CAPITULO 13 – A PROMESSA ETERNA
Kagome ficou paralisada ao ver o animal tão próximo a seu pulso, Inuyasha também logo percebeu a presença da cobra próxima a Kagome, e isso o fez sentir um calafrio que lhe percorreu a espinha.
-Kagome, não se mexa – disse o jovem príncipe que tentava pensar numa forma de afasta-la do animal sem que essa saísse ferida – E não diga nada.
Kagome seguiu os conselhos de Inuyasha, mas a cobra estava agitada se balançava a cabeça de um lado a outro, a jovem sentia que não poderia ficar naquela posição por muito tempo mais. Inuyasha estava apreensivo não sabia o que fazer, se pedisse para Kagome tirar a mão de perto da cobra, esta poderia se assustar e picar a jovem. A situação se mostrava ainda mais complicada já que eles estavam no meio da floresta em plena noite, não haveria como socorrer Kagome, e eles não haviam trazido consigo nenhum medicamento, a jovem poderia morrer antes de chegarem ao vilarejo mais próximo, o qual Inuyasha não tinha nem idéia para que lado ficava.
O tempo parecia estar congelado, e cada minuto que passava a cobra se agitava cada vez mais, estava pronta para dar o bote; ela encolheu a cabeça junto ao corpo, esse era o movimento de ataque, Kagome já estava preparada para ser picada, mas antes que isso ocorresse tentaria ser mais rápida que a cobra, tentando tirar a mão de perto dela.
Num impulso rápido Kagome puxou o braço, e com o movimento tão brusco que fizera acabara se desequilibrando e caindo sentada no chão, quando olhou para frente viu Inuyasha de pé a sua frente, a cobra estava com os dentes fincados no braço do meio-youkai, Kagome soltou um grito de susto ao ver a cena; habilmente Inuyasha conseguiu desprender o animal de seu braço usando a mão livre, e assim que a cobra se soltou, ele a jogou no chão e com a espada cortou a cabeça do animal.
Kagome continuava no chão, estava chocada com a cena que acabara de presenciar, a jovem viu uma linha de sangue escorrer do braço do jovem príncipe que ajoelhou-se amparando o braço com a mão.
-Inuyasha, você está bem? – disse Kagome se aproximando do jovem príncipe, era claro que ele não estava bem, mas a verdade é que ela estava tão apavorada com a situação que sequer estava racionando direito.
-Eu estou bem Kagome, não precisa se preocupar. E você está ferida?
-Não – disse balançando a cabeça em sinal de negação – Como pode dizer que está bem se foi picado pela cobra? Deixe-me ver – pediu a jovem que mostrava um semblante de preocupação.
-Oras Kagome já disse que estou bem...
-Temos que impedir que o veneno se espalhe – disse a jovem pegando no braço do meio-youkai – Inuyasha me empreste o seu canivete.
-O quê?
-O canivete que sempre trás consigo, rápido não temos muito tempo.
Finalmente Kagome sentia que seus pensamentos começavam a se por no lugar, e já começava a racionar sobre a situação, ainda que estive controlando a duras penas o nervosismo e a ansiedade pelo o que viria a passar. Inuyasha entregou a Kagome o canivete, e com precisão a garota abriu um pequeno rasgo na pele próximo a ferida, abaixou-se e colocou seus lábios no braço de Inuyasha que ficou um pouco constrangido com a situação, mas este já estava começando a sentir os efeitos do veneno, sentia perder parte de seus sentidos pouco a pouco, Kagome chupou um pouco de sangue cuspindo-o logo em seguida.
-O que está fazendo?
-Tentando fazer com que o veneno não espalhe para o resto do corpo – disse abaixando-se novamente para sugar mais veneno que estava na superfície da pele.
Inuyasha retirou o braço de perto de Kagome, e esta lhe lançou um olhar de reprovação.
-Não seja boba! Vai acabar sendo infectada pelo veneno.
-Inuyasha se o veneno se espalhar... – disse com pesar na voz.
-Eu vou ficar bem – disse tentando acalmar a jovem a verdade é que aquele olhar de preocupação dela o incomodava, era o mesmo olhar que aquela vez que ele estava com febre e ela ficara ao lado dele toda a noite – Eu não sou um humano fraco! – disse altivo.
-É parte humano – retrucou a jovem.
Inuyasha ergueu a sobrancelha ao escutar a jovem dizendo que ele era parte humano.
-Inuyasha, não seja orgulhoso, não agora... – implorou a jovem e lágrimas começaram a cair de seus olhos – Eu não entendo porque se pôs na minha frente? Por que está me protegendo? Por que?
-Porque eu não sei o que faria se alguma coisa acontecesse com você – respondeu com sinceridade, uma sinceridade rara de se escutar dos lábios de Inuyasha comumente – Agora pare de chorar.
-Inuyasha, não quero que se arrisque por mim – pediu a jovem enquanto limpava as lágrimas na manga do vestido.
-Kagome...- sussurrou o jovem príncipe colocando a mão direita sobre o rosto úmido da garota.
Inuyasha a olhava e não podia acreditar que um dia estaria longe dela para sempre, não sabia explicar o porquê a presença dela se fazia tão necessária, e porquê tinha tanta ânsia de protege-la; sentiu o efeito do veneno sobre seu corpo, inclinando lentamente deitou-se no chão, seus sentidos ficavam mais fracos a cada momento e sentia perder a razão, talvez não sobrevivesse ao veneno, mas se ele morresse estava certo de que valera a pena salva-la.
-Inuyasha
Kagome colocou a cabeça do jovem príncipe sobre suas pernas, e começou a acaricia-lo, num movimento de ida e vinda dos dedos encostou-os nas orelhas de Inuyasha, havia muito tempo que ela não as tocava, o meio-youkai sentiu o suave toque das mãos da moça sobre sua orelha e como num reflexo elevou o braço e pegou na mão da jovem.
-Sinto muito.
Inuyasha puxou a mão da moça para perto do seu rosto, o mal-estar aumentava e cada vez mais sentia que não iria viver por muito tempo, estranhamente pensou em Kikyo e em seu compromisso com a princesa de Stellar, imaginou se ao invés de Kagome ele estivesse ao lado de Kikyo, pensou se ele faria o mesmo que fez por Kagome, e se sentiria o mesmo que estava sentindo naquele momento. E não demorou muito para que obtivesse uma resposta: não, jamais sentiria por Kikyo o que sentia por Kagome; jamais precisaria da companhia de Kikyo como precisava da companhia de Kagome; jamais amaria Kikyo como...como amava Kagome? Era esse sentimento que se ocultava em seu coração? Como poderia saber se a amava se nunca havia amado ninguém antes? O que era o amor? E o mais importante, será que Kagome sentia o mesmo por ele? Inuyasha desejou ter respostas para aaquelas perguntas que surgiam em sua mente naquele instante, pois não sabia quanto tempo de vida ainda teria.
-Kagome o que sente por mim? – perguntou diretamente.
A jovem assustou-se ao ouvir tal pergunta, ficou imaginando o que Inuyasha estava querendo saber.
-Eu não sei – Kagome estava insegura em revelar seus sentimentos, ainda sabendo que Inuyasha iria se casar com outra.
-Não sabe? – perguntou Inuyasha levantando-se.
Ao levantar a cabeça com tanta rapidez Inuyasha sentiu uma leve tontura, mas mesmo assim manteve-se sentado e olhou fundo nos olhos grandes e castanhos da jovem. Kagome se aproximou a Inuyasha para ampara-lo, mas ao ver olha-la tão fixamente ficou presa nesse olhar.
-Kagome...
-Inuyasha, eu não sei... não sei o que vai acontecer se eu lhe contar o que eu realmente sinto... não sei se é certo sentir o que eu sinto...
Era difícil confessar o que sentiam, ainda mais porque não sabiam dizer o que estavam sentindo, mas ambos sentiam que já era hora de confessar o que sentiam para que assim eles pudessem se ver livres dessa dor que os acompanhava sempre que estavam longe um do outro.
-A única coisa que eu sei – continuou Kagome – é que eu não queria me afastar de você nunca... queria ficar a seu lado para sempre.
Inuyasha tentou se movimentar para mais próximo a Kagome, mas seu corpo não regia bem a qualquer movimento, Kagome se adiantou para ampara-lo, estavam bem juntos e seus rostos quase colados, ficaram algum tempo se encarando, até que Inuyasha tomando a iniciativa, encostou seus lábios nos lábios da jovem, que ao principio não reagiu ao beijo, não acreditava no que estava acontecendo, mas logo deixou de pensar tanto no que estava acontecendo e deixou-se levar pelo momento, ainda que não soubesse como beijar, gostou da sensação dos lábios úmidos do jovem príncipe sobre os dela.
Quando Inuyasha parou de beija-la, na verdade o beijo era mais parecido a um selinho, ele a olhou, não eram mais necessárias palavras para descrever o que ele sentia por ela, Kagome estava certa que ele a queria tanto quanto ela o queria; e estarem junto era tudo o que importava.
Kagome voltou a amparar a cabeça de Inuyasha para que este a colocasse sobre suas pernas, o mal-estar estava ainda mais forte, e o jovem príncipe já sentia dificuldade até para respirar, ele fechou os olhos e ficou sentindo o cheiro de Kagome que entrava por suas narinas sensíveis.
-Kagome, nós vamos ficar juntos – disse abrindo os olhos para ver a moça – eu prometo, ninguém vai nos separar... nunca...
Kagome abriu um sorriso terno e doce, ainda que seus olhos estivessem brilhantes pela umidade das lágrimas, ela sorriu e Inuyasha sentiu uma paz invadir seu ser e finalmente percebeu que a decisão certa estava não em se casar com Kikyo, e sim em não se afastar de Kagome jamais. Já não importava as promessas feitas e nem as obrigações reais, se tudo acabasse naquela noite, ali mesmo de que valeria suas obrigações reais, essas obrigações nunca valeriam o fato de estar perto de Kagome.
A noite fora longa com Inuyasha suando frio e ardendo em febre, fora uma difícil batalha que travara pela vida, vida que se renovava e ganhava força ao pensar que Kagome o assistia. A presença da jovem a seu lado era o remédio que curava seu corpo e preenchia sua alma, e a promessa feita a ela de que ficariam juntos era o fazia jamais se entregar a dor, no fundo apenas queria protege-la, e para isso precisava sobreviver, sentia que a jovem precisa dele, mas não precisa tanto dele como ele dela. Kagome o acompanhou durante toda a noite em silêncio, deixando que suas lágrimas falassem por ela; estava com medo, sim medo de perde-lo, de nunca mais poderem estarem juntos, e naquele instante lembrou-se do lago, desejou poder voltar ao lago com Inuyasha, pelo menos uma última vez.
Quando os primeiros raios de sol surgiram no horizonte Inuyasha despertou de sua noite de batalha pela vida, sentia o corpo dolorido e cansado, mas o mal-estar havia passado, e por fim podia se considerar um vitorioso nessa batalha pela vida. Kagome o observava calada, seus olhos brilhavam com o reflexo do sol em suas lágrimas; o jovem príncipe ficou comovido ao ver a moça ali a seu lado, como tantas vezes estivera, em seus momentos alegres e tristes, como sempre queria que ela estivesse em seu futuro.
-Kagome... – chamou por ela que abriu um sorriso ao escutar sua voz.
-Inuyasha.. como você está se sentindo?
O meio-youkai fez um grande esforço para se levantar e sentar na grama, Kagome correu para ampara-lo.
-Não devia se levantar desse jeito.
-Bah Já disse que não sou um humano fraco.
-Sim... não é um humano fraco – repetiu docemente, sabia que era isso que o havia salvo da morte, se fosse apenas humano teria com certeza morrido, e Inuyasha tinha consciência disso.
-Se você tivesse sido picada... – puxou a jovem para junto de si encostando a cabeça dela em seu peito – eu não sei o que teria acontecido – na verdade Inuyasha sabia o que teria acontecido, mas preferiu não dizer com medo de que suas palavras pudessem tornar tal fato real.
-Precisamos voltar para o castelo – disse Kagome mostrando-se ainda preocupada com o estado de saúde do jovem príncipe.
-Não – disse direto
-Inuyasha, você tem que receber tratamentos adequados...
A jovem foi interrompida pelo jovem príncipe que a afastou de seu peito para olha-la nos olhos.
-Kagome, escutou o que a sua avó disse esse rei de Astúrias quer mata-la.
-Inuyasha isso é ridículo, por que alguém que eu não conheço iria querer me matar?
-Você não conhece, mas sua avó conhece
A frase de Inuyasha parecera fazer sentido, realmente Kagome havia encontrado Narak pela primeira vez na floresta, mas talvez sua avó já o conhecesse, entretanto a jovem não podia imaginar o motivo pelo qual o rei de Astúrias ia quere-la morta.
-Kagome, sei que não sabe porquê sua avó a quer manter afastada desse homem – continuou Inuyasha que parecia ter lido os pensamentos da jovem – mas assim que voltarmos poderá perguntar para ela a razão disso tudo... por enquanto nós vamos ficar juntos – a moça abriu um sorriso – e longe do castelo – o sorriso desapareceu de seu rosto.
COMENTÁRIO DA AUTORA
Finalmente uma aproximação entre Inuyasha e Kagome, a amizade vai mais além. Haverá um futuro para eles?
RESPOSTAS DAS REVIEWS
k-chan – ainda não sei mas provavelmente mais para frente, afinal eles se uniram apenas agora!!
Lory – a aí acertou? Ficou fácil a Kikyo se apaixona por outro e o InuTaisho aceita que o filho se case com a neta da babá... melhor o Narak revela a todos que a Kagome é a sua sobrinha e concede a mão dela a Inuyasha!! A vida não é assim perfeita!!
Ayaa-chan – não haveria mais problemas de classe social, o único problema que restaria é a disputa entre InuTaisho e Narak...além disso se Inuyasha e Kagome se casarem, Kagome assumirá o trono de Astúrias... e o Narak quer isso? NÃO ... a situação não está nada fácil para eles!
sakuraprincesa – gostou do beijo deles? Nessa parte teve direito a um bom momento de aproximação entre o Inuyasha e a Kagome.
