Capítulo XIV – Sonhos de uma noite de verão
- Você está muito bonita, nee-san. Muito mesmo.
Hinata olhou-se no espelho. Talvez Hanabi estivesse exagerando, mas ela realmente gostou do que viu refletido. Usava um quimono lilás, decorado com diversas flores em sua estampa. Seu cabelo estava preso num coque no alto da cabeça, feito pela caçula que fizera questão de se vestir no quarto da irmã e ajudá-la a se arrumar.
- Aquele tal de Naruto vai cair pra trás quando vir você, nee-san. – falou ela soltando uma risadinha.
A menina vestia um quimono parecido com o da irmã, só que me tom azul-celeste. Estava tão produzida que aparentava ter uns dois anos a mais que sua idade, mas ainda assim estava muito bonita também.
- Você não acha que exagerou um pouco na maquiagem, Hanabi? – censurou Hinata.
- Eu não. To ótima. Você que não sabe se produzir, por isso namora aquele babaca e não um cara legal.
- Não chame o Naruto-kun de babaca, Hanabi. – ela corou antes de continuar - E eu não estou namorando ele...
- Não está mesmo? Mas você gosta dele, não é? – insistiu a menina.
Hinata enrubesceu. Isso não era coisa que, em sua opinião, deveria se falar com a irmã caçula.
- Hanabi, eu não acho que esse seja um assunto apropriado pra você...
- E por que não? – quis saber a caçula - Por que você ta com vergonha por ele ser um jumento? Tudo bem, eu não sou preconceituosa.
- Não é isso... E o Naruto-kun não é um jumento...
- E o que é? Medo do papai? Se ele deixou vocês saírem juntos então é por que não ver problema nenhum. Então pode falar sossegada.
Se a menina ao menos suspeitasse que a aprovação do pai nada mais era que um prazo dado para aplacar a própria consciência e não uma permissão, com certeza ficaria chocada. Mas Hinata jamais falaria disso com ninguém. Estava disposta a aproveitar aqueles dias completamente.
- Esqueça, vamos ver se o Neji-niisan já está pronto. – talvez se falasse no primo conseguisse mudar o foco da atenção de sua irmã.
Doce engano. No momento que estava se encaminhando para a porta, a menina mostrou que não ia desistir tão facilmente.
- Espere! – Hanabi bloqueou o caminho da porta – Eu já sei! Ele te deu um fora não é? – falou rindo.
- Hanabi! Não é nada disso. – e sentindo a face arder, sentiu que confessar aquilo para sua irmã talvez não fosse tão difícil - E-E-Ele não sabe que eu gosto dele...
- Oh! – exclamou Hanabi interessada – Você não se declarou pra ele ainda? E eu que pensei que a besta era ele! Mas você é mais besta ainda! Por que você ainda não se declarou?
- Eu tenho m-medo que ele não goste de mim... – uma sensação desagradável se alojou em seu coração.
- Você não deve ter medo dessas coisas nee-san, senão nunca será feliz. – Hanabi falava como se fosse experiente no assunto – Eu já me declarei pra quem eu amo.
- Quem? - perguntou Hinata surpresa.
- Ora quem? O Neji é claro! Mas ele disse que eu não podia falar esse tipo de coisa, que não era apropriado pra minha idade e que eu era ainda uma criança. – aquela afirmação não parecia ter sido muito bem aceita pela menina - Mas não me importo. Quando eu passar no exame chunin ele vai me notar, isso eu garanto.
Hinata só conseguiu rir diante da determinação da irmã. Ela era realmente muito criança ainda. Abraçando a irmã, começou a acariciar seus cabelos.
- Você é realmente especial, Hanabi. Ainda vai achar a pessoa certa pra você.
- Você é surda? Não ouviu o que eu disse? O Neji é a pessoa pra mim. Ele só ainda não se convenceu disso.
Elas saíram do quarto, Hinata rindo e Hanabi contrariada por não estar sendo levada a sério. Neji as esperava do lado de fora, vestindo o tradicional quimono da família Hyuuga. No lugar da bandana da vila de Konoha, ele trazia uma faixa branca na cabeça que cobria seu selo. Não era de se espantar que Hanabi fosse tão apaixonada por ele, afinal, pensou a herdeira. Com dezenove anos, Neji era um homem muito bonito. Seus cabelos estavam mais longos e eram tão belos que fariam inveja a muitas mulheres e seu ar sério e pouco risonho só o deixava ainda mais charmoso.
Logo que o viu, Hanabi se desvencilhou dos braços da irmã e agarrou o braço dele.
- Neji! Você vai ficar comigo a festa toda, não é? – perguntou alegremente.
- Seu pai me pediu para olhar vocês duas, Hanabi-sama. – respondeu ele seriamente.
- Ah, esquece a Hinata-nee-san! Ela vai estar com o Naruto mesmo! Você pode dar atenção só a mim!
- Neji-nii-san, onde está o papai? – quis saber Hinata - Ele não vai para o festival conosco?
- Não. Ele disse que tem muitos afazeres.
- Entendo... – murmurou ela triste.
- Vamos? – perguntou a caçula ainda segurando forte o braço do primo.
- Vamos. – falou Neji sem parecer estar se importando com a menina tentando chamar sua atenção desesperadamente.
Naruto já os esperava do lado de fora dos domínios do clã. Ele vestia uma calça laranja, uma camiseta preta com um redemoinho na frente e tênis. Parecia bem a vontade com a roupa informal.
- Boa tarde, Neji, Hinata e... – ele parou seus olhos sobre Hanabi tentando lembrar seu nome.
- É Hanabi! – ela falou irritada – H-A-N-A-B-I! Entendeu ou quer que eu desenhe?
- Hanabi! – exclamou Hinata corando.
- Vamos Neji! Deixe o casalzinho pra trás! – E saiu puxando o braço do rapaz saiu quase que correndo com ele.
Hinata observou a cena e corou quando seus olhos se cruzaram com os de Naruto, pois ele lhe sorria alegremente.
- Desculpe minha irmã, Naruto-kun. – pediu timidamente - Ela é muito infantil ainda...
- Não tem problema. – Naruto caiu na risada – Ela é bem espontânea, não é?
- Até demais...
Eles começaram a caminhar em direção ao centro da vila. Naruto reparou que Hinata estava muito bonita com seu quimono lilás. Ela também trazia na mão um leque da mesma cor, e caminhava delicadamente em cima das sandálias de madeira.
- Você está muito bonita, Hinata.
Ela corou.
- O-Obrigada...
- Eu que não to um par muito bom pra você, né? – ele coçou a cabeça sem jeito - É que eu acho que aqueles quimonos não ficam muito bem em mim sabe? O Neji que tem jeito para usá-lo... Ele fica bem neles...
- Eu acho que você ficaria muito bem em um quimono, Naruto-kun...
Ele sorriu encabulado e corou um pouco.
- Nada! Eu fico bem mesmo é de laranja! – ele apontou pra roupa – E sem a bandana na cabeça! – os dois riram quando ele apontou para os cabelos espetados - Agora que percebi... O Neji ta usando aquela faixa na cabeça no lugar da bandana... É pra esconder aquele selo, não é?
Hinata afirmou tristemente com a cabeça.
- Ninguém da Bouke anda com aquela coisa horrível a mostra. – e completou – Eu jamais terei coragem de fazer aquilo com qualquer criança.
- Você sabe fazer aquele selo? – perguntou Naruto surpreso.
- Infelizmente. É uma das primeiras coisas que se aprende quando você é um sucessor da família Hyuuga. O selo que é colocado em todos da Bouke, e o encantamento para ativá-lo.
- E o que acontece se o selo é ativado? – perguntou ele ficando sério.
- O portador do selo morre.
Naruto parou de caminhar atônito. Olhou para Hinata como se não acreditasse no que ouvia. Não achava que as coisas chegassem tão longe.
- Então os membros da Souke têm realmente o poder de vida ou morte sobre a Bouke?
- Sim.
- Hinata... – falou Naruto cautelosamente – Você sabe ativar o selo?
Houve um momento de silêncio.
- Sim... Desde criança... – respondeu com um enorme pesar nas palavras.
- Se você quisesse – ele falou lembrando imediatamente de algo – poderia ter matado Neji facilmente no exame chunin há seis anos atrás!
Hinata o olhou nos olhos por um momento e o que Naruto viu, a dor e o sentimento presentes ali, não eram descrevíveis.
- Eu jamais faria isso com Neji-nii-san.
Ela era realmente uma pessoa para se admirar, pensou Naruto.
- Não vamos falar mais disso, Naruto-kun. – pediu ela voltando a andar.
- Tudo bem. Você quem manda!
Chegando ao centro da vila, eles constataram que estava difícil arranjar um local para assistir o desfile. Todos os melhores lugares pareciam estar ocupados quando eles começaram a procurar.
- Droga! – disse Naruto irritado – Assim não vai dar pra ver nada!
- Naruto-kun. – chamou ela – Acho que ali é a Sakura-san e o Sasuke-san nos chamando.
E era. Os dois faziam sinais para eles se aproximarem. Naruto e Hinata começaram a tentar chegar onde eles estavam, mas era muito difícil. Toda a vila de Konoha tinha comparecido e ficava muito ruim de andar no meio de toda aquela gente. Para não se perder dela, Naruto agarrou fortemente sua mão. Ela quase desfaleceu de tanta emoção. Se ele pudesse ver sua face, pensaria que o calor a tinha afetado. Mas o seu coração batia mais forte pelo fato de estar tocando na mão dele daquela forma. Quando finalmente chegaram ao local onde estavam Sakura e Sasuke, eles viram duas cópias de cada um.
- Que inteligente! – exclamou Hinata quando as cópias sumiram dando espaço para eles – Vocês usaram o bushin no jutsu para guardar lugares!
- Estávamos esperando por vocês! – falou Sakura rindo. Ela vestia um bonito quimono rosa estampado com flores de cerejeira. Uma combinação perfeita.
- Diga aí Naruto. Como vai a expectativa para o resultado da prova? – perguntou Sasuke sorrindo de canto de boca.
- Argh! Quando eu to esquecendo minha ansiedade você faz questão de me atormentar!
- É pra isso que os amigos servem! – disse ele dando umas tapinhas nas costa de Naruto.
- Belos amigos...
O desfile começou tomando a atenção de todos. Atrações da Vila de Konoha e da Vila da Areia se mesclavam no cortejo dando uma sensação de unidade para todos os expectadores. Naruto, inconscientemente manteve sua mão segurando a de Hinata e assim permaneceu por todo tempo.
- Olha! – falou ele apontando – É o Gaara!
O Kazekage vinha andando ao lado da Hokage. Estava acompanhado por seus irmãos, Kankuro e Temari. Naruto sorriu ao ver que o amigo o olhava. Gaara sorriu de volta.
- Vocês são muito amigos, não é Naruto-kun? – perguntou Hinata ao ver a forma como eles se olharam.
- Pode se dizer que sim. – respondeu sorrindo - Nós nos compreendemos completamente.
Quando o desfile acabou, ele apertou firme a mão de Hinata.
- Ei! – ele falou para Sakura e Sasuke – Nós vamos ali falar com o Gaara, você querem vir?
- Nós vamos ficar por aqui mesmo. – falou Sasuke – Mande lembranças para o Gaara.
- Pode deixar! – e saiu acompanhado da garota por entre a multidão.
- Eles fazem um par tão bonito! – exclamou Sakura.
- É. Só falta ele perceber isso.
A noite já havia caído quando as atrações acabaram e a multidão se dispersou mais depois do fim do desfile. Agora as pessoas se preocupavam em comer petiscos, brincar nas barracas de jogos e se confraternizar com as pessoas da vila amiga. Era impressionante o número de pessoas com a bandana da vila da areia.
- Veio muita gente da Areia... – comentou Hinata.
- É mesmo. Mas onde será que se meteu o Gaara? – perguntou Naruto que olhava para todos os lados e não achava o amigo.
- Acho que ele deve estar perto da Hokage. Vamos em direção ao lugar onde ela fica.
- Boa idéia! Vamos!
E Hinata estava certa. Ao lado de Tsunade, em uma tenda montada perto do monumento de pedra dos Hokages, Gaara e esta conversavam animadamente.
- Gaara! Ei, Gaara! – gritou Naruto antes mesmo de chegarem até onde eles estavam. Mas antes de se aproximar do local, alguém os barrou.
- Onde você pensa que vai? – falou uma voz irritada.
Era Baki, sensei de Gaara e seus irmãos. Naruto parecia confuso com a interrupção dele.
- Como assim? Eu vou falar com o Gaara!
- O Kazekage está ocupado caso você não tenha visto. E não o chame tão informalmente. Ele não é qualquer um. – O homem parecia irritado com algo.
Naruto o olhou com uma mistura de raiva e vergonha no olhar. Tentou focalizar o amigo para que este o visse, mas com Baki no meio era quase impossível.
- Tudo bem Naruto-kun. – falou Hinata delicadamente puxando-o pela mão. – Quando o Gaara-sama estiver desocupado, nós voltamos.
Tristemente, Naruto se deixou levar por Hinata. Sentia-se humilhado. Não que fosse uma sensação desconhecida por ele, mas estava revoltado com a forma com que Baki falara com ele. Parecia estar falando com alguém descartável, como se ele nunca tivesse salvado Gaara das mãos da Akatsuki.
- Naruto-kun... – chamou Hinata docemente.
- Esqueça Hinata. – e inconscientemente apertou mais a mão da garota - Vamos andar por ai. Depois eu tento falar com ele. Amanhã talvez.
Shikamaru achava tudo aquilo uma perda de tempo. Tanto trabalho com a decoração que seria retirada no dia seguinte, tanta organização para depois ter que limpar tudo... Decididamente ele não gostava de festivais. Principalmente quando tinha que ficar na barraca montada por seu pai para vender produtos produzidos no clã. Sua mãe parecia muito animada. Vendia loções de beleza para as clientes de diversas idades, tanto de Konoha quanto da Areia com um sorriso no rosto, enquanto o pai cuidava do caixa. A ele foi designado embalar os produtos.
- Aqui está. – dizia sua mãe a um grupo de adolescente – Use três vezes por dia que sua acne vai melhor cem por cento!
- Obrigada Nara-san! – agradeceu a adolescente antes de se retirar com as amigas.
- Ah, querido! – falou Nara Yoshino - As loções já acabaram! Vou ter que ir em casa pegar mais. – e se dirigindo ao filho falou irritada - Shikamaru ponha um sorriso no rosto quando for atender as clientes!
- Ta, ta, vou tentar...
Quando ela saiu pelos fundos, Shikamaru comentou com o pai que arrumava os produtos na prateleira:
- É realmente necessário isso? Somos farmacêuticos, então por que temos que vender produtos de beleza?
- Ah, meu filho. Nem só de remédio vive o clã não. Além do mais, as mulheres são nossas freguesas mais assíduas – completou piscando o olho para o filho.
Ele não estava muito convencido. Muitas dessas "freguesas" podiam morrer usando os produtos do clã Nara e continuariam horrendas.
- Ora, ora, que surpresa! Nara Shikamaru trabalhando...
Temari acabara de chegar à barraca onde ele estava para a surpresa do rapaz. Vestia o típico quimono da Areia e vinha desacompanhada. Parecia se divertir com a cara de emburrado dele.
- Ah, é você... – mal terminou de dizer a frase e recebeu um grande cascudo do pai – Ei, por que você me bateu?
- Isso é jeito de se falar com uma dama? Onde está a educação que eu te dei?
- Cara que saco...
Seu pai se aproximou de Temari com um largo sorriso no rosto e pegou suas mãos.
- Temari-chan, não ligue para esse babaca! Você sempre será bem vinda ao clã Nara.
Ela retribuiu o sorriso.
- Não se preocupe Shikaku-san, eu darei um jeito nele! – disse animadamente.
- Oh - disse Shikaku – eu a amarei eternamente por isso!
- Se a mamãe pegar você falando desse jeito com outra mulher, ela te castra... – Shikamaru falou um pouco aborrecido por ver que Temari sorria tão abertamente com seu pai.
Shikaku parecia não notar o aborrecimento do filho e continuou animado:
- Ah, Shikamaru, sua mãe sabe que ela é a mulher da minha vida! Mas a Temari-chan será nossa nora então tenho que bajulá-la ou ela desiste de você!
Shikamaru ficou totalmente constrangido com as palavras do pai. Para piorar, Temari começou a entrar na brincadeira também.
- Não se preocupe Shikaku-san. Eu não desistirei de seu filho. – falou rindo – Nem que pra isso tenha que matá-lo!
- Oh, que emoção! – seu pai começou a fingir um choro de felicidade.
- Ei, ei. Temari, não dê corda ao meu pai! – agora suas bochechas estavam avermelhadas.
Mas ela parecia estar se divertindo com o pai dele chamando-a de "norinha" o tempo todo. Até que Temari avistou alguém e ficou receosa.
- Droga! Minha dama de companhia! – e pulou para dentro da barraca – Eu não estou aqui! – avisou se escondendo embaixo da mesa.
Uma garota mais ou menos da mesma idade que ele, chegou. Tinha os cabelos longos e pretos e parecia nervosa.
- Por favor, vocês viram Temari-sama por ai? – perguntou se dirigindo a Shikamaru.
- Na verdade... – começou ele.
- Não, não vimos! - falou seu pai rapidamente tapando sua boca – Acho que ela deve estar lá na barraca dos Inuzuka com os cachorrinhos!
A garota pareceu ficar extremamente assustada ao ouvir a palavra "cachorrinhos", mas agradeceu e seguiu em frente.
- Quem era? – perguntou Shikaku ainda segurando a boca do filho.
- Minha dama de companhia – falou Temari desgostosa saindo debaixo da mesa – Gaara insiste que eu devo ter uma.
Shikamaru finalmente conseguiu se livrar das mãos do pai e respirou fundo.
- Seu velho louco! Queria me matar?! – perguntou colocando as mãos no pescoço.
- Ah, Shikaku-san! Poderia me emprestar o Shikamaru um pouquinho? – pediu Temari com uma voz manhosa.
- Claro, claro! Leve!
Ela agarrou na mão do garoto e fugiu na direção oposta onde estava sua dama de companhia.
- Não precisa devolver hoje! – gritou Shikaku quando eles estavam correndo.
Já distante do tumulto da vila, eles começaram a caminhar lado a lado, ela parecendo aliviada e ele, irritado.
- Você devia parar de dar corda ao meu pai. Ele pensa que somos namorados. – avisou o rapaz olhando para todos os lados, menos para ela.
- Ah, mas eu gosto tanto dele! Ele é super divertido! – disse a garota rindo.
- Ele é um saco... Mas por que você me trouxe aqui?
- Ora, você deveria saber! É o único com quem eu consigo conversar de igual pra igual nessa vila!
- Cara que saco... Por que não vai falar com a Sakura ou a Tsunade-sama?
- Prefiro falar com você.
Shikamaru suspirou.
- É por isso que eu digo que vocês mulheres são complicadas... Uma hora não larga das amigas em outra nem quer ver elas...
Temari caiu na risada.
- Não me diga que você prefere os homens, Nara...
Enrubescendo, ele respondeu rapidamente.
- Claro que não!
- Então o que acha disso? – falou ela sedutoramente abrindo um pouco mais o decote do quimono.
Ele ficou ainda mais escarlate e virou de costas.
- P-Pare c-com isso! – disse nervoso.
-Ah, olhe, olhe!
Mas ele permaneceu de costa, constrangido. Temari sabia que sua presença o deixava incomodado e investia nisso. Aproveitando que ele estava de costas, o abraçou.
- Vamos, olhe para mim... Eu sei o que você sente... E você também sabe o que eu sinto... Vamos conversar... – sua voz era suave quando ela encostou a cabeça nas costas dele.
- Tudo bem Temari. Eu converso. Mas você poderia PARAR DE APERTAR MINHA BUNDA????
- Opa, desculpe! Não resisti! - falou ela rindo e tirando a mão da bunda dele.
Ele se virou.
- Pronto, agora podemos conversar civiliza...- mas não terminou a frase, pois Temari o beijou longamente.
Ele preferiu retribuir. Não dava mais pra se esconder. Ambos sabiam o que sentiam um pelo outro. Como sabiam também que se fossem esperar por ele, nunca aconteceria nada.
"Cara..." pensou ele " Isso é bom..."
Inuzuka Tsume andava preocupada. Nos últimos dias, desde que se espalhara a notícia que Naruto e Hinata possivelmente estariam namorando, seu filho caçula e Akamaru estavam acabrunhados e tristes. Não comiam direito, nem davam os longos passeios como antes. Começava a achar que deveria pedir para a Hokage examiná-lo. Ele poderia estar sofrendo de depressão.
- Kiba-kun! – chamou carinhosamente – Venha ficar comigo atendendo os clientes!
- Não quero mãe. – falou se encolhendo ao lado de Akamaru, na parte interna da barraca, ambos sentados no chão.
- Ah, meu filho! Já vendemos tantos cachorrinhos! E tem muita gente comprando pílulas e xampus! Estamos cheios de trabalho. Venha por favor!
Ele se levantou a contragosto e a seguiu. Não estava com ânimo de ver ninguém, mas também não queria magoar a mãe que já estava tão preocupada com ele. A barraca dos Inuzuka era uma das mais freqüentadas, talvez só perdesse para a dos Akimichi. Todas as crianças queriam alimentar com os cachorrinhos, brincar com eles e até adotá-los. Sua irmã, Hana, tinha treinado um grupo de filhotes para fazer pequenas apresentações e até tinha colocado uma roupinha em cada um.
- Vamos! – ela chamava os filhotes – Dancem!
E os filhotinhos ficavam em pé nas patinhas traseiras e começavam a dançar. As crianças adoravam. Mas uma delas decidiu armar seu próprio espetáculo. Tirando uma bombinha do bolso, soltou no meio do picadeiro dos filhotes e saiu correndo. Foi um verdadeiro pandemônio. Os filhotes, assustados com a pequena explosão, começaram a correr para todos os lados. Na tentativa de deter a fuga deles, Kiba se abaixou para pegá-los. Mas eles realmente estavam assustados. Passaram por baixo de suas pernas o desequilibrando até que caiu de cara no chão sendo atropelado por um bando de cachorrinhos assustados.
Alisando a testa que sangrava da queda, Kiba tentou se levantar. Porém percebeu que um dos filhotes havia entrado por baixo de sua camisa e estava em suas costas. Tentou alcançá-lo, mas não conseguiu. Quando se virou no chão em busca do filhote que agora andava em seu peito, um par de pernas estava bem acima dele. Um par de pernas femininas. Se levantando de um pulo, ele viu uma garota de uns dezoito anos de cabelos longos e pretos olhando assustada para ele. Ela vestia um quimono tradicional da vila da areia e trazia uma bandana amarrada no braço. Parecia temporariamente sem fala.
- Oi? – disse ele ainda tentando achar o cachorrinho.
- O-O-Oi... – ela gaguejou.
- Mana! – pediu já desesperado – Tira esse filhote aqui!
Hana veio rindo da cena. Já conseguira pegar todos os filhotes de volta.
- Não se mexa. – ela disse enquanto pegava o cachorrinho de volta.
- Ufa, obrigado. – agradeceu quando ela levou o bichinho embora.
Agora encarava a garota que não movia nada além dos olhos. De repente ela levou os dedos aos lábios e fitou nervosa, os cachorros.
- Posso te ajudar? – ele perguntou intrigado.
- Err... Eu e-estou procurando Temari-sama... Disseram-me q-que ela estava a-aqui...
- Temari-san? Não, ela não apareceu por aqui. Mas caso apareça, posso dizer que você procura por ela. Seu nome é...?
- Miyake Soichiro... – ela murmurou ainda olhando para os cachorros.
Kiba reparou que ela não desgrudava os olhos dos cachorros que agora, calmos, brincavam novamente com as crianças.
- Você quer pegar algum? – perguntou sorridente pegando um filhotinho e aproximando dela.
Assustada, Soichiro se afastou do filhote. Kiba estranhou a atitude.
- É só um filhotinho. – disse ele.
- Desculpe... – pediu ela envergonhada – Eu não gosto muito de cachorros...
- Ué, por quê? – perguntou colocando o filhote no chão.
- Eu já fui mordida p-por um...
- Ah, mas não é todo cachorro que morde... Meu Akamaru não faria isso, não é Akamaru?
Akamaru latiu como se concordasse.
Ela ainda parecia não estar convencida.
- Eu n-não... – e sua voz sumiu no meio da frase.
O filhotinho que Kiba tinha colocado no chão lambia seus tornozelos. Soichiro perdeu toda a cor do rosto. E antes que Kiba pudesse tirá-lo dali, ela desmaiou.
- Hã? – exclamou surpreso pagando ela antes que caísse no chão. – Que garota estranha... Mana!
Com a ajuda de Hana, ele colocou a garota desmaiada em um colchonete na parte de trás da barraca.
- Vou buscar um médico. Olhe ela. – disse Hana.
- Mas por que você mesma não cuida dela? – quis saber Kiba.
- Kiba, eu sou uma veterinária. Não cuido de gente, a não ser de você. - sorrindo acenou se despedindo - Espere aqui.
Kiba ficou obedientemente onde estava. Sua testa ainda doía da queda. Limpou o sangue já seco com a mão e ficou olhando para Soichiro. Por que ela tinha tanto medo de cachorros? O que tinha sido tão grave que a fazia ter medo de um simples filhote? Deveria ser algo muito sério, já que a fama dos ninjas da Areia era de destemidos e corajosos.
"De corajosa essa ai não tem nada", pensou rindo.
Aos poucos ela acordava. Olhou para o teto desorientada e depois se sentou rapidamente no colchonete.
- Yo! – cumprimentou Kiba.
- O que aconteceu? – perguntou desorientada.
- Você desmaiou. Por causa de um filhotinho. – ele riu.
- Não zombe de mim! – ela falou irritada.
- Não estou zombando de você. Só acho engraçado seu medo de cachorros.
- Eles são assustadores... – falou olhando para Akamaru.
Kiba sorriu gentilmente para ela.
- Realmente tem uns que são. Quando eu era pequeno, morria de medo do Kuromaru, cachorro de minha mãe. Mas a gente se acostuma. – ele acariciou a cabeça de Akamaru – Mas me diga, um cachorro te mordeu? Como foi que aconteceu?
- Bem... Eu era criança ainda... Um cachorro selvagem me mordeu e eu quase morri de hemorragia – dizendo isso, ela abaixou um pouco a gola do quimono revelando uma feia cicatriz no pescoço, em formato de presas.
Kiba soltou um assobio.
- Isso foi feio. Agora entendo. Acho que minha irmã pode ajudar, ela é veterinária e tem uns cremes que tiram cicatrizes de mordida.
- Sério? – ela pareceu interessada.
Ele fez que sim.
- Lembre que somos o clã que cuida de cachorros de batalha de Konoha! Precisamos esconder nossas falhas! Afinal, que confiaria em um ninja que treina cachorros, cheio de mordidas?
Foi a primeira vez que Soichiro riu.
- Mas me diga qual seu nome? – ela perguntou.
- Opa, que mancada! Inuzuka Kiba, prazer. – e apertou a mão dela.
- Miyake Soichiro. – ela repetiu.
- Eu sei... Amiga de Temari, certo?
- Na verdade dama de companhia... Idéia do Kazegake-sama... Mas Temari-sama sempre acaba fugindo de mim. Acho que não sou uma companhia muito boa...
- É claro que é! Veja, apesar de você não gostar de cachorro, não me xingou uma única vez! Você é uma ótima companhia.
Envergonhada ela baixou a cabeça.
"Ele gosta de cachorros, mas é bem bonitinho" pensou Soichiro.
"Ela não gosta de cachorro, mas é bem bonita..." pensou Kiba.
- Kiba, não achei ninguém então... Oh, ela acordou! Que bom. – disse Hana sorrindo.
- Mana você ainda tem daquele creme que tira cicatriz? – perguntou ansioso.
Hana pensou um pouco.
- Tenho, mas está em casa.
- Posso ir buscar um pote?
- Claro! Mas fique um pouquinho na barraca pra mim. Depois eu cuido desse corte ai.
- Certo!
E olhando para Soichiro que estava se levantando, perguntou coçando a cabeça:
- Você quer esperar comigo lá fora? Depois a gente vai lá em casa e te dou um pote do creme. Pode deixar que eu mantenho os cachorros bem longe de você!
- C-Claro.
E o acompanhou de volta à barraca.
Naruto e Hinata estavam lá, mas Kiba nem percebeu. Estava empenhado em mostrar a Soichiro que cachorros eram legais. Nem que pra isso tivesse que vestir Akamaru de bailarina e botar ele pra dançar junto com os filhotinhos.
Apesar do ocorrido com Baki, Naruto e Hinata conseguiram se divertir muito. Comeram bolinhos de polvo na barraca armada pelo clã Akimichi, brincaram de achar o inseto no arroz na barraca da família Aburame e até alimentaram cachorrinhos com os Inuzuka. Para o alívio de Hinata, e de Naruto também, Kiba estava conversando animadamente com uma garota da Areia e nem prestou atenção quando eles estavam lá. Pra coroar a noite, Naruto conseguiu pegar um peixinho com os pegadores de papel e deu a ela de presente.
- Obrigada, Naruto-kun. Como irei chamá-lo? – perguntou observando o peixe através do pequeno aquário improvisado feito de sacola de plástico.
- É só um peixe. Você não precisa dar um nome pra ele. – opinou Naruto também olhando para o peixe.
- Claro que precisa. É um bichinho também!
- Ah, põe qualquer nome. Totó, talvez...
Hinata caiu na risada.
- Totó é nome de cachorro.
- Humm... Mimi? – arriscou ele de novo
- Nome de gato. – ela sorria diante das tentativas dele.
- E qual seria o nome apropriado para um peixe? – por mais que tentasse Naruto não imaginava um nome que seria apropriado para o pequeno animal que nadava tranqüilo na sacola.
- Que tal Nemo? – falou ela se lembrando de um filme que gostara.
- É, pode ser. Você quem sabe, o peixe é seu.
- Tudo bem, então. Seu nome vai ser Nemo. – disse olhando para o peixe, como se pudesse conversar com ele.
- Aiai, ela já ta falando com o peixe... – brincou ele.
Eles haviam tomado o rumo do Ichiraku ramen, quando alguém apareceu na frente deles, de braços cruzados e um olhar muito sério. Parecia um pouco irritado e ao mesmo tempo feliz.
- Gaara! – exclamou Naruto feliz.
- Pensei que você iria se dispor a falar comigo, Naruto. – Gaara falou em um tom um pouco chateado.
Naruto observou o amigo chateado e sentiu uma raiva maior ainda de Baki.
- E eu fui. Mas aquele seu sensei não deixou. – acrescentou irritado.
Gaara descruzou os braços e se aproximou ainda mais, perguntando:
- Se refere à Baki?
- Sim.
- Terei uma conversa com ele depois...
Hinata olhou para Gaara e depois para Naruto e percebeu que eles deviam ter muita coisa para conversar a sós, então decidiu sair para deixá-los mais a vontade.
- Err... Naruto-kun? Vou esperar você lá no Ichiraku, certo? Vou deixar vocês conversarem a vontade...
- Certo. – concordou Naruto - Eu não demoro.
Depois que a garota se distanciou, Gaara deu um pequeno sorriso.
- Quem é ela? – perguntou.
- Você não lembra? Hyuuga Hinata. Ela lutou com o Neji no exame chunin há seis anos atrás.
Gaara fazia um esforço para lembrar.
- Hyuuga... Hyuuga... Hinata... A herdeira do clã?
- Essa mesma.
- Interessante. – disse enigmático - Mas me fale um pouco sobre como vão as coisas por aqui. Eu soube que você está tentando virar um jounin.
- Ah, é verdade. – e começou a contar tudo que tinha acontecido, desde que recebera a notícia da Hokage até a realização da prova três dias antes.
- Muito flexível a Hokage. – comentou Gaara – Na Areia, não permitiríamos que um genin tentasse virar jounin...
- Ainda bem que eu moro em Konoha...
Eles riram.
- Mas já que você perguntou, agora é minha vez. Como vão as coisas lá na Vila da Areia?
Gaara olhou surpreso para ele.
- Você não sabe? Pensei que Tsunade-sama tivesse te dito, já que você é o preferido dela.
- Vovó Tsunade não me conta nada. Nem eu sou preferido dela.
Gaara fitou o céu com um olhar distante.
- Você sabe que as vilas ocultas são rivais por natureza. Elas disputam as melhores missões entre si. Mas mesmo assim, há vilas que se unem. É o caso de Konoha e Areia. Somos aliados. Bem como a Nuvem é aliada à Névoa. – e voltando seu olhar para Naruto continuou - Mas uma aliança não é só garantia que aquelas vilas não vão se atacar, mas também uma garantia que, em caso de guerra de qualquer lado, a outra irá a seu socorro imediatamente.
- Então se houvesse uma guerra envolvendo Konoha, a Areia iria lutar ao nosso lado?
- Exato. Bem como a Névoa lutaria ao lado da Nuvem e vice-versa. A questão é que há um clima de muita tensão entre Areia e Nuvem. Uma guerra pode estourar a qualquer momento e seria Konoha-Areia, contra Nuvem-Névoa. Portanto, as forças estão equilibradas.
"Uma guerra?'" pensou Naruto horrorizado. Como é que ele não sabia daquilo? Naquele momento, o jantar na casa de Sakura pareceu bem nítido no seu pensamento. Toda a tensão de Tsunade naquele dia fazia sentido.
- Somente uma vila mantém neutralidade. – concluiu Gaara percebendo a perplexidade de Naruto.
- A Pedra? – perguntou ele lembrando as aulas com Hinata.
Gaara fez que sim com a cabeça.
- Por isso nós estamos aqui hoje. Para reforçar nossos laços com Konoha. Daqui a dois dias eu estarei indo juntamente com alguns de minha vila ao país da Terra tentar um contato com o Tsuchikage. É essencial uma aliança com eles nesse momento.
- Alguém de Konoha vai acompanhar vocês?
- Isso não é possível. Seria o mesmo que declarar a guerra, pois pareceria que queremos uma guerra. Indo apenas nós da Areia, tudo será mais sigiloso.
- Nossa, eu não sabia que isso estava acontecendo. - ele estava um pouco chateado por Tsunade não ter contado nada daquilo a ele - Ser um Kage é muito difícil, não? Começo a questionar se eu serei um bom Hokage...
- Tenho certeza que será. E quando você for o Hokage de Konoha, nós iremos sentar no seu escritório tomando chá, enquanto discutimos o melhor para nossas vilas. – acrescentou Gaara.
Naruto sorriu feliz para ele.
- É claro que iremos.
- Agora eu preciso ir. Já me ausentei por muito tempo. Amanhã nos vemos antes da minha partida. Por hora não quero poupar sua bela namorada de sua companhia.
Naruto suspirou. Já estava cansado de explicar aquilo.
- Hinata não é minha namorada Gaara.
- E por que não? – perguntou ele surpreso.
- Bem... – Naruto corou – Ela gosta de outra pessoa...
- Sério? Se ela gosta de outra pessoa, por que esteve com você durante todo festival e não com a pessoa que ela gosta?
Tinha lógica o que Gaara falara. Por que Hinata estava com ele afinal?
- Até amanhã, Naruto. – acenou se despedindo.
"Por que ela está comigo e não com a pessoa que ela gosta?"
Sakura e Sasuke andavam felizes e de mãos dadas no festival. Ela parecia bem melhor que nos outros dias, reparou Sasuke. O estresse de se trabalhar em um hospital era grande demais se comparado a outros. Lidar com a dor e o sofrimento de várias pessoas todos os dias era desgastante demais.
Por isso praticamente a arrastara para aquele festival. Queria ver Sakura melhor e menos nervosa.
- Se divertindo? – perguntou ele.
- Muito! – respondeu Sakura feliz – Fazia tempo que não me divertia tanto!
Sasuke apertou um pouco mais a mão dela e sorriu.
- Viu como foi bom nós termos vindo? E você nem queria vir...
Corando um pouco e se sentindo meio constrangida, Sakura desviou a vista do seu namorado.
- Eu estava realmente cansada...
Sasuke reparou que havia algo estranho em Sakura nos últimos dias. Ela estava sempre nervosa e agia estranhamente com ele. Mas não falou nada em virtude de toda tensão que pairava dentro do escritório da Hokage. Como discípula, Sakura tinha acesso direto com Tsunade e parecia estar preocupada tanto quanto sua mestra. Então ele decidira que faria com que aquela noite fosse especial!
- Quer comer alguma coisa? – perguntou ele.
- Quero! – disse animada – Quero Takoyaki!
Eles foram andando animados em direção à barraca de Takoyaki, quando eles passaram por entre algumas barracas mais escuras, Sasuke estacou com os olhos arregalados.
- O que foi Sasuke-kun? – perguntou Sakura.
- Aquele ali não é o Sai?
Sakura olhou rapidamente. Realmente era Sai que estava abraçado possessivamente com uma garota que o beijava ardentemente. Só que a garota não era Ino.
Rapaz viu, no momento que Sakura começou a ficar vermelha que era a hora de tirá-la dali. Pegou a mão dela e saiu puxando-a antes que ela avançasse em cima do casal. Só que a garota não parecia muito disposta a ir com o namorado e forçava o pulso para que este a soltasse. Todavia, Sasuke era bem mais forte e continuou puxando-a até chegar a um local mais reservado.
- Sasuke! – começou irritada – Por que você me tirou de lá? Eu ia pular no pescoço daquele sem vergonha!
- Justamente por isso que eu a tirei de lá. Não é uma boa hora para escândalos.
- Não é? – o tom de voz dela se alterou – A Ino precisa saber disso!
- A Ino pode até saber disso, mas não acho prudente que toda a vila saiba. – e olhando para os lados, constatou que ninguém os via e acrescentou – Ou você quer que sua amiga passe por essa vergonha?
Sakura se acalmou imediatamente. Sasuke tinha razão. Não podia expor a amiga em público dessa maneira.
- O que farei Sasuke-kun? – perguntou ela desanimada.
Ele suspirou.
- Sinceramente, eu não sei. Não sou bom nessas coisas... Mas se fosse eu no lugar da Ino, iria querer saber...
- Eu jamais trairia você! – afirmou Sakura convicta.
Mesmo que a situação fosse séria, Sasuke não pode deixar de sorrir. Abraçou-a fortemente, sentindo uma palpitação no peito. Não gostava nem de imaginar Sakura em outros braços. Mas sabia que ela jamais o trairia. Acreditava nos sentimentos dela. Como também sabia que jamais conseguiria sentir qualquer atração por outra mulher.
- Eu sei. Eu acredito em você, Sakura...
Ela também o abraçou.
- Eu vou falar... – resolveu com a voz embaçada – Vou falar com a Ino...
E dando as mãos, começaram a procurar a menina.
Mesmo que tivesse resolvido falar, Sakura ficava imaginando se Ino iria acreditar nela, ou se ia chamá-la de mentirosa. Já ouvira falar de vários casos de amigas que romperam justamente por que uma delas viu o namorado da outra a traindo e avisou. Todavia a outra não acreditou e elas brigaram. Mas uma coisa ela tinha certeza. Amigos não devem se calar quando vissem algo do tipo. Ou, mais tarde, se ela soubesse por outras bocas, ia repreendê-la por não ter contado.
"É uma faca de dois gumes" pensou Sakura se aproximando de Chouji "Vou ariscar".
- Chouji-kun! – chamou ela tentando parecer animada – Viu a Ino por ai?
Chouji estava junto de Shino, e os dois pareciam muito absolvidos em uma conversa.
- Não vi não Sakura. – desculpou-se o garoto – Mas se ela aparecer por aqui eu digo que você está procurando por ela.
- Ah, obrigada. – agradeceu a médica e já ia se retirando quando Shino falou:
- Eu a vi.
- Sério? Onde? – perguntou interessada.
Shino apontou para a saída da vila.
- Eu a vi indo para lá, mas já faz algum tempo.
- Mesmo assim obrigada! Vamos Sasuke-kun!
Não demorou muito para achar Ino. Ela realmente estava fora dos domínios da vila. E também não estava sozinha. Sasuke colocou a mão na boca para não cair na risada e Sakura ficou olhando bestificada. Ino estava aos beijos com um rapaz da vila da Areia. Vendo que, afinal não tinha nada o que fazer, Sasuke puxou Sakura, que dessa vez foi sem resistência.
- Acho que isso é um empate. – falou ele rindo ao voltarem para a vila.
- Que namoro estranho... – murmurou Sakura ainda sem acreditar.
- Esqueça isso... – pediu Sasuke lhe dando um rápido beijo – Vamos comer o Takoyaki que você tanto quer.
Como havia dito Hinata o esperava no Ichiraku ramen. Sorriu feliz quando ele chegou.
- Olá Naruto-kun! Como foi a conversa com o Gaara-sama?
- Esclarecedora. – ele murmurou.
- Já pedi pro tio aprontar o ramen do jeito que você gosta. – esclareceu no momento em que ele sentou. E percebeu que ele tinha a expressão séria - Algum problema?
- Nenhum. To morrendo de fome. – ele respondeu ainda pensativo.
Após o ramen, Naruto percebeu que Hinata estava muito cansada. Ela tentava, sem sucesso, conter o bocejo. Afinal, já era tarde da noite. Devia passar da meia noite.
- Acho que já está na hora de você ir para casa Hinata. – falou ele se levantando após pagar o ramen.
- Eu to bem - falou ela dando outro bocejo.
- Vamos. – insistiu ele.
Eles tomaram o caminho do clã Hyuuga. Hinata estava realmente cansada. Enquanto andava, se apoiava no braço de Naruto sem nem ao menos perceber. Para evitar que ela derrubasse Nemo no chão, Naruto agora carregava o peixe. No meio de uma das muitas pontes que recortava Konoha, um anbu surgiu como um passe de mágica assustando os dois, fazendo com que Naruto se sobressaltasse.
- VOCÊS NÃO SABEM COMO CHEGAR COMO GENTE NÃO? – gritou ele indignado.
O grito de Naruto despertou totalmente Hinata, que prontamente largou o braço dele assumindo uma cor escarlate no rosto. O anbu se limitou a entregar uma carta para ele e foi embora rapidamente.
- Cheguei à conclusão que não gosto desse cara da anbu... – disse mal-humorado enquanto abria a carta.
- O que será isso? – perguntou Hinata apreensiva.
Quando Naruto leu a carta, a cor fugiu do seu rosto. Ele arregalou os olhos e parecia atônito a cada linha que lia.
- Naruto-kun... – chamou ela preocupada.
Naruto nem ao menos terminou de ler a carta, dobrou-a bem e passou para Hinata. A garota passou os olhos pela carta, mal acreditando no que lia. Era o resultado do teste escrito de Naruto.
- Nota... Máxima? – disse ela.
- Eu passei... – ele sussurrou – Eu passei... Eu passei – seu tom de voz foi aumentando até que se transformaram em gritos que ecoaram pelo lugar – EU PASSEI! EU PASSEI!! - e se virando para Hinata – E tudo graças a vocês!
Hinata ficou mais vermelha ainda. Ele a olhava com uma intensidade que ela nunca vira. E antes que pudesse dizer qualquer coisa, Naruto a abraçou pela cintura, suspendeu-a no ar e começou a girar com ela no braço como um louco pela ponte.
- EU PASSEI! EU PASSEI!!!
- Naruto-kun... Cuidado, nós...
Mas ela não conseguiu terminar a frase. Em sua alegria, Naruto tropeçou em uma pedra que havia na ponte e, desequilibrando-se, caiu, juntamente com Hinata, dentro do rio que corria embaixo da ponte.
- Ah! – exclamou ele emergindo – Hinata?
-Aqui. – ela chamou atrás dele – Onde está Nemo?
Naruto levantou a sacola mostrando o peixe são e salvo. Ele não conseguia parar de sorrir.
- Hahahahahaha, eu nem acredito! Eu passei Hinata! E com a nota máxima! Quem poderia acreditar nisso? – ele começou a jogar água pra cima alegre.
- Eu sempre soube que você passaria Naruto-kun! – falou animada jogando água pra cima também.
- Huahuahauhauhauahuah só falta o teste de combate! Esse será fácil!
- Tenho certeza que sim.
Ele a olhou dentro dos olhos.
- Eu nunca teria conseguido sem você, Hinata.
Ela desviou os olhos dele. Não podia creditar que estava ouvindo aquilo.
- Tenho certeza que... Atchim!
- Opa, água fria! Se você ficar doente de novo, Sakura me mata! – e concentrando o chakra na mão, ele se apoiou no rio como se esse fosse chão firme e se levantou. Depois ajudou Hinata a se levantar também.
- Vamos antes que eu te machuque! Ou machuque o Nemo. Não é Nemo? Você ficou assustado com a queda? – falou para o peixe.
Hinata começou a rir.
- E você ainda fala de mim... Quem está conversando com o peixe agora?
Não demorou muito para chegarem à entrada do clã Hyuuga. Apesar de ser uma típica noite de verão, como estavam completamente encharcados, ambos tremiam de frio.
- Espero que seu pai não te veja chegar... – falou Naruto com os dentes batendo devido ao frio – Ele pode se zangar pelo estado que você está e... Sei lá... Lacrar meu chakra para sempre...
- Nós não podemos fazer isso, Naruto-kun...
- Ah, nunca se sabe... A raiva faz coisas incríveis... Melhor não arriscar.
Era hora da despedida. Depois de passar um dia incrível com ele, de tantas coisas boas, a sensação da despedida deixava um gosto amargo na boca. Mas Hinata já tomara uma decisão. E não ia voltar atrás. Chegara à hora.
- Bem – ele começou – Foi muito bem passar esse dia com você, Hinata. Na verdade esse e todos os outros. Muito obrigado. – ele se curvou em agradecimento.
- Quem deve agradecer sou eu, Naruto-kun. Nunca me diverti assim em toda minha vida. Obrigada. – ela se curvou também.
- Que bom que eu pude te divertir Hinata. Fico feliz. Err... Boa noite... – falou relutante - A gente se ver por ai...
Não sabia dizer onde. Não haveria mais estudos. E aquilo era triste para ambos.
- Naruto-kun! – chamou ela antes que ele fosse embora. – Lembra que ontem e-eu quis te dizer algo e não pude?
- Sim.
- E-Eu q-queria d-dizer h-hoje...
- Claro! – falou ele animado.
Hinata suspirou. Era agora ou nunca.
- N-N-aruto-kun... E-E-Eu q-queria t-t-t-t-t-te d-di-z-zer q-que e-e-eu gos-gosto m-muito de-de-de você, Naruto-kun!
Pronto, dissera. Era agora esperar a reação dele. Mas Naruto estava confuso. Não entendia muito bem o que ela quisera dizer.
- Hã, eu também gosto muito de você Hinata. Você é uma ótima amiga...
O coração dela parecia estar se perdendo em um grande abismo. Sempre soube disso. Ele não gostava dela. Tentou segurar as lágrimas, mas foi impossível. Elas rolaram abundantes por sua face.
- Hinata? – ele estava realmente confuso e perturbado. Não entendia as lágrimas dela.
Hinata olhou para ele. Seus olhos emitiam uma dor profunda.
- Eu n-não gosto de você s-somente como um amigo, Naruto-kun – ela murmurou – Pra mim, você é bem mais que um amigo. E sempre será.
E antes que ele pudesse assimilar a frase, ela desaparecerá no meio da noite, deixando seus soluços se perdessem na escuridão.
Bem pessoal, eu realmente gostaria de agradecer como se deve por todos os comentários recebidos até hoje na fic "O Tempo e a Esperança". Mas é justamente a falta de tempo que me impede de fazer isso! xD Por esse motivo, não posso falar nome por nome como eu gostaria :/ Mas sintam-se abraçados e beijados por mim e minha sincera gratidão também!!! -
Itachi: Ninguém abraça minha Joy-sama ò/.\ó
Joy: aff.. Até aqui vc vem me pertubar Itachi ! Aqui não é a comunidade, ngm conhece suas loucuras ¬¬
Itachi: Mas foi por isso que eu vim! A Taty mandou dizer que vc anunciasse sua comunidade o/.\o
Joy: Ah ta... Então, pessoal, quem quizer entrar lá no orkut e procurar a comunidade "Contos da Joy", vão achar a minha comunidade (dãããããã) e também umas historinhas muito legais sobre a Akatsuki e...
Itachi: Meu amor pela Joy-sama!!! \/.\/
Joy: É...E isso também... ¬¬
