I never promised you a ray of light
(Eu nunca te prometi um raio de luz)
I never promised there'd be sunshine everyday
(Eu nunca te prometi que haveria brilho do sol todos os dias)
I gave you everything I have
(Eu te dei tudo que eu tenho)
The good and the bad
(O bom e o ruim)
- Tem certeza que vamos fazer isso? – Jensen dizia enquanto entrava em casa no fim da tarde apenas para trocar de roupa e voltar ao hospital.
- Eu acho que é o certo a fazer, Jen... – Jared respondeu do outro lado da linha. – Eu não queria ter essa conversa com você por telefone, é óbvio, mas... é tudo tão repentino, Jensen, ao que me consta você é hétero... ou era... não sei... – O moreno parecia confuso com aquilo o que fez Jensen rir.
- O que eu sei é que gosto de você... – Ele dizia entre sorrisos enquanto subia as escadas de casa até o quarto de Nicholas. – E acho que isso é o que importa, Jay... Por isso acho que precisamos falar com os meninos... é o começo pra gente e eles têm que ser incluídos...
- Tudo bem, você tem razão... – Jared suspirou mais calmo. – Vou conversar com Mark... Ele já está desconfiado mesmo... – Ackles pode notar que o outro sorriu ao dizer. – Além do mais ele também disse que tem algo pra conversarmos... Acho que ele deve estar de namorada também...
- Provavelmente a primeira de muitas! – Jensen divertiu-se e o moreno alto também riu. – Até mais tarde então?
- Certo...
- Eu te ligo. – Jensen finalizou a ligação na porta do quarto de Nick.
Ele pensou bem no que estava por fazer, não tinha certeza, afinal eram duas notícias de uma vez. Por sorte, Nicholas tinha o temperamento compreensivo da mãe e, talvez ele se chocasse um pouco, mas depois se acostumaria com a ideia.
Duas batidas na porta do quarto do filho e o garoto disse ao longe que era pra entrar. Jensen abriu a porta e Nick estava distraído, ou melhor, concentradíssimo em seu Guitar Hero. Parecia que era um treinamento mesmo, já que estava determinado a vencer Mark, que por razões óbvias era bastante ágil no jogo.
- Ei, pai. – Ele disse sem tirar os olhos da tela.
- Ei. – Jensen parou de frente para a TV, ao lado do filho, olhando ele tocar um solo que parecia Whitesnake.
Achou graça no desapontamento do filho pela pontuação não ser lá muito alta.
- Você só precisa praticar mais. – Jensen incentivou enquanto o garoto sentava-se na cama levemente indignado. – Mark pode te dar umas dicas.
- É. – Ele sorriu apenas de escutar o nome do outro. – Ele é bom nisso.
Jensen sentou-se ao lado do filho e suspirou ficando um pouco inseguro. Ele viu que Nick olhou pra ele com certa expectativa, como se soubesse que o pai tinha algo pra lhe dizer. Ele virou-se levemente de frente para o pai como se esperasse ele falar.
- Fala logo pai. – Nick disse sorrindo, notando o desconforto do médico.
Jensen passou a língua pelos lábios e suspirou novamente, olhando pro filho dessa vez. Parecia que os papéis tinham se invertido, Jensen é quem era o filho que confessaria algo de errado que fez ao pai. Nick sabia que havia algo, mas permanecia sereno e não estava entendendo aquele olhar inseguro do pai.
Why do you put me on a pedestal
(Por que me coloca num pedestal?)
I'm so up high that I cant see the ground below
(Estou tão no alto que mal consigo ver o chão)
So help me down, you've got it wrong
(Então me ajude a descer, você entendeu errado)
I don't belong there
(Eu não pertenço àquele lugar)
- Lembra quando você disse que eu precisava encontrar alguém e tudo mais? – Jensen começou escolhendo as palavras.
- E encontrou? – Nick sorriu desconfiado. – Pode falar pai, se gosta dela, não terei problemas...
- É, mas é que talvez não seja quem você espera...
- Não lembro de estar 'esperando' alguém específico. – Nick riu. – Já disse, não preciso de outra mãe, já tenho uma... Ela pode não estar mais aqui, mas já tenho... – Nick parecia mais conformado que o pai durante todos aqueles anos. – Você é quem precisa de uma namorada.
- Mas talvez não seja bem o que você imagina... – Jensen tentava dizer sem precisar de fato dizer.
- Ela tem a minha idade?
- Por Deus, moleque! – Jensen chegou a se assustar e Nick gargalhou. – Está maluco, garoto?
- Foi mal pai, tô brincando! – Nick achou graça da cara que seu pai fez. – Então, qual o problema? – Nick dessa vez realmente parecia curioso e Jensen suspirou novamente.
- Eu conheci sim alguém e eu realmente acho que estou apaixonado de verdade.
- Ótimo. – Nick respondeu calmo. – Não poderia ficar mais feliz por você pai. Mas por que está preocupado?
- Porque talvez não seja exatamente o tipo de pessoa que você imagina e...
- Pai, para de enrolar. – Nick interrompeu o médico. – Vai querer me dizer que é um homem? – O garoto voltou a rir.
Seu pai, por sua vez, arqueou as sobrancelhas e permaneceu sério, com as mesmas feições de quem fora completamente descoberto e pego no flagra. Ele desviou o olhar e passou a encarar seus próprios pés. Nick, por outro lado, parou de rir, mas ainda tinha vontade, parecia mal acreditar na descoberta que havia feito.
- Meu Deus é um cara! – Ele disse sorrindo, achando realmente graça no jeito envergonhado do pai. – Quem é ele? Por que não me contou que você era...?
- Mas eu não sou. – Jensen respondeu quase como se estivesse se defendendo. – Ou... não era, sei lá...
- Ok, ok. Acho que posso te entender. – Nick disse ao se lembrar mais uma vez de Mark. – Mas então... quem é ele?
Jensen tomou coragem de encarar o filho de novo e talvez o que ia dizer em seguida, fosse ainda mais difícil do que a primeira parte.
x.x.x.x
One thing is clear
(Uma coisa é clara)
I wear a halo, I wear a halo when you look at me
(Eu uso uma auréola, eu uso uma auréola quando você me olha)
But standing from here
(Mas olhando daqui)
You wouldn't say so, you wouldn't say so if you were me
(Você não diria, você não diria isso se fosse eu)
And I, I just wanna love you
(E eu, eu só quero tea mar)
Jared entrou no quarto de Mark quando ouviu o filho chamar por ele. O garoto parecia nervoso, preocupado e seu pai o conhecia o suficiente pra perceber.
- Que foi garoto? – Jared perguntou cruzando os braços encostando-se na soleira da porta. – Aprontou o que dessa vez?
- Nada, pai. – Ele respondeu tentando se acalmar. As vezes ele desejava simplesmente ter que confessar alguma besteira que fez na escola ou que foi mal em alguma prova.
- Então...? – Jared parecia um pouco confuso, afinal, ele até entendia que Mark tinha algo pra falar com ele, mas não tinha poder pra adivinhar o que.
- Como você... descobriu assim... que não gostava de garotas? – Mark perguntou tentando parecer natural, mas era impossível. Jared franziu o cenho.
- Bem... – Jared não deixou de estranhar a pergunta do filho. Saiu de onde estava e, devagar, começou a andar até a cama onde Mark estava sentado, esfregando as mãos. – Acho que eu sempre soube, mas tentava negar. Sempre preferi companhias masculinas e isso é até normal em certa fase da vida, a gente sente que apenas 'os iguais' nos entendem...
- Mas e a mamãe?
- Sua mãe era ótima para o meu ego de pseudo-rockstar. – Jared riu de si mesmo. – Tínhamos uma banda, eu era guitarrista e vocalista, recebia muita atenção por parte das meninas... E quando a garota mais popular da escola está te dando bola, você não pode perder a oportunidade, não é? – Jared brincou empurrando Mark pelo ombro e ambos riram.
- Lógico... – Mark respondeu sem muita emoção.
- Mas por que quer saber?
- Curiosidade. – Ele respondeu automaticamente.
- Hm. – Jared murmurou não comprando aquela desculpa. – E o que você queria falar comigo?
- Bem, eu... – Ele não teve tempo de começar o assunto, seu celular vibrou dentro da calça.
Ele retirou o aparelho sem dar muita importância ao ver que era uma mensagem. Só leu na hora porque era de Nick e ele não conseguiria ignorar. Ele paralisou ao ler, mas tentou disfarçar por estar na presença do pai. "Meu pai está namorando com o seu!"
I always said that I would make mistakes
(Eu sempre disse que eu cometeria erros)
I'm only human and that's my saving grace
(Sou apenas humano e essa é a graça que me salva)
I fall as hard as I try
(Eu falho por mais que eu tente)
So don't be blinded
(Então não seja cego)
Ele leu mais de uma vez pra ter certeza de que tinha entendido certo. Jared estranhou a expressão do filho, mas quando se aproximou pra tentar ler, Mark voltou a guardar o celular.
- Algum problema? – O músico perguntou um pouco preocupado, achando que talvez se tratasse de algo grave.
- Não. – Mark respondeu quase num sussurro. – Tudo bem. – Mark agora encarou o pai por alguns segundos um pouco chocado.
- Mark...? – Jared estranhou o jeito do filho. – O que foi, garoto?
- Está namorando? – Ele foi direto, não aguentaria esperar.
- O que? – Jared foi pego totalmente de surpresa. – Como você...?
- Está? – Ele repetiu esperando que no fundo fosse apenas uma piada de Nick.
Padalecki suspirou. Não sabia muito bem como seu filho, de repente, havia tomado conhecimento daquilo. De certo era aquilo que ele queria conversar então. Começou a levar a sério os sorrisos diferentes de Jared e as vezes que chegou tarde em casa.
- Estou sim, filho. – Ele respondeu sincero após uma pausa e um suspiro. – Era isso que eu queria te contar, mas aparentemente você percebeu... – Jared sorriu um pouco tímido.
Mark balançou a cabeça afirmativamente e pensou por alguns segundos antes de continuar. Se o resto da mensagem era verdade, ele não tinha mais tanta certeza de que queria saber.
- E com quem? – Ele tentou parecer curioso, mas temia que já soubesse.
- Mark, eu quero que você saiba que você vem sempre em primeiro lugar pra mim, certo? Se você não for a favor, eu prometo que esqueço essa história, porque só me interessa seu bem estar. – Não é novidade pra ninguém ver a imagem de um pai sacrificando sua felicidade em nome de um filho.
- Pai, só... – Mark meio que interrompeu os rodeios que seu pai claramente estava fazendo. – Me diga quem é...
- É o Jensen. – O músico disse diretamente, logo de uma vez.
See me as I really am
(Me veja como eu realmente sou)
I have flaws
(Eu tenho falhas)
And sometimes I even sin
(E às vezes eu até peco)
So pull me from that pedestal
(Então me tire desse pedestal)
I don't belong there
(Não pertenço àquele lugar)
Mark desviou o olhar e, por mais que já estivesse esperando por essa resposta, era bem diferente ouvi-la diretamente da fonte. Ironia do destino talvez? E agora o que seria? Pela mensagem, não tinha como Mark saber como Nick havia recebido a notícia.
- Mas ainda está valendo o que eu disse. – Jared continuou diante do silêncio do filho. – Jensen e eu ainda estamos... nos conhecendo, mas ele achou melhor não escondermos nada de você e Nicholas.
- Certo. – Mark disse sem muita vontade. Não queria ser egoísta com seu pai mais do que já havia sido. Afinal, ele até agora havia basicamente sacrificado sua vida inteira pra cria-lo.
- Sei que você e Nick são amigos agora, então quem sabe...
- Pai, tudo bem. – O garoto não queria nem pensar em seu pai usando a palavra 'irmãos' para descrevê-los.
- Ok. – Jared respirou fundo um pouco mais aliviado pela forma um pouco estranha com que Mark recebera a notícia. Era certo que ele já esperava algo muito pior. – e o que você queria falar comigo?
- Nada, eu só... – Mark pensou um pouco antes de continuar. Não existia a menor possibilidade de agora ele falar sobre ele e Nick com o pai. – Acho que preciso de aulas particulares de matemática, minhas notas não estão boas. – Mentiu o garoto.
- Ah, tudo bem, filho. – Jared passou uma das mãos pelas costas do jogador. – Vamos ver um professor pra você, sem problemas.
Mark apenas sorriu apagado e concordou com a cabeça. Ele não precisava de aulas particulares, suas notas eram até boas, suficientes pra mantê-lo no time da escola. Mas foi a primeira coisa que lhe veio à mente.
- Quer ir ao bar comigo hoje me ajudar? – Jared convidou o filho levantando-se da cama onde os dois estavam sentados.
- Se você precisa, eu vou. – Ele respondeu sem vontade. – Mas eu preferia ficar em casa mesmo... estudando.
Jared arqueou uma sobrancelha e olhou extremamente desconfiado para o filho. Realmente aquela não era uma atitude típica de seu filho, que nunca trocaria um violão por um livro.
- Quão mal estão suas notas? – Jared perguntou fingindo um tom sério.
- Bom trabalho, pai. – Mark respondeu rindo um pouco.
- Durma cedo. – Jared dizia enquanto deixava o quarto do filho, andando até a sala e pegando seu equipamento pra sair.
O garoto deitou na cama com as mãos sob o rosto e não tinha nem coragem de ligar para Nick pra saber que diabos era aquilo que estava acontecendo. Parecia que seus pais combinaram o mesmo dia para acabar com a vida deles.
x.x.x.x.x
Like you think that you know me in your eyes
(Como se você achasse que me conhece à seus olhos)
I am something above
(E eu sou algo acima)
It's only in your mind
(Está apenas na sua mente)
Only in your mind
(Apenas na sua mente)
- Então foi isso que aconteceu. – Jensen finalizava a história de como seu caso com Jared começara, olhando um Nicholas bastante interessado.
- Vinho é? – Nick repetiu achando até graça. – É uma bebida que... – Ele disse baixinho, lembrando-se de seu primeiro beijo com Mark. – Nos envolve mesmo, não é?
- Nicholas, pare de debochar. – Jensen chamou atenção mas era fato que seu filho não estava de brincadeira.
- Então é sério isso? – Nick ainda custava a acreditar.
- Olha, eu não sei porque isso foi acontecer... Quer dizer, tenho 32 anos... é estranho eu ter me envolvido com caras nessa época da minha vida, mas se é o que está acontecendo, não vou fugir de algo que me faz bem...
- Não acha que está aceitando isso rápido demais? – Nick quase desafiou.
- Nick, eu sei que é estranho pra você, mas...
- Não, não estou questionando. – O garoto interrompeu o pai. – E não é de mim que estamos falando, pai.
- Desde quando ficou tão espertinho? – Jensen franziu o cenho com a boa resposta do filho. Nick piscou de um jeito divertido. – Enfim, eu e Jared não temos mais idade para sermos guiados por nossos hormônios... Além do mais, pense pelo lado bom, você e Mark agora poderão ser...
- Não! – Nick sentiu um frio lhe correr a espinha só de pensar em ouvir seu pai dizer aquilo. – Não, pai.
- Ué! Mas eu pensei que vocês agora estavam se dando bem! – Jensen estranhou o pânico do garoto ao insinuar uma irmandade entre os dois.
- E estamos. – Nick baixou os olhos e suspirou. – E por isso não quero estragar o que temos...
- Ok. – Jensen respondeu sem entender na verdade do que o filho estava falando. – Esquece o que eu disse... ou quase disse.
Nick apenas olhou para seu pai e viu que ele realmente estava gostando do pai de Mark. Não que isso fosse ruim, queria que seu pai fosse feliz e ele não se importava se era com homem ou mulher. Mas definitivamente as coisas com Mark não poderiam mais acontecer. Pelo menos era assim que sua mente trabalhava.
- E então? – Jensen insistiu diante de um Nick calado. – Tudo bem? Porque se não estiver, eu posso...
- Não, pai, está sim. – Nick interrompeu uma tentativa de Jensen de mostrar a ele que estava disposto a sacrificar sua felicidade por ele. – Tio Jared é legal. – Foi só o que ele conseguiu pensar.
- E ele é um homem... – Jensen frisou. – Tipo, você entendeu bem essa parte né?
Nick olhou o pai e mal podia acreditar que ele realmente esperava uma resposta. Apenas ficou calado.
- O que foi? – Jensen perguntou diante do silêncio.
- Pai, por que pensa que sou retardado? – O garoto franziu o cenho fingindo uma expressão ofendida de seriedade.
- Ah moleque. – Jensen resmungou algo e levantou-se da cama enquanto Nick apenas ria.
- Tio Jared ia contar ao Mark? – Nick perguntou tentando dar um ar de curiosidade natural.
- Sim. – Jensen respondeu da porta do quarto do filho. – Decidimos que vocês dois deveriam saber o quanto antes. Acho que ele já deve saber.
Nick apenas balançou a cabeça e olhou novamente o celular pra ver se havia alguma resposta do namorado. Mas nada, Mark não dera sinal de vida, o que fez Nick pensar que ele definitivamente já sabia também.
- Tenho que voltar pro hospital, certo? – Jensen avisou e o filho assentiu com a cabeça. – Durma cedo, garoto. – O médico recomendou enquanto já descia as escadas apressado.
Nicholas Ackles pensou que não tinha como o destino ser mais injusto. Quando finalmente tudo parecia estar dando certo para ele e Mark, seus pais resolveram namorar. Um ao outro. Claro que ele não poderia dizer ao médico sobre seu relacionamento também, seria demais e, pior, agora era tudo muito bizarro.
Namorar o filho do namorado do seu pai. Seria impossível esconder isso da escola toda. E seria insuportável ter que aguentar tudo todos os dias. E o que mais o preocupava na verdade era Mark. Como será que o moreno estava lidando com tudo aquilo? Essa pergunta não sairia de sua mente, não deixaria ele dormir.
Antes que ele pudesse pensar em tomar uma atitude, seu celular finalmente mostrava o recebimento de uma mensagem de Mark. "Preciso te ver. Estou indo praí." O loiro não deixou de sorrir, pelo menos agora saberia o que fazer. Se não soubessem, descobririam juntos.
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P.S.: Muito obrigado a todos os reviews, de verdade mesmo, vocês são o máximo!
E a música do capítulo é Halo, da Bethany Joy Galeotti.
