Capítulo Catorze
Fiquei perdida em seu olhar, mas mesmo assim meu sorriso anterior sumiu. A realidade dos fatos me atingiu de uma vez só, e eu me afastei um pouco de Edward. Como eu pude? Mesmo com as melhores intenções do mundo, eu tinha traído Jacob! Jacob, que dizia tanto o quanto me amava e se importava comigo...
Me virei com a barriga para cima, olhando para o teto do quarto. Criatura detestável e repugnante que eu era! Idiota e mesquinha, cheia de luxúria e crueldade!
Lágrimas começaram a rolar em meu rosto, e eu sabia que Edward tinha visto, pois se afastou e sentou na ponta da cama, apoiando o rosto nas mãos, e os cotovelos nos joelhos.
Além de tudo, claro, agora eu havia prejudicado Edward também. Eu havia dito a ele que o amava, que o queria... E agora diria que estava arrependida – diria que aquilo era um erro tremendo.
Eu podia me redimir. Ser a melhor amiga que Edward já teve, e a namorada mais amorosa que Jacob sequer imaginou. Eu havia errado com os dois, e pagaria por isso, com certeza.
Solucei no choro, chamando a atenção de Edward para meu rosto. Eu vi seu olhar e só tive vontade de chorar mais. Aquele olhar... Suas sobrancelhas unidas pela preocupação, e os lábios franzidos, como se ele quisesse dizer algo. Vi dor e compaixão em seus olhos, o que só me fez sentir mais canalha.
Tinha que haver um modo de fazer aquilo parar. Eu não podia causar dor a Edward – aquilo não era certo! Ele não merecia aquilo!
— O que eu posso fazer para você me perdoar? – sussurrei, minha voz fraca.
Edward sorriu carinhosamente para mim.
— Não vou te perdoar por me proporcionar o melhor dia da minha vida. – disse ele, com um sorriso singelo.
E então eu soube que não havia como escapar. Idiota, estúpida e imbecil, eu pertencia a ele. Nada mudaria isso.
Respirei fundo.
— Posso passar a noite aqui? – perguntei, falando tão baixo que eu mesma mal ouvi minhas palavras.
Mas Edward estava atento a mim, e ouviu.
— É claro. – respondeu imediatamente, apesar da surpresa óbvia. – Quantas noites quiser. – emendou.
Assenti, me controlando. Respirei fundo de novo, engolindo o choro.
— Eu preciso ir. – falei, separando sílaba por sílaba ao pronunciar.
A tristeza de Edward não foi muito bem escondida.
— Já? Você mal chegou aqui... – ele lamentou. – Fiquei pelo menos para o jantar; eu cozinho. – sugeriu.
— Não. – falei, inflexível.
Ele abaixou o rosto e desviou o olhar.
— Certo. – murmurou ele.
— Bem – falei, assumindo um tom mais leve –, eu preciso me vestir e pensar no que exatamente eu vou dizer a Jacob.
A menção àquele nome fez Edward ficar tenso. Coloquei minhas duas mãos em sua bochecha, forçando-o a olhar para mim.
— Tenho que dizer pelo menos adeus a ele. Afinal, não posso ter dois namorados ao mesmo tempo. – fiz eu, esboçando um sorriso.
Edward me olhou com surpresa, balançando a cabeça num movimento mínimo. Eu sabia que ele estava tentando entender o que eu disse, então continuei, com falsa preocupação:
— Ou estou me iludindo ao achar que você é meu namorado agora?
Ele abriu a boca sem dizer nada, sorrindo. Sorri ainda mais para ele, com carinho.
— Nós podemos ser tudo o que você quiser. – Edward disse, se inclinando sobre mim e tocando nossos lábios tão, tão levemente, que eu suspirei de puro prazer. – Namorados... – testou ele, estalando um beijo em minha bochecha. – Até mesmo amantes... – continuou, olhando-me com aquele jeito extremamente sexy que ele fazia às vezes. – Ou... quem sabe, marido e mulher.
Com a última declaração, Edward me beijou, tomando meus lábios com ternura, mas ainda assim, uma paixão descontrolada. Passei meus braços em volta de seu pescoço, agarrando-o com força.
— Eu te amo tanto. – sussurrei em seus lábios, para depois me afastar um pouco dele, buscando ar.
— Isso é tudo que eu preciso. – disse ele, antes de me beijar de novo, com mais entusiasmo.
Antes que ele chegasse a aprofundar demais o beijo, me afastei.
— Eu preciso ir. – falei, séria.
— Eu confio em você?
Soltei um riso baixo.
— Isso foi uma pergunta? – arrisquei.
— Não... exatamente. – respondeu ele. – Não vai embora para longe, não é? Quer dizer, você não vai fugir, vai?
E eu, rindo, percebi que ele estava realmente preocupado com a possibilidade.
— Como se houvesse outra coisa que me prendesse a algum lugar! – respondi, ainda rindo. – Tudo bem, vou fazer você confiar em mim. Vou te contar uma coisa.
— Hmm... – fez ele, esperando.
— Mas é segredo. Segredo, segredo mesmo... Nem Alice sabe. – avisei. Ele assentiu curioso. – Não fique chateado. – pedi.
— Porque eu ficaria? – Edward estranhou.
— Você vai saber. – murmurei.
Ele assentiu, esperando. Respirei fundo e abaixei o olhar.
— Minha primeira vez não foi com Jacob. – soltei, falando rápido.
Edward levantou as sobrancelhas, surpreso. Arrisquei sondar seus olhos, e ele parecia achar divertida a situação.
— Quando foi? – perguntou ele, se aconchegando ao meu lado com um sorriso zombeteiro no rosto.
Eu o encarei, surpresa por sua reação.
— Assim que cheguei em Seattle. Você sabe, minha época de revolta depois que descobri que te amava e tinha te perdido. – falei.
— Mas agora estou aqui. – ele sussurrou, se aproximando mais de mim e beijando a pontinha do meu nariz. – Na verdade, você nunca me perdeu realmente. – ele confessou, sorrindo.
— De qualquer modo, fiz muitas coisas impulsivas naquela época. – revelei. – Mas não sei se me arrependo, pra ser sincera.
Edward balançou a cabeça de lado, imitando um dar de ombros.
— Passado. – disse ele.
— Passado. – repeti, concordando.
Ele me olhou, sorrindo aquele sorriso fofo. Levantei minha mão e coloquei em seu rosto, acompanhando a linha de seu maxilar lentamente com as pontas dos dedos. Ele beijou minha mão e depois a segurou em sua bochecha por um minuto.
— Vai se mudar pra cá? – ele especulou, esperançoso.
Balancei a cabeça, negando.
— Seria... – comecei, procurando uma palavra.
— Rápido demais? – ele sugeriu.
Soltei um riso leve.
— Não para nós dois. Não acho que seja cedo para nós finalmente nos acertarmos, mas sei que as pessoas vão falar, e... Seria bom evitar um pouco isso. – murmurei.
— E isso implica em não sairmos juntos em público também? – brincou Edward, rindo.
Revirei os olhos, mostrando a língua para ele.
— Ah, qual é?! Bella, quem nos conhece aqui? Jacob e Alice. Fim. – ele reclamou, mas ainda rindo.
— Tudo bem, então. – desisti. – Mas não quero especificar isso a Jacob.
— Certo. – concordou ele, apesar de contrariado.
Encostei de leve meu rosto em seu ombro e fechei os olhos, repassando a tarde. Percebendo o quão sonolenta estava, abri os olhos e os mantive assim. Edward me observava, sorrindo quando eu fechava os olhos sem querer – para depois abri-los rapidamente.
— Durma, Bella. – ele sugeriu, passando o braço em torno de minha cintura e me puxando para deitar a cabeça em seu peito.
— Não quero dormir. – murmurei, reclamando.
Sabia que merecia uma boa noite de sono depois de mal ter pregado os olhos, mas eu não queria perder nenhum segundo com ele. Era muito mais interessante olhá-lo do que dormir, então foi o que tentei fazer.
Digo tentei, porque de poucos em poucos minutos, acordava com Edward tremendo de tanto rir. Eu acabava rindo também, mas isso não fazia com que o sono sumisse.
— Eu acho que vou tomar um banho para acordar. – murmurei, de olhos fechados.
Edward gargalhou.
— Durma, Bella. Eu sei que foi de mais pra você. – ele brincou, bagunçando meu cabelo.
— Não dormi à noite. – justifiquei.
— Mais um motivo para você descansar. – disse ele, com um tom seco demais.
Abri os olhos, me forçando a entender o motivo de sua súbita indiferença grosseira.
— O que eu falei? – perguntei, bocejando.
— Nada. – ele respondeu rápido demais.
Puxei o lençol para me cobrir e sentei.
— Diga. – insisti, um pouco mais alerta por não estar mais deitada.
— Quando você diz "não dormi à noite", você quer dizer que transou com Jacob? – fez ele, as palavras se confundindo e misturando pela rapidez com que foram pronunciadas.
— Como é? – arfei, virando-me para encará-lo.
— Você entendeu o que eu disse. – ele murmurou, desviando o olhar.
— Edward. – exigi.
Ele virou-se devagar e me olhou, sem graça.
— Só pra constar, a última vez que eu dormi com Jake foi quando passei o dia todo chorando com você. E antes daquela, eu mal me lembro. – falei, devagar, explicando com a voz leve.
Edward levantou as sobrancelhas, surpreso.
— Mesmo? – perguntou.
Assenti.
— Eu nunca entendi exatamente porque você estava chorando. – ele comentou, querendo mudar de assunto, aparentemente.
— Por isso. – fiz eu, balançando a cabeça.
— Não sei se entendi. – disse Edward, confuso.
— Eu já comentei com você sobre isso... Eu ando me afastando bastante de Jacob, há um bom tempo. Só que às vezes eu não consigo. – expliquei. – Não é como se ele me seduzisse... – repeti as palavras que disse a Alice.
— Então é como se ele o quê? – perguntou Edward, curioso.
— Eu fico imaginando o quão magoado comigo ele vai ficar. – murmurei. – Isso meio que saiu do controle, sabe? E agora que estamos juntos há esse tempo, é estranho simplesmente... acabar, entende?
— Acho que entendo o que quer dizer. – fez ele, assentindo.
Suspirei e me deixei cair na cama, fechando os olhos.
— Que horas são?
— Cedo. – ele respondeu, rindo sem nem olhar o relógio.
— Se eu dormir, você promete que vai me acordar em meia hora? – murmurei, a boca mal aberta.
Edward riu, mexendo em meu cabelo.
— Talvez. – ele respondeu. – Mas durma... Eu te acordo mais tarde.
— Promete que não vai deixar que anoiteça antes de me acordar? – insisti, lutando contra o sono.
— Tudo bem, Bella. – ele suspirou, se abaixando para beijar minha testa. Abri os olhos e passei meus braços em torno de seu pescoço, puxando-o para mim.
— Sabe de uma coisa? – perguntei retoricamente. – Meu sono passou.
O beijei, me inclinando um pouco pra cima, pois ele ainda estava sentado. Resolvendo meu problema, Edward se deixou cair na cama ao meu lado.
Ele apoiou a mão em meu ombro e foi descendo dolorosamente devagar para meu seio. Gemi em seus lábios, levantando a perna para enganchar em sua cintura. Sua outra mão foi para minha cintura, me juntando ainda mais a ele. Mordi seu lábio, tentando provocá-lo, e ele gemeu. Yeah, pensei, acho que consegui.
— Ahh, Bella... – ele suspirou, deixando meus lábios para beijar meu pescoço. – Você tem ideia do quando me tenta?
Enquanto virava o rosto para trilhar beijos em sua bochecha e no lado de seu rosto, fiz uma careta.
— Mesmo? – fiz eu, provavelmente estragando sua provocação com minha surpresa realmente inocente.
— Até parece que você faz de propósito, às vezes. – ele murmurou, parando um segundo para sondar meu rosto. – Nem uma marquinha? – ele perguntou, fazendo um biquinho pidão.
Eu ri, revirando os olhos.
— Se você achar um lugar que as pessoas não vejam enquanto estou vestida... – provoquei, sorrindo com malícia.
— Posso pensar em alguns lugares... – ele disse, descendo com seus lábios diretamente para meu seio.
Eu ri e gemi ao mesmo tempo, sons trêmulos e entrecortados. Ao mesmo tempo, fazendo-o gemer comigo, mordisquei sua orelha. Comecei, então, a alisar seu peito, sabendo que isso o faria mudar de ação rápido.
Logo Edward estava sobre mim, seus olhos em fendas pelo desejo. Eu sabia que a minha situação não estava muito diferente da dele.
— Edward... – gemi, e foi o que bastou.
No próximo segundo Edward já estava dentro de mim, me possuindo daquele jeito que só ele era capaz de fazer e me fazendo sentir aquilo que só ele despertava em mim.
Seria uma vida fácil com Edward, pensei, se fosse apenas eu e ele, sem nenhuma outra complicação. Eu não me cansaria dele, e quando ele cansasse de mim, havia sempre outros modos para "inovar".
Quanto mais Edward ia aumentando seu ritmo, mais eu tentava conter um grito de prazer. Sabia que não poderia me aguentar por muito mais tempo e não errei.
No segundo que o senti "se libertar", meu momento escândalo chegou. Mesmo esperando algo parecido, mordi o lábio em seguida.
Edward deu um riso leve enquanto se aproximava e beijava meus lábios levemente.
— Ahh... – fez ele. – Não se preocupe com o barulho. É o que eu costumo causar nas mulheres.
— Convencido. – reclamei, revirando os olhos.
— Eu posso. – ele afirmou, mas brincando.
— Ai. – murmurei, passando a língua no machucado. – Meu Deus, como vou explicar isso a Jacob?
Edward engoliu em seco, mas depois sorriu.
— Diga a ele que estava tendo seu melhor momento, e quando gritou ficou surpresa e quis não ter gritado, mordendo assim o lábio. – disse ele, como se eu pudesse mesmo dizer isso.
Revirei os olhos.
— Ele nem vai reparar. – dei de ombros.
— Assim como não vai reparar nisso. – fez ele, apontando para baixo do meu rosto com um sorriso malicioso.
Eu olhei para baixo e vi duas marquinhas roxas.
— Ah, que droga. Não vou poder usar decote. – reclamei, exagerando comicamente na decepção. – Eu gosto tanto de decotes...
Suspirei, triste.
— E eu uso saias. – ele disse, imitando meu tom sério.
Não aguentei e ri, com ele me acompanhando.
Ficamos em um silêncio confortável por um minuto, olhando um para o outro. O sono ameaçou a voltar.
— Eu acho que eu vou tomar um banho. – falei, me arrastando para a beirada da cama. – Nossa, o que eu estou falando? Estou na sua casa! – percebi idiotamente.
Edward riu, confuso.
— Você quer o quê? Permissão? – ele estranhou.
— Talvez um convite. – sorri, flertando.
— Aw... Me desculpe pela lerdeza, então. Vou tomar um banho, quer vir comigo? – fez ele, tentando soar sério.
Gargalhei.
— Claro, amor. – respondi.
E eu ele percebemos ao mesmo tempo como eu tinha o chamado.
— Você acabou de me chamar de amor? – disse ele, mais surpreso do que outra coisa.
— Hmmmm... Depende. – murmurei.
— Depende do quê? – fez ele, rindo.
— Depende se você não ligou. – sorri falsamente, sentindo o estômago revirar por nervosismo.
— É claro que eu liguei! Achei fofo. – Edward falou, sorrindo com carinho.
— Então... – arrisquei. – Não se importa se eu te chamar assim?
Ele revirou os olhos.
— Claro que não, amor. – ele respondeu.
Sorri largamente.
— Então... vamos? – incentivei.
— U-hum. – ele assentiu, se levantando e me puxando para o banheiro. – Você precisa acordar. A tarde ainda está loooonge de terminar. – fez ele, malicioso.
— Mal posso esperar. – respondi, rindo.
__________
Ai, ai... *-* Booom, já vou deixar avisado pra que vocês se preparem psicologicamente: o próximo capítulo será bem triste. Super a minha cara [hoho]' Respondi as reviews por pm, e as de quem não em conta no FF estão aquii :
Esses dois não prestam :P
Eu disse a alguém que
Gente! Li um livro muito legalzinho! O nome é Pão-de-mel, de Rachel Cohn [mas o livro não é nada infantil, como sugere o nome]. Mas, enfim.. Quem perguntou?! Ahuahuah
Ahh, sim! Eu ia falar desse livro pq por causa dele eu não postei antes! Hehe'
Beeem, é isso aí.
NathyAcredite, eu também esperei muito! HSUAHSUAHUSHAUSH. | Poxaa! Não sem nem só nesses momentos que eu tenho vontade de ter um Edward comigo! (666'
FehCullen Ahh, isso eu não posso responder [hoho]'. Nas eu também odeio o Jacob, então... mais um ponto para o Edward :D
Susana Ele é um filho da mãe, isso sim!!! ¬¬' HSUAHSUAHUSHAUHS
Mari Que bom que está gostando! ^^ | Postando o próximo :D
Lara Brasil Que bom! Fico feliz que esteja adorando! *-* | Obrigada! *--* Me emocionei agora *--*
*Isa
Amo vocês, meninas!!!
Fiquei muitooo³ feliz com as 25 reviews! *-*
Beijoos! ;*
