República

Por: Faniicat

Capítulo catorze: Presságios

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" Eu vou continuar fingindo, talvez se eu não mexer na lagoa

A sujeira nunca venha à tona. "

Por Kagome Higurashi.

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" O que nós vamos fazer? " Sango perguntou assim que eu coloquei os pés no quarto, devidamente arrumada e razoavelmente recomposta do dia alucinado; eu olhei-a como se fosse a coisa mais óbvia do mundo – até porque era mesmo.

" Falar a verdade. " Seus olhos grandes se arregalaram ante minha resposta e eu quase ri com isso, a verdade é que eu estava caindo de sono e meu humor não parecia disposto a melhorar. Ao menos quando eu estava longe de Inuyasha – perto dele uma névoa maciça e inexplicável de alegria baixava em mim e eu continuava igualmente cansada e preguiçosa, porém de bom humor. " Eu vou assumir toda a responsabilidade, ok? Você será apenas a pobre vítima da minha loucura iminente. "

" Tinha razão sobre falar a verdade. " Ela sorriu, mais irônica do que divertida e eu imaginei que ela também não estava em seus melhores dias.

Nós nos encaramos por um segundo e então estávamos rindo, cristalinamente, de alfinetadas inúteis.

Segui para sala pelo corredor berrantemente colorido e ao chegar lá meu estômago deu voltas e loopings radicais dentro da minha barriga, à simples menção de comida. Já passavam das seis e nem eu nem Sango havíamos almoçado.

" Isso mesmo. O mais rápido possível. " Miroku falava ao telefone. " Tudo bem, estaremos esperando. Quanto ficam mesmo as pizzas? Certo. Boa noite. "

Eu salivei só de ouvir a palavra pizzas. Na verdade eu teria salivado até por quiabo – e não há nada no mundo que me faça ter tanta vontade de vomitar quanto quiabo. -, mas eu estava morrendo de fome.

Sentei ao lado de Inuyasha e suspirei, me afundando no sofá sem entusiasmo. Não era exatamente minha idéia de diversão ter que narrar meu dia confuso e extremamente complicado, mas principalmente eu não estava nem um pouquinho inclinada a comentar sobre o metrô com Taisho Inuyasha, mas eu não tinha lá muitas alternativas. Sair correndo pela escada de incêndio talvez até fosse uma boa idéia. Se eu não estivesse tão exausta, se meu namorado não fosse um hanyou muito mais rápido que eu e se eu não fosse... eu. Acho que há 'se's suficientes aí que servem também para outras mil tentativas de escape. E acreditem, eu não tinha disposição o suficiente para bolar tantos planos.

Na verdade, eu não me sentia nadinha inclinada a fazer qualquer tipo de plano.

" Tudo bem, podem começar. " Inuyasha falou.

Vale ressaltar que o humor dele também não estava em um cume de felicidade. Ele estava irritado por eu procurar confusões – Ah, qual é, ele já sabia que eu sempre acabo metida em confusões quando me pediu em namoro. -, estava ainda mais irritado por eu piorar minhas encrencas tanto quanto se é possível e acima de tudo, estava irritado porque aparentemente eu não estava cheirando bem. Não que ele parecesse tão incomodado com isso me beijando no carro, mas quem disse que Inuyasha se lembra disso?

Acho que nenhum de nós está de bom humor.

Miroku provavelmente é o mais tranqüilo, e talvez seja nele que eu tenha que buscar proteção, mas por algum acaso eu acho que ele também não vai ficar feliz quando souber da história toda. Mesmo que eu vá mudar alguns acontecimentos aqui e ali.

" Sim, senhor. " Concordei, sem ânimo. " Você estava na rua, a Rin ia sair com o Sesshoumaru e Miroku tinha acabado de sair sem dizer para onde ia. Ou seja, na verdade a culpa é toda sua. " Eu disse, sem evitar um sorriso.

" Impressionante como eu sou culpado até do que acontece quando eu não estou em casa. " Ele riu. O clima tenso – porque três quartos dos integrantes da conversa pareciam mais inclinados a morderem alguém do que qualquer outra coisa – ficou um pouquinho mais leve, ou pelo menos para mim.

" Enfim, o Miroku saiu, não pegou a chave do carro, eu e a Sango não tínhamos nada para fazer. Então... Bom, eu meio que achei que seria divertido seguir o Miroku, só te perturbar um pouquinho, para não ficarmos no tédio e nos sentindo as únicas sem nenhuma ocupação. " Tudo bem, eu recheei a frase com o maior número de informações inúteis possíveis para que a parte do 'seguir o Miroku' não tivesse tanto efeito.

" Não vai adiantar tentar me enrolar, você sabe. E eu também não vou deixar você resumir nada. " Inuyasha avisou, um sorrisinho despontando do canto dos lábios, e eu o amaldiçoei. Ok, não exatamente o amaldiçoei – até porque eu NÃO sou uma bruxa, como ele insiste em repetir frequentemente. -, mas eu realmente queria saber como diabos Inuyasha sempre parecia saber o que eu ia fazer. " E o que você estava pensando para seguir esse idiota? "

" Hum... Sei que seu intelecto é razoavelmente abaixo da média, mas até você pode descobrir esta com facilidade. " Respondi, meio irritada, com a voz mais baixa possível, sabendo que unicamente ele seria capaz de escutar. Mas ao invés de se irritar, ele só pegou minhas pernas e colocou sobre seu colo, rindo baixo. " Nada demais, era só uma idéia sobre como matar o tempo. Na hora parecia uma boa idéia! "

" Ah claro. E o meu intelecto que é abaixo da média. "

" Fique quieto, Inuyasha. " Sango e Miroku riram da discussão inútil e eu respirei fundo, tentando não rir dessas inutilidades também. " Bom, não foi difícil seguir você pela rua, não foi mesmo. Mas você entrou no metrô. E o metrô estava lotado! Teve horas que você sumia e a gente demorou séculos até ver aonde você e sua camisa verde estavam entrando. Para onde você foi afinal? "

" Nenhum lugar de especial. " Ele sorriu, se divertindo. Não que fosse muito difícil de entender porque para ele seria agradável a idéia de Sango segui-lo. Ao contrário de Inuyasha, ao que parecia o intelecto dele não era abaixo de nenhuma média. " Eu fui no Down west side, em uma livraria de raridades que eu gosto. "

Eu ergui uma sobrancelha e tentei imaginar Miroku lendo um livro raro. Só eu parecia surpresa com a informação de que ele lia este tipo de livros, mas vamos combinar que não é nem um pouquinho a cara dele. No entanto, esse apartamento é cheio de pessoas que fazem você ver como a aparência engana, então, mais uma vez, eu não devia estar surpresa.

" Não custava nada ter dito isso antes de sair, ao invés de apenas ter enrolado a gente. Parecia muito mais interessante do que realmente era. " Sango reclamou, e eu concordei com a cabeça no mesmo segundo.

" Não sabe que não se deve atiçar a curiosidade de uma mulher? Que dirá de DUAS! "

" Que dirá se Higurashi Kagome for uma delas. " Inuyasha falou, imitando meu tom e eu o encarei irritada mais uma vez. Ele estava sendo propositalmente mais chato que o normal e até um imbecil poderia ver isso, mas não era um bom dia para ele testar meu humor. Bastavam as chinesas loucas, a mulher-leitora-de-almas, o segurança do metrô e todas as outras desventuras do meu dia.

" Deixa de ser chato, Inuyasha. " Sango reclamou por mim, quando eu fiz questão de ignora-lo solenemente.

" Parem de discutir. Continue. " Miroku pediu, em um tom gentil.

" Ok, então nós 'achamos' o Miroku entrando em um vagão do metrô. E a gente não podia entrar no mesmo vagão, se não ele iria nos ver. " Essa parte eu comecei a explicar unicamente para Inuyasha, era o que ele queria saber afinal. Talvez se ele entendesse o que tinha acontecido parasse de testar a pouca paciência que ainda me resta. E tudo que eu menos preciso é de mais uma briga no dia de hoje. " Nós corremos para entrar no outro vagão, só que só depois que a gente chegou na roleta é que nós vimos que não tínhamos tíquetes de embarque. "

Miroku começou a rir, dessa vez rir mesmo. Eu me limitei a continuar a explicação e acabar com aquilo de uma vez.

" Então a Sango saiu correndo e pulou a roleta. Era claro que isso nunca ia dar certo para mim, mas, hããã... Digamos que nós não tenhamos esperado convencionalmente na fila e que as pessoas atrás de mim estivessem bem indignadas, então tudo o que eu queria era sair dali. Então eu corri atrás dela, mas alguém segurou meu braço. E quando eu olhei era o segurança do metrô. Então eu saí correndo ainda mais rápido e pulei a roleta, então nós duas... "

" HEY! " Sango me interrompeu. " Não se esqueça de dizer que você tomou um super tombo quando pulou a roleta, caindo em cima de mim como uma pata, me fazendo derrubar uma menina no colo de um cara que não ficou nadinha feliz. " Miroku riu de novo e Inuyasha sacudiu a cabeça para os lados com um sorriso divertido, como se fosse exatamente o tipo de coisa que se esperasse de mim.

" Claro Sango, entre mesmo nos detalhes construtivos e você vai ver como vai ser legal pra você. " Eu ameacei, não que eu realmente pretendesse cumprir, mas enfim, era um efeito moral pra mim mesma. " Enfim, depois de eu cair e ter feito a seqüência que a Sango fez questão de lembrar, nós percebemos o segurança vindo atrás da gente. Um segurança grande, rápido e que não parecia do tipo que entende quando se diz 'na verdade só estávamos seguindo um amigo nosso, será que se importa de nos deixar dar um passeio de metrô de graça?'. A gente saiu correndo como duas malucas até chegar na divisa dos dois vagões, não tínhamos lá muita opção. Então ela... " Fiz questão de ressaltar. " Viu uma pessoa entrando no banheiro e se jogou em cima de mim, me empurrando para cima da pessoa, até que nós três praticamente caímos de boca no chão do outro lado. "

" Claro que você não comenta de que foi isso que nos livrou de um brutamontes de dois metros e vários músculos desagradáveis. "

" Certo, certo. Enfim, nós caímos com um garoto dentro do banheiro. " Tive o cuidado de dizer a palavra 'garoto', se eu o chamasse de algo mais que isso, teria que agüentar mais olhares feios – e comentários insuportáveis – da parte do meu garoto. " E depois de pararmos de rir feito brinquedos quebrados, nós tínhamos que pensar em um jeito de sair dali. Não poderíamos passar a viagem toda ali, não sabíamos sequer para onde aquela linha seguia e, de qualquer jeito, quando alguém quisesse usar o banheiro, nós íamos chamar muito mais atenção saindo. Hum, eu perguntei para o garoto – que se chama Richard. – pra onde o metrô ia e a Sango explicou que nós estávamos seguindo alguém. Então ele se ofereceu para ajudar a gente a sair dali, e nós aceitamos. "

" Pois é, aí ele saiu com a gente e nós fomos até os fundos do vagão. O metrô estava cheio, mas a linha para Chinatown não é das mais concorridas, você sabe, então dava perfeitamente para ver todo mundo dentro do trem. " Sango continuou no meu lugar e eu agradeci à Deus. " Eu fiquei de frente, já que o segurança não tinha visto meu rosto, mas estava preocupada com a Kagome, porque ele tinha visto muito de perto o rosto dela – e vocês iam entender o quanto a gente estava desesperada para escapar se tivessem visto a cara dele, parecia até que entrar no metrô sem pagar era crime pior que assassinato! Então eu sugeri que o Richard entrasse na frente dela, e então a Kagome escondeu o rosto. O segurança passou e eles se soltaram. Já estávamos bem pertinho de Chinatown, então não demorou muito para saltarmos. Por isso que ela estava com o cheiro meio misturado. "

" Ah, claro, e ele estava escondendo a cintura dela também, certo? Uma cintura muito reconhecível, eu concordo, poucas garotas tem uma tão fina. " O desdém dele podia ser pretensioso e querer mostrar naturalidade, mas eu fiquei com pena – qual é o meu problema? – era tão óbvio o ciúme atrás das palavras. Eu suspirei. É claro que Inuyasha devia confiar em mim ao invés de ficar reclamando de coisas inúteis, mas eu também já sabia do gênio e da forma nem um pouco possessiva dele.

" Bom, se é tão reconhecível eu não sei, mas ia ser meio estranho uma pessoa escondendo o rosto atrás de outra sem motivo aparente, não acha, Inuyasha? Um abraço era no mínimo, mais convincente. " Sango respondeu, girando os olhos parecendo impaciente. A cara fechada de Inuyasha não melhorou muito, mas ele também não disse nada.

" Meu Deus, Inuyasha, sem se comportar como uma criança, ok? " Eu procurei suas mãos no sofá, segurando-as e puxando-as para o meu colo. Quando seu rosto se virou para mim, ele realmente parecia uma criança emburrada, como se alguém encostasse em seu brinquedo favorito. Uma parte de mim me dizia que eu devia ficar irritada, uma ponta bem ínfima talvez até estivesse, mas era tão fofinho que eu não liguei. Eu sorri para ele e fiz um sinal de negação com a cabeça e seus olhos se suavizaram.

" Tudo bem, mas o que isso tem a ver com um bando de chinesas malucas? " Miroku perguntou, e Sango ficou um pouco mais vermelha.

" Hum, então, nós saltamos em Chinatown e vimos o suposto você subindo as escadas. E fomos seguindo né, agora tudo parecia mais interessante, 'Porquê...' a gente se perguntava 'Ele veio pra Chinatown?', enfim. Então o carinha entrou num restaurante e sentou numa mesa com umas cinco meninas chinesas e ele beijou uma delas. " Eu parei um segundo, observando Miroku e Inuyasha arregalarem os olhos olhando pra mim e Sango ficar ainda mais vermelha. " E eu comecei a gritar com ele, achando que era você, e bom, quando ele virou e não era, eu e a Sango começamos a rir. Acho que foi de nervoso. Mas quando a garota jogou o prato – é sério, o conteúdo e a louça, em cima dele e todas elas se levantavam, a gente se tocou que estava encrencada. "

" Isso é brincadeira né? "

" Pior que nem é, Miroku. " Sango falou, suspirando.

" Então, o resto foi uma espécie de perseguição de gato e rato. Teve uma hora que a gente conseguiu se esconder em uma loja, foi quando eu te liguei Inu, mas depois a gente acabou encontrando elas na rua de novo. "

Graças a Deus o assunto não se estendeu mais que isso, já que o interfone tocou avisando que o entregador da pizzaria estava chegando. Miroku levantou para ir abrir a porta e Inuyasha foi buscar o dinheiro, eu e Sango nos afundamos em nossos respectivos acentos, aliviadas demais por finalmente ter acabado. Nós trocamos olhares meio aliviados, mas eu mal conseguia pensar nisso, com meu estomago roncando e dando loops dentro da minha barriga.

Nós comemos as pizzas sem muita conversa, eu não queria falar porque estava com muita fome, o Inuyasha não estava com uma cara muito boa – mesmo depois da explicação da Sango, fala sério, eu quase suspirei, mas quando eu tentei fazer isso, engasguei com um pedaço de pizza. -, a Sango, bom imagino que seja fome também, e o Miroku parecia ainda se divertindo muito com nosso dia amalucado.

Eu estava morta, isso era um fato. E ainda só de ter que pensar que amanhã tem aula... Tudo bem, Kagome, lembre-se que você é uma aluna esforçada, tem que ir a aula porque se não fica abaixo da média. ( Finalmente um pensamento que parece pertencer a mim mesma! Ou a eu que eu estava acostumada até um tempo atrás. )

Quando as pizzas acabaram eram dez e vinte da noite e eu estava acabada, quase dormindo no sofá. A Sango levantou, com uma aparência semelhante.

" Ok, gente, eu vou dormir. Mais cinco segundos e eu desmaio. "

" Boa noite, Sango. " Miroku desejou, com um sorriso. Eu estava cansada demais para ter pensamentos.

" É, eu vou dormir também. " Comentei, com a voz arrastada. Aliás, nem sei como eu consegui falar qualquer coisa. Os dois olharam pra mim e Inuyasha levantou, me estendendo a mão. Eu aceitei a ajuda e, antes que eu pudesse me soltar e ir dormir, ele me puxou pela cintura em direção ao quarto. Ao quarto dele. Nós entramos e Inuyasha pegou a camisa que eu vinha usando para dormir e me estendeu, em silêncio, enquanto virava de costas e tirava a própria blusa. Fiquei por uns segundos meio abestalhada no lugar – eu posso culpar o sono pela minha lerdeza, mas convenhamos que as costas largas e maravilhosas do Inuyasha tiveram lá sua colaboração também. -, antes que conseguisse por minha cabeça de volta ao lugar certo e ir para o banheiro. Voltei pro quarto só com a blusa e Inuyasha já estava na cama, coloquei minhas roupas no criado-mudo dele e deitei também.

Os olhos dourados se viraram pra mim, e eu não consegui pensar em nada pra dizer. Sabia que ele estava com ciúmes, mas oras, eu não estava nas mínimas condições necessárias para amainar o temperamento dele. Por sorte – eu disse que esse foi um dia completamente esquisito, não disse? -, ele só sorriu um pouquinho, com ar de resignação e me puxou pra perto.

O contato com a pele quente arrepiou meus pelos e imediatamente relaxou meus músculos que eu nem tinha percebidos que estavam tensos. Inuyasha entrelaçou os dedos nos meus e eu sorri quase sem notar. O que na verdade na verdade foi uma surpresa, porque eu achava mais fácil a Sango virar gótica do que eu conseguir mover um músculo que fosse.

Nota mental: Observar se a Sango continua tão patty quanto sempre.

Ele puxou minha mão e depositou um beijo leve, então desceu a boca pelo meu rosto até o meu pescoço e se acomodou ali, murmurando um 'boa noite' no pé do meu ouvido. Eu suspirei, e graças a Deus não engasguei com nada, e parei de lutar contra o cansaço, deixando que depois de toda aquela correria, a inconsciência merecida me alcançasse.

OoO

" Psiu, acorda. " Eu ouvi a voz rouca e conhecida soando um pouco distante, mas me recusei a responder, me afundando naquele silêncio calmo do meu sono. " Vai, Kagome, se eu te deixar dormir e ficar aqui com você, você me bate quando acordar. Mesmo que não doa nada, a intenção é o que conta. " Isso me deu vontade de rir, mas o máximo que eu pude fazer foi despontar um sorrisinho e tentar abrir os olhos.

" Bom dia. "

" Bom dia. " Inuyasha estava debruçado sobre mim na cama e plantou um beijo na minha testa. De certa forma, quase não liguei de ter que acordar, porque era extremamente agradável ter Inuyasha como primeira visão do dia. " Vem, levanta. "

Ele me ajudou a levantar e eu bocejei, me espreguiçando. Claro que eu não devia ter feito isso, mas não lembrei – é claro que não, eu nunca lembro desse tipo de detalhe tão desimportante. – que estava usando só uma blusa masculina e que ela iria subir quando eu me estiquei toda e ergui os braços pra cima. Mas digamos que o olhar do Inuyasha nas minhas pernas foi dica o suficiente.

" Garoto safado. " Repreendi de leve, mas sem deixar de sorrir. É impressionante como de repente eu comecei a acordar bem humorada. Mesmo que meu corpo estivesse todo dolorido, acho que foi agitação demais para um dia só. " Eu vou trocar de roupa. "

" Ah... Tava tão bom assim. " Inuyasha reclamou em tom de brincadeira e um sorriso malicioso felino nos lábios. Fiz um sinal de negação com a cabeça e fui pro meu quarto, Sango, obviamente, já estava acordada. Essa garota é de pilhas recarregáveis, não é possível, porque enquanto eu ainda estava totalmente lenta e com os olhos semi-cerrados de sono, ela já estava exultante, sorridente e com os olhos verdes esmeralda completamente abertos.

" Bom dia, Sango. "

" Bom dia minha flor. " Então, como sempre, Sango me arrancou do que quer que eu estivesse vestindo e me tacou debaixo daquela água impiedosamente gelada. PORQUE, eu sempre me pergunto, eu preciso entrar debaixo de uma água que parece a neve dos Alpes derretida todo santo dia de manhã?

Tomei banho, deixando a Sango cuidar do meu cabelo, ainda enrolada na toalha, e depois peguei uma lingerie azul e o uniforme e fui me vestir no banheiro. Quando saí, Sango já estava completamente pronta, um rabo de cavalo perfeitamente alto nos cabelos escuros e brincos delicados dourados com duas pérolas pequenas nas orelhas.

Ela me estendeu um cordão de ouro de duas voltas bem fininho com um pingente de coração delicado no segundo fio e uma faixa de cabelos grossa azul clara de seda com bolinhas brancas, afastando minha franja comprida demais sobre os olhos e colocando a faixa a três dedos da raiz exposta.

Ela borrifou o perfume em mim, eu sou uma espécie de uso livre da expressão 'bonequinha de luxo', já que a Sango me veste, me arruma, penteia meu cabelo e etc... Nota mental 2: Não, a Sango não virou gótica, mas talvez comprar uma barbie pra ela me ajude em alguma coisa. Talvez ela dê banhos de um gelo ártico nela ao invés de em mim!

Tomamos café-da-manhã, eu estava quase caindo com a cara bem no meio das minhas torradas e não importa se eu estava bonita hoje, tudo que eu queria era voltar para a cama. O café sem a Rin parece muito mais com um café-da-manhã normal ao invés do banquete real que ela costuma fazer, mas ela está muito ocupada fazendo o café da manhã pro Taisho mais velho. E convenhamos que eu não a culpo, nem um pouquinho.

Nós descemos para a garagem e quando entramos no carro, eu não podia culpar completamente o sono pelo silêncio. Diabos, não havia acontecido nada demais então que atmosfera esquisita era aquela que simplesmente não ia embora?

Pensei em algo para dizer, mas minha mente estava vazia e pela primeira vez eu me senti incomodada por estar em silêncio com Inuyasha. Geralmente os silêncios eram agradáveis e calmos, no entanto eu ainda me sentia tensa. Suspirei o mais discretamente possível, pensando na minha manhã agradável e livre de tensões, e quase cumprimentei minha insegurança em voz alta, 'Olá, como tem passado, querida? Que saudades!'. Um pouco hipócrita a parte das saudades, mas enfim.

Observei furtivamente o perfil bem delineado de Inuyasha, ele parecia tão desconfortável quanto eu, e eu não estava bem certa se faria algum bem falar com ele, caso eu encontrasse algo para dizer.

O transito não estava exatamente cheio, então não demorou muito até que chegássemos ao conhecido estacionamento do CSMC, e quando Inuyasha estacionou em uma vaga, nenhum de nós se moveu para sair.

Eu estava me sentindo extremamente frustrada. Convenhamos que nós sempre brigamos, então porque de repente tudo parecia tão maior? Porque não podíamos simplesmente nos xingar de alguma coisa, rir e voltar ao normal?

E de qualquer forma, uma parte de mim começava a reclamar que Inuyasha estava sendo infantil. Eu já tinha me explicado e não podia fazer nada se ele continuava com aquele ar contrariado. Mas existia uma parte, e eu realmente a odiava, que me fazia sentir culpada; quero dizer, no final das contas eu deixei o Richard me abraçar, não foi? Eu havia sim reparado no braço dele me envolvendo, no cheiro que ele tinha e que era bonito, mas eu tinha a mais total e completa certeza de que não estava atraída por ele. Eu amo o Inuyasha e não há nada que me faça duvidar disso, e na verdade talvez seja exatamente por isso que eu esteja me sentindo culpada.

" Me desculpa. " Eu pedi, de repente, sem nem pensar no que estava dizendo. Aquele silêncio era insuportável e sufocante. " Eu não queria abraçar o cara lá do metrô nem nada do gênero, e sinceramente Inuyasha, foi realmente porque eu não queria ser apanhada por um segurança maníaco de dois metros e meio, mas sei que você ficou incomodado. "

Não saberia dizer se 'incomodado' era mesmo a palavra certa.

Mas colocar o que estava a perturbando para fora foi como inspirar uma generosa quantidade de um precisado oxigênio. Ele olhou pra mim e eu queria muito, muito mesmo, saber ler sua mente, sem que ele pudesse me esconder um mísero pensamento.

" Tudo bem, eu entendi, mas... Não sei, não consigo explicar. " Inuyasha suspirou por um segundo e então seu olhar se tornou mais perscrutador, mas um pequeno sorriso deu sinal de vinda no canto dos lábios tentadores. Aliás eles não estavam exageradamente perto, mas perto o suficiente para lançar seus poderes sedutores sobre minha pobre pessoa. Principalmente acompanhado do cheiro suave e extremamente bom de Inuyasha e o fato de que aquele clima estranho me dava vontade de me jogar em seu pescoço e não solta-lo tão cedo. " Me desculpa também, Kagome. Acho que você está me deixando maluco. "

Eu ri, acompanhada do som grave, mas muitíssimo agradável, da risada dele misturada a minha.

" Você não precisa de mim pra isso, amor. " Eu disse e pisquei um olho, feliz em ver a atmosfera desagradável ruindo, como uma cortina invisível entre nós que estava sendo arrancada dos trilhos e caía sem vida ou utilidade no chão.

" Não estou acostumado a me sentir desse jeito. "

" Como? "

" Com ciúmes. "

" Você é ciumento, Inuyasha! "

" Não como eu sou com você. Nunca tive medo de perder alguém para outra pessoa, você sabe que ninguém em juízo perfeito me trocaria. O meu problema é que eu decidi namorar uma garota que definitivamente não tem juízo perfeito! " A mão quente subiu para tocar o meu rosto e eu afundei minha bochecha contra a palma lisa.

" Não precisa se preocupar com isso, eu não sou tão idiota assim. "

Ele riu e me deu um beijo rápido. Eu sorri, apesar de um pouco insatisfeita, quando ele se afastou e então me fez o favor de me lembrar que tínhamos aula de Sociologia para ir assistir. Eu suspirei e saltei do carro, andando de mãos dadas com Inuyasha, finalmente de volta a nossa tranqüilidade característica ( Leia-se: Inúmeras brigas sem sentido, nos quais ele me chamava de bruxa, destrambelhada, garota maluca e etc. E eu o chamava de arrogante, preguiçoso, chato e companhia, enquanto eu contava para Inuyasha com mais detalhes a 'perseguição' do dia anterior.) até a sala de aula.

Enfim, chegamos à sala de Sociologia bem em cima da hora. Toda a turma já estava sentada nas bancadas em dupla e não tinha nenhuma bancada completamente vaga, então Inuyasha foi sentar com uma amiga dele e eu sentei do lado de uma garota magrinha com quem eu não lembrava de já ter falado antes.

" Hum... Posso sentar aqui? " Ela ergueu os olhos amendoados, de um castanho-esverdeado até que bem bonito, um pouco escondido atrás dos óculos e assentiu com a cabeça. " Obrigada. " Eu sorri.

A aula de sociologia não era uma das minhas favoritas porque me dava sono e em geral eu conseguia sobreviver porque era divertido tentar fazer o Inuyasha sobreviver, essa em especial estava sendo extremamente chata, sabe aqueles professores com voz lenta, que tem um efeito mais ou menos igual ao do Prozac? O meu de sociologia era assim. Eu estava me esforçando para anotar tudo só para não cair com a testa no tampo da mesa e dormir.

A garota do meu lado permaneceu quieta, aparentemente, tentando prestar atenção na aula também, os cabelos louro-acinzentados lisos estavam presos em um rabo de cavalo baixo. Na verdade ela era bem bonitinha.

" Meu nome é Kagome. " Eu desisti de tentar prestar atenção na aula – sem dormir – e me virei discretamente para minha companheira de carteira.

" Err, eu sei. Quero dizer, meu nome é Camile. " Hum... Sem saber exatamente o que dizer eu sorri de novo, na verdade aquilo estava meio engraçado porque a garota parecia completamente sem graça. E eu não sabia por quê.

" Como consegue prestar atenção nisso sem dormir? " Eu perguntei olhando rápido para o professor, ele não era exatamente o que podia se chamar de dinâmico e, olhando em volta, mal tinham sete cabeças levantadas em uma turma de mais de 30, e mesmo os – poucos – sobreviventes pareciam conversar entre si.

" Ah, não sei acho que é costume. Apesar de que a voz dele com certeza não colabora muito. " Ela deu um sorriso tímido. " Hum... Mas geralmente você não dorme nas aulas de sociologia. Quero dizer, éé, você normalmente parece acordada. " Ok, ela estava mesmo sem graça e isso não era normal, mas tudo bem.

" É porque geralmente eu fico acordada para deixar outra pessoa acordada, e acredite, isso não é um trabalho fácil. " Eu ri baixinho e olhei para Inuyasha, umas duas bancadas à frente, na fileira do lado, com a cabeça completamente deitada sobre a mesa, tal como a da menina sentada ao lado dele.

" Ah, acredito. " Ela riu um pouquinho também.

" Essa é a única aula que eu tenho com você? Porque... Hum, acho que eu não vejo você muito. " Bom, isso foi o melhor que eu consegui arrumar para 'eu nunca vejo você com ninguém em lugar nenhum', mas achei que isso ia ser meio... hum, grosso, da minha parte.

" Na verdade é essa, química e a Educação Física. " O estranho é que realmente uma boa parte, pra não dizer quase todo mundo, das salas, era conhecido / colega / amigo dos meus amigos, então eu conhecia praticamente todo mundo, pelo menos de vista. Eu passei a mão sobre os meus braços, sem conseguir nenhum calor disso, o ar condicionado estava ligado – como se já não bastasse o tempo frio – e eu estava praticamente congelando ali. " É que... Eu não faço exatamente parte do seu grupo. "

Eu fiquei olhando para ela sem entender. Mas também não quis perguntar. Achei melhor puxar outro assunto, e nós ficamos conversando ( Enquanto eu congelava naquele frio ártico ) até o fim do primeiro tempo, foi divertido, nós rimos sobre professores estranhos e ela reclamou qualquer coisa sobre como era insuportável ter que morar com o pai e o irmão caçula chato e eu falei que uma república era muito bom mas tinha seus pontos difíceis – como ter que arrumar tudo, limpar e tal. Pouco a pouco os alunos começaram a acordar e então o sinal tocou e o alvoroço de pessoas levantando e tacando o material dentro da mochila começou. Eu comecei a arrumar minhas coisas, que nem estavam muito bagunçadas porque eu quase não usei, quando aquela sombra alta parou do meu lado.

" Vamos? " Eu levantei os olhos para Inuyasha. Tinha sido legal passar a aula com a Camile, mas, hum, era o Inuyasha. Eu olhei para a garota do meu lado afim de me despedir e ela estava meio vermelha de novo, parecendo concentrada demais em arrumar as próprias coisas. Então aquilo caiu em cima de mim como um balde de água gelada, e eu entendi afinal o que estava acontecendo, aquela garota era a personificação... De mim! Quero dizer, do meu 'antigo eu' digamos assim. A coisa toda é que eu era... bom, popular. E ela era uma daquelas meninas tímidas e retraídas que não conhece muita gente e fica sem graça. Exatamente como eu. Ok, isso foi medonho. " Psiu, terra chamando Kagome. Posso realizar qualquer que seja a fantasia que esteja na sua cabeça depois, mas nós temos aula agora. "

Eu me levantei ainda um pouco pasma, vendo que Inuyasha já tinha pego a minha mochila e eu virei para ela, que estava um pouquinho mais vermelha.

" Bom, tchau, a gente se vê depois. " Camile murmurou um 'tchau Kagome' quase inaudível e eu saí da sala atrás de Inuyasha. Suspirei e resolvi deixar isso pra lá. " Inuyaaaasha... " Eu chamei com o tom mais meigo que eu consegui. " Me dá seu casaco? "

Ele riu e colocou a mão na parte de trás do meu pescoço.

" Diabo, garota, você está gelada! " Ele riu e me puxou, me dando um selinho. " Porque você não traz um casaco, logo de uma vez? " Inuyasha perguntou, meio risonho, me entregando o próprio casaco e eu vesti agradecida. O fato e que eu podia mesmo levar um casaco, mas aí... Bom, aí não seria o casaco dele. O negócio é que o casaco do Inuyasha tá sempre quentinho e tem o cheiro dele, e pode me chamar de boba ou do que for, eu adoro isso.

" Ah... E aí qual seria a graça? " Inuyasha riu, abanando a cabeça e reclamando qualquer coisa sobre eu não ter a cabeça onde deveria, eu me afundei no abraço dele e nós dois fomos pra sala de Química, e dessa vez sentamos como o normal. Eu dei uma olhada pra trás e nem era mentira, a Camile estava lá sentada com outra menina baixinha de cabelos castanhos que eu também nunca tinha visto. Vem cá, vem nascendo gente de cogumelos ultimamente? Não que eu ache que conheça todo mundo, mas eu já estudo aqui há uns bons meses e isso é esquisito. De qualquer forma, como era uma aula importante eu tentei que prestar atenção. Não que tenha dado exatamente certo, Inuyasha puxou conversas, a matéria era um porre, eu estava ficando a cada segundo com mais sono, e aquela professora estúpida não parava de olhar para mim como se fosse me morder. Ela gritou meu nome umas quatro vezes e eu nem estava fazendo nada! 'SENHORITA HIGURASHI! Não admito conversinhas paralelas em minha sala de aula.', 'SENHORITA HIGURASHI! A senhorita está aqui para aprender, pare de mexer no cabelo do Senhor Taisho.', 'SENHORITA HIGURASHI, VOCÊ NÃO DORMIRÁ!', 'SENHORITA HIGURASHI!'. Acho que se eu ouvisse a porcaria do 'Senhorita Higurashi' de novo, eu teria tacado uma pedra nela ou algo equivalente. Provavelmente a minha mochila – com o livro gigantesco de quase novecentas páginas de História dentro. – que era o que estava mais a mão e tenho certeza que teria dado conta do recado!

A aula ( Os dois tempos praticamente intermináveis que pareciam querer se arrastar pelo resto da eternidade. ) passou como de costume e a única conclusão que eu cheguei é que eu ODEIO química! Pelo menos já era a hora do intervalo.

Eu segui Inuyasha sem conseguir dizer nada – eu estava... Hum, um tantinho irritada depois de dois tempos seguidos de química, e não estava exatamente no melhor dos humores para conversa. Inuyasha também não parecia lá muito disposto – a aula o afetou também. Na verdade acho que não havia um único ser humano, nem os filhos-de-cogumelos, que tivesse saído de lá com uma cara descente! – então nós fomos em silêncio até a mesa apinhada de gente. E eu vou te falar, aquele barulho todo estava me deixando meio nervosa.

Sango e Rin entenderam meu humor e disseram que daqui a pouco passa, eu continuei o resto do intervalo inteiro num silêncio sepulcral, minha mente repetindo indefinidamente 'Odeio química. Quero dormir. Odeio química. Quero dormir. Odeio química. Quero dormir, PORRA!'. Mal acreditei que já havia passado meia hora quando o sinal voltou a tocar, eu fechei os olhos por um instante e de repente a mão de Inuyasha já estava na minha cintura e ele estava me ajudando a ficar de pé. Olhei desanimada para as pessoas que saíam da cantina em direção às salas. Aquilo estava me parecendo uma fila do matadouro. Era aula de que mesmo agora?

" Sou só eu ou a idéia de ver o David hoje parece mais insuportável que o normal? " Inuyasha falou pra gente, também olhando as pessoas indo para as escadas. " Eu odeio física. Eu odeio a escola. "

" Eu odeio a vida. " Eu murmurei infeliz e me apoiei minha cabeça no ombro de Inuyasha.

" Vocês são o casal mais bem humorado de manhã que eu já vi na vida. " Sango comentou, com um sorriso leve e eu só concordei com a cabeça. " Que cara de pau! Nem pra tentar negar! "

" Ok, vamos parar com discussões inúteis. " Miroku falou e nós olhamos para ele, ainda jogado em uma das cadeiras, com as pernas cruzadas sobre a mesa. A gente tinha acabado de comer ali. Eca. " Ninguém aqui está afim de ir para a tortura e eu acho que nós podíamos fazer coisa melhor. "

" Está falando em cabular aula? " Eu perguntei meio chocada. Inuyasha me lançou um olhar zombeteiro e se eu não tivesse tão cheia de sono e preguiçosa eu teria acertado meu cotovelo nas costelas dele. Desculpe se eu sou pudica e certinha, senhor corruptor de alunas responsáveis.

" Sim, estou sim, morena. "

" Qual a idéia? " Yuki perguntou animado. Quase todo mundo já estava de volta às suas salas e só sobramos eu, Inuyasha, Miroku, Sango e Yuki do mundaréu de gente da mesa. Rin disse que adoraria matar aula, mas que na semana passada Sesshoumaru havia passado na escola para buscá-la mais cedo alegando uma doença na família ( Quando eu digo que esse olhar de inocência dela é a maior mentira dês do creme redutor de celulite, me olham como se eu fosse louca. O que eu não sou. Muito. ) e que se perdesse mais uma aula de álgebra o professor a decapitaria com uma guilhotina do século XVIII. Não que eu duvide de mais nada desses professores estranhos.

" Bom... Tudo que a gente tem de fazer é distrair a Srta. Muppet. " Miroku falou casualmente, enquanto eu ainda os achava meio malucos. Mas, de verdade, meu animo para voltar para as aulas era abaixo de zero. De discutir com eles sobre isso, chegava a um nível ainda mais baixo no Termômetro Medidor De Animo De Kagome Higurashi Para Situações Extraordinárias. Ou TMDADKHPSE portátil. " Aí uma das meninas liga para a recepção e fala com o porteiro. "

" Bom, Inuyasha, você é o único com influência suficiente na Mulvie. " Mulvaney Muppet é o nome da recepcionista de meia idade, que na verdade nem é feia, mas me lembra muito uma Dama dos Gatos e eu não duvidaria que a casa dela fosse um apartamento habitado por quinze espécies diferentes de gatos que ela chama de 'bebê'. E acontece que ela nem ao menos se dá ao trabalho de esconder a cara suspiro/babação que ela faz quando o Inuyasha passa. Principalmente quando ele sorri e a cumprimenta naquela voz aveludada e meio rouca. Aquela velha descarada. Não que eu tenha ciúme de uma senhora, só a acho muito abusada.

E descarada.

E...

Bom, isso não importa.

" Sempre sobra pra mim, sempre sobra... " Ele suspirou, fazendo drama. Então abriu um daqueles sorrisos convencidos, com os olhos âmbares brilhando de animação. " Mas o que eu não faço para livra-los de horas seguidas de tortura, não? Se até a senhorita certinha aqui resolveu aceitar. "

Inuyasha abraçou minha cintura por um momento e estalou um beijo no meu rosto. Então virou seu olhar para Sango, com uma expressão cúmplice.

" O de sempre? "

" Nunca deu errado. " Ela deu um sorriso da mesma espécie e eu não tentei entender. Todos nós saímos de lá antes que algum inspetor nos encontrasse. Ao longo dos corredores, nós nos dividimos, Sango foi com Inuyasha na direção da sala da recepcionista enquanto os meninos me arrastaram para o banheiro. O banheiro deles!

" Eu não vou entrar aí! " Eu sibilei, olhando para Miroku um pouco indignada. " De jeito nenhum, e se chega alguém? "

" Não vai chegar ninguém aqui a essa hora, Kagome, pelo amor de Deus! Nós temos que ficar juntos, e ponto. Os dois já voltam. "

" Mas eu não quero... " Eu fui completamente ignorada enquanto Miroku passou um braço pelas minhas costas e começou a me arrastar em direção ao WC masculino. Nós entramos e, no todo, até que nem era tão diferente assim dos femininos. Quero dizer, não tinha nenhum espelho ( Até parece que não tem nenhum garoto que goste de se arrumar. Que idéiazinha antiga! ), o ladrilho era gelo – e feio – ao invés de salmão e ele parecia mais bagunçado, por incrível que pareça. Muitas das tampas dos sanitários estavam levantadas – eca, eca, eca! – e tinha pedaços do papel de secar as mãos ao lado da lixeira ao invés de, você sabe, dentro dela. Eu desisti de me debater chegando a conclusão que, de qualquer forma, o Miroku também era muito mais forte que eu. " Tudo bem, não vou tentar sair correndo no segundo que você me soltar. " Eu resmunguei, e Miroku riu, finalmente me soltando. Eu olhei os dois garotos, ainda curiosa. " O que exatamente eles vão fazer? "

" Ah, o de sempre. " Yuki deu de ombros e passou as mãos pelos cabelos arrepiados, bagunçando-os ainda mais. " O Inuyasha vai chegar lá, puxar conversa com a tia Mulvie, com todo aquele encanto especial dele que eu tenho certeza que você conhece bem. " Sim, eu sei que eu sou completamente patética, mas isso me deixou um tanto quanto rosada, eu não posso negar. Vi o sorriso debochado de Yuki se alargar mais um pouco e então ele continuou. " E enquanto o Don Juan distrai a matrona, a Sango liga para a portaria pelo interfone particular que eles tem para a liberação de alunos, imitando a voz da Mulvie, e diz que nós quatro – hoje, cinco – fomos liberados para sair mais cedo e inventa uma desculpa qualquer para isso. "

Eu precisava admitir, era limpo, simples, básico e brilhante. Era tão ridiculamente fácil que parecia inacreditavelmente inseguro!

" Mas... Tem noção do quanto isso pode dar errado? " Eu virei, abandonando o olhar do Yuki – que eu sei bem que não tem mais jeito e apelando para Miroku, mas de qualquer modo os olhos azuis escuros não estavam me mostrando nada além de divertimento. Nem um pingo de responsabilidade ou um fiapo de confiança fora do lugar. " Eles podem descobrir! Podem querer confirmar com a direção, pode... Eu nem sei o que pode dar errado, mas eu sei que pode! " Eu reclamei, soltando pesadamente a respiração e ajeitando a bolsa cheia de livros sobre os ombros.

" Relaxa, Kagome, você se preocupa demais. Sabe há quanto tempo nós fazemos isso? " Eu podia imaginar. E isso não me acalmava, nem um pouco. Será que eles pensavam que todos eram idiotas e que ninguém nunca ia perceber como eram liberados juntos constantemente? " Eles não acham nada, Ka-chan. Eles conhecem a gente, sabem que moramos todos em uma república e que, tecnicamente, estamos sob os cuidados do Sesshy. Os seguranças só acham que temos uma vida folgada e que o adorável meio-irmão do seu namorado nos libera das aulas sempre que pedimos. "

Eu o olhei contrariada. Aquilo, de certa forma, fazia um certo sentido.

Não que fosse o suficiente para vencer todas as minhas barreiras, isso não senhores!

Se bem que por outro lado eu realmente, realmente não agüentaria mais aulas...

Ah, eu já estava ali mesmo. Era só torcer para o meu karma, kósmos, ou sei lá que carga espiritual de vidas-passadas-infernais-e-maléficas-das-quais-não-me-lembro não atrapalhassem nada. Você sabe, as coisas tendem a dar muito mais errado quando o nome 'Kagome Higurashi' consta no grupo.

Mas, para a minha grata surpresa, logo os dois integrantes que faltavam apareceram e nós saímos da escola, acenando para os porteiros que desejaram bom dia e indo embora como se fosse a coisa mais natural do mundo.

E... Bom, talvez fosse. Talvez eu tivesse mudado mais do que eu mesma percebi nesses últimos meses. Talvez, apenas um talvez, conviver na república e amar Inuyasha tivessem mudando mais de mim do que só minha aparência e hábitos. Eu havia mudado, e não era apenas com coisas como popularidade – no caso, minha recém-descoberta popularidade. -, cabelos e festas. Era o fato de eu confiar mais em mim, vamos combinar que bem pouco, mas muito mais do que antes. Sou obrigada a admitir que eu estou menos... Covarde. E me sinto bem e agradecida por isso. Eu olhei para Inuyasha e ele envolveu o braço por cima dos meus ombros, me apertando gentilmente num abraço como se bem soubesse o que eu estava pensando e eu não pude evitar de sorrir para ele. Havia muita coisa no que trabalhar e eu tinha certeza disso, mas talvez houvesse uma esperança afinal e tudo pudesse ficar bem. Tudo estaria bem pra mim enquanto eu pudesse contar com a segurança desses olhos dourados.

" Vamos para o carro? " Ele me perguntou e eu sorri e assenti, então desviei os olhos para Miroku e Sango que conversavam do outro lado, num clima amigável e, aparentemente calmo. Ele percebeu meu olhar e eu pisquei para ele, que sorriu maroto pelo canto dos lábios, mas logo voltou sua atenção para a conversa com a morena.

" Claro. " Eu concordei, passando meu próprio braço pela cintura de Inuyasha e virei para Yuki. " Você vem com a gente. "

Bom, não custava nada tentar ajudar. Inuyasha olhou bem dentro dos meus olhos, aquele olhar que fazia meu corpo inteiro submergir numa sensação boa de quente-frio e eu sabia que ele entendia totalmente o que eu estava tentando fazer.

Eu estava tentando dar uma chance.

Num sentido muito maior do que o que ele estava pensando eu tinha certeza. Nós entramos nos respectivos carros e Inuyasha segurou minha mão entre os bancos enquanto eu ligava o rádio e Yuki começava a tagarelar sobre qualquer coisa sem muita importância, se ajeitando no banco de trás, na altura entre o meu banco e o de Inuyasha.

" Você é terrível, bruxa. " Ele falou por mímica labial e eu sorri de canto, sem fazer questão de negar. Não, eu não era terrível, mas podia sentir que estava terrivelmente próxima de me tornar, e isso parecia bom.

Talvez, e este talvez está mais para um 'com certeza', tenha sido uma ótima idéia me mudar para uma república desorganizada com garotos estranhos do mundo desconhecido do cromossomo Y afinal.

OoO

O tempo passou muito rápido. Mal percebi quando as horas viraram dias, que viraram semanas, que passaram á meses. Quase quatro meses, agora já era meio de Agosto. O verão já estava começando a ir, mas o sol ainda brilhando quente.

Mas não era exatamente como se a vida estivesse perfeita. As férias já haviam vindo e ido embora, as aulas voltaram e os professores fizeram questão de mostrar que o segundo semestre seria mais apertado que o primeiro. A semana de provas ia começar em poucos dias e tinha muita matéria para estudar, muito exercício para resolver, muitos livros para ler, resumos para fazer e muito pouco tempo para qualquer outra coisa. Bem, a parte boa é que eu não precisava estudar sozinha. Tinha me saído bem nos últimos dois períodos e, com a possível exceção de matemática, se eu fosse bem nessas provas e o boletim viesse azul, eu não precisaria me preocupar quase nada no período que vem. Matemática era outra coisa completamente diferente, se eu não estudasse o dobro para essas provas, seria quase impossível recuperar nas próximas.

E eu não estava estudando sozinha, eu até que estava conseguindo a obrigar os meninos a estudarem também. Quero dizer, tinha horas que nem eu tinha paciência para isso, só Deus sabe como o Inuyasha vai excelentemente bem em matemática, física e química sem se esforçar nada! Enquanto eu quase me mato para entender essas coisas sem sentido ( Fala sério... Ninguém merece as exatas. Elas podem ser qualquer coisa, menos exatas. )

Enfim, o que importa é que estamos estudando muito, os cinco juntos, sozinhos, em duplas, trios, quadrados e às vezes – Veja bem o poder dessa menina! Na boa? Palmas, MUITAS palmas para a Rin. – até mesmo hexágonos quando ela consegue convencer o Sesshoumaru a nos explicar a matéria que eu não sei bem como ele ainda se lembra.

A vida pessoal estava corrida, mas não exatamente fácil. Até o Sesshy e a Rin chegaram a brigar! O Miroku e a Sango continuavam indo razoavelmente – acho que é o melhor jeito de se classificar -, pelo que eu podia ver e pelo o que Miroku me contava. Nossas conversas foram uma das pouquíssimas coisas das quais não abrimos mão, mesmo com a louca falta de tempo até para lembrar que respirar é uma necessidade fisiológica, e não pode ser renegada. Ele estava tentando se manter no lugar de amigo, ganhando terreno no ritmo que Sango impunha. Não dá para dizer que ele, ou eu, na verdade, estivesse muito satisfeito com o progresso das coisas, que estavam realmente lentas. Às vezes, enquanto eu ouvia o Miroku me contar as novidades – que, como deu pra notar, eram poucas – naquele tom de voz desanimado e machucado, eu ficava seriamente tentada a reconsiderar a sanidade da minha amiga. E o que estava mordendo a minha sanidade era que toda vez que eu comentava isso com Inuyasha, ele me dizia para tentar entender que a Sango ( Só DEUS ainda consegue entender o porquê. Deus e Inuyasha. E talvez as duas coisas tenham mais semelhanças do que eu tenho levado em consideração até agora, já que os dois adoram brincar comigo, me ver em situações embaraçosas, me colocam em situações de gosto duvidoso e supostamente me amam, mas não demonstram isso exatamente do jeito esperado. ) ainda estava tentando convencer a si mesma que ela e Miroku nunca dariam certo juntos. Inuyasha é condescendente demais com a Sango às vezes ( leia-se: Mais ou menos vinte e três horas, cinqüenta e nove minutos e trinta e três segundos por dia. ) e isso não tinha como ser bom. Mas a Sango não quis falar comigo sobre o Miroku nenhuma das vezes que eu tentei. Ela só saía quase correndo de perto de mim com qualquer desculpa esfarrapada que ela pudesse pensar todas as vezes que eu trouxe o assunto à tona.

E bom, quanto a mim e ao Inuyasha...

Não sei dizer bem.

Quero dizer, estávamos bem na maior parte do tempo. E eu realmente havia descoberto inúmeras coisas sobre ele e eu tenho certeza que ainda assim, não sabia quase nada a seu respeito. Mas a cada nova coisa que eu descobria eu o admirava, o queria e o compreendia um pouquinho mais. Não sei nem há quanto tempo eu não durmo na minha cama, você sabe, no quarto das meninas da república. Até já tinha coisas minhas jogadas pelo quarto ( Claro que, comparativamente, era apenas um grão de areia no deserto, eles são MUITO bagunceiros. E escondem tudo debaixo das camas quando trazem as meninas – ou ao menos as que não andam habitando impropriamente o quarto deles – para cá. O que é um golpe muito velho, mas bem eficiente quando se para pra pensar. Não sei como eu nunca tentei essa com a minha mãe. ) e uma foto nossa ao lado do porta-retrato que tem a imagem da mãe de Inuyasha. Uma fotografia nossa que, para mim, era perfeita. Não era a mais bonita ou incrementada, eu sei disso, tínhamos várias outras tecnicamente 'melhores', mas aquela... Bom, aquela era tão nossa que não tinha como não ser a preferida. A foto era uma obra de Miroku Houshi, como ele fez questão de marcar eternamente.

Nós dois estávamos dormindo na cama de Inuyasha, a foto foi tirada do "meu" lado da cama, e eu estava com o rosto meio escondido pelo travesseiro, o cabelo jogado completamente para trás e o cobertor cobrindo só até a cintura, deixando à vista a blusa branca ( Que tem escrito 'FREEDOM 4 TIBETE' e é uma das que eu roubei indefinidamente do armário do meu namorado. ) que eu estava usando que, aliás, estava escorregando pelo meu ombro à mostra. Atrás de mim, Inuyasha estava completamente encaixado em concha comigo, uma grande mecha dos fios prateados caindo sobre os ombros e o peitoral sem camisa e descoberto displicentemente, enquanto o braço dele estava jogado sobre a minha cintura, me abraçando e sua mão estava com os dedos entrelaçados aos meus próprios, junto a minha barriga. E Miroku fez questão de escrever atrás 'Kagome Higurashi e Inuyasha Taisho, 25 de junho de 2008, por Miroku Houshi. Porque princesas e sapos já tiveram sua chance, hoje em dia os contos são sobre bruxas e seus cachorrinhos'. Aquela foto para mim tinha todo o significado do mundo – mesmo com a inscrição atrás. Na verdade, eu preciso admitir que eu ri quando li. Inuyasha não gostou tanto assim, mãããs... -.

Mas nós vínhamos brigando.

Ok, nós sempre brigamos, dês do primeiro segundo e as nossas discussões inúteis ( e meio divertidas, é bem verdade. ) continuavam intactas, eu quis dizer brigas mais sérias. Como as por ciúme, que estavam assumindo uma freqüência ridícula e me deixavam mais cansada e irritada do que virar a noite estudando Química. E isso me deixava meio maluca às vezes, ignorando-o enquanto ele era GROSSO como um cavalo. Tudo bem que esta frase pegou extremamente mal, mas eu quis dizer ESTÚPIDO, MAL EDUCADO como um cavalo e sei que vocês entenderam.

Mas mesmo depois de um dia inteiro trocando patadas, de discussões enormes, algumas delas inclusive porque estávamos um pouquinho partidários demais quanto a relação Sango X Miroku, ou de brigas cansativas, toda noite Inuyasha me levava para o quarto – quase morrendo, no sentido literal, de sono. – e me estendia uma camisa, para depois deitar do meu lado na cama, me puxando até que eu estivesse deitada sobre seu peito, então corria os dedos dês da minha nuca até o fim das minhas costas, mantendo a linha da minha coluna, e envolvia a minha mão e me beijava antes de mergulhar na curva do meu pescoço. E independente de quão irritada ou magoada, isso tirava minha cabeça dos problemas e me fazer pensar apenas nele e no quanto eu me sentia bem no meio dos braços de Inuyasha, em como isso era natural.

Eu suspirei e desviei os olhos do livro de Física Mecânica, incapaz de me concentrar descentemente na matéria. Eu estava deitada de bruços na cama de Inuyasha ( Dizer nossa cama ainda é assustadoramente íntimo para que eu possa dizer isto tranqüilamente. E além do que é a cama dele no quarto dele mesmo, a minha cama está abandonada, feita e criando teia de aranha – Ok, mentira, minha cachorra ainda dorme sobre ela. -, ali no quarto do lado. ) enquanto ele estava estudando Literatura sentado no chão, com as costas apoiadas na cama.

" Cansou? " Inuyasha perguntou, também desviando o olhar do livro em seu colo e virando-se para a cama.

" Não agüento mais. " Fechei os olhos e apoiei a testa sobre meus braços cruzados e o livro. Ouvi a risada leve dele e de repente seus dedos estavam nos meus cabelos e os pelinhos do meu braço estavam todos em pé; cada minúsculo terminal sensorial em alerta, o efeito dele sobre mim continuava exatamente o mesmo. Se é que não estava mais forte. É o 'Efeito Inuyasha'. Ele correu os dedos pelos fios, colocando uma mecha atrás da orelha e eu levantei o rosto dos braços para encará-lo. Ficamos em silêncio por uns instantes e não havia como tirar meus olhos dos dele. Eu sorri e Inuyasha se levantou, se aproximando da cama, erguendo-me pelos ombros com facilidade.

" Finalmente reagindo como um ser humano normal, bruxa! " Ele riu audivelmente. " Minha presença está te transformando. Quem sabe algum dia você alcance meu nível de perfeição? ", Inuyasha piscou um dos olhos charmosamente pra mim, com um sorriso arrogante curvando os lábios e exibindo os caninos longos. Eu revirei os olhos em descrença e acertei seu braço com um tapa. Inuyasha segurou minha mão e entrelaçou nossos dedos, me puxando para perto até que eu estava sentada sobre seu colo, o sorriso cheio de si ainda brincando em sua boca. Seus olhos se focaram nos meus e de repente o ar parecia infestado de fagulhas prestes à explodir entre nós dois ( O pouco espaço que havia entre nós dois, é o que eu quero dizer. ). A mão que segurava a minha se desprendeu e ele localizou ambas nos lados do meu rosto, tão próximo que eu sentia sua respiração quente sobre a minha pele e o hálito fresco e conhecido quando Inuyasha murmurou a centímetros de distância. " Mas eu espero que não. Seria muito injusto se você ficasse ainda mais perfeita. " Namorados não fazem realmente muito sentido não é? Perfeita? Kagome Higurashi? Bom, que se dane, foi uma gracinha. " Perfeita pra mim, é o que eu quero dizer. "

Ok, ele respondeu ao meu pensamento. Acho que eu sou muito legível, porque Inuyasha criou o hábito de responder aos meus pensamentos ( Ou isso ou ele é a versão hanyou extremamente gata do Doutor Xavier, mas isso é meio improvável. Acho. ), o que às vezes pode ser muito incomodo e outras é inacreditavelmente bom. Quando eu estou o amaldiçoando em pensamento é mesmo muito chato ficar ouvindo-o 'Não, eu não sou estúpido, Kagome.', 'Não é o único motivo plausível para eu estar dizendo isso.', 'E também não sou arrogante.', 'Não estou lendo sua mente.', 'Não é a única explicação, você é muito óbvia.'. ( Sendo que eu, obviamente, estava pensando; 'Hanyou estúpido!', 'É o único motivo plausível para você estar dizendo essa estupidez.', 'Argh! Arrogante.', 'Ok, ele lê pensamentos agora?', 'É a única explicação para você estar respondendo ao que eu PENSO!' ), mas tudo bem, deixa isso pra lá.

Ergui os dedos e tirei suas mãos do meu rosto – E Inuyasha, gracinha, localizou-as estrategicamente sobre as minhas coxas! Espertinho. – e guiei os mesmos até seus olhos, que se fecharam, me esperando. Toca-lo assim era algo com o que eu nunca me acostumava ou deixava de fazer. O silêncio era confortável, compreensivo, e com a ponta dos dedos eu acompanhava as finas linhas de suas pálpebras, me permitindo sorrir largamente com o suspiro leve de Inuyasha. Sei que, embora os dele sejam incrivelmente menos numerosos que os meus, nestes momentos ele relaxa, se entrega, de um modo tão raro de se ver no sempre-tão-inatingível-Taisho que faz meu coração parecer bater contra os meus tímpanos. Passei o indicador sobre seu nariz e contorneu seus lábios alcançando o maxilar quadrado e ambas as jóias douradas se abriram, fixando-se em meus olhos novamente, com mais intensidade. Nesses momentos os problemas não existem, todas as brigas pareciam bobas ( E, bom, na verdade é maioria é boba mesmo. ) e valia completamente a pena.

As mãos de Inuysha subiram pelas minhas pernas ( Quem diria a pudica Kagome praticamente acostumada a isso? ) até procurar a minha pele por baixo da blusa, envolvendo a minha cintura.

" Sabe uma das coisas que eu mais gosto em você? " O rosto dele estava tão próximo que eu quase pude sentir o movimento de sua boca sobre a minha bochecha. " Não importa quanto tempo passe, você continua ficando vermelha por qualquer coisa e parecendo uma bonequinha. E apertando meus ombros quando fica sem-graça. " Eu não pude evitar o riso. Eu nem ao menos percebera quando minhas mãos foram parar nos ombros dele!

" E você está ficando muito safado. "

" Ah, tá bom, e finge que não gosta. " Inuyasha riu e se afastou de mim. " Não chego mais perto de você também. "

Ele me mostrou a língua e saiu da cama, eu levantei também e coloquei as duas mãos na cintura, parando a sua frente.

" Até parece que você consegue. " Dei o melhor sorriso que eu possuía para ele e Inuyasha pareceu ponderar por um momento. Então aquele brilho felino reluziu nos olhos dele e em meio segundo ele estava bem perto de mim e me erguendo pela cintura.

" É, acho que eu não consigo. "

OoO

Geeente!

Tudo bem eu demorei, mas nem foi tanto, certo? ( Pisca inocentemente – e eu realmente odeio não poder usar os emoticons livremente aqui no ff ). Bom, eu estou numa correria porque a minha VIDA está total e completamente numa correria sem freios. E eu não vou encher o saco de ninguém aqui explicando isso.

Eu estou um pouquinho frustrada com a seção de Inuyasha ultimamente então eu quase não tenho vindo aqui ( Na verdade, na maior parte das vezes, eu venho, checo e vou embora. ), não estou desmerecendo ninguém, mas sinto falta de como era antigamente quando tinham mais atualizações, mais I&K e sinto muita falta de algumas escritoras. Mas quem sou eu pra dizer alguma coisa não é? Eu mesma vivo sumindo... (suspira)

Enfim, desculpem, mas eu não vou responder às reviews aqui, depois eu dou um jeitinho e respondo. Um Ps. especial é que eu QUASE, quase mesmo, acabei a fic nesse capítulo – mais por estar desapontada com a seção de Inuyasha do que qualquer outra coisa, é bem verdade. – mas achei que por causa dos meus próprios propósitos para RPC e por causa de alguns leitores fiéis que acompanham a história dês do início valia a pena continuar. Não sei bem como eu me saí nesse capítulo, talvez esteja um tanto sem pé nem cabeça, mas ele é mais um período de transição porque agora mais que nunca a ótica da fic está mudando, de qualquer modo eu espero que gostem.

Quero agradecer muitíssimo as reviews, sinceramente, e bom... Tem uma coisa que eu preciso responder:

Tmizinha: Amor da minha vida rosa doce e colorida, seu msn não está chegando aqui pelas reviews. Vai no meu profile e clica em 'Homepage' e me deixa um comentário com ele pra eu te adicionar, ok? Beijos freira!

Darkk Butterfly: Eu realmente adoro suas reviews grandes, desculpe não poder responder propriamente, ok? No próximo capítulo prometo responder em dobro. Muito obrigada e continue acompanhando – e deixando as suas opiniões – significa muito pra mim. Beijos, Faniicat.

Lilermen: Que bom que gostou do capítulo e espero não ter caído tanto de nível nesse... A história está ficando mais complexa e com a falta de tempo que eu tenho estado complica ficar projetando os relacionamentos e tudo mais de modo que venha e continue fazendo sentido sem quebrar muito o ritmo da história. Hahahaha, eu sei, mas a maioria esperava uma reação 'revolucionária' da Sra. Higurashi. Eu achei que não teria muito sentido, tendo visto a liberdade que ela vem cedendo a Kagome, em parte eu acho que isso é mais por ela ser ( bom, ela ERA ) essa menininha retraída e responsável e a mãe dela querer mudar um pouco isso. O Miroku... Eu estou cada vez mais apaixonada por ele hahahaha, embora o eternal-love-of-my-life desse anime sempre vá ser o Inuyasha. O Miroku é extremamente boa companhia e bom amigo e eu guardo ENORMES planos pra ele ( risada maléfica ), mas isso é um segredo compartilhado apenas entre eu e uma das minhas maiores leitoras/ajudantes/etc de RPC – é ela quem me impede de viajar COMPLETAMENTE na fic , se bem que ela não é muito sã também não. Hahaha - , você foi uma das poucas espertinhas ao entender cedo que não era o Miroku, eu sei que eu me diverti demais enrolando e fingindo que era ele para depois ser um garoto qualquer de camiseta verde. Obrigada por entender que os relacionamentos precisavam ser aprofundados e espero que eu consiga compensar o humor. Pretendo tentar manter ainda uma linha mais light e algumas cenas humorísticas, mas enfim, como eu disse, o foco da fanfic agora é outro. Bom, pra dizer a verdade eu me divirto muito respondendo as suas reviews, não só porque são engraçadas e tal, mas porque elas tem conteúdo. Você faz analises dos meus personagens e enxerga muito além do que a maioria das pessoas. Então, assim, se você não achar essa pobre autora ruiva CHATA DEMAIS hahaha, meu msn é faniicat ( o pessoal deu pau, então ... xD ) arroba hotmail ponto com, ok? Beijinhos, Fanii.

Mil beijos meus amores, depois eu volto. Faniicat.