No dia da eleição, Lily acompanhou James até o local onde estava sendo feita a votação. Todos os correligionários dele estavam confiantes em sua vitória, e ela teve que se lembrar que o mesmo acontecia com os partidários de Sirius. Para eles, não havia dúvida de que Sirius ia ganhar.

Se pelo menos os dois pudessem vencer! Lily ficaria profundamente sentida, se James perdesse, e sabia que não era porque achasse que ele estava mentindo, quando lhe disse que preferia cuidar de suas terras, em vez de fazer política. Era porque não queria que nenhum outro homem o vencesse. Isso mostrava o quanto ainda o amava!

Às sete horas eles voltaram para casa para um jantar leve. Depois Lily perguntou a James se queria que ela fosse de novo com ele para o local da eleição.

- Afinal, dentro de uma hora a votação estará terminada, e o fato de eu estar ou não com você não vai fazer diferença.

- Mas eu gostaria que fosse comigo. Se me acompanhou até agora, é justo que me acompanhe no momento final.

Em silêncio, Lily foi até o quarto se arrumar. Precisava esconder seus sentimentos por pouco tempo mais. Logo a farsa estaria acabada, e não teriam mais necessidade de fingir diante dos outros que eram um casal perfeito.

Às nove horas a votação acabou, e James e Lily foram para o Salão da Prefeitura esperar o resultado. James parecia ter se livrado completamente de sua inquietude, e se sentou numa cadeira, com os braços cruzados, o rosto calmo e relaxado. Estranhamente, não parecia cansado, e sua boca expressava firmeza, como se estivesse bem preparado para enfrentar o resultado da eleição.

Percebendo que Lily o observava, James arrastou a cadeira para mais perto dela. Por um momento, sua cabeça bloqueou a visão do resto da sala, e Lily teve a impressão de que estavam completamente sozinhos. Trêmula, esperou que ele falasse, mas suas palavras não poderiam ter sido mais banais.

- Parece cansada, Lily. Quer que eu arranje um uísque para você?

- Não, obrigada. - Sentiu que se afundava no castanho esverdeado daqueles olhos, e tentou se controlar. - O resultado ainda demora?

- Algumas horas. Acho que... - Ele se levantou de um salto, quando viu a garota alta, de cabelos castanhos, que se aproximava. - É Marlene - murmurou, e foi cumprimentá-la.

- Oi, James. Não podia deixar de vir lhe desejar boa sorte - falou com um leve sorriso.

- Estou muito contente que tenha vindo, Marlene. Você trabalhou como ninguém, na minha campanha.

Eles continuaram se olhando, um pouco embaraçados, e Lily se aproximou.

- Que bom ver você, Marlene - disse Lily com sinceridade.

- Já era para eu estar aqui, mas perdi o trem e tive que esperar por outro.

- Então, saiu mesmo da casa de seu pai? - James perguntou.

- Já era tempo, não acha? - Marlene respondeu.

- Se precisar de alguma coisa... Se quiser que eu fale com Lord McKinnon...

Rapidamente, Lily saiu dali. Era justo que James e Marlene pudessem conversar a sós. Suas tentativas para aproximá-la de Sirius tinham dado em nada, e precisava se preparar para o caso de Marlene resolver voltar para James. Não era difícil adivinhar como seria a vida deles: um relacionamento sem altos nem baixos, mas provavelmente era o que preferiam.

Em alguns meses já terão se esquecido de que eu existo, Lily pensou, desanimada.


Sozinha com James, Marlene não sabia o que dizer. Não tinha certeza se ele sabia de sua briga com o pai e tinha vergonha de discutir seus sentimentos por Sirius.

- Quero que me deixe ajudá-la, se precisar de dinheiro ou conselhos. - James disse com firmeza. - Se bem que não sirvo para dar conselhos. Não fiz da minha vida um sucesso.

- Não seja tolo. Não tem culpa pelo que aconteceu entre você e Lily.

- Mas sou culpado pelo que aconteceu nos últimos meses.

- Na época, você fez o que achou que fosse certo.

- E tornei duas mulheres infelizes. Você e Lily.

- Eu não. Não vamos fingir a nosso respeito.

- Seu pai sempre me jogou em cima de você como o marido ideal e isso impediu que você soubesse o que realmente sentia.

- Eu era muito imatura. Levei muito tempo para crescer.

- E agora que cresceu, o que vai fazer?

- Não sei. Meu lema é dar um passo de cada vez. - Olhou em torno, mas não viu Lily. - E você, James? Vai deixar Lily ir embora?

James semicerrou as pálpebras, mas decidiu não esconder a verdade.

- Até hoje, eu estava decidido a lutar por Lily, mas nas últimas horas, tenho pensado se ela não será mais feliz livre de mim.

- É claro que não. Tenho certeza que ela o ama. - Olhou para o relógio. - Preciso ir. Despeça-se de Lily por mim, sim?

Marlene saiu apressada e só percebeu que estava chovendo, quando já estava na rua. Tropeçou duas vezes com seus sapatos de saltos altos na calçada molhada, e uma vez chegou a cair na lama. Logo, seus cabelos estavam emplastados na cabeça, e fios de água desciam pelo seu rosto, misturando-se às lágrimas que corriam de seus olhos.

Tinha ido à prefeitura na esperança de ver Sirius também, mas a informaram de que ele ficaria na sede de seu próprio eleitorado, até sair o resultado. Mas, o que teria ganho, vendo-o de novo? Uma declaração de amor? Se ele quisesse fazer uma, teria tido muito tempo, no dia que ela passou em casa fazendo as malas para ir embora. Tinha até mesmo esquecido seu orgulho e dito para a governanta que, se Sirius telefonasse, era para lhe dar seu novo endereço. Mas ele não a procurou, e mesmo que tentasse acreditar que era porque o rapaz estava muito ocupado com a eleição, não conseguia. Se Sirius realmente a amasse, nada o impediria de lhe telefonar.

Marlene parou para tirar o cabelo molhado do rosto e, aborrecida, percebeu que estava no caminho errado. Já ia voltando, quando viu que estava em frente da sede do eleitorado de Sirius. As janelas estavam cheias de cartazes com o rosto do rapaz e a lembrança dele a atingiu com tanta intensidade, que ela parou, ofegante. Num impulso, abriu a porta e entrou na sala cheia de gente e fumaça de cigarros. Todos se voltaram para ela que, com o rosto completamente sem expressão, procurou pelo homem que amava. Não o vendo em lugar nenhum, voltou-se para a porta, pronta para fugir dali.

- Marlene! Que está fazendo aqui?

Sirius estava abrindo caminho no meio da multidão, em sua direção. Na luz fluorescente, a pele dele estava de um branco esverdeado e seu cabelo mais preto do que nunca. Seu rosto estava coberto de linhas de tensão, os olhos vermelhos e com olheiras enormes, de cansaço. Vendo-o assim, uma onda de amor por ele a invadiu e seu coração contraiu-se, cheio de ternura.

- O que você quer aqui? - ele repetiu, com aspereza.

- Ver... ver você, antes que o resultado seja anunciado - gaguejou, e pela primeira vez não estava no controle da situação.

Sirius continuou olhando fixamente para Marlene, desejando que ela não tivesse escolhido aquela noite para ir até lá. Estava muito tenso e cansado, vê-la era um tormento que o fazia se lembrar de tudo que queria esquecer: da maciez de sua pele; do seu hálito quente e perfumado, do toque de seus lábios. Como tinha sido tolo, mandando-lhe aquelas rosas e esperando uma resposta da parte dela!

Lembrando-se da calma com que Marlene entrou na biblioteca, naquele dia em que foi falar com Lord McKinnon, Sirius sentiu-se revoltado. Provavelmente Marlene tinha ido até Londres para ficar com um de seus amigos da alta sociedade, e devia ter se divertido muito com sua preocupação. Decidido a não mostrar de novo seus sentimentos, falou com frieza:

- É muita bondade sua vir me desejar boa sorte, Marlene. Ou veio me dar os pêsames, no caso de eu perder?

- Quer que lhe dê os pêsames?

- Eu não quero nada de você. - Olhou por cima do ombro, quando alguém atrás dele o chamou.

Marlene aproveitou esse momento, abriu a porta e fugiu. Infelizmente, saiu para um corredor sombrio e ficou parada lá, odiando aquela sua fraqueza que a fizera vir em busca de Sirius. No fundo, esperava que, se ela fizesse o primeiro movimento, ele faria o segundo. Agora, já sabia que estava enganada. Sirius não se importava com ela. Decidida, começou a procurar um jeito de sair dali, sem passar pela sala principal de novo. Abriu a porta que ficava à sua esquerda e deu numa cantina. A garota atrás do balcão olhou-a, surpresa.

- O chá acabou - disse.

- Eu só estou tentando achar o caminho para a rua.

- Eu lhe mostro - Sirius disse atrás dela. Puxou-a para o corredor, abriu outra porta e empurrou-a, sem cerimônia, para dentro de um escritório vazio. Olhando-a com mais atenção, Sirius sentiu os músculos de sua garganta se contraírem. Os olhos dela estavam inchados e sua maquiagem toda borrada. Seu cabelo estava colado na cabeça e na testa, e seu ar impecável se fora. Só sua boca continuava linda como sempre. Na verdade, mais linda ainda, pois estava pálida e trêmula, macia e vulnerável.

Consciente do olhar dele, Marlene apertou o casaco em torno do corpo, estremecendo quando a gola molhada tocou em seu pescoço.

- Você está ensopada - Sirius disse.

- Não vou derreter.

- Não mesmo? - Viu a insegurança aparecer no rosto dela, e tentou lutar contra sua vontade de consolá-la. - Seu pai não vai aprovar sua vinda até aqui. - Não era o que ele queria dizer, e Sirius imaginou se ainda não acabaria arruinando sua vida, por causa de suas palavras impensadas. - Desculpe, Lene. Você veio e estou contente por isso.

- Não vai me mostrar a saída? - ela perguntou.

- Quer que eu lhe mostre?

- O que você faria, se eu lhe respondesse que não?

- Isto! - E Sirius abraçou-a. Sentindo o corpo trêmulo da garota de encontro ao seu, o rapaz perdeu completamente o controle. Até aquela noite, só tinha mostrado a Marlene sua raiva e seu desejo, mas agora, mostrou a necessidade que tinha dela. Mostrou abertamente que, sem ela, nenhuma vitória valia a pena, nenhuma derrota era mais desastrosa que a perda de seu amor. - Não vai ser fácil para nós. Concorrer a uma eleição vai ser brincadeira de criança, comparado com a luta que vou ter que enfrentar, para você vir a ser minha para sempre, Lene!

- Eu já sou sua - Marlene disse. - Saí de casa, Sirius, e posso vir para você, quando me quiser.

- Eu só a quero de um modo: aberto e honesto. E isso significa que você deve voltar para a casa de seu pai, antes de vir para mim.

- Não tem medo que eu mude de idéia?

A resposta de Sirius foi colar seus lábios aos dela, percorrendo seu corpo com mãos acariciantes, pressionando-a contra suas coxas. Marlene ficou mole de desejo e ele teve que empurrá-la contra a parede, mantendo-a lá com seu peso.

- Como eu o quero - ela exclamou. - E você, Sirius, você me ama como eu te amo?

- Esta é a resposta para a sua pergunta - ele disse. - E é por isso que, com você ao meu lado, não tenho medo de ninguém.


Olá pessoas lindas! Me perdoem por demorar tanto, eu sei, não há perdão, não é? Quero agradecer a todos que comentaram e exercitaram a paciência nesse último mês, hehe. No próximo capítulo saberemos que enfim ganhará a eleição, façam suas apostas :)

Adorei a ideia da loja de chapéus ClauMS, Channel então #Delirio. sassah potter fico muito feliz em saber que você gosta da minhas fics, é gratificante saber que as pessoas mal podem esperar pelo próximo capítulo, alias perdão de novo gente pela demora, prometo me redimir *-* Ihhhh Shakinha, acho que você vai ter que relevar mais um pouco as atitudes de James, será que ele vai mesmo deixar Lily ir embora? E já estava na hora de Marlene tomar as redeas de sua vida, mas Sirius deixou bem claro: quer ela de um modo aberto e honesto. Eu quero um Sirius para mim *-* LarissaB não vai demorar para acabar não, aliás se EU não tivesse demorado para postar a fic já teria terminado, aguenta o coração que o fim está próximo. Boa Lady Miss Nothing, deveria ser lei: "proibido esconder os sentimentos, pois da merda", continue desabafando e vamos criar um novo Vade Mecum para os advogados ;) Marlene foi novamente a estrela do capítulo Joana Patricia e não precisa esperar mais para vê-la com o Sirius, o final do capítulo comprova isso ^^ Eles são muito complicados dafny, mas nós os amamos mesmo assim, não é? Muito obrigada de novo gente pelas reviews, beijinhos :*