Capítulo 14- Implacável destino

- Está nervoso?- indagou Kate a James, apertando sua mão suavemente. Os dois estavam no abrigo público para menores onde Clementine vivia desde a morte de sua mãe. Aguardavam por Libby e a assistente social em uma saleta de espera.

- Um pouco.- James respondeu apertando a mão dela de volta. – Mas estaria mais nervoso se você não estivesse aqui sardenta. Você sempre teve o poder de me deixar mais calmo nas piores situações.

Kate riu levemente e marcou-lhe a face com um beijo estalado.

- Não se preocupe, James. Quando sua filha o vir vai se apaixonar por você como eu me apaixonei.

James abriu um lindo sorriso para ela e puxou-a pela nuca, beijando-a nos lábios. Libby e a assistente social entraram na saleta nesse exato momento. O barulho da porta se abrindo separou os dois que sorriram embaraçados para as duas mulheres que entraram.

- Kate!- exclamou Libby. – Que bom vê-la depois de tanto tempo!

Kate levantou-se e sorrindo para Libby deu-lhe um abraço apertado sem cerimônias. As duas não foram grandes amigas na ilha, mas de um modo geral se davam bem e para Kate cada pessoa que vivera com ela naquele lugar ermo tinha um lugar especial em seu coração.

- James me contou que você e o Hurley se casaram.

- James?- Libby estranhou por alguns momentos.

- O Sawyer!- disse Kate compreendendo a estranheza dela.

- Sim, o Sawyer é claro, é que não me acostumo a chamá-lo por seu nome verdadeiro. Sim, no dia em que nos encontramos ele falou que estavam juntos e que esperam um bebê.

- Sim.- Kate confirmou, alegre, acariciando o próprio ventre instintivamente.

- Eu e o Hugo temos um garotinho levado. Vocês tem que conhecê-lo.- Libby voltou-se para a mulher que a acompanhava. - Mas bem, esta é a assistente social responsável pelo caso de Clementine, Lisa Stanford.

- Olá!- saudou Lisa, apertando a mão de Kate e em seguida a mão de James. Depois dos cumprimentos, ela foi direto ao assunto. – Sr. Ford, creio que temos um assunto delicado aqui. Não questionarei seus motivos para não ter feito parte da vida de Clementine durante esses oito anos até porque a Dra. Thompson já me pôs a par de alguns fatos como o seu isolamento temporário em uma ilha do Pacífico, mas é necessário que o senhor me responda a algumas perguntas antes que eu o leve para conhecer sua filha.

- Estou às ordens.- respondeu James sem saber o que dizer.

- Tendo em vista que o senhor pagou religiosamente uma pensão de alto valor aquisitivo para sua filha desde que ela era bebê, gostaria de saber se a mãe dela, Cassidy Philips tinha conhecimento de que era o senhor quem mantinha essa ajuda financeira?

- Não, Cassidy não fazia idéia porque quando estipulei a pensão deixei registrado que não queria que ninguém soubesse que era eu quem enviava os cheques.

- E por que o senhor tomou essa decisão?

- Meu relacionamento com Cassidy foi muito conturbado. Eu levava uma vida muito desregrada, posso assim dizer, antes de sofrer o acidente de avião e ir parar naquela ilha. Eu soube da existência de Clementine quando estava preso no Novo México por diversas acusações de fraudes.

- Sim, eu li sua ficha e o senhor possui uma lista extensa de antecedentes criminais.- disse a assistente social, sem rodeios. – Assim como sua esposa. Acusações graves, eu devo dizer.

- Isso é verdade, senhorita. Mas se consultou minha ficha com atenção deve ter visto que desde que retornei à civilização meu comportamento tem sido exemplar, assim como o de minha esposa. Tenho casa própria e um emprego fixo em Bexar County no Texas, minhas referências são as melhores.

- Observei isso senhor, mas este fato me leva a fazer-lhe outra pergunta. Se estava disposto a levar uma vida honesta depois que retornou da ilha porque o senhor não procurou Clementine e sua mãe?

- Eu não tinha o menor interesse em reatar o meu relacionamento com Cassidy, principalmente porque eu já estava envolvido com a sar...digo com a Kate e como a Cassidy continuava recebendo corretamente o dinheiro da criança como pude constatar ao visitar o banco, eu achei melhor continuar me mantendo afastado. De repente a Cassidy podia ter outro marido e a pequena achar que este homem era o pai dela, e a minha aparição repentina poderia interferir negativamente na vida de Clementine.

- È uma boa resposta, devo admitir.- disse Lisa após alguns momentos de silêncio crucial onde James, Kate e Libby ficaram muito apreensivos. – Bem, minha decisão não pode ser outra senão liberar a guarda de Clementine para o senhor que é o pai legítimo dela. Tendo em vista que sua vida durante os últimos cinco anos tem sido estável tanto no plano material como no emocional já que tem uma esposa e logo terá outro filho eu acredito que Clementine estará em boas mãos.

- Podemos conhecê-la?- perguntou Kate, de repente percebendo-se mais ansiosa do que James para conhecer a menina.

- Sim, é claro.- respondeu Lisa. – Cuidaremos dos trâmites jurídicos depois. Eu estou autorizando que vocês levem Clementine para passar dois dias em sua companhia para ver se ela começa a se adaptar. A Dra. Thompson poderá ajudá-los com isso. Mas devo adverti-los que desde a morte de sua mãe Clementine não socializa com ninguém e nem pronuncia uma única palavra.

James trocou olhares significativos com Kate, agora estava mais nervoso do que quando entrara no abrigo, mas enchendo-se de coragem ele segurou a mão da esposa firmemente e seguiu Libby para a brinquedoteca onde Clementine se encontrava naquele momento.

Assim que viu a menina pela primeira vez, James foi tomado por uma emoção que não pensou que fosse sentir. Sua filha Clementine era a criança mais linda que já vira. Estava sentada em um sofá assistindo a um desenho na tv abraçada a uma boneca de pano. Seus cabelos loiros e longos estavam presos em duas "maria-chiquinhas", seus olhos verdes mostravam o brilho inconfundível que ele vira uma vez no olhar de sua mãe e de repente lamentou-se imensamente pela morte de Cassidy.

- Clemen, querida, venha cá!- chamou Libby. – Quero lhe apresentar duas pessoas muito especiais. Lembra-se que eu lhe falei deles?

Clementine tocou o narizinho arrebitado com a ponta do dedo indicador, dizendo a Libby que se lembrava.

- Então querida.- ela puxou a menina pela mãozinha. – Este é o seu pai e a esposa dele, Kate.

Clementine ficou lá parada diante deles sem demonstrar nenhum tipo de reação. Foi Libby quem quebrou o silêncio.

- Docinho, eu vou deixar você um pouco com eles, tá bom? Eu volto logo.

A menina fitou Libby com ar de súplica para que ficasse, mas a terapeuta deu-lhe um abraço carinhoso e sussurrou em seu ouvido:

- Vai ficar tudo bem querida, você vai ver. Eu prometo que voltarei logo.

Assim que Libby saiu, Clementine afastou-se do casal que a observava com tão extremado interesse e voltou a sentar-se no sofá abraçando a boneca. James olhou para Kate, não sabia o que fazer, por isso ela tomou a iniciativa e sentou-se ao lado de Clementine no sofá.

- Oi querida, meu nome é Kate.

Clementine olhou para ela, mas nada disse ou fez. Kate sorriu para ela e indagou:

- Esta é a sua filhinha?

Para a surpresa de Kate, a menina tocou o narizinho, assentindo.

- Ela é linda, como você! Posso segurá-la?

A menina finalmente sorriu para Kate e entregou-lhe a boneca. Kate aconchegou a boneca junto ao peito como se carregasse um bebê e fez um sinal discreto com o dedo para que James se aproximasse. Com um certo receio, ele se aproximou e sentou do outro lado de Clementine. Ela virou-se para olhar para ele e James disse, com a voz trêmula:

- Oi, pequena! Quer dar uma volta conosco? Podemos levá-la aonde quiser.

Clementine olhou para Kate que assentiu sorrindo, confirmando o que James acabara de dizer. James levantou-se do sofá e abriu-lhe os braços ternamente.

- Venha, querida!- ele pediu e a menina ficou olhando para ele decidindo-se por alguns segundos se ia ou não. Ela estava desconfiada, sua mãe jamais dissera a ela sobre seu pai, mesmo tendo perguntado uma porção de vezes. Certa vez, mexendo nos pertences da mãe ela encontrara uma foto dele, o mesmo homem que agora lhe abria os braços. Sua mãe mentira dizendo que aquela foto era de um amigo, mas agora Clementine sabia que se tratava de seu pai, o que só confirmava a certeza que tivera quando encontrara a foto. E quando descobriu que a mãe jogara a única foto do homem que ela imaginava ser seu pai no lixo não hesitou em pegá-la e guardá-la, fantasiando todos os dias que aquele era o seu pai.

Por isso não hesitou em levantar-se do sofá e aceitar o abraço que ele lhe oferecia. A morte de sua mãe trouxera-lhe um sentimento de solidão terrível, e ela sentiu muito medo de ter que viver em um orfanato para sempre, mas seu pai estava ali para salvá-la e era tudo o que importava. James ficou emocionado quando a menina pequena jogou-se em seus braços e a carregou em seu colo tentando conter as lágrimas que teimavam em escorrer por seu rosto. Imaginava como ela deveria estar se sentindo, como ele próprio se sentira ao perder os pais. Olhou para Kate e lançou-lhe um olhar de gratidão, o que seria dele sem ela? De todas as pessoas daquela ilha ela havia sido a única que acreditara que existia algo de bom nele. Kate o transformara em uma pessoa melhor e ele a amaria por isso por toda a vida.

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- Pulso?- indagou o médico a uma das enfermeiras que o auxiliavam na sala de emergência do St. Sebastian.

- Está fraco doutor! Precisamos aumentar a pressão e estabilizar a paciente!

- Certo, eu quero uma seringa de 5 ml de...

Jack entrou na emergência para solicitar a presença de mais um enfermeiro em sua ala quando viu que havia uma grande quantidade de enfermeiros em cima de uma mulher desacordada enquanto o médico plantonista, Dr. Lucas Ashton a examinava com uma ruga de preocupação em sua testa.

- Leo, o que está acontecendo? O que aconteceu com ela?- indagou curioso ao enfermeiro que preparava apressadamente a seringa exigida pelo Dr. Ashton.

- Não sabemos ao certo, acabaram de trazer essa moça. A encontraram desmaiada em seu quarto. Parece que ingeriu uma grande quantidade de duritreptano, acabei de enviar uma amostra do sangue dela para o laboratório a pedido do Dr. Ashton, mas ele acredita que foi tentativa de suicídio.

O enfermeiro voltou correndo para perto da paciente e entregou a seringa para o médico. Os enfermeiros que se aglomeravam ao redor da mulher deram espaço para que o doutor lhe aplicasse o medicamento e Jack pôde observá-la melhor. Engoliu em seco, era Ana-Lucia. Aproximou-se rapidamente, indagando ao Dr. Ashton:

- Quadro clínico?

- Pulsação fraca, sinais vitais também fracos, mas com a seringa que acabei de aplicar acredito que o quadro irá se estabilizar aos poucos.

- Leo disse que ela ingeriu grande quantidade de duritreptano?

- Sim, a mãe dela encontrou um frasco vazio próximo à cama, é tudo o que sei. Mas já mandei a amostra de sangue pro exame toxicológico.

Nesse momento chegou à emergência um garoto com a perna gravemente fraturada e Lucas era o único médico plantonista naquele horário. Jack disse a ele:

- Vá Ashton, atenda o garoto, eu cuidarei dela.

- Certeza? Porque eu ia mandar chamar a Dra. Bride pra me ajudar.

- Não, está tudo bem. Eu cuidarei dela.

Lucas se afastou indo atender o menino que chorava desesperado com a mãe ao seu lado. Jack fitou Ana-Lucia desacordada e checou os sinais vitais balançando a cabeça negativamente:

- Ana, o que você fez?

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- O que vamos fazer, princesa?- indagou Sayid a Shannon, bem-humorado enquanto ela penteava os cabelos diante do espelho da penteadeira. As crianças pulavam alegremente na cama, brincando de empurrarem um ao outro.

- Você é quem sabe!- Shannon respondeu muito séria, sem dar-lhe atenção.

Sayid ajoelhou-se ao lado dela e beijou-lhe o pescoço ternamente. Shannon sentiu um arrepio involuntário, mas manteve-se passiva.

- O que você tem, amor? Diz pra mim!

- Não tenho nada!- disse com rispidez que não passou desapercebida a Sayid.

- Droga, Shannon!- ele explodiu. – Não agüento mais todo esse mau-humor! Já estou cheio disso!

As crianças se assustaram com a explosão de raiva do pai e sentaram-se na cama, ficando bem quietinhas.

- Por que está gritando comigo?- Shannon inquiriu com os lábios tremendo.

- Porque você me tira do sério!- ele baixou o tom de voz, mas sua ira continuava implacável. – Eu faço tudo o que você quer, te cubro de jóias e de mimos, não te falta nada, o que mais você quer Shannon, o quê?

- Eu quero o homem por quem me apaixonei, o homem que disse que me amava e ficaria do meu lado pra sempre!- ela respondeu com um soluço abafado.

- Quando foi que eu deixei de ser esse homem?

- Pergunte a si mesmo!- ela respondeu com um olhar tão triste que Sayid sentiu seu coração se despedaçar aos pouquinhos dentro do peito.

E Shannon não lhe deu mais atenção, se dirigindo às crianças.

- Hey, que tal mamãe levar vocês pra passear no shopping?

Os pequenos sorriram e pularam no colo da mãe abraçando-a ao mesmo tempo.

- Nós já vamos, deixem-me apenas colocar o véu. Mas fiquem quietinhos, estão amassando a roupa de vocês e mamãe quer seus filhinhos muito elegantes.

- Sabe que não precisa usar o véu no ocidente!- disse Sayid tentando demonstrar uma calma que não sentia.

- Sei disso, mas prefiro usar assim mesmo. Não quero que nenhum de seus amigos investidores me encontrem por aí e digam a você que sua esposa só o envergonha.- Shannon colocou o véu de seda branco estampado com florzinhas amarelas sobre os longos cabelos loiros escovados e deixou apenas a franja para fora. Em seguida pegou os filhos pela mão e saiu do quarto, deixando Sayid sozinho tentando entender o porque que seu casamento estava desandando se Shannon era a mulher de sua vida.

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Horas depois de ser atendida na emergência do hospital St. Sebastian, Ana-Lucia recobrou a consciência. Abriu os olhos devagar sentindo a cabeça latejando e fitou demoradamente o teto branco do hospital tentando entender onde se encontrava. Ao perceber que Ana acordava, Raquel largou a revista que estava lendo para passar o tempo e fitou a filha com olhos zangados.

- O que aconteceu?- Ana indagou com a voz grogue devido à grande quantidade de medicamentos que havia ingerido.

- Simples, você tentou se matar!- respondeu Raquel com lágrimas nos olhos. – Pero Gracias a Dios não conseguistes teu intento!

- O quê?- Ana-Lucia estava incrédula, jamais passara por sua cabeça cometer suicídio, apesar da dor enorme que sentia pela morte do marido. – Que está dizendo, madre? Eu não tentei me matar.

- E todo o duritreptano que você foi capaz de ingerir depois de ter passado a noite inteira bebendo? Liguei para o Jose, ele confirmou que você passou da conta no bar.

- Devo ter bebido demais mama, mas não me lembro de ter tomado o duritreptano, não mesmo. Eu só me lembro de ter sonhado com o Danny.

Raquel puxou uma cadeira, trazendo para bem perto da filha e acariciou seus cabelos, sua expressão zangada se suavizando.

- Ana, eu estou muito preocupada com você. Está agindo de modo estranho e tenho medo que dessa vez eu não possa livrá-la de uma internação.

- Internação?- Ana assustou-se. – Do que está falando?

- Você sabe do que estou falando. Quando você levou aquele tiro que a faz perder seu bebê, você enlouqueceu hija, nem o Danny agüentou viver mais com você e te deixou. Você passou meses sobre tratamento e quando voltou à polícia ainda estava desequilibrada, e por conta disso cometeu outros erros que te levaram a ir parar naquela ilha e algo me diz que mesmo lá você cometeu muitos outros erros Ana. O que quer que eu pense? Que sua sanidade está ameaçando deixá-la!

- Como pode dizer isso pra mim, madre? Não tem idéia do que eu passei naquela ilha, cometi erros sim, mas a senhora não estava lá para saber o quanto sobreviver a cada dia era difícil. Se não fosse pela Èrica, eu...

- Conte-me sobre o pai de Èrica!- Raquel exigiu. – Quem ele é?

- Agora já não importa mais, porque ele morreu na ilha com um tiro.- Ana mentiu, não queria sua mãe sondando a paternidade de Èrica, ainda mais agora que Sawyer estava em Los Angeles. Sim, bebera muito no bar do tio na noite passada, mas lembrava-se perfeitamente de ter conversado com Sawyer. Ou teria sido um devaneio de sua mente perturbada?

- Eu não acredito em você.- disse Raquel depois de ouvir a resposta de Ana. – O pai de Èrica está vivo, você sabe onde ele está, mas não quer me dizer.

- Suponhamos que isso seja verdade. Que benefício ir atrás dele conseguiríamos para Èrica? Meu salário na polícia é muito bom, não preciso de pensão alimentícia para minha filha.

- Não, você não precisa. Mas precisa de amor!

- O quê?

- È isso o que você ouviu. A única coisa que a manteve sã durante esses cinco anos foi o amor que Danny lhe dava, embora eu achasse que você nunca o correspondeu à altura!

- Madre!- Ana protestou, assustada com os comentários da mãe.

- Não fique tão assustada com o que estou lhe dizendo. Sei que deve haver tido um bom motivo para se deitar com o homem que engravidou você naquela ilha. Então me responda você o amou?

Ana-Lucia mordeu os lábios, aquela conversa com a mãe estava abrindo velhas feridas que ela julgou estarem cicatrizadas e ela precisava desabafar de alguma forma.

- No início não.- respondeu por fim.

Raquel segurou suas mãos com firmeza.

- Mas depois, aconteceu tanta coisa e quando percebi, eu o estava amando e me odiava por isso porque ele nunca sentiu o mesmo por mim.

- Como sabe disso, cariño?

- Porque eu sei!- Ana respondeu com ênfase. – Mas eu amei o Danny mama, muito mesmo. Fui fiel a ele durante todos esses anos.

- Não estou questionando a sua fidelidade conjugal, e sim a fidelidade do seu coração. Você deixou de amar o pai de Érica?

Dessa vez Ana não respondeu porque realmente não tinha uma resposta para aquela pergunta tão difícil. Raquel insistiu.

- Ana, me diga o nome do pai de Èrica. Diga-me quem foi o merecedor do amor de Ana-Lucia Cortez?

- Esqueça, madre. Esqueça tudo isso, por favor. Eu prometo que vou melhorar daqui pra frente, vou parar de fazer bobagens, mas nunca mais quero tocar nesse assunto. O que disse ao sargento Hondo sobre minha ausência no treinamento hoje?

- Hondo é um grande amigo meu, tive uma conversa sincera com ele e ele vai te dar mais uma chance, mas não faça isso outra vez, Ana-Lucia!

- E a Èrica?

- Está muito assustada. Foi ela quem te encontrou desacordada na sua cama, achou que estava morta.

- Dios madre, quero vê-la!

- Ela está lá fora com a Lupe, eu não quis mandá-la para a escola desse jeito, ela está muito nervosa. Vou trazê-la!

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Kate estava muito feliz porque Clementine aparentemente estava se dando bem com James. Apesar da menina não falar nada, ela percebia um interesse genuíno da criança em conhecer o pai e pela primeira vez desde que tinha chegado a LA sentiu que tudo ficaria bem e que em breve retornaria à Bexar County com o marido, Clementine e sua mãe e seriam uma família feliz como ela sempre quis.

Depois de terem passeado algumas horas no parque de diversões do shopping, Kate lembrou a James que tinha de ir ao St. Sebastian ver sua mãe. Como havia uma sorveteria do outro lado da rua, ele propôs que ela fosse ver Diane enquanto ele levava Clementine para tomar um sorvete. A menina não demonstrou problema nenhum em ficar sozinha com o pai, por isso Kate atravessou a rua tranqüila e adentrou o St. Sebastian indo direto para o elevador. Entrou sem olhar para trás e alguém entrou logo atrás dela. Assustou-se ao ver quem era.

- Jack!- exclamou aborrecida, não queria vê-lo, não depois da horrível conversa que tiveram na ponte na noite anterior.

- Parece que o destino anda do meu lado ultimamente.- ele comentou com um sorriso charmoso que deixou Kate incendiada, mas ela não cedeu e se afastou dele.

- Eu vou pegar outro elevador.- disse, determinada.

No entanto, quando foi apertar o botão para sair do elevador, ele parou de súbito. E as luzes se apagaram restando apenas uma bem fraca de emergência.

- O que aconteceu?- Kate indagou.

- Queda de energia!- Jack respondeu tentando acionar algum botão que abrisse a porta do elevador.

- Maldito destino!- Kate bradou.

Continua...