Feliz Dia dos Professores!

Não esqueçam de dar os parabéns para seus professores, porque fala sério! Ô profissão ingrata!

Curtam mais um singelo capítulo.

dai86


Pedacinho do Céu,
por Leanne Ashley

(Tradução por dai86)

Anos mais tarde, finalmente aconteceu. Sasuke finalmente foi capaz de reconhecer as qualidades de Haruno Sakura... Infelizmente, a essa altura, ela simplesmente não ligava mais. A clássica história de amor e ironia, onde um dos envolvidos permanece ignorante do que acontece... e o outro é Sasuke. Oh, como os poderosos caem.


Capítulo 14

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"Tsunade-sama!" Sakura se anunciou conforme irrompeu pela porta do escritório. "Você tem uma missão pra-!" Ela parou quando notou a assistente de Tsunade a silenciando pelo canto do olho.

"Shizune-san...?"

Correndo para seu lado, Shizune levou uma mão até a orelha de Sakura. "Shh, Sakura-san... ela tem estado mais sobrecarregada do que o habitual ultimamente."

Se encolhendo, Sakura sussurrou de volta. "Devemos dar algum sakê pra ela?"

"Eu posso ouvir vocês!" uma voz estalou do outro lado da sala.

Rindo nervosamente, a kunoichi de cabelo rosa se aproximou da mesa de sua mentora. "Só preocupada com suas rugas, Tsunade-sama."

Ah, a vida amarga de uma Hokage. Poder, autoridade... e excesso de material de leitura ao que parece. Se Naruto chegasse a ser o próximo, ele estava prestes a ter uma grande desilusão. O garoto tempestuoso mal conseguia ficar parado na aldeia, muito menos dentro de um escritório apertado.

A Hokage exalou alto com desgosto. "Sempre que tiro uma pilha do caminho, seis novas são despejadas na minha frente..."

Fazendo bico, os olhos de Sakura se baixaram decepcionados. "Acho que me ensinar um jutsu novo mais tarde está fora de questão?"

A mulher loira sacudiu a cabeça com um sorriso derrotado. "Temo que sim, mas você vai estar bem ocupada hoje de qualquer maneira. Chegou uma mensagem aqui solicitando seus serviços, especificamente. É uh..." Tsunade parou pra vasculhar entre os montes de papel. "... É aquele idoso e sua família fora da aldeia novamente. Você se lembra de como chegar lá?"

"Ah sim, é claro! Mencionaram qual era o problema...?"

"Provavelmente," a Hokage suspirou. "Eu não tenho tempo pra procurar. Tenho certeza que é apenas um rápido check-up, e depois eles vão te liberar."

"Ok," Sakura respondeu, acenando com um braço enquanto se virava pra sair da sala. "Lembre-se de beber seu sakê, Tsunade-sama!"

"Certo, certo..."

Fechando a porta do escritório, ela colocou uma mão ao queixo, lembrando onde o velho morava. Já havia algum tempo que ela tinha passado por lá, mas tinha uma memória vívida da ocasião, uma vez que havia sido quando ocorreu o dilema de colocar Sasuke de volta na aldeia. Falando nisso...

"E então?"

Ela saltou surpresa quando notou o Uchiha encostado contra uma das portas do escritório. Braços cruzados, a expressão irritantemente estóica a observava com expectativa.

"Sasuke!" ela chiou. "O que você está fazendo aqui?"

Ele apertou a sobrancelha em aborrecimento. Obviamente, ele tinha pouca paciência quando suas perguntas eram ignoradas.

"Qual é a missão?" ele repetiu com mais clareza ainda.

Um suspiro exasperado escapou enquanto ela esfregava a nuca. "Missão solo. Vou voltar para a casa daquele idoso fora da aldeia."

Ele bufou incrédulo. "Por quê?"

"Não sei," ela deu de ombros. "Ele é um homem velho. Ele deve estar doente de novo." Seus olhos verdes repentinamente olharam ao redor ao se dar conta. "Ei! Você não devia estar correndo suas voltas?"

"Claro," ele sorriu de lado. "Vou voltar a isso quando Kakashi tirar os olhos de seu livro."

Ela deu uma risadinha. "Acho que você tem tempo de sobra." O riso Sakura no entanto parou quando ela se lembrou da conversa daquela manhã. Não foi realmente uma conversa, agora que parou pra pensar. Sasuke tinha abertamente confessado algo que ela achava que ele nunca diria. Sendo seu colega de equipe e conhecendo ele desde a infância, ela havia assumido com segurança que Sasuke confiava nela. Se não confiasse, então o time sete teria caído em ruínas anos atrás. Mas apenas ouvir ele dizer aquilo... e sem que ninguém o forçasse a isso.

'Eu confio em você.'

Sakura tinha a intenção de dizer algo de volta, mas Kakashi interrompeu e arruinou sua oportunidade... ela não tinha dito uma palavra em resposta, e esperava que ele não tivesse se ofendido com isso.

Limpando a garganta com determinação, ela decidiu que agora seria um bom momento.

"Sasuke..." ela começou timidamente.

Ele simplesmente fez um leve gesto com a cabeça pra que ela continuasse.

"Obrigada por dizer aquilo... antes..."

Um olhar estranho cruzou seu rosto, e por um momento parecia que Sasuke não tinha a menor idéia do que ela estava falando. Segundos depois, porém, ela percebeu um breve lampejo de clareza refletindo em seus reservados olhos negros.

"É apenas um fato," disse sério. "Não há necessidade de me agradecer por isso."

"É," ela riu um pouco, passando a mão nervosamente pelo cabelo. "Acho que você está certo. Mas, uh... só pra você saber..."

O silêncio parecia mais denso que o normal.

"... Eu confio em você também, Sasuke."

Ela esperou. A qualquer momento agora ele iria bufar com desdém e lhe dizer pra parar de ser tão emotiva sobre assuntos tão insignificantes. Provavelmente estava envergonhando ele até o limite, ou pior, traumatizando ele pra toda vida de modo a nunca mais revelar qualquer coisa que remotamente expusesse sua vulnerabilidade.

Apenas alguns segundos a mais de silêncio e ela planejava girar sobre o calcanhar e correr como uma gazela. Naturalmente, ela iria disfarçar com uma despedida amigável e anunciar sua partida para sua missão.

"Sakura," Sasuke disse finalmente. "Você me disse... que eu poderia te perguntar coisas, se eu quisesse..."

Existe uma pausa interessante que acontece antes que uma pessoa perceba que seu rosto está paralisado de uma certa maneira. No caso de Sakura, era uma mistura de confusão e ceticismo. Uma conversa controlada, embora ligeiramente constrangedora, estava saindo dos eixos... e ela havia se preparado mentalmente pra algo completamente diferente. De todas as coisas que ela esperava que ele dissesse, esta certamente não era uma delas.

Voltando a seus sentidos, ela piscou rapidamente e, curiosamente, inclinou a cabeça. "Oh... é! Quer dizer, claro!"

Ela se lembrava daquela conversa claramente agora. Voltando pra casa depois do jantar, ela lhe disse o quanto gostava de lhe fazer perguntas, e se ele quisesse, poderia fazer o mesmo.

Sasuke limpou a garganta. "... Eu... eu, uh..." Fracassando em sua primeira tentativa, ele suspirou frustrado.

Sakura levantou as sobrancelhas em preocupação. Agora ele estava começando a assustá-la. Ela sabia que o que quer que ele quisesse perguntar tinha que ser extremamente importante. Não parecia simplesmente ser algo como 'pode me emprestar uma kunai'.

"Está... tudo bem Sasuke? Você pode me dizer qualquer coisa..."

Ele fechou os olhos então, irritação rapidamente tomando suas feições. Com uma crescente preocupação, Sakura trouxe um braço ao peito. Sasuke estava cerrando os punhos, como se estivesse se contendo pra não socar a parede.

"Não," disse nervoso, uma expressão de total derrota no rosto. "Não posso."

Olhando pra ela, seus olhos se estreitaram com severidade. "Ainda não."

Ela mordeu o lábio. Era de se esperar. Se Sasuke queria se abrir, então faria a seu próprio tempo. Ninguém poderia esperar uma enxurrada de emoções vindo a tona dentro do intervalo de cinco minutos. É claro, Sakura estava mais do que curiosa pra saber o que ele tinha a dizer... mas não quis pressioná-lo.

"Ok... bem, quando estiver pronto..."

Ele assentiu com a cabeça e descruzou os braços. Caminhando na direção da saída trás dela, ele fez uma pausa quando estavam ombro a ombro. "Tenha cuidado," ele ordenou.

Ela sorriu. "Você se preocupa demais."

"Não estou me preocupando," Sasuke resmungou conforme saiu da sala.

Revirando os olhos, Sakura ajeitou sua mochila e saiu pela mesma porta. Que ranzinza... pensou rindo. Era surpreendente como o garoto rude de personalidade sombria e angustiada podia ser um atrativo para a maioria das meninas. Já havia sido pra ela em certa época... Espera um pouco, em certa época? Ok, às vezes ela ainda achava um pouco atrativo, mas no fim das contas, era um enigma que não devia mais ocupar seus pensamentos.

Apertando os olhos sob a luz brilhando no céu, ela viu Sasuke retomar sua corrida ao redor da aldeia, e sem Kakashi em nenhum lugar à vista, era seguro assumir que ele tinha se safado com o seu pequeno "desvio".

Que coisa estranha pra se fazer, pensou. Não bastava Sasuke ter se atrasado pra seu treinamento com Kakashi, mas ele decidiu dar um passeio no meio dele também?

Passando pelos portões, ela começou a se apressar em direção à ponte sul. Ela estava numa missão agora, e alguém precisava de sua ajuda. Trazendo chakra aos seus pés, saltou pra cima e começou seu caminho de galho em galho.

Ainda estava um tanto distante, e Sakura logo viu seus pensamentos voando para passar o tempo. Surpreendeu-lhe que seus pensamentos corressem imediatamente para Sasuke.

Franzindo a testa, ela percebeu que o comportamento do Uchiha naquela manhã estava ligado a ela de alguma forma. Ele se atrasou porque insistiu em esperar por ela enquanto ela examinava Neji. Mas por quê? Não é como se ela tivesse lhe pedido... Ela realmente devia se sentir culpada por isso? E ele escapando de seu treinamento pra descobrir qual seria sua missão... ela certamente não havia lhe pedido pra fazer isso tampouco.

Buscando ela, acompanhando ela até sua casa...

Ele simplesmente sempre... estava lá.

Algo saltou em sua mente. Parecia ser sua personalidade interior, que havia permanecido dormente por algum tempo, rindo histericamente.

"Oh Deus, você é uma idiota!"

A epifania fez sua concentração de chakra vacilar. Seu pé escorregou do galho, mas ela só caiu uma pequena distância antes de recuperar a compostura. Agarrando outro galho, ela habilmente recuperou o equilíbrio e continuou o caminho, secretamente rezando pra que ninguém tivesse visto essa cena constrangedora.

Torcendo as sobrancelhas, ela exigiu que seus pensamentos lhe dessem uma explicação. Foi prontamente atendida, e o pressentimento que a acertou fazia sentido, mas, ao mesmo tempo, realmente não fazia.

Desde que Sasuke voltou pra Konoha, tinha estado diferente... e a palavra diferente só podia ser utilizada com ressalvas. Ele ainda sorria de modo arrogante, e resmungava e desdenhava e ignorava... e todo o tempo ainda se mantinha reservado, olhava com irritação quando precisava, e distribuía arrogância quando precisava. Sasuke ainda era Sasuke, mas...

A questão era essa.

Ele havia disfarçado todas suas boas intenções por trás de um olhar frio e comentários arrogantes, ou os dois – era algo que Sakura estava tão acostumada a ver, a sentir... E se ela estivesse completamente cega para o verdadeiro significado de suas ações?

A lenta realização começou a soar em seu cérebro...

Embora pra ser justa, seus pensamentos dificilmente poderiam culpá-la por ser tão ingênua. Anos sendo desprezada por uma pessoa poderia, sem dúvida, levar a alguma forma de ceticismo.

Sasuke havia detestado ela. De verdade. Ele havia mesmo. Sakura podia se lembrar de uma vez em que ela quase se afogou, e ele simplesmente ficou lá... deixando que Naruto se preocupasse. A seus olhos, ela era o incômodo, o obstáculo, e a inútil princesa de cabelo rosa. Quando ela confessou seu amor infantil, ele havia dito na cara dela o quão irritante era e a nocauteou.

E depois de tudo isso, se a possibilidade de ele mudar de idéia ainda pudesse ocorrer... quem não pensaria duas vezes em descartar completamente a idéia?

Sakura tinha feito exatamente isso. Ela havia rejeitado qualquer possibilidade de sua mente com a crença sólida que simplesmente não era possível.

"Pensa nisso!" Inner Sakura gritou. "Pensa de verdade nisso!"

Estreitando seus olhos em confusão, ela obedeceu. Ela pensou bastante. Cada momento que ela passou com Sasuke foi reprisado em sua mente. Coisas que ele havia dito, coisas que ele havia feito... cada gesto agora representava algum tipo de indício, algum tipo de intenção...

Sakura engasgou surpresa quando percebeu que quase passou pela casa do idoso. Aterrissando no solo, ela parou com graça e ajeitou os lados de sua roupa. Ela repreendeu a si mesma por não prestar mais atenção.

Era seu dever ajudar as pessoas agora, ela pensaria sobre seus problemas em seu próprio tempo.

Colocando a mão na porta, ela tentou abri-la... mas congelou.

A maçaneta parecia úmida, e um pouco quente.

Lentamente, ela recolheu a mão e a encontrou coberta por uma substância pegajosa vermelha. Estava ensopada de sangue - como diabos ela não havia percebido isso? Ignorando o leve nó em seu estômago, Sakura rapidamente abriu a porta e entrou na casa da família.

Ela pegou uma kunai de sua bolsa e caminhou lentamente, tomando cuidado pra não deixar que seus passos fossem ouvidos contra o assoalho pronto a ranger. A casa estava escura, e Sakura tinha dificuldade em enxergar seu caminho, mas ninguém poderia deixar de notar os inúmeros respingos de sangue que manchavam o chão. Dobrando a curva de um hall, seu pé acertou algo macio, e ela rezou pra que fosse apenas uma pessoa inconsciente.

Ajoelhando pra enxergar melhor na escuridão, Sakura quase voou pra trás aos tropeços quando percebeu que seu pé havia acertado, literalmente, um outro pé. Um pé cortado, para ser exato.

Ela rapidamente cobriu sua boca com a mão e, instintivamente, se arrastou pra trás. Foi então que sua visão se ajustou completamente à escuridão, e ela pôde ver claramente o que estava além daquele pé amputado. Espalhados por todo o corredor estavam mais partes de corpos cercados de manchas de um vermelho intenso.

Toda a família – o velho, sua esposa, seu neto – todos haviam sido barbaramente assassinados.

O estômago de Sakura continuou a se revirar diante da visão horrível conforme ela saía da casa aos tropeços. Ela era uma médica treinada e já tinha visto mais corpos do que gostaria... mas nada como isto. Era uma imagem de crueldade e sadismo desumano que se estendia, criada para o deleite visual doentio de alguém.

Alcançando a porta da frente, ela caiu contra esta, e tentou conter as rápidas batidas dentro do peito. Sua respiração escapava em arfadas curtas e rápidas, e a pressão em seu peito simplesmente não diminuía.

Quem poderia ter feito uma coisa dessas? E por quê? Era uma família generosa e amável que não estava no caminho de ninguém. Deus, como algo assim pôde acontecer com eles...?

"Sakura-chan."

Seus olhos verdes saltaram na direção da presença que agora se aproximava da casa com calma.

"Você parece um pouco nervosa," Orochimaru a provocou, uma grossa língua lambendo os cantos de sua boca.

"Te assustei?"


E... finalmente a ficha da Sakura cai. Mas, é claro, assim que ela se dá conta do que está acontecendo na cabeça de Sasuke, o vilão tinha que aparecer.

Sinto muito pra quem estava gostando de toda a fofura dessa fic, mas dias negros virão. Mas não se preocupem, o lado mais doce da história vai continuar, resultando numa fic... agridoce? Acho que minhas analogias gastronômicas não estão legais. Bem, mas acho que vocês captaram a mensagem, não?

E se alguém estiver curiosa, o Neji ainda vai fazer algumas (pequenas) aparições na fic.

Ah, sei que não falo sempre, mas acho que já fica implícito no trabalho de traduzir essa fic, mas eu a-do-ro as reviews de vocês. Amo abrir minha caixa de email e ver a galera comentando e curtindo a história. Por isso, obrigada!

dai86