História U.A. inspirada nos personagens de Saint Seiya.

Disclaimer: Saint Seiya e todos os seus personagens pertencem a Masami Kurumada. Este texto não possui qualquer caráter comercial

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Capítulo 20 – Sábado

Milo estava tendo um sonho maravilhoso. Ele sonhara com aquilo antes. Mas todas as vezes era maravilhoso. Ele sonhava que estava nos braços de alguém muito querido. E ele o viu. Cabelos compridos, lisos e esverdeados. Um rosto tão lindo que não parecia deste mundo, parecia um anjo. E o anjo o olhava com amor. Mas, de repente, o anjo se foi, deixando-o só. Não, o anjo não pertencia a ele. A solidão e a tristeza cresciam em seu peito. E Milo acordou angustiado. De alguma forma, ele sentia que não fora a primeira vez que aquilo ocorrera naquela noite. Mas alguém o agradou, abraçou e falou com ele em grego até que ele voltasse a dormir.

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Shaka e Mú finalmente chegaram à casa de Mú. Shaka estava extasiado. Finalmente ele teria Mú. Mú, por sua vez, mal se segurava de vontade de abraçar Shaka e beijá-lo. A despeito de tudo isso, no entanto, Shaka resolveu falar para Mú, ao menos, parte do que planejara:

- Mú, eu tenho uma coisa para você.

- E eu tenho um monte de beijos que reservei para hoje à noite!

- Mú! – mas Shaka não conseguira evitar de sorrir – eu tenho uma coisa para te dar a alguns dias, e queria que fosse hoje à noite.

Mú contou até dez, antes de sorrir e perguntar o que Shaka queria lhe dar. Ele amava Shaka, é verdade, mas não conseguia entender essa necessidade que ele tinha de sempre falar sobre as coisas, e nunca sentir o momento. Mas, enfim, entre tantas qualidades de Shaka, aquele realmente era um defeito mínimo, consolou-se Mú. E ele aguardou Shaka dar-lhe o que parecia ser tão importante. Shaka, por seu lado, pegara no bolso um pequeno embrulho e o abrira. Pegou algo de dentro do embrulho e o colocou entre as próprias mãos. E finalmente Shaka falou:

- Mú, eu queria que você soubesse que eu te amo. E gostaria de te entregar a minha vida. – Shaka, então, soprou entre as duas mãos e as abriu, mostrando a Mú um simples anel.

Mú, ao ver aquilo, se comoveu e seus olhos marejaram. Ele vivera tempo suficiente na Índia para saber que com aquele gesto, Shaka colocara a sua própria alma no anel e agora o entregava para que ele sempre tivesse consigo a alma de Shaka. O que ele poderia dar em troca da alma de Shaka? Ele o amava tanto. E Mú, emocionado, colocou o anel e beijou Shaka:

- Shaka, eu te amo! Minha vida é sua e eu vou guardar a sua para sempre.

E entre beijos os dois foram para o quarto de Mú. Shaka começou a tirar a roupa de Mú e encantou-se com seu corpo. Mú era tão lindo. Seu corpo era tão perfeito. Seus cabelos lilases caíam por sobre sua pele em um contraste simplesmente encantador. E Shaka não resistiu e começou a acariciar seu corpo e beijá-lo. À medida que as mãos de Shaka evoluíam em seus carinhos, Mú se arrepiava e gemia baixinho, pedindo por Shaka. Aquilo fez com que Shaka perdesse completamente o controle. Ele pegou Mú nos braços e o jogou em sua cama, tirando sua própria roupa apressadamente. Mú, por seu lado, olhava para Shaka acreditando piamente que ele era um ser de outro mundo, todo em branco e dourado. Como alguém tão lindo podia ser seu? Shaka era perfeito! Lindo! Mú nunca se sentira tão excitado. Ele tinha absoluta certeza disso, como tinha certeza de que nunca se apaixonara tão completamente por ninguém.

Shaka, então, colocou Mú no seu colo enquanto agradava aqueles cabelos lilases que o encantavam. Mú estava tão entregue em seus braços. Ele era tão... seu. E Shaka ajudou Mú a acomodar-se melhor e a se encaixar enquanto procurava mais uma vez pelos seus lábios. Shaka sentiu com as mãos o coração de Mú. Tão disparado quanto o seu próprio. E Mú finalmente soltou o peso do corpo. Obviamente ele não esperara pela dor! Shaka queria consolá-lo, ajudá-lo a se livrar daquela dor, mas ele estava enlouquecido de desejo. E Mú parecia não se importar. Era como se ele quisesse sofrer! Ele começou a subir e descer mais rápido, até que Shaka conseguiu finalmente segurá-lo:

- Calma, carneirinho! Não precisa ter tanta pressa!

- Preciso! Preciso, sim! Eu já esperei muito! Preciso de você, Shaka! – Shaka sorriu e o segurou mais forte, impedindo-o de continuar e se machucar.

- Mú, eu vou estar com você, sempre. Eu te dei a minha vida, lembra? Não precisa ter pressa. Eu quero te ver! Quero aproveitar o momento.

E Mú finalmente se acalmou. Ele, tão impulsivo, precisava de Shaka, sempre ponderado. E Shaka, por seu lado, precisava daquela impetuosidade louca de Mú para sentir o prazer de estar vivo. Até naquele momento os dois se completavam. E eles continuaram devagar, até que finalmente o corpo de Mú se acostumou com o corpo de Shaka. E os dois continuaram até que Shaka explodisse de prazer e ajudasse Mú a gozar também, um chamando pelo outro.

E, felizes e cansados os dois dormiram. Os cabelos lilases de Mú confundindo-se lindamente com os longos cabelos loiros de Shaka. Um teria para sempre a vida do outro.

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Kamus não sabia o que fazer. Afrodite não parara de chorar durante o trajeto até sua casa. Kamus nunca o vira assim. Vencido. Sem reação. Triste. Kamus o recolhera na boite e o levara para fora, sem que Afrodite esboçasse a mínima reação. O que será que acontecera? Teria o maldito Saga maltratado Afrodite, também? Afrodite precisava lhe contar que história era aquela com Saga. Ah! Que vontade de quebrar a cara daquele ordinário! Mas não nessa noite. Não, Afrodite não poderia ficar assim. Ele era seu amigo e sempre ajudara Kamus quando ele precisara. Ele iria ajudar Afrodite. E Kamus, num esforço sobre humano, jogou suas próprias mágoas para os fundos de sua cabeça e preocupou-se com Afrodite. Ele pediu para o táxi que os levasse para a casa de Afrodite. Se alguma coisa poderia ajudar Fleur naquela noite seria ver suas flores e dormir em sua própria cama. E Kamus ajudaria seu amigo a ficar bem. Amanhã ele exigiria que Fleur lhe contasse o que acontecera.

Lá chegando, Kamus fez um chá para Afrodite, abraçou-o e o esperou dormir. Somente depois é que Kamus foi procurar onde ele próprio poderia deitar, já que dormir era absolutamente fora de questão para Kamus. Naquela noite a prioridade seria Afrodite.

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Finalmente Milo acordou. A dor! Ela ainda estava lá! Exatamente do mesmo jeito que estivera na noite anterior. Não, a dor não passara! Ele ainda sentia que tinha chumbo no coração. E se fechasse os olhos ainda conseguia ver Kamus beijando Misty. Mas ele precisava reagir... Ele tinha que achar forças dentro dele para continuar. Ele tinha que continuar. Kamus não o queria. E ele tinha que continuar. Ele ia conseguir. Ele tinha que conseguir.

Milo se virou para o lado e viu Saga deitado na sua cama. Saga! Saga cuidara dele mais uma vez! A gratidão o invadiu. Mas ele não podia continuar usando Saga daquela maneira. Não estava certo! Ele não amava Saga e iria terminar com aquilo.

- Saga, você está acordado?

- Você está melhor, Milo? – por que Saga sempre se preocupava tanto com ele?

- Saga, eu preciso falar com você!

- Vamos tomar café da manhã e a gente conversa. Ontem você não jantou. Você precisa comer. – sempre, sempre preocupado com ele! Aquilo ia ser mais difícil do que ele imaginara.

Foi neste momento que o telefone tocou! Que horas seriam? Quem ligaria num sábado de manhã? Mas Saga, mais rápido, se levantou e o atendeu.

- Saga? Te espero na minha casa em meia hora. Anota o endereço.

- Não posso!

- Achei que a gente já tinha conversado sobre isso! Anota! – a voz era incisiva e Saga anotou. Ele simplesmente tinha que obedecer.

- Tá, eu vou!

- Ótimo! – e tudo o que Saga ouviu foi o barulho do telefone. O maldito havia desligado o telefone na sua cara.

Como no mundo ele iria se livrar daquele metido? Ele tinha que fazer alguma coisa! Isso não iria ficar assim. Saga, em verdade, encontrava-se mais transtornado do que Milo jamais o vira, mas mesmo assim Milo achou que precisava dar um basta naquela situação.

- Saga? Eu sei que talvez não seja a hora, mas preciso te falar que não dá mais para a gente continuar junto... Eu não posso continuar com você sabendo que gosto de outra pessoa.

Saga se virou para Milo, olhando-o com raiva, e simplesmente disse:

- Milo! Não tenho tempo agora. Faz o que você quiser.

E Saga entrou no seu quarto, vestiu-se e saiu em menos de 3 minutos, sem nada falar. Milo lá ficou, sem saber o que poderia ter ocorrido para deixar Saga tão absolutamente fora de si. Foi quando o telefone tocou de novo. Que manhã movimentada aquela!

- Milo? Pega aí o material da faculdade, uma mochila de roupa para mim, escova de dentes e essas coisas e me traz no hotel.

Aioria estava claramente contente consigo mesmo! Milo podia sentir pela sua voz. E Milo tinha que brincar ou Aioria saberia que algo não estava bem com ele. Ele não podia atrapalhar a felicidade de Aioria.

- Aioria? E aí, como estão as coisas? Brochou?

- Vai para a puta que te pariu, Milo! Mas agora não dá para falar. A obrigação me chama! Anota rápido o endereço do hotel e me traz as coisas. – e Milo anotou.

- Tá, tá. Vou te levar. Quando você quer?

- Agora, ué! Deixa na recepção.

- Mas tu é folgado, hein?

- Bom, Milo, foi você que fez de tudo para eu ficar com a Marin. Agora ajuda! – é, Aioria tinha uma certa dose de razão. E, é claro, que ele ia ajudar o amigo.

- Me dá duas horas. Já deixo aí para você.

- Milo? Você é um amigão!

- E você também, Aioria. Mas é um puta folgado! – e Milo bateu o telefone.

Bom, pelo menos alguém estava feliz, pensou Milo. E, de alguma forma, aquele pensamento o ajudou. Sim, ele iria achar a força para continuar. E ele sempre teria seus amigos. E sempre teria Aioria. E, se Aioria não fizesse nada errado, teria Marin também!

Ele não iria mais se entregar à dor.

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- Pronto, ruiva! O Milo já vai me trazer roupa em duas horas. Onde é mesmo que a gente estava?

- Aioria! Eu estava esperando que você desligasse para que eu ligasse para a Shina e pedisse minhas roupas. – Aioria ficou meio enfezado. Ele não queria dividir a Marin com nada, muito menos com o telefone - Não adianta ficar assim! Eu ligo e a gente volta para onde a gente tinha parado, tá?

Como é que o Aioria podia ser tão absoluta e irresistivelmente perfeito? E ficava emburrado que nem criança. Tão lindo! Maravilhoso! E seu! Todo seu! Ela ainda não acreditava na sorte que tinha dado. O Aioria estava mesmo apaixonado por ela. A noite anterior, depois de muito se amar, eles conversaram longamente. E a Marin descobriu que Aioria ficara a fim dela desde a primeira vez que a vira. E ela fora tão cega. Tão tonta. Tudo o que ela precisava ter feito era ter falado com ele. Mas ela colocou um monte de caraminholas na cabeça e quase perdeu a chance. Mas agora ela iria à desforra. Aquele leão de olhos verdes seria dela por muito, muito tempo. Talvez até mesmo para sempre, pensou Marin enquanto discava o número da sua casa.

- Mú? Oi, querido! Tá tudo ótimo! Obrigada por ontem... A Shina tá aí? Não? Onde ela foi? NOOOSSA !– Aioria ao lado continuou emburrado. Será que ela não podia resolver aquilo logo? E resolveu fazer algo para chamar a atenção dela.

- ...

- Pára, Aioria! Nada, não Mu. Será que eu posso te pedir um favor, já que a Shina não está? Será que você podia me trazer no hotel uma mochila de roupa e o material da faculdade? Qualquer coisa tá bom! É, nós só sairemos do hotel na 2ª. Você é um anjo, Mu – e Marin empurrava Aioria com o braço. – Anota aí o endereço. Ah! O Milo vai trazer as coisas do Aioria. Quando? Em umas duas horas, mais ou menos... Anota aí o endereço do hotel. Obrigada, Mu. Adoro você!

Aioria emburrou de novo! Como assim, adoro você? Ela só podia adorar a ele, Aioria, oras!

- Aioria, pára de me desconcentrar quando eu estou no telefone! O Mú vai me trazer as coisas em 2 horas. Ele não é o máximo? Ah! E a Shina saiu com aquele italiano amigo do seu amigo.

- ...

- Que foi, meu gatinho? Tá bravo comigo? – pronto, a insegurança voltara. - Eu te amo tanto! Não fica assim comigo!

Bom, pensou Aioria – amar era bem melhor que adorar, certo? - E ele a abraçou bem apertado e disse:

- Sabe o que é, ruiva? Eu estava com saudades de continuar de onde paramos!

- Ah! É para já!

Até que a Marin podia perder a timidez em determinadas ocasiões!

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- Shaka? Você se importa de ir até o hotel em que a Marin está com o Aioria para deixar umas roupas para ela? – e Mu entrou no quarto das meninas para separar as coisas.

- Claro que não, anjo! Mas o Aioria não precisa de coisas também?

- O Milo vai levar para ele em duas horas.

Ah! O Milo! E um plano começou a se formar na cabeça de Shaka.

- Mu? Me dá aqui o endereço que eu começo a procurar no mapa do metrô!

- Tá aqui, Shá!

E Shaka imediatamente ligou para Kamus no celular.

- Kamus, em uma hora e meia o Milo vai estar neste endereço. Anota aí!

Quem sabe assim aqueles dois cabeçudos conseguiam se arrumar, pensou Shaka. Pelo que ele já tinha analisado da situação dos dois, o Kamus bem que podia se aproveitar do auxílio de uma pessoa prática como Shaka, para variar!

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Afrodite finalmente acordara. E desta vez ele não iria conseguir se desviar das perguntas de Kamus. Kamus não deixaria Afrodite escapar sem lhe contar o que Saga lhe fizera. Ele tinha exatamente 45 minutos antes de sair ao encontro de Milo, tempo suficiente para Afrodite lhe contar o que se passara.

Afrodite queria, queria muito, que sua história não fosse tão infantil. Ele era apaixonado por Saga há tantos anos que deixara de ter a percepção do fato de que ele realmente nunca o conhecera. Ele não sabia quem era Saga. Ele só conhecia a imagem que ele mesmo construíra. E ele não sabia se aquela imagem pertencia mesmo a Saga. Como ele fora tolo! Como ele fora infantil! E à medida que contava a Kamus, Afrodite tinha a real idéia do quanto fora idiota. E, a verdade, é que somente na noite anterior, após a conversa com Kanon é que Afrodite se dera conta do quanto fora infeliz devido a uma ilusão. Não era possível que ele amasse Saga. Ele nem mesmo o conhecia... Mas contar aquilo tudo para Kamus teve o dom de ajudá-lo a se perdoar. Kamus não o julgara ou condenara nem por um momento. Kamus era um amigo tão especial! Tudo o que Kamus dissera fora:

- Fleur, eu preciso te contar quem é esse Saga, já que você não o conhece. Mas infelizmente agora eu não tenho tempo. Eu vou tentar falar com Milo. Ele também não sabe quem o Saga realmente é.

- O Milo? Você marcou um encontro com ele? Que bom, Kâ! – Fleur estava tão feliz por ele que Kamus se emocionou e agradou seu cabelo.

- Não, Fleur, mas o Shaka me disse onde ele vai estar e eu vou tentar encontrá-lo. Você me promete que vai ficar bem?

- Vou, Kamus, juro. Acho que finalmente vou conseguir seguir em frente. Obrigado por me escutar. Você não me acha idiota, não é?

- Bom, Fleur! Você é idiota, mas é o melhor amigo que eu já tive em minha vida! E eu também sou idiota, afinal!

E os dois se abraçaram. Realmente aquela amizade fora a melhor coisa que aquela nova fase trouxera para os dois.

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Saga estava visivelmente fora de si. O que aquele metido queria com ele num sábado pela manhã? Mas ele sabia que tinha que obedecer, pelo menos até encontrar uma forma de se livrar daquela situação ridícula. Como foi que ele não olhara para os lados enquanto ameaçava o maldito francês? Ele deveria ter sido mais previdente... Mas agora tinha que contornar o problema.

E ele tinha meia hora para chegar. Meia hora! Seria absolutamente impossível. Shion morava praticamente do outro lado da cidade! E se ele se atrasasse, o que Shion iria fazer? Contar para Milo? Denunciá-lo? O que será que ele podia fazer? Saga fora pego de surpresa por Shion e não tivera tempo de pensar naquela situação ridícula. Desde a conversa com Shion tanta coisa acontecera... Milo vira Kamus beijando um cara... Milo voltara para casa arrasado... Milo tentara desmanchar com Saga... Saga ficara com Milo à noite... Milo passara a noite extremamente agitado... Milo tentara novamente desmanchar com Saga e ... agora aquilo. Aquele maluco telefonema às nove horas da manhã que culminara com Saga correndo pelas estações de metrô para tentar cumprir a exigência de Shion. Mas a verdade é que desde que o vira Saga acreditara que Shion podia, sim, atrapalhar-lhe os planos. Shion parecia ter este poder. E o melhor que ele tinha a fazer era obedecer. E Saga, arfando, finalmente chegou à porta do apartamento de Shion, com 6 minutos de atraso.

Shion abriu a porta sorridente. Como ele conseguia estar totalmente desperto e animado àquela hora da manhã, como se fosse a coisa mais normal do mundo chantageá-lo e forçá-lo a estar ali naquele horário indecente?

- Bom dia, Saga. Você se atrasou! Mas desta vez eu vou deixar passar!

- O que você quer, Shion?

- Tomar café da manhã com você. Eu não gosto de tomar café da manhã sozinho!

E Shion abriu caminho para que Saga entrasse. Apartamento estranho aquele. Parecia saído de um filme oriental... e não um filme oriental qualquer. Quase todas as paredes eram vermelhas. Pendurados se encontravam artefatos dourados, quadros com escritas orientais e espelhos. Não havia quase nenhuma porta, mas cortinas com miçangas de vidro colorido. O local cheirava fortemente a incenso e várias velas se encontravam acesas. Saga estava perplexo! O lugar era tão exótico quanto o seu dono!

- E você me fez vir até aqui correndo feito um louco porque você não gosta de tomar café da manhã sozinho?

- Sim, Saga – e Shion o brindou com um sorriso luminoso – Isso se chama poder. Eu gosto disso. Sinto que tenho poder sobre você e estou adorando a sensação!

- Você sabe que eu podia matá-lo, não sabe, Shion?

- Sei, Saga. E isso torna tudo muito mais interessante – por que aquele sorriso não saía da boca de Shion? – E agora vamos nos sentar para tomar café da manhã. - Saga tentou falar algo, mas Shion acrescentou: - Em silêncio, Saga. As energias da manhã devem ser respeitadas.

Que raio de comida era aquela? Macrobiótica? Oriental? Naturalista? Mas até que não era tão ruim como parecia... Quando terminaram, Shion voltou a falar:

- Saga, conforme falamos ontem, eu selecionei um profissional que irá atendê-lo. Ele se chama Dr. Minos e é um especialista na sua área de atuação. Ele também é grego! Sua primeira consulta será na 3ª. feira, às 17:00hs. Aqui está o endereço – e Shion lhe passou um pedaço de papel por cima da mesa - E não tente faltar, Saga. Eu estarei acompanhando seu tratamento.

- Não vou faltar. – Saga sabia quando não tinha o que fazer, isso deve ser admitido!

- Ótimo! E agora me conte como está o Milo, depois de sua simpática intervenção na noite de ontem!

- Ele... ele está meio para baixo! – a voz de Saga estava permeada de vergonha.

- E imagino que você esteja feliz com isso, Saga!

- Claro que não! Eu quero que o Milo fique bem.

- Você tem uma estranha forma de demonstrar isso, não é Saga? Drogando-o, ameaçando-o... – e Saga sentiu sobre si a força do olhar inquisitivo de Shion e não soube o que responder. Aquele olhar era verdadeiramente incômodo!

- ...

- Agora pode ir, Saga. Eu tenho alguns compromissos!

- Você me faz vir correndo até aqui para tomar café da manhã em silêncio e me dispensa? É isso?

- Poder e dominação, Saga! Achei que seria ilustrativo para você saber como funciona o outro lado! – maldito sorriso que não deixava os lábios de Shion!

- Eu ... eu vou ter que te ver durante o tal tratamento?

- Você gostaria disso, Saga?

- Não! – ele odiava Shion! Como nunca odiara alguém!

- Que pena, Saga! Você vai me ver várias vezes durante o tratamento. Tenha um bom dia!

E Saga se foi. Shion permaneceu em sua casa. Ele sorria de forma divertida. Aquele fora um bom começo, realmente.

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Milo deixara as coisas do Aioria na recepção e já ia embora quando o viu. Kamus! Sentado na recepção do hotel. Como se o esperasse. Que estranho! Mas antes que ele pudesse pensar no que fazer, Kamus, o viu e se levantou para falar com ele.

Milo sentiu seu coração falhar uma batida. Como Kamus sabia que ele viria para o hotel? Será que Kamus o estava esperando? Devia ser uma coincidência estranha! Só podia ser isso. Se organiza, Milo, ele pensou rapidamente. Ele não podia deixar o Kamus desconfiar da noite miserável que tivera. Do quanto chorara porque o vira com Misty. Do fato de que ele não conseguia comer nada desde o dia anterior. Não! Ele não era uma garotinha. Onde estava o seu orgulho? Ele tinha que parecer bem. Tinha que parecer inteiro. E Kamus parou à sua frente.

- Kamus, você por aqui? – Milo tentara falar da forma mais animada possível.

- Eu vim te ver, Milo!

- Como? – não era o acaso, então. O que significava aquilo?

- Milo, je veux parler avec toi1

- Ah, Kamus. De novo em francês, não!

- Quero conversar com você, Milo.

- Da última vez que você falou isso eu te dei um murro na cara, lembra?

- Bien sûr2, Milo!

- E mesmo assim você se arrisca de novo?

- Claro, Milo!

- Não achei que você fosse tão corajoso, Kamus!

- Ah, Milo! Je suis tout a fait indigné3! – disse Kamus, caprichando na entonação indignada.

- Kamus, você sempre me conquista assim, falando em francês com biquinho – e Milo pegou o braço de Kamus e os dois saíram rindo em direção ao Hyde Park.

Kamus sempre se espantava como conseguia rir e brincar com Milo. Ele simplesmente adorava esse seu lado brincalhão que somente aparecia na presença de Milo. Como ele o amava! E ele iria, finamente, falar com Milo! E eles iriam ficar juntos. E Kamus o afastaria de Saga, sem que Milo se machucasse. Sim, era nisso que ele queria acreditar.

Milo não cabia em si de feliz. Ele achava que finalmente iria conseguir conversar com Kamus, demonstrar que gostava dele, ou, ao menos, saber qual era a do francês! Ele o estava esperando naquele hotel! Como Kamus sabia que ele viria ao hotel? E um sorriso iluminou o rosto de Milo. Ele não sorria desde a noite passada, mas a mera presença de Kamus lhe dava um pouco mais de ânimo. Os dois caminharam até um banco no Hyde Park, de onde podiam observar os cisnes no lago. (sim, os mesmos cisnes dos bolões do Saga!). Infelizmente e, para variar, estava chovendo, de forma que o parque estava quase vazio.

- Fale, Kamus!

Mon Dieu! O que falar? Milo estava tão próximo e sorria daquele jeito. Ah! O sorriso de Milo... tão lindo e feliz! Será que ele devia lhe falar de Saga? Não! Shion o advertira no sentido de que ele não devia falar. E da última vez essa fora uma péssima estratégia! O problema é que dessa vez ele não tivera tempo de pensar em estratégia alguma. Ele recebera o telefonema de Shaka, falara com Afrodite e saíra correndo. Não! Ele não iria falar de Saga. Desta vez ele iria falar de seus sentimentos. Somente deles.

- Milo, eu sei que você me viu na boite com o Misty!

- É, pois é! Mas como eu acho que mau gosto não se discute, não ia comentar nada! – o sorriso de novo!

- Bom, é que eu queria te dizer que ele não significa nada para mim!

- Imagino que não, Kamus! Você parece ser alguém sensato! Apesar de ter ficado com Misty, é claro!

- Milo, pára de brincar e me deixa falar, s ´il vous plaît4!

- Fala, então, Kamus! – que raios será que ele queria lhe falar?

- Eu gosto de outra pessoa e ..

- Ah! Do Afrodite! Fica tranqüilo que eu não vou contar nada para ele, não!

Ah! Era isso! Kamus tinha medo que ele contasse para Afrodite. E pensar que por alguns minutos seu coração se enchera de expectativa... Mas claro que ele não contaria a Afrodite! Ele não era traíra, oras! Kamus, por sua vez, se perguntou o que Afrodite teria a ver com aquela conversa... Não, ele tinha que colocar aquela conversa no rumo certo novamente!

- Milo, ferme ta bouche5!

– Como?

- Cala tua boca e me deixa falar!

- Fala, então, Kamus! Quem te impede?

Foi neste momento que o celular de Milo tocou. Milo o atendeu e começou a falar em grego. Kamus, é claro, não entendia uma palavra, até que o ouviu falar "Kamus" e desligou. Um arrepio passou pela espinha de Kamus.

- Milo, quem era? – a voz de Kamus tinha um tom de urgência.

- O Saga. Ele estava fora quando eu saí e queria saber onde eu estava.

Saga! E sabia que Kamus estava com Milo! O que ele podia fazer? O que ele devia fazer? Saga iria ficar com raiva de Milo. Saga iria machucar Milo! Ele havia mandado Kamus ficar longe de Milo caso contrário ele o machucaria! Ah! O que ele devia fazer?

- Que foi, Kamus? Que cara é essa?

- Você contou para o Saga que estava comigo? – o tom na voz de Kamus era agora de desespero.

- Contei, qual o problema?

- VOCÊ VAI PARA A MINHA CASA AGORA! – era uma ordem! Soava como uma ordem.

- Como? – Milo estava surpreso.

- E não vai discutir. Vem! – e Kamus se levantou, puxando Milo pela mão.

- Kamus, você enlouqueceu?

- Não. Viens vite6!

- O que?

- Vem rápido, Milo e pára de discutir.

- Mas Kamus... Eu não posso! Eu preciso falar com Saga. Eu... sei lá! Você enlouqueceu?

Kamus parou e olhou para Milo diretamente. Milo sentiu-se magnetizado por aqueles olhos azuis escuros. Mas o que aquilo significava? Ele nunca vira Kamus tão agitado. Kamus nunca se exaltava ou descontrolava. E agora estava praticamente histérico.

- Milo, confia em mim!

- Kamus, eu juro que confio, mas me explica! Qual o problema?

- Milo, é para o seu bem. Vem!

- Deixa eu passar em casa e pegar minhas coisas. Daí eu vou. Prometo!

- Non! Maintenant7.

- Kamus, qual o problema?

Que saco! Por que Milo era tão teimoso? Por que não o obedecia? Ele precisava ter certeza que Milo não iria para casa. Vai saber o que o psicopata do Saga podia fazer com ele! Então, na falta de idéias, Kamus fez o que queria ter feito há muito tempo. Puxou Milo e o beijou com força. A força do que sentiu o pegou absolutamente de surpresa. Os lábios macios de Milo. O calor do seu corpo. Os cachos dos cabelos de Milo se enrolando em seus dedos. Aquele sentimento guardado em seu coração que agora parecia que iria explodir. Kamus nunca sentira nada tão forte e, inconscientemente, aprofundou o beijo e abraçou Milo mais forte. Dessa vez nada nem ninguém tiraria Milo de seu braços.

Milo foi pego de surpresa, mas ao sentir a boca de Kamus esmagar a sua, perdeu o rumo dos seus pensamentos. Kamus estava mesmo estranho, mas... e daí? Nada mais era importante. Só Kamus. Kamus e o que ele o fazia sentir. Ele só conseguia... sentir. Sentir sua respiração que falhava... Sentir o mundo girando, girando tão completamente... E aquela sensação era tão maravilhosa... Logo ele parou de sentir o chão sob seus pés. Sua visão se escureceu, e Milo fechou os olhos. Nada, absolutamente nada, parecia mais importar. Era como se o tempo tivesse parado. Milo aos poucos perdeu a exata consciência de onde estava. Ele só sabia que Kamus, o seu Kamus, o estava beijando e ele sentia o coração de Kamus bater descompassado de encontro ao seu, apesar dos pesados casacos que os dois usavam. O que mais poderia importar? Então, para sua tristeza, sentiu a cabeça de Kamus se afastar da sua, muito embora Kamus ainda o abraçasse como se não tivesse a mínima intenção de largá-lo.

- Você vem, Milo?

Milo olhou novamente dentro daqueles olhos azuis. Tão mais escuros que os seus, mas tão incrivelmente belos. Os olhos de Kamus eram tão confiáveis. E pareciam lhe prometer tantas coisas... E Milo estava tão completamente apaixonado por Kamus. Certo que Kamus estava agindo da forma mais estranha que ele jamais vira, mas ainda assim ele gostava tanto dele... E o queria tanto... Que fosse tudo para o inferno!

- Vou para onde você quiser, Kamus...

E meio que flutuando, meio desorientados, meio incrédulos, um tanto quanto encantados, mas muito, muito felizes, os dois foram para a casa de Kamus.

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Hoje a Virgo-chan vai tentar explicar um pouco sobre o Kamus. Bom, o Kamus é aquariano, o que o afasta completamente das preocupações prosaicas do resto do mundo. Ele sinceramente acredita que o mundo é regido pela sua lógica e que, se hoje não funciona assim, funcionará em breve. Por esse motivo, ele demora tanto para tomar uma atitude. Ele acha que o que ele espera que aconteça acabará por acontecer, sem que ele se desvie de suas reais preocupações sociais. Falar ou se posicionar, então, são atitudes que não combinam com um real aquariano. Mas, de alguma forma, eles sempre acabam se fazendo entender!

Kamus: Virgô-chan, je veux parler avec toi!

Virgo-chan (olha-o apaixonadamente): Pois não, Kamus!

Kamus: Eu sinto que você tem transportado para mim parte de suas insatisfações com o aquariano com o qual você se relaciona há vários anos.

Virgo-chan: Mas, Kamus! Isso só demonstra o quanto eu te amo!

Kamus: Arrête, Virgô-chan! Eu sou apaixonado pelo Milo e ele está envolvido com o psicopata do Saga. O Fleur está apaixonado pelo psicopata! E, além disso, estou preocupado com o novo conflito no Oriente Médio e com o massacre racial no Sudão. Não tenho tempo para outro relacionamento.

Virgo-chan (suspira resignada): Por que é que as preocupações dos aquarianos são tão diversificadas?

Agradeço às reviews que recebi da Tsuki-chan (o Milo está mais resolvido, você notou?), da Musha, da Dana, da Gigi, da Tsuki Torres, da Dark Ookami e da Dionisiah. Respondi para todas que me deixaram o e. mail. Muito, muito obrigada mesmo! E, para não perder o hábito, a Virgo-chan pede, requisita, implora por reviews!

Beijos da

Virgo-chan

Ago/06

1 Quero falar com você!

2 Certamente

3 Estou absolutamente indignado!

4 Por favor

5 Fecha tua boca

6 Vem rápido!

7 Não! Agora!

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