Não Racionalize Sentimentos
Depois do ocorrido naquele sábado de manhã, Natasha passou o restante do final de semana praticamente trancada em seu quarto, saindo apenas para beber água, comer alguma coisa com muita insistência de uma serva da Casa de Virgem e tomar um banho. Ficava deitada revendo tudo, desde conheceu Dohko, até aquele momento. Lembrou-se de como chegou na Casa de Libra, tão cheia de inseguranças e sempre na defensiva e mesmo dando muito trabalho ao libriano, recebia sempre um gesto carinhoso e de compreensão por parte dele . Sabia que muito da sua melhora era ligada ao treinamento recebido por Shaka, mas sem dúvida alguma os sentimentos que ela e Dohko compartilhavam atuavam de uma forma inexplicável em todo o seu ser. Depois da morte dos seus pais tudo havia perdido a cor, nada era verdadeiro, porém quando o conheceu toda a sua alegria retornou não sendo mais momentânea, mas constante. Ao lado dele não se sentia mais sozinha nesse mundo, uma pessoa avulsa que passa nos lugares e ninguém nota ou sente falta. Sempre se achou auto-suficiente, mas ao conviver com ele percebeu que é muito melhor não ser só. Entretanto, diante dessa armadilha feita por Ling, todo esse mundo novo foi destruído, sem piedade alguma e não tinha como provar de tudo ser armação. Dohko estava muito magoado para ver as coisas com mais clareza, restando mais nada a fazer além de seguir seu caminho e seu mestre o dele, voltando a manter uma distância segura das pessoas para nunca mais ter esse terrível sentimento de perda.
Na segunda de manhã, esperou seu mestre na entrada da casa do Shaka, como sempre e na hora exata viu o libriano surgir descendo as escadas. Seu coração disparou instantaneamente ao vê-lo, de alegria por simplesmente poder ficar na presença dele, e também por medo da forma que ele agiria com ela depois do acontecido. Ao se aproximar, o tigre manteve uma expressão séria e fria diferente do largo sorriso matinal.
– Bom dia, mestre. – disse a ruiva sentindo um nó na garganta.
– Vamos, não podemos perder tempo. – respondeu Dohko dando as costas para ela e voltando a descer as escadas rumo à arena.
Os dois seguiram em um completo silêncio, apenas quebrado pelo som das conversas dos aprendizes que passavam apressados para treinar. Natasha freqüentemente olhava para o mestre sentindo falta dos olhares se encontrarem, mas este mantinha sua visão voltada para frente, sem desviá-la nem por um minuto. No treinamento, trocaram apenas palavras necessárias, permanecendo calados durante o restante do tempo. Na volta, o libriano a deixou na porta da Casa de Virgem onde se despediu de forma educada, porém seca.
– Até amanhã, Natasha.
– Dohko... – falou a ruiva que ao tentar pegar em seu braço, teve seu toque evitado pelo libriano que pela primeira vez depois do acontecido, a olhou nos olhos, passando toda a sua decepção e mágoa. – Nada... pode ir. Até amanhã. – ela completou sem forças de dizer mais nada após ele ter agido dessa maneira, entrando rapidamente em casa.
Dohko parou por um instante, tendo vontade de ir atrás dela e acreditar de tudo não passar de um grande mal entendido, porém a cena dela ao lado do seu filho veio com tudo em sua mente, levando-o a subir sem olhar para trás.
Chegando em casa, Dohko foi direto para o banheiro encontrando Ling sem roupa à sua espera.
– Estava te esperando para tomarmos um banho juntos. – disse a chinesa o envolvendo em seus braços.
– Ling, sinceramente eu queria ficar sozinho, tome seu banho e quando acabar eu venho. – respondeu secamente, deixando a chinesa sozinha e indo sentar na cozinha.
– Boa tarde, senhor. – disse Adalta que já sabia mais ou menos do ocorrido.
– Boa tarde Adalta.
– O Hu pediu pra te dizer que ia dar uma volta pelas redondezas, mas não iria demorar.
– Tudo bem. – respondeu o libriano com um sorriso forçado.
– Senhor, eu soube do que aconteceu e se me permite dizer ...
– Não Adalta, por favor, não fale sobre isso. – respondeu o libriano se levantando totalmente incomodado.
– Mas vou dizer mesmo assim! – falou o fazendo dar meia volta - Eu sei muito bem dos seus sentimentos pela sua pupila e também sei dos dela pelo senhor. Natasha pode ter todos os defeitos, mas uma coisa eu sei, ela te ama de verdade e sempre teve medo de perdê-lo. Quando vocês discutiam, ela ficava desnorteada até fazerem as pazes de novo. Sinceramente acho que deve ter uma boa explicação para isso tudo!
– Adalta, eu queria acreditar que existe de verdade uma explicação para o que eu vi, mas infelizmente não há.
– Mais uma coisa: A Ling me disse que Natasha está proibida de pisar aqui. É verdade?
– É, eu disse. – respondeu com certo pesar.
– Mas disse apenas na hora da raiva, não é mesmo? Não vai impedir de verdade da sua pupila vir aqui?
– Olha, estou cansado, podemos conversar depois? – perguntou o libriano que recebeu um discreto sim da serva.
"Isso tudo foi armação dessa mulherzinha. Ah, mas ela vai ter o que merece!" pensou a senhora analisando os fatos.
Na sala, Ling saía do banheiro observando Dohko que estava parado pensativo olhando pela janela.
– Eu já terminei, pode ir tomar seu banho. – disse a chinesa. – Dohko, estava pensando se nós não podíamos sair um dia à noite, porque desde que cheguei fiquei praticamente aqui nessa casa.
– Ling, eu não estou em clima de sair. Por que não chama o Hu pra te acompanhar? Assim os dois conhecem a Grécia e se distraem um pouco.
– Quanto tempo vai ficar assim, somente presente em corpo? – falou a mulher acariciando o rosto do tigre – E tudo por causa daquela garota sem vergonha.
– Me diz uma coisa com toda a sinceridade... – ele disse sério tirando a mão dela de seu rosto – você estava aqui quando Natasha subiu?
– Aonde está querendo chegar?
– Ling, sei muito bem que não suporta minha pupila e atribui o fato de não estarmos juntos a ela. Agora me diga com honestidade que sempre teve comigo nesses anos todos, você ou o Hu armaram para eu pegar a Natasha naquela situação, para destruir meus sentimentos por ela? Se sente alguma coisa por mim como diz sentir, conte-me a verdade sobre aquela noite.
– A verdade é... a verdade é que eu não estava aqui quando ela subiu. Naquele dia quando você saiu com seus amigos eu aproveitei para dar uma distraída por aí, voltei não muito tarde e quando cheguei a porta do quarto do Hu estava fechada. Eu fiquei tão surpresa quanto você, quando os vi juntos.
– Está bem. – disse com um longo suspiro e dando as costas para a chinesa, indo tomar seu banho.
Embaixo da água morna, pensava na ruiva e de como foi difícil o dia ao lado dela não apenas pelo fato de estar desapontado com o que aconteceu, mas também por tê-la tratado com frieza e indiferença. Esses sentimentos não faziam parte da sua natureza e estavam fazendo muito mal a ele.
"Natasha como eu queria acreditar em você." Pensava Dohko.
Na Casa de Virgem
A ruiva adentrou silenciosamente o jardim, onde via Shaka terminar de passar uns ensinamentos a seus pupilos, ficando em um canto para não atrapalhar, mas sendo notada pelo virginiano que mesmo de olhos fechados e concentrado na sua aula virou brevemente para a direção dela. Em menos de dez minutos todos os pupilos fizeram uma reverência e deixaram o local, ficando apenas ela e o cavaleiro.
– Da próxima vez sente-se junto de nós. – disse Shaka em seu tom sereno.
– Eu não queria atrapalhar.
– Não há problema algum se apenas sentar em silêncio junto com os outros, pois é minha pupila tanto quanto qualquer um deles.
– O que acabou de dizer significou muito pra mim.
– Natasha, não a treino por pena, mas porque vejo que tem potencial. Sinto me tão responsável por você quanto Dohko o sente.
No momento que o virginiano tocou no nome do tigre, a expressão e a energia da garota mudaram de imediato. Shaka notou, porém preferiu nada dizer.
– Shaka, hoje continuaremos treinando exclusivamente o cosmo? - disse a ruiva cortando ela mesma de pensar no libriano.
– Sim.
– Mas por que tanta pressa para eu aprender a dominar a energia? Os outros iniciantes têm duas ou três vezes na semana esse tipo de aula, e eu duas vezes ao dia. Poxa, por que isso?
– Aprenda uma coisa, as pessoas são exigidas de acordo com aquilo que elas podem oferecer e cada um tem o seu tempo, cabe a nós os mestres decidirmos como agir com cada um de vocês. Isso significa que não está recebendo nada a mais do que o necessário.
"Então quer dizer que eu sou foda?" pensou a garota.
Depois dessa rápida conversa entre eles, o treino se iniciou sendo um dos mais puxados até aquele momento. O virginiano começava a demonstrar como atacar um oponente em diversas distâncias, a usando como exemplo e alvo nas demonstrações. No fim do dia, a ruiva estava morta de cansada, com forças apenas para tirar a nhaca do corpo, apagando de qualquer jeito na cama.
Passaram-se por volta de vinte dias e pouca coisa havia mudado. O clima entre o libriano e a pupila, apesar de não estar mais tão pesado, ainda assim estava longe de ser como era. Dohko não se mostrava mais tão na defensiva e de vez em quando puxava um assunto qualquer, mas que normalmente não ia muito à frente. Nos primeiros dias após o acontecido, Natasha ainda tentou algum tipo de aproximação, porém notava apenas piora em cada tentativa de reconciliação, levando-a a desistir de se explicar e amenizar a situação, permanecendo na dela e cumprindo suas tarefas como aprendiz.
Em uma manhã no meio de semana, Natasha foi direto para a arena não esperando Dohko descer para irem juntos. Sentada na arquibancada, observava o treino dos outros aprendizes e cavaleiros, quando sentiu alguém se aproximar, chamando a sua atenção.
– Está mais atenta. – comentou o libriano sentando ao seu lado, recebendo um sorriso visivelmente forçado como resposta. – Por que não me esperou?
– Achei melhor vir na frente. Já posso me aquecer? – ela disse cortando uma possível conversa entre eles.
– Sim, pode.
Apesar de ressentido com a possível traição da garota, odiava o rumo que tudo havia tomado. Não se sentia feliz de ter perdido a amizade da sua pupila e ela a dele. Andava repensando ultimamente nas suas atitudes em relação à ruiva que a cada dia mais se distanciava. No fim do treino, na volta pra casa, Dohko tentava puxar assunto com a garota, recebendo dela respostas curtas.
– Andei conversando com o Shaka e comentamos sobre os seus progressos. Tem ido muito bem e não irá ter grandes dificuldades no exame final.
– Tomara.
– Adalta hoje fez lasanha e disse que te levaria um pedaço mais tarde, ela sabe que é seu prato predileto.
– É, ela não esqueceu.
– Natasha... –disse Dohko a fazendo parar – quando quiser pode ir lá em casa. Eu sei que depois do acontecido não há clima algum, você e Ling se detestam, mas se um dia precisar ir até lá por qualquer motivo que seja, não hesite em ir, pois será bem vinda por mim. Eu ainda sou seu mestre e pode contar comigo quando for necessário.
A garota não conseguiu dizer nada, apenas assentiu que sim e voltou a caminhar.
– Amanhã eu posso passar aqui pra irmos juntos ou vai na frente como hoje? – falou o libriano ao chegarem na casa do virginiano.
– Nos encontramos na arena, como hoje. – ela respondeu secamente.
– Se prefere assim. Até amanhã. – despediu-se o libriano com desânimo diante da resposta.
– Até Dohko.
Natasha em seguida adentrou a casa odiando a distância que ela mesma botava entre eles, mas via ser necessária. Sabia que apesar do mestre estar mais calmo e menos hostil, ele ainda pensava que toda a farsa era verdade e essa falta de confiança nela, a fazia querê-lo longe. Às vezes a ruiva se colocava no lugar dele pensando como reagiria se o tivesse pego naquelas circunstâncias, entendo assim o ponto de vista dele, porém descordando da sua atitude. Sempre foi tão sincera quanto aos seus sentimentos, como ele poderia cair daquela maneira na trama da Ling?
A cabeça da ruiva fervilhava na casa do virginiano, enquanto Dohko seguia em outra direção ao invés da Casa de Libra, indo para seu costumeiro lugar que usava quando queria pensar, em uma área rochosa do Santuário.
– Problemas? – falou Shion aparecendo após usar telecinese.
– Ah, meu amigo, estou com medo de estar cometendo uma injustiça.
– Com quem?
– Com a Natasha. – respondeu um pouco hesitante.
– Nos treinos? Por ela agora morar com Shaka?
– Não, nada disso. – respondeu o libriano notando que Shion notara do assunto ser algo pessoal.
– Se sentir à vontade de me contar, sabe que eu não vou julgar o que disser.
– Eu sei. – fez um pausa como se criasse coragem – Shion, estou completamente envolvido pela minha pupila.
– Bom, isso é desde aquela época.
– É, mas as coisas tomaram um rumo complicado. Vou te contar tudo...
Dohko contou ao seu amigo do nível que estava o relacionamento dele com Natasha, falou sobre a Ling e seu filho e por fim da "traição".
– E agora eu e ela estamos afastados, mal nos falamos. – completou o tigre.
– Entendo o ponto de vista dos dois, mas a questão é: você no fundo não acredita na veracidade daquela cena. Tem dúvidas se pode ter sido forjado pela sua amiga e Natasha estar falando a verdade, por outro lado, conhece Ling há muito mais tempo do que sua pupila e ela nunca mentiu para você, diferente da garota que omite algumas coisas.
– Isso mesmo! Sinceramente não sei o que faço.
– Siga o seu coração como sempre fez.
– Não sei se é boa idéia nesse caso.
– Dohko, eu sempre usei muito a minha razão, diferente de você, para encarar as adversidades. Mesmo sendo métodos diferentes, sempre funcionaram de forma eficaz para nós dois. Então por que mudar isso? Por que quer racionalizar seu problema, complicando tudo se o seu coração já sabe a resposta?
– E se ele estiver errado dessa vez?
– Meu amigo, temos quase trezentos anos, apesar dessa aparência jovem. A essa altura você acha mesmo que vamos falhar em nosso julgamento? Vai, fale com a garota, deixe de lado seu orgulho. Dê a ela chance de se explicar. Faça isso antes que perca a única mulher capaz de tumultuar seu mundo pacato. – disse o lemuriano em um tom divertido.
– Shion, o que eu faria sem você? – falou dando um sorriso.
–Vai falar agora com ela?
– Não, ela deve estar treinando com Shaka. Falarei mais tarde, agora terei uma conversa com meu filho. Obrigado, Shion. – falou o libriano se despedindo.
– Não precisa agradecer.
Com o coração mais leve, Dohko retornava pensando no momento em que conversaria com a ruiva e fariam as pazes. Ao chegar em casa, viu Hu jogando vídeo game na sala.
– Oi, pai.
– Hu, precisamos conversar. – falou em um tom sério, assustando um pouco o rapaz.
– Tudo bem, pode falar.
– Aqui não, lá fora. Cadê sua mãe?
– Dando um cochilo, ela disse que estava com dor de cabeça.
– Vamos?
Já do lado de fora...
– Hu, vou ser direto. Armou com a sua mãe para que eu pegasse Natasha na cama com você? Seja sincero, porque eu já sei da verdade, mas quero ouvi-la da sua boca.
Após pensar um pouco, resolveu contar tudo para o pai que ouviu um tanto decepcionado, porém satisfeito de descobrir como tudo aconteceu.
– Pai, sinto muito. Apenas temi do senhor ter sua reputação arruinada pela Natasha, mais do que o fato de querer uni-lo a mamãe.
– Foi um ato muito covarde o seu.
– Eu sei e espero um dia poder receber seu perdão.
– Hu, os fins nunca justificam os meios. Apesar da sua preocupação comigo, não te dava o direito de cometer tal injustiça. Mesmo assim eu não sinto raiva de você.
– Mas está desapontado.
– Um pouco, confesso.
– Tem como eu reparar o que fiz?
– Apenas me prometa nunca mais agir dessa forma com ninguém.
– Tudo bem. – falou sorrindo por ter sido perdoado pelo pai. - Vai falar com a mamãe também?
– Claro, mas não hoje.
– Pai, depois de tudo ainda vai nos querer na sua casa.
– Hu, poderá ficar aqui o tempo que quiser.
– E minha mãe?
– Ela traiu minha confiança, subjugou minha inteligência e foi cruel com minha pupila. Essa será sua última noite aqui.
– Entendo.
– Agora vou entrar, você vem?
– Vou sim.
Algumas horas se passaram desde esse momento. O treinamento com Shaka havia terminado e Natasha descansava quando ouviu baterem na porta.
– Quem será a essa hora? Dohko? – disse surpresa ao vê-lo diante dela.
– Oi, Natasha.
– O Shaka já está dormindo.
– Eu imagino, mas eu não vim falar com ele.
– É muito urgente? Não podemos nos falar amanhã? O Buda tem sido bem rigoroso em seus treinamentos e eu estou cansada.
– Natasha, não vou demorar.
– Está bem. – disse fechando a porta e indo para o lado externo com o mestre. – Pode falar.
– Descobri toda a verdade, Hu me confirmou minhas dúvidas sobre aquele dia. Natasha, eu sinto muito. Devia ter acreditado em você mesmo com os meus olhos vendo outra coisa.
– Dohko, sinceramente não me importa mais o que pensa.
– Como?
– Fico feliz que tenha se dado conta de toda a verdade e do seu filho ter contado da armação, mas nesse momento, nada do que disser vai apagar os dias em que me olhou com desconfiança e me tratou com frieza. Eu não esperava essa atitude de você.
– Todos erram Natasha, até mesmo as pessoas mais experientes.
– Dohko, sempre fui honesta com meus sentimentos em relação a você e isso não bastou. – ela falou com mágoa.
– Eu sei que feri seus sentimentos e não vou ficar tentando me justificar. Apenas gostaria de tê-la de volta na minha vida, sinto a sua falta. – falou o libriano ficando bem próximo dela.
– Mestre eu estou cansada como havia dito. Já acabou? – disse cortando um possível contato entre eles.
– Já, Natasha. – respondeu o libriano com desânimo, não querendo "forçar a barra".
– Então, boa noite. – respondeu entrando apressada sem o encarar e trancando em seguida a porta.
O libriano sentiu o chão faltar naquela hora, não esperando aquela reação, mas entendeu que havia magoado a ruiva e ao invés de desistir diante da resistência dela. A reconquistaria e a traria de volta para seu lado, pois sabia que por debaixo de toda a dureza da garota, ela desejava o mesmo.
