EU FINJO, TU FINGES... QUEM FINGE?

Autoria: Kry21 (fanfiction(ponto)net/u/788892/Kry21)

Tradução (autorizada): Inna Puchkin Ievitich

Publicada originalmente em: www(ponto)fanfiction(ponto)net/s/4164348/1/


Eu finjo, tu finges... quem finge?

14

Quero ter um sonho, um novo a cada dia; quero ter um forte abraço de vida; quero ter um verso para cantar ao vento; quero ter uma razão para morrer por alguém.

Quero ter as mãos cheias de ternura; quero ter o riso branco da espuma; quero ter um conto para contar a uma criança; quero ter um lugar ao sol onde viver contigo.

Quero ter o clamor de quem espera; quero ter a porta aberto de quem chega; quero uma mão amiga para curar-me a alma; quero ter uma canção para dar asas.

Quero ser a água fresca, a ave em vôo; quero ser o que esperas de mim e ouvir o teu sorriso que alegra a alma, companheiro de viagem até o fim. Caminhar pela areia com os pés descalços contemplando um pôr-do-sol, e perder-me ao teu lado contando estrelas, desfolhando uma noite de amor.

Quero ser água fresca, ave em vôo.

Quiero ser, José Luis Perales.


Tentei, juro por Deus, que tentei não me rebaixar ao nível de Melina e não respondê-la como uma quitandeira, lançando uma rajada de palavrões dos quais Mundungus estaria orgulhoso. Mas minha paciência tinha um limite, um limite que nem mesmo Ron com sua constante estupidez jamais cruzou.

Harry se colocou na minha frente em menos de um segundo para evitar que minha prima se lançasse sobre meus cabelos, coisa que agradeci enormemente, não por minha segurança, mas sim pela da harpia tagarela.

Seus insultos começaram a subir de nível ao ponto em que não suportei mais. Uma vez mais meti minha mão sob o vestido e tirei minha varinha. Tive uma pequena surpresa ao ver Harry apontando-a também. Rapidamente me coloquei ao seu lado.

- O valente cavaleiro vai protegê-la com um palito! Ha, ha! – Melina zombou. – Perdoe-me se não tremo.

- Pois deveria. – disse-lhe e apontei a varinha para seu nariz empinado. – Vou mostrar a você o quão bruxa eu sou. – Ergui minha varinha, fazê-la flutuar m pouco seria um trauma muito bom. Pensei em transformá-la em víbora, mas seria provável que eu me visse tentada a não desfazer o feitiço, devolvendo-a à forma humana (porque a sua forma original era justamente a que ela seria convertida), o que me acarretaria um problemão com meus pais e não queria problemas no Natal.

Winwuar… a campainha tocou. E ninguém se moveu. Achei tratar-se de minha imaginação. Melina voltou a sorrir.

Vamos de novo: Winwuard...

A campainha tocou outra vez.

- Maldição! Que alguém vá abrir! – Enfeitiçarei o primeiro imbecil que me interrompa outra vez! Vi, pelo canto do olho, como Dania se levantava e saia em direção ao vestíbulo. Passaram-se mais ou menos uns três minutos até que ela retornou.

- Meli... estão procurando por você – reportou. – Ele diz que é seu namorado e vem com seus pais.

Podia ser mais perfeito? Estava preste a conhecer o "super" namorado da minha prima e a verdadeira identidade dela seria revelada, creio que permanentemente se a transformasse em lombriga. E tudo na frente dos seus sogros. Graças a Deus por não me matar quando pedi!

As pessoas entraram na sala envoltas em um murmúrio de vozes. Harry gemeu, olhei para ele, olhei para os recém chegados, um gemido escapou de minha garganta e pela primeira vez na minha vida a mão que segurava minha varinha tremeu de surpresa.

Notei como os recém chegados olhavam tudo ao seu redor, suponho que com a intenção de criticar depois e também a procura da minha prima que, certamente, havia desaparecido.

Ótimo! Agora estou perdendo meus inimigos bem debaixo do nariz!

Quando os olhos dos visitantes se enfocaram em Harry e em mim, empalideceram e soltaram um gritinho. Eu podia jurar que até retrocederam dois passos e teriam corrido se pudessem, mas...

- VOCÊ! - Melina se jogou sobre seu namorado e grudou-se em seu peito. – Por que chega tão tarde? – reclamou. – Tanto que me arrumei e você não se apressa... – deu um passo para trás para que seu namorado a visse em seu vestido branco e... Um momento! Vestido branco?... Quando, caralho, ela se trocou? Melhor dizendo, como é que se trocou e maquiou em... dez, quinze segundos?

A única resposta é que, definitivamente, minha teoria (a que encuquei com quatro anos após assistir Space Jam e os "marcianinhos" que dali saiam) de que Melina seria de outro planeta era verdade.

- Mas o que há com você? – voltou a perguntar Melina ao seu namorado, claramente desejava que ele a admirasse como merecido. Mas seu namorado continuava olhando para mim e meu namorado, fixamente.

- O que está acontecendo? – perguntou uma nova voz. Era uma senhora grande, robusta e com a cara avermelhada. Além do mais, vinha acompanhada de um cachorro velho mal humorado. Moveu seus olhos por todo o recinto e, ao deter-se em Harry, os arregalou: - O que esse garoto faz aqui, Vernon? – voltou-se para olhar para meu namorado que, pálido e com cara de surpresa, baixava lentamente a varinha. – O que esse garoto faz aqui? Vernon e Petunia me disseram que ele não vivia mais com eles. Por que, então, aparece para arruinar a noite do meu Duddley? – a mulher parecia depreciativa e altaneira. – A mesma coisa acontece com os cachorros vira-latas, sempre pedindo esmola. – Afirmou como quem comenta o clima: para ninguém em particular.

Mas essa... velha, quem pensava que era?

- Vocês se conhecem? – perguntou meu tio Rigoberto.

- Mas claro. – respondeu a senhora do cachorro – Este – fez um gesto com a cabeça em direção a Harry – era a pedra no sapato de Vernon e Petunia.

Todos, incluindo eu, olhamos para Harry. Quem, demônios, era essa senhora, ou achava que era, para tratar Harry assim? Irritei-me, obviamente. Ninguém, absolutamente ninguém, tinha o direito de tratar assim meu namorado e melhor amigo, e muito menos na minha presença.

Nesse instante, esqueci tudo a minha volta, o único ser a quem via era a tal senhora convertida em um perfeito porco-cofrinho. Senti como a ira começava a se canalizar na varinha que eu havia abaixado, quando saí do transe do fato de ver ali, em minha casa, os Dursley.

A magia e a ira fluíam juntas por todo meu corpo, senti a explosão de poder na ponta da varinha, a ergui e Harry segurou meu pulso.

- Deixe. – me sussurrou e negou com a cabeça. – Sempre é assim. Já estou acostumado.

Que, demônios, estava se passando ali?

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Jamais pensei que voltaria a vê-los. No momento, ou melhor dizendo, a noite em que completei os dezessete anos, foi a última vez que passei com eles. Lembro que, dois segundos depois de ter a consciência de ser maior de idade, recolhi todas as minhas coisas no baú e conferi o quarto umas dez ou vinte vezes para me assegurar de que não havia deixado nada. Saí as três da manhã. Peguei o Noitebus Andante e dei início à minha aventura de salvar o mundo.

No me despedi. Não disse "adeus" ou "nos vemos", muito menos "obrigado, eu os amo". Apenas me fui. Depois de tudo, o que esperavam que lhes dissesse? Com eles, na metade do tempo fui um estorvo e na outra fui seu criado, quando deveria ter sido tratado como seu sobrinho, como família, como pessoa.

Por Merlin, eu era apenas um menino que não sabia nada do mundo ou da vida! Quando descobri que era bruxo entendi o porquê do seu tratamento: medo. Mas se durante os dez primeiros anos da minha vida me esconderam a verdade, o que esperavam que lhes fizesse? A única coisa que conseguiram à parte de minha infância infeliz foi que me sentisse como um monstro... um anormal.

Porém aqui estavam, meus queridos tios, parados na sala da casa dos pais da pessoa mais importante da minha vida. Vi como empalideceram quando seus olhos se projetaram na minha pessoa e na de minha acompanhante, a qual, suponho, viram em mais de uma ocasião na estação de trem e, embora não a tenham reconhecido como minha amiga, o fato de vê-la empunhando uma varinha era pista suficiente de ela era como eu. Suponho que a última coisa que esperavam encontrar na casa da namorada de Duddley – a qual, penso, consideravam normal, bom, tão normal quanto Melina pode ser -, era dois bruxos em posição de ataque.

Por alguns minutos, segundos talvez, ninguém fez qualquer movimento. Hermione, como eu, estava em uma espécie de transe ou estado de choque. Mas então aconteceu.

O pior pesadelo da minha vida – maior que Voldemort, a própria Rita Skeeter, os livros de história que narravam minha vida contando coisas que nem eu mesmo sabia que existiam, ou o professor Snape quando se metia comigo – cruzou o marco da porta. Que diabos estava fazendo Tia Marge aqui? E na companhia de Ripper? Acaso esse cachorro tinha tantas vidas quanto um gato?

Droga! Por que Voldemort não me matou quando pôde? E que não se diga que não foi por falta de oportunidades, porque essas praticamente sobravam.

Bem mais que ver, senti como todos os olhares se pousavam em mim, deduzo que por algo que tia Marge havia dito. De minha parte, me encontrava perdido em minhas recordações da última vez que vi a irmã de meu tio Vernon: onde o pessoal do ministério a havia encontrado e em que altura? Custou-lhes muito descê-la? Como fizeram para não confundir-se e deixá-la do mesmo tamanho?

Eu ia expressar minhas dúvidas em voz alta quando senti a magia de Hermione fluir. Olhei para ela. Tinha os ombros tensos, a testa franzida e respirava agitada e profundamente pelo nariz. Vi como sua mão direita – que tinha empunhada a varinha – tremia. O que, caralho, perdi?

Segui o curso de seu olhar e me encontrei com minha tia postiça, já que finalmente ela não era nada minha. Louvado seja Merlin! Não precisei ser um gênio para saber o que havia acontecido: tia Marge falara demais. E tudo parecia indicar que havia sido grave, se não por que Hermione respiraria como um touro bravo?

Segurei sua mão antes que fizesse uma loucura e lhe sussurrei que deixasse quieto, eu já estava acostumado. Ela olhou para mim chateada e, por três milésimos de segundo, achei que eu seria o alvo de seu feitiço; abri a boca para me defender, mas alguém mais o fez primeiro:

- Quem é você? - perguntou a avó de maneira dura e cortante. A voz doce e cálida, ao parecer, saiu para festejar o natal em outro lugar. – Melina – ordenou -, apresente os senhores.

Melina girou de uma forma que, segundo creio eu, tentou ser sexy mas que resultou ser demasiado exagerada, posto que as alças do seu vestido branco...?, Quando,demônios, ela se trocou?, se moveram em direções opostas.

- Família – começou -, este é meu namorado: Duddley. – Apoiou-se no suso dito. – Embora eu prefira chamá-lo de Rocco, soa melhor. – "Até Filomeno soa melhor", pensei ouvir de alguém. – E estes – voltou-se para meus tios, que ainda estavam mais brancos que papel e olhando para a varinha que eu ainda não havia guardado -... são seus pais. Vernon e Petunia.

Quando minha tia ouviu seu nome retirou o seu olhar de mim e, com uma leve e discreta cotovelada na costela do seu marido, conseguiu fazer com que ele fizesse o mesmo e cumprimentasse a família da namorada de seu filho com uma inclinação de cabeça e um curto "Muito prazer".

- Ainda não respondeu minha pergunta – interveio novamente a pessoa de mais idade na família. Sua pergunta estava claramente dirigida à Melina, mas seus olhos olhavam fixamente a quarta Dursley. – Quem é... essa?

- Eh… - Melina mordeu-se o lábio. Parecia que ainda não havia conhecido minha parente postiça.

- Margory Dursley. Irmã de Vernon e a tia favorita de Dudders – apresentou-se ela sozinha. "Sério, com esse nome eu teria me matada há muito tempo". Ou minha imaginação estava disparando ou, de fato, a voz dos tios de Hermione ficou muito bem gravada na minha mente e agora os ouvia a cada instante.

- Alguma relação com o namorado da minha outra neta? – perguntou a avó com o mesmo tom cortante de voz.

- Perdão? – interrogou tio Vernon com a veia da pele palpitando a uma velocidade vertiginosa. Presumo que eles não esperavam encontrar um par de bruxos na casa da namorada perfeitamente "normal" de seu filho, então, para que não fossem dar de língua e, também, para acabar com as surpresas e apresentações, dei dois passos para frente, ainda sem guardar a varinha, e os saudei.

- Tio Vernon, tia Petunia: uma prazer vê-los de novo. – Fiz uma inclinação de cabeça e me voltei em direção a meu primo, que, ao ver que cravava meu olhar nele, retrocedia dois passos. Incrível o efeito de terror que a varinha ainda produzia nele. – Ei, Grande D! – o cumprimentei como o faziam os membros de sua turma e tive a satisfação de vê-lo retroceder dois passos mais. – Como vão os pesadelos? – soube no exato instante em que ele retrocedeu que havia recordado nosso encontro com os dementadores. Certamente não era algo bom de se rememorar – o sabia por experiência própria -, mas não deixaria de aproveitar a chance de cobrar todas as vezes que zombou de mim quando eu sonhava com o assassinato de Cedric.

Movi um pouco minha cabeça em direção à última pessoa que esperava ver.- Tia Marge. Há quanto tempo não nos vemos? – saudei o mais sério e formal que pude. Eu bem sabia a exata data desse encontro, mas não porque, sem querer – ou melhor, querendo – a havia inflado; não porque não me expulsaram do colégio como mandavam as regras... Não. Eu recordava aquele dia porque foi a primeira vez que vi Sirius e como tudo mudou minha vida naquele ano.

- Merlin! É ela? – exclamou, em um sussurro, Hermione.

- Sim. – Não sei se os demais nos ouviram, a verdade é que não me importou. Todo meu eu se concentrou na sensação que percorreu meu corpo quando Hermione entrelaçou seus dedos com os meus e meu olhar encontrou o seu. Ninguém melhor que ela sabia o que essa família significava na minha vida. Também soube, e somente Morgana sabe como, que ela também pensou em Sirius e que com esse "É ela?" queria confirmar suas suspeitas de que aquela era a tia que eu havia inflado e pelo que Ron me felicitou e felicitava toda vez que sua mãe lhe lembrava que tinha que visitar seus parentes.

- Se conhecem? – perguntou Melina. Acaso essa garota era idiota? Se eu acabava de me referir a eles como tio... Um olhar rápido na cara das pessoas me indicou que precisavam de uma confirmação.

- Sim. – Disse antes que meus tios interviessem. – Quando meus pais morreram, eles – apontei-os com a cabeça – eram a única família que eu tinha.

- Desgraçadamente. – soltou tia Marge. Se alguém a ouviu, não se atreveu a fazer comentário algum.

- Bom – interveio, após uns segundos de incômodo silêncio, a mãe de Hermione -, já que todos nos conhecemos... Passamos à sala de jantar? Tenho certeza que todos temos um pouco de fome.

- Sem dúvida. – retorquiu Patty – Eu estou louca para provar os canelones.

Assim, pouco a pouco, não sem uma ponta de tensão no ambiente, todos foram para a sala de jantar, os Dursley, Melina, Hermione e eu.

- O que você faz aqui? – sussurrou tioVernon.

- Estou conhecendo a família da minha namorada. Não sei se lembram dela – ergui a mão com a qual segurava a de minha amiga e depositei um beijo em seus dedos. – Ela é Hermione. Sempre me despedia dela na estação de trem quando voltava da escola.

- Mas isso é impossível – disse tia Petunia. – Viemos conhecer a família da namorada de Duddley. Esta é a casa dela, não?

- Sinto decepcioná-los – interveio Hermione, séria -, mas esta é a casa de meus pais. Melina é minha prima e é uma convidada.

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Não sei se foi intervenção divina, força de vontade ou a voz da tia Clara que nos chamava da salta de jantar, mas todos nos pusemos em movimento até alcançar nossos respectivos lugares à mesa retangular, que, decerto, estava perfeitamente decorada e previamente disposta para a ocasião. Acaso minha prima não podia fazer, por menor que fosse, uma coisa errada?

Tinha um namorado perfeito que fez um estúpido e perfeito discurso sobre estar apaixonado por ela, e o qual, a meu ver, ele havia memorizado e ensaiado para esse momento; depois, meu super Ás e última carta provou ser um redondo fracasso.

Já dizem as más línguas que as santinhas são santinhas a vida toda, mas isso eu jamais perdoaria. Achava que, por fim, ela havia se metido em algo escandaloso. Mas não. E ainda por cima, me fez de ridícula diante de toda a família! Que culpa tinha eu de ter transmitido uma informação de vital importância? Não era minha culpa que a maldita estivesse brincando de estar grávida, menos ainda que seu patético filho fosse um urso gigante de pelúcia.

Por um curtíssimo período de tempo senti que a tinha nas mãos. Por fim, Hermione Granger perderia sua fama de bonequinha perfeita. Mas a desgraçada se defendeu e rebateu todos os meus argumentos, conseguindo, inclusive, que eu mordesse a língua, que a vovó me desafiasse e que meu pai me taxasse de idiota. E era precisamente este último que mais me fervia o sangue.

E como se isso tudo não fosse suficiente, agora ocorre que seu namorado e o meu são parentes! Primos! Para variar. Porém, no meio de todo o mal – Graças a Deus! – sempre há algo bom e esse algo era a tia de Rocco, que, por arranjo da vida, eu tivera o prazer de conhecer. Essa mulher, sim, era de pegar em armas! Olha que insultar, de primeira, o namoradinho da minha prima na frente da vovó, a qual, aparentemente, havia se adjudicado o dever de defender o casalzinho, era admirável. A senhora já havia ganho minha eterna devoção. No que se refere aos pais, o senhor parecia também odiar o tal Harry (creio que se chamava assim) e a minha prima. Não tinha a menor idéia do porquê, mas era um ponto a seu favor. A senhora, bom, ela não havia optado por uma postura aversiva, mas tampouco uma de aceitação, estava mais para indiferente. Claro que o fato de chamar seu filho de Duddley lhe tirava pontos. Quem põe um nome desses, pelo amor de Deus?! Por isso eu o chamava de Rocco, soava mais masculino e se parecia com o do famoso boxeador, Rocky. Depois de tudo, meu namorado também era boxeador.

A primeira parte do jantar transcorreu em paz. Fizeram suas respectivas orações, meu Tio Richard partiu e repartiu o peru – outra coisa que a "cabelos de vassoura" fez bem – e, entre risos, conversas e ruídos de beijos começamos a celebrar o Natal.

Minha prima, por desgraça ou porque Deus assim queria, estava sentada exatamente a minha frente com seu perfeito homenzinho, com quem compartia olharzinhos e risinhos bobos a cada instante, o que também não facilitava as coisas.

Tentei, com muita vontade, manter a paz até que a ceia chegasse ao fim e passássemos a abrir os presentes, não porque eu não estivesse pronta para o próximo round. Não, o que eu não queria era queimar o filme diante dos meus sogros, que pareciam estar fazendo um grande esforço para relaxar e não olhar tão descaradamente para minha prima e para o tal de Henry, ou era Harry?, tanto faz . O ponto em questão é que ambos não conseguiam tirar os olhos de cima deles. Faziam tanto esforço que se assemelhavam a tia Mônica tentando não vomitar ao ver a bola de pêlos e pulgas que estava comendo ao lado da tia do Rocco. Não sei se foi esse esforço em dissimular os olhares, ou os risos de Hermione com seu namorado, ou o fato de que meu namorado não abrira a boca para dizer um "pio", mas minha língua e meus neurônios "vai fundo contra a cabelo de vassoura" se ativaram. O segundo round ia começar.


Nota da Tradutora:

Finalmente, o 14º! E nem me perguntem, eu não saberia por onde começar. Mas, né?, o que importa é ter saúde! Saúde e o ego infladíssimo, cortesia da própria J.K. Rowling, depois de admitir que se precipitou, para dizer descaradamente que errou, ao optar por fazer um Ron/Hermione por "motivos meramente pessoais, na época, e não por qualquer outro de credibilidade literária". Afinal, hermanos, não é todo dia que Rowling vem a público admitir o que todo H² (Pumpkin) sempre soube, desde que o fandom é fandom: que Harry/Hermione sempre foi uma possibilidade nas linhas, entrelinhas e sublinhas, e que, nas palavras da própria autora, seria o melhor casal dos livros, de muitas formas. ;]

Então, sim, vocês estão pouco se lixando para o atraso de um simples capítulo, porque o fandom (ainda!) está, literalmente, vindo abaixo. E a melhor parte? Desta vez, quem assiste a tudo, de camarote (os imperadores da budega, ha!), sem mover uma palha, são os que no passado não conseguiam sossegar um segundo sequer. Por que, né? Férias são merecidas por um motivo: desfrutar. Que é o que, a essa altura do fandonato, estamos a fazer. Merecidamente.

Gracias, Rowling, por admitir. É um karma a menos. ;]

Torta de abóbora... servidos? XD