suspirar preparando-me para dar a noticia à ele.
- James, tem uma coisa que você precisa saber...
James parou de mastigar e levantou os olhos para mim. Ele deve ter sentido que era algo sério, pois logo sentou-se ereto na cama novamente.
- Fizeram algo com você? – James perguntou depressa – Foi Lucius? Rosi..
- Não é nada desse tipo – Eu o cortei falando depressa – É sobre Sirius na verdade.
- O que tem ele? Descobriram que foi ele quem socou Regulus?
- Não, é que...
Então olhei para James, a boca aberta.
- O que? Como você sabe disso?
James deu de ombros.
- Eu disse a Remus o que você me falou ontem.
- Quando? As visitas encerraram quando eu saí.
- Pelo seu redPad, enquanto você foi buscar água para o meu remédio.
Então o choque foi substituído pela raiva.
- James! Como pôde? – Perguntei tentando manter o tom de voz baixo para que Madame Pomfrey não ouvisse – Você sabia exatamente qual seria a reação de Sirius!
- Seria a minha também. – Ele franziu as sobrancelhas.
- Sirius teve sorte de não ser descoberto pelo diretor!
- Regulus nunca diria nada. – James respondeu irritado – Ele tem vergonha demais para admitir que apanhou do cara que ele tanto odeia.
Revirei os olhos chateada e levantei da cadeira andando até a janela. Ficamos em silêncio por uns momentos até que James se manifestou:
- Lily... – Ele suspirou. – Eu nunca diria a Sirius se eu não soubesse que ele estaria seguro. E eu costumo contar tudo para ele. Ele é como meu irmão você sabe...
Virei para James que ainda tinha um último pedaço de bolo nas mãos. Senti um aperto no peito.
Brigar agora, nesse momento, seria a pior coisa.
E depois, James tem certa razão. Ele não colocaria Sirius em risco.
- Desculpe James. – Eu murmurei.
Ele estendeu a mão para mim, puxando-me para sentar com ele na pequena cama.
- Não se desculpe – Ele deu-me um beijinho na bochecha antes de comer o último pedaço de bolo. – Então o que você queria falar?
- Oh – Então lembrei do motivo principal de minha visita – É sobre Sirius...
- Se for sobre o noivado, prefiro não falar sobre isso.
Eu virei-me para ele na cama.
- Como...? Quem...? – Então cruzei os braços – James Potter, explique-se agora!
James suspirou.
- Sirius me contou. – Ele franziu o cenho – Ainda estou com raiva dele.
- Raiva dele?
- É, Padfoot devia ter dito antes.
- Certo, você tem razão, mas não acha que deveria ser menos duro com ele? Digo, não está sendo exatamente fácil para o Sirius.
- Justamente. – James olhou-me revoltado – Lily, as pessoas acham que ele começou a morar comigo recentemente, acontece que Sirius fugiu de casa quando mal tinha doze anos. Meu pai o considera um filho, ele é meu irmão.
Eu o encarei chocada.
- A família dele não fez nem questão de ir procurá-lo. – Ele continuou – Afinal, eles tem Regulus, o herdeiro do império Black. Não precisavam de alguém que eles consideravam um estorvo. Sabe, a ovelha negra.
- ... O que você pretende fazer?
Então James me sorriu confiante.
- Vou admitir que a situação toda é difícil, mas meu pai está com um ótimo advogado.
- Advogado? James, o que vocês não estão contando? – Eu franzi as sobrancelhas preocupada.
- Os Black estão acusando papai de rapto.
Meu coração falhou uma batida.
- Como, por favor? – Eu perguntei em descrença.
- É isso mesmo. Rapto.
- Mas...
- O fato de que os Black ignoraram Sirius não muda a responsabilidade que meu pai deveria ter tido. A polícia deveria ter sido notificada, mas meu pai baixou a guarda quando Pads disse que não queria ter que voltar para casa.
Eu percorri o braço de James com os dedos, sem saber realmente o que dizer.
- O advogado de papai disse que se tudo ocorrer como planejado ele será declarado inocente da acusação. Melhor ainda, os Black serão acusados de abandono de incapaz.
- E então?
James levantou meu rosto para ele, um sorriso mais tranquilo apareceu quando ele respondeu;
- O contrato deixado pelo avô de Sirius deixa bem claro que ele deve casar com aquela que seu responsável escolher. Considerando que os Black deixaram de ser uma família para Pads, e que meu pai o criou, alimentou e pagou por sua educação, é provável que ele ganhe a guarda de Sirius. Tornando-se então, o responsável dele.
Eu ri em realização.
- Acho que temos algo em comum afinal.
James olhou-me confuso.
- Nós dois gostamos de dar uma de super herói.
Ele riu.
- De fato. Mesmo que eu não esteja fazendo nada.
- James – Eu sorri – Você já fez tudo.
Então dei-lhe um beijinho carinhoso.
- Agora, você ainda não me explicou como você ficou sabendo disso. Quero dizer, Regulus eu entendo, você usou o meu redPad, mas e quanto à história de Sirius? – Eu indaguei confusa.
James pareceu hesitante por um momento, o que não é nada normal, então perguntou antes de morder o lábio inferior:
- Nesse momento, você é Lily, ou a monitora Evans?
Estreitei os olhos.
Certo, se tem uma coisa que eu percebi nesses meses de convivência com James Potter é que ele sempre – e eu realmente digo sempre – torna-se cauteloso quando apronta uma. E, convenhamos, ele apronta demais. Não tenho certeza se ele já notou que morde os lábios toda vez que acha que está encrencado.
E, oh, James Potter, você definitivamente está encrencado.
Cruzei os braços e minha postura logo mudou.
James gemeu jogando levemente a cabeça para trás.
- Decisivamente monitora Evans. – Ele tentou se afastar temeroso.
Eu agarrei sua orelha e o puxei para perto ignorando os protestos.
- O que você já fez Potter? Nem um tornozelo torcido diminui o seu ritmo?
- Tecnicamente eu não fiz nada. – Ele tentou se explicar.
- Claro, e porcos voam. – Eu revirei os olhos – Diga logo.
No momento seguinte, Gideown e Fabian afastaram um pouco da cortina branca que separa o leito de James dos demais – não que haja outra pessoa na enfermaria – gritando:
- E aí James?
James e eu congelamos no ato, acredito que ele – como eu – pensou que fosse Madame Pomfrey. Se um bolinho me baniria da enfermaria, estar na cama de James – de certa forma puxando-o para mim – acarretaria em castigo com certeza. Assim que percebemos que eram os meninos, nós relaxamos.
- Opa, opa, opa... – Fabian começou.
- ... Nós não queremos atrapalhar os pombinhos. – Gideown tentou parecer embaraçado, lógico que foi uma falha total.
- A gente volta mais tarde. – Fabian disse batendo de leve no irmão com o cotovelo.
- Com certeza... – Gideown falou antes de piscar para mim – Seja responsável Lils.
O travesseiro de James voou na cara de Gideown – com a maior força que é possível um travesseiro voar, não muita obviamente – que riu enquanto eu me tornava um borrão vermelho ambulante.
- Gideown! – Eu exclamei.
Os três garotos riram alto para meu desconforto, e isso só tornou-me mais vermelha, se é que é possível.
- Está tudo bem? – Nós ouvimos Madame Pomfrey perguntar caminhando até nós.
Pela cortina meio aberta, só era possível ver os meninos – já que eu tenho plena convicção de que Madame Pomfrey surtaria se me visse na cama – e Fabian agarrou James pelo pescoço, puxando-o de uma maneira muito bizarra para fora da cortina, parando a enfermeira ao dizer:
- Tudo está perfeito Madame Pomfrey!
- É, o James aqui que ficou muito feliz com nossa visita! – Gideown sorriu bagunçando a cabeleira de James.
- Vocês... – James murmurou enquanto eu ria.
Ela parou e os olhou desconfiada, mas voltou para sua mesa, não sem antes murmurar:
- Essas crianças...
Fabian soltou James, que tratou de voltar ao seu lugar na cama e "arrumar" os cabelos.
Eu o encarei durantes alguns segundos até ele virar para mim:
- O que foi?
- Melhor que isso não fica. – Eu dei uns tapinhas em seu ombro.
- Como poderia? – Ele circundou minha cintura com um dos braços – Eu já sou perfeito.
Revirei os olhos com um sorriso.
- Você está me saindo melhor do que eu imaginava com a noticia.
- Isso é porque eu não estou preocupado, eu disse que vou resolver. Lembra?
- Sim, lembro. – Sorri antes de beijar-lhe o lado do queixo.
Fabian e Gideown limparam as gargantas e eu ri.
- Porque não se sentam? – Perguntei.
- Ótima ideia! – Gideown falou depressa mas Fabian já havia ocupado a única cadeira – Ah qual é?
- Cai fora, ontem você ficou com o travesseiro. – O irmão reclamou.
- Mas eu ganhei de maneira justa!
- E o que eu fiz? – Fabian sorriu provocador – Roubei a cadeira? Tsk, tsk, está ficando devagar irmão.
- Ótimo... – Gideown reclamou sentando-se no chão.
Eu os encarava completamente confusa. Digo, "você ficou com o travesseiro"? Não é como se eu precisasse entrar em uma luta feroz com Tonks e Emmeline – até porque Tonks ganharia – por um quando temos, cada uma, dois à disposição.
- O que quer dizer? – Perguntei ainda da cama de James.
Agora, era vez de os dois encararem-me confusa. Oh, certo, o desespero de James começa a fazer mais sentido.
- James Potter.
- Bem, noite passada o pessoal resolveu... Dormir aqui.
Eu o encarei calada.
- Como?
Ele limpou a garganta e tentou com um sorriso:
- Noite passada os meninos dormiram aqui?
No momento seguinte eu explodi em uma gargalhada. Gideown e Fabian trocaram olhares – provavelmente preocupados com minha sanidade – e James engoliu em seco.
- Perdão. – Eu disse entre golfadas de ar – Eu pensei ter ouvido que os meninos dormiram aqui...
James encarou-me calado.
E foi então que me desceu.
- O que?
Meu namorado tapou minha boca depressa, após meu grito incrédulo.
- Por mais que eu goste dos seus gritinhos, eu os prefiro em privacidade ruiva. – Ele murmurou maroto.
Corei dos pés a cabeça com seu "comentário bosta" – totalmente desnecessário – em frente aos gêmeos que, não perdendo uma oportunidade, entreolharam-se maliciosos e soltaram:
- Não seja por isso... – Fabian começou.
- ... Podemos deixá-los a vontade. – Gideown completou o irmão.
- Meninos! – Eu exclamei.
Gideown riu e Fabian murmurou:
- Agora, lembrem-se que Madame Pomfey estará aqui ainda.
James riu de meu embaraço e encostou-me nele novamente.
- Pois sabe o que acho? – Eu cruzei os braços novamente – Que o plano de vocês é fazer com que eu me esqueça do ocorrido. E advinha? Não vai acontecer.
- Ouch. – Gideown olhou para o irmão apreensivo.
- Manifeste-se agora, James Potter.
James encolheu-se culpado.
- Foi tudo idéia do Pads!
- Como é que é? – Sirius perguntou confuso, Benjamin logo atrás dele.
- Sirius! – Eu exclamei.
Ele ignorou-me de todo e seguiu para o lado da cama onde estávamos aplicando uma gravata em James – que não pode se defender, uma vez que tinha os braços possessivamente ao meu redor – e disse:
- Seu cachorro, nem pense em colocar a culpa em mim!
James riu.
- Sirius, isso é uma enfermaria! – Eu disse tentando ajudar James.
- E daí? Ele arrebentou o pé e não o pescoço. Ainda.
Benjamin riu e veio dar-me um beijinho no topo da cabeça enquanto eu ainda me preocupava com o estado de James.
- Sirius, eu gostaria que James permanecesse vivo. - Falei.
Sirius soltou James com um riso, e beijou o topo da minha cabeça para logo após, acomodar-se junto aos meninos no chão.
- Só porque você pediu – Ele sorriu.
Então James – que já tinha os braços ao meu redor – apoiou a cabeça em meu ombro e murmurou:
- Minha heroína.
- Não pense que isso mudará o assunto James Potter. – Eu ri para então olhar para os meninos que haviam se acomodado ao lado da cama no chão.
- Quem se oferece para explicar o que aconteceu aqui?
Remus olhou crítico para uma parte gasta da parede amarelada – a qual estava ao seu lado – como se fosse a coisa mais interessante do mundo, Sirius se pôs a amarrar – muito lentamente – o seu cadarço, e os gêmeos fingiriam que estavam conversando. Eu olhei para Benjamin e ele rapidamente levantou-se pegando o celular do bolso:
- Oi Emmeline. – Ele disse dando ênfase – Eu queria mesmo falar com você...
Revirei os olhos.
- Pelo amor de Deus Benjamin. Eu sei que você não está falando com ela.
O loiro olhou para mim e afastou o celular do rosto antes de dizer:
- Impossível, eu...
- O celular de Emme quebrou ontem a noite quando ela praticamente o lançou pelo espaço ao puxar suas cobertas.
Eu pude notar as engrenagens na cabecinha de Benjy funcionarem rapidamente, e no segundo seguinte ele falou:
- Como eu dizia antes de você interromper Lily, estou falando com Emmeline pelo celular de Hestia.
Certo, eu tenho que admitir que o cara é esforçado. Lógico que sua memória absurda ajuda, já que ele obviamente lembra que Hesty e Emme disseram semana passada que estariam estudando juntas hoje na biblioteca.
- Remus. – Eu chamei.
Ele permaneceu na mesmo posição em que se encontrava minutos antes.
- Remus.
O maroto olhou concentrado para a parede, - e pelos céus – se eu não soubesse que ele estava usando aquilo para me ignorar eu poderia jurar que ele iria puxar um caderninho a qualquer momento e fazer anotações.
- Remus. – Eu tentei uma última vez.
Aparentemente Remus tem amor a vida, e dessa forma respondeu-me virando-se devagar para mim.
- Sim? – Ele engoliu em seco.
- Eu quero saber.
Certo, então esse capítulo deveria estar maior, só que como já faz muito tempo que não posto, resolvi parar por aqui.
Gente, desculpa mesmo pela demora, Laura Toschi está de PROVA que eu não enrolei. É que as vezes demora mesmo para sair. Aliás, eu gostaria de agradecê-la do fundo do coração pela ajuda. Esse capitulo poderia demorar muito mais sem a ideia maravilhosa que ela me deu.
Por fim, estou indo para a Alemanha agora dia 4, para um curso de alemão intensivo. Sem preocupações, estarei levando o computador junto e continuarei a fic de lá!
Obrigada pelo apoio! (estarei respondendo tudo rapidinho viu?)
Reviews:
Nina Potter: Regulus é horrível sim, é do tipo egoísta. Não sei se ele vê bem a Lily como uma pessoa, acho que seria mais para um tipo de orgulho-macabro, já que ela é namorada do James e não dele. LOL. Empolguei-me um pouco. Obrigada pela review! Beijos!
Milla Pink: Pode querida, bate mesmo! Ele tinha que dar uma de escroto né? James é um lindo de morrer que não merece sentir dor. Ah, Remus estará fazendo o pobre coraçãozinho de Tonks bater dobrado. Sirius devia ter dito logo né? Mas nããoo. Poxa muito obrigada mesmo! Beijos!
Thayna Oliveira: Descuulpa pelo atraso! Morri com seus elogios, de verdade! Uma das melhores? Isso é muita coisa mesmo porque tem fics muito boas por aí! Obrigadaobrigada! Beijos!
Clarizabel: Muitíssimo obrigada pela correção! Assim que eu gosto, pessoas com cultura xD Eu não teria pensado nunca em reler, to sem beta e isso atrapalha um pouco. Gente, meu irmão é LOUCO por StarWars e (lógico né?) eu tenho que gostar também porque teve uma época que ele só queria ver esse filme. Mais uma vez, agradeço demais! Beijinhos e desculpe pela demora!
Maga do 4: Ah Lily é possessiva mesmo. (Tem que ser né? Com um pedaço desse!) O James se derrete todo quando ela tem esses ataquezinhos. Huahauhaua. Tempo ta pooodre, eu mal comecei a faculdade e meus pais já querem que eu passe em um concurso. Então o tempo livre vai mais pra livros mesmo. Beijos!
Sarah Weasley Potter Black: Oooi! Eu sei, eu sei. Sumi de novo. Huhauahauha. É que o tempo vai ficando mais e mais apertado e simplesmente não sai o capitulo! Meu Deus, não sei quantas vezes reescrevi isso! Obrigada! Beijos!
Paola: Desculpa pelo atraso! Aqui está! Beijos!
Luu Higurashi Potter: Ainda está por aí? Huahuahuaha. Não vou te chamar de louca, eu tava doida pra por uns probleminhas na vida dessas pessoas maravilhosas. Né? Ele tinha que ter uma noiva? Lene não vai gostar nada disso. Vou tentar postar o mais rápido que der, se o tempo permitir. Obrigada pelo apoio! Beijos!
Mariana J: TRÊS HORAS? U-a-u, você tem mesmo paciência hein? Confesso que se eu visse minha fic no fanfiction e ela tivesse mais te 10 capitulos eu não leria ahuahuahauha. Mas que bom que você não é como eu! Caaalma, você vai ver esses dois finalmente se acertando. É que eles são meio lentinhos mesmo. Huauahua. Lene já está estressadíssima, mas vamos ver como tudo se resolve. Obrigadaobrigada! Beijos!
Pink: Oooi! Juro que esse capitulo deveria ser mais longo! Só que já estou tanto tempo sem postar que vão ser assim mesmo! Hahahahahaha. Obrigada pela review e pelos elogios! Beijos!
Ninha Souma: De fato, as reclamações do James são deliciosas. Nossa, eu já disse como adoro quando você faz uma leitura psicológica dos personagens? Pois, eu adoro! Muito obrigada pela review! Beijos!
Flor Cordeiro: Não se preocupe, pode demorar o quanto quiser! Obrigada pela review! Beijos!
Mari: Hahahahaha, não se preocupe! Prometo que não vou abandonar a fic! Desculpe pela demora! Beijos!
Feer Prongs: Te mando um PM, baby pra responder com calma! Beijos!
Lily Prongs Evans: KKKKKKKK ri demais do seu pM. Mando um quando sair da aula mais tarde viu? Beijos!
Allie687: Poxa muito obrigada mesmo! Prometo que vou tentar postar rapidinho viu? Beijos e obrigada pela review! *.*
Nanda Grace: Não se preocupe, o Regulus pagará! Lentamente. Muito obrigada por ler, e pelas reviews! Assim que der, posto o próximo! Beijos!
Mariana J: Desculpa pela demora! Foi sem querer mesmo! Espero que goste! Beijos!
Gina e Harry Potter: Adorei os elogios! Muito obrigada! Postarei o próximo assim que der, com promessa de mais Sirius e Lene e Remus e Tonks! Beijos!
Geovana Potter: Desculpe pela demora! Que boom que você gostou, fico muito feliz! Obrigada pela review! Beijos!
Cris Turner: Oi! Poxa muito obrigada pelos elogios! (o leilão foi um surto, que acabou dando certo rsrsrs) Sinto muito pela demora! Espero que goste, beijos e obrigada pela review!
Tiff Prongs: Calma! Eu demoro mais posto! Rssrsrsrs, obrigada pelos elogios, vou tentar postar mais depressa! Beijos!
Lady Mary Potter: Poxa muito obrigada! Desculpe, sinceramente pela demora. Espero que goste, beijos e obrigada mesmo pela review!
Lilian Elizabeth Evans: Desculpe pela demora! Que bom que você está gostando, beijos!
Evellyn Rodrigues: Nossa, muito obrigada pelos elogios. Acabei tendo um bloqueio horrível, graças a Deus tenho algumas ideias de como seguir, não se preocupe que não paro não. Obrigada pela review! Beijos!
MariJalles: Nossa moça, sua review foi tão incrível que eu reli! Morri 50 vezes com todos os elogios (como minha amiga tem mania de "contar" quantas vezes ela morreu eu também vou fazer). Eu admito que tenho um certo medo de escrever uma com magia e deixar passas detalhes importantes desse mundo mágico que tanto amamos. Então sou meio covarde e fico no UA mesmo. Ri demais com toda a sua narração, sobre como estava tarde e a bateria do celular descarregando, parece comigo quando estou lendo fic! (rsrsrsrsr) Vou ser sincera com você e dizer que ainda não tenho um cargo em mente, terminei o 3 periodo agora. Mas eu prometo que digo assim que decidir. Muitíssimo obrigada pela sua review maravilhosa! Beijos!
Perdão pelos erros!
Lalah-Chan
