Beta: TaXXTi

Entre Nós

Capítulo 14

Era a terceira vez naquela semana que Jensen passava pela casa de Jared e não o encontrava. Bateu na porta e não ouviu nenhum sinal de vida, nem mesmo os latidos de Sadie, o que era estranho demais.

Se envergonharia daquilo mais tarde, mas se aproveitou de sua posição na empresa para conseguir telefone de Chad. Ele era o melhor amigo de Jared e com certeza saberia do seu paradeiro.

- Alô.

- Olá Chad, é o Jensen.

- Jensen? – o loiro mais novo estranhou a ligação.

- Desculpe te ligar assim, eu peguei o seu telefone na empresa, mas é que... eu estou ficando desesperado. Há dias que eu estou tentando ligar para o Jared, ele não atende ao telefone e eu não o encontrei em casa, então...

- Jared não está na cidade, Jensen.

- Como assim? Você quer dizer que ele foi embora? – O coração de Jensen disparou no peito. Não podia ser...

- Ele viajou a trabalho. Deve voltar em algumas semanas.

- Viajou?- Jensen se sentiu aliviado. - Pra onde?

- Eu não estou autorizado a dizer.

- Mas ele... você pode me dar pelo menos um telefone? Eu preciso muito falar com ele.

- Eu não posso. Sinto muito.

- Nem mesmo pra mim? – Não conseguiu esconder a decepção na voz.

- Jensen, o Jared precisa de um tempo, cara – Chad suspirou, quase sentindo pena do loiro. Por que aqueles dois tinham que ser tão complicados?

- Certo – Jensen percebeu que Chad não cederia. – Mas ele está bem, não está?

- Ele está trabalhando e tocando a vida. Está bem, dentro do possível.

- Ok, eu... Desculpe por ter ligado. – Jensen se sentia frustrado por não poder fazer nada. – Se falar com ele, você pode por favor dizer que... que eu preciso muito lhe falar, e... pra ele me ligar assim que puder?

- Ok – Chad concordou.

- Obrigado.

- Ei Jensen?

- Sim?

- Em algum momento você pensou no que poderia ter acontecido ao Jared? Ou você não estava nem aí? – Chad tentou se segurar e não dizer nada, mas estava com aquilo atravessado em sua garganta.

- Eu pensei sim. Inclusive eu estava prestes a desistir, mas o Jared realmente quis fazer aquilo. Eu me importo com ele, Chad. Me importo muito.

- Certo – Chad sentiu que Jensen estava sendo sincero. – Eu darei seu recado a ele.

- x -

A alegria de Jared tinha mesmo durado pouco desta vez. Estava tudo de volta; o frio na espinha, o aperto no peito, a sensação de estar sendo seguido ou observado. Primeiro pensara que era por causa do senhor Pileggi, que apesar de ter se mostrado simpático e o recebido muito bem em sua empresa, o olhava de um jeito estranho. Mas então os sussurros voltaram e Jared teve certeza que não era por causa dele. Algum espírito estava próximo, e por mais que tivesse passado por aquilo várias vezes, continuava sendo assustador.

Tentou ignorar as vozes, já que nada se fazia claro em sua cabeça, e resolveu se concentrar no trabalho. Levaria pelo menos mais uma semana para terminar, mas quanto antes o fizesse, mais cedo poderia deixar a cidade e quem sabe o espírito também o deixasse em paz. Fugir nem sempre era a solução, mas algumas vezes tinha resolvido.

Preferiu não dizer nada a Chad quando o amigo ligou dizendo que Jensen o havia procurado. Não queria preocupá-lo ainda mais, pelo menos enquanto tudo estivesse sob controle. Se as coisas piorassem, sabia que teria que recorrer a Chad e deixar o trabalho, afinal, não podia correr o risco de perderem um cliente por sua causa.

O expediente dos funcionários já havia terminado e Jared estava sozinho no escritório, quando sentiu o espírito se aproximar novamente. Não podia vê-lo, mas podia sentir sua presença, o que fez todos os pelos do seu corpo se eriçarem. Parou o que fazia e respirou fundo, tentando manter a calma, mas os sussurros se tornaram cada vez mais altos e era impossível ignorá-los desta vez.

Jared deixou os cabos e as ferramentas sobre a mesa e se levantou, pensando em voltar para a pensão, então deu de cara com o senhor Pileggi, parado na porta, o observando.

- O senhor me desculpe, eu... eu já estou indo embora, irei terminar amanhã – Jared só queria sair rapidamente dali.

- Você sentiu a presença dele, não sentiu? – Mitch falou com a voz calma.

- Como?

- Meu deus, você está pálido, tremendo... eles realmente afetam você – O homem se aproximou e segurou a mão de Jared, sentindo o quanto estava gelada.

- Eles... quem? – Franziu o cenho, tentando entender.

- Os espíritos, filho. Os espíritos.

- Eu... é... – Jared não sabia o que dizer. Como ele sabia? - Como o senhor...?

- Eu também tenho este dom. Ou esta maldição, como preferir chamar – Mitch riu. – E não sei explicar, mas eu percebi que tinha algo especial em você assim que o vi pela primeira vez.

- O senhor consegue vê-los? – Jared estava curioso. Era a primeira vez que conversava com alguém que tinha o mesmo problema.

- Sim, eu os vejo sempre que se aproximam. Mas eu já me acostumei com a presença deles, então... Você também os vê, ou apenas...?

- Não, na maioria das vezes eu só os ouço. Vozes, sussurros... eu consigo sentir a presença deles e algumas vezes eu consigo ver um vulto, mas apenas um eu consegui ver claramente até hoje.

- Isso te perturba?

- Bastante. Existe um jeito de fazer parar? – Jared perguntou, esperançoso.

- Não, infelizmente não.

- Ah. Eu imaginei – Jared suspirou, cruzando os braços.

- Sinto muito, filho – Mitch tocou em seu ombro, tentando confortá-lo.

- O senhor os vê desde criança também?

- Sim. Eu falava com eles e a minha mãe achava que eu tinha um amigo imaginário. Eu lembro que foi difícil para os meus pais aceitarem e compreenderem. Alguns diziam que eu era louco, por isso minha mãe me proibiu de dizer o que eu via para outras pessoas. Era um segredo com o qual eu tive que aprender a conviver. Mas parece que as coisas não foram tão fáceis pra você... – Mitch comentou ao perceber o olhar vago e triste de Jared.

- Eu não conheci o meu pai. Depois que minha mãe faleceu, eu soube que ele morreu em um hospital psiquiátrico, onde estava internado com esquizofrenia. Ele dizia que via gente morta – Jared forçou um sorriso. – Acho que as coisas foram ainda piores pra ele. Uma pena eu não tê-lo conhecido.

- Isso não precisa ser tão ruim.

- Não? – Jared sorriu com ironia.

- Talvez ajude se você tentar abrir a sua mente.

- Abrir a minha mente? – Jared não estava entendendo nada. – Como?

- Você já ouviu falar em hipnose?

- Já. Eu só não entendo no que isso pode ajudar.

- Deixe eu pensar em uma maneira fácil de fazer você compreender... – Mitch ficou pensativo por um instante. - A sua mente funciona como uma espécie de satélite. Quando um espírito descobre que você pode ouví-lo e se aproxima, a sua mente se esforça para entendê-lo e capta tudo o que estiver há centenas de quilômetros. Ok, eu estou exagerando um pouco, mas é daí que vem os sussurros, as vozes que perturbam você o tempo todo.

- E a hipnose faz o quê?

- Se funcionar, ela pode abrir a sua mente. Você vai ver e ouvir com nitidez aqueles que te procurarem, e vai ter mais facilidade de se comunicar com eles e poder ajudá-los. Também vai se livrar de todo esse ruído que pode transformar a sua vida em um inferno.

- E o que acontece se não funcionar?

- Nada. As coisas irão continuar do jeito que estão.

- Humm... – Jared ficou pensativo.

- Se você quiser tentar, eu conheço alguém que pode ajudar - Mitch ofereceu.

- Mesmo?

- O que você acha de sábado pela manhã? Na minha casa?

- Eu... acho... eu...

- Você pode pensar à respeito e me avisar quando estiver pronto - Mitch não queria forçá-lo a tomar uma decisão.

- Eu quero! Eu... não tem nada pra pensar, eu quero sim.

- Foi o que eu pensei – Mitch sorriu. – Te esperarei às dez horas no sábado. Até lá.

Jared voltou para a pensão onde estava hospedado, tomou um banho e se trancou em seu quarto. Estava eufórico demais para pensar em comer qualquer coisa, só conseguia pensar no que o senhor Pileggi havia lha falado. Precisava falar com Chad, mas e se o amigo tentasse impedi-lo? Lembrou-se então do quanto o outro ficara puto por não ter lhe contado antes sobre a possessão e decidiu que seria melhor ligar para ele de uma vez. Não iria aguentar esperar até sábado e não poder falar sobre aquilo com ninguém.

- Hipnose? – Chad parecia incrédulo.

- Você deve achar que eu sou doido, não é? – Jared se sentou na beirada da cama e passou a mão pelos cabelos.

- Não, é só que... o meu pai confia no Mitch e tudo o mais, mas eu não vou deixar você fazer isso sozinho.

- Chad...

- Sábado pela manhã eu estarei aí, bem cedinho.

- Chad, não precisa, eu...

- Eu sei que não precisa. Mas eu quero estar aí, ok? – O loiro insistiu.

- Está bem – Jared concordou. Estava seguro do que queria, mas no fundo, se sentiria melhor se Chad estivesse por perto.

- Você está com medo? – Chad perguntou. – Eu estaria.

- Não é medo, é só... ansiedade, eu acho. Ok, talvez um pouco de medo também, mas eu estou bem – Jared complementou, não conseguia mentir para Chad.

- Tente manter a calma, só faltam três dias. Vai dar tudo certo, Jay. Eu tenho certeza.

- Eu sei – Jared estava tentando ser confiante. – Eu te espero no sábado, então. Até mais.

- x -

Chad entrou em desespero quando, na quinta-feira, chegou em casa e encontrou seus pais de cama por causa de uma gripe forte. Sabia que eles não iriam melhorar tão rapidamente e pela primeira vez, sentiu que teria que deixar seu amigo na mão. Não. Não necessariamente... Provavelmente Jared ficaria muito puto, mas não deixaria que ele passasse por aquilo sozinho.

Chad dirigiu até a casa de Jensen e bateu na porta.

- Chad? – Jensen estranhou a visita.

- Hey! – Chad sorriu amarelo, pensando que Jensen ainda devia estar puto pelo que dissera ao telefone outro dia.

- Aconteceu alguma coisa com o Jared? Entre! – Jensen abriu mais a porta para que o outro entrasse.

- Não. Quero dizer, ainda não, mas você já deve ter percebido a capacidade que ele tem de se meter em apuros, não é? – Chad parou no meio da sala, com as mãos nos bolsos.

- Que tipo de apuro ele está prestes a se meter? – Jensen ficou preocupado.

- Ele vai me matar por isso, mas...

- Sente-se – Jensen estava ficando irritado com Chad andando de um lado para o outro.

- Ele conheceu um cara, que na verdade é amigo do meu pai, e...

- Um cara?

- É. Não, não é o que você está pensando... o senhor Pileggi tem mais de sessenta anos, já.

- Ah – Jensen se sentiu aliviado. – E o que tem esse cara?

- Ele tem o mesmo dom que o Jared, ele também vê os mortos. Porra, quem me ouve falando assim até pensa que é a coisa mais normal do mundo. Eu ainda fico arrepiado só de pensar – Chad passou as mãos pelos braços, incomodado.

- Ele tem o mesmo dom, e...? – Jensen estava ansioso.

- Ele disse que pode ajudar. Quero dizer, eu não entendi direito porque quando o Jared se empolga ele fala rápido demais e me deixou ainda mais confuso, mas tem a ver com abrir a mente e hipnose, e...

- Hipnose? Mas... isso vai fazer com que ele pare de ver os mortos?

- Não. Isso não tem como parar. Mas se funcionar, as vozes e os sussurros que ele ouve o tempo todo devem diminuir e isso vai fazer com que ele possa ouvir e ver com clareza os que realmente se aproximarem dele, entendeu?

- Não muito bem – Jensen franziu o cenho.

- É, nem eu. Mas o Jared deve ter entendido e isso é o que importa – Chad coçou a cabeça, confuso.

- Esse negócio de hipnose, isso é seguro? – Jensen tinha preocupação na voz.

- O senhor Pileggi é um velho amigo do meu pai, eles quase não tem mais contato, mas o meu pai ligou pra ele, só pra se certificar. É seguro sim, mas de qualquer maneira, eu não posso deixar que o Jared faça isso sozinho, e é por isso que eu vim aqui.

- Você quer que eu o acompanhe? Por quê? Eu acho que o Jared não está me querendo por perto no momento.

- Sim, eu sei. E ele vai me matar por isso, mas eu disse a ele que eu iria, no sábado pela manhã. Só que o meu pai não está se sentindo muito bem, ele e minha mãe pegaram uma gripe forte, mas ele está pior, e eu não posso deixar ele sozinho com a minha mãe, que também está doente. Só que se eu disser isso pro Jared, eu tenho certeza que ele não vai querer esperar e vai fazer tudo sozinho, entendeu?

- Ele sabe que eu irei no seu lugar?

- Acho melhor ele não saber. Ele pode não querer, e...

- E se ele não me quiser por lá? – Jensen queria muito ir, queria muito estar perto de Jared novamente, mas também tinha medo de ser rejeitado.

- Com certeza ele irá ficar muito puto comigo, mas ele não vai te expulsar de lá, disso eu tenho certeza. E eu me acerto com ele depois.

- Está bem. Eu só preciso do endereço.

- Jensen, só... mesmo que vocês brigarem, ou algo assim, não deixe que ele faça isso sozinho, ok? Eu estou confiando em você.

- Fique tranquilo, Chad. Eu estarei lá.

- x -

No final da tarde de sexta, Jensen aguardava por Jared na saída da empresa em que ele estava prestando serviços. Como já esperava, Jared não pareceu muito feliz ao vê-lo.

- Jensen? O que diabos você está fazendo aqui?

- Hey Jared – Jensen forçou um sorriso, estava nervoso. – Eu sei que você esperava pelo Chad, mas os pais dele pegaram uma gripe muito forte, e ele não quis deixá-los sozinhos, então me pediu que...

- E por que ele não me falou? Eu poderia fazer isso em outro dia. Você não precisava ter vindo – Jared parecia irritado.

- Porque ele sabia que você faria sozinho, se ele te falasse – Jensen suspirou.

- Eu não faria.

- Sim, você faria – O loiro insistiu.

- E por que você já veio hoje? Eu esperava o Chad só amanhã de manhã.

- Pensei em aproveitar pra conhecer a cidade. Dar umas voltas por aí. Você quer vir comigo ou tem outros planos pra essa noite? - Jensen deu um sorriso cínico.

- Tudo bem. Eu só não posso beber, minha cabeça tem que estar limpa amanhã – Jared riu. – E eu preciso ir pra pensão tomar um banho primeiro.

- Entre aí, eu vou com você até lá.

Jensen dirigiu até a pensão e ficou sentado em uma poltrona no quarto, enquanto Jared foi para o chuveiro. Quando o moreno saiu do banheiro, vestindo jeans e sem camisa, ainda secando os cabelos com a toalha, o loiro não conseguiu parar de olhá-lo. Ele era lindo.

Jared percebeu os olhares do outro sobre si e vestiu uma camiseta rapidamente.

- Obrigado por cortar o meu barato – Jensen brincou, tentando quebrar o gelo.

- Aonde você quer ir? – Jared ignorou o comentário.

- Podemos ficar aqui, se você quiser – Jensen insistiu, se aproximando.

- Jensen...

- O que eu preciso fazer pra você me perdoar?

- Nada. Não tem nada pra eu perdoar. Só esquece esse assunto, ok?- Jared atirou a toalha sobre a cama.

- Você quer me dar um soco no meio da cara? – Jensen parou diante do moreno, o desafiando.

- O quê?

- É sério. Quem sabe se você descarregar sua raiva, nós dois podemos conversar?

- Eu não estou com raiva de você.

- Então o que é? Por que você continua fugindo de mim desse jeito? – Jensen não conseguia entender.

- Eu te pedi um tempo, droga! – Jared abriu os braços.

- Um tempo pra quê? Já faz quase dois meses. Ficar longe de mim está ajudando você em alguma coisa? Está funcionando? Porque pra mim não está – Jensen estava sendo sincero.

- Jensen, você não entende que...

- O quê? – Jensen o interrompeu. - Existe outra pessoa? É por causa do Tom?

- O Tom já é passado, eu não...

- Então qual é o problema? Eu sou tão repugnante assim? – Jensen abriu os braços, já não sabia mais o que fazer para que Jared o aceitasse.

- Não. Você só é um idiota.

- Acho que eu não sou o único – o loiro respondeu, irritado.

- Eu fiz tudo o que vocês queriam, eu emprestei meu corpo, eu aceitei a possessão pra que você e o Justin se resolvessem. Ele finalmente conseguiu se libertar e foi embora. Pra sempre. Agora, por que você simplesmente não esquece que eu existo e me deixa em paz?

- É isso o que você realmente quer? Que eu desapareça da sua vida?

- Eu só quero o melhor pra você – Jared estava sendo sincero.

- E o melhor pra mim é ficar longe de você? Por quê? - O loiro não conseguia entender. Como alguém podia ser tão teimoso?

- Você sabe a resposta. Olha pra minha vida, Jensen. Você acha mesmo que eu tenho algo de bom pra te oferecer? Isso não é um filme onde tudo é bonitinho e todos vivem felizes para sempre. É real. Eu vejo gente morta. Eu tenho pesadelos, eu ouço vozes... agora mesmo eu estou ouvindo eles sussurrarem e eu só não enlouqueço porque eu já aprendi a ignorá-los. E você ainda me pergunta por que deve ficar longe de mim?

- Eu não me importo se você ouve vozes ou se você os vê. Se você pode aguentar isso, eu também posso.

- Você não tem ideia do que está falando. Eu te falei sobre o Tom, não falei? Ele também achava que podia lidar com isso, e adivinha? – Jared sorriu com sarcasmo.

- Eu não sou o Tom, Jared. E eu entendo o que você está sentindo, mas... Você não precisa me proteger, eu sou um homem adulto e sei muito bem o que eu quero.

- Você está confundindo as coisas, Jensen. O Justin esteve no meu corpo, eu entendo que você esteja se sentindo assim a meu respeito, mas...

- Não é o Justin quem eu quero. É você.

- Jensen...

- Quando o Justin estava no seu corpo, eu... Quando eu olhava em seus olhos, era você quem eu procurava, não ele. Eu queria que você estivesse lá. Eu até me senti culpado, como se eu estivesse traindo o Justin, mas... Eu provavelmente já sentia algo por você, mas como ele ainda estava entre nós, eu não consegui perceber isso antes. Eu não estou confundindo as coisas, e não estaria aqui te dizendo isso se eu não tivesse certeza do que sinto.

- Eu não posso... eu não posso fazer isso, Jensen. E eu tenho certeza que logo você vai perceber que eu estou certo.

- E por que você não me dá uma chance de provar? – Jensen não conseguia entender.

- Provar o quê?

- Que eu estou certo. Que nós dois podemos ser felizes. Juntos. Ou pelo menos tentar.

- Sim, você pode ser feliz. Mas não comigo - Jared não sabia mais como argumentar.

- Eu não irei desistir tão fácil, e você sabe disso – Jensen insistiu.

- Ok. Então eu vou provar pra você o quanto você está errado. Acho que eu já entendi qual é o ponto. Você deve estar curioso, não é?

- Curioso? – Jensen franziu o cenho.

- Era o Justin, mas era o meu corpo. Você quer saber como seria se fosse apenas eu.

Jensen sorriu e balançou a cabeça, indignado. – Você acha mesmo que é apenas isso?

- Você está disposto a tirar a prova? – Jared se aproximou de um jeito perigoso, olhando bem dentro dos olhos de Jensen, que não recuou.

- Estou.

- Jared tirou a camiseta que tinha acabado de vestir, assim como sua calça jeans e cueca, ficando completamente nu. Jensen mordeu o lábio inferior e desceu os olhos pelo corpo do outro antes de começar a desabotoar a própria camisa.

O moreno o ajudou a se despir da camisa e camiseta, enquanto tomou sua boca em um beijo urgente, explorando a boca de Jensen como se fosse a primeira vez. Já tinha sentido a maciez dos lábios do loiro quando Justin estivera em seu corpo, mas estar no controle tornava tudo muito mais excitante.

O restante da roupa de Jensen também foi tirada com pressa; Jared o agarrou pela cintura, colando seus corpos, seus lábios contornando a linha do maxilar do loiro e descendo pelo seu pescoço, mordiscando e lambendo sua pele.

Jensen sentiu todo o seu corpo incendiar com aquele toque; ainda mais quando foi derrubado sobre a cama e Jared se deitou sobre ele. Seus corpos se esfregavam, pressionando suas ereções, mãos afoitas acariciavam e apertavam, querendo tocar, querendo sentir...

Jensen inverteu as posições, ficando sobre o moreno; seus lábios e língua deixando um rastro úmido sobre o peito do outro, provando do seu gosto e sentindo o seu calor. Lambeu cada um de seus mamilos, arranhando sua pele com os dentes e provocando. Cada gemido, cada som que Jared emitia o deixavam ainda mais louco de desejo. Deus, como queria aquele homem...

Sua boca desceu pelo abdômen do moreno, beijando e sentindo cada músculo, até chegar ao seu membro, já duro como uma rocha. Jensen o olhou por um instante, apreciando, antes de tomá-lo em sua boca, chupando a glande e lambendo a pele sensível, enquanto uma de suas mãos lhe acariciava os testículos.

Jared gemeu alto quando o loiro abocanhou tudo o que podia, sugando com perícia e o levando à beira da loucura. Jensen era perfeito.

Quando percebeu que Jared estava prestes a gozar, o loiro parou o que fazia e sorriu ao ouvir um resmungo de protesto. Voltaram a se beijar e Jared fez com que Jensen se virasse de bruços. Depois de pegar camisinha e lubrificante em sua mochila, o moreno esfregou seu membro na bunda do outro, enquanto beijava e mordia de leve a pele das suas costas; sua língua seguindo a linha da coluna de Jensen, enquanto seus dedos, lambuzados de lubrificante, preparavam o outro com cuidado.

Jared se posicionou entre as pernas do loiro e ergueu um pouco seu quadril, para facilitar a penetração. Depois de vestir o preservativo, pressionou seu membro no anel de músculo; Jensen era tão apertado e quente, Jared teve que se controlar para não meter tudo de uma vez. Penetrou com cuidado e começou com movimentos lentos, até sentir Jensen se empurrar contra o seu pênis, querendo mais.

Jensen suportou a dor inicial, que logo ficou esquecida... Jared metia tão fundo e tão gostoso que sentia vontade de gritar; ainda mais quando a mão do outro passou a manipular seu membro no mesmo ritmo de suas estocadas.

Sentia a respiração do outro em sua nuca e a boca dele beijando e mordendo seus ombros de leve, enquanto seus corpos se tornavam um só. Era tudo tão louco e tão intenso, como Jensen nunca havia sentido antes. O orgasmo os atingiu como uma explosão e Jared ficou ainda dentro de Jensen enquanto tentavam recuperar o fôlego.

Quando o moreno por fim saiu de cima de Jensen e se livrou do preservativo, o loiro o puxou para um beijo. Não queria que aquele momento acabasse, não queria que fosse apenas sexo, mas também não podia fazer nenhuma exigência.

- Foi incrível, não foi? – Jensen falou quando seus lábios se separaram.

- Foi perfeito – Jared passou os dedos pelos cabelos curtos do loiro. Sim, tinha sido perfeito. O Jeito que se completavam... Jared jamais tinha sentido aquilo com outro.

- Você estava errado. Não era apenas curiosidade. Eu continuo querendo você.

- Jensen... nós podemos fazer sexo quantas vezes você quiser, mas não vai passar disso, ok? É tudo o que eu posso oferecer no momento – Jared queria mais. Queria muito mais do que sexo, mas amava demais aquele homem para lhe impor a sua vida miserável. Jensen merecia muito mais do que podia oferecer.

- Sexo? – Jensen suspirou e se sentou na cama. – Você quer dizer... nós podemos fazer sexo, mas não podemos namorar. É isso?

- Uhum – Jared respondeu sem olhar nos olhos do outro.

- Está bem – Jensen concordou. Podia se contentar com aquilo, por ora. Não era o que esperava, mas era melhor do que continuarem longe um do outro.

- Mesmo? – Jared ficou surpreso, não esperava que o loiro concordasse com aquilo.

- Se é o que você tem pra oferecer, nós somos homens e adultos, podemos lidar com isso, não é?

- x -

Jared acordou assustado, com o barulho do despertador. Era impressão sua ou mal tinha pegado no sono? Olhou para o lado e se lembrou do motivo por ter dormido tão pouco. Jensen tinha mesmo levado a sério aquela história de poderem fazer sexo quantas vezes ele quisesse, mas Jared não iria reclamar. Sorriu e cutucou o loiro, precisavam se apressar se quisessem chegar na casa do senhor Pilleggi no horário combinado.

Ao chegarem lá, ambos estavam ansiosos.

- Bom dia senhor Pileggi – Jared apertou a mão do outro, tentando manter a calma. – É... este é o Jensen, ele é... - olhou para o loiro - um amigo.

- Muito prazer – Jensen também apertou a mão do homem.

- O prazer é meu – Mitch era um tanto misterioso e Jensen não sabia se gostava do jeito que ele o olhava, sentia como se ele pudesse ler a sua alma. – Amigos? – O homem sorriu, olhando de um para o outro e Jensen se sentiu constrangido por um momento.

- Então... é... o que eu preciso fazer? – Jared estava inquieto.

- Venham comigo – Mitch os encaminhou até uma sala mais reservada. – Este é um grande amigo Gil McKinney. Gil, esses são Jared e Jensen.

Gil apertou a mão de Jensen e depois de Jared, segurando-a por algum tempo e olhando bem dentro dos olhos do moreno. – Você está pronto, Jared?

- Sim. Eu acho.

- Deite-se e tente relaxar – Gil apontou para um divã antigo que estava disposto ao lado do sofá e Jared se deitou nele, era confortável. – Nervoso? – perguntou ao ver que o moreno parecia tenso demais.

- Bastante – Jared forçou um sorriso e olhou brevemente para Jensen.

- Feche os olhos e tente não pensar em nada – Gil se sentou no sofá ao lado do divã.

- Eu não consigo... as vozes... – Jared se remexia, inquieto.

- Você dormiu na noite passada? – Mitch perguntou.

- Não muito. O Jensen não me deixou – Jared abriu os olhos e sorriu de um jeito safado, olhando para o loiro.

- Oh, eu aposto que não – Gil comentou e deu risadas ao ver que Jensen tinha corado. - Vamos lá... tente mais uma vez, você precisa se concentrar.

Jared voltou a fechar os olhos, mas as vozes e sussurros em sua cabeça não o deixavam relaxar. Não sabia se era por causa do nervosismo, mas elas pareciam mais intensas agora.

- Só relaxa, Jared. Você consegue. Eu estarei do seu lado o tempo todo – Jensen se sentou na beirada do divâ e segurou a mão do moreno, lhe passando confiança.

- Certo – Gil sorriu, percebendo que finalmente Jared conseguira relaxar, sua respiração estava calma e ele tinha parado de se agitar. Os sussurros desapareceram e agora Jared podia ouvir apenas a voz de Gil... – Agora imagine que você está sozinho em um cinema... somente você e uma tela enorme, com uma luz branca…

Quando Jared despertou, percebeu que os três homens o olhavam, atentos, e Jensen ainda estava sentado ao seu lado, segurando sua mão.

- O que aconteceu? – Jared se sentou, um pouco atordoado.

- Depois que você finalmente relaxou, foi bem fácil conduzir a sua mente. Agora, se tivemos sucesso ou não, só você poderá nos dizer – Gil respondeu com a voz calma. – Como você se sente?

- Bem. Mais leve, ou... não sei. É uma sensação boa.

- E as vozes? Você ainda pode ouvi-las?

- Somente uma... parece bem próxima – Jared falou e Jensen olhou ao redor, um pouco assustado.

- Parece que funcionou – Mitch falou, animado.

- Vocês podem voltar para o hotel e tentar dormir, se quiserem – Gil brincou.

- E se as vozes voltarem? – Jared ainda não estava acreditando que tinha mesmo funcionado.

- Bom, você tem o meu telefone, Jared. Qualquer coisa que precisar, é só me ligar – Gil sorriu e tocou seu ombro. – Vai dar tudo certo.

- Obrigado – Jared e Jensen se despediram de Gil e Mitch e voltaram para a pousada onde Jared estava hospedado.

O clima entre os dois pareceu estranho de repente, nenhum deles sabia o que dizer.

- Acho que eu... tenho que ir – Jensen quebrou o silêncio. – Você vai ficar bem?

- Sim. Eu vou tentar dormir um pouco, acho que estou precisando – Jared sorriu.

- Você ainda vai ficar aqui por muito tempo?

- Não, só mais alguns dias. Obrigado por ter vindo, Jensen.

- Tudo bem, então eu...

- Eu ligo pra você quando voltar – Jared sentiu vontade de abraçar o loiro e pedir para que ele ficasse, mas não queria se precipitar.

- Ok. Até mais – Jensen foi embora desanimado, pensando que Jared não iria mesmo ligar.

Continua...


Nota da beta: Atraso por minha conta, assumo. E não vou me desculpar! kkkkkkkkkk =*

Resposta às reviews sem login:

Monika: Olá! Fico muito feliz em saber que está gostando, mas calma, ainda não está no final... rsrs. Imagino mais dois ou três capítulos ainda. Obrigada por ler e comentar. Beijos!

Luluzinha:Olá! Mais uma que achou que Mitch fosse o vilão? Hahaha. E sim, esses dois são muito complicados. Ainda bem que o Jensen está sendo persistente, não? Vamos ver no que isso vai dar... rsrs. Beijos! Obrigada por comentar.

Gina: Bom, agora que você jé leu o capítulo, algumas coisas já foram respondidas, não? Rsrs. Parece que as coisas irão melhorar um pouquinho para o Jared. E quanto aos dois, vamos ver no que isso vai dar, não é? Jensen é persistente. Gostei do seu comentário, e realmente tem muitos autores desmotivados no fandom. Você pode ver que quase não se encontra mais fanfics Padackles para ler, porque muitos bons autores desistiram. Obrigada por ler e comentar. Beijos!

Maria Aparecida: Pois é, Jared é tudo o que Jensen precisa, mas está sendo difícil para o moreno se convencer disso não é? Obrigada por ler e comentar! Beijos!

Eve: Sem más intenções? Hahaha. Eu aposto que sim! Bom, agora que você já leu o capítulo, já sabe pra que veio o Pileggi. E você já querendo matar o homem... kkkkk. Percebi que você sempre fica esperando o pior... por que será? rsrs. Não, fique tranquila que eu não irei matar o Jensen. Acho que o Jared já carrega um fardo pesado demais, não precisa de mais essa culpa, tadinho. Beijos, linda! Obrigada por comentar.

Sol: Olá! Bom, agora que você já leu o capítulo, viu que o Mitch não é nenhum vilão, né? Muito pelo contrário, ele está sendo de grande ajuda para o Jared. Jared está em uma situação difícil, mas que bom que o Jensen é persistente. Ele é brasileiro (oi?) e não desiste nunca... hahaha. E fica tranquila, eu não fiquei chateada. Como eu já disse, estava preparada para as críticas. Só quis expor o meu ponto de vista, nada mais. Beijos! Obrigada por comentar.