De Volta ao Vale das Flores

By Dama 9

Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aaliah é uma criação única e exclusiva minha para essa saga.

Boa Leitura!


N/a: Não percam 'Luthier – Uma Melodia para Sonhar (A Melody to Dream), o prólogo de 'De Volta ao Vale das Flores'.


Capitulo 13: Seth e Astréia – parte II.

.::A Historia dentro da História – Como Mortais::.

Sabia que aquilo não era uma decisão precipitada, Harmonia estava certa, quando encontrasse seu caminho, tudo seria claro e não haveriam duvidas que a fizesse hesitar; a jovem pensou, suspirando inconscientemente, enquanto seu corpo era suspendido do chão e carregado como algo extremamente frágil e delicado.

Deixou os lábios correrem com suavidade pelo colo levemente exposto pelas alças finas do vestido branco, enquanto as mãos delicadas da jovem prendiam-se entre os fios negros.

-Amo você; ela sussurrou em seu ouvido, fazendo um arrepio premeditado correr por suas costas.

-E eu a você; ele respondeu, fitando-a com os orbes azuis quase enegrecidos.

Depositou-a com suavidade sobre a cama repleta de véus e almofadas, parou um momento, fitando-a embevecido, como se ainda duvidasse que aquilo fosse realmente real.

Não havia duvidas, não havia nada a ser escondido...

O que sentiam era forte de mais para ser negado ou reprimido; ambos pensaram no momento que o tempo simplesmente parou e as únicas coisas que importavam eram as juras de amor pronunciadas entre sussurros e gemidos enquanto se amavam.

O

OO

OOO

OO

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.I.

Saiu sorrateiramente de dentro da igreja por uma entrada lateral, sentia gotas grossas de suor caírem por sua testa, fazendo com que alguns fios castanhos se colassem na testa.

Levou uma das mãos a garganta, apertando-a com força, como se tentasse com isso impedir aquela dor insuportável. Não queria preocupar Rafael com isso, mas dores de cabeça e no corpo andavam tornando-se constantes em sua vida.

Respirou fundo tentando se controlar, por um breve momento achou que ela aliviaria, mas os orbes antes castanhos perderam o foco, tornando-se vermelhos.

-o-o-o-o-o-

O jantar transcorria na mais profunda calma, isso se ignorassem as investidas de Flora sobre o virginiano, querendo casá-lo com Aaliah o mais rápido possível.

-É uma pena que nem todos tenham uma mão assim para cozinhar; ela comentou casualmente, fazendo Aaliah bufar discretamente diante da vigésima seguida cantada que ela jogava ara cima do cavaleiro.

Nem Dario ligava mais para isso, porque sabia que era provocação da esposa, quando Flora invocava que um casal combinava, enquanto eles não assumissem publicamente o que tinham, ela não dava sossego. Tinha pena daqueles dois; ele pensou, balançando a cabeça levemente para os lados.

-Realmente, o jantar esta maravilhoso; Rebeca concordou, sendo seguida pelos demais.

-Obrigado; o cavaleiro falou com um leve rubor na face, não era acostumado a ter todas as atenções sobre si desse jeito.

-E então, vocês vão amanhã à festa na praça? –Emilia perguntou.

-O que acha? –Shaka perguntou, voltando-se para Aaliah.

-Por mim; ela deu de ombros ao responder.

-Então vamos; ele falou antes de levar uma taça de vinho tinto aos lábios, mas antes que pudesse tomar o conteúdo à mesma simplesmente explodiu em sua mão, fazendo-o fechar os olhos com uma expressão de dor.

-Shaka! -Aaliah falou preocupada, levantando-se e indo até ele.

Todos fitaram a cena preocupados, o cavaleiro levantou-se rapidamente, afastando-se da jovem como por instinto. Ouvia um barulho muito alto, como se ecoasse diretamente em sua mente. Aquilo estava lhe deixando atordoado; ele pensou, sentindo a cabeça latejar.

-O que esta acontecendo? –Henry perguntou, seguindo Aaliah.

-Esse barulho; ele falou num ranger de dentes, levando as mãos aos ouvidos, tentando de alguma forma impedir aquilo de continuar.

-Calma; Aaliah falou segurando-o pelo braço impedindo de se afastar, não conseguia ouvir nada, mas sabia que havia alguma coisa errada.

Seus olhos ficaram turvos por um momento, era como se fosse capaz de visualizar em sua mente a causa daquele barulho ensurdecedor, mas não conseguia acreditar, era algo realmente inacreditável.

-Erinia; Shaka sussurrou, ouviu Aaliah gritar por si, mas tudo ficou escuro a sua frente e nada mais foi sentido.

-o-o-o-o-

Aquela luz era capaz de lhe cegar; a jovem pensou sentindo um arrepio cruzar-lhe o meio das costas quando a luz do ambiente voltou ao normal, fazendo-a dar um pulo ao ver a sua frente uma jovem de longas melenas esverdeadas e ar pacifico.

-Quem é você? –Isadora perguntou com a voz tremula.

Àqueles olhos, só conhecia uma pessoa que os orbes tinham aquele tom de amendoado e essa pessoa era Aaliah, então aquela era...

-Sim, sou eu mesma; Aimê respondeu com um sorriso compreensivo.

Entreabriu os lábios seguidas vezes sem saber o que falar, alias, qualquer coisa muito racional parecia um absurdo agora; ela pensou.

-Preciso lhe pedir algo Isadora; ela falou adquirindo um ar sério.

-Eu, porque eu? –Isadora perguntou apoiando-se na parede, para simplesmente não ir ao chão, devido as pernas estarem tremulas.

-Porque é algo que somente você é capaz de fazer; Aimê inquiriu.

-Mas...;

-Quero que me ouça até o fim, se mesmo assim não puder fazer o que lhe peço, não irei insistir; a jovem completou, vendo-a assentir.

-o-o-o-o-

Sua cabeça pesava, tentou se levantar, mas algo sobre si parecia pesar mais, então, desistiu de levantar. Abriu os olhos com certa dificuldade, deparando-se com a jovem de melenas azuis a seu lado.

-Por Zeus! Finalmente! –Aaliah exclamou.

-O que aconteceu? –Shaka perguntou com a voz meio enrouquecida de sono.

-Você desmaiou; Aaliah explicou segurando-lhe fortemente a mão. –Não sei o que aconteceu, mas de repente você falou algo e desmaiou; ela completou com os orbes marejando.

-Esta tudo bem agora; ele respondeu tocando-lhe a face carinhosamente.

-Fiquei com medo; a jovem confessou, enquanto as lagrimas caiam de seus olhos. –Fiquei com medo de te perder;

-Isso jamais vai acontecer; o cavaleiro falou veemente, apagando o rastro de umidade da face dela. –Jamais vou permitir que saia da minha vida; ele completou com um doce sorriso.

-Promete?

-Prometo; Shaka respondeu, puxando-a para seus braços, fazendo-a deitar-se consigo.

-Você falou uma coisa; Aaliah começou, pousando a cabeça sobre o peito dele, enquanto o sentia enlaçar-lhe pela cintura.

-O que? –ele perguntou, a única coisa que se lembrava era de ouvir um grito agudo demais para que pudesse suportar e uma visão, mas que não conseguia se lembrar o que era.

Alias, fazia um bom tempo que não tinha aquelas visões, mesmo que fossem premonições ou visões de algo que estava acontecendo no presente momento. Aquilo fora muito estranho.

-Você falou 'Erinia'; Aaliah repetiu, ainda em duvida se fora isso mesmo que entendera.

-...; Shaka assentiu, não sabia o porquê, mas no meio da visão, aquela palavra surgira em sua mente.

Erinias ou também conhecidas por Fúrias, eram a personificação da vingança, como Nemesis, porém essa deusa punia os deuses por seus atos, já as Erinias puniam os mortais.

Já ouvira falar de três delas, Alecto a erinia que espalha pestes e maldições. Megaira é a erinia da inveja, cobiça e ciúme, normalmente suas pragas recaem sobre casamentos baseados em infidelidade, ela é a que persegue com mais gana aqueles que amaldiçoa. A ultima é Tisifone, ela é capaz de enlouquecer suas vitimas, ainda mais se forem causadoras de assassinatos.

-São vingadoras; Shaka falou num sussurro.

-Como?

-Enquanto Nemesis aplica suas vinganças e maldições sobre deuses, fazendo-os pagar por seus delitos, as Erinias fazem o mesmo, só que com mortais. Já ouviu falar sobre Narciso e Eco? –ele perguntou.

-...; a jovem negou com um aceno.

-Édipo?

-Só o complexo, a parte de psicologia; Aaliah respondeu.

-No caso de Narciso, ele era extremamente egocêntrico e egoísta. Um dia a ninfa Eco, se apaixonou por Narciso, ele não quis nada com ela e a repudiou. Encolerizada, ela disse 'Que você se apaixone por alguém tão inalcançável, que esse amor lhe leve a loucura e a morte'. As Erinias ouviram seu chamado e jogaram uma maldição sobre ele, coincidentemente nesse momento Narciso estava na beira de uma fonte tomando água, quando viu seu próprio reflexo na água e se apaixonou por si mesmo, como parte da maldição; o cavaleiro explicou.

-E o que aconteceu? –ela perguntou curiosa.

-Cada vez que tentava se aproximar, a imagem se dissipava quando ele tocava a água, por varias vezes ele chorou por não poder se aproximar do ser que tanto amava, até um dia que ele simplesmente apostou tudo no nada, jogou-se dentro da fonte na esperança de conseguir alcançar o reflexo da água, mas acabou por se afogar;

-Nossa, que cruel; Aaliah murmurou surpresa.

-Vingança, inveja, revolta... É isso é algo que elas prezam demais; Shaka balbuciou com ar pensativo.

-Mas porque você disse isso? –ela perguntou confusa.

-Não sei; o cavaleiro respondeu um pouco confuso, serrando os punhos, mas emitiu um fraco gemido ao senti-la latejar.

-Você se cortou; Aaliah avisou virando-se para ele.

O cavaleiro parecia confuso, mas viu-a segurar em uma de suas mãos e lhe mostrar o curativo feito.

-Teve que ser do método primitivo, nem todos estão preparados para entender como a cura pelo cosmo funciona; ela completou.

-...; ele assentiu, vendo uma marca avermelhada tomar conta do tecido da atadura, provavelmente ao serrar o punho, fizera o sangue correr novamente.

-Com licença; alguém falou abrindo uma brecha na porta.

Fora tão rápido que ele nem foi capaz de ver, mas quando notou Aaliah já havia dado um pulo da cama e estava de pé ao lado do criado com a face em chamas.

-Ah, só vim ver se vocês não precisavam de algo? –Flora falou com o ar mais inocente que conseguiu fazer.

-Não, obrigada Dona Flora; Aaliah respondeu polidamente.

-Ah, vejo que já acordou, esta se sentindo bem? –ela perguntou ignorando o olhar entrecortado de Aaliah e entrando no quarto.

-Estou, me desculpem por preocupá-los; Shaka falou, levantando-se sentindo-se menos atordoado.

-Imagina, meu rapaz, o importante é que esta bem; Flora falou calmamente. –Bom, vou descer então e avisar os outros, eles estão na sala; ela falou.

-...; os dois assentiram, enquanto ela deixava o quarto, dando uma piscadela marota ao cavaleiro.

-Grrrrrr; Aaliah resmungou com os punhos serrados.

-O que foi? –Shaka perguntou, parando ao lado dela.

-Nada; ela falou emburrada, desviando o olhar.

-Aaliah; ele falou, tocando-lhe a face fazendo-a encará-lo.

-Não é nada; Aaliah falou de maneira seca.

-Vamos descer então; o cavaleiro falou vendo que ela não estava disposta a falar sobre o que lhe incomodava.

Desceram as escadas no mais profundo silencio, aquilo já estava lhe incomodando, suspirou cansada, ele não tinha culpa da dona da loja de chocolates não conhecer os limites de atrevimento; ela pensou, olhando o cavaleiro de soslaio.

Mal seus pés tocaram o ultimo degrau, os dois ouviram a voz de Flora vindo na direção deles com os demais.

Antes que pudesse falar algo, suas costas tocaram a parede de maneira brusca, ergueu os orbes deparando-se com o olhar intenso da jovem de melenas azuis sobre si.

-Aali-...; mal ele pode terminar o que pretendia falar, a jovem selou seus lábios num beijo intenso.

Os seis que se aproximaram, pararam com certa surpresa diante da cena...

O que estava acontecendo? –ele se perguntou confuso, mais instintivamente seus braços rodearam a cintura delgada, aproximando-os ainda mais, como se seus corpos houvessem sido feitos especialmente para se moldarem um ao outro.

Deixou as mãos espalmadas subirem pelo peito do cavaleiro, indo envolvê-lo pelo pescoço, até uma das mãos pousar sobre a nunca, fazendo-lhe uma caricia suave, causando-lhe um arrepio involuntário.

As línguas moviam-se ávidas e suaves ao mesmo tempo, beijavam-se como se o mundo fosse acabar dali a um instante, mas nem por isso, deixavam de demonstrar aquilo que sentiam.

Acariciou-lhe os lábios com a ponta da língua, antes de mudar a posição, intensificando o beijo, deixando uma das mãos prender-se entre os fios azulados, enquanto a outra corria pelas costas da jovem, subindo e descendo, deixando-a lânguida entre seus braços.

-Her! Cof! Cof! Cof! –uma tosse seca soou na sala, mas os dois pareciam completamente alheios a isso.

-Será que eles fazem apnéia? –Rebeca perguntou fitando a cena atentamente.

-Por quê? –Flora perguntou confusa.

-Pra ter um fôlego desses; ela respondeu com um sorriso maroto.

Afastaram-se parcialmente, ainda trocando alguns selinhos.

-Ainda bem que são 'amigos', imagina se não fossem; Rebeca brincou com um sorriso mais do que malicioso nos lábios, fazendo-os se afastarem completamente, porém sem arrependimento algum.

-Ahn! Bem...; Shaka balbuciou sem saber o que dizer diante do olhar indecifrável dos avôs da jovem.

Até já conseguia imaginar Afrodite sabendo disso e desatando a correr atrás de si, lançando rosas mortais, querendo realmente lhe mandar para o Tártaro.

-Acho que esta na nossa hora; Dario falou, antes que a esposa pegasse a deixa de Rebeca e não deixasse o casal em paz.

-Um momento; Shaka pediu adquirindo um ar sério.

-Algum problema? –Henry perguntou, curioso.

-Primeiro gostaria de me desculpar com vocês, a intenção desse jantar não era causar os problemas que causei ao lhes preocupar; o cavaleiro falou, enlaçando a cintura da jovem de maneira que ela não se afastasse, mesmo Aaliah querendo abrir um buraco na terra e se jogar lá dentro agora. –E eu tenho algo muito importante para lhes dizer; ele falou, fitando Emilia e Henry.

-E o que é, meu jovem? –a senhora perguntou.

-Achei que lhes pedir isso seria o mais certo a fazer, já que Aaliah sempre demonstrou grande consideração e afeto por vocês; o cavaleiro falou, soltando uma das mãos da cintura da jovem e levando ao bolso, onde retirou uma delicada caixinha de veludo azul.

-Ele vai fazer o que eu acho que vai? –Lisa perguntou para Rebeca, ainda surpresa com o que acontecia.

-Não sei, mas é uma pena que ele não tenha irmão gêmeo; Rebeca sussurrou para a mãe com ar desapontado. Homens assim não se achava todo dia e quando achava eles sempre eram comprometidos; ela pensou.

-Aaliah é alguém muito importante pra mim, não só pra mim, mas para a minha vida; Shaka falou fazendo uma pausa breve. -Desde que ela apareceu em minha vida, não consigo mais me ver seguindo em frente sem ela; ele continuou, vendo a jovem voltar-se para ele com um olhar surpreso. –Gostaria que seus avôs e os amigos aqui presente fossem testemunha dos meus sentimentos por você, eu te amo; o cavaleiro completou num sussurro, encostando a testa sobre a dela.

-Ai que fofo, posso arrumar o padre agora? –Flora perguntou, tirando um riso suave dos demais.

Abriu a caixinha, estendendo-a a jovem. Aaliah pareceu surpresa vendo uma fina argola prateada com um delicado desenho em forma de rosa e no centro dela, uma pedrinha solitária de tom amendoado.

-Uma topázio, para combinar com seus olhos; ele falou com um doce sorriso.

-Shaka; Aaliah balbuciou com a voz tremula.

Definitivamente, nunca imaginou que ele tivesse isso em mente com aquele jantar; ela pensou ao retirar da caixinha o anel.

O cavaleiro guardou a mesma no bolso novamente e pousou a mão sobre a dela.

-Posso? –ele perguntou com a voz branda.

-...; Aaliah assentiu.

Pegou a delicada argola com uma das mãos e com a outra, tomou a da jovem, trazendo-a para perto de si. Voltou o olhar para Aaliah vendo-a tremer, com a face extremamente vermelha. Deslizou a fina argola pelo dedo delicado da jovem, até ajustá-la perfeitamente.

-Amo você; ele sussurrou, puxando a mão dela, levando-a até os lábios, depositando um beijo suave sobre a mão e o anel.

Os orbes da jovem marejaram, quando a mesma lançou-se nos braços do cavaleiro, abraçando-o fortemente. Envolveu-a entre seus braços, ouvindo o som de palmas comovidas dos demais, ali presente.

-Também te amo; ela sussurrou como resposta.

.II.

Voar e cair

No fundo da dor

Sonhar, perder

Impérios de ilusão

-Eles precisam de você...;

Hoje não tenho nada

Se não estás aqui

Meu coração se apaga

-Dê mais uma chance a ele...;

Isabel, se você vai embora,

Teu Deus se cansara

Não deixe que este amor morra assim

-Nunca é tarde para recomeçar. Erros todos cometemos...,

Chorarei, chorarás, sofrendo de solidão

Volta para mim e eu te farei feliz...

Isabel...

-Ninguém é perfeito...;

Buscar, sentir

A grande paixão de amar

Tentar ouvir

Esse tempo que virá

Fugindo do passado

Eu e Tu

Sempre apaixonados

Isabel...

-Só você pode fazer isso...;

Hoje não tenho nada se não estás aqui,

Meu coração apaga-se...

Isabel, eu te amarei...

-Você o ama, não negue...

Isabel aonde irás sem mim,

Eu não sei viver sem ti.

-Vôo 175 para Estolcomo, saira em cinco minutos; uma voz ecoou por todo o portão de embarque.

Segurou firmemente a alça que prendia aquela caixa prateada a suas costas, enquanto a passos firmes aproximava-se do portão de embarque. Ainda ouvia a voz da jovem ecoar em sua mente. Depois de tudo que ouvira, jamais se negaria a fazer o que ela lhe pedira.

Isabel se te vais

O teu Deus se cansara

Não deixes que este amor morra assim.

-Você sabe que é o certo a fazer... Não deixe que nada lhes aconteça;

A voz dela ecoara em sua mente de maneira mais suplicante do que notara no momento. Devia ter imaginado que para Minos ter aparecido em sua casa lhe contando sobre o que descobrira, queria dizer muito mais coisas que certamente ele deveria ter evitado comentar, devido a presença de Filipe, lá.

Um baixo suspiro saiu de seus lábios, jamais imaginaria que estaria vivendo aquilo, mas depois de tantas coisas que já vira. Não duvidava de mais nada.

Chorarei, choraras, sofrendo por saudade

Volta a mim e eu te farei feliz

Isabel...

Não se importava com o olhar curioso das pessoas sobre si, havia algo que deveria fazer e tinha de ser logo; Isadora pensou, subindo no avião. Minutos depois de se acomodar, o mesmo decolava.

Só tivera tempo de ligar para Cistina e pedir que cuidasse de Donatelo e avisasse Milo de que viajaria por uns tempos, não sabia quanto aquilo iria demorar, mas... Isso não importava, contanto que conseguisse resolver aquilo.

-Obrigada;

A voz da jovem ecoou uma ultima vez em seus pensamentos...

.III.

Sentiu um cheiro gostoso de café fresco invadir o quarto, misturado a rosas. Deveria ainda estar dormindo; ela pensou, remexendo-se um pouco na cama. Haviam ido dormir muito tarde aquela noite, porque ainda ficaram um bom tempo conversando com os demais e ainda haviam ido acompanhá-los até o centro, antes de voltar.

Queria abrir os olhos e acordar de uma vez, mas aquela manhã amanhecera com um friozinho tão aconchegante, que apenas enrolou-se mais nas cobertas e suspirou.

-Hora de acordar; ouviu alguém sussurrar em seu ouvido.

-Só mais cinco minutos, mãe; ela balbuciou sonolenta, virando-se de costas para quem estava ali.

-Aaliah, você prometeu que iria ajudar Emilia com os doces para a feira beneficente; Shaka falou, tocando-lhe a face com suavidade, brincando distraidamente com uma mexa que caia pelos olhos dela.

-Mais ainda é tão cedo; Aaliah falou abrindo os olhos e deparando-se com os orbes azuis do cavaleiro sobre si.

-É quase oito; Shaka avisou com um sorriso matreiro.

-O QUE? –ela gritou, tentando se levantar correndo, mas ele a segurou, impedindo que acabasse por cair da cama.

-Calma, ainda temos algum tempo; o cavaleiro falou calmamente, vendo-a se acalmar.

-Isso foi maldade; Aaliah falou fazendo bico.

-Eu sei; ele brincou, abaixando-se e depositando um beijo suave sob os lábios dela. –Mas é melhor tomar café antes que esfrie;

-Uhn? –ela murmurou virando-se de lado e surpreendendo-se ao ver uma bandeja de café-da-manhã sobre o criado mudo.

-Vem; o cavaleiro falou, estendendo-lhe a mão para que pudesse se sentar. –O dia vai ser longo, é melhor se preparar; ele completou, referindo-se a Dona Flora a casamenteira de Visby.

.::A História Dentro da Historia – Destinos Encaminhados::.

A barra do longo vestido azulado esvoaçou levemente com o vento, enquanto sentia a pele arrepiar-se com a brisa gelada daquele fim de tarde. O sol já perdia-se no horizonte, enquanto completamente alheios ao resto do mundo, os dois apenas jaziam sentados na beira do Ganges, apreciando aquele momento.

-Acha que ele vai gostar de mim? –Seth perguntou hesitante, enquanto estreitava mais os braços em torno da jovem, mantendo-a confortavelmente sentada entre suas pernas e com as costas em seu peito.

-Claro que sim; Astréia falou sorrindo, pousando a mão sobre o ventre saliente, que já dava sinais da passagem de tempo mortal.

-Como pode ter certeza? –o jovem de melenas negras perguntou confuso, apoiando o queixo sobre a curva de seu pescoço.

-Eu sinto; ela sussurrou fechando os olhos por um momento.

O silencio caiu sobre eles, quando a jovem tomou uma das mãos dele, pousando-a sobre o ventre, faltava pouco agora, talvez dois ou três meses no máximo, mas já conseguia senti-lo.

Seu cosmo e a vida existente ali dentro...

-Astréia, ele-...; Seth começou com a voz embargada de emoção, voltando-se para a jovem que tinha os orbes marejados.

-Chutou; ela completou sorrindo, ao voltar-se para ele.

Faltava pouco agora...

Continua...


Domo pessoal

Mais um capitulo chega ao fim e De Volta ao Vale das Flores vai se encaminhando para o final, ainda não sei quantos capítulos mais ainda restam, mas ainda tem algumas surpresas por virem.

Uma coisa que queria comentar com vocês antes de ir. A musica tema do penúltimo tópico é 'Isabel' do grupo Il Divo. Desde que a ouvi pela primeira vez me apaixonei por essa musica, ela me inspirou a não só criar o personagem Isadora, como sua história, embora os nomes sejam diferentes, originalmente Isadora se chamaria mesmo Isabel, mas devido a algumas coisas que ainda serão explicadas no decorrer da saga, vocês vão entender o porque do 'dora'.

No mais, obrigada a todos de coração pelos review e por estarem acompanhando essa fic.

Até mais

Boa semana!

Já ne...