Mas Nem Sempre É Tão Fácil Quanto Se Imagina

Ruby's POV:

Eu ainda estava mais dormindo do que acordada quando senti a ponta dos dedos de Belle passearem pelos traços do meu rosto. Abri o dos olhos, encarando-a, ainda com o rosto no travesseiro.

- Você é linda dormindo, sabia? – Belle aproximou a boca de minha orelha, sussurrando ao pé do meu ouvido. Sorri para ela, deitando se lado, para que ela pudesse se deitar junto a mim de novo. Nos abraçamos, com as pernas dela encaixadas nas minhas.

- Posso ficar aqui para sempre? – Perguntei, e vi um sorriso bobo se desenhar nos lábios de Belle. Roubei um beijo dela.

- Eu quero ir hoje na floresta com você...- Belle confessou de forma direta, apesar das nossas vozes permanecerem em um tom baixo.

Levantei uma das sobrancelhas, surpresa pelo que ela havia me pedido.

- Mas, meu anjo, hoje é...

- ...é a noite que você se transforma, eu sei. E eu quero estar com você. – Nossas bocas se aproximaram novamente em mais um beijo, mas antes dela intensificar, afastei, voltando a encará-la.

- Mas é perigoso eu já...

Belle me interrompeu.

- Você já comeu uma namorada sua...eu sei... – Belle riu, fazendo uma caretinha. – Você já me contou essa história, sabia?

Acabei rindo pelo jeito todo sincero de Belle, e acariciei a barriga dela com a ponta dos meus dedos.

- E eu acho que tem alguém que tá começando a se lembrar mais do que me conta...- Cutuquei a barriga de Belle em uma cócega de leve, brincando, e quando, se contorcendo, ela deitou completamente as costas no colchão, fui para cima dela. Prendendo as mãos dela no alto da cama, sem machucar.

A castanha me encarava, como se desafiasse, e eu a ameacei.

- Uma loba perto da lua cheia se torna muito perigosa...sabia?

- Eu adoro correr perigo...- Ela me provocou mais uma vez, e deitei completamente meu corpo no dela, sem nem hesitar.

- Então prepare-se princesa indefesa...porque agora você está nas garras da...- Desci os beijos pelo pescoço dela, e antes de eu completar, quem fez isso foi a própria Belle.

- Da minha Fera...- Levantei o rosto do corpo dela, voltando a encará-la, meio besta com o que a menina acabara de falar.

- O que você disse?

- Você tem que se esforçar mais para ser uma loba perigosa...- Bell debochou de mim, segurando minha nuca, e incentivando que eu voltasse com os beijos pelo corpo dela. – Não posso dizer nada que você já para... – Ela retrucou.

- Eu acho que temos aqui uma reclamação... e eu não posso deixar meu nome comprometido assim...- Disse, levantando a camisola dela até tirá-la. A pele de Belle estava toda arrepiada, e voltei a distribuir beijos agora pelo corpo descoberto, roçando minha boca com beijinhos por cada pedaço dela.

Levantei os olhos para encará-la, e quase se contorcendo embaixo de mim, a castanha fechava olhos e mordia o próprio lábio inferior da maneira mais sexy que eu já vira uma mulher fazer. Com o desejo cada vez mais despertado, fui descendo com os beijos até os seios dela.

- Ruby! – Belle exclamou um pouco mais alto num gemido, segurando o lençol da cama.

- Shhhhhh! – Adverti, rindo, e enchendo a boca dela de selinhos, pelo sol já estar nascendo Voltei o caminho trilhando o corpo dela com minha boca, enquanto minhas mãos, adiantadas, já exploravam suas coxas.

Perdemos mais uma vez a noção do tempo naquela cama, ao mesmo tempo que encontrávamos o amor. Quando fui me dar conta, algumas horas depois e já passava das dez da manhã. Belle havia adormecido novamente, e eu só tinha acordado pelo celular que tocava no criado-mudo.

Assustada, levantei em um pulo, correndo para o banheiro para pegar as roupas do dia anterior. Continuavam bastante encharcadas, já que Belle havia me puxado pro chuveiro de calça e tudo, mas serviria para conseguir ir até o meu quarto. Quando estava vestindo a última peça, a camisa xadrez, pelo reflexo do espelho, vi a castanha se aproximando. Ela me abraçou por trás, encostando o corpo no meu, e me fazendo arrepiar. Como Bell era quase dez centímetros mais baixa do que eu, me virei, mantendo nosso corpos juntos, mas agora uma de frente para a outra. Encarei aquela cara toda amassada de quem acabara de acordar, e que a tornava ainda mais linda. Beijei o queixo da garota, dando uma mordiscadinha de leve.

- Eu tenho que ir...isso se a vovó não atirar em mim quando me ver! – Brinquei, porque apesar da preocupação, tinha tido uma noite incrível para estragar com estresse.

- Você tem certeza que tem? – A voz era toda manhosa, e num sussurro sedutor que senti meu corpo se arrepiar. As mãos da garota primeiro passaram por minhas costas, a barriga e então a calça, apalpando minha bunda e o cós da minha calça, de uma forma defensiva, segurei a mão dela, sem força, ou isso poderia ficar perigoso. E a encarei, levantando uma das sobrancelhas, fazendo cara de desconfiada. – Porque eu acho que você já está toda molhada só de pensar em ficar mais uns minutos comigo...- A voz da castanha era mais uma vez de pura provocação, mas eu sentia a forma como num jeitinho debochado, ela tirava onda pela calça que havia entrado com a gente no chuveiro não ter secado.

- Sabe, eu não vou poder mentir...a culpa foi toda sua! – Roubei um beijo dela, rindo de conhecer esse lado tão espevitado da Belle. – Mas eu ainda preciso ir pro quarto me trocar e ir pra lanchonete... – Fiz um beicinho no final, e ela que me roubou vários beijos.

Ao sair do quarto, a pousada estava completamente silenciosa, e dessa vez não porque era cedo, eu imaginei, e sim porque já era bastante tarde e a maioria das pessoas que moravam ali já tinham ido para seus afazeres, segui para o quarto, e quando abri a porta fiquei estática ao ver quem estava ali. A velhinha rechonchuda estava de braços cruzados, em uma feição nada amigável e de braços cruzados.

Granny's POV:

O conselho da cidade tinha ido até mais ou menos as onze da noite. A maioria dos moradores estavam preocupados com o estranho, o forasteiro que estava na cidade: Greg. O homem havia recebido alta, porém, ainda continuava rondando Storybrooke. Quem era ele e o que queria?

A cidade montou um esquema tático, e como estávamos à um dia da lua, fazia parte do plano que assim como Ruby, eu me transformasse, e fossemos investiga-lo...talvez até espantá-lo para fora da cidade, como a própria Regina Mills havia colocado.

Eu sabia que minha neta não era de dormir cedo, por isso, assim que cheguei, fui direto ao quarto dela, que por sinal estava vazio. Olhei ao redor, por qualquer pista que ela pudesse ter deixado, mas fui obrigada a usar meus instintos, e farejei por Ruby. Procurando pelo cheiro da minha neta, e tentando localizar onde ela poderia ter ido, segui arrastando os pés pelo corredor, até parar em frente a um quarto de hospedes. Levantei os olhos para verificar o número do quarto, e era da mocinha desmemoriada, Belle. Eu particularmente gostava da amizade das duas, pelo menos Ruby estaria melhor influenciada do que ao lado daquela tal de Lauren, que tinha alguns preceitos bastante esquisitos para o meu gosto. Eu temia que ela pudesse desencaminhar minha Ruby, que já tinha seus momentos de rebeldia por si só.

Coloquei a mão na maçaneta, mas quando ia virar, alguns barulhos me fizeram parar. Eram risadas...mas haviam coisas a mais ali, eu escutava gemidos baixos e som de...- Neguei com a minha cabeça. Não podia ser a minha Ruby, minha...Tomei um impulso de girar a maçaneta, e por pouco não fiz. Afastei a mão dali, com a cabeça atordoada. Meu rosto, bastante pálido, agora estava vermelho de fúria. Ela teria que voltar para o quarto, teria. Fui arrastando os pés até o quarto da minha neta. Sai derrubando todos os móveis à procura de qualquer evidência. Eu sempre a via paquerar os homens na lanchonete, como ela podia estar com uma...

Me dava raiva só de pensar. Tirei todas as roupas do guarda-roupa, esvaziei as gavetas da escrivaninha, mas não encontrei nada além de desenhos que ela costumava fazer, todos de figuras femininas, ...era isso uma evidência? Senti minha cabeça começar a latejar com uma forte pressão. Farejei todas as roupas de cama dela, esperando sentir o cheiro daquela garota...aquela menina que se fazia de boa moça, que me enganara junto com Ruby. Não sabia exatamente o que procurava, mas tinha que existir algo que me apontasse o contrário. Quando por fim eu já havia desmontado tudo, sentei na cama, exausta fisicamente e mentalmente. Meus olhos não desgrudavam da porta, ela teria que chegar em algum instante.

Ruby não chegou na hora que seu turno começaria na lanchonete, tão pouco eu desci para fazer café da manhã para os hospedes. Mais uma hora, duas...três...e quase onze horas, a porta se abriu. Com o cabelo preto comprido e a roupa toda amassada, para não falar outra coisa, porque aquela calça dela cheirava a roupa molhada, minha neta surgiu.

- O que aconteceu aqui? – Ela exclamou em tom alto, ao ver o estado do quarto, mas ficou estática a porta.

Fiz sinal para que Ruby encostasse a porta, e viesse até mim. Fiquei em pé, encarando a menina que era bem mais alta do que eu. Ela abriu a boca para falar, mas virei um tapa na cara dela.

- Sua mentirosa...sua...- Me doía só de pensar em falar a palavra, a neta que eu salvara da matilha, que eu cuidara com tanto zelo e amor, se tornara isso uma...uma... Segurei o braço dela com força, empurrando-a na parede.

Ruby tinha os olhos cheios de lágrima, e eu tinha a certeza que ela sabia sobre o que seria essa conversa.

- O que eu fiz de errado com você, hein? Me diz...- Insisti, já que ela não falava nada, apenas tentava engolir o choro.

- Vovó não é...

- Não me diga que não é o que eu estou pensando! Eu farejei, Ruby...eu escutei vocês...você e aquela...aquela...

- Não! – Ruby tentou me impedir de dar um adjetivo a outra garota. – Eu posso explicar...podemos nos sentar e...- Sua voz era entre um soluço e outro.

- EU NÃO QUERO ME SENTAR, SUA INGRATA! EU QUERO VOCÊ FORA DESSA CASA...VOCÊ E ELA, ESCUTOU?! – Apertei um pouco mais do braço da minha neta, mas não fui capaz de machucá-la, nem nada disso, já me doía o suficiente tudo isso. Soltei, e engolindo o choro, sai daquele quarto. Antes de fechar a porta, pude ver a menina escorregar encostada na parede, até cair no chão, naquele choro.