Título: A Razão na Emoção

Autora: Lab Girl
Beta: Thais
Categoria: Bones, B&B, 6ª temporada, angst, hurt/comfort, drama, romance
Capítulo: 13/?

N/A capítulo 13: Espero que este capítulo mexa com vocês tanto ou mais do que o anterior. Não deixem de me dizer o que acharam após a leitura ;)

Meus agradecimentos vão para minha Beta, sempre técnica e eficiente na revisão do texto.


CAPÍTULO 13


Temperance Brennan ouve os próprios passos ecoando no piso do estacionamento do Jeffersonian. O lugar está vazio, a maioria dos carros ainda por ali, já que muitos funcionários do Instituto almoçam nas proximidades.

Ela, porém, decidiu que hoje vai almoçar longe dali. Para evitar as lembranças. E os encontros inesperados.

Suspirando, Brennan pega a chave do carro dentro da bolsa. O momento a distrai o suficiente para que ela seja surpreendida por um movimento rápido a sua esquerda.

Os olhos da antropóloga vão na direção do movimento e a chave do carro cai aos seus pés com ruído. Por uma fração de segundos, ela sente um frio tomar conta do corpo, exatamente como alguns anos atrás, quando foi surpreendida ali mesmo, por Heather Taffet...

"Fique tranquila. Sou eu" a voz masculina familiar chega aos ouvidos dela e quando o homem surge à sua frente, ela sente primeiramente alívio.

Porém, a sensação logo dá lugar a outra – indignação. Ele estava ali esperando por ela?

Brennan decide ignorá-lo. Ela se abaixa para pegar a chave do veículo, mas Booth é mais rápido e se apodera do objeto, que estende a ela.

"Desculpe, eu não queria lhe assustar. Mas foi o único jeito que encontrei para falar com você."

Os olhos dela o encaram por um instante... mesmo sem querer. Ele continua com a chave estendida. Brennan toma o objeto da mão dele com rapidez e faz menção de ir na direção do carro.

"Por favor, Brennan" a voz dele a impede de dar um passo. "Podemos sair para comer alguma coisa e conversar..."

"Não" ela consegue finalmente falar.

Decidida, Brennan passa por ele e se dirige ao carro estacionado a alguns passos. Booth, no entanto, não desiste. Ele corre atrás dela.

"Bon-Brennan!" o agente insiste, alcançando o veículo antes dela. Apoiando a mão no teto do carro, ele a encara. "Você tem todo o direito de estar com raiva, de estar magoada comigo. Mas eu, sinceramente, não acho que me evitar vai fazer isso passar."

Ela tem vontade de empurrá-lo, de mandá-lo embora. Só que, de alguma forma, sente que Booth tem razão. Ela passou os últimos dias evitando as ligações dele, e até mesmo fugiu quando o encontrou na rua no outro dia... porém, isso não fez a dor diminuir.

Brennan suspira. "O que você quer?"

"Conversar" Booth tenta novamente. "Uma chance de me explicar..."

"Explicar o quê?"

"Que eu não fui o culpado pela publicação daquela matéria no jornal" só a menção disso faz Brennan mexer-se de modo desconfortável, o que Booth percebe sem dificuldade e trata logo de emendar, "Eu errei ao dizer que Max era seu pai. Forneci um nome, sem querer. Mas nunca cogitei que ele fosse suspeito pela morte da Taffet."

Brennan sente os dentes mordiscarem a língua. Lembrar daquela situação é tão incômodo quanto foi vivenciá-la. A lembrança de ler a manchete naquele jornal ainda a deixa indignada.

"Eu não quero falar a respeito disso" ela responde friamente.

"E vamos continuar nos tratando como dois estranhos?" ele sente a ansiedade tomar conta. "Como se nunca tivéssemos sido amigos?"

"Foi assim que você agiu nos últimos tempos" o olhar dela queima ao encará-lo.

"Não seja injusta, Bon-" ele morde a língua, "Brennan. Eu me afastei, reconheço... mas não totalmente."

Ela não quer ouvir mais do mesmo. Ignorando o braço que ele mantém sobre o teto do veículo, ela destrava a porta e faz menção de abri-la. "Por favor, me dê licença."

Booth não vai facilitar as coisas, porém. Ele finalmente a tem diante de si. Esta é, talvez, sua única chance, e ele não vai deixá-la passar. Firme, sem sair um centímetro do lugar, ele a encara.

"Tudo bem. Eu não vou forçar uma conversa sobre nós. Mas você precisa saber que agora existe um suspeito da morte de Taffet."

Os olhos de Brennan ficam visivelmente maiores em surpresa e curiosidade. Porém, ela não precisa sequer perguntar - percebendo que agora tem a total atenção dela, Booth prossegue, sem deixar de encará-la.

"Consegui chegar a um suspeito e tenho certeza de que ele é o responsável."

A notícia pega Brennan de surpresa, trazendo um alívio inesperado. Se Booth está lhe dizendo que conseguiu chegar a um responsável, ela sabe que é verdade. E sabe o que a informação significa. Seu pai não é culpado.

"E de quem se trata?" ela não consegue evitar a pergunta.

"Jacob Broadsky. Um ex-franco atirador das Forças Especiais. Ele foi meu professor. Está foragido há alguns anos por ter matado um rebelde sem autorização superior numa missão especial. Dei o nome dele ao Cullen. Como estou afastado do caso, não há muito que eu possa fazer."

Brennan sente pesar por ele. Por pior que tenha sido o desentendimento dos dois, ela sabe que não há agente melhor para solucionar aquele caso. No entanto, não lhe resta alternativa a não ser esperar que os responsáveis pela investigação sigam a pista que Booth forneceu. E que ele esteja certo.

No momento, porém, ela é obrigada a reconhecer o esforço dele. Mesmo afastado, Booth parece não ter deixado a investigação de lado. Pelo menos no tocante ao nome de seu pai... ele conseguiu livrar Max de qualquer acusação trazendo o nome de um suspeito em potencial.

"Mas, por que é que tem tanta certeza de que foi esse tal Broadsky o responsável?"

Booth abre a boca para responder, porém é interrompido pelo toque do celular. Ele bufa, pegando o aparelho no bolso da jaqueta, pensando em ignorar a chamada. No entanto, ao ver rapidamente no visor o número de um velho conhecido, decide que talvez seja melhor atender.

"Desculpe..." ele balbucia para a ex-parceira antes de atender. "Booth."

Brennan fica parada, observando-o.

"Olá, Ned. Não... como?" Booth franze o cenho. "Não, eu não comprei terra alguma. Tem certeza? Estão no meu nome?"

A antropóloga percebe a mudança do agente, que aperta o telefone junto à orelha. Há algo errado.

"Eu não pedi nada disso, Ned" Booth balança a cabeça.

"Mas está aqui a solicitação, Seeley. E o registro das terras em seu nome, assim como o pedido de regularização da metragem recém adquirida. Eu não estou mentindo."

"Não, eu sei que não" Booth suspira. "É que realmente eu não sei do que se trata."

"Estão no seu nome" o homem do outro lado insiste. "Eu vi hoje o seu pedido de regularização aqui no cartório e, como já está tudo pronto, resolvi ligar para avisá-lo."

"Eu agradeço a preocupação, mas tem coisa errada nisso."

"Bom, se alguém pode dizer é você, que é o agente da lei" Ned brinca, bem humorado.

"E é justamente o que eu pretendo fazer: checar. Pode me passar o endereço dessas terras?"

"Claro!"

Retirando o bloco de anotações do bolso interno da jaqueta, Booth escreve as coordenadas que o colega lhe passa.

"Ok. Obrigado, Ned. Entro em contato depois."

Brennan, que estava prestando atenção à conversa e às alterações de humor e expressão de Booth, o vê encerrar a ligação. "O que está havendo?"

"Era um velho conhecido. Ned Holland. Ele trabalha num cartório de registro imobiliário. Ele me ligou para dizer que um pedido meu de regularização de terras ficou pronto. Mas eu não tenho terra alguma. Embora ele insista que existe um registro em meu nome."

Brennan percebe, então, o porquê da reação de Booth, ela própria ficando instantaneamente intrigada. "É muito estranho."

"Bastante" Booth meneia a cabeça em concordância. "Eu vou agora mesmo até o local apurar o fato."

"Eu posso levá-lo até lá" para a própria surpresa, Brennan, mesmo sem querer, preocupa-se. "Afinal, com o seu afastamento do serviço você está sem o veículo do FBI."

Booth sente uma pontada de alegria ao perceber que ela ainda se importa com ele. Mas ela logo emenda...

"E eu lhe devo o favor por ter descoberto o verdadeiro suspeito da morte de Taffet e livrado o meu pai."

"Eu não fiz nada" ele responde, modestamente.

Ela, porém, ignora-o totalmente e abre a porta do carro. "Entre."


~.~


Meus agradecimentos especiais a todos que me enviaram review do capítulo passado *.*

E sobre a fanfic "Os Corações da Questão", não se preocupem, eu pretendo retomá-la logo. Só preciso de um tempinho para organizar as ideias da história aqui ;)

Beijos e até o capítulo que vem!