A DOR DE UMA TRAIÇÃO

CAPITULO 13 – AS MULHERES COMANDAM!!

Conforme dissera a Seiya Augusto, Carla Electra foi se informar melhor sobre os credores do Haras. Marcou uma reunião com Penélope Maria e tiveram uma conversa produtiva. As duas chegaram a um acordo em que o Haras ficaria em nome do Seiya e este seria o sócio majoritário.

A notícia da compra do Haras pelo Seiya Augusto caiu como uma bomba sobre Ikki Manuel. O mais difícil foi explicar para Shun Daniel que eles tinham perdido o Haras por causa de dívidas de jogo e agora iriam ser despejados. Ikki chegou a não muito sutilmente ameaçar Seiya, mas Penélope já estava mais do que preparada para tal atitude: entrou no Haras com os gêmeos.

-O que veio fazer aqui, sua vagabunda?

-HA! Essa é boa. Você que apronta e eu que sou vagabunda? Vim garantir sua saída da minha propriedade.

-Sua propriedade?

-Sim, querido. Seiya Augusto é meu testa de ferro, mas a dona sou eu. Portanto, arrivederci, como se diz na minha terra. Adios, sayonara. Pegue suas trouxas e suma. Desapareça do planeta, se possível. Nem pense em ameaçar Seiya Augusto de novo. Não vai ser bom pra SUA saúde.

Essa última frase arrancou um sorriso de Saga Valentim e Kanon Vicente e provocou arrepios em Ikki Manuel.

Seiya, entretanto, foi conversar com o patrãozinho mais novo:

-A dona Penélope ta coberta de razão por alguns motivos, mas eu não queria por o patrãozinho na rua. Se o señor quiser, eu falo pra ela que preciso de um veterinário de confiança aqui e o señor fica.

-Muita bondade de sua parte, Seiya Augusto. Mas eu não quero dever nada para aquela mulher. Apenas gostaria de ficar em sua casa uns dias até ajeitar um lugar pra ficar. Com meu irmão, impossível.

-Claro, patrão Shun.

-Eu já não sou mais seu patrão, Seiya Augusto. Aliás, se eu aceitasse seu emprego de veterinário, quem ia ser meu patrão era usted, já pensou?

-Madre de Dios! E num era que ia ser mesmo? Ah, mas, sabe, eu não ia ser um patrão chato... Eu vou me esforçar por ser bom com meus empregados, ser justo igual ao patrãozinho Shun.

Enquanto isso, em outra parte da cidade, Shiryu tenta por Giovanna Andréia contra a parede.

-Eu só estou perguntando aonde tanto você vai escondida. Se você ficou tão nervosa, é porque alguma coisa tem.

-A coisa que tem é que você está desconfiando de mim, que nunca lhe deu motivos pra isso e ta me magoando. Cáspita, se eu tivesse mesmo lhe enganando, teria umas duzentas respostas engatilhadas só pra isso. Se eu não tenho, é porque eu não estou. Apenas não acho que lhe devo dar satisfação de tudo que eu faço, porca miséria. Só me faltava essa! –e saiu, ofendida pra dentro de casa.

-Aí tem coisa...

-Patrão, excusateme, mas não procure pelo em ovo... – Dohko passou em direção à cozinha. – Às vezes a gente bota tudo a perder por picuinhas. E igual à dona Giovanna, não se encontra em todas esquinas por aí.

-Vá cuidar de suas massas, enxerido! Só me faltava essa agora...

Nielle continuava deprimida, mesmo o médico afirmando que era uma questão de tempo, repouso e depois fisioterapia para que ela voltasse a andar. Quando chegou o dia de ter alta, Lucrecia deu um verdadeiro chilique por ter que sair numa cadeira de rodas do hospital. Mas Camus Lourenço tinha ido buscá-la.

-Me deixa, você também. Não preciso da piedade de ninguém, muito menos da sua, impiastro!

-Bom, se está furiosa, é porque já está melhor. E a última coisa que você vai ter de mim será piedade. O que eu vou te oferecer, você vai descobrir por si só, señorita. Por enquanto, vou levá-la até o carro de uma maneira senão confortável, pelo menos confortadora.

E pegou com cuidado Nielle Lucrecia nos braços, apertando bem junto ao peito, para que balançasse o mínimo. Benito Aioros sacudiu a cabeça, mas os seguiu sorrindo. Quem sabe a avoada agora criava juízo?

Graça Aparecida ligou procurando Shun Daniel e marcaram um encontro. Ele revelou a ela que havia perdido tudo e a moça se rebelou:

-É mentira! Só pode ser um plano pra você não se casar comigo. Daí desmanchamos o noivado e daqui alguns meses você "milagrosamente" recupera tudo.

-Por Dios, mujer! Acha que eu faria isso? Mas que obsessão em se casar, caramba!

-Pois você não vai se livrar de mim tão facilmente. Eu vou continuar sendo sua noiva até você recuperar tudo.

-Pode levar uma vida...

-Pode levar uma eternidade, mas você vai se casar comigo.

-Com todo o apoio que você está demonstrando num momento como este, acho meio difícil.

-Não ouse desmanchar o noivado, senão eu entro com um processo e peço indenização!

-Pois quer saber? Peça! Mas procure seus advogados HOJE! Eu vendo até a roupa do corpo pra ficar livre de você. AH! Passe muito bem e seja feliz! – e num rompante, Shun Daniel se levantou da mesa, deixando uma ex-noiva de boca aberta.

Não houve lágrimas, nem ameaças, nada que fizesse Shun Daniel voltar atrás. Ele foi conversar com o pai de Graça Aparecida e explicou toda a situação. O senhor Silva y Silva não ficou nada feliz em saber das coisas, mas concordou que Shun Daniel não era mais um bom partido para sua filha. E o expulsou educadamente da sua casa.

Graça então foi se aliar ao Ikki Manuel, que considerava seu irmão um traidor. Aliás, Ikki considerava o mundo uma grande conspiração cósmica contra sua pessoa e todos que o habitavam uns traidores. Mas ele se vingaria.

Depois daquele beijo na varanda, Afrodite Guillermo andou mais arredio do que nunca. Mais reservado, quase não saía da sombra de sua patroa, não permitindo um minuto de aproximação do mordomo. Mas Shura queria esclarecer umas coisas e reunindo coragem, um dia pediu licença à própria Pipe Magdalena.

-Señora, eu sinto muitíssimo, mas do jeito que ta, não dá.

-Concordo. Você é um homem bom, Shura. Tente consertar a burrada que fez, com o mínimo de estrago. Não o faça sofrer mais. – passou a mão pelos longos cabelos do secretário. – Asculta primeiro, carino. Pra doer de uma vez só.

-Você acha mesmo necessário vir aqui pra dar um pé na minha bunda?

-Acho. Não pra dar um pé na sua bunda, mas pra justificar aquele beijo.

-Não sei o que é pior...

-Afrodite! Yo não planejei nada... Bueno, não planejei desse modo... Si, eu esperava provocar ciúmes em Shina, mas nada saiu como eu queria. Sinceramente? Agora eu nem quero mais nada com ela. Não... não vou dizer que estou perdidamente apaixonado por você... mas também não queria que a nossa amizade terminasse aqui, de um modo desastroso. Você é um ótimo amigo, uma boa companhia pra sair.

-Agradeço por você ser sincero... Também gosto da sua companhia, gosto de conversar com você... Eu estava morrendo de medo das conseqüências desastrosas daquele beijo... Foi bom, mas eu não queria que as coisas entre nós mudassem radicalmente. Dificilmente um relacionamento intenso termina bem.

-Amigos, então? – Shura estendeu a mão.

-Por que não? Eu já me acostumei com a sua companhia... – Afrodite Guillermo apertou, já preparado para a brincadeira do outro.

Shura tentou, pela enésima vez, espremer a mão delicada na sua grande e calosa, sem sucesso de novo. Sorriram. Poderia até ser bom, mas tem coisas que não se precisa experimentar pra saber que não vai dar certo.

Alguns meses depois...

Camus Lourenço está sorrindo à toa, com o sucesso de sua floricultura. Um pouco mais complicado é dobrar a sempre durona Nielle Lucrecia, que odeia fazer fisioterapia. Mas ele sempre gostou de um desafio e ela já não xinga tanto ao vê-lo. Como Nielle já está livre dos coletes cervical e lombar e se movimentando melhor, está um pouco mais otimista.

Os olhos da malvada brilhavam ao ver a barriga de seis meses de sua irmã. Nielle daria um braço pra saber quem é o santo autor do milagre, mas Penélope mudou muito. A irmã vive com a mãe, pra baixo e pra cima, se inteirando dos "negócios".

"Família de amazonas. O único macho da família prefere ficar metido no meio das massas, na cozinha, enquanto a mulherada manda e desmanda. Coisa incrível, mesmo..." –ria Nielle, enquanto assistia TV, deitada confortavelmente no sofá.

Seu olhar se volta novamente para o vaso de rosas amarelas e laranjas no canto da sala.

-Se ele pensa que eu sou mulher de me derreter com florzinhas e presentinhos... Vai morrer esperando.

Muitos chás com pãezinhos de cenoura depois, Salvador Hyoga parou de tentar se convencer que só sente carinho pela noviça Adamantina. Ele já se confessou com o Padre Júlio, se sentindo muito culpado por tentar tirar uma ovelhinha do rebanho do Senhor, mas o padre, bem moderninho, disse a ele que o rebanho do Senhor é grande, e há várias maneiras de o servir, sem ser debaixo dos Seus olhos.

-Apenas não a engane ou magoe.

-Sim, senhor! Minhas intenções são as melhores possíveis.

Não só os olhos de Nielle brilharam ao ver a barriga da irmã. Por outros motivos, e piores, outros pares de olhos também brilharam ao ver a "vagabunda ladra de noivos" de barriga. Graça Aparecida correu contar ao Ikki que sua ex-noiva e atual carrasca estava prenha. Ele urrou de raiva, saiu esmurrando paredes e jurou mais um pouco de vingança.

-Aquele bilhete anônimo! Alguém tentou me avisar antes que eu estava sendo traído. Mas quem me avisaria? Maldita, vai se arrepender de me fazer corno.

E o ex-milionário remoia seus planos de vingança. A começar pelo próprio Shaka, o Virgem. Depois pegaria aquelas vagabundas, torturando as filhas de Pipe Magdalena na sua frente, para a desgraçada sofrer mais. Depois mataria com requintes de crueldade aquele veado guarda costas. Quando Pipe estivesse de joelhos, exausta de tanto sofrimento, ele ainda a violentaria e depois a mataria. Depois de alguns meses se divertindo com ela, claro.

Graça Aparecida já não tinha tantos planos maquiavélicos e megalomaníacos assim. Bastava empurrar aquela vagabunda de alguma ponte pra que Penélope caísse em algum abismo e se esborrachasse com barriga e tudo, que já estava bom. Ela tinha cem por cento de certeza que aquele filho era do Shun Daniel e que a vaca italiana havia seduzido e virado a cabeça do seu noivo... Os homens eram todos tontos, não via esse bobalhão do seu lado? Nem havia acreditado na carta anônima que ela mesmo tinha escrito, há meses atrás. Como ele não tinha dado crédito nem tomado uma atitude, cabia a ela tomar.

-Ikki Manuel, quando vamos dar um jeito naquela sua ex-noiva do nariz empinado?

-Logo, logo... eu a estou seguindo, assim que tiver uma brecha, eu vou dar um jeito na situação. Mato a vagabunda, a cria, me livro dos chifres e pego o haras de volta.

-Pega o haras de volta?

-Claro. Sem a arrogância da Penélope, o Seiya Augusto não vai ter coragem de me enfrentar. Ele ta no meu bolso...

"Se ele pega o haras de volta, o Shun volta pra mim..."

Um dia, Enrico Shiryu seguiu Giovanna Andréia pra ver "aonde diabos essa mulher vai". Viu quando ela entrou num bar e se sentou à mesa de um rapaz de longos cabelos loiros. Mais surpreso ficou quando sua irmã Penélope se sentou logo depois. Shiryu podia estar longe dos negócios da família, mas sabia reconhecer guarda-costas mafiosos quando os via, e acompanhando a mesa dos três havia vários.

-Minha irmã eu imagino o que esteja fazendo, mas minha mulher... Vou apertá-la mais tarde pra me explicar de uma vez que tanto segredo é esse.

Ao se virar para sair, Shiryu esbarrou numa mulher baixinha que estava entrando. Pediu desculpas automaticamente, mas não recebeu resposta alguma. Um sexto sentido já embutido nos seus genes fez com que ele parasse e ficasse olhando o trajeto da mulher, que parecia ir direto para a mesa dos três.

A baixinha era Graça Aparecida, disposta a tudo para recuperar seu Shun Daniel. Inclusive a matar Penélope Maria na frente dos guarda costas. Com um colete à prova de balas e uma arma escondida na manga do casaco, ela achava que estava mais do que preparada.

Enrico Shiryu voltou então para dentro do bar, se aproximando mais do que furtivamente de todos. Ele não conhecia os guarda costas, mas eles o conheciam. E olharam para ele, que fez um sinal indicando Graça que começara a falar, enquanto se aproximava:

-Se divertindo com outros homens, sua vagabunda ladra de noivos? Está dando em cima de outro na frente da mulher dele, ou essazinha aí é a sua cafetina?

Shaka, o Virgem, só olhou de relance para quem ousava se dirigir tão afrontosas palavras à sua amiga. Mas Saga Valentim e Miro Roberto já tinham se levantado para tirar a intrusa bocuda do bar. Enrico Shiryu fez um esforço maior pra chegar perto. Quem, em sã consciência, ameaçava uma chefe da Máfia diante de seus guarda costas? Só uma maluca e malucos sempre são perigosos. Sua irmã e sua mulher podiam sair feridas, se houvesse um confronto direto.

-Não desistiu ainda, Graça Aparecida? Some da minha frente, sua doida. Eu não estou interessada no seu noivo. Quem é o pai do meu filho só interessa a mim e a ele.

-Ele me deixou!! E por sua causa!!

-Ah, sim? Ou por SUA causa mesmo? Você é uma criatura insuportável, mulher! – Penélope se virou, os olhos faiscando. – Vê se desaparece daqui, não está vendo que estamos ocupados?

-Só vai levar um minuto. – E Graça estendeu o braço, a arma deslizando direto para a mão. – E depois você pode ir para o inferno. Meu Shun Daniel volta pra mim, o Haras para o Ikki e o mundo volta a ser perfeito.

Um minuto foi mais do que suficiente. Miro Roberto atirou no coração da Graça, que estava de colete. Não matou, mas o coice do tiro desequilibrou a baixinha, que atirou caindo. A bala passou por Penélope e ia acertar Giovanna Andréia. Enrico Shiryu gritou, já vendo a esposa morta, mas no reflexo provocado pelo seu grito, Shaka levantou e se pôs na frente da mulher. Os gêmeos foram igualmente reflexivos. Saga Valentim atirou na mão de Graça Aparecida e Kanon Vicente em sua cabeça.

Saldo do minuto: uma morta, uma grávida passando mal e um ferido em estado grave.

Todo o bar se mobilizou então, chamando várias ambulâncias e a polícia. Enrico Shiryu conseguiu chegar à mesa, tomando as providências. Pediu ao Saga que colocasse sua irmã recostada em si e a amparasse, enquanto orientava Giovanna Andréia a apertar o ombro de Shaka, para tentar estancar a hemorragia.

-Quem é ele, me parece conhecido...

-Não é possível que você não saiba quem ele é! – gritou Giovanna. – Pois ele é...

Shaka ergueu um dedo e colocou nos lábios da mulher, enquanto sorria. E pronunciou baixinho:

-Tenma kofuku!

Enrico Shiryu sentiu uma vertigem excepcional, um enjôo fortíssimo enquanto tudo voltava à sua memória. Se lembrou de como era inseparável do loiro, das brincadeiras, das brigas, de como eles infernizavam a vida das irmãs. E da última vez que se viram, depois do velório do pai, Carlo, quando foram levados para o hipnotizador. Shiryu não deveria se lembrar do irmão gêmeo, para que não sofresse tanto com a separação, já que não queria nada com a "famiglia" e alguém precisava tocar os negócios do pai. Um dia, quando estivesse mais preparado, era só pronunciar algumas palavras especiais e tudo voltaria. Penélope achava que o tempo certo era agora, quando Pipe ia voltar para a Itália e os irmãos deveriam assumir os negócios na cidade de vez. Shaka havia concordado e eles estavam discutindo com Giovanna Andréia como armar o reencontro.

-Mio fratello! Mio gemello! Shaka Vittório!!

-Continua o mesmo chorão de sempre, Enrico.

-Não me deixe agora, fratello mio. Passamos muito tempo separados...

-Pois é, seu merdinha. Você sempre foi o queridinho da mamma, mas ela e Andréia sempre me deixavam a par de tudo que você fazia.

-Eu sou mesmo o queridinho da mamma. Mas eu não vou ser mais. Eu tenho fugido das minhas responsabilidades e posto minha família em perigo por causa disso.

-Hiii, não vai querer dar uma de durão agora, que você não vai virar um bad boy do dia pra noite. Penélope é mais macho que você, dentro da famiglia. Mas vai ser bom vê-lo sem precisar de intermediário e sem que você tenha nojo da gente.

Pipe Magdalena chegou ao hospital furiosa.

-Per la Madonna! Será possível que eu não vou mais sair dessa merda desse hospital nunca mais? Toda hora tem um filho meu internado aqui.

-Boa noite pra senhora também, mamma. Vittorio já está foi operado e está fora de perigo.

-Grazie, Dio. O que será que quella ragazza estava pensando quando resolveu invadir o bar e atacar sua irmã?

-Devia ter assistido muito filme e achado que era fácil peitar a máfia só com um colete à prova de balas.

-Tsc, poverella. Mas ela era cúmplice do Ikki Manuel, certo?

-Mandei os gêmeos perguntarem pra ele, sabe? Só pra tirar a cisma.

-Bem pensado, carino mio. Prudência e canja de galinha nunca são demais. E sua irmã?

-O médico disse que foi só o susto. Um pouco de repouso e ela agüenta segurar o neném até o tempo certo. Mamma, você me acha um frouxo?

-Não, Rico. Mas eu procurei respeitar seus desejos a todo custo. Se você não queria se envolver com os negócios da famiglia, eu precisava de alguém que quisesse. Eu imaginava que ver seu irmão gêmeo metido nisso até a medula iria ser muito difícil pra você, por isso armei tudo. Você é meu gêniozinho, quem mais sabe fazer uma lasagna do jeitinho que eu gosto?

-Mamma, você é uma viciada em lasanha.

-HEH, eu sou italiana nascida lá, dá licença?

-Aliás, quando você vai?

-Assim que o bebê da Penélope nascer. O Shaka Vittorio já vai estar bom, talvez até Nielle esteja andando. Quero deixar aqui funcionando como um reloginho.

-Do jeito que a senhora, parece até que não vai voltar mais.

-Sabe, Rico, há essa possibilidade. Se seu nonno mandou me chamar de volta, é porque a situação por lá voltou à mesma merda de quando seu pai saiu.

-Quem ouve a senhora falar assim, até parece que é uma assassina fria e sem compaixão.

-E eu sou mesmo! – Pipe Magdalena riu. – Vocês são meus filhos. Só conhecem meu lado mamma. O lado psicopata eu reservo só pra quem merece...

Shun Daniel ficou sabendo de toda a confusão. Foi ao enterro de Graça Aparecida, mas não ficou por perto, sabendo que era persona non grata. Depois, num impulso, foi ao hospital, saber de Penélope. Encontrou a mãe, saindo.

-Você deve ser o irmão do Ikki Manuel.

-Sim, señora, seu eu. A senhora é...

-A mãe da Penélope.

-E como ela está?

-Entre e veja você mesmo. Afinal, apesar do que andaram dizendo, minha filha não é nenhuma vagabunda e se deitou com um homem só na vida, o pai desse filho. – e passando a mão pelo rosto de Shun Daniel, foi embora, deixando ele mesmo processar a informação e tirar suas próprias conclusões.

Penélope Maria olhava para as flores que seu futuro cunhado ("ah, sim, Camus Lourenço vai conseguir" pensava ela) havia trazido e sorria, pensando em sua irmã, tão dependente do florista, agora. Nielle Lucrecia mandava, falava alto e era rude com ele, mas os olhos dela brilhavam quando Camus chegava. E ele sempre tinha uma resposta mansa e um jeitinho suave de dobrá-la sem que ela percebesse. Com o romantismo na cabeça, nem percebeu que Shun pediu licença e se aproximou da cama, até que se viu olhando para os seus grandes olhos verdes.

-Shun Daniel?

-Olá, como tem passado?

-Já estive melhor...

-Soube... bem, Graça está morta e meu irmão sumiu, com medo dos seus guarda-costas.

-Sinto muito, mas Graça insinuou que era cúmplice dele, que ele tinha mandado ela me matar. Se ele não mandou ele sabia. Meu irmão quase morreu. Se a bala pega um pouco mais pro lado, rasgava o caminho da aorta.

-Horrível. Situação medonha. Nada do que disser vai salvar o Ikki Manuel, certo?

-Não. Meus irmãos e minha mãe querem eliminá-lo para servir de exemplo. E porque ele pode tentar de novo. Até contra o bebê agora.

-Esse bebê... é meu, não é?

-Já não bastou a sua falecida ex-noiva me perseguir com essa história, você também vai encanar com isso agora?

-Sua mãe me disse que... esse bebê é filho do único homem da sua vida. Eu fui o primeiro... e acho que fui o único...

-Por que minha mãe não foi pra Itália ainda? Já sei, ela quer vingança porque eu vou transformá-la em avó!!

-Penélope, eu consigo entender toda sua revolta comigo e com a minha família. Mas não seja egoísta. Eu perdi tudo. Minha casa, meu patrimônio, meu irmão... tudo o que eu tinha agora está em suas mãos. E em suas mãos está meu futuro... Se você quiser mesmo, meu coração também está. Acho que sempre esteve...

Penélope ficou olhando para o rosto de Shun Daniel, pesando aquelas palavras... E enquanto ela pensava, os olhos verdes foram ficando maiores, maiores, até que eles se fecharam, enquanto os lábios se uniam...

N/A: YES! Depois de dois anos de hiatus, a novela mexicana desencalhou. No próximo, o final. Hora dos casais serem formados e de Pipe Magdalena voltar pra Itália. Finalmente vai ser revelado porque o Mu não fez parte da novela desde o começo. Agora o making of – este capítulo saiu de uma conversa no MSN em 2004 de que o Shiryu e o Shaka eram irmãos gêmeos mas o Shaka pintava o cabelo de loiro. Foi a partir dessa idéia engraçada e maluca que eu criei toda a novela. Nunca subestime o poder de uma conversa via Messenger. 18/01/2008.