14 – Provocações Filosóficas

- Hum, que caro – falava Saori ao olhar o cardápio. Ela e Temari estavam em um restaurante.

- Estou na seca, quer dizer com fome. O que você vai pegar? – Indagava Temari ao olhar de relance o Buffet que iriam comer.

Saori ainda estava indecisa quanto ao que iria comer.

- E aquela sua amiga lá, o que houve com ela? – dizia Temari.

- Amiga, não. Nem conhecida era, mas sei lá...Se foi – respondeu Saori sem prestar muita atenção no que Temari dizia.

- Como assim? – Indagou Temari.

- Não está mais no face – explicou Saori -, na verdade eu só adicionei ela por curiosidade. Redigia bem, e eu queria saber quem era. Só isso. Quem sabe, mais adiante, poderíamos construir uma ponte de amizade. Agora não dá, porque eu estou mais preocupada com outras coisas no momento e nem dei a devida atenção a ela. No entanto, sei lá... O que ela criava não combinava com o cargo que ela exercia. Que vergonha, alheia...– dizia Saori consternada enquanto verificava se a câmera do smartphone estava acesa ou não. - Hum, será que é a câmera frontal ou traseira que está ativada? - Pensava entre si.

- O quê? – Questionava uma atenta Temari.

- Uke? Não, era same - respondeu prontamente Saori.

- Hein? - Questionou sem entender Temari.

- Não, deixa para lá - saiu pela tangente Saori. - O que eu quero dizer é que não tinha como abordá-la. Como é que eu ia chamar ela nas mídias sociais? Tinha uns gostos, no mínimo, muito estranhos. Peculiares, para falar bem a verdade. Argh – se recordava com asco da situação. Como Saori ampliava o seu discernimento sobre a abordagem da conversa, ela via mais do que aparecia nos fatos atuais; conseguia rememorar os fatos do passado, alinhavando-os com as situações presentes. - E como só quer saber de jogar – prosseguia com o seu raciocínio - que vá jogar sozinha, pronto – disse sem paciência. De longe, Saori, não tinha pós, tinha era phd em reconhecer pessoas somente interessadas em aparecer na situação. Era mais uma que queria seus 15 instantes de fama.

- Verdade – concordou Temari – agora, você disse gostos estranhos. Quais, quais? – Questionava uma Temari curiosa.

- Er... Melhor deixar quieto – disse Saori ao tentar se desvencilhar da conversa. - Ela se foi, mas o respeito em sua memória continua ´para a posteridade - disse Saori que vira a analogia perfeita machadiana para a situação.

- E por falar em vergonha alheia - prosseguia Saori com seu discurso - a Ivanete resolveu de nove fazer cospobre... Ih, tá se achando, antes era a garota do blog, agora - não completou a fala, preferiu mostrar o aparelho de smartphone para a própria Temari ver o que acontecia na rede social da jovem enfermeira. Enquanto mostrava a foto de Ivanete, Saori tomava a sua garrafa de água. - Se continuar assim, eu mesma vou fazer você pagar esse cospobre, garota... Isso aí não vai mais sair do nosso salário, digo do meu salário. Afinal das contas você está aqui para se esforçar ou fazer turismo em cada cidade que você vai? - disse mais para si mesma do que para Temari.

Temari não sabia nem o que falar diante da imagem no smartphone da empregada de Ivi Saori caracterizada de anime.

- E tem ainda a continuação de Naruto... - De repente, Saori se recordara desse fato. - Ela não deve estar satisfeita com isso, mas deveria saber que eu não controlo esse tipo de coisa... – falava mais para si mesma do que para Temari - Esses fãs, eu nunca sei exatamente como lidar com eles...

- Hãn? Você quis dizer o nosso Naruto, aquele que você ia se encontrar? E de que fãs está falando? – Temari não havia entendido o que Saori dissera.

- Não, estou falando do Naruto do anime. A continuação da saga é o desenho Boruto, que eu gosto muito. Vai ver, eu e ela discordávamos sobre isso. Melhor deixar quieto. Vou comer essa salada de frango – Saori apontou para o cardápio ao mudar de tema de conversa rapidamente.

- Vou querer o mesmo – Temari acompanhou a amiga no pedido.

Já na mesa, Temari teve a recordação novamente de Naruto.

- E como foi o encontro com o Naruto? A Eva me disse que houve um contratempo e que vocês não chegaram a se encontrar... – falou a aprendiz de segurança.

- Eu corro da Eva hoje. – Deu risada Saori enquanto passava o seu corretivo pocket enquanto olhava seu reflexo no copo. O grande ficara na bolsa junto com os outros itens de maquiagem.

- Hein? – Temari não entendeu.

- Nada – esclareceu Saori -, enfim, eu e ele não conseguimos nos encontrar, apareceu uma menina, que era conhecida dele... Em síntese, ele teve que levá-la para casa.

- Oh, game over, cultie – disse Temari em sinal de consolação para a sua amiga.

- Game over só se for para ele – rebateu Ivi Saori.- Nem preciso dizer de quem é essa referência bibliográfica. - Temari olhou para ela sem entender - É minha mesmo. E vamos comer que hoje é dia de passar na Sephora -trocou de tema de conversa.

- Uhull, compras – dizia Temari empolgada. - Estou pensando em levar aquele gato do Itachi com a gente. Que é meu amigo, sabe? - Itachi era amigo de Shikamaru e comandante da segurança federal de Konoha. Temari enchia os olhos de orgulho toda vez que mencionava o nome dele e dizia "óh, esse é meu amigo e é agente das forças armadas, viu", já que ele era um verdadeiro profissional exemplar - Ele tem amigos no exército, inclusive...

- É uma boa - sibilou Saori. Se parecia calma externamente, no seu âmago, as seguintes palavras reverberavam: "até porque não é insensato dizer que a verdadeira mulher maravilha sou eu, ou seja, não aceito imitações, sou a original. Vamos às compras e eu vou mostrar quem é quem. Muito melhor do que ser uma usurpadora", pensava entre si Ivi Saori.

E assim o fizeram.

CONTINUA

Bem que a Sephora podia patrocinar esse capítulo, hein? Brincadeiras à parte, o próximo capítulo será grande. Eu prometo.