DISCLAIMER: Saint Seiya, obviamente, não me pertence. Esta estória esta sendo baseada no livro Eragon e em Senhor dos Anéis.
SUMÁRIO: Há milhares de anos atrás o mundo era governado pelos cavaleiros e seus Dragões. Esse tempo foi conhecido como a era de ouro. Por muito tempo os cavaleiros conseguiram manter a paz em todo o mundo. Os povos de diferentes raças viviam em harmonia uns com os outros. Entretanto a era dos cavaleiros entrou em extinção quando a maldade invadiu o coração de um deles.
"Cold be heart and hand and bone. Cold be travelers far from home. They do not see what lies ahead, when Sun has failed and Moon is dead."
"O vento uiva pela noite trazendo consigo um aroma capaz de mudar o mundo."
Eragon.
"Cai a escuridão... Colidem as espadas... Reina o mal.".
Eldest.
Capítulo XI.
Hügel – Província dos Anões.
Uma corneta foi escutada ao longe. Enora sabia que alguém havia entrado no acampamento rebelde. Seja quem fosse ela esperava ansiosamente que alguém tivesse encontrado a cura para os seus amigos. A jovem já estava há dias sem dormir e comer direito, estava ao lado da cama de Calla, sempre ajudando Camus da forma que podia, afinal, o mesmo estava tão ruim quanto a menina. Ele ainda conseguia manter-se de pé, mas a febre o assolava e o impossibilitava na maioria das vezes.
Aiolos tentava inutilmente treinar os soldados, mas ele mal se aguentava em pé e seu irmão Aiolia tentava inutilmente achar algum antídoto para o veneno que corria em suas veias, pois apesar de ter sido o menos afetado pelas raízes, o veneno lhe impossibilitava de usar magia, o que o deixava frustrado. Ayala e Heide faziam de tudo para encontrar raízes e ervas que fossem capazes de salvá-los e a cada dia que se passava, Calla morria um pouco mais.
Bennedit sua fiel e amada amiga, sobrevoava o acampamento ainda seguindo ordens de Saga. Apesar de a ruiva ter implorado para ficar ao lado de Calla, Saga, juntamente com Camus a negaram, alegando que a jovem seria muito mais útil sobrevoando os arredores de Hügel como fazia antes. Enora com pena da jovem, que quase nunca se transformava em humana, se comprometeu em ajudar. É claro que Bennedit não gostou da ideia de ter um garoto com Calla, mas ela não se opôs.
Enora era uma menina que se fingia de menino desde que sua família morrera. Ela sempre achou que seu disfarce uma hora ou outra seria descoberto, mas Saga e os outros não se importavam com o fato dela ser um "homem". Eles nem se importavam em averiguar se ela era realmente de fato um homem. Com isso, ela não se atreveu a contar que na realidade era uma mulher. Seguiu seus planos, afinal, se sentiu melhor vestida de homem do que de mulher. Como homem ela poderia ajudar na batalha, como mulher, teria que ser útil de outra forma.
Antes de Calla se atrever a adentrar a floresta, Enora já havia começado a ter aulas com Aiolos. Desde nova, a jovem sempre soube manejar uma arma. Não era nenhuma exímia no assunto, mas se sua vida dependesse de uma arma, ela saberia como protegê-la. O som da corneta tornou a invadir os seus ouvidos e com ela o barulho de homens e anões gritando. É claro que Enora gostaria de sair da tenda onde Calla estava para averiguar o que estava acontecendo no acampamento, mas o dever de cuidar da jovem era mais forte do que a sua simples curiosidade.
O chão começou a tremer, e os gritos ficaram mais intensos. Enora supôs que este exército que adentrava Hügel não era um exército inimigo, mas também não era amigo, já que os gritos eram de repulsa. Pelo menos ela conseguia discernir algumas palavras ditas pelos anões. Eles não pareciam satisfeitos, alguns até xingavam e praguejavam maldições ao vento, outra palavras eram difíceis de se compreender. Apesar de ter um bom tempo junto com o povo dos anões, Enora não sabia quase nenhuma palavra de seu idioma, sempre considerou a linguagem deles difícil demais de se aprender.
É claro que não era estúpida, pelo menos os palavrões eram fáceis de assimilar. Seus cabelos loiros estavam presos em um curto rabo de cavalo. Ela fez questão de cortá-los assim que adentrou no exército dos rebeldes, para disfarçar que era uma menina. Hoje, ela trajava calças marrons largas, o que fazia com que uma fivela preta a fixasse no lugar. Uma blusa de mangas compridas branca, mas que já estava amarelada por causa do suor e sobre a blusa um colete de couro simples. Seu rosto antes belo e delicado, agora estava manchado de queimaduras de sol e os seus olhos cor de mel, já não tinham a mesma vivacidade de antes. Não brilhavam como antigamente. Há tempos que Enora não sabia o que era sorrir de verdade.
Um anão gordo e peludo entrou na tenda de Calla soltando alguns palavrões, suas mãos estavam sujas de barro o que fez Enora sentir aquela leve curiosidade aflorar em seu cérebro. O anão olhou para ela com certo azedume nos olhos. Ela o encarou por alguns segundos antes de ter coragem para perguntar o que de fato estava incomodando tanto aquele homenzinho.
- O que houve? – Ela perguntou seriamente franzindo a testa ao fazê-lo.
- Verdammet Elfen! [1] – Praguejou o anão.
- Fale na minha língua! Não consigo compreendê-lo! – Enora esfregou as têmporas impaciente.
- Elfos! – O anão andou de um lado a outro. – Elfos e mais Elfos!
- Elfos? – Enora se pôs de pé. Não tinha nem se dado conta que passara a manhã toda sentada naquele banco de madeira. Sua bunda doía e sua coluna também. – Elfos?! Aqui?!
- Sim, moleque! – O anão o olhou com o semblante fechado. – Elfos em Hügel! Sakrileg! Dies ist ein disparete! Blasphemie! [2]
As palavras foram ditas friamente e o tom delas fez com que os pelos dos braços de Enora se arrepiassem. Ela não fazia ideia do que estava acontecendo, não compreendia uma palavra do que aquele anão dissera, mas ela sabia que Elfos era sinal de problemas. Será que o grupo que Saga estava esperando havia chego? Mas não era um grupo pequeno? O que ela escutara era barulho de um grande exército.
- Quantos? – Ela perguntou conforme estalava os dedos por puro nervosismo.
- Muitos. Malditos! Estão manchando o solo dos anões! Saga não pode se unir a eles!
- Mais os Elfos podem nos ajudar a curar os nossos amigos e na guerra! – Ela rebateu com certa esperança na voz. – Eles são ótimos com magia! Eles podem curar Calla e os outros!
- Nicht! [3] De jeito nenhum! Não mesmo! Elfos são traiçoeiros! Mesma laia de Darius! – O anão fez um gesto com os dedos para demonstrar que os dois andavam juntos.
- Não exagere! – Enora andou de um lado a outro. – Eles podem ajudar! Eles vão ajudar!
- São demônios! – O anão socou a madeira da tenda e deixou Enora sozinha com Calla.
- Calla. – Enora foi até a cama da amiga. – Você vai sair dessa! Você e os outros!
~/~
O sol queimava e incomodava. As roupas estavam grudadas no corpo e as pernas queimavam de tanto cavalgar. Galadriel sabia que seria difícil, sabia que não estava acostumado a este tipo de evento. Nunca participou de guerras, apenas treinou com o seu povo. Sabia manejar um arco e flecha e uma espada, sabia lutar corpo a corpo, sabia tudo o que era necessário para entrar em uma guerra, só não tinha noção que tudo era tão cansativo e fedorento.
Sua espécie era considera a mais imaculada da terra, a mais limpa, organizada e perfeita, mas no meio de tantas pessoas suadas e imundas, sentiu nojo até da própria espécie. Desde que saíra de Silverseed tinha a impressão de ter feito a escolha errada, lutar por anões e humanos era contra tudo o que ele almejava na vida. Era contra os seus princípios. Porém, desde a partida de Eveline, seu modo de ver as coisas estava começando a mudar. Ainda era contra a essa união instável entre as espécies, mas não deixaria a sua irmã de consideração sozinha nesta guerra.
Seus olhos azuis corriam pelos homens e anões no meio do grande acampamento. Alguns anões lhe dirigiam palavras rudes e inapropriadas. Sentiu o sangue ferver várias vezes, mas manteve o controle. Shaka estava liderando o grupo, e o líder parecia calmo e sereno, como se nada o afetasse. As pessoas gritavam, aplaudiam e uivavam de felicidade, era uma mistura de alegria e desespero. Gostas de suor escorriam pela sua pele alva, sentiu os cabelos loiros grudados em sua nuca, teve vontade de gritar de nojo, mas manteve a compostura.
Shaka fez um sinal com a mão sinalizando que os Elfos parassem. Galadriel acariciou sua égua branca com ternura. O animal relinchou baixinho ao toque se sua mão aveludada. Mais a frente um grupo vinha até o encontro de Shaka. Liderando-os um homem alto, forte e bronzeado. Seus longos cabelos estavam soltos, eram dourados e contrastavam com a sua pele queimada de sol. Sua roupa era simples, calças pretas e blusa branca de botões. Usava botas de couro marrom claro até os joelhos por cima da calça. Estava rodeado de homens e anões, homens bem vestidos, mas apresentáveis que o próprio loiro. Os anões olhavam desconfiados para o grupo a sua frente, mas o loiro parecia satisfeito e até mesmo aliviado de estar vendo aquele grande grupo de Elfos.
- Shaka. – Saga fez uma breve reverência ao Elfo loiro que estava montado em seu lindo cavalo negro. – Obrigado por vir.
Shaka desmontou do garanhão e foi até o loiro. Fez uma breve reverência ao homem a sua frente e esboçou um breve sorriso, na realidade não era bem um sorriso, apenas um curvar de lábios. Shaka quase nunca sorria.
- Saga. – Shaka olhou dele para os outros que o cercavam. – Cavalheiros. – Ele curvou-se diante dos homens e dos anões que pareceram assustados com aquele ato. – Desculpem-nos pela demora. Não foi fácil tirar Lozac do caminho. Ele estava determinado a concretizar a sua tarefa.
- Venha por aqui, Shaka. – Saga abriu caminho no meio dos anões e humanos. – Você deve estar cansado, vou providenciar comida e um bom lugar para você e os seus homens descansarem.
- Não precisa se preocupar, meus homens sabem se virar sozinhos. Eles vão preferir ficar próximos da floresta.
- Não! – Saga lançou um olhar alarmado e preocupado para Shaka. – Não! Não perto de Bones. Vocês podem ficar daquele lado, perto daquela montanha, lá tem espaço para todos os seus homens. Mas caso mude de ideia, você pode ficar no casarão comigo e com os outros nobres.
- Vejo que temos muitas coisas para conversar. – Shaka olhou dentro dos olhos de Saga. – Vejo que algo lhe perturba. O que aconteceu?
- Venha comigo, lhe conto no caminho.
Shaka e Saga partiram um ao lado do outro conversando sobre a viagem e sobre o que tinha acontecido em Hügel. Galadriel apenas deixou que o seu líder seguisse adiante e partiu com os de sua espécie ao lugar onde Saga havia mencionado. Não foi fácil chegar até o local, os humanos e os anões ficavam fazendo perguntas e dificultando a passagem, isto mais para os anões. Quando finalmente chegaram perto da floresta, montaram acampamento. Ficou o mais longe possível dos anões. Assim não teriam problemas futuros.
Não demorou muito para se instalar. Montou sua própria tenda, organizou as suas coisas e quando finalmente não tinha mais nada para fazer, foi até um dos Elfos perguntar se algum deles sabia onde tinha algum córrego. Não ficou surpreso em saber que nenhum de seus irmãos sabia onde ficava o rio. Voltou para a sua tenda contrariado, queria tomar um banho, estava sujo e fedendo, mas não queria ter que perguntar a um humano, principalmente a um anão.
- Terei que procurar por conta própria.
Fechou os olhos e se acalmou. As batitas de seu coração suavizaram, sua respiração ficou lenta, quase extinta. Sentiu o vento açoitar os seus cabelos e a sua pele, era apenas uma brisa leve, mas seus sentidos estavam completamente aguçados. Podia escutar as conversas dos Elfos, dos anões e dos humanos, tentou não prestar atenção nas vozes ao seu redor. Concentrou toda a sua energia apenas no cheiro, sensações e barulhos referentes à natureza. Não era algo simples de fazer, alguns elfos levavam anos apara aprender a se concentrar e ter percepção.
Nessas horas sentia inveja de Eveline, ela desde nova sempre teve o dom para essas coisas. Conseguia ouvir a quilômetros de distância, tinha um olfato apurado, melhor do que alguns metamorfos. Já Galadriel, passou oitenta anos tentando controlar esses sentidos. Hoje em dia, ele conseguia usá-los com muita concentração, e mesmo assim, ainda utiliza um pouco de magia para fazê-lo. Não foi rápido, mas ele sentiu a sua direita o barulho do córrego, o som da água chocando-se contra as pedras, sentiu até mesmo o cheiro de terra molhada, e pode escutar as gotículas de água caindo por entre as folhas verdes que cercavam o rio.
- Perfeito. – Disse abrindo os olhos e voltando a escutar o caos que o cercava.
~/ ~
Enora deixou Calla com Bennetti. O corvo veio voando em direção à tenda e quando suas patas alcançaram o solo, imediatamente Bennetti se transformou. Seus cabelos vermelhos estavam bagunçados e seus olhos da mesma cor eram sombrios e cautelosos. Eles avaliaram Enora de cima a baixo, como se pudessem ver através de suas mentiras.
Como de costume, Bennetti não disse uma única palavra, apenas sentou-se ao lado de Calla e lhe segurou as mãos com gentileza. Fechou os olhos e começou a murmurar palavras incoerentes para Enora. A garota achou que estivesse invadindo um momento intimo das duas jovens e se retirou. Calla e Bennetti eram muito próximas e tinham um elo muito grande. Por mais que Bennetti estivesse quase 100% das vezes em sua forma de corvo, Enora sabia que Calla compreendia a amiga somente com o olhar.
Não disse nada para a mulher de cabelos vermelhos, apenas saiu correndo. Queria saber o que estava acontecendo no acampamento. Conforme corria pelas tendas, percebeu que os homens estavam inquietos e que os anões estavam mais mal humorados do que de costume.
"Elfos". Pensou a jovem. "Saga mencionou algo relacionado a eles há dias atrás." Enora corria sem parar, parando de vez enquanto para cumprimentar um ou outro do acampamento e lhe informar o estado de Calla. Seus olhos claros avistaram de longe outro acampamento. Não era um grande exército, mas no mínimo umas mil pessoas deveriam estar daquele lado. As tendas eram diferentes das de Hügel, na certa eram os Elfos. Daquela distância, ela não conseguia distinguir diferença entre eles e os humanos.
- Enor!
Enora parou na hora. Aquela voz era de Aiolia. Pelo tom de sua voz ele estava irritado e contrariado. Enora girou o corpo na direção da voz. Como Calla, Aiolia estava com o rosto pálido e sem vida. Grandes marcas escuras estavam fixas em baixo de seus belos olhos. Seus cabelos estavam desalinhados, mas não daquele jeito sedutor e sim desleixado. Suas roupas estavam desalinhas em seu corpo. Estava um trapo.
- Senhor. – Ela se dirigiu até ele com rapidez. – O Senhor não deveria estar andando por ai, deve descansar.
- Eu estou bem Enor. – Aiolia fez um sinal com a mão para que o jovem a seguisse. – Quero conversar com você.
- Aconteceu alguma coisa?
- Por enquanto não. – Aiolia andava devagar. Sentia seu corpo pesado e uma leve dor de cabeça lhe atormentava desde o ocorrido com Calla. – Como está Calla?
- Na mesma. – Enora não pode conter a tristeza em suas palavras. – Não sei como ela ainda permanece viva.
- Ela é forte. – Aiolia parou um pouco para tomar fôlego. Era visível o seu mal estar. – Enor, preciso que você mantenha-se longe dos Elfos por enquanto.
- Po rque me diz isso?
- Porque os anões não estão satisfeitos com eles aqui. – Aiolia parecia sofrer ao falar. Cada palavra era dita com esforço. – Até Saga contornar a situação, não quero você perto dos Elfos.
- E por que o Senhor acha que eu irei até eles?
- Porque você é muito curioso. – Aiolia tornou a andar. Seus passos eram lentos. – Eles são ótimos com o arco e flecha e sei que você estava começando a treinar com o meu irmão, sei que eles são os melhores e sei que isso faz o seus olhos brilharem.
- Se eu posso aprender com os melhores, por que não tentar? – Enora não estava entendo o rumo daquela conversa.
-Você já conheceu algum Elfo em sua vida?
- Não.
- Então preste atenção nas minhas palavras menino. Elfos são sábios, experientes e frios. Não se deixam envolver por outras espécies, são fechados em seu mundinho e gostam de se manter distantes de tudo e todos. Não são simpáticos e muito menos lhe oferecem um sorriso a cada palavra dita. Possuem o dom da magia, assim como os feiticeiros, porém usam de maneiras diferentes. – Aiolia parou de andar quando finalmente chegou a sua tenda. Entrou e sentou-se ao lado de seu irmão que estava deitado descansado. Enor entrou logo atrás e ficou perto da entrada da tenda, não querendo invadir a privacidade dos irmãos. – Saiba de uma coisa Enor, eu sei que quer se provar, mostrar que tem capacidade, que pode ir à guerra conosco, sei que pretende alcançar as suas metas e idealizar aquilo que você mantém em sua mente preso a sete chaves.
Enora engolia a seco. Como ele podia descrevê-la tão bem? Entendê-la como ninguém a entendeu? Será que ele sabia de alguma coisa? Será que desconfiava de algo? Ela nunca contou a sua história de vida para ninguém.
- Eu não sou irresponsável, Aiolia!
- Nós sabemos. – Aiolos estava com os olhos fechados, mas sabia o assunto que estava sendo tratado. – O que o meu irmão quer dizer, é que você se mantenha cauteloso. Uma guerra está para ser travada a qualquer dia, Darius não veio até nós porque não quer sair de sua fortaleza, ele sabe que nós não lhe oferecemos perigo algum, mas mesmo assim a mente do traidor é uma incógnita, então se mantenha alerta sempre, principalmente com os Elfos.
- Eu compreendo. – Enora entendia o que eles estavam dizendo, mas no fundo ela queria ir até os Elfos, queria conhecê-los, queria muitas coisas, mas não o faria, não cometeria o mesmo erro que Calla, não desobedeceria as ordens de seus superiores.
- Não pense que eu só tive está conversa com você, menino. – Aiolia pegou um copo de água que estava ao lado da cama do irmão e bebeu um gole. – Heide e Ayala já estão cientes disso. Você é homem, e eu preciso que você mantenha as meninas sobre controle e, claro, quero que você fique de olhos abertos.
- Está me pedindo para vigiá-las?
- Está na hora de você ter responsabilidades, na sua idade eu já era responsável por um grande exército. – Aiolos continuava de olhos fechados.
Enora não ia discutir com Aiolos, ela sabia que ele era mais maduro e muito mais experiente do que ela, mas ele não era tão velho assim, ele praticamente tinha a mesma idade que ela, a diferença é pouca.
- Eu o farei com orgulho! – Ela disse com orgulho. Era a primeira vez que alguém depositava confiança nela. – Não irei desapontá-los.
Aiolia forçou um sorriso em seus lábios quebradiços e pálidos para o jovem. Enora fez uma reverência e saiu da tenda dos irmãos cheia de confiança e expectativas. Ela sabia que eles tinham razão sobre os Elfos, mas ela também queria tirar as suas próprias conclusões e se Saga aprova os Elfos, ela apoiaria também, no entanto se manteria distante dos mesmos em consideração e respeito aos irmãos.
Schwert – Império. Palácio de Darius.
Ela não compreendia o que estava acontecendo, mas estava gostando do contato da pele dele na dela. A mão dele era quente e áspera, Lacos supôs que era a mão de um guerreiro. Darius travara várias batalhas em sua existência, era mais que normal suas mãos não serem aveludadas, ela não se importou com a aspereza, ela gostou do toque, e mesmo não tendo mãos de veludo, ele a acariciava com delicadeza, ternura, como se estivesse estudando cada centímetro do corpo dela.
Ele nunca havia convidado a jovem a ir até os seus aposentos, mas naquele dia algo mudou. O convite veio e ela pensou que a felicidade não fosse caber dentro do peito. Eles conversaram, ele lhe mostrou vários livros e lhe contou varias histórias de suas andanças pelo Império. Até que no decorrer da conversa ele se aproximou mais dela, até que seus lábios ficassem a milímetros de distância um do outro. Ela podia sentir o gosto de seu hálito fresco, pode sentir também a sua pele esquentar em vários lugares que ela desconhecia.
Ele tocou os lábios dela com os dedos gentilmente, sorriu e colou a testa na dela. O calor do corpo dele passou através daquele contato, suas pernas ficaram bambas, ela sentiu o quarto girar e Darius como se soubesse de sua fraqueza a segurou pela cintura trazendo seu corpo mais para perto do dele. Pingos negros dançaram na sua frente, pensou que fosse desmaiar, mas não, seu cérebro não iria fazer aquilo com ela, estava apenas fraca.
Darius a colocou em cima da cama grande e macia. Os lençóis beijavam-lhe a pele onde estava desnuda, mas não era tão confortável quanto o toque das mãos dele. Como se ele pudesse ler os seus pensamentos, ele passou as mãos pelas suas pernas, subindo devagar o vestido que cobria o seu corpo frágil. Ela nunca pensou que seria tocada daquele jeito, ainda mais por ele que era tão ligado a Reganna e a Gilliana, porque no fundo ela sabia que ele amava a mulher de seu irmão.
Em nenhum momento ele tocou os lábios dele nos dela. Mas em todo o processo ele a acariciou e beijou o corpo dela. Lacos já sentia seu corpo pegando fogo, mas Darius estava provocando-a, apenas se divertindo com a pureza da jovem. Ele não tocou em seus seios e não tocou também em sua intimidade, apenas beijava o corpo dela. Seus ombros, seu pescoço, orelha, colo, barriga, pernas e tornozelos. A cada beijo que ele lhe desferia, era uma ardência em sua intimidade. Sentiu uma umidade entre as pernas, seus seios estavam rígidos e seu corpo clamava pelo dele. Lacos não entendia o que eram aquelas sensações, mas ela queria mais, ela queria qualquer coisa que ele pudesse lhe oferecer.
Nem tinha notado que a cada beijo que ele lhe dava, um gemido fraco e baixo se desprendia de seus lábios. Sua coluna se curvava para cima, seu pescoço pendia para trás e suas mãos agarravam com força os lençóis da cama.
- O... O q-que v-você está fa... – Ela suspirou quando ele beijou a sua virilha. – Comigo?
- Nada. Apenas sinta. - Ele sorriu ao dizer aquilo, ele queria que ela sentisse como era ser possuída, mas ele não faria isso com ela agora, ele apenas brincaria com ela. – Apenas relaxe.
Lacos não se opôs a isso e ela já estava relaxada, estava muito até, sentia todos os músculos do seu corpo, todos os aromas do ambiente, sentia cheiro de madeira, couro, podia sentir o calor do fogo que crepitava na lareira em sua pele, podia escutar o som de passos pelo corredor e até mesmo escutar conversas ao seu redor, podia também escutar bem ao longe o ronronar de um Dragão, até mesmo o seu hálito ela podia sentir. Ele acabara de comer uma vaca inteira, sangue, ferrugem e sal estavam impregnados na boca de Wegor, mas nada daquilo importava para ela naquele momento, somente Darius.
Ela podia escutar as batidas do coração dele, compassadas, perfeitas. Sentia a umidade de seus lábios em sua pele quente, sentia o cheiro dele, cheiro de homem, cheiro de loção, perfume, um perfume gostoso, algo almiscarado. Ela queria identificar o cheiro dele, mas a cada beijo que ele lhe dava seus pensamentos se anuviavam.
Uma batida na porta de madeira preencheu o ambiente. Lacos sentiu a solidão lhe invadir quando Darius gentilmente saiu de cima de seu corpo. Ele tinha acabado de começar a beijá-la no pescoço mais uma vez, estava subindo e descendo pelo corpo dela com os lábios. Uma pena que aquela ardência tinha que ser interrompida. Ela não sabia se estava chateada com o fato deles terem sido interrompidos ou, aliviada por não tê-lo mais em cima de seu corpo, afinal, ela não sabia onde aquilo iria terminar, ela tinha medo pelo o que poderia acontecer com ela caso Reganna desconfiasse de algo. A feiticeira sempre fora uma mulher impiedosa e mortal. Lacos podia ser forte, mas não sabia se poderia deter Reganna.
Darius caminhou até um sofá enorme de veludo vermelho e pegou um roupão preto que estava sobre o mesmo, o vestiu e andou tranquilamente até a porta, como se já soubesse que seria interrompido. Seu semblante era uma incógnita. Quando abriu a porta, seus belos olhos azuis se encontraram com os azuis de Kanon. O feiticeiro estava com a cabeça baixa, como se não quisesse saber o que o seu senhor estava fazendo, apesar de já imaginar.
Ousou somente erguer os olhos para ver de quem se tratava, ele não achava que fosse se surpreender com a visão, mas seus olhos viram algo incomum, algo que ele achava que nunca aconteceria. Ela estava com as pernas a mostra e belas pernas, apesar de ser branca como uma vela, ela era linda, seus cabelos vinho estavam espalhados pela cama grande, eles se misturavam com os lençóis, deixando uma imagem maravilhosa. Ela poderia ser a imagem de um belíssimo quadro. Seus olhos verdes lhe pareciam duas pedras preciosas. Kanon desviou o olhar e encarou o seu mestre.
- Senhor. – Ele fez uma reverência. – Perdão por interrompê-lo, se quiser posso voltar em outro momento.
- Não interrompeu nada, Kanon. – Darius nem ao menos olhou para trás. – Lacos, tenho negócios a resolver, outro dia terminamos a nossa conversa. – Ele nem esperou uma resposta da menina, apenas saiu do quarto junto de Kanon.
Quando a porta se fechou atrás do seu imperador, Lacos sentiu aquela sensação de solidão mais forte lhe invadir o corpo. Aquele sentimento de alivio, tinha ido embora e o arrependimento batera forte em seu corpo. Cada pedaçinho do mesmo gritava pelos beijos quentes e úmidos de Darius, era uma pena que o seu senhor tivesse tantos compromissos.
- Outro dia então... – Ela sussurrou triste.
Estrada em direção a Nawar.
- Eu sei que você disse duas horas, mas eu não poderia ir até Nawar e voltar em duas horas. – SB dizia aquilo tudo com certa impaciência. Estava louca para que aquele assunto chato terminasse. – São exatamente quatro dias para chegar a Nawar, voando eu chego em algumas horas, mas ir e voltar leva pelo menos um dia. O importante é que você seguiu com o exército sem mim, mas isso você faria com ou sem a minha ajuda, o que me leva a pergunta, sentiu a minha falta neste tempo, Reganna?
- Não. – A feiticeira estava completamente irritada. Seus olhos estavam vermelhos e seus cabelos pretos como a escuridão estavam soltos. Ela cavalgava devagar em seu cavalo, como se estivesse controlando algo internamente. – O que me deixa completamente irritada, Santana... – Ela estalou o pescoço. – É a sua desobediência.
- Hum... – SB cavalgava ao lado da mulher. Trajava a mesma roupa de mais cedo, blusa branca e calças pretas com botas de couro, sem armadura. Seus cabelos continuavam presos no alto de sua cabeça em um coque mal feito. – Acho que você esta irritada a toa Reganna. Eu não lhe devo obediência!
- Você deve obediência a Darius, logo deve obediência a mulher dele! – As palavras foram carregadas de ódio e frieza. – Antes que você rebata a minha resposta SB, pense duas vezes no seu futuro!
- Sabe Reganna, Kanon me contou o que você fez com Lozac, muita coragem da sua parte ir contra um espectro. Nem mesma eu teria coragem de fazê-lo, mas isso não significa que eu tenho medo de você ou que eu esteja adepta a ameaças. Eu não lhe devo obediência, sim eu devo ao nosso Imperador Darius, mas não a você e sobre você ser mulher dele... – Santana quis rir, mas não ousou colocar lenha na fogueira. – Bom, creio que este seja um assunto somente seu e dele, não irei me meter ou tecer comentários a respeito. E sobre a sua ameaça, saiba que eu não sou Lozac, não sou Kanon e muito menos qualquer outro ser inferior que você esta acostumada a ameaçar. Logo, não tenho medo de nada, muito menos de você.
Reganna sorriu com a resposta da metamorfa, sabia que poderia matá-la a qualquer momento. Mas não ali e não naquela ocasião, estava cedo de mais para investir contra um "aliado".
- Me lembrarei dessas palavras, Santana. – Reganna sorriu mais uma vez, até que soltou uma gargalhada tão alta que todos que estavam ao seu redor recuaram de medo, menos Santana. – Quando o momento chegar espero que você ainda tenha essa coragem.
Dito isso ela bateu com o calcanhar no cavalo e cavalgou mais rápido adiante, deixando Santana sozinha no meio de um circulo, onde nenhum soldado ousava penetrar. A metamorfa compreendeu o sentido por de baixo das palavras da mulher, sabia o que estava aguardando por ela em seu futuro, mas de uma coisa ela tinha certeza, Reganna era uma mulher prepotente e convencida, podia lidar bem com qualquer ser mais fraco do que ela e podia julgar todos os outros a serem inferiores a ela, mas SB sabia que no fim, ela entenderia que nem todos estão abaixo de sua "superioridade".
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O pio de uma águia ecoou pelo céu escuro. As estrelas brilhavam e o vento ajudava o pássaro a planar no céu. Suas penas majestosas eram acariciadas pela brisa morna que vinha do leste. Seus olhos dourados analisavam o exército que marchava sem parar na direção das muralhas de Nawar. A águia pia mais uma vez em direção ao nada e outra se junta a ela, planou ao seu lado, as duas se encararam e retornaram em direção a cidade de Nawar.
- O que você viu?
- O mesmo de antes. – Os olhos antes dourados voltaram a sua cor natural. Azul escuro. – Não se preocupe meu Rei, nada irá lhe acontecer.
Albafica sentou-se em seu trono suspirando em seguida. Seus longos cabelos azuis claros estavam soltos, seus olhos estavam opacos, sem brilho algum. Em baixo dos mesmos, grandes manchas escuras demonstravam o quanto o Rei estava cansado e doente.
- Não há com o que se preocupar, meu Senhor.
- Mani. – Albafica colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha. – Olhe em meus olhos, bem no fundo dos meus olhos e me diga o que lhe passa em mente?
- Não há nada em minha mente, Senhor.
- Vou perguntar mais uma vez e para de me chamar de Senhor, sou seu amigo, seu irmão! Você é a minha única família, então nada de Senhor. – Albafica suspirou mais uma vez, estava cansado. – O que passa em sua mente, Manigold?
O amigo o encarou por longos minutos, pensou em várias coisas para responder, mas sabia que Alba não gostaria de nenhuma das respostas que ele lhe diria, sabia também que o amigo lhe perturbaria o dia inteiro se necessário até saber o que realmente se alojava em seus pensamentos.
- Meus pensamentos estão em todos os lugares, Alba. – Manigold não escondeu a tristeza em suas palavras. – Penso na minha incompetência...
- Não comece Manigold. – Albafica levantou-se do trono e andou até o amigo. Pôs a mão em seu ombro e lhe dirigiu um olhar severo. – Nós dois sabíamos que isso um dia iria acontecer, nós dois sabíamos que esse momento aconteceria e que tanto você como eu, teríamos que enfrentar os nossos medos.
- Eu sei. – Manigold pousou a mão sobre a do amigo. – Só não imaginava ser assim tão cedo.
- Cedo? – Alba sorriu. Era um sorriso triste, sem vida, sem emoção. – Se passaram anos, anos meu amigo.
- Para mim parece que tudo foi ontem, parece que eu perdi... – As palavras ficaram presas na garganta dele. Ele não queria dizer elas alto, dizer aquilo seria admitir que ele realmente a perdera para todo o sempre.
- Eu também a perdi meu amigo, ela era a minha irmã, ela era sangue do meu sangue.
- Eu sei, me desculpe.
- Tudo bem. Agora me diga o que você irá fazer?
- Nada. Eu não preciso fazer nada. – Manigold caminhou para a amurada de pedra da sala de trono, dali ele tinha uma visão privilegiada da cidade de Nawar. – Longos anos se passaram. Longos anos colocando magia nesta cidade, protegendo-a de qualquer coisa que possa querer invadi-la, não terei que fazer nada. – Ele olhou para trás, na direção de seu amigo que estava parado no centro da sala do trono olhando para as tapeçarias, onde todos de sua família estavam.
Eram várias e em cada uma, uma pessoa era representada fielmente. Seus olhos azuis estavam perdidos na tapeçaria da irmã. Linda, jovem e radiante. Seus longos cabelos castanhos claros estavam soltos e ela usava um vestido azul claro que realçava a cor de seus olhos azuis. Suas mãos estavam repousadas sobre o ventre e em seus lábios havia aquele sorriso perfeito, sorriso que iluminava os lugares mais sombrios dentro dos corações alheios.
- Toda vez que me sinto mal, olho para ela, olho para esta imagem e me lembro do quanto Gilliana era bonita e cheia de vida. Ela esbanjava alegria e beleza por onde passava. Tinha aquele ar de Rainha, ela teria sido uma Rainha amada por todos. – Albafica caminhou até a tapeçaria e colocou os dedos finos e brancos sobre o tecido. – Sinto a sua falta todos os dias.
Manigold compreendia aquilo, compreendia perfeitamente os sentimentos de Albafica. Ele mesmo tinha morrido junto com Gilliana naquela época. Seus sentimentos, sua vida, tudo tinha parado. O mundo tinha parado de girar para ele. Só estava vivo devido ao seu amigo, tinha que manter Albafica vivo, tinha que dar isso a ele. Ele prometera a Gilliana que manteria o seu irmão salvo. Faria com que Alba fosse feliz, faria com que ele tivesse uma família e fosse um bom Rei, protegendo-o de tudo e de todos e tinha prometido a ela, que manteria o seu irmão Darius na linha, mas tinha falhado naquela promessa. Falhara com ela e com todos.
- O que pretende fazer com o exército de Darius?
- Darius morreu Albafica, este que está no trono é Mask.
- Você realmente irá chamá-lo assim?
- Ele se auto intitulou assim, e para mim é até melhor. – Manigold passou os dedos por entre os cabelos negros azulados. – Pelo menos eu posso pensar que o meu irmão, o meu querido e amado irmão Darius, morreu naquela época. E que este homem, não é ninguém, não representa nada em minha vida, então que ele venha que ele ouse invadir Nawar, invadir não, porque isso é impossível, mas que ele traga o exército dele até as suas muralhas...
- Você sabe que está se enganando, não sabe?
- Isso não importa Albafica, o que importa no momento é acabar de vez com essa guerra de anos.
- Ele está no meio do exército? – Albafica sabia que aquilo era impossível, sabia que Darius, ou melhor, Mask como Manigold preferia que o chamasse, não estaria ali no meio daqueles homens, sabia que o irmão de seu amigo não ousaria a pisar em Nawar nunca mais.
- Irei averiguar. – Manigold suspirou. Ele já imaginava que Mask não estaria no meio daqueles homens.
O moreno fechou os olhos e se concentrou, mas uma vez estava dentro do corpo da águia que voava tranquilamente sobre as árvores. Ele tomou conta de seus sentidos e voltou em direção ao exército de Mask. Observou cada um dos soldados ali de cima e não enxergou ninguém que seus olhos estivessem familiarizados, apenas um bando de homens e Orcs e no meio deles duas mulheres que ele julgava serem as responsáveis por aqueles que continuavam marchando sem parar.
- Ele não está no meio daqueles homens. – Manigold voltou para o seu corpo. Albafica já estava ao seu lado. Seus olhos azuis varriam o horizonte a sua frente.
- Irá precisar de quantos homens?
- Nenhum. Irei sozinho. Já sei quem está na frente desde comando.
- E o povo de Nawar?
- Albafica, ninguém irá se machucar e você não precisa se preocupar comigo. Apenas tome a sua medicação, não posso ir para a batalha sem saber que você ficará bem aqui sem mim.
- Irei tomar os meus medicamentos. Eu nem sei o motivo de ainda estar vivo? Sou apenas um humano, não sei por que você se deu a este trabalho...
- Não faça perguntas que não obterá respostas, meu amigo. – Manigold sorriu. – Venha, vamos organizar os soldados e deixar todos avisados do que está para acontecer.
- Um dia eu ainda saberei a verdade...
- Um dia eu irei lhe contar pessoalmente.
Estrada – Indo para Hügel.
A floresta estava ficando para trás, agora somente uma grande quantidade de colinas e mais colinas se estendia ao horizonte. O sol brilhava no céu e mesmo assim o tempo estava gélido. Léia esfregava as mãos umas nas outras para aquecê-las. Amber estava ao seu lado, a raposa que ficara o máximo de tempo escondida e longe quando estavam na floresta resolvera dar as caras e seguir a sua dona. Seus pelos vermelhos brilhavam por causa do sol, e suas patas manchadas de branco deixavam marcas na estrada de terra.
- Como Darius achou o ovo de Dragão? – Perguntou Shura que mordiscava uma maça.
- Por que todo mundo faz essa pergunta? – Léia parecia aborrecida. – Não sei. Eu sempre perguntei isso a ele, mas ele sempre desconversou.
- Vocês dois tinham afinidade? – Mu sabia que Léia era uma criança na época, então imaginava que ela e o traidor por serem os dois cavaleiros mais novos no meio dos antigos, fossem ficar próximos.
- Sim. Quer dizer, eu achava que sim. – Léia esfregou ainda mais as mãos. – Quando Darius entrou no grupo, quando ele chegou a Stellarum, eu pensei que talvez nós dois pudéssemos ser amigos, já que ele era um pouco só mais velho do que eu. E como éramos novatos, achei que talvez, quem sabe, não seria ideal ficarmos juntos, mas nem pense em saliência. – Léia acrescentou logo. – Estudávamos tudo junto, treinávamos juntos. Então, é claro que tínhamos certa afinidade.
- Deve ter sido horrível vê-lo matar o seu dragão. – Shura nem se deu conta das palavras que saíram de sua boca, seu rosto foi ficando vermelho e o olhar frio que Mu lhe lançou fez com que todos os seus cabelos da nunca se arrepiassem. Ele nem ousou olhar para Léia. – Desculpe-me. – Se limitou a dizer somente isso.
Léia ficou um tempo sem dizer nada, apenas eram escutados os barulhos dos cascos dos cavalos de encontro contra o chão de terra. O senhor Gato se remexeu no colo de Mu e ronronou baixinho, como se o silêncio fosse o melhor amigo do bicho. Aquilo com certeza era um sinal para que os três ficassem de bocas caladas enquanto ele descansava. Eles continuaram em silêncio por horas, até que Léia o quebrou.
- Sim. – Ela respondeu com certa dificuldade. – Sim. Foi duro ver com os meus próprios olhos aquela cena.
- Léia, me desculpe eu não queria ter sido rude ou invadir a sua privacidade, não quero lhe remeter a essas lembranças ruins.
- Eu compreendo Shura, sei que não fez por mal, porém eu tenho que seguir em frente, as lembranças machucam, mas eu me propus a ajudar, então tenho que responder as perguntas que vocês irão me fazer. Chega de bancar a frágil e revoltada com a vida. Tenho que me impor e lutar para que este mundo sobreviva.
Shura admirou aquela mulher ainda mais. Ela era uma guerreira, forte e indomável. Ele realmente entendia o motivo de Ismael ter despertado para ela. Um Dragão gostaria de dividir o seu coração e a sua alma com alguém que tivesse coragem, alguém como ela.
- Diga Léia, você conseguiu notar a mudança em Darius? – Mu estava orgulhoso da mulher, mas tinha que continuar com as perguntas.
- Não. Ele sempre transpareceu ser aquilo que ele é hoje. Darius não sorria. Darius não tinha amigos, ele sempre preferiu ficar sozinho. Era espetacular em todas as aulas e nunca deu motivos para ninguém suspeitar dele, até aquele dia...
- Que dia? - Perguntaram Shura e Mu em uníssono.
- O dia em que a princesa Gilliana foi morta.
- Gilliana, a mulher de Manigold, irmão de Darius. O que isso tem a ver com a situação? – Shura perguntou sem compreender nada.
- Irmã de Albafica, Rei de Nawar agora. – Mu disse enquanto acariciava os pelos do senhor Gato.
- Isso. – Léia abaixou a cabeça. Lembrar-se de Ismael a deixava triste, lembrar-se do tempo que treinou com Darius também a deixava triste, agora se lembrar de Albafica piorava a situação por completo. – Duas vezes ao ano os cavaleiros iam até Nawar para abençoar Albafica, ele nasceu doente, uma doença que vai minando com as suas energias, e os cavaleiros iam até lá para suprir isso, dar de volta a energia para aquele príncipe. Eu só cheguei a ir quatro vezes, porque logo depois aconteceu o inesperado. Gilliana morreu.
- Continuo sem entender.
- Todas as vezes que eu fui Darius foi conosco, afinal, eu me tornei uma cavaleira e meses depois Darius entrou no grupo. Quando ele entrou se passou um mês e ele retornou até Nawar, onde abençoamos pela primeira vez Albafica.
- Primeira vez?
- Sim Shura, ela e Darius. Era a primeira vez dos dois.
- Exato.
- A sim...
- Não notei nada de diferente entre os irmãos, Manigold estava até orgulhoso de Darius por ele ter se tornado um cavaleiro. Gilliana que não parecia muito feliz, na realidade ela era sorridente na maior parte do tempo, mas quando Darius estava perto, era como se a sua alegria tivesse morrido. Eu pensei que eles dois tivesse tido algo, mas na última vez que nós fomos até Nawar, ela já estava casada com Manigold.
- E você não notou nada de diferente em Darius? – Perguntou Shura.
- Não. A única coisa diferente nesta situação toda era que Darius ficava mais na floresta do que com os cavaleiros. Ele passava horas sozinho, chegou a não estar presente na última benção que concedemos a Albafica. Logo depois, Gilliana sumiu. Depois da benção do irmão para ser mais precisa. Manigold notou que ela não estava presente no castelo e foi a sua procura, gritou pelo nome dela por horas, até nós entramos no meio daquele caos que começou a ser instaurado.
- E Darius? – Mu quis saber.
- Estava comigo o tempo todo, depois da benção de Albafica, ele voltou e ficou ao meu lado. Perguntei onde é que ele estava... Ele disse que não estava se sentindo bem e que foi ficar com Wegor e os outros Dragões na floresta. Logo depois aconteceu isso e ele se juntou a procura conosco, não parecia alterado nem nada parecido. Estava normal. Finalmente um rastro de sangue foi descoberto perto das paredes de pedra de Nawar, quem encontrou foi uma plebeia que gritava e chorava sem parar. Quando Milla chegou até o lugar, ela vasculhou a área a procura de vestígios, mas não encontrou nada.
- Como vocês sabiam que era o sangue da princesa?
- Eles acharam trapos do vestido dela, Shura. – Léia fechou os olhos como se estivesse voltando para aquela cena. – Era muito sangue. – Disse ainda com os olhos fechados. – O vestido dela fora estraçalhado, como se um animal a tivesse retalhado, parecia que um urso ou até mesmo um leão da montanha tivesse estado ali. – Léia abriu os olhos e suspirou. – Manigold ficou arrasado, ele não conseguia acreditar que aquilo tinha acontecido. Os pais de Gilliana mandaram os seus melhores homens atrás dos animais que fizeram aquilo, o Rei queria todos os leões e ursos mortos.
- Mas foi realmente isso que aconteceu? – Mu quis saber.
- Pelo jeito sim. Logo depois, Manigold e Darius se estranharam, Manigold disse que não queria mais ver o irmão na sua vida e Darius disse que essa seria a única promessa que ele cumpriria. E ai, bom passou um mês e bem... Vocês sabem o que aconteceu.
- Nossa! – Shura estalou os dedos nervosamente. – Será que a briga que ele teve com o irmão foi o estopim para esta guerra?
- Não. Eu acredito que ele já estava com essa ideia fixa na cabeça há muito tempo, só estava esperando a hora certa, o que eu quero dizer é que, ele estava esperando Wegor ficar forte para usar os seus poderes.
- Você diz o poder que somente Wegor possui?
- Sim, Mu. – Léia olhou para as colinas a sua frente, elas eram verdes e o céu azul as beijava na linha do horizonte. – Wegor acabou com todos nós usando aquela magia proibida.
- Você acha que ele seria capaz de usá-la de novo?
- Que isso Mu, não pense assim! – Shura sentiu um calafrio percorrer o seu corpo.
- Não sei, e para ser mais honesta ainda... – Léia encarou os dois. – Não há ninguém nesta vida que possa acabar com Darius, a não ser Manigold, mas ele nunca irá sair de Nawar.
- Então teremos que mudar a nossa rota! – Mu disse decidido.
- O que? – Perguntaram Léia e Shura ao mesmo tempo.
- Isso mesmo que vocês dois escutaram! – Mu se empertigou todo. – Vamos atrás de Manigold. Vamos conversar com ele e quem sabe descobrir o que realmente aconteceu entre ele e o irmão.
- Você é louco! – Léia não estava gostando nada, nada daquilo. – Pensei que fosse fundamental para Saga, que eu estivesse em Hügel!
- Sim. Você é fundamental nesta guerra, mas Manigold também é e se nós três conseguirmos que ele fique do nosso lado, talvez essa guerra possa finalmente acabar.
- Você realmente acha caro amigo, que Manigold vai se juntar a nossa causa?
- Eu tenho certeza, já que Léia irá conosco.
- E o que lhe da tanta certeza assim, Mu? – A Feiticeira quis saber. Ela definitivamente não estava gostando do rumo desta conversa.
- Albafica. – Foram as únicas palavras ditas por ele.
[1] – Malditos Elfos!
[2] – Sacrilégio! Isso é um disparate! Blasfêmia!
[3] – Não!
Olá meninos e meninas, olha quem resolveu aparecer?!
USHAUOSHUIAHSUIAHSUIHAUISHUAIHSIUAHSUIAHUISA
Enfim, mil perdões por estar postando agora. Foram mais de um mês sem postar se não me engano, desculpe mesmo, mas o trabalho estava sugando todas as minhas energias e, eu não estava conseguindo planejar a minha vida direito. Entretanto, cá estou eu mais uma vez. Estou cheia de ideias e cheia de cenas para fazer, ia colocar mais uma cena neste capítulo, mas ficou grande demais, então resolvi acrescentar a cena no próximo.
Como foi dito na quinta-feira no facebook, para aqueles que não fazem parte do grupo de Saint Seiya no Facebook, quero que saibam que quem quiser fazer um Gaiden sobre o seu personagem em HS fique a vontade. Qualquer dúvida a respeito pode me procurar, irei responder as perguntas sem problema algum.
Outro detalhe, neste capítulo a algumas informações que serão respondidas no Gaiden do Darius. Foi mencionado o nome Mask e no Gaiden vocês irão saber um pouco mais sobre este detalhe também. Enfim, acho que é isso. Espero que gostem e apreciem a leitura. Agora vou escrever o último, eu acho... Capítulo do Gaiden do Darius e claro ler o primeiro Gaiden de HS feito pelo Ikarus. :3
Respondendo os Recadinhos Felizes *OOO*
Hikari Nemuru – Ah! Não queria ter feito você chorar, mas só para constar, eu choro escrevendo também. E essa nem é a pior cena dela. Tem tantas coisas para acontecer. Eu até sonho com as cenas que ainda estão para serem escritas. Eu ia contar a história da Léia no Gaiden do Darius, mais deixei para contar em HS mesmo, coloquei bem por cima, para deixar você a vontade quando for escrever o seu Gaiden. Casa venha a escrever. Enfim, acho que você ainda vai chorar muito com a Léia e com outros personagens.
Jules Heartilly – Como eu disse para você no grupo, tenho uma cena linda do Shaka com a Narya. Espero que goste, mas já aviso que é bem lá na frente. Quando as coisas começarem a esquentar para a nossa querida Elfa. Nessa história todo mundo sabe de tudo, tem um fofoqueiro no meio, mas quem?
Krika Haruno – A Yúrah tem aquela coisa de querer resolver tudo sozinha. É mais velha, mas antiga e mais sabia, acha que com palavras pode resolver uma guerra e ela até que está certa, as palavras possuem poderes, são de fato importante, mas será que essa "coisa" de querer ajudar todo mundo vai continuar intacta? Acho que ela ainda vai levar umas porradas de graça só por tentar ajudar. Muita coisa ainda vai acontecer. O encontro dela com o Mu que vai ser lindo.
Darkest Ikarus – Próximo Capítulo, momentos tensos para Deba e Gillius. Próximo capítulo começara de fato os jogos dos anões, guerra de poder. Ai sim as coisas vão começar a ficarem tensas para o lado dos irmãos. Estou louca para ler o Gaiden, mas já aviso que já amei, aquele começo me deixou louca para terminar de ler.
Aredhel – Menina, quando a Zara entrar em uma batalha vai ser épico. Tem algo na sua personagem que eu modifiquei. Modifiquei não, não sei se seria esta a palavra certa, mas irei mostrar de outra forma, já que ela é meio bipolar. Olha, sobre o Kanon e a Zara... Tenha uma cena meio estranha dos dois, sabe aquela coisa romântica e perigosa?! Eu tenho pena do Kanon quando ele começar a amar de fato a Zara... Tadinho.
Black Scorpio no Nyx – Elinor e Milo são fofos, no próximo eles estão de volta fazendo merda, como sempre. Coitado do Milo. Lacos... Bom, ela só vai se tocar mais pra frente, ela precisa de alguém, mas esse alguém ainda não chegou. O que vocês três ficaram falando a respeito do Darius?! Ah! Nesse capítulo o nome dele começou a mudar... UHSAUIHSUIAHSUIA
Notte di Luce – Léia e Ismael me fazem chorar, não vejo a hora de escrever a cena das três meninas com os dragões e só tem char foda né, uma mimada, uma ladra e uma com problemas com a própria espécie. Adoro essas coisas... USHAUISHAUIHSIAUHSUIA Sua char vai penar também, já que vai ficar no meio do fogo cruzado. Espero que goste deste capítulo, já que a Enora teve uma participação grande nele e Galadriel está no meio dos rebeldes, o momento está próximo!
É povo, espero que gostem do capítulo.
É isso aew, fiquem com Deus e até a próxima. Se Deus quiser, domingo que vem estarei postando.
BeijosMeLiga!
Machê-san.
