A/N: Segue o próximo capítulo! Consegui postar hoje!!! Podem dizer… vocês me adoram… hehehehe

Uma coisa que não entendo… estava vendo os hits por capítulo e percebi que o Capítulo 9 : Adeus é o que tem o menor número de hits. Menos que os capítulos posteriores, até… acho isso estranho… será que posso confiar no hit do fanfiction, ou as pessoas não estão lendo esse capítulo? O que me intriga é o fato desse ser um capítulo tão importante na história, e o mais triste que já traduzi…


EXCEÇÃO A REGRA

Capítulo 13: Parabéns

Alice's POV

24 de Novembro de 1976

Quarta-feira

"Eu ouvi dizer que ele pegou ela na cama com o Remus Lupin! Enquanto ele tinha ido ao banheiro, acredita!"

"Sério? Eu não achei que o Lupin era assim. Ele não está saindo com a Mary McDonald?"

"Eu achei que ele estivesse. Pobre James. Ele deve estar inconsolável. Ele era tão apaixonado por ela, e o Remus era um dos seus melhores amigos."

"Ele realmente a amava, mas está bem óbvio que ela não amava ele, certo. Aquela puta devia estar traindo ele o tempo todo, bem embaixo do nariz dele, e ninguém sabia de nada! Eu sabia que tinha algo estranho quando ela aceitou sair com ele, no ano passado."

"Você provavelmente está certa, como de costume. Eu achei que eles faziam um casal lindo. A Evans não merece ele. Eu estou feliz que ele terminou com ela…"

Eu estou tentando ao máximo me manter calma.

Eu estou tentando ao máximo bloquear tudo.

E eu sei que a garota que está escondida comigo, atrás das cortinas dessa cama, também está tentando.

Ela está quieta, tão diferente da Lily que eu conheci. Nós duas estamos sentadas de pernas cruzadas na minha cama, e ela está olhando para a frente, como se ela pudesse ver através do grosso tecido que nos separa do resto do dormitório.

Elas não sabem que a Lily está aqui.

Elas não podem vê-la sofrer, silenciosamente, enquanto as palavras delas as perfura e rasga a dignidade dela em pedaços.

Mas eu posso.

Eu observo enquanto ela abraça o travesseiro próximo ao seu peito, e fecha seus olhos, mas ela não chora. Ela não deixa uma gota de lágrima cair, enquanto os pedaços da vida dela caem no chão. Ela não precisa chorar.

As notícias do término do relacionamento dela com o James se espalharam rapidamente pela escola e esse – o que quer que você deseje chamar – se tornou costume. Toda noite, eu me sento com ela, nessa mesma posição, ouvindo a mais nova fofoca circular entre o grupo de meninas fofoqueiras.

Por quê? As razões ainda não estão claras para mim.

Tudo que ela tem que fazer é pular da cama, dar uma bronca nelas, e terminar com isso de uma vez e por todas. E algumas vezes, eu me voluntariei a fazer isso para ela.

Mas ela não faz nada.

Ela não diz e não faz absolutamente nada. Ela está se repreendendo por levar as palavras delas a sério, mesmo quando ela sabe que não deveria.

Eu sei a verdade. Eu vejo o jeito em que ela presta atenção em cada palavra. As línguas fofoqueiras delas se movimentam ridicularmente rápidas, dando uma extensão de razões do porque o reinado do Rei & Rainha da Grifinória terminou abruptamente.

E, em todas as razões, ela é dada como a culpada, a que traiu e mentiu e, no final das contas, não era boa o suficiente para ele.

Para dizer a verdade, ninguém sabe realmente o que aconteceu. Nem mesmo o Frank e eu, e nós estávamos presentes quando eles terminaram. Mas ela não falou uma palavra sequer desde aquele dia horrível, que parece que foi há um ano atrás, e não há menos de uma semana.

E eu posso estar completamente perdida sobre o que aconteceu, mas de uma coisa eu tenho certeza: ela não traiu ele, e ela não deixou de amá-lo, se é que alguém realmente consegue fazer isso. Mesmo quando ela faz de tudo para evitar o contato com ele nos corredores ou nas salas de aula, ela ainda está pensando nele, ou sonhando acordada com ele.

Basta olhar para a menina sentada na minha frente e você vai saber que tudo isso é verdade.

Desde que ele saiu desse quarto, ela não tem sido a mesma. Aqueles olhos esmeraldas deslumbrantes dela perderam o seu brilho característico, e o sorriso, que poderia iluminar um quarto absolutamente escuro, desapareceu por completo.

Todo dia é a mesma rotina: os falsos sorrisos, o usual levantamento de mãos na aula, a constante reafirmação de que ela vai ficar bem. A vida dela se transformou em um padrão, um círculo sem fim.

Quando ela começou a namorar o James, eu acho que ela não percebeu como que a vida dela ficou lentamente interligada à dele. Até agora ela não tinha percebido, pelo menos. Ele a deu apoio e confiança. Ele mostrou para ela o que mais ninguém pode.

Mas acima de tudo, ele mostrou a vida para ela. Ele a fez realizar que existem coisas muito mais importantes na vida do que tirar boas notas e viver sobre as regras. Ele deu um gosto de vida para ela, que estava perdido antes dela se abrir para ele.

O que ela está fazendo agora não é viver.

E está aparecendo.

Nós ficamos do lado dela, aqueles que são os amigos de verdade dela, e a defendemos das calúnias, e fornecemos um ombro para ela chorar. Mas, mesmo nós, estamos ficando ligeiramente impacientes, desejando saber o motivo real do término do relacionamento dos dois.

E também têm os outros, as garotinhas bobas que fazem parte do fã clube oficial do James Potter, as fofoqueiras que não têm nada melhor a fazer do que degradar os outros, e os Sonserinos arrogantes que a chamam de puta que quer chamar atenção, a sangue-ruim sem valor.

Mas ela aceita tudo com calma. Ela não discute, ela não protesta. Ela não diz nada. A única batalha sendo feita, é entre ela e as lágrimas dela.

Outra voz, outra voz sem nome, entra no círculo de fofocas.

"Vocês não vão acreditar no que eu ouvi essa tarde. A Susan disse que ela viu o James com a Janice Finnegan, e aparentemente eles estavam ficando bem 'amigáveis'. Você sabe que eles saíram, certo? Eu aposto que ele nunca deixou de gostar dela. "

Imediatamente, eu olho para a Lily. Ela abaixou os olhos para o lençol na frente dela, e uma mão está cobrindo a sua boca. O meu coração se parte quando eu vejo uma lágrima escorrendo pela bochecha dela, e caindo no travesseiro, que ela está abraçando.

"Não ouça uma palavra do que elas estão dizendo, Lils. Você sabe que não é verdade. O James jamais voltaria com a Janice. Você e eu sabemos disso. Elas só querem começar uma fofoca." Eu sussurro para ela, tentando dissuadir os comentários horríveis delas.

Eu não tenho certeza do que eu posso dizer para ela, para fazê-la se sentir melhor. Eu conversei um pouco com o James, e eu sei de fato que ele não partiu para outra. Ele não pode deixar de gostar dela, assim como ela não pode deixar de gostar dele. Mas as minhas palavras não têm efeito algum. Eu não sou a pessoa que pode consertar o coração dela. Eu não tenho certeza que alguém possa, no momento.

Ela fecha os olhos e deixa as lágrimas caírem livrementes no seu travesseiro.

Desde o dia em que ela entrou no meu compartimento do trem, no primeiro ano, eu penso nela como uma irmã. A irmã que eu nunca tive, mas sempre quiz. Eu a amo como se ela fosse. E, por esse motivo, eu posso sentir a dor dela. Me dói vê-la com dor. E se tivesse qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, que eu pudesse fazer para acabar com a dor dela, eu faria sem qualquer hesitação.

"Não ouça elas, Lily. Elas são todas mentirosas, elas estão procurando por algo para fofocar. E nada disso é verdade, querida." Eu sussurro, acariciando a sua bochecha com uma mão, simultaneamente levantando o queixo dela para ela me olhar, enquanto coloco alguns fios do cabelo vermelho dela atrás da orelha dela.

Nenhuma resposta, exatamente que nem todas as outras vezes.

Quando eu olho para baixo, a cabeça dela está escondida no seu travesseiro, e seus ombros estão tremendo. Tudo que eu posso fazer é massagear os músculos das costas dela, e esperar que eu estaja trazendo alguma sensação de alívio.

Cinco minutos depois, ela finalmente olha para cima. Os olhos dela, que antes eram tão vazios, agora estão inacreditavelmente miseráveis. Devagar, ela se senta e limpa as lágrimas que sobraram.

"Você poderia… você poderia fazer uma coisa para mim? Duas, na verdade." Os olhos dela encontram os meus rapidamente, antes que ela olhe para uma foto na parede, enquanto rói as suas unhas, timidamente.

"Er… claro." Eu respondo, olhando confusa para ela. "Eu acho que poderia sim. O que você precisa?"

Ela respira fundo e abaixa o tom de voz, de tal forma que é dificilmente audível, mesmo para mim, que estou sentada bem na frente dela.

"Diz para o James e o resto para pararem os pagamentos." A minha boca se abre na mesma hora para perguntar o que diabo ela está falando, mas ela levanta a mão para me parar. "Por favor, não me faça perguntas. Eu vou provavelmente te contar um dia, mas agora, eu não posso. Só diga para eles que eu vou tomar conta disso, eu vou converter o meu dinheiro trouxa em galeões."

"Do que você-?"

"Por favor… Eu estou pedindo para você não insistir. Só diga isso para ele por mim. Diga que é o que eu quero, ok?"

Eu quero saber, eu quero tanto perguntar, mas os olhos dela estão me implorando silenciosamente para deixar para lá.

"Ok."

"E tem mais uma coisa." Ela engole em seco, e coloca as mãos no bolso do pijama xadrex dela.

Quando emergem, os dedos dela estão envolvendo uma pequena caixa, a mesma caixa que caiu nos pés dela no último fim-de-semana. A caixa, então, é gentilmente colocada na cama, no pequeno espaço entre as nossas pernas cruzadas, diretamente na minha frente.

"Por favor, dê isso para ele – para o James. Eu coloquei o anel de compromisso aí dentro também." Ela limpa as lágrimas enquanto elas escorrem pelas bochechas dela.

"Ele os comprou para você, Lil. Ele quer que você os tenha."

O ar no quarto parece diminuir, enquanto eu encaro a caixa preta na minha mão, uma caixa que significa muito para eles, mais do que muitas pessoas jamais saberão.

Através das lágrimas, ela sussurra, "Eles foram feitos para dar para alguém que ele ama, e a pessoa pela qual ele se apaixonou não existe mais. Um dia ele vai se apaixonar novamente. E quando isso acontecer, ele deveria ter esses anéis."

O meu coração está se quebrando enquanto ela fala. Eu nem percebi que havia fechado os meus olhos, até ouvir os choros dela. E quando abro os olhos, eu vejo os ombros dela tremendo novamente.

Ela não está mais combatendo.

"Por favor, Lily, não faça isso contigo mesma. Você precisa descarregar. Você precisa conversar. Eu estou te implorando, Lil. Me diga o que está acontecendo."

"Meu Deus, Alice, eu amo ele tanto. Eu…"

"É claro que você o ama, querida. Eu sei disso, eu nunca questionei os seus sentimentos pelo James. Só me diga o que, ou quem, está por trás disso. Me diga porque você fez isso, por favor."

Ela olha para mim e pergunta, "Você acha que eles estão mais felizes agora?"

Eu tento entender as palavras dela na minha mente, enquanto a olho de modo suspeito. Essa é uma pergunta estranha.

Uma pergunta muito estranha.

"Você parou para olhar bem para o James? Ele aparenta estar tão ruim quanto você. Não existe mais o 'pulo' no passo dele, o brilho nos olhos dele. Ele somente fala quando ele tem que falar, e ele não está se alimentando corretamente. Ele sente a sua falta, e ele está inconsolável. E as garotas estão se jogando nele, achando que elas têm alguma chance, agora que você está fora do jogo, mas elas não têm. Elas nunca terão uma chance com ele. E o Remus, o Peter, e o Sirius também estão para baixo. Se um Maroto está deprimido, todos eles estão deprimidos. É assim que eles funcionam. Eles te amam, Lil, e eles sentem muito a sua falta."

"Por que eles deveriam estar deprimidos? Por que ele deveria estar deprimido? Eu fiz o que ele queria. Ele não tem o mínimo direito de estar deprimido."

As últimas palavras dela são como um interruptor, acendendo a lâmpada na minha cabeça.

A Lily não estava por trás disso, outra pessoa que estava.

"O que você quer dizer por 'ele'? Alguém disse alguma coisa. Eu sei que disseram. Quem. Me diz agora." Eu falo, um pouco mais firme do que pretendia.

Ela olha para mim e balança a cabeça, "Não importa quem disse. Ele está certo e não há nada que alguém possa fazer para mudar isso, Alice."

Eu quero que ela diga logo. Eu quero agarrá-la pelos ombros, sacudí-la até que o nome saia, e então azarar aquele indivíduo tremendamente.

Instantaneamente, a minha mente começa a avaliar os quatro. Não é só de curiosidade. Eu preciso saber isso, eu preciso saber quem levou a Lily a rejeitar o James.

Peter? Não, ele é muito reservado e nervoso, para dizer qualquer coisa.

Remus? É claro que não, ele também é muito calado. Ele não faria algo desse tipo, nem que a vida dele dependesse disso.

E eu sei que o James está fora.

E então, tudo se encaixa. Ela não precisa nem falar o nome, ela não precisa nem mesmo dizer uma palavra.

"Oh… Sirius. Foi o Sirius."

Somente um olho o rosto dela, e eu sei que adivinhei perfeitamente. Os olhos dela estão arregalados e ela rapidamente olha para o outro lado, tentando olhar para qualquer lugar, exceto o meu rosto.

Mas é muito tarde, eu já sei.

Respira fundo, Alice, respira fundo.

"Me diga exatamente o que ele falou para você."

"Nós já discutimos isso, Alice. Ele me disse o que eu deveria ter percebido o tempo todo. Ele estava perdendo o melhor amigo dele, então ele veio a mim. Ele veio até a fonte do problema. Ele disse que eles estavam perdendo o James como amigo."

"Isso é uma mentira…"

"Não, não é! Eu tomei conta da vida dele! Eu sei disso. Você sabe disso. Diabos, até o Professor Dumbledore provavelmente sabe disso agora! Não era bom para eles. Eu não posso fazer o James escolher entre eles e eu. Eu não vou deixar chegar a esse ponto."

Como é irônico, uma das razões pela qual o James se apaixonou pela Lily, também leva a morte do relacionamento deles. Ela se importa muito com as pessoas.

As pessoas que ela ama, e as pessoas que a traíram.

Pegando as mãos frias dela, eu as coloco com as minhas, para aquecê-las.

"Você está cem porcento correta. Ele te ama e ele daria de tudo para ter você. Ele ama a sua bondade. Mas você precisa parar de tentar agradar a todos, e começar a pensar em você mesma, a sua própria satisfação, as suas próprias expectativas."

"Eu não me importo. Eu quero que ele seja feliz, e ele não vai ser, não sem eles. Ele não vai ser a mesma pessoa pela qual eu me apaixonei, se ele os perder, e eu o amo muito para prendê-lo enquanto somos tão novos."

Ela muda o olhar para as nossas mãos unidas, mas depois volta a me olhar.

"Alice, por favor, me dê a sua palavra que você não vai contar isso para o James. Por favor não conta para ele. Por favor… me promete."

Maldição, eu não quero ser parte disso. O que eu realmente quero, é correr para o dormitório do lado oposto, dar um soco no Sirius, e contar tudo para o James. Isso tudo foi um erro estúpido ocasionado pelo ignorante do ex-namorado da Marlene. Mas ela está certa. Isso causaria um grande desacordo entre o James e o Sirius. Além disso, não posso me meter. Eu não fui a pessoa que criou essa confusão, e a pessoa que fez isso deveria ser aquela a consertar tudo.

Somente posso concordar com a minha cabeça, com um choque completo e absoluto ainda passando pelo meu corpo, devido à minha descoberta. Relutantemente, eu prometo para ela que eu não vou mencionar isso para o James.

Mas eu tenho alguns assuntos para discutir com o Sr. Black.


A lenha continua a queimar na Sala Comunal e as minhas mãos estão gélidas, mas eu não tenho tempo para isso agora. Ao invés disso, eu as esfrego uma na outra, e ajeito a minha roupa casualmente. Se eu soubesse que estaria tão frio na Sala Comunal essa manhã, eu teria vestido alguma roupa de flanela.

Após bater duas vezes, e não obter resposta alguma, a minha impaciência começa a aumentar. Eu finalmente ouço o som abafado de passos se dirigindo próximos a porta. Ela se abre para mostrar um Sirius de olhos turvos, parado na minha frente, vestindo nada mais que seus shorts de listras.

"Alice." Ele aparenta estar supreso pela minha aparição repentina. "Por que você está aqui?"

Enquanto eu abro caminho para dentro do quarto, eu percebo o exterior medíocre dele, além de um fedor de álcool no seu hálito. Eu olho em volta, e vejo que um Peter roncando é a única outra pessoa presente, mas eu não estou muito preocupada com ele. Eu vi esse garoto dormir antes, e seria necessário um desastre da natureza para acordá-lo.

Eu me aproximo da cama dele, e a primeira coisa que me chama atenção é a garrafa vazia de firewhiskey, caída embaixo da cabeceira da cama dele, próxima a um copo, que está escuro devido aos restos de bebida nele. Quando eu olho para ele, o questionando, ele se vira, e se abaixa para pegar a roupa suja, e os pedaços de pergaminhos amassados, do chão.

"Então… você nunca respondeu a minha pergunta. O que te traz aqui, de todos os lugares? Você sabe que o Frank não fica aqui."

Ele não me olha, somente cheira a pilha de roupa suja, coloca uma camisa branca, e reorganiza os objetos na mesa dele que tenham sido virados, ou colocados para o lado.

Ignorando a última parte da pergunta dele, eu decido ser a mais direta o possível. É fácil ver que ambos estamos desconfortáveis (mas eu não me importo nenhum pouco sobre o nível de conforto dele nesse momento), e eu realmente não quero lidar com ele por um período longo de tempo.

"Por que nós não nos sentamos e conversamos um pouco? Eu tenho algumas coisas que eu gostaria de falar com você, e têm algumas coisas que você precisa me explicar. A maior parte delas envolve a Lily."

Ele me olha nervosamente, perceptivelmente pasmo com a minha resposta, antes de tentar agir cortês, rindo um pouco.

"Nós podemos fazer isso."

A voz suave e profunda que eu estou tão acostumada a ouvir dele, está quebrando e extramamente rouca. Eu conheço o Sirius por um período considerável de tempo – bem antes dele e da Marlene começarem a namorar – e essa é a primeira vez que eu o vejo assim. O estilo indiferente e composto que eu estou acostumada a ver, se foi.

"Se você tem algo a dizer, eu gostaria que você dissesse logo. Eu tenho apenas poucos minutos para me aprontar. Eu tenho que me encontrar com alguém."

As mentiras dele nunca me enganaram antes, e com certeza, não estão funcionando agora. Eu estive próxima a ele por tempo o suficiente para saber que, se ele realmente tivesse que estar em algum lugar, ele não estaria com essa aparência horrível de agora.

"Eu vou tentar ser rápida, mas não vou ser doce." Eu digo, enquanto sento em um banco, que assumo pertencer à mesa do Remus, e me viro para encará-lo. "Mesmo assim, eu sugiro que você se sente."

Ele me olha por um instante, provavelmente considerando se rebelar contra a minha solicitação, mas então se senta no banco mais próximo ao meu.

"A Lily é como uma irmã para mim, e eu odeio vê-la machucada. E desde a semana passada, é tudo que eu tenho visto. Eu ouvi as pessoas atacarem o caráter dela, pessoas que realmente não a conhecem. Eu observei enquanto ela se machuca, dizendo que não poderia destruir a sua amizade. A felicidade dos amigos dela vêm em primeiro lugar na vida dela. E, até hoje de manhã, eu nunca pude juntar as peças. Eu nunca entendi o que ocasionou o término do relacionamento dos dois. Mas agora eu sei. Eu vejo tudo perfeitamente."

Seus olhos cinzas estão preocupados, mas a depressão ainda está presente, dominando tudo. E, mesmo estando completamente sem vida, eu percebo outra emoção dentro deles.

Remorso.

Eu atingi o ponto.

"Quando você e a Marlene começaram a sair, eu achei que você fosse perfeito para ele. Você era tudo que nós, as amigas dela, esperássemos que você fosse. Mesmo você tenho um passado com as mulheres, nós fomos capazes de passar por cima disso porque você era um cavalheiro. Você tratou a Marlene com respeito, algo que muitos garotos não faziam.

"Em algum momento, ela se apaixonou por você. E quando a Lily e o James começaram a sair, vocês dois estavam bem. Mas em algum momento, nesse ano, você mudou. Você ficou distante, e você observava a Lily e o James o tempo todo. Você tem tanta inveja deles que é patético. E eu estou me sentindo uma merda porque, lá no fundo, eu sabia disso. Eu sabia que as coisas estavam não estavam indo bem antes da Marlene terminar com você. Eu só nunca soube que você pudesse fazer algo desse tipo. Eu não disse nada, eu não fiz nada, porque eu honestamente nunca achei que alguém, que alega amá-los como se fossem da própria família, destruíria intencionalmente a vida deles, como você fez."

Nesse momento, eu estou praticamente gritando no rosto dele, querendo, genuinamente, dar um tapa na cara do homem imprestável na minha frente. Ele permanece estóico, visivelmente chocado que a doce e pequena Alice Foster está repreendendo ele.

Ele move os cotovelos para os joelhos dele, e prende as mãos uma na outra, tentando esconder seu rosto, achando que isso de alguma forma vai impedir a penetração das minhas palavras na mente dele.

"Sirius, a Lily te ama. Ela te ama e confia tanto em você, e ela respeita o que você diz. Ela leva direto ao coração dela, tanto que ela está disposta a sacrificar o relacionamento dela por você. Ela pode estar afetando a sua amizade. Mas é isso que você realmente quer que aconteça? O que você está ganhando com os dois estando inconsoláveis? Pelo que eu saiba, ninguém está ganhando nada. Nós todos estamos machucados, porque você simplesmente não soube lidar com as suas próprias emoções."

Eu o encaro, enquanto ele esfrega as mãos dele, uma na outra, evitando o meu olhar.

"A minha opinião sobre você nunca mudou. Eu ainda te considero bem, porque você e o seu melhor amigo saíram com as minhas amigas. Vocês dois fizeram ela sorrir e isso foi o suficiente para mim. Mas nesse momento, eu não gosto do que eu estou vendo.

"O que aconteceu com o cavalheiro que conquistou o coração da Marlene? Aonde ele foi? Porque eu não gosto dessa pessoa inconsiderável que está no lugar dele. Eu realmente não gosto dessa pessoa que está se afudando na bebida. E eu especialmente… especialmente não gosto dessa pessa que está arruinando a vida daqueles com quem ele disse que se importava. E, para falar a verdade, eu acho que você também não gosta dessa pessoa. Então, tem alguma coisa que você gostaria de dizer? Qualquer coisa que você possa me dizer, que não seja uma mentira?"

Agora vêm as lágrimas. Muito pouco, muito tarde.

"Não."

Pulando do meu assento, eu olho para ele, e rio sarcasticamente. Claro que ele não pode.

"Bem, se isso é tudo que você pode dizer em sua defesa, eu acho que vou embora e te deixar para fazer o que quer que seja que você tem que fazer. Mas antes de eu ir… A Lily me pediu para fazer dois favores para ela. Um tem a ver com um tipo de pagamento." Os olhos deles rapidamente olham os meus, arregalados e estáticos, com choque. "Ela diz que o quer cancelado."

Os olhos dele imediatamente caem para o chão, ainda arregalados e descrentes.

Eu tiro a caixa do meu bolso e a coloco no banco, aonde eu estava sentada.

"O segundo favor foi para eu entregar isso ao James, mas eu quero que você o faça. Eu quero que você olhe para o seu melhor amigo, nos olhos dele, e realmente veja o que você fez. Eu quero que a sua consciência te importune até te deixar doido."

Os olhos dele estão fixos na caixa, enquanto eu caminho para a entrada do quarto, e me viro, para encará-lo novamente.

"Parabéns, Sirius. Você conseguiu fazer a única coisa que até mesmo o mais cruel dos Sonserinos falhou. Você fez o que o Rosier não conseguiu. Você matou o espírito dela, você descobriu a fraqueza dela, e você a quebrou. Você quebrou o coração dela. Nem mesmo eles conseguiram fazer isso."

Por um instante, um curto instante, quando os olhos dele cheio de culpa colidem com os meus, eu sinto pena dele.

Então eu me lembro da razão pela qual eu vim aqui, para começar.

Eu me lembro da Lily.

Eu vejo o rosto dela. Eu ouço os choros dela. Eu sinto a dor dela.

"Pense bem nisso. Pare de ser egoísta por um segundo, e olhe para as pessoas que você está realmente machucando. Eles merecem isso? Eles merecem o inferno onde você os colocou?"

Enquanto eu caminho para fora do quarto e começo a procurar o Frank, eu só posso esperar que ele encontre a resposta certa.

E entenda o que ele tem que fazer, quando a encontrar.


A/N: Fiquei horas em claro para poder traduzir esse capítulo para vocês, e continuar com o mínimo de um capítulo por dia, então, que tal me recompensar deixando um review?