N/A: Publiquei um capitulo há 3 dias atrás, se vc não leu o aniversario da Rachel, volte um capitulo :)

Brittana, Pezberry e Faberry no final...

Enjoy e Comentem!

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Madrugada do dia 11 de janeiro – Quarto do bebê.

"San? Saan?" A voz de Brittany vem do corredor e Santana pisca algumas vezes, a cadeira de balanço se move para frente e para trás quando ela muda de posição.

"Aqui..." Responde Santana, bocejando e esfregando os olhos com a mão esquerda.

Brittany abre a porta e seu contorno se torna visível graças a luz que vem do corredor. As luzes do quarto de Valerie estavam apagadas, exceto pelos pequenos pontos amarelinhos espalhados pelo teto para imitar as estrelas, mas a dançarina não alcança pelo interruptor, ao invés disso, dirige-se a cadeira de balanço aonde sabe que sua esposa se encontra.

"Hey. Você sumiu, fiquei preocupada." Murmura ela, sentando no braço da cadeira e beijando o topo da cabeça da morena.

"Eu não conseguia dormir, ela tem se mexido tanto ultimamente." Explica Santana, alcançando pela mão de Britt em seu ombro e guiando-a para seu abdômen.

Assim que seus dedos encostam o tecido que cobre a barriga da latina, a dançarina sente os movimentos.

"Isso é uma mão?" Pergunta a loira, sentindo o carocinho que havia se formado sob seus dedos.

"O pé na verdade... Ela está de cabeça pra baixo." Responde Santana, descansando a cabeça contra o tronco de sua esposa.

B lembra do que a medica havia dito na ultima ecografia, Valerie já estava posicionada e pronta para nascer. "Será que não é desconfortável? Eu sempre fico com dor nas costas quando tenho que ficar de cabeça pra baixo."

San sorri. "Vamos ter que esperar mais quatro dias para perguntar..."

"Quatro dias." Ecoa Brittany. "Vamos ver a nossa filha em quatro dias! Você consegue acreditar nisso?"

"Acho que vai ser estranho, quando ela sair de dentro de mim. Não parece possível que eu esteja gerando uma criança aqui dentro..." Comenta San, Brittany começa a correr seus dedos por seus cabelos negros. "Nossa filha... Como você acha que ela vai ser B?"

A loira pensa por um momento. "Acho que ela vai ser como você, mas como eu também, sabe?" Santana concorda com a cabeça e boceja, fechando os olhos e deixando-se ninar pela voz de sua esposa e pela caricia em seus cabelos. "Ela vai ser brava, mas vai ter um bom coração, como você. E vai amar musica e eu vou leva-la para o estúdio e vamos dançar juntas. Ela vai ser uma dançarina. Não, bailarina."

"Ela gosta de Mozart." Comenta Santana.

"Eu sei." Britt morde o lábio, pensando em como sua filha ficava agitada quando elas tocavam Mozart para bebês. "Ela vai ter os seus olhos e pela ecografia já da pra ver que o nariz dela é igual ao seu... Ela vai ser nossa, perfeita, a bebê mais linda do mundo. E nós vamos poder leva-la para alimentar os patos no verão! E passear no Central Park!" Ela faz uma pausa. "Vai ser tão divertido, né San? Querida?" Brittany afasta o cabelo dos olhos da latina e percebe que sua esposa pegou no sono.

Ela alcança pelo cobertor xadrez roxo e amarelo que pendia na beirada do berço, o tecido macio acaricia suas mãos quando ela o abre e coloca sobre Santana.

"Agora você fica quietinha e deixa a mamãe descansar, está bem?" Pede ela, pressionando a palma da mão contra a lateral da barriga de sua esposa. "Eu sei que você quer brincar e ver o mundo aqui fora, mas vai ter que esperar mais um pouquinho. Eu prometo que vou ficar acordada aqui enquanto vocês dormem e não vou deixar nada atrapalhar seus sonhos." Como que magicamente, os movimentos de Valerie diminuem e Brittany só sente a batida rápida de seu coraçãozinho contra sua palma. "Boa noite bebê, minha filhinha... Eu vou cuidar de vocês."

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"Você vai mesmo deixar sua esposa gravida de nove meses sozinha em casa para ir a uma maldita reunião?" Pergunta Santana, sentando-se a mesa e tomando um gole de chocolate quente que Brittany havia preparado para o café da manhã.

A loira se vira para encontrar os olhos castanhos e brilhantes de sua esposa. "Aww, não me olha assim, esse é o meu truque secreto..." Ela se abaixa para servir leite ao Sr. Branca de Neve, que miava e se esfregava em suas pernas.

"Isso significa que você vai ficar comigo?"

Brittany morde um biscoito de nozes e oferece a metade restante para Santana, que aceita com um sorriso sedutor.

"Eu não posso. É a única reunião do ano e eu preciso escolher as comunidades aonde vou querer dar aula..." Ela começa a prender o cabelo, mas parece mudar de ideia no meio do processo e larga o amarrador em cima da mesa.

"Mas é um trabalho voluntario, o comparecimento nas reuniões deveria ser voluntario também..." Reclama Santana, apoiando as mãos na barriga. "Você está fazendo a nossa filha chorar..."

Brittany para de andar pela cozinha e encara sua esposa com olhos azuis arregalados e cheios de culpa. "Sério?" Ela se aproxima e fica de cócoras em frente a latina.

Santana exala com força quando os dedos gentis da dançarina acariciam sua barriga. "Não, eu não sei... Quero dizer, ela parece mais agitada do que o normal e ela fica chutando minha costela." Ela coloca a mão sobre sua lateral direita. "Dói. Um pouquinho..."

A loira encosta os lábios no ponto abaixo do umbigo de sua esposa e começa a falar com a bebê em voz baixa. "Eu sei que você quer vir comigo, mas não é culpa da mamãe, ela não gosta quando você chuta assim. Eu vou ter que sair um pouquinho, só por umas horinhas, mas prometo que não demoro pra voltar e eu vou trazer mais Kit Kats, está bem?"

Brittany fica em silencio e encosta o ouvido aonde sua boca estava antes. "Huhum. Eu digo pra ela..." Britt levanta seus olhos brilhantes para Santana e sorri abertamente. "Ela disse que vai se comportar, mas só se você for legal com a tia Rachy."

"O que isso quer dizer?" Pergunta San em um tom mal humorado, mas sem esconder o sorriso em sua face.

"Acho que ela quis dizer Rachel." Responde a loira.

"Eu não entendo, a Berry não é voluntaria também? Por que você e Quinn tem que ir pra essa reunião e ela não?" A neurologista faz um beicinho e Brittany ri, beijando seus lábios carinhosamente.

"Por que a Rachel é muito ocupada e só consegue ajudar quando tem tempo, eu e o Dave temos 10 horas semanais para oferecer ao programa..."

"E pensar que explicar essas coisas para você seria meu papel... Quando foi que nós trocamos de lugar?" Pergunta Santana.

"7 anos de casamento fazem isso com as pessoas." Britt a beija de novo, um pouco mais profundamente dessa vez, encontrando olhos escuros ainda mais negros ao se afastar.

"Humm..." Santana segura seu rosto no lugar, dando continuidade aos beijos e amando a familiaridade açucarada da boca de sua mulher. "Eu só não entendo por que a Berry tem que ficar comigo enquanto vocês vão. Eu estou grávida, não doente."

"Eu não conseguiria te deixar sozinha. E no fundo, você tem um fraco pela Rach..." Sorri a loira contra seus lábios em resposta.

A latina suspira. "Tanto faz."

Nesse instante a campainha toca.

"Elas chegaram." Brittany se afasta abruptamente, saltitando em direção a porta.

"Yey!" Murmura Santana, revirando os olhos.

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Já faz meia hora que Brittany e Quinn saíram e Rachel e Santana se encontram sentadas no sofá assistindo TV em silencio. Bem, na verdade, Santana finge interesse no programa de culinária enquanto Rachel encara sua barriga atentamente, como se fosse a coisa mais fantástica que ela já viu.

A latina acaricia as orelhas do Sr. Branca de Neve que ronrona ao seu lado e tenta esconder o sorriso cada vez que ouve a diva prender a respiração. Rachel não consegue evitar os pequenos sons que emite cada vez que a barriga de Santana se mexe, é simplesmente... mágico.

Depois de alguns minutos tentando se conter, a neurologista desliga a TV e agarra a mão da cantora, fazendo-a grunhir em surpresa. Santana coloca a mão de Rachel sobre sua barriga e a segura ali.

"Oh!" exclama a diva quando sente algo ondular contra sua palma.

"Canta alguma coisa."

Rachel levanta os olhos lentamente, parecendo genuinamente confusa.

"Qual é Berry, normalmente você é pior que um disco quebrado e não consegue ficar mais de dois segundos sem emitir sons angelicais com essa sua voz de estrela da Broadway. Canta alguma coisa."

A cantora não tem certeza se isso foi um elogio, mas decide acreditar que sim e abre e fecha a boca, hesitante antes de começar a cantar a primeira musica que lhe vem a cabeça. Que por acaso é "We Wish You a Merry Christmas".

Santana começa a rir e parece prestes a fazer um comentário sarcástico como sempre quando Valerie começa a se mexer. As duas mulheres ficam em silencio, mas a latina faz um gesto para que Rachel continue cantando, a diva obedece e seus olhos enormes triplicam de tamanho.

"Parece que... Ela... Ela estava se mexendo no ritmo da música?" Pergunta a cantora, sua voz um pouco mais aguda que o normal.

Santana faz que sim com a cabeça, um sorriso suave em seus lábios. "Brittany diz que ela já é uma dançarina. Você tem que ver o que ela faz quando ouve Mozart..."

Rachel começa a cantar outra musica aleatória e é como se Valerie quisesse perseguir o som, toda a vez que Santana falava, seus movimentos subiam em sua direção. Como poderia um feto ser tão inteligente? Rachel não tinha grandes experiências com gravidez, nunca tendo convivido com uma mulher gravida, exceto por Quinn durante o ensino médio, mas elas não eram exatamente próximas naquela época. Ela não tinha muita certeza se o comportamento de Valerie era normal.

"Não é estranho?" Pergunta a diva abruptamente, ainda encarando o abdômen de sua... quase amiga. "Ela chuta com tanta força, isso não dói?"

"No começo foi estranho sim, e me deixava enjoada, toda essa movimentação. Mas agora é bom, é maravilhoso." Seus olhos brilham. "Não tem como explicar o que é sentir uma pessoinha se mexer dentro de mim. É como se ela estivesse dizendo, 'ei, mamãe, estou viva, olha o que eu sei fazer!'" Santana sorriu ainda mais.

"E não é estranho pensar que daqui a alguns dias ela não vai mais estar ai dentro? Parece tão... surreal." Comenta Rachel, prendendo uma mecha de cabelos atrás da orelha e levantando os olhos.

"Não sei, eu me sinto um pouco triste pensando nisso. Estou tão acostumada a ter ela tão perto, vai ser estranho perde-la. E ganha-la. É uma perda, mas não de verdade. Acho que também não sei explicar isso..." San olha para baixo, sua filha está quieta agora. A falta de agitação a preocupa mais do que o excesso.

"Obrigada Santana." Sorri Rachel, com lagrimas nos olhos, olhando diretamente para a latina agora.

"Pelo que?" Santana franze a testa.

"Por me contar tudo isso, quero dizer, quando Quinn disse que eu ia passar a manha com você, eu não esperava... Eu achava que você iria me torturar, ou algo assim." Ela morde o lábio.

"Você não é tão ruim Berry... Acho que estou me acostumando a te ter por perto, como o Sr. Branca de Neve, eu nunca gostei muito de gatos, mas agora eu amo essa bola de pelos." Ela cutuca o gato com o pé, recebendo um miado preguiçoso em resposta.

"Aww, você está dizendo que me ama?" Pergunta Rachel, tentando conter uma risada.

"Não vamos exagerar Berry." Ela arqueia as sobrancelhas antes de se levantar do sofá.

"Aonde você vai? Quer que eu pegue algo pra você?" A diva levanta de um pulo, parecendo alarmada.

"Relaxa ManHands, eu só vou fazer xixi." Responde a latina, revirando os olhos.

"Oh, então eu vou... Sentar aqui. Me chama se precisar."

"Sim, sim, eu ainda consigo me limpar sozinha." Resmunga ela, desaparecendo pela porta do corredor.

...

Rachel ilumina a tela de seu celular e confere a hora pela milésima vez em cinco minutos. Quanto tempo uma mulher gravida demora no banheiro? Já fazem oito minutos e 27, 28, 29, segundos que Santana saiu da sala. Ela decide esperar fecharem nove antes de ir ver se está tudo bem, não querendo arruinar a amizade que elas estavam começando a construir.

"Ok." A diva respira fundo e levanta, caminhando silenciosamente em direção ao corredor. Ela para na porta ao ver a figura da latina de costas, parada a dois metros de distancia com uma mão apoiada na parede. "Santana, está tudo..?"

Santana se vira em câmera lenta, seus olhos arregalados encontram os de Rachel e ela fala apressadamente. "Rachel, minha bolsa estourou."

A cantora não se mexe a principio, sentindo-se catatônica, seu cérebro processa a informação que acabou de receber e ela começa a tremer violentamente. "Sua bolsa, sua... bolsa! Oh Deus! Não se mexa, fica, fica parada, Santana, você... O que... Eu nunca... Um parto, eu desmaio quando vejo sangue, eu..."

"Berry..." Murmura a latina.

Rachel se aproxima rapidamente, ela não sabe o que fazer com as próprias mãos e não consegue olhar para Santana, apenas para a poça de algo que parece água aos seus pés. Ela quer chegar até a latina, mas não quer pisar no liquido. "Eu assisti alguns vídeos de parto humanizado, vocês tem uma banheira, não tem? Oh céus, o que eu faço, eu vou precisar de agua quente e toalhas, aonde vocês guardam as toalhas? E, e... tesoura, cortar o cordão umbilical..."

"Rachel!" Santana praticamente grita, finalmente conseguindo a atenção da diva. "Minha bolsa estourou, mas eu não estou tendo contrações, ela não vai nascer nesse momento."

Rachel olha para a neurologista abobadamente, seus lábios partidos e uma expressão de pânico completo em seu rosto.

"Respira Berry."

A cantora não se mexe.

"Comigo, olha, põe a mão no peito." Santana coloca a mão que não está na parede contra o próprio peito. Rachel a imita. "Ar pra dentro..." Ela inspira. "Ar pra fora..." Ela expira. "Isso, muito bom." Diz a latina quando vê que a cantora continua fazendo tudo o que ela diz. "Está mais calma?"

Rachel faz que sim.

"Ótimo, eu preciso que você ligue para a Brittany e depois pegue a mala amarela que está dentro do berço no quartinho da Valerie, você vai ter que me levar pro hospital, está bem?"

A cantora faz que sim novamente e suas mãos tremulas desbloqueiam a tela de seu celular. Ela busca o numero de Brittany nos contatos e estava prestes a apertar no botão de discagem quando Santana emite um som de dor e leva uma mão a barriga, o susto faz com que Rachel derrube o aparelho na poça de agua gosmenta entre elas.

"Oh Meu Deus, meu celular caiu em cima do seu liquido amniótico, o que eu faço agora? Como eu vou ligar pra Brittany, ou pra ambulância e como a gente vai pro hospital? Em qual hospital você quer ir? Temos que chamar um obstetra, vai ser parto normal, né? Você está tendo contrações! Respira Santana, respira!" Ela olha para o telefone mergulhado na poça e pensa se deveria pegá-lo, mas a ideia de encostar naquilo lhe causava arrepios. "Não se mexa!" Grita ela ao ver que Santana dava um passo em sua direção. "E se você escorregar e cair e bater a cabeça e morrer e... e..."

"Berry! Eu estou em trabalho de parto e você está surtando, isso não parece muito certo, você não acha?" Os olhos da diva encontram os castanhos a sua frente e ela tenta se acalmar. "Deixa o teu telefone ai, me da a mão, eu não posso ter minha filha no meio de um corredor, isso seria anti-higiênico."

Rachel concorda freneticamente e estende o braço para Santana, com cuidado, elas caminham até a sala sem trocar palavra. Elas chegam perto do sofá e a latina se agarra ao braço da diva, enterrando as unhas em sua pele.

"Aaaaii!"Grita Rachel, se controlando para não empurrar Santana pra longe. "Você.. É outra, outra, outra..."

"Contração!" Completa a latina por entre os dentes, sua respiração é pesada e desregular. "Telefone em cima do balcão, liga pra Britt, agora!"

Rachel ajuda Santana a sentar na poltrona e alcança pelo telefone.

"Pega a mala amarela Rachel, dentro do berço." Instrui a neurologista, respirando profundamente.

A diva cambaleia em direção ao quartinho enquanto espera que Brittany atenda o telefone, 9 toques depois ela está sendo encaminhada para a caixa de mensagens e estará sujeita a cobrança após o sinal. "Merda." Diz ela baixinho, suas mãos ainda tremem violentamente e ela sente vontade de chorar.

Rachel Berry é tudo sobre planejamentos, ela não gosta de agir sobre pressão, especialmente quando a vida de outra pessoa está em jogo. Ela tira a mala pequena de dentro do berço e desce as escadas pulando dois degraus de cada vez, quase quebrando o pescoço quando tropeça no ultimo, sendo salva pelo corrimão.

"Quinn, atende, atende, atende..."

"Dios mío!" Exclama Santana. "Rachel!"

"Elas não, não atendem, elas não atendem!" A cantora se sente hiperventilar, o rosto de sua amiga está vermelho e ela não sabe o que fazer.

"Pega a chave do carro no chaveiro perto da porta." Comanda a latina.

Rachel corre até lá. "Qual? Qual delas?" Três chaves de carros pendiam no chaveiro.

"A do meu carro, o banco já está ajustado para a sua altura." Santana respira mais uma vez, sentindo-se um pouco mais calma e levantando-se cuidadosamente.

"Eu não faço a menor ideia de qual seja o seu carro!" Rachel continua em pânico.

"BMW." Responde ela, parando atrás da cantora.

"O que você está fazendo de pé? E se... E se ela sair agora, Santana!"

"Relaxa Berry, as contrações não estão tão próximas, o hospital fica a seis quadras e você vai ter que parar de tremer se quisermos chegar lá vivas." Ela corre uma mão pelos cabelos e segura o abdômen com a outra. "Por favor filha, se segura, por favor."

Rachel fecha os olhos e respira, tentando pensar em outras coisas. "Mais ar pra fora do que pra dentro..." Ela deseja não ter parado com as aulas de yoga, técnicas respiratórias podiam ser muito uteis em momentos como aquele. A diva alcança pela malinha amarela e abre a porta, praticamente arrancando a chave do BMW da parede. "Eu vou... eu vou pegar o carro, espere aqui."

"Como se eu fosse fugir para algum lugar..." Murmura a neurologista, se escorando na parede.

Rachel contorna a casa em direção a garagem e joga a mala no banco de trás antes de manobrar até a porta da frente, derrubando a lata de lixo no caminho. Ela desce e ajuda Santana a entrar e por o cinto de segurança. O celular em seu bolso toca e ela sente uma onda de alivio percorrer o seu corpo ao ver a foto de Brittany na tela.

"Alo, Britt, a bolsa da Santana estourou, estamos indo para o hospital." Diz ela, de uma vez só, sem esperar que a dançarina diga alô. Ela não ouve resposta do outro lado da linha, só alguns ruídos estranhos. "Brittany?" Pergunta a diva, começando a entrar em pânico e acelerando o carro. Em sã consciência, ela nunca dirigiria ao telefone, mas Santana parecia estar tendo outra contração e ela precisava fazer alguma coisa.

"Rachel?" A voz de Quinn preencheu seus ouvidos e ela se sentiu instantaneamente mais calma. "O que houve? B me passou o telefone e... Está tudo bem?"

"A Valerie está nascendo, estamos indo pro hospital, venham logo, pelo amor de Deus!" Explica ela, mais uma vez sem pausa para respirar.

"Ta, ta, puxa vida!" Rachel ouviu Quinn ofegar contra o telefone. "Já estamos indo, Amor, estamos chegando em 20 minutos."

"Santana?" A cantora olhou para a mulher ao seu lado pelo espelho retrovisor, ela estava quieta demais e isso era preocupante. "Está tudo bem?"

"O que você acha?" Pergunta a latina rispidamente, mordendo o lábio com força e fechando os olhos em mais uma contração. "Doutora Karen Escher, Berry."

"O que?"

"Minha obstetra, Karen Escher, ela deve estar no hospital agora." Explica Santana, ofegante. Elas estacionam na frente da porta do hospital e Rachel corre até a recepção.

A pequena diva fura a fila que encontrou ali, se enfiando na frente de uma mulher negra parecendo terrivelmente gripada.

"Com licença, mas a senhora não pode furar a fila." Diz a recepcionista com voz anasalada.

"Minha esposa está tendo um bebê dentro do carro!" Grita ela, em desespero quando a mulher gripada coloca uma mão pesada em seu ombro. O espaço parece ficar silencioso por um momento e Rachel arregala os olhos, sentindo-se corar. "Er... Ela não é minha esposa, na verdade é uma amiga, mas ela está tendo um bebê dentro do carro!"

A recepcionista aperta um botão e pede uma cadeira de rodas na entrada enquanto a diva passa as duas mãos pelos cabelos, sentindo-se sem folego e cheia de adrenalina. "Ela já tem ficha aqui no hospital?"

"Não sei..."

"Qual o nome dela?"

Um homem aparece com uma cadeira de rodas e a recepcionista sai de trás do balcão, gesticulando para que Rachel a guie até o carro.

"Santana Lopez." Responde a cantora, abrindo a porta do BMW para Santana.

"Doutora Lopez!" Exclama a mulher, reconhecendo a neurologista imediatamente.

"Cindy! Rachel! Por que vocês demoraram tanto!" Ela fala alguns palavrões em espanhol e senta pesadamente na cadeira, ainda segurando seu estomago.

"Por que você não disse de uma vez que era a Doutora Lopez?" Pergunta Cindy, empurrando a cadeira tão rápido que Rachel tem que correr para acompanha-la, arrastando a mala amarela pelo chão do hospital.

A diva não responde, apenas revira os olhos. "Karen Escher!" Diz ela de repente. "A obstetra, alguém tem que chama-la."

"Ela já foi acionada e está a caminho." Responde Cindy.

Rachel respira fundo pela centésima vez e sente uma mão agarrar seu pulso, os pingentes de sua pulseira parecem perfurar sua pele. Ela olha para a expressão de dor no rosto de Santana. "Nós já estamos chegando." Diz ela, sem saber se é verdade ou não, já que nunca havia entrado nesse hospital antes.

Elas entram em uma sala e um grupo de enfermeiras usando roupas cor de rosa que parecem pijamas começam a remover as roupas da latina, ajudando-a a colocar uma camisola rosa bebê. Rachel observa de canto, sem saber o que fazer e para onde ir, Cindy havia desaparecido.

As enfermeiras começam a levar Santana para outra sala quando a latina finalmente se pronuncia. "Rachel!"

A cantora se endireita e da um passo em direção a neurologista, sua mão é agarrada em um aperto feroz assim que entra no alcance da médica.

"Não se atreva a sair de perto de mim Berry!"

Rachel arregala os olhos e faz que não com a cabeça. "Oh céus!" Uma enfermeira lhe alcança uma espécie de avental rosa, uma touca, mascara e protetor de sapatos, a diva se veste em um piscar de olhos e estende a mão para Santana novamente.

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"Minha esposa está dando a luz a nossa filha! Não importa que já tenha alguém ai dentro com ela, eu quero entrar!" Quinn nunca tinha visto Brittany gritar desse jeito, era um pouco assustador.

"Desculpe, mas as politicas do hospital são..."

"Eu não me importo, eu quero ver a minha filha nascer!" O rosto da dançarina estava vermelho e suas mãos tremiam.

"Olha, não teria como pedir para a pessoa que está lá dentro sair, ou algo assim?" Pergunta Quinn, tentando remediar a situação, passando um braço pelos ombros de sua amiga.

O rosto de Brittany muda totalmente e ela fica pálida, escorando o peso de seu corpo contra Quinn. "Eu não posso ficar aqui fora Q, eu preciso entrar..." Ela fala em um sussurro desesperado, levantando os olhos agora cheios d'agua para a enfermeira chefe. "Por favor, eu não posso ficar aqui, eu prometi que estaria com ela. Por favor..." Ela começa a soluçar e Quinn a abraça. A dançarina enterra o rosto no pescoço da assistente social. "Por favor..."

Quinn acaricia seus cabelos e sente um aperto em seu próprio peito.

"Por favor..." Brittany continua repetindo.

"Está bem..." Suspira a enfermeira. "Eu vou pegar as roupas para você." Quem poderia dizer não a Brittany em circunstancias como aquelas?

A dançarina sorri contra os cabelos dourados de sua amiga e murmura um obrigada abafado. "Ela está nascendo Q... Minha menininha..."

"Sim B, ela está chegando." Responde a assistente social, desgrudando os cabelos úmidos pelas lagrimas do rosto de Britt.

"Eu estou tão assustada e... feliz!"

"Eu sei..."

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TrêshorasdepoisAlaneonataldohospital.

"Ela é tão linda, a nossa bonequinha." Murmura Santana, correndo os dedos suavemente pelos cabelos negros de sua filha. Ela nunca havia visto um bebê com cabelos tão escuros.

"Ela é exatamente como você San. Ela é perfeita!" Brittany segurava a mãozinha de sua filha, ou melhor, Valerie segurava seu dedo enquanto mamava de olhos fechados. Era a primeira amamentação e as duas mulheres não poderiam estar mais babonas.

Brittany está deitada ao lado de sua esposa na cama de hospital e Santana segura a pequena menina em seus braços com tanto cuidado, como se ela fosse feita de vidro.

Valerie estava enrolada no cobertor xadrez amarelo e lilás, usando um tip-top combinando e parecia extremamente contente no colo de suas mães. Quinn tirou uma foto do momento, registrando o sorriso bobo no rosto de suas amigas. Ela e Rachel estavam sentadas na poltrona do acompanhante, Rachel descansava a cabeça no pescoço de sua namorada e sorria para a cena a sua frente.

"Eu nem acredito que isso aconteceu hoje..." Murmura ela. "Eu nunca imaginei que fosse ver uma criança nascer, e eu nem desmaiei quando saiu sangue!" Ela ri, enterrando o rosto nos cabelos curtos de Quinn e sentindo seu cheiro limpo e reconfortante.

"Eu estou orgulhosa de você." Quinn sorri e entrelaça seus dedos aos da diva, levando sua mão aos lábios e beijando sua palma.

"Sério, aquela placenta era meio nojenta, mas foi só olhar para a nenê que eu perdi a vontade de vomitar..." A diva continua tagarelando. "Mas admito que tive um pequeno ataque de pânico quando estávamos na casa delas."

"Pequeno?"

"Sim..." Rachel relembra os últimos acontecimentos e faz uma careta. "Acho que eu vou ter que comprar um celular novo."

Quinn arqueia as sobrancelhas, "O que houve com o seu?"

"Ah, ele..." Ela para no meio da frase. "Acho que você não quer saber realmente..."

A loira se vira para sua namorada e ganha um beijo estralado nos lábios ao invés de uma explicação. Valerie termina de mamar e boceja, abrindo seus olhinhos escuros e mexendo os bracinhos para cima antes de voltar a dormir.

"Olha só pra ela Quinn..." Comenta Rachel, sorrindo abertamente. "Ela é perfeita, tão linda e pequena..."

"Ela é sim..." A loira sorri também, descansando a bochecha contra a têmpora da morena.

"Quinn?"

"Humm?"

"Eu também quero um."

"Oh Deus..."

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N/A: E então pessoas? Gostaram do capitulo? Não tenho muita experiência com gravidas e nascimentos, mas acho que não ficou tão ruim...

Faberry sexy times no próximo e Beth... Pretendo atualizar logo!

Comentem!

Por favor...

A.